História Rayons - Capítulo 8


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Categorias Justin Bieber, Rosie Huntington-Whiteley
Personagens Ian Somerhalder, Justin Bieber, Personagens Originais, Rosie Huntington-Whiteley
Tags Drama, Reviravolta, Romance, Suspense, Violencia
Visualizações 570
Palavras 11.696
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Luta, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Caramba, voltei! Que saudades de todos vocês ♡
Primeiramente mil perdões por tamanha demora, nem eu aguentava mais passar tanto tempo nesse hiatus de férias, porém em compensação foram ótimas HAHAHAHAHAHAAHA
Trago comigo capítulo fresquinho, cheio de grandes emoções(novidade?) como já devem estar habituados a ver por aqui, mas dessa vez pela pespectivas perversamente deliciosa do nosso diabinho favorito HAHAHAHAHA
Tenham uma Ó T I M A leitura ♡

Capítulo 8 - Interseção


Fanfic / Fanfiction Rayons - Capítulo 8 - Interseção

Você vai rebolar por essa grana ou não?

Me mostre do que você é capaz de fazer por dinheiro, ou não?

Não brinque com o chefe, tire isso da cabeça.

Se guarde para a pessoa certa, você vai ganhar tudo. — Or Nah, Ty Dolla $ign.


 

P.O.V. Justin Bieber

 

— Você só pode estar ficando louco! — A voz aborrecida de Butler saia entre um gole e outro no Whisky, gritando as palavras de reprovação para que a música alta da boate decadente não se sobressaísse. Evidenciando que mais uma vez, minhas ordens que nunca seriam repensadas, o desagradavam — Seus caprichos imbecis vão ser sua ruína. Onde pretende chegar levando uma stripper que não sabe proteger nem a si mesma, para um encontro com um chefe de cartel? É para mostrar seu poder? Para convencer a si mesmo que faz o que quer e ninguém é capaz de contrariá-lo? Ou está tão obcecado por uma mulher que o renega, que prefere colocá-la no olho do furacão para fazê-la ver com quem está lidando, a dar importância para o fato de estar dando de bandeja informações que podem foder não só você, mas todo mundo que está nessa porra também?!

Estava entorpecido pelo álcool e drogas, que juntos das mulheres siliconadas de nacionalidades diferentes, nuas, dançando, drogando-se e nos entretendo como vagabundas ordenadas para satisfazer quem as oferecesse maior interesse. Porém, o confrontamento descabido e as palavras de audácia vindas do imbecil que estava qualificado como um de meus homens de confiança, fez com que imediatamente o bom humor e divertimento chegassem ao fim.

Empurrando para longe as putas que esfregavam-se umas nas outras sob meu colo, ergui rapidamente o corpo, cambaleando no primeiro segundo para logo em seguida alcançar o equilíbrio novamente. Aproximando-me abruptamente de Butler, tomei de suas mãos o copo em que o imprestável bebia, lançando-o contra parede antes que uma reação fosse efetuada, fazendo o vidro partir-se em pedaços.

O olhar de discordância em misto com a raiva ficaram estampadas no rosto daquele que era meu braço direito no mundo sórdido do crime, já sabendo o que viria pela frente, apenas aguardou.

— Que se foda todo seu monólogo de precaução, enquanto a porra dessa cidade for comandada por mim, você, os que me servem e até mesmo quem está contra mim, terão que aceitar o que eu decreto. Porque o que Justin Bieber fala é lei! — Cuspindo as palavras intolerantes em sua cara, mostrei mais uma vez que suas falas de responsabilidade não faziam a mínima diferença para mim.

— Chega, porra! — Lil Za entre palavras enroladas intrometeu-se, fazendo com que meu olhar impaciente fosse diretamente para ele. Cercado por três mulheres com notas de cem dólares enfiadas em todos os orifícios do corpo, colocadas por ele próprio, o segundo imprestável era consumido pelo vício de ostentar poder. O nariz ainda em secreção pela longa carreira de pó que havia sido inalada a pouco tempo e a garrafa quase vazia de vodka em sua mão, mostrava que Lil Za sabia desfrutar daquilo que o dinheiro podia proporcionar. Ou melhor, do que os negócios poderiam — Bieber sabe o que faz, Butler, deixe com que ele leve a vagaba para o encontro com Ramirez. Se algo acontecer e a mulher fizer o que não deve, a matamos, simples e rapidamente!

Completamente despreocupado sobre, retornou a atenção para as prostitutas, sem mais tocar no assunto. Butler não desarmou-se, porém sabia que eu jamais voltaria atrás de uma decisão e não se conformando, mas sim deixando de tentar combater-me, também finalmente calou-se.

Voltando para o sofá vermelho sangue daquela área privada, onde o dono do pardieiro havia tratado de encher de suas melhores prostitutas e regalias, como uma forma de tentar agradar aquele que estava acima de todos os que naquele inferninho estavam, a imagem da vagabunda atrevida retornou com força total, tomando todo o espaço em minha mente nublada pela droga e álcool. Desde o momento em que a cadela dos infernos havia se mostrado capaz de tudo pelo que almejava, inclusive matar se fosse preciso, até o dia anterior onde foi absolvida suas forças até a última gota em um árduo treinamento, o fascínio e anseio descomunal pela vagabunda dos infernos havia crescido significativamente.

Jones havia mostrado ao longo daquela semana em treino o quão insolente, imprevisível e impenetrável poderia ser. O corpo bem curvado e aparentemente frágil era hábil, rápido e isso a dava vantagem em inúmeras situações. A derrubei, a fiz derrubar, fiz com que seu corpo chegasse ao esgotamento buscando a perfeição em golpes de defesa que possivelmente a cadela pudesse precisar usar no dia em que estivesse a meu lado, cara a cara com o traficante mexicano. A vagabunda dos infernos era a perfeita definição de um demônio com máscara angelical.

A rainha do purgatório que fervia em chamas. Poderia ser tão quente como o inferno? Com toda a certeza aquele título a caberia excepcionalmente bem.

Meu olhar estava preso na multidão de corpos que dançavam colados um ao outro na pista, enquanto que as prostitutas tocavam-se na tentativa falha de chamar minha atenção. A mente preenchida por Jones e o olhar vago pairando pelo ambiente foram substituídos pela consciência novamente, assim que o verme com as malas de dinheiro em mãos surgiu, finalmente fazendo aquilo que havia me levado até aquele pardieiro. A conta que mensalmente deveria ser paga em troca da continuidade do funcionamento da boate decadente, 40% de todo o rendimento do lugar e poderia tranquilamente prosseguir com o pardieiro imundo. Caso aquela pequena lei não fosse honrada, qualquer um que ousasse passar por cima de minha autoridade veria da pior maneira que com o dono de Nova York não deveria se brincar. O mundo sem escapatórias do crime pelo menos naquela maldita cidade, tinha um chefe e ele era eu.

Aproximando-se com o semblante forçadamente amigável, Aaron Marshall, tentou como sempre esconder o ódio e frustração que sentia sempre ao entregar parte de seu tão sofrido e batalhado lucro. A insatisfação tentando ser disfarçada era evidente até mesmo para o mais imbecil dos seres humanos e presenciar seu teatro mensal motivado unicamente pelo medo do que ocorreria se negasse pagar o que devia, era extremamente cômico. E não rir explicitamente de sua cara era uma tarefa impossível.

— Vejo que estão aproveitando minhas meninas! — A voz com falsa simpatia, forjando uma intimidade que jamais existiria nem com aquele pobre verme como com qualquer outro do ramo, causavam-me profundo tédio. Porém, o sadismo gritante informava que jogar em sua cara exatamente onde era seu lugar, como sempre ocorria, traria-me um pouco de divertimento.

— São tão ruins e imprestáveis como todo este lugar. — Derramando sobre o patético verme toda a hostilidade e indiferença, o respondi sem poupar a rudeza e sinceridade nas palavras.

O ódio impresso em seu semblante arrancou um genuíno sorriso de satisfação em meu âmago. Tentando conter os reais sentimentos que o consumiam, Marshall tentou arduamente demonstrar que minha provocação não o jogava novamente na lama da qual havia saído, forçando para que o sorriso falsamente amigável estampasse novamente sua enojável cara.

— Isso não será mais um problema, meu amigo! — Sentando-se a meu lado no sofá e de imediato recebendo as prostitutas em seu colo, como cadelas que encontram novamente seu dono, o homem patético exclamou desta vez transmitindo algo diferente do que normalmente demonstrava sempre em nossos encontros mensais. Aaron Marshall sabia que era um verme e jamais sairia da lama da qual sempre esteve, a boate decadente não o tornava um pouco menos desinteressante e patético. Ele sabia que não era digno nem sequer da presença do grande Bieber, porém no final daquela frase a expressão de triunfo intrigou-me e as palavras seguintes ainda mais — Acabo de fechar negócio com um fornecedor, novas garotas chegarão em breve, de todas as partes do mundo. E isso acontecerá com frequência pois ele também tornou-se sócio deste lugar. Essa boate irá subir degraus de nível, meu amigo!

