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História Ravenmaster - Capítulo 12


Escrita por: MelindaInu

Notas do Autor


A vversão da música que o Itachi canta


https://youtu.be/KTmatjyd4KM

Capítulo 12 - Hati


Fanfic / Fanfiction Ravenmaster - Capítulo 12 - Hati

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O maldito sabia o que estava fazendo, e me deixou querendo mais do que só beijos. Fisicamente, pelo menos, minha cabeça estava perdida em comparação e suposições.


Quando ficou impossível ignorar meu incômodo, afastei ele de mim e voltamos a caminhar pela rua deserta até o meu destino. Não conversamos, mas ele se aconchegou em mim apesar do calor que vinha dos nossos corpos.


As luzes da torre estavam apagadas, tudo parecia quieto demais até. Eu estou ficando paranóico depois de ouvir tantas histórias de Itachi e Sasuke pois eu poderia jurar que estava ouvindo um rosnar baixinho e longe.


-Bom, está entregue - Kakashi deu um beijo breve e calmo em mim - Contra minha vontade, mas está entregue.


-Você não tem jeito mesmo.


-Não me culpe, culpe seus olhos - Ele fez um carinho no lado do meu rosto - Vou te ver de novo?


-Vou pensar nisso.


-Com carinho?


-Sim - Respondi enquanto revirava os olhos.


-E com tesão também?


-Vá embora, Kakashi.


Eu ri da sua pergunta e Kakashi beijou meu rosto ternamente, depois de desejar boa noite, ele caminhou de volta para a rua. Fiquei parado ali até perder ele de vista e finalmente entrei pelo pequeno portão para funcionários.


Mal tranquei o portão dos funcionáros e uma movimentação do meu lado direito chamou a minha atenção, um barulho similar a um rosnado outra vez e uma lamúria vindo da área do jardim. Eu corri até a origem da confusão a tempo de ver Stephen ser derrubado por um lobo enorme com pelagem negra e olhos amarelados. 


-Stephen!


Eu gritei seu nome e corri tarde demais. Diante dos meus olhos o lobo cravou os dentes no pescoço dele. Não sei bem como explicar, mas eu consegui ouvir tudo, desde as presas rasgando a pele dele, até a batida frenética do seu coração diminuir pouco a pouco. 


Eu peguei a primeira coisa que eu vi, uma tesoura de jardim e a cravei na nuca do lobo e fiz força para a abrir contra sua pele. Juntei forças que eu nem sabia possuir e joguei o lobo contra o muro, mas o animal se levantou e uivou.


Ouvi garras arranhando o muro, algo se chocou e em seguida dois lobos apareceram no topo da torre, os dois cinzentos e rosnando contra mim.


Recuei alguns passos até que esbarrei numa vara comprida de metal que nós usávamos para tirar a neve da calha quando necessário. Não era tão comprida quanto uma Glaive mas seria útil.


Os dois pularam contra mim e eu girei a barra de ferro no meu eixo, acertei o dorso de um deles e o joguei para a minha direita. O segundo lobo caiu no chão antes de vir contra mim em uma linha reta. Girei a barra baixo no chão e consegui acertar uma das suas patas. Foi o bastante para ele ficar mais lento e eu conseguir correr até ele e transpassar o seu corpo com o cano.


Não consegui tirar o cano do lugar sem partir o metal. Fiquei com um pedaço pequeno e inútil em cada mão. Os outros dois animais correram até mim em zigue zague, dificultando que eu previsse quem atacaria primeiro.


Não achei nada para me defender, quando o lobo maior pulou em mim usei a barra para impedir suas presas de rasgar meu rosto. Cravei o outro pedaço partido no seu torso, o sangue quente dele escorrendo no meu braço.


Ele não parou de rosnar e minha força cedeu quando vi Itachi acima de mim, as asas negras com um brilho vermelho como se fosse carvão. Itachi tirou o lobo de cima de mim e o jogou contra o lobo menor, contra o muro.


Fiquei sem reação quando vi chamas escuras saírem das asas de Itachi, envolvendo e consumindo o corpo do lobo maior. Sasuke parou ao lado dele, ergueu as mãos e raios negros envolveram o lobo, intensificando as chamas do seu irmão.


-Você está bem? - Itachi me perguntou ainda de costas para mim.


-Estou bem, mas o Stephen…


-Fique com ele.


Itachi falou e caminhou até os lobos que estavam se contorcendo sem parar, e eu virei para o meu amigo caído.


-Naru…to?


Ele ergueu a mão trêmula na minha direção, os olhos verdes focados no céu acima de nós. Nunca vi um olhar tão triste e assustado como o dele.


-Estou aqui Stephen, você não está sozinho.


Segurei sua mão e tentei o acalmar um pouco com frases sem sentido e infundadas. Pelo ritmo do seu coração, Stephen não teria salvação. Fiquei ao seu lado até o fim, com os olhos fechados e consciente dos sons ao meu redor, por isso eu soube quando ele deu seu último suspiro.


