História Razão VS Sensibilidade - Capítulo 5


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Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Aurélio Cavalcante, Barão de Ouro Verde, Camilo Sampaio Bittencourt, Ema Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café"
Tags Aurélio Cavalcante, Aurieta, Julieta Bittencourt, Love, Novela, Orgulho, Paixão, Romance
Visualizações 479
Palavras 2.356
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Dessa vez, veremos a cena do encontro deles sob a perspectiva de Julieta. E o impacto que isso causou nela...
Me desculpa qualquer erro e boa leitura! :)

Capítulo 5 - O novo emprego


Fanfic / Fanfiction Razão VS Sensibilidade - Capítulo 5 - O novo emprego

- Quer dizer que o filho não sabia da falência da família?

Julieta estava sentada em seu escritório e seu filho e sua aprendiz haviam acabado de chegar e contado o que ocorrera na fazenda Ouro Verde.

- Exatamente, minha cara. – Susana confirmou. – Aurélio Cavalcante ficou surpreso ao me ouvir dizer que os negócios estavam um desastre.

A anfitriã franziu a testa e estranhou. Mas sua reflexão durou poucos segundos:

- E eles se recusaram veemente em vender?

- Sim, mãe. – Camilo foi quem respondeu. – Nem sequer consideraram a proposta.

Julieta soltou um suspiro longo de cansaço e irritação pelo Barão dificultar seus planos:

- Bem, teremos que contornar esses obstáculos.

Susana se adiantou:

- Eu acho, minha amiga, que podemos ainda tentar alguma coisa com Aurélio. – fez uma pausa para a outra mulher apreender a ideia. – Ele acabou de ficar sabendo da falência e não me parece tão teimoso quanto o pai. Acho que poderíamos pressioná-lo a vender.

- Acho que podemos considerar esse plano. – Julieta finalizou a conversa e dispensou os dois.

Agora que estava sozinha, sentia o peso da viagem até o Vale do Café e dos extensos textos que passara o dia lendo. Estava exausta e sabia exatamente o que a relaxaria: um passeio.

...

Apesar de já ter anoitecido, a Rainha do Café não se limitou em andar por sua fazenda. Avançou até o vilarejo e viu de perto pela primeira vez o pequeno centro de comércio do Vale do Café. Deparou-se com a famosa Casa de chá e decidiu entrar.

- Ah, meu Deus! – a mulher atrás do balcão exclamou. – A senhora deve ser dona Julieta Bittencourt, a Rainha do Café!

- Sou eu mesma. – disse a mãe de Camilo, desconfortável. – E a senhora é dona Agatha, não? A dona do lugar?

- Sim, sim. Muito prazer. – a mulher estava animada. – Não sabe o quanto é maravilhoso ter alguém de sua estirpe aqui no Vale!

Julieta não gostava de papos furados e seu humor só dificultava. Mesmo assim, tentou não ser rude:

- É muito bom finalmente conhecer o local. – e, rapidamente, antes que Agatha começasse a falar novamente, pediu ao mesmo tempo em que se sentava em uma das mesas vazias. – A senhora poderia me trazer uma xícara de chá, por favor?

O pedido pareceu ter o efeito desejado. Dona Agatha desapareceu e, dentro de alguns minutos, entregou-lhe a xícara ainda com o sorriso animado. Para a sorte de Julieta, outro cliente adentrou a Casa e, portanto, ficou sozinha: do jeito que queria estar naquele momento.

A Rainha do café olhou para o líquido a sua frente e tomou. Estava delicioso. Não tomava um chá daqueles desde... Desde a temporada que ficara na Europa. Fora em sua lua de mel. Apesar de tanto tempo ter se passado, lembrava-se de cada detalhe daqueles dias na França, a maior parte passada dentro do quarto de hotel.

De repente, as memórias da viagem rodopiaram em sua mente e Julieta não conseguiu afastá-las.