Captando cada palavra com clareza, mas focando principalmente no momento exato em que o imprestável informara sobre seu mais novo empreendimento, imediatamente uma luz ligou-se em minha cabeça, iluminando o que aquilo significaria para mim e para meus negócios, para meu império. Um filho da puta ousara instalar o tráfico internacional de mulheres em minha cidade, sem meu aval. Porém não era aquilo que de fato trazia a maior parte de todo o problema, mas sim o que aquela prática acarretaria. Bastava o empenho de autoridades internacionais, como por exemplo a interpol, e Nova York entraria nos holofotes mundiais, autoridades de inumeráveis países. As coisas saíriam de meu controle, não demoraria muito para que outros atos criminosos fossem investigados e descobertos. O império que havia dado minha própria vida para construir, cairia em ruína. E seria a última coisa no mundo que viria acontecer, antes de jogar o rei daquela cidade na lama, eu o faria pagar por sua audácia com a vida.

— Até que enfim está tomando decisões inteligentes e investindo nesta espelunca. — Sem mudar a forma que tratava o imbecil a meu lado, não precisei fingir gentileza, sabia que Marshall me daria exatamente aquilo que desejasse com uma simples palavra que elevasse seu ego abatido, mesmo que essa não fosse tão amigável. O imprestável daria-me as informações necessárias para que até o final daquela noite, tivesse em minhas mãos a cabeça do filho da puta que entrara em meu caminho. A facilidade que aquilo aconteceria ficou evidente quando o deslumbre de animação estampou a face do imbecil, mostrando o quão manipulável era.

— Quando estamos ao lado do melhor, tomamos decisões melhores. — Soltando a frase patética, glorificando-se, como se de fato contrabandear mulheres e transformá-las em prostitutas o fizesse deixar de ser o imundo digno de pena que era.

Tentando arrecadar toda minha disposição para ouvir as imbecilidades que o verme expelia, prosseguir com o pequeno teatro de manipulação para chegar até o que realmente me interessaria em todo aquele diálogo.

— Certo. Mas, diga-me, Marshall... onde posso encontrar esse fornecedor? — Questionando-o de uma vez, dei fim aos rodeios de bajulação ao fracassado

— Digamos que meu interesse pelo ramo esteja finalmente surgindo.

Levando a vodka em meu copo até a boca, sem mais sequer fitar o imbecil a meu lado, decidia que trocar algumas palavras com o verme já haviam sido o bastante para convencê-lo da veracidade de minhas falas. E exatamente como o esperado, sua resposta foi imediata.

— É um grande empreendedor, o que causa não muita acessibilidade para alguém. Mas se realmente desejar, pode encontrá-lo em um dos empreendimentos dos quais ele também é sócio ou dono. Para encontros de negócios como este, procure-o no Masa, um restaurante de renome no centro de Manhattan... — A expressão do imprestável foi transformando-se a medida que cada palavra saía de sua boca e como se finalmente se desse conta da valiosa informação que entregara-me de bandeja, o ódio sem conseguir ser mascarado retornou. Os olhos queimando em brasa por perceber que estava sendo explicitamente usado despertaram o sorriso recheado de deboche em meu rosto, reafirmando aquilo — Ou mais especificamente, um lugar onde possa meter bala em quem ache necessário, mas com certeza isso não será um problema para você, meu amigo. Ele irá adorar estreitar negócios com o grande Justin Bieber.

O cinismo amargurado presente em cada palavra do imbecil apenas não divertia-me mais do que as sentenças que minha mente já traçavam para aquela noite. E sem mais precisar do imprestável e de suas informações, pondo o copo de vodka já vazio sobre a pequena mesa que ali havia, o fitei dando fim a qualquer mínima atenção e intimidade que havia concedido-o por aquilo que me interessava.

— Com certeza ele vai, agora suma daqui. — Impaciente por não suportar por mais um mísero segundo dividir o mesmo ar com o verme, tomei de suas mãos as malas que continham o pagamento mensal destinos a mim em troca do funcionamento da espelunca — Da próxima vez que botar meus pés neste genérico de casa noturna, se esforce para mostrar um serviço melhor. Agora, suma da minha frente!

A fúria silenciosa parecia rasgá-lo por dentro porém sabendo que não poderia fazer nada a respeito, o homem fracassado pôs-se de pé e sem dar uma palavra em própria defesa, fez o que o ordenei, carregando o orgulho ferido e a humilhação junto consigo. As gargalhadas sórdidas vieram logo em seguida, como sempre minha vontade havia sido soberana. O dinheiro e a informação estavam sob minha posse, agora restava somente uma coisa... dar fim àquele que poderia criar grandes problemas para mim.

Os olhares interrogativos dos dois que haviam me acompanhado até ali, cercaram-me. Enquanto que toda minha atenção era redirecionada ao dinheiro nas maletas, conferindo se de fato estava tudo ali. As perguntas repletas de confusão vieram como algo comparado a velocidade da luz, Lil Za foi o primeiro a bombardear-me com elas.

— O que é isso agora, cara? Você sempre desprezou a hipótese de se envolver com tráfico humano e de repente muda de decisão? Que porra está acontecendo com você, parceiro? — Pela primeira vez em toda sua inútil vida, o imbecil que fazia parte do seleto grupo de privilegiados em meu império, questionava com verdadeira preocupação, mesmo que suas palavras ainda saíssem enroladas umas nas outras pelo efeito das substâncias ilícitas.

— Nem ele sabe dizer o que acontece consigo mesmo. — Palpitou Butler, indiferente a preocupação do outro, mostrando o quão irritado estava por não ter dado ouvidos às suas  repreensões ao ponto de aparentemente não mais se importar com minhas decisões as vezes impulsivas.

Entediado e sem uma mínima gota de paciência para explicações, tomava os dólares em minhas mãos, extasiado pelo maravilhoso perfume do poder que aquelas notas representavam. Nada e nem absolutamente ninguém arrancaria aquilo de mim, muito menos um verme aliado a Aaron Marshall. E justamente por aquele inegável fato, que exterminaria ainda naquela noite o filho da puta que entrara em meu caminho. Com custo, porém determinado, fechei novamente as maletas com todo o dinheiro, olhando para meus fiéis parceiros já os preparando para as ordens que os cercariam.

— Ouçam com atenção, pois eu não vou repetir. — Alertei, com seriedade. Não era hora para falhas, era a hora de acabar com mais um rato miserável que achara poder passar por minha autoridade. O imundo pagaria com a própria vida por aquilo — Avisem a Wayne para que reúna cerca de trinta homens e nos encontre no centro de Manhattan, em frente ao Masa. Sem atrasos. Enquanto isso, venham comigo.

Não havia necessidade de ser mais específico, ambos já sabiam o que aconteceria dali para frente pois assim como eu, tinham plena consciência que permitir que um rato de esgoto permanecesse praticando ações como aquela em minha cidade, nos traria dores de cabeças que mais tarde se agravariam. Nem mesmo Butler que sempre achara ser minha balança do viável e não viável poderia se opor, ele sabia que apesar de radicais, minhas sentenças jamais seriam em vão. Porém, não fora a ordem de recrutar meu exército ou uma pequena parte dele para dar fim a um inimigo que os intrigou, pelo contrário, Lil Za mostrou-se tão excitado quanto eu, com a possibilidade de ter em suas mãos o sangue de um verme que passara por nosso caminho, mas sim o destino que seguiríamos antes de tomar o trajeto definitivo para a caçada daquela noite.

— "Enquanto isso"? Para onde quer ir? — Foi a vez de Butler questionar, com o típico tom reprovativo de quem sabia quando eu estava tramando.

Respondendo-o com meu mais puro sorriso sarcástico, confirmando suas suspeitas, personifiquei em palavras aquilo que havia planejado minuciosamente em minha mente, desde o momento que a existência do verme caiu em meu conhecimento.

— Jones vem também. — O nome da vagabunda infernal saindo de minha boca foi como proferir a palavra que invocara os piores e mais desastrosos demônios em meu interior, apenas sua imagem impregnada em minha cabeça tirava-me do eixo, envolvê-la ainda mais em minhas ações seria como jogar sal em minha própria ferida. Porém, o sadismo falara mais alto, unir o útil ao agradável parecia soar muito mais excitante e devastador. Derramar o sangue do verme que ousara entrar em meu caminho e também ter como adicional de todo o espetáculo que se estenderia noite a dentro, a participação daquela que despertara meus piores e intrigantes sentidos, aumentava descomunalmente a diversão que aquilo tudo me proporcionaria.

Em uma única tacada, arrancaria a vida de um inimigo e faria a vadia atrevida ver com seus próprios olhos com quem estava lidando, aproveitando também para ver se todo o esforço que a impus passar com fervor durante os duros dias de treino, haviam surtido efeito para alguma coisa. Era a oportunidade perfeita para alimentar a maníaca parte que ansiava por um pouco mais de emoção e adrenalina.

Ryan assim que ouviu minha resposta, deu de ombros estressado, porém decidido a não mais relutar, pois sabia que seria em vão, o olhar fixo de Lil Za no entanto, parecia ainda tentar compreender aquilo que eu acabara de dizer.

