História Razão VS Sensibilidade - Capítulo 6


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Categorias Orgulho e Paixão
Personagens Aurélio Cavalcante, Barão de Ouro Verde, Camilo Sampaio Bittencourt, Ema Cavalcante, Julieta Sampaio Bittencourt "Rainha do Café"
Tags Aurélio Cavalcante, Aurieta, Julieta Bittencourt, Novela, Orgulho, Paixão
Visualizações 176
Palavras 2.012
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esse capítulo só tem aurieta, pra compensar os anteriores. Desculpa qualquer erro e boa leitura! :)

Capítulo 6 - A negociação com o filho do Barão


Fanfic / Fanfiction Razão VS Sensibilidade - Capítulo 6 - A negociação com o filho do Barão

Julieta avistou o homem de longe e teve certeza de que sua mente estava pregando uma peça. O motorista terminou de estacionar, porém, antes de sair do carro perguntou à mulher sentada ao seu lado:

- Susana, quem é ele?

A aprendiz respondeu de prontidão:

- Aquele é Aurélio Cavalcante. O filho do Barão que não sabia da falência da família.

- Então é exatamente com ele que devemos conversar. – a Rainha do Café empinou a cabeça para trás. No seu íntimo, tinha que admitir que encontrá-lo de novo a deixava aflita, o que não acontecia frequentemente.

As duas saíram do carro e andaram em direção a Aurélio. Quanto mais se aproximava, mais seu corpo tremia. A verdade era que nem pensara que existia uma chance de encontrar o homem misterioso novamente e, diante dele naquele momento se sentiu mais frágil que nunca. Esse sentimento de vulnerabilidade era por causa do incidente na noite anterior: em meio ao seu desespero de fugir do passado, ele a conhecera quase despida de máscara e armadura. Parecia que ele a desestabilizava assim que seus olhos se encontravam.

É claro que aquilo não podia ser só por medo e vergonha do encontro dos dois. Havia algo a mais que Julieta não percebia, mas que seu inconsciente já estava começando a absorver: era uma faísca pequena que brotava no coração da Rainha do Café, como uma semente que, se irrigada por meio de carinho e gentileza, cresceria e se tornaria uma linda e esbelta árvore verde.

- Bom dia, Aurélio. – cumprimentou Susana, dispensando mais uma vez as formalidades. – Hoje vim acompanhada da verdadeira interessada pelos negócios das fazendas Ouro Verde: Julieta Bittencourt, a Rainha do Café.

O viúvo hesitou. A mulher com quem esbarrara na noite passada era a mesma que queria comprar as terras de sua família.  Ela era alguém influente que conseguiu manter um império sozinha. Como não percebera antes? Estava claro desde o encontro acidental deles: sua postura era de uma verdadeira rainha.

- Muito prazer, senhor Aurélio. – Julieta o cumprimentou, como se fosse a primeira vez que se conheciam.

O homem ficou mais alguns segundo parados, sem reação. Entendia os motivos de deixar o encontro acidental em segredo, já que fora um momento de grande embaraço para ambos, apesar de não se sentir muito confortável em relação ao fingimento. Entretanto, achou melhor não contradizê-la para não gerar atritos. E ela definitivamente não era alguém que queria aborrecer.

Aurélio então, se viu ser engolido por um buraco negro. Diante dela, ele não era nem um grão de areia, nem um mísero resquício de terra. A ideia de que ela era uma ótima empresária e que entendia muito mais de negócios que o filho do Barão de Ouro Verde o deixava maravilhado, admirado. Julieta ia além das impressões causadas na noite anterior.

Ao se desvencilhar de seus pensamentos e perceber que as duas o observavam com expectativa, Aurélio finalmente se pronunciou:

- O prazer é meu, senhora Julieta. – os dois se encaravam sem se atreverem a desviar o olhar. – Por favor, entrem e sejam bem-vindas.

Os dois ainda seguraram o olhar por alguns segundos antes de realizarem qualquer movimento. Aquilo gerou um frio na barriga da mãe de Camilo e um arrepio na nuca do pai de Ema.

Ela foi a primeira a quebrar o momento, andando em direção ao casarão. O viúvo deu espaço para elas passarem e as seguiu, adentrando em seu lar.

Todos se acomodaram na grande sala dos Cavalcante e Aurélio pediu que Dolores trouxesse café, o qual fora trazido rapidamente. Julieta bebericou um pouco do líquido e gostou do sabor que sentiu descer por sua garganta:

- Uma delícia esse café.

- Plantado, colhido, torrado e moído aqui mesmo. – o botânico comentou, com um pequeno sorriso em seus lábios. Tinha orgulho do que o pai havia construído.

- Não tenho dúvidas. – a mulher disse, iniciando uma conversa cordial. – A propriedade Ouro Verde é lendária.