Estava novamente naquele quarto, tomando uma xícara de chá trazida pela camareira que já se retirara quando ele adentrou. O corpo da mulher ficou rígido e sentiu todos os seus músculos ficarem tensos.

- Voltei. – foi a única palavra que proferiu. Sentada na cama, observando-o, a esposa percebeu o quanto ele era alto e isso a fez sentir ainda mais fraca e impotente. Ele começou a andar em sua direção, com o rosto sério e passivo. Contudo, seus olhos não a enganavam: estavam cheios de desejo. Diante dessa constatação, Julieta sentiu um arrepio por seu corpo.

Ele se aproximou da esposa e a segurou pelos ombros. A respiração da mulher ficou ofegante e sentiu o desespero percorrer o seu corpo, pois já sabia o que viria.

 

- Julieta?

A Rainha do Café se assustou ao ouvir seu nome e se virou bruscamente para a fonte da voz.

- Deseja algo mais, dona Julieta? – Agatha lhe esboçava um grande sorriso.

- Não, não. – apressou-se a dizer. – Obrigada.

Após pagar, saiu ainda aturdida e desorientada, tentando impedir que as memórias do passado lhe dominassem. Precisava recuperar a razão e aprisionar os sentimentos, antes que...

Julieta sentiu um baque e foi para trás, quase caindo. Sua visão se embaçou um pouco e ela sentiu raiva de ter se deixado levar pelas emoções das lembranças em um ambiente público a ponto de não perceber o homem que acabara de trombar.

- Me desculpe, não tive a intenção de machucar...

Os olhos da Rainha do Café ainda estavam um pouco nublados e sua cabeça parecia girar. Fixou seu olhar na direção da voz, tentando recompor sua armadura.

- ... a senhora. – ele completou, parecendo também estar descomposto que nem ela.

- O que o senhor pensa que estava fazendo? – a mulher vociferou.

Se arrependeu no mesmo minuto. Aquela era a raiva transbordando por sua pele e atingindo um inocente. Aqueles sentimentos só estavam ligados a ela e a seu passado.

- Desculpe, senhora. – o homem parecia mesmo um pouco aturdido, pois tinha dificuldade em falar. – Eu estava olhando para o chão. Não percebi que a senhora saía da Casa de chá.

Sua visão clareou e Julieta Bittencourt finalmente conseguiu olhá-lo direito. Seus cabelos estavam bem arrumados, dando espaço para uma testa larga, e seu nariz era do tamanho ideal. A barba desenhava a boca cor de caramelo e acabava por escondê-la um pouco. Entretanto, ao verificar os olhos teve que se segurar para não soltar uma exclamação de admiração: eles carregavam um brilho diferente de tudo que a mulher havia visto na vida. Ali ela via bondade.

Sentiu sua respiração falhar e a ponta de seus dedos das mãos tremerem. Perto dele, Julieta sentiu um ar de tranquilidade e paz. Sentiu que ele era capaz de tocar em uma rosa com tamanha delicadeza que os seus espinhos desapareceriam, como num passe de mágica. E ela não duvidava que isso acontecesse.

Ora, mas o que estava pensando? Da onde tirara essas ideias estúpidas? Só podia estar delirando mesmo.

- Que isso não se repita.

Dito isso, Julieta deu meia volta e se afastou, voltando para sua fazenda. Contudo, não pôde deixar de notar que nos breves momentos em que observava o homem, se esquecera de seu passado e das memórias horríveis que invadiram sua mente segundos antes. Isso a deixou confusa e intrigada.

Andando mais depressa que o costume, a viúva fazia o trajeto da volta refletindo. Não conseguia parar de pensar no encontro inusitado com o desconhecido e aquilo a estava enchendo de dúvidas: como ele conseguira fazê-la se esquecer de tudo a sua volta? Por que achava que vira bondade em seu olhar quando sabia muito bem que os homens estavam longe de terem essa característica? E principalmente: quem era aquele homem?

...