— Aí parceiro, tô começando a achar que Butler tem razão.

Não dando ouvidos ao imbecil e as porcarias a qual expelia, me pus de pé e sem precisar de minhas ordens, os dois que haviam me acompanhado àquela missão rotineira e agora também acompanhariam-me no extermínio de um verme que em breve não mais viveria para contar história, seguiram-me até a saída do pardieiro nefasto e nojento de Aaron Marshall, se direcionando ao carro estacionado atrás do Bugatti Veyron vermelho que entre tantas outros, faziam parte de minha coleção particular.

Pondo as maletas recheadas de pilhas e mais pilhas de notas de dólares, fazendo com que ambas ficassem repousadas no banco do carona a meu lado, enquanto que sem remediar na velocidade, dirigia a 180km/h pelas ruas de Manhattan à caminho do bairro nojento e suburbano onde a vagabunda insolente habitava. A força com a qual o acelerador era pressionado estava diretamente ligada a pressa em arrastá-la para mais aquele excitante teste, mas o êxtase viria principalmente de sua reação revoltosa.

Queria seus extremos. A fúria por não ter alternativas em negar aquele chamado, o pavor por ter de se arriscar e correr um perigo eminente, mas principalmente a possibilidade de presenciá-la sanando a vida de alguém novamente. Ver a vagabunda dos infernos com suas mãos cobertas de sangue seria o ápice daquela noite tão surpreendente. Apenas de imaginá-la naquele cenário, o êxtase consumia-me e sem remediar, aumentei a velocidade do maldito carro.

Sinais desprezados, carros ultrapassados e alguns minutos percorrendo as avenidas de Nova York em alta velocidade para que logo fossem as ruas do Bronx que tomassem seu lugar na paisagem. O lugar desprezível fazia jus a vadia que nele se localizava, entrando em perfeito contraste um com o outro e toda sua podridão. O prédio imundo e caindo aos pedaços encheu meus olhos e com um sorriso maníaco nascendo em meu rosto, soube de imediato que meus planos seriam ainda melhores em prática. E Jones seria a protagonista.

Sem aguardar os dois imbecis que vinham logo atrás, adentrei o lugar imundo com mofo e infiltração nas paredes, traficantezinhos em negociações nos corredores e gemidos vindo do que parecia ser um puteiro decadente instalado ali mesmo. Não me surpreenderia se sair daquela pequena hospedaria de porcos, fosse um dos motivos para o desespero da vagabunda em conseguir dinheiro com urgência. Os roubos a postos patéticos que praticara antes de chegar a Nova York ou o salário de stripper nunca a permitiriam algo melhor que aquilo. Nem mesmo se optasse por usar o corpo, que com toda a certeza levaria qualquer imbecil com dois olhos e um pau entre as pernas aos céus, como uma nova fonte de renda.

Jones havia optado pelo meio mais rápido e eficaz de conseguir o dinheiro que almejava, finalmente mostrando ser a putinha ordinária que era. E se de fato o queria, teria de sem contestar, obedecer cada uma de minhas ordens.

A porta já apodrecida e mal instalada estava bem a minha frente. O pequeno controle em meu bolso indicava que atrás daquelas paredes estava a cadela, sem que houvesse chance alguma de estar equivocado. Desde o momento em que colocara o rastreador em seu fino e delicado pescoço, como um dono que põe a coleira em sua cadelinha, a localização exata da vadia dos infernos passou a estar, literalmente, bem em minhas mãos.

Decidido a não permitir que nada pelo resto daquela noite fosse monótono, optei por minha entrada triunfal, dispensando a cópia das chaves que haviam em meu bolso ou as típicas batidas na porta. Tomando a maçaneta velha e empoeirada em mãos, forcei a porta quase que emperrada, abrindo-a sem cerimônias. O grito agudo rasgando o minúsculo apartamento, soou tão rápido quanto o estrondoso som do impacto da porta chocando-se na parede, a mulher negra de longos fios lisos e olhos verdes olhava-me com o pavor e surpresa escancarados em seus olhos. A feição não era conhecida, porém sabia exatamente de quem tratava-se. O dossiê sobre a vagabunda dos infernos informara que o cubículo caindo aos pedaços no qual habitava, era compartilhado nada mais nada menos com uma garota de programa, aparentemente amiga. Tão vagabunda quanto ela.

E claro como água, era o medo iminente que cercava a pobre prostituta indefesa naquele momento, tão perplexa e sem reação deixando evidente que ela sabia exatamente quem eu era e para que estava ali.

— Onde está sua amiguinha vagabunda? — Questionei ríspido, com a pressa para partir o quanto antes até o território inimigo, falando mais alto.

Intimidada, a pobre prostituta não era capaz de esconder o pavor que minha presença a causava, as mãos tremendo levemente e como se pedisse por um milagre para que desaparecesse daquela sala, lutava internamente para não perder o controle de si mesma. Engolindo em seco, parecendo criar coragem para a abrir a boca e começar a falar, percebendo que as coisas piorariam caso não colaborasse, a patética mulher se pronunciou.

— Alyson... ela... Alyson não está, ela não está! — A voz vacilando junto das palavras enroladas mostravam que além do desespero a corroendo, a mentira que contara também não era controlada com perfeição. Porém fora ouvir o nome falso usado pela vadia dos infernos como subterfúgio para as imprudências que cometera em um passado não muito distante, saindo inocentemente da boca da pobre e enganada prostituta que fizeram com que risadas em divertimento se desprendessem de minha garganta.

Tão intrigante era a stripper dos infernos. Questões ainda não decifradas a rodeavam, mentiras e perguntas sem respostas, além da autoconfiança que nunca estava em escassez. Jones era sem dúvidas um grande mistério a ser revelado e ouvir daquela que estava presente em seu dia-a-dia que a verdade era ocultada para a prostituta com a qual compartilhava o pardieiro, mostrava o quão ordinária e imprevisível a cadela insolente poderia ser. Aquilo teria um fim.

A mentira descabida e patética fez com que o mínimo de paciência que ainda possuía em meus domínios, se esvaísse com rapidez. Não seria mais complacente, enquanto tivesse a prostituta imprestável debulhando-se em lágrimas sob a mira de minha arma, não demoraria sequer dois míseros segundos para que a vagabunda atrevida surgisse e desse fim aquela perca de tempo. E assim seria. Pronto para dar finalmente motivos para que a prostituta inútil temesse estar no mesmo ambiente que eu, parecendo pressentir quais seriam minhas ações, os dois imbecis que fariam parte daquela caçada e haviam acompanhado-me até o pardieiro da vagabunda, atravessaram o vão da porta, finalmente voltando a seus postos prontamente para receber minhas ordens.

O pavor dominou o semblante da prostituta assim que seus olhos grandes e verdes pairaram sobre os dois imprestáveis a meu lado e antes que a infeliz pudesse mover um músculo para fugir do que a aguardava, dei minha sentença.

— Estão esperando o que? Se livrem dessa imprestável, deixem que da outra vadia cuido eu. — Falei, decidido a não aguardar nem por mais um segundo. Se Jones não vinha até mim, da pior forma eu iria até ela.

Indo a caminho do curto corredor, onde levaria diretamente para o outro e único cômodo do apartamento imundo e enojável, onde com certeza a vadia infernal estaria escondendo-se. Mas antes vendo com perfeição, graças à visão periférica, o exato momento em que Lil Za cercara a prostituta com seus braços, imobilizando-a com rapidez enquanto que Butler sacava a arma e apontava-a para sua testa. E então todo o pavor e desespero da pobre mulher amedrontada vieram a tona em um mar de lágrimas e como se implorasse por sua vida, os soluços tomaram conta do lugar.

O sorriso de satisfação em minha face não seria nada comparado a todo o prazer que ainda teria naquela mesma noite, quando o sangue do verme instalado em minha cidade estivesse escorrendo pelos esgotos, mas também quando Jones visse com seus próprios olhos aquilo que a aguardava, o que havia conseguido quando ousou infiltrar-se em meu mundo. Se assim desejava, assim ela iria ter, todos os prós e contras, mas principalmente e para meu maior divertimento, os contras.

A poucos passos do fim do pequeno corredor algo incomum fez com que meus pés paralisassem imediatamente. Como um sensor onde o inimigo poderia ser facilmente detectado, minha percepção não permitiu com que sua presença passasse despercebida. O sorriso maníaco nascendo em minha face involuntariamente soube no mesmo instante exatamente do que se tratava. Uma cobra prestes a dar o bote.

Virando meu tronco na direção oposta a que caminhava, voltando a ficar de frente para o início do corredor onde encontrava-se a sala e os três que nele haviam permanecido, pude ver com exatidão o momento em que o corpo que assombrava minha mente, saltara do balcão que separava a minúscula cozinha da sala de estar. A luz vindo das janelas reluzindo no metal da faca empunhada em suas delicadas mãos, não foi o bastante para que me motivasse a mover um único músculo em aviso ao imbecil que ainda mantinha sob seu domínio a prostituta em prantos. Pelo contrário, faria questão de assistir o espetáculo sangrento com fascínio, se a vadia fosse capaz de levá-lo até o fim. Ela o atacaria pelas costas.

