História Razão VS Sensibilidade - Capítulo 4


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Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Aurélio Cavalcante, Barão de Ouro Verde, Camilo Sampaio Bittencourt, Ema Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café"
Tags Aurélio Cavalcante, Aurieta, Julieta Bittencourt, Love, Novela, Orgulho, Paixão, Romance
Visualizações 404
Palavras 2.168
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Desculpe qualquer erro e boa leitura :)

Capítulo 4 - A falência


Fanfic / Fanfiction Razão VS Sensibilidade - Capítulo 4 - A falência

- Doutor Aurélio, Barão. Muito prazer. – cumprimentou o Príncipe do Café. – Ouvimos muito falar do mítico Barão de Ouro Verde.

Os homens apertaram as mãos.

- Mítico? – o pai de Aurélio exclamou. – Deixa para me chamar de mítico quando eu morrer.

Susana soltou uma breve risada, de forma a parecer cortês. Mas quem falou foi Camilo:

- Um senhor de exemplo, um modelo de sucesso.

O Barão mostrou-se satisfeito e incentivado a se mostrar:

- Com certeza sou um modelo de sucesso, graças ao finado Imperador Dom Pedro II, que me reconheceu como barão. – e, gesticulando com as mãos, disse: - Sentem-se, por favor.

Todos o fizeram.

- Eu soube que vocês estão se mudando para a região e querem trocar algumas ideias sobre os cafezais. – Aurélio comentou.

Susana e Camilo trocaram olhares e, ao ser incentivado por ela, o moço falou:

- Na verdade, doutor Aurélio, senhor Barão... Nós gostaríamos de expandir os negócios da família na região.

- E qual é a intenção de vocês? – o pai de Ema perguntou cordialmente. – Posso saber?

Camilo ergueu as sobrancelhas:

- Nós queremos comprar as fazendas Ouro Verde.

Aurélio franziu a testa em um rosto completamente surpreso:

- Como é que é?

- Isso mesmo que o doutor Aurélio escutou. – continuou Camilo. – Queremos comprá-las.

- Não vendo! – o Barão estava bravo e não escondia seus sentimentos. – Nunca! Nem que vocês passem por cima do meu cadáver!

- Calma, papai. – Aurélio encostou sua mão delicadamente no joelho do velho. – Não tem motivo para se exaltar assim.

- Bom, pela reação dos senhores, - Camilo falava. – posso perceber que a hipótese nem será considerada. Vender as terras de vocês está fora de questão.

- Está fora! – o Barão estava prestes a aumentar novamente o tom de voz, mas foi impedido por seu filho:

- Com certeza. Não tem sequer como pensar nisso. Papai construiu tudo isso e não há motivos para vendermos nem agora nem... – o homem hesitou.

- Nem quando eu morrer! – o velho completou. – Meu filho prometeu que mesmo depois que eu morrer, ele irá tomar conta de meus negócios custe o que custar! – terminou, apontando o dedo para Aurélio, que apenas respondeu:

- E não tem me custado nada, pelo contrário.

- Mas os senhores estão fal...

Susana interrompeu o Príncipe do Café:

- Será que o Barão não poderia acompanhar Camilo que gostaria de conhecer a sua cavalariça?  E, se não se importar, senhor Aurélio, eu gostaria de tomar um suco. Pode ser?

...

Aurélio repousou o copo nas mãos da aprendiz da Rainha do Café e sentou-se ao seu lado.

- Espero que goste de limonada.

- Está deliciosa, Aurélio. – respondeu Susana, tomando um gole. – Eu posso te chamar assim, não?

- Sim, mas...

- Eu queria ficar sozinha com você, porque Camilo é um menino inexperiente e parece que a velhice de seu pai está cegando o grande homem de negócios que ele já foi um dia.

Aurélio arregalou os olhos e se surpreendeu. Ninguém era tão direto assim, principalmente falando de seu pai. Não gostou nada do jeito como ela se expressava e ficou tentado a enxotá-la. Entretanto, aprendera desde pequeno os bons modos e conteve-se, exclamando apenas um:

- Senhora!

- Me escute. – ela pediu e se ajeitou rapidamente na cadeira. – Eu sei que o negócio de vocês está à beira do desastre.

À beira do desastre? O que aquela mulher estava dizendo?

- Em breve os credores baterão na sua porta e tomarão tudo. – Susana deixou o copo em cima da mesa e completou: – Acho que o que propomos é razoável e salva a pele e a dignidade de vocês.

Aurélio não podia acreditar no que ouvia. Aquilo não podia passar de um terrível mal entendido:

- A senhora está enganada. Nossos negócios não estão...

Entretanto, a morena o interrompeu:

- Ah, entendo. Você não sabe. – Susana soltou um suspiro longo demais para o momento. – Você não sabe de nada e quem cuida de tudo é o velho.