Lembro que ouvi passos e que Itachi falou alguma coisa para mim e segurou o meu ombro antes de me fazer levantar e o seguir.


-Onde estamos indo?


-Para o seu quarto.


-Mas o Stephen...


Olhei por cima dos ombros para o corpo caído dele, Sasuke estava agachado ao seu lado. Pareceu errado demais deixar ele sozinho, mas Itachi não me deixou ir até ele.


-O Sasuke vai cuidar dele.


-Mas…


Tentei resistir outra vez e Itachi segurou meu rosto dos dois lados, me obrigando a olhar para ele. Ele enxugou lágrimas do meus olhos que eu nem sabia que estavam ali.


-Confie em mim, Naru, por favor.


Virei o rosto uma última vez antes de dar a costas para Stephen, meu coração se apertou um pouco mais a cada passo. Fechei meus olhos e deixei Itachi me conduzir. Ele me fez deitar a cabeça no seu ombro e me sustentou durante o caminho. Contei os passos e os degraus para tentar abafar o som das últimas batidas do coração dele que ainda torturavam a minha alma.


Itachi abriu a porta do meu quarto e me deixou parado na entrada do banheiro para mexer nas minhas roupas. Não me movi, ainda estava tentando processar os últimos momentos quando ele me empurrou em direção ao banheiro.


-Você precisa tomar banho, Naru - Ele me entregou algumas peças de roupa e uma toalha.


-O que eram aqueles animais? - Perguntei antes de passar pela porta de madeira.


-Prometo te responder qualquer coisa depois que você tomar banho. Pode ser?


Itachi pediu com as sobrancelhas franzidas. Eu só concordei e ele me disse que logo voltaria. Liguei o chuveiro e entrei na água quente, me concentrei no barulho da água, aos poucos seu som calmante substituiu o som persistente na minha cabeça me ajudou a relaxar um pouco.


Desliguei o chuveiro quando a água começou a ficar fria causando arrepios em mim, coloquei as roupas que Itachi me deu e saí do banheiro abafado pelo vapor em seguida. Não tinha ninguém ali, só me joguei na cama de qualquer jeito e apertei o travesseiro na minha cabeça, tentando abafar os sons irritantes ao meu redor.


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Ao que parece, meu corpo reage ao estresse me colocando para dormir. Quando me machuquei no exército, quando aquele raio nos atingiu e agora também. Meu consolo foi que eu tive um descanso sem sonhos mas o meu desespero foi acordar pensando que era mais um dia normal até as lembranças estourarem por trás dos meus olhos ainda fechados.


-Não me olhem assim, odeio esse olhar de pena.


Mesmo sem abrir os olhos eu sabia que os dois estavam ali comigo, suas respirações eram inconfundíveis. Sentei na minha cama e puxei a coberta mais para cima. Vi Itachi sentado na beirada da minha cama e Sasuke estava com as pernas cruzadas e sentado no tapete fofinho. Ele me jogou uma garrafa de água, esta que eu aceitei imediatamente.


-Tudo bem, podem começar a me contar.


Pedi depois de tomar alguns goles e os dois trocaram um olhar breve e Sasuke tomou a iniciativa.


-Lembra quando te contei sobre Skoll e Hati?


-Os lobos que perseguiam o sol e a lua?


-Esses mesmos. O que derrotamos hoje foi Hati, o lobo que perseguia a lua. Temo que seu irmão esteja à solta ainda.


-Você disse que só um lobo seguiu vocês na Bifrost.


-Era o que nós pensávamos. Eu sinto muito, Naruto.


-O que ele queria aqui?


-A lança Gungnir - Sasuke respondeu - Ela é capaz de abrir a Bifrost. Se eles conseguirem, vão trazer a destruição para o que restou dos nove mundos.


-Então vocês simplesmente deixaram ela ali para qualquer idiota ver?


-A lança sozinha não pode fazer nada, não sem a energia certa.


-Então o Stephen morreu por nada?


A raiva fez com que eu falasse mais alto e vi Sasuke se preparar para me responder a altura. Ele só não o fez porque Itachi sentou mais perto de mim e me abraçou, deixando eu e Sasuke sem reação.


-Nos desculpe pelo seu amigo. Eu sei que meras desculpas não vão trazer ele de volta, mas saiba que nós sentimos muito.


Eu pude sentir a verdade na sua voz, além de luto e pesar. Suas palavras não foram só da boca para fora, vinham do seu coração e conseguiram me acalmar ao menos um pouco.


-Tudo bem.


Dei alguns tapinhas no seu ombro e ele me soltou do abraço mas continuou sentado perto de mim e brincando com o meu cabelo, mesmo que Sasuke nos olhasse com reprovação. Eu sei muito bem quais são os seus medos e por isso escolhi ignorar sua expressão raivosa, pelo menos por hora.