Lil Za prestes a receber golpes da faca que a vadia dos infernos mantinha em mãos, completamente desavisado, nem sequer veria o momento em que o metal perfuraria sua carne, estava de costas para a cadela que preparava-se para dar o bote, porém Butler era quem empunhava a arma tendo a prostituta de estimação como seu alvo, viu o aproximar da stripper insolente e agindo habilidosamente como as circunstâncias exigiam, destravou a arma de fogo assim que a faca se ergueu nas mãos da vagabunda, num golpe que atingiria o pescoço daquele que mantinha sua amiga prostituta em domínio e sem remediar disparou, atingindo o metal perfurante, fazendo-o voar para longe.

Jones foi rápida, sabia que havia sido pêga e não havia mais para onde correr, Lil Za com a surpresa fez exatamente aquilo que a cadela havia desejado quando planejou atacá-lo, tirou os braços do redor da prostituta libertando-a, deixando o caminho livre para que a outra vagabunda pudesse agir. Mostrando que, todos os dias em que havia arrastado-a para fora de Manhattan sugando todos suas forças em incansáveis treinos físicos, haviam surtido efeito. Amber não esperou que o oponente tivesse tempo para uma retaliação, sendo hábil e objetiva desferiu um chute certeiro e dolorido no fêmur do imprestável, arrancando-o um grito de dor.

A fúria tomando conta do imbecil que havia sido golpeado pela stripper que em poucos dias de treinamento, conseguira quase tirar sua vida sem que ele ao menos notasse sua presença, fez com que em seus olhos o fato de ferir uma mulher, aparentemente mais fraca, não fosse tão relevante assim. Fechando a mão em um punho, Lil Za devolveu o golpe afim de acertar um soco sem precedentes no rosto delicado e angelical da cadela indomável. Naquele momento a tensão me afligiu, tive de fazer um lembrete mental de que caso o filho da puta imprestável a deixasse com marcas irreversíveis, eu faria questão de devolvê-lo o favor. A queria inteira, perfeita como era.

Porém surpreendendo a todos e dando ainda mais vigor a diversão que me proporcionava com aquele pequeno espetáculo, Jones usando de sua vantagem em ser mais rápida, desviou do golpe que a nocautearia para logo em seguida fazer o mesmo, com a diferença admirável das mãos pequenas e finas com unhas grandes e pintadas fechadas em punho, atingindo o rosto tatuado do imbecil a sua frente.

Butler deu um passo à frente, pronto para interferir no combate que se estabelecia, mas impedindo-o que desse fim a minha diversão, ergui a mão em sinal para que permanecesse ali, apenas assistindo ao embate fascinante assim como eu. E sem alternativas, calado ele obedeceu.

Lil Za emanava fúria, o sangue do corte que havia sido formado em seu supercílio pelo golpe da vadia dos infernos, jorrava encharcando todo seu rosto. Sem mais paciência, com a raiva em seu ápice, o imprestável fez aquilo que todo criminoso quando confrontado faria; tirar a vida do filho da puta que ousara meter-se em seu caminho. As mãos indo rapidamente para a cintura, onde a arma era guardada deixaram evidente para Jones aquilo que a esperava, ficando ciente de que da bala ela não desviaria.

Novamente o grito de desespero da prostituta que compartilhara o apartamento enojavel, cortou os quatro cantos da sala de estar assim que a arma de Lil Za apontou-se em direção à Amber, tomando coragem para reagir a toda a repressão que havia recebido, desde o momento em que eu invadira o lugar imundo sem convites. A mulher patética ameaçou aproximar-se daquele que mantinha sua companheira de prostíbulo na mira, falhando na tentativa e sendo brutalmente segurada por Butler, novamente imobilizada.

O dedo pressionado no gatilho prestes a disparar indicou o fim de minha diversão, e naquele momento soube que as distrações haviam acabado. Estava na hora de dar fim aquele circo e dar início a caçada.

— Sensacional! — Entre palmas e gargalhadas sarcásticas, exclamei, fazendo com que toda a atenção das pessoas do cômodo se redirecionassem unicamente a mim. Inclusive a daquela que havia feito-me ir até o imundo lugar — Um ótimo espetáculo... para um circo, talvez.

O olhar raivoso da cadela caindo sobre mim, foi imediato, sua reação previsível em ter minha presença no pardieiro que chamava de lar, fazia com que cada célula vibrasse com sadismo em despertar sua fúria e o sorriso triunfoso em deboche também. A arma antes apontada em sua direção, abaixou-se e reacalmando seus nervos sabendo exatamente o que lhe aconteceria caso matasse a filha da puta dos infernos, Lil Za guardou-a de volta a cintura.

O olhar feroz e impassível continuava a confrontar-me e assumindo a postura inabalável e audaciosa que tanto deixava-me puto, Jones se manifestou.

— Diga para seus cães sarnentos para tirarem as patas de minha amiga! — Rosnando ameaçadora, exigiu — O trato que há entre nós não envolve terceiros, então não a meta nisso, Bieber.

O atrevimento que emanava de cada poro da vagabunda infernal atiçava involuntariamente o lado ainda desconhecido em meu interior, onde sensações e estímulos não podiam ser controlados. O desejo doentio por sua redenção podia ser maior do que todos meus esforços para manter-me inabalável e mostrá-la que quem poderia afetá-la era eu, porém o ódio e anseio por seu suplício sempre seriam maiores. Caminhando lentamente até a miserável, sem permitir por um mísero segundo que sua muralha em autodefesa se fragilizasse com minha aproximação ameaçadora, ela enfrentava-me silenciosamente, se mantendo firme, de nariz e cabeça erguida, como a vagabunda insolente que era.

Quando seu corpo já não estava mais tão distante do meu e a única coisa que nos separava eram poucos centímetros, a enviei o mais hostil e indiferente sorriso, mesmo sabendo que nada a faria fraquejar, mas ainda sim mostrando seu devido lugar onde ela apenas aguardaria minha ação seguinte.

— Não está mais do que claro que não é você quem decide o que acontece? — Minha boca murmurou as palavras em pretensão próxima da sua, deixando claro que sua resposta não seria nada relevante — Sou eu quem dito as regras e você as obedece, como a boa cadelinha que deve ser!

Com as últimas palavras proferidas, meus dedos foram de encontro ao material grosseiro e resistente do rastreador ao redor de seu pescoço, puxando-o sem piedade e consequentemente fazendo-o apertar-se em volta do delicado pescoço da vadia inabalável. A profunda vontade de torturá-la era massacrante, porém não faria aquilo, a tortura que a daria seria no momento em que estivesse submersa em mares de prazer, implorando por mais e não o tivesse. Além da humilhação que aquilo a causaria, seria a dose perfeita de rejeição voltando para aquela que havia a usado.

O objeto claramente não a agradava e em demonstração disso, em um gesto irritado, chocou sua mão em meus dedos que a seguravam pela cinta do rastreador, para que assim os tirasse do local. Meu sorriso em deboche por finalmente ver seu escudo autodefensivo desmoronar, fez com que novamente a insolência a dominasse e restaurando rapidamente a postura em confrontamento, o mesmo sorriso coberto de sarcasmo e pretensão nasceu em seus lábios finos e rosados, em uma bela e audaciosa provocação.

— Nós dois sabemos que não funciona bem assim, querido Justin. — A voz angelical ironizando, foi seguida por gargalhadas baixas de sarcasmo. Amber Jones me desafiara sutilmente, na tentativa de mostrar que também poderia jogar em meu ramo.

Ela não poderia estar mais enganada.

Agarrando com grosseria o rosto da cadela dos infernos com apenas uma das mãos, apertei sua pele macia, pressionando meus dedos com brutalidade na face angelical que facilmente enganaria qualquer um que achasse que por trás da beleza fascinante e do corpo impecável não existia o mais excitante demônio em forma de mulher. Seu sorriso provocativo se ampliou com meu gesto, fazendo com que a força empregada em minha mão aumentasse em punição, dando início a um longo embate de confrontamento. E como sempre, não seria eu quem perderia.

— Escute bem, Jones... — A alertei, murmurando as palavras em advertências próximas a sua boca, porém me impedindo de continuar, a vadia atrevida sem deixar com que o sarcasmo patético que havia instaurado naquele momento se acabasse, cortou-me prosseguindo com sua provocação em sempre bater de frente e jamais mostrar-se submissa.

— Estou ouvindo, comandante. O que tem para mim agora? — O tom debochado com o qual se dirigia a mim era capaz de despertar meus dois extremos. O ódio pelo atrevimento que a filha da puta ousara ter mesmo depois de constatar que estava brincando com fogo, mas também o fascínio, pela coragem da miserável que apesar de saber que sua audácia poderia custá-la a vida, não se permitia ceder. Era a filha da puta mais corajosa e destemida que havia cruzado meu caminho e eu a teria. Teria aos meus pés e somente depois disso, nunca mais teria de aturar seus atrevimentos sem dá-la a devida punição. Dando prosseguimento com seu espetáculo de insolência, olhando diretamente em meus olhos e com sussurros também próximos à minha boca, ela continuou — Irá ordenar que eu mate outro pobre coitado? Tome cuidado quando por uma arma em minhas mãos, senhor. Não tenho experiência nisso e nunca se sabe quando uma bala perdida pode atingi-lo, odiaria ter de machucá-lo.