O homem se irritou. Aquilo já estava perturbando-o demais. Já não bastava dizer que estavam falidos, mas também expunha sua negligência nos negócios da família. Não era sua culpa. Não, não era. Seu pai o impedia de ficar a par desse tipo de assunto. Contudo, ele também nunca se interessara por essa área profissional...

- Respeito, senhora! – foi o que Aurélio vociferou.

Para piorar, a mulher lhe respondeu:

- Quem não teve respeito foi o senhor seu pai. – e levantou de súbito, sendo acompanhada pelo homem. – Fale com ele. Pergunte sobre a situação de vocês e depois me procure. Eu prometo tratá-lo com todo o respeito que o futuro Barão de Ouro Verde merece. Agora, com licença.

Após a saída de Susana, Aurélio desabou na cadeira. Aquilo não podia ser verdade.

Mas e se fosse...

...

- Aurélio, como vai?

O viúvo apertou a mão de Jorge e foi direto ao ponto, sem rodeios:

- Nós vamos perder tudo?

O advogado hesitou e optou por ficar mudo, apenas encarando o pai de Ema. No entanto, Aurélio não estava com humor para tolerar o silêncio prolongado que o outro fazia e insistiu:

- É você quem cuida de todos os negócios da família.

- Do Barão. – corrigiu Jorge.

Aurélio se irritou:

- Os negócios do Barão são os negócios da família. – fez uma pausa para se recompor e perguntou novamente: - Nós vamos perder tudo?

- A situação é muito grave...

E lá ia de novo a paciência do pai de Ema:

- Sem rodeios, Jorge. – e, apesar de abrir a boca para continuar a falar, preferiu conter-se e voltou a fechá-la.

- É preciso ser brilhante nos negócios para salvar alguma coisa. – por fim, declarou o advogado.

O mundo de Aurélio girou. Não uma, mas duas vezes. Três. Quatro. Cinco. Aquilo não podia ser verdade. Seis. Como fora acontecer? Sete. Não, Ema tinha uma juventude pela frente e merecia tudo do melhor para vivê-la.

Sentiu seus ombros ficarem tensos e sua boca ficar seca. Virou-se de costas para Jorge, em uma tentativa de se acalmar, mas era em vão. Levou suas mãos ao rosto, sentindo uma leve pontada na testa. Aquilo não estava acontecendo.

O problema é que por mais que tentasse negar, mais percebia a realidade.

...

- Por que o senhor não me contou?

Aurélio estava irritado. Não, não, ele estava indignado, furioso. Indignado pela má gestão do pai que os deixara naquela situação e furioso pela mentira.

- Você nunca se interessou pelos negócios! – o Barão gritava. Diferente do filho, alterava seu tom de voz quando lhe convinha. – Você só se interessa por cavalos, por viajar...

O viúvo não se aguentou e também aumentou o volume da voz. Agora, gritava com o velho:

- O senhor é que nunca deixou, papai! Sempre me afastou de tudo! – Aurélio ergueu os braços, em um gesto inconsciente. – Nunca me achou capaz para gerir os negócios da família!

O pai se assustou. Nunca vira seu herdeiro falar assim, com tanta ferocidade e mágoa. Por isso, hesitou e gaguejou:

- Mas... O que... O que você está querendo, hein? – tentou recompor a fala ao normal. – Se fazer de vítima? Você se aproveitou da minha fortuna o quanto quis. Isso bastou pra você.

Aurélio sentiu o sangue pulsar e teve que se segurar para não dizer algo que fosse se arrepender. Portanto, exclamou:

- Que absurdo isso!

O que sentava na cadeira de rodas, vendo novamente a mágoa estampada no rosto do filho e a chateação preencher seus olhos, resolveu amenizar a situação:

- Isso não quer dizer que você não seja um bom filho. Uma criatura maravilhosa e que talvez por isso nunca pôde verdadeiramente gerir os nossos negócios.

O filho se acalmou um pouco, mas ainda sentia seus ombros tensos e uma vontade de sair gritando com o pai. Respirou fundo por poucos segundos e resolveu não se deixar levar pela raiva que fazia seus pelos se arrepiarem:

- Eu não vou discutir isso. Mas o senhor não acha que algo de tamanha proporção todos nós não deveríamos saber? – sentia novamente a raiva ganhar domínio sobre sua razão. – Eu e Ema!

O Barão se desesperou:

- Ema não pode saber! Ela não pode perder sua admiração por mim!

- Ora, papai!

- Eu prefiro morrer antes que ela saiba do meu fracasso! Ema não pode saber!

- O que eu não posso saber?

Os dois homens se viraram para a figura que se aproximara.