Mais um dia amanhecia e acordava a Rainha do Café de um sono agitado. Os pesadelos tão costumeiros interromperam sua noite por várias vezes. Entretanto, um deles fora intrigante, pois o homem com quem trombara na noite anterior estava presente. No sonho, após seu finado marido sair de cena, o misterioso homem apenas aparecia e a olhava serenamente, enquanto a mulher o encarava de volta, sentindo sua respiração falhar.

Por que diabos ela sonhara aquilo? Não fazia sentido. Por isso, decidiu deixar essa indagação de lado e se trocar, pois naquele dia iria até a fazenda Ouro Verde renegociar com o Barão.

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- Dona Jade! – exclamou Ema. – Entre, por favor.

Os ombros de Aurélio ficaram tensos. Não esperava ver a filha de Enzo tão cedo.

- Oh, Ema. – a mulher falava em um tom de voz alto e espalhafatoso como sempre. – Cada dia que passa a senhorita fica mais linda!

A menina corou e agradeceu a gentileza.

No instante seguinte, Jade Garcia cravou seus olhos no homem que estava sentado na sala com um livro na mão. Parecia bastante concentrado, pois não se virara para ver quem estava na porta. Apenas continuava lendo.

- Senhor Aurélio. – Jade o chamou formal, arrebitando o nariz. – Como vai?

O viúvo conteve um suspiro de irritação. Não estava com vontade de falar, pois a leitura estava contagiante. Além do mais, a mulher só o aborreceria com ideias falsas e iludidas de um amor entre os dois, o que não lhe agradava nem um pouco.

Contudo, aprendera as boas maneiras e criou coragem para fechar o livro e se levantar. Olhou para a mulher e a cumprimentou:

- Estou bem, obrigado, dona Jade. E a senhora?

- Muitíssimo bem! – ela exclamou, se aproximando do filho do Barão. – Poderíamos conversar?

Antes que ele pudesse responder qualquer coisa, Ema declarou:

- Vou deixá-los à vontade. Com licença. – e, num piscar de olhos, os dois estavam sozinhos na grande sala.

Pelo jeito, Aurélio não tinha escolha. Portanto, se virou para a outra e perguntou diretamente:

- Sobre o que quer conversar?

Em um movimento exagerado, ela sentou-se no sofá e esboçou um sorriso radiante:

- Sobre a vida, as pessoas, os animais... O que você quiser, Aurélio. – fez uma breve pausa. – Não posso ficar longe de você por muito tempo, sabe disso.

Dessa vez, o viúvo não conteve o suspiro de irritação:

- Don... Jade. Jade. – ele se obrigou a sentar-se ao seu lado. – Estou no meio de uma leitura e não estou em um bom humor hoje. Não...

- Por que não está em bom humor? – suas sobrancelhas se uniram, mostrando um rosto confuso. – O que aconteceu?

Aurélio desviou o olhar. Não sabia o que responder, porque não podia contar da falência da família e muito menos desabafar com ela. Afinal, Jade Garcia era boa de papo e, portanto, uma péssima ouvinte.

- Aurélio, por que o silêncio? – disse, apoiando sua mão no braço do homem. – Por que não diz o que aconteceu?

- Não é nada. – o viúvo respondeu rapidamente, ainda não encarando-a.

A mulher bufou e afastou a mão dele:

- Muito bem. Se não é nada, posso ficar aqui e conversar com você. – e, antes que Aurélio pudesse abrir a boca, ela emendou:  – Estou muito preocupada com papai. Ele está muito idoso, já, e a casa precisa de cuidados. Com meu irmão fora do país e poucos trabalhadores, eu receio que a fazenda está em maus lençóis.