O sorriso de ousadia estampando o rosto da ordinária despertou meu sádico bom humor e também devolvendo-a um sorriso irônico e pretensioso, rebati a pequena disputa que havia se instalado entre nós, entre sussurros e murmúrios, para que os demais não nos ouvissem.

— Por que será que não sinto firmeza nas coisas que você diz, Amber? — A indiferença com a qual minhas palavras saíram foram o bastante para que a impafia da vagabunda dos infernos fosse abalada — É tão fraca que não pôde matar quem tanto diz desprezar no momento em que teve oportunidade. Com certeza levou em conta nosso pequeno acordo, o dinheiro que perderia, claro, mas principalmente temeu não ser tocada por alguém que realmente valesse a pena novamente. Diga-me, Amber, há quanto tempo você não tem um homem de verdade? Um que não seja os clientes que a pagam para comê-la por algumas horas, mas sim um que a faça gozar como a verdadeira cadela no cio que você é!

A reação foi imediata, tirando seu rosto do alcance de minhas mãos com rudeza, a vadia ordinária enraivecida pelas coisas que ouvira, fez exatamente aquilo que eu desejava, saiu completamente de seu frio e estável autocontrole. Erguendo a mão, com a intenção irrevogável de golpear-me, Jones sem remediar com a mão formada em um punho a arremessou contra meu rosto e teve sua tentativa amargamente interrompida por meus dedos que agarraram fortemente seu pulso, levando sem delicadeza para trás de seu corpo, imobilizando-a.

— Se soubesse o quanto me arrependo de não tê-lo mandado para o inferno... — Rosnando em fúria, a cadela falava, borbulhando em ódio fervente, para que novamente em um solavanco, puxasse o próprio braço de minhas mãos, tirando-as de seu corpo — Mas acredite, até mesmo do diabo eu teria pena se caso ele tivesse de suportar sua concorrência pelo resto da eternidade!

A gargalhada que saiu das profundezas de minha garganta com suas palavras malcriadas, foram de puro divertimento e se fosse por minha vontade, aquele excitante e divertido confronto poderia durar noites a fio. Porém relembrando-me para que havíamos ido até o lugar nefasto e nojento, Butler me fez recordar que não estávamos a sós no apartamento caindo aos pedaços, sem mais a prostituta amedrontada em seus braços em intimidação, mas sim acuada e amedrontada sob o sofá com Lil Za em seu encalço, todos nos observando, ele pronunciou-se intervindo e dando fim no embate que havia criado-se sutilmente entre a cadela e eu.

— Desculpem ter que interromper o romance doentio, mas Wayne já nos espera. O restaurante está cercado, ele e os outros homens só estão aguardando ordens para invadir e evacuar o lugar, precisamos ir, Bieber! — O tom de seriedade de Butler poderia tirar-me do sério, mas aquela vez havia sido uma especial exceção.

A adrenalina e êxtase haviam voltado com força total, assim como o ardente desejo pelo sangue do verme em minhas mãos. O fim do filho da puta que entrara em meu caminho estava apenas se iniciando, iria vê-lo afogando-se no próprio sangue e implorar pela miserável vida, apesar de que misericórdia seria a última coisa que o proporcionaria. Até o final daquela noite, o filho da puta imundo e seu restaurante esnobe transformariam-se em mero pó.

— É hora de caçar. — Extasiado, as palavras saiam vibrantes, tão sedentas pelas vidas que sanaria quanto eu. Olhando para a vadia que ouvia tudo atentamente sem expressar emoção alguma, já sabendo o real motivo pelo qual havia ido a seu encontro e o que aconteceria dali para frente, dei o aviso que complementaria toda a prazerosa sangria que aconteceria naquela noite, tendo-a como a atriz principal em meu espetáculo demonstrativo de poder — Fase dois do seu teste, vagabunda. É bom que se saia bem, caso não, ore para que uma bala não atinja a sua cabecinha. Sendo ela vinda da minha arma ou não.

Sem mais delongas, agarrei-a pelos braços, não esperando por autorizações ou consentimentos, tendo como resposta as unhas afiadas fincando-se em minha pele, o corpo debatendo-se e gritos raivosos de recusa. Porém ela mesma sabia que não haviam alternativas, recusar não era uma de suas opções, pois se estava envolvida naquilo era decorrente de suas decisões audaciosas, havia desejado estar naquilo e agora teria de aguentar.

A caminho da porta que levaria até a saída do apartamento enojável, arrastando a vagabunda dos infernos juntamente a mim e sendo seguido por aqueles que eram os dois homens de minha maior confiança. A cadela enviava seu olhar apaziguador para a prostituta desorientada e ainda em estado de choque por tudo que presenciara, ficando para trás acuada sob o sofá empoeirado, recebia daquela com quem dividia o apartamento e era forçada a acompanhar-me até a pequena batalha que se estabeleceria, um olhar de falsas esperanças onde dizia que tudo ficaria bem. Mas Jones sabia, que as coisas estavam longe de serem realmente aquilo.

Três lances de escada, uma ininterrupta luta corporal em contrassenso da vadia que apesar de saber que sua única opção era conformar-se, recusava-se a mostrar que teria de obedecer minhas ordens, e muita paciência para suportar sua resistência inútil até que chegássemos ao térreo do prédio nojento e suburbano. Quando a saída, dando diretamente para a rua onde os carros que nos levariam até o território inimigo surgiu, ir diretamente até o Bugatti Veyron vermelho estacionado logo a nossa frente, foi o ato seguinte a ser tomado com rapidez. Não mais relutando, Jones seguiu-me inexpressiva mas ainda sim sem mostrar fraqueza, também adentrando o automóvel, enquanto Butler e Lil Za encaminharam-se para o outro logo atrás. A ânsia para que os jogos de poder que tanto entretiam-me começassem, era tamanha que a velocidade com a qual o carro corria pelas avenidas de Nova York eram a última coisa que faria alguma diferença naquele momento. Estava sedento, para encontrar frente a frente o quanto antes o verme que passara por cima de minha autoridade e fazê-lo agonizar com minhas próprias mãos. Jones fazer parte daquele excitante acerto de contas, fazia com que a expectativa aumentasse desenfreadamente mais. Naquela noite não somente um inimigo constataria o quão perigoso o rei de Nova York poderia ser, mas a cadela dos infernos atestaria com seus próprios olhos o que a aconteceria se derrepente não fosse mais interessante suportá-la e persegui-la.

Com o potente motor ensurdecendo a quem o ouvisse, a velocidade não era diminuída nem por um mísero segundo, fazendo com que os dois homens de minha total confiança que nos seguiam no carro logo atrás também seguissem aquele mesmo ritmo incessantemente. Logo as ruas do Bronx deram lugar para as avenidas de Manhattan e em pouco tempo, estávamos novamente no centro da cidade de Nova York.

Quando a famosa fachada do Masa encheu meus olhos, todo o fervor em excitação pelo que aconteceria a partir de então, veio com força total. Com rapidez e sem mais paciência para aguardar para por minhas mãos no maldito filho da puta, estacionei sem importar-me com o chofer presente, bem ali mesmo no acostamento. O que tinha para fazer ali, seria rápido e efetivo. A meu lado, Jones sem poder disfarçar a confusão em que se encontrava, mirava estreitamente a entrada do restaurante esnobe, sem entender o porquê de estarmos ali. Nem ela e com certeza nem um dos imbecis que o frequentavam, imaginariam que o renome e a luxúria do restaurante de especiarias orientais, apenas seriam uma fachada para um verme financiador de tráfico humano e prostituição. E por aquele motivo, além de matá-lo, levaria para o quinto dos infernos junto a ele, o lugar esnobe e enojável, reduzindo-o a cinzas.

Encarando a vadia de semblante agora mais aberto, mostrando que começara a entender tudo o que se passaria no lugar, estiquei o braço em direção ao porta-luvas a sua frente, buscando pela arma de fogo reserva que sempre havia ficado hospedada ali como uma precaução para imprevistos. Intrigada, mas sem parecer surpresa, Jones observava minha busca silenciosa pelo objeto e quando finalmente meus dedos tocaram o metal gelado, o sorriso extasiador automaticamente retornou. Era hora de brincar.

— Pegue! — A palavra curta, mas objetiva não tratava-se de um pedido, mas sim uma ordem. Com a arma sob a palma de minha mão sendo oferecida para a vagabunda dos infernos, eu mostrava o quão intolerante estava para enrolações — Pegue a porra desta arma e fique quietinha, apenas faça o que eu disser para fazer e fique a meu lado o tempo inteiro, se quiser voltar inteira para o buraco onde você habita.