- Eu ouvi vozes alteradas e vim ver se tinha acontecido alguma coisa. – Ema mostrava preocupação não só em sua voz, mas em seus olhos. – O que está acontecendo que eu não posso saber?

Aurélio respondeu:

- Eu descobri algo que seu avô não queria nos contar.

- Que isso, Auré...

- Ela tem o direito de saber! – o homem ainda estava alterado devido à mágoa que sentia. – Eu não deixarei que você faça com ela o que o senhor fez comigo. – e, decidido, começou: - Ema, o seu avô...

Entretanto, não conseguiu completar a frase, pois o Barão gritou:

- Eu vou morrer! Estou doente! O médico afirmou que agora é certo e que não há nenhuma providência divina a ser tomada!

- Mas, não! – Ema se desesperou. – Não acredito, vovô! – aproximou-se e se ajoelhou em frente ao Barão. – Não posso ficar sem o senhor!

Aurélio abriu a boca, mas o pai o impediu de falar:

- Não se preocupa, minha netinha. Assim é a vida...

- Mas papai... – o viúvo tentou novamente. Sem sucesso:

- Fique tranquila, minha querida neta. – continuou o anfitrião. – Seu pai cuidará de você, assim como eu cuidei dele. Assim como você cuidou de nós dois após a morte de sua mãe. – o homem acariciou o rosto da moça. – Não se preocupe. Ficará tudo bem.

Aurélio sentou-se, tentando acalmar os nervos. A voz do pai era tranquila e apaziguadora, mas nada ia ficar bem. Ele mentia. Mentia para o maior tesouro da vida de Aurélio. O que faria agora?

Era melhor recuperar a serenidade antes de qualquer coisa. Precisava se recompor.

- Com licença. – o filho do Barão disse, colocando o chapéu e saindo pela porta da frente.

...

Já estava escuro, mas não se importava. Pelo contrário, fazia uma noite linda e muito agradável no Vale do Café. O céu cheio de estrelas e a meia lua brilhando e iluminando por onde se passava.

Aurélio caminhava por um caminho aberto em meio à vegetação. Estava longe das fazendas Ouro Verde, porém, nem percebeu. Apenas andava e refletia sobre os acontecimentos, pensando no que faria para salvar sua família.

Nesse ponto, como sempre se faz quando se pensa no presente e no futuro, o homem olhou para o passado: tudo parecia tão mais simples e alegre. Principalmente ao lado das duas mulheres que amava: sua esposa e sua filha. Mas sabia que o passado não fora de todo bom devido à morte precoce de sua mulher que foi sentida por Aurélio durante um longo tempo. Agora percebia que ele e sua mulher viveram muito bem e muito felizes e não se arrependia de nada. Nem se sentia mal por ela não estar mais junto dele, porque sabia que ela vivera o que tinha que viver. O viúvo agora agradecia por sua finada esposa ter compartilhado sua vida com ele enquanto esteve em terra.

Aurélio nem percebeu que estava próximo à Casa de chá, pois olhava para baixo. Entretanto, não fora uma boa ideia, pois alguns metros perto da porta do local, o homem se viu esbarrando em alguém muito apressado e acabou indo para trás com o baque, assim como a outra pessoa.

Aturdido, o filho do Barão desviou seu olhar do chão e apressou-se em se desculpar:

- Me desculpe, não tive a intenção de machucar...

A mulher o olhou indignada. Parecia prestes a cuspir nele.

- ... a senhora. – o homem completou a frase, com os olhos brilhando.

Ela era linda. Seus olhos, nariz e boca eram pequenos e delicados, apesar do olhar apresentar tristeza e ódio. Seus cabelos negros estavam presos e dava para ver uma mecha branca que traçava um caminho desde a raiz. Sua estatura era pequena, contudo, pela maneira como ela se postava, ele não duvidou que  seria capaz de enfrentar uma boiada se quisesse. E Aurélio tinha a impressão de que ela venceria.

- O que o senhor pensa que estava fazendo? – a mulher vociferou.

Preto. Ela vestia um vestido preto que ia dos seus pés até metade de seu pescoço. Isso significava que provavelmente era viúva. Ora, mas e o que isso importava?

- Desculpe, senhora. – Aurélio repetiu, com um pouco de dificuldade para falar. – Eu estava olhando para o chão. Não percebi que a senhora saía da Casa de chá.

A mulher inclinou a cabeça para o lado esquerdo e o analisou de cima a baixo. Parecia conter a raiva:

- Que isso não se repita.

Dito isso, ela deu meia volta e se afastou, deixando Aurélio ainda aturdido e confuso. Afinal, quem era aquela mulher?


Notas Finais


Finalmente os dois se encontraram! E vem mais por aí...


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