-O que você fez com o Stephen?


-Nada ainda, apenas o tirei de lá e limpei o gramado. Queremos conversar com você antes de agir.


-Pode falar, Sasuke.


-Não podemos deixar as pessoas saberem a verdade, você entende, não é?


Por mais que eu odiasse, eu entendia sim.


-Itachi vai alterar as memórias dos Yeomans Warders que apareceram quando você saiu para eles acreditarem que Stephen morreu de uma parada cardíaca.


Era um plano melhor, Stephen não era casado mas tinha um filho adulto que mora fora de Salutem, seria mais doloroso que o normal para ele e injusto demais com ele. Eu acenei outra vez e os dois pareceram aliviados.


-O que vamos fazer sobre o Skoll?


-Ainda não sabemos - Sasuke falou outra vez - Não temos um jeito de rastrear ele sem..


-Sem? - Perguntei quando ele se calou no meio da frase.


-Sem sairmos dessa torre e causar pânico nas pessoas. Skoll só aparece durante o dia, o que torna quase impossível para nós voarmos sem chamar muita atenção.


Itachi falou um pouco rápido demais e Sasuke concordou com ele. Eu soube na hora que tinha alguma coisa errada com eles, mas meu olho estava ardendo outra vez e minha cabeça parecia pulsar com cada batida do meu coração. Poderia pensar nesses detalhes depois, agora só queria deitar outra vez.


-Eu vi o que você fez… Foi impressionante.


O elogio de Sasuke me assustou, não esperava ouvir algo do gênero vindo dele, mas eu não consegui ficar feliz com suas palavras, embora tenha lhe agradecido assim mesmo.


-Antes que eu me arrependa…Qual o seu braço dominante?


-Direito, por que?


Sem explicar, Sasuke tirou um bracelete de prata que eu nunca tinha reparado nele usando, agarrou minha direita e forçou o metal para encaixar no meu pulso. O metal frio deu uma sensação estranha quando tocou na minha pele.


-O que é isso?


-Eu fiz da empunhadura da espada Hofund. É para proteção.


Olhei o bracelete, no centro tinha o desenho de três chifres cruzados, o chifre de Odin. Ele ficou um pouco encabulado quando agradeci e coçou a nuca para disfarçar o constrangimento.


-Bom, eu vou para o meu quarto. Você vem, Itachi?


-Eu vou depois.


-Boa noite.


Ele se despediu de mim e saiu, não sem antes deixar um olhar estranho sobre nós. Me deitei e logo em seguida senti Itachi deitar atrás de mim e me abraçar por cima das cobertas, e minhas barreiras quebraram dentro dos seus braços.


-A culpa é minha, Itachi.


-Não diga isso, Naru.


-É sim - Eu falei mesmo com a voz travando na garganta - Eu pedi para ele trocar comigo para que eu pudesse sair… é culpa minha.


Itachi não me respondeu com palavras, porém, ele me aconchegou mais ainda em seus braços. Eu queria chorar e poder liberar um pouco a pressão dentro do meu peito, estava ficando doloroso até mesmo para respirar. Eu nunca fui uma pessoa supersticiosa, e estava me culpando por isso. Se eu tivesse simplesmente voltado mais cedo ao invés de ficar beijando o Kakashi como se eu fosse um adolescente…


-Maldito lugar barulhento!


Parecia que quanto mais as minhas emoções se intensificavam, mais minha cabeça doía com os sons martelando nos meus ouvidos. Uma vez eu li sobre hiperacusia, uma condição que uma lesão no nervo auditivo resulta em muita dor, exatamente como eu estava agora.


Acho que o acidente deve ter fodido meus tímpanos, porque todos os sons estavam me causando muito sofrimento nesse momento.


-Uma vez Heimdallr comentou que seus poderes lhe causavam muita dor no começo, ele podia ouvir cada pequeno barulho nos nove reinos, gritos e lamúrias, brigas, pedidos de ajuda… todo o tipo de som.


-Como ele lidava com isso?


-Ele aprendeu a se concentrar em um som apenas. Por muito tempo o seu preferido foi o das ondas do mar, depois o bater de asas de um beija flor, e por fim a batida do coração da sua amada.


Pensei um pouco no que poderia me acalmar e logo percebi que de todos os sons, o único que não me incomoda é a sua voz. Pedi para ele me contar histórias até que eu dormisse, mas ao invés disso ele cantou uma canção que minha mãe cantava nas noites frias da minha infância.


Du varg du varg, kom inte hit

Ungen min får du aldrig

Du varg du varg, kom inte hit

Ungen min får du aldrig


Vargen ylar I natten skog


Seu lobo, seu lobo, não venha aqui

Eu nunca deixarei você levar o meu filho

Seu lobo, seu lobo, não venha aqui

Eu nunca deixarei você levar meu filho


O lobo está uivando na floresta durante a noite


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