Os grandes olhos azuis fitaram por rápidos e decisivos segundos o objeto letal e quando minha paciência parecia estar próxima de alcançar seu limite, dura e impenetrável como sempre mostrara-se ser, pegou a arma em mãos sem remediar. E com a mão livre, ergueu o vestido já curto e colado ao corpo, deixando em evidência a calcinha minúscula com a qual estava, levando a arma até sua lateral e prendendo-a habilmente no fio da renda. A provocação óbvia fez com que a adrenalina que já culminava em minhas veias, triplicasse. Se seu objetivo era tirar-me do foco e estressar, havia causado completamente o oposto. Faria com que o trabalho literalmente sujo no covil do filho da puta fosse breve, para que assim que o sangue do verme já estivesse derramado, fosse a vagabunda dos infernos a próxima a receber exclusivamente minha atenção. Seja ela má ou beneficamente.

— O que está esperando? Não pretendo passar horas na sua presença, querido Justin. — Debochada e ainda mostrando-se inabalavelmente dura, abriu a porta do lado carona, saindo do carro sem que fosse ordenada.

Inspirei fundo, controlando a fúria inexplicável que facilmente a cadela infernal poderia despertar, reservando-a para o verdadeiro alvo daquela noite. E com o sorriso maniacamente sádico, sedento por sangue inimigo, também fiz o mesmo.

Dando a volta no automóvel e indo ao alcance da vadia inerte, que com olhos astutos observava o perímetro, podemos ver exatamente juntos a vasta fileira de carros estacionados logo atrás. E com a excitação quase em seu auge, sabia exatamente que não tratavam-se de clientes que vieram em busca de um jantar exorbitante, mas sim o exército que colocaria aquele lugar abaixo, assim como tudo dentro dele. Meu exército.

Não demorou muito para que o carro onde Butler e Lil Za haviam vindo, também estacionasse no acostamento daquela avenida e ao pôr os pés para fora, um pequeno terço dos homens que haviam sido recrutados para aquele serviço, fizeram o mesmo, saindo da encolha em que estavam até receber meu comando para agir. Prontamente juntando-se a meus dois homens de confiança, o pequeno grupo que nos acompanharia até o interior do restaurante pertencente ao verme maldito, caminhavam em minha direção. A vagabunda a meu lado, havia permanecido em silêncio até então, porém quando os homens que caminhavam a nosso encontro ficaram a poucos passos de distância em proximidade, seus grandes olhos azuis focaram fixamente em uma única face e como um reflexo, seu escudo de autodefesa se reergueu hábil e intensamente.

— Mantenha distância, seu miserável! — Rosnando como um animal sentindo-se ameaçado, Jones ordenava expressamente, dirigindo suas palavras de rancor não para mim, mas sim para aquele que através de minhas ordens havia feito-na perder o emprego na boate decadente a qual prestava serviços, além de deixar marcas e aparentemente uma fúria retraída.

As palavras atrevidas e confrontosas da vadia insolente pareceram causar uma reação explosiva no imbecil, que colocara uma arma em sua cabeça ameaçando-a de morte assim que encontraram-se pela primeira vez. Agora frente a frente conosco, Wayne poderia facilmente puxá-la pelos cabelos e arrastar seu rosto angelical no chão grotesco, ou simplesmente fazê-la engolir aquela empáfia conjuntamente de balas e o próprio sangue. E de fato, se pudesse, faria aquilo sem pestanejar. Mas não iria, pois eu não iria permitir. Depois de levar uma boa e indicativa surra por ter passado por cima de minhas ordens e marcado a vadia dos infernos, Wayne havia entendido que pôr suas mãos em Jones não era mais uma possibilidade viável e se caso o fizesse, seria a mim quem estaria desafiando e as consequências seriam devastadoras para sua pobre e insignificante vida.

Sabendo disso, engolindo o orgulho e toda fúria que sentia no momento ansiando revidar, o homem imprestável que executava minhas ordens com veemência, conteu-se prudentemente domando — mesmo que com muito esforço — toda a enorme vontade de por a vadia infernal em seu devido lugar.

— Fique calminha, Ambie. — Interferi, sem a habitual ironia, mas sim com as palavras recheadas de impaciência. Não seria às portas do inimigo, prestes a iniciar uma missão, que ataques de uma vagabunda insignificante fariam-me perder o foco. A cadela dos infernos teria de aturar quem quer que fosse até o final, agradando-se ou não — Está vendo aquele restaurante do outro lado? Você irá entrar ali junto a mim com todas essas pessoas também e vai ficar bem quietinha, como uma cadelinha adestrada, entendido? Caso não, todos vão ter que aturar os seus gritos quando estiver recebendo descargas elétricas consecutivas.

Lembrando-a do pequeno acessório em seu pescoço, que facilmente poderia transformar-se em objeto de tortura, dei fim a um novo embate entre a vagabunda indomável e mais um de meus homens, antes mesmo que ele tivesse um prolongamento. O ódio pela humilhação em usar o objeto que poderia ser usado contra si e também submeter-se às minhas ordens, era aparente em seu semblante e sem dar a mínima para a expressão de quem iria dar o bote a qualquer momento, agarrei-a pela cintura, juntando a lateral de seu corpo com o meu e ignorando completamente as palavras sujas que exclamava tentando afastar-se, porém que de nada adiantaram.

A impaciência já havia chegado ao limite e sem mais prolongamentos, dei partida àquela caçada, arrastando sutilmente a vagabunda a meu lado e sendo seguido por meus soldados. Tudo já estava traçado, Butler, Lil Za, Wayne e um pequeno grupo de seis homens iriam adentrar o restaurante esnobe e intragável junto a mim e Jones, enquanto o restante esperaria os poucos minutos que levariam até que eu estivesse finalmente na presença do filho da puta, que estava marcado para morrer. Quando o lugar estivesse evacuado e apenas seus aliados estivessem lá dentro, o fogo o consumiria e então todos veriam o quão catastrófico pode ser o destino daqueles que não obedecem o rei daquela maldita cidade.

As grandes portas de vidro que davam diretamente para o hall de entrada do restaurante prontamente foram abertas, assim que ficamos próximos a elas. O ambiente moderno e elegante cercado por funcionários bem vestidos e dispostos a prestar um bom atendimento jamais aparentaria pertencer a um verme traficante, embora o excesso em número de seguranças apenas na recepção do lugar, deixasse uma gota doce de desconfiança. O êxtase fervia em minhas veias apenas em visualizar aquele lugar antipático com pessoas vazias e ridículas em chamas, e mais ainda quando fosse a bala vinda da minha arma que matasse o seu dono. Jones sem mais resistência e agora em profundo silêncio de amargura, caminhava roboticamente a meu lado, evidenciando o quão aquilo não era de seu agrado. A vagabunda com seus grandes olhos azuis varria cada canto do lugar, parecendo analisar tudo atentamente em seu torpor de ódio e com o cenho enrugando-se gradualmente, como se pensamentos atordoantes a dominassem, sem olhar-me ela questionou.

— Está pretendendo armar mais um de seus atos criminosos… em um restaurante? — A voz saindo em um sussurro discreto, para que fossem somente ouvidas por mim, carregavam o mesmo teor irônico se houvessem sido proferidas em alto e bom som. E como se estivesse disposta a sempre enfrentar-me, continuou — Para que me chamou, querido Justin? Nunca precisou de mim para isto. Vai usar a desculpa do “teste” para sempre?

Levando minha mão até o bolso onde o controle do rastreador estava, pressionei o único botão existente no pequeno controle, antes mesmo que a gargalhada em deboche da vadia insolente, pudesse se desprender de sua garganta. Minha resposta abrupta para seus atrevimentos, fez com que assim que as leves descargas elétricas atingissem seu corpo, as pernas vacilassem como efeito e se não estivesse sob meu alcance, com toda a certeza o chão teria sido onde seu corpo seria amparado. Meu riso em triunfo a mostrara que jamais seria ela quem realmente riria por último.

— O que eu disse sobre permanecer quietinha? — Sussurrando em seu ouvido hostilmente, ironizava mais uma vez de suas tentativas falhas em competir comigo e com o corpo ainda abalado pela corrente elétrica, a vagabunda não pôde nem ao menos mover a boca para proferir seus atrevimentos, como normalmente aconteceria.

Minha atenção rapidamente mudou de foco assim que os saltos finos da mulher de postura ereta soou em meio a música ambiente do restaurante esnobe. Roupa formal, uma pequena agenda em mãos e um sorriso patético de falsa simpatia que jamais enganaria a mim. Seus olhos passando pelos homens que acompanhariam-me até o encontro com o filho da puta miserável, não puderam disfarçar a nítida preocupação que estampou seu semblante e fez com que a fisionomia robótica da hostess do lugar se transformasse na desconfiança aparente. Voltando a encarar-me com rapidez como se tentasse não transparecer o que passava-se por sua mente, esboçou outra vez o falso sorriso de simpatia, tentando agir como se nem passasse por sua mente inocente o que aquela evidência poderia significar. Porém, com meu sorriso mais genuíno em perversidade, fiz questão de deixar explícito subliminarmente que sim, minha vinda àquele lugar de fachada para tráfico e prostituição feminina seria um real motivo para preocupação.