O pai de Ema abaixou os olhos e parou de ouvi-la. Não estava em bom humor e seus pensamentos voltaram à falência da família. Precisava arranjar dinheiro e rápido. Muito dinheiro. Mas o que faria? Não tinha nenhuma ideia de por onde começar! Talvez se pudesse ir à capital... Não, não. Lá ninguém aceitaria um botânico amante dos animais. Seu lugar era no Vale. Além do que, não conseguiria ir para a capital sem se explicar a sua filha. Mais uma preocupação: ocultar a verdadeira situação financeira dos Cavalcante para Ema o deixava nervoso.

De repente, a voz de Jade penetrou em sua mente:

- ... Os animais teremos que vender e a plantação produzirá tão pouco que só... Não sei como iremos fazer, Aurélio! Papai não pode ver sua fazenda se desfazer aos poucos por causa de falta de gente para trabalhar! Ademais, os meus...

- Espere um momento. – Aurélio a interrompeu educadamente.

Ela disse: “falta de gente para trabalhar”?

- A senhora está preocupada com a falta de mão de obra na lavoura de seu pai?

- Não na lavoura em específico, mas para cuidar dos animais. Papai disse que alguns homens do interior estão vindo para trabalhar com a plantação, mas não achamos ninguém para os animais.

- Eu cuido dos animais.

O pai de Ema soltou as palavras mais rápido do que pretendia. Esperava que, ao menos, não tivesse soado desesperado. Entretanto, para sua surpresa, a mulher começou a rir:

- Aurélio, querido! – sua mão foi à barriga. Parecia estar se divertindo com a proposta dele. – Como você é engraçado!

- Eu estou falando sério. – o filho do Barão se levantou. – Posso ajudar sua família e... Tenho jeito com os animais.

As risadas foram interrompidas bruscamente e a mulher o encarou séria.

- Você seria capaz de trabalhar só para nos ajudar?

Na verdade, o trabalho não o assustava. Seria um ótimo jeito de passar o tempo e se dedicar a algo de verdade. E fazia aquilo por sua família, não pela dela. Mas isso ela não precisava saber.

- Sim, claro. Que mal há em trabalhar?

De repente, Jade se levantou mais rápido que o necessário e se atirou nos braços de Aurélio, o envolvendo em um abraço apertado que o desorientou.

- Ah, Aurélio... Aurélio! – ela exclamava alto demais no ouvido dele. – Você é um homem maravilhoso! Muito obrigada, obrigada!

O viúvo se desvencilhou daquele abraço, meio sem jeito e tentando ser o mais delicado possível. Uma vez livre dos braços grandes daquela mulher, perguntou:

- Isso quer dizer que eu ganho o emprego?

- Sim! Claro, claro! – ela se abaixou e pegou a pequena bolsa que estava no sofá e começou a se direcionar para a porta. – Vou agora mesmo avisar o papai! Ele ficará tão contente!

Quando finalmente se viu sozinho na sala, Aurélio se pôs a sorrir. Agora, precisava contar a novidade ao seu pai.

...

Mas onde é que ele havia se metido? O Barão não estava em nenhum lugar da casa e, portanto, decidiu verificar no lado de fora, primeiramente nos jardins da frente.

Aurélio começou a andar apressadamente pelo local, franzindo a testa. Não o encontrou, porém, antes que pudesse dar meia volta e entrar novamente, um movimento chamou sua atenção: um carro estacionava na frente do portão.

Aurélio se aproximou e, quando abria o portão, duas mulheres saíram do automóvel, espantando-o. Uma era Susana, que esboçava seu natural sorriso debochado. A outra, era a mesma com quem trombara no dia anterior.

As duas se aproximaram do viúvo que não desgrudava os olhos da que vestia preto. Ela usava uma expressão séria em seu rosto, mas nem por isso deixava de refletir sua imensa beleza. Sim, Aurélio estava encantado: como alguém podia ser tão belo?

- Bom dia, Aurélio. – cumprimentou Susana, dispensando mais uma vez as formalidades. – Hoje vim acompanhada da verdadeira interessada pelos negócios das fazendas Ouro Verde: Julieta Bittencourt, a Rainha do Café.


Notas Finais


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