— Possuem reserva? — A frase decorada, não pôde esconder a grande desconfiança presente em sua voz, apesar dos evidentes esforços.

— Vim ter uma breve conversa com o dono deste… lugar. — Minha resposta indiferente sendo lançada rápida e direta fez com que explicitamente suas desconfianças aumentassem. E novamente sem conseguir mascarar as reações, a patética hostess permitiu com que todo aquele abalo mostrasse que a mulher que aparentemente deveria ser apenas uma mera funcionária, sabia muito mais do que uma recepcionista de luxo em um restaurante sofisticado, deveria saber — Informe à ele que é Justin Bieber quem veio procurá-lo.

O disfarce que havia implantado em si mesma durante aquela curta troca de palavras, foi ao chão. O semblante surpreso não foi disfarçado pois sequer houve tentativas, tratava-se da mais previsível reação vinda daqueles que tinham conhecimento do peso que aquele nome possuía, do poder e glória. Do meu nome. Se aquela mulher patética não tinha um vasto conhecimento de tudo o que minha pessoa significava, ao menos deveria ter ouvido muitas vezes sobre. Deixando claro que mais uma vez, minhas constatações nunca errariam. O cheiro dos vermes podia ser sentido a quilômetros de distância, assim como daqueles que o serviam. Se a medíocre e patética mulher tinha conhecimento das ações daquele que a contratara, ela teria o mesmo fim que ele.

— Um segundo, por favor! — A voz aguda com urgência soou naquela curta frase aflita. Sem esperar uma resposta, a patética mulher deu-me as costas, apressadamente indo em passos largos até um pequeno grupo de seguranças que estavam apostos logo na entrada do lugar.

Wayne foi o primeiro a ter uma atitude imediata, constatando que possivelmente a patética hostess alertaria os demais, deu um passo à frente pronto para impedi-la e consequentemente por tudo a perder. Porém, não o fez. Minha mão empurrando-o com rudeza seu peito para que assim permanecesse em seu devido lugar, fez com que o imprestável evitasse de por todo meu planejamento para aquela noite memorável, em risco. As palavras rápidas saindo da boca da recepcionista patética assim que chegou ao encontro dos seguranças não podiam ser escutadas, por conta da distância em que a medíocre mulher encontrava-se, porém os olhares disfarçados que lançava a mim entre uma frase e outra deixava claro sobre qual seria o assunto. Os imbecis de terno que faziam a guarda do lugar, ouviam-na com atenção e logo um debate que duraria por longos segundos, iniciou-se. A inquietação da estúpida mulher era eminente e sendo tão amadora para aquele mundo sujo de disputa de poder quanto para disfarçar suas fraquezas, sobressaltou-se pondo a mão direita em seu próprio ouvido ressaltando um pequeno detalhe que em outra circunstância teria passado despercebido. O ponto em seu ouvido, mais discreto do que os que eram usados pelos seguranças, parecia ser usado por uma pessoa do outro lado do aparelho para também entrar para aquele debate. Como se ouvisse instruções claras, a postura desconcertada da recepcionista patética mudou radicalmente e assumindo novamente a mesma pose ereta e de falsa impenetrabilidade, deu fim aquela discussão de decisões a serem tomadas, finalmente voltando até mim.

O semblante controlado e agora de feições robóticas assim como quando havia recebido-me, estampavam o rosto da imbecil e antes que minha paciência se esgotasse definitivamente, pronunciou-se.

— O Sr.Holt está em um jantar na sala privada do restaurante e irá recebê-lo, por favor, me acompanhe.

Com minha paciência já esvaindo-se, mas ainda focado em ter a cabeça do filho da puta que a contratara em minhas mãos, segui a hostess imprestável sendo acompanhado por meus soldados e a vagabunda dos infernos a meu lado, até o destino que finalmente me proporcionaria a diversão de arrancar com as próprias mãos, as vísceras do verme maldito e fazê-lo agonizar clamando por misericórdia, coisa que nem ele e nenhum de seus funcionários teria. Começando pela mulher patética que irritava-me com seus passos lentos.

Jones, calada, marchava sob meu domínio sem emitir nem um único som, completamente compenetrada em sua bolha de concentração e foco, talvez recordando-se do montante dinheiro que receberia no final das contas, pelo interessante trato que havia sido traçado. Mostrando mais uma vez a vagabunda inabalável e sedenta por dinheiro que era, capaz de juntar-se ao inimigo pelo que queria. Sempre intrigando-me mais e mais.

As portas a minha frente que davam passagem para a outra área do restaurante senão o salão principal, fizeram com que a pequena correnteza de pensamentos fosse abruptamente interrompida e já sabendo exatamente o que estaria do outro lado, a excitação pelo caos que a partir de então se estabeleceria retornou com força total. A patética mulher que havia servido como guia durante o trajeto, até que chegássemos aonde o maldito verme esperava pelo seu fim, abriu a porta revelando assim um ambiente bem distinto do restante do restaurante, sem parecer uma sala privada de jantar, mas sim um anexo para o filho da puta que estava por trás de todo aquele pardieiro esnobe.

— Sr.Bieber, o Sr.Holt irá recebê-lo agora, mas faz questão que seja sem acompanhantes. — As palavras programadas e irrelevantes fizeram com que finalmente uma gargalhada de ironia e verdadeira diversão escapasse de minha garganta, rindo não somente do pedido ridículo que até mesmo ela sabia que não seria obedecido, mas também da maravilhosa certeza que os jogos definitivamente tinham seu início ali.

— Deem um fim nessa mulher. — Ordenando, empurrei o corpo esguio da imprestável que impossibilitava minha passagem, mandando-a para longe de meu caminho e vendo a expressão surpresa e dolorida da hostess assim que seu corpo chocou-se violentamente contra a parede e logo em seguida no chão. Dei um passo à frente, pronto para atravessar o vão da porta dupla e finalmente adentrar a toca onde o verme de esgoto escondia-se, mas antes tendo a visão perfeita do momento em que Butler sacou sua arma e disparando sem piedade, acertou o peito da mulher, encharcando-a com o próprio sangue e de imediato deixando-a sem consciência. O silenciador impediu que o som emitido pela bala alarmasse todos aqueles que estavam no salão de jantar do restaurante, não muito distante dali. Aquilo estava reservado especialmente, para o restante dos homens que logo invadiriam e evacuaram o lugar para que assim as chamas o consumisse.

Seguindo caminho e deixando para trás Butler com a missão de tirar o cadáver da mulher imprestável das vistas alheias, foi que finalmente adentrei o lugar onde o filho da puta que entrara em meu caminho esperava por sua morte. Não haviam mesas por toda a extensão como no salão principal do restaurante, havia apenas uma, para apenas uma pessoa, que relaxadamente era servido por garçons e chef. E enfim o miserável que desafiara minhas leis e implantara seus negócios sem consentimento em minha cidade, estava a minha frente. Terno, barba rala e uma quase calvície, eram as características mais diretas que descreveriam o imundo que teria seu fim marcado ainda naquela noite, ali mesmo. Rodeado por seguranças e mais alguns que pareciam ser da guarda pessoal, o verme fodido ergueu seu olhar e diferente do que meu anseio por um espetáculo já esperava, foi o medo que reluziu nos olhos do verme, deixando-me negativamente surpreso.

Sem esperar por convite ou um pedido formal, me aproximei, tendo Jones a meu alcance e mais os soldados prontos para o atingirem, logo atrás. O número de seguranças que o protegia era maior, porém tornava-se nada quando comparado ao restante que em minutos invadiria o lugar e iniciaria a sangria.

Quando a mesa, única coisa que separava minhas mãos do pescoço do verme e nos mantinha em uma curta distância, ficou a centímetros de mim, foi que o verme sentado atrás da mesma esclarecendo-me com sua reação despreparada de pavor, quem realmente era que estava ao alcance de minhas mãos. Como uma distração usada para que o verdadeiro rato de esgoto permanecesse na surdina e intocável, o idiota que me encarava sem disfarçar o temor nada mais era do que um explícito laranja, as reações e a aparência nada firme como a de alguém que comanda um vasto negócio de tráfico de mulheres deveria ser, atestavam ainda mais aquilo. A completa irritação me dominou, o filho da puta que realmente estava por trás de tudo aquilo achava-se realmente astuto ao ponto de enganar o rei de Nova York. Mais do que nunca, tudo iria ao chão e ele seria encontrado.

— É um prazer receber sua visita, Bieber. Seu nome já foi muito ouvido por mim e é um privilégio encontrá-lo pessoalmente! — As palavras saiam trêmulas, nem ao menos conseguia disfarçar o quão covarde o verme marionete era e ao contrário do êxtase que imaginei sentir assim que o tivesse ao alcance de minhas mãos, era a fúria que borbulhava em meu interior. Eu estava puto — Sente-se e vamos conversar.

Puxando a cadeira a minha frente, sentei, encarando o filho da puta idiota que ousara achar que poderia me enganar. O mataria dolorosamente, para que servisse de exemplo para o verdadeiro rato que colocou-o em seu lugar. Todos no maldito restaurante teriam o mesmo fim e seria por minhas mãos. Os olhos do rato passearam pelos homens que estavam em seus postos prontos para receber minhas ordens e sabendo daquilo, novamente o imbecil que servira como marionete abalou-se temendo o que aconteceria. Logo seus olhos imundos caíram sob a vadia loira de pé a meu lado, mas não mais em meu domínio. E mesmo em seu cenário de morte, o verme patético guiando-se pelo pau imundo que carregava entre as pernas, evidenciou o desejo em possuí-la. Sem sombra de dúvidas, eu o mataria.

— É linda, não acha? — Minha voz maniacamente alterada pela fúria direcionada ao maldito rato, era tão intimidante quanto uma ameaça explícita. Perversamente eu o levava para minha armadilha — Uma vagabunda perfeita. Você a quer? Quer a vadia?

A expressão de confusão estampou a face imunda do imbecil e lançando-o uma risada hostil em sarcasmo, com rapidez levei a mão até a cintura e puxando de lá a arma revestida em ouro, continuei.

— A tenha em seus sonhos quando estiver a caminho do inferno. — As palavras de fúria saindo conjuntamente com o som do primeiro disparo, a bala atingindo o braço do filho da puta propositalmente sem o objetivo de matá-lo tão facilmente. Seria pouco a pouco.

Como previsto as armas dos seguranças que o acompanhavam ergueram-se e assim que destravadas, o ensurdecedor som de incontáveis disparos sendo efetuados tomou conta do lugar, porém não fora vindo de suas armas. O restante de meus soldados entrara em cena, alvejando em tiros os seguranças que não tiveram tempo de nem ao menos pressionar o gatilho. A batalha havia começado. Aqueles que não haviam sido atingidos pelos disparos de meus homens, contra atacavam devolvendo com tiros e criando uma pequena muralha de segurança em volta do verme baleado. As balas atravessavam o ar raspando nossos corpos, Amber havia jogado-se no chão gritando em ódio, xingamentos por estar no meio daquele espetáculo de diversão. Com a arma em minhas mãos, caminhava relaxadamente saindo do foco onde a troca de balas incessantemente acontecia, dos dois lados, corpos banhados por sangue já encontravam-se pelo chão, mas ainda seria o verme que minha bala atingira, o alvo principal.

Os três seguranças que o cercavam, não possibilitavam outra saída senão enfrentar um por um para chegar até o rato ensanguentado, e seguindo o que deveria ser feito, apertei o gatilho rápido e certeiro atingindo a bala na cabeça do primeiro segurança, fazendo-o já cair morto. O disparo havia servido de alerta, os dois que restara não mantiveram-se inertes e pegando-me de surpresa, a mão de um dos imbecis chocou-se com meu rosto em um forte soco, sem que pudesse desviá-lo. O impacto forte fez o equilíbrio vacilar e com a arma voando de minha mão e os dois filhos de uma puta avançando novamente, não restou-me outra solução senão usar a força que emanava quando ativada pelo ódio ou adrenalina. E no momento, eu possuía os dois. Revidei, socando a face naturalmente deformada de um dos imbecis fazendo-o ir ao chão, para logo em seguida desferir um chute sem medir forças em sua cabeça, fazendo o sangue derramar.

Não houve tempo para vanglorias, o último dos três avançara carregando em mãos os facões que haviam acompanhado o pequeno carrinho trazido pelo chef do lugar. Sem armas ou algo a altura, o empurrei com um chute certeiro na barriga, antes que a faca perfurasse minha pele, mas não o suficiente para mantê-lo longe por muito tempo. Um golpe e a faca enorme cortara o ar que deveria ser meu corpo, mas que em um reflexo desviara mais rápido. Batendo fortemente em um de seus braços fazendo-o perder a faca que segurava, enquanto no outro entortava-o com o intuito de fazer o imbecil dos infernos vacilar. Roubei a faca de suas mãos e sem esperar por um único segundo, a enfiei em sua carne, ouvindo o grito de dor do miserável que sangrava em minhas mãos.

Jogando ao chão o homem que agonizava juntamente da faca que havia sido usada para ferí-lo, levantei o olhar percebendo que não havia acabado, quando sem minha arma em mãos e com a troca de tiros entre meus soldados e os poucos seguranças ainda em continuidade, o miserável banhado com o próprio sangue empunhava sua arma de fogo em minha direção. As mãos tremiam pela dor do ombro baleado, mas o rato continuava com o cano do revólver direcionado a mim, com o dedo coberto do próprio sangue no gatilho, pronto para atirar.

— Parece que quem vai para o inferno hoje é você, Bieber! — Com a voz saindo abafada pela dor, o miserável dissera com o ódio refletindo em seus olhos, destravando a arma de fogo que segurava. E seu passo seguinte seria atirar.

O indicador do miserável pareceu movimentar-se lentamente e a sensação estranha de que daquela vez o grande Bieber realmente estava sob a mira da morte e sem subterfúgios fez com que tudo parecesse irreal. Não acabaria assim. O rei, dono de um império, morto pelas mãos de um ninguém, um rato de esgoto. Jamais deveria ser acontecer. E como se cumprisse meus anseios internos, um golpe habilidoso aplicado pelas costas o fez cair, antes mesmo que ele pudesse efetuar o disparo. Jones acertara um chute impiedoso com seus saltos na frágil coluna vertebral do miserável, fazendo-o cair aos gritos de dor no chão e contorcer-se pelos ossos afetados. A face impecável da vadia dos infernos emanando toda a insolência que possuía e aproximando-se de mim, exibindo sob suas mãos a arma revestida a ouro, que havia deixado cair durante o embate com os três imbecis patéticos.

— Boa garota. — Lançando-a um sorriso coberto de sarcasmo, falara extasiado pelo feito que a vadia indomável mostrara-se capaz de fazer, mais uma vez surpreendendo-me e tornando-se cada vez mais intrigante.

— Acabe com isso de uma vez antes que a polícia chegue. — A frase indiferente pelo ódio de ter sido obrigada a estar ali, misturou-se com a preocupação em ser pêga. Porém, a vagabunda dos infernos esquecia-se que jamais haveria possibilidade da polícia Nova Iorquina envolver-se com Justin Bieber. Tudo estava em meu controle naquela cidade, inclusive suas autoridades.

Sem dá-la importância, peguei a arma de sua mão, mirando-a no verme contorcendo-se em dor no chão do lugar. Não havia sido como desejara, o verdadeiro filho da puta permanecia no escuro, sem ser revelado, mas o daria um grande e objetivo aviso. A primeira parte dele seria executada ali e naquele instante.

— Vá pela sombra, filho da puta. — Proferindo as últimas palavras que o pobre rato ouviria naquele mundo, disparei, atingindo-o na garganta vendo-o engasgar-se com o próprio sangue, submergir-se na asfixia e gradativamente tendo sua morte dolorosa e sofrida, como havia prometido.

Vendo que finalmente a troca de tiros que havia permanecido por longos segundos teve seu fim, com o chão da sala privada do restaurante repleta dos corpos de seus seguranças e também daquele que fora usado como falso dono de tudo, a gargalhada de prazer rasgou o ambiente sendo acompanhada pelas de meus soldados. A sujeira havia sido feita e precisava ser limpa. Encaminhando-se até a cozinha vazia do restaurante, o gás que alimentava os fogões do lugar era aberto um por um, para que houvesse por todos os cantos do edifício. Desviando dos cadáveres dos funcionários do filho da puta imundo pelo chão, entre gargalhadas sádicas de prazer íamos até a saída do lugar enquanto o gás continuava a espalhar-se por cada canto. Ao chegar à rua e ir em direção aos carros, adentrando-os sem a menor pressa. Saquei a arma para fora da janela, enquanto a vadia ao lado observava meu ato pasma pelo que o seguiria. Mas antes de cumpri-lo, comunicando a meus dois homens de confiança através do ponto comunicador implantado no carro, aquilo que seria mais uma das partes do aviso que deixaria ao verdadeiro verme que entrara em meu caminho.

— Transformem cada investimento do miserável em cinzas, até que nada mais o reste. — Ordenei, pressionando o indicador no gatilho.

Vendo a bala rápida encaminhar-se velozmente contra as vidraças do restaurante e em segundos, ao atingí-las, a explosão eclodir. Fazendo o prédio ser envolvido pelas chamas e queimar cada um dos corpos daqueles que haviam entrado em minha mira.


Notas Finais


É DISSO QUE O POVO GOSTA; AÇÃO E ADRENALINA! HAHAHAHAAHAHAHAHAHA
O próximo capítulo tá IMPERDÍVEL, preparem o coraçãozinho e os dedos, se é que me entendem, para o que vem aí!
Comentem muito suas opiniões, arrisquem fazer teorias ou façam perguntas que responderei todos. Beijão e até daqui há poucos dias ♡


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