O silêncio preencheu o ambiente, deixando os presentes levemente desconfortáveis. Aurélio, então, se viu na obrigação de continuar na conversa. Contudo, preferiu ir ao cerne da questão:

- A senhora Susana já deve ter lhe contado sobre a conversa de ontem com meu pai. – ele apontou para a aprendiz que confirmou com um aceno de cabeça. – Portanto, a sua visita deve ter haver com a negociação que seu filho deixou em aberto. Estou certo?

- Bom, se o senhor deseja ir direto ao assunto, irei. – e, com um breve suspiro, declarou:  – Estou interessada em comprar as terras de seu pai. Estou a par da situação financeira da sua família e ofereço uma oferta irrecusável: o dinheiro suficiente para saná-las e para se viver com, digamos, metade do luxo e conforto que possuem aqui. – a mulher lançou um olhar pela casa e, após uma análise do local, pousou seu olhar no filho do Barão.

Seu julgamento na noite passada não a traíra, apesar de que só naquele momento percebia o quanto ele era bonito. Tudo certinho em seu rosto: o nariz do tamanho certo, o queixo coberto pela barba era moldado de uma forma delicada e os olhos... Esses eram...

Mas o que diabos estava pensando? Devia ser efeito da noite mal dormida. Quanta bobagem!

- Bom, não sei aonde papai se meteu. – Aurélio dizia. – Estava procurando-o quando as senhoras chegaram. – fez uma pausa. – Mas acho que seria mais adequado continuarmos esta conversa com a presença dele, já que ele possui o título de barão e é o verdadeiro negociante da família.

- Entretanto, Aurélio, se me permite dizer, - começou Susana. – o senhor Barão não se mostrou muito flexível com nossa proposta e acredito que você seria um melhor ouvinte. Afinal, não é um homem tolo.

- Está chamando meu pai de tolo? – o tom do homem era acusador, pois não gostava nem um pouco das insinuações da aprendiz da Rainha do Café.

- Não, não. – a mulher se apressou a se explicar. – Claro que não. É só que eu percebi que o senhor Barão está...Mais firme em sua decisão de não vender a propriedade. Mas você sabe que essa é uma ideia que deve-se, pelo menos, ser levada em consideração, ou sua família perde tudo.

Julieta não deixou de notar que Susana falava sem formalidades com o homem e isso a incomodou. Conhecia sua parceira, e sabia que aquilo era uma forma de se aproximar dos outros negociadores. Mas não aprovava e, diante de Aurélio, parecia ainda mais ultrajante, já que... Bem, já que...

Não encontrou uma explicação e, por isso, resolveu voltar seu foco ao assunto da venda:

- Susana tem razão. Suas terras vão ser de outra pessoa a qualquer momento. Basta os senhores decidirem se querem sair perdendo tudo ou ganhando.

- De que maneira estaríamos ganhando? – o homem indagou, franzindo a testa. – Qualquer uma das opções nos traz perdas. E, me perdoe a franqueza, mas mesmo com o dinheiro que ganharíamos da sua compra, haveria um baque gigante em nosso emocional. E a felicidade não tem preço.

A Rainha do Café se surpreendeu pela sinceridade do homem. Mais que isso, se intrigou com a fala dele: um homem rico e bem acomodado que era, estava preocupado com a felicidade de sua família? Não era coerente.

- Muito bem. – Julieta disse. – O senhor então se recusa ao menos a pensar no assunto?

Aurélio hesitou. Sabia que, em parte, a mulher estava certa: se vendesse a fazenda, pelo menos teriam um dinheiro para recomeçar. Entretanto, aquela decisão não era somente sua, mas dos Cavalcante. E, por mais que a ideia fosse tentadora, não podia parar de pensar que o lugar onde nasceu, cresceu e viveu seria tirado de suas mãos. Era dolorosa a ideia de que a fazenda Ouro Verde não seria mais seu lar. Mas era muito pior a sensação de que aquilo tudo comprometia a juventude de Ema.

Lembrou-se então do novo emprego que arranjara na fazenda dos Garcia e refletiu. Não seria suficiente para pagar as altíssimas dívidas, isso era certo. Contudo, se conseguisse renegociá-las, talvez, dentro de alguns meses de trabalho, conseguisse alguma coisa? Era muito arriscado e, provavelmente, não aceitariam estender tanto o prazo. Afinal, ele havia vencido no mês passado.

E se, junto com o trabalho, vendesse alguns móveis da casa ou objetos seus? Seria muito difícil se desfazer, mas talvez ajudasse... Talvez...

- Não me recuso. – Aurélio finalmente declarou. – Prometo que irei avaliar a proposta da senhora. – fez uma pausa. – Porém, essa decisão não cabe só a mim.

A Rainha do Café se irritou. A despeito da resposta positiva do homem, ficou zangada por dar ouvidos à Susana. Aquela estratégia era péssima. Imagina, o que ela estava pensando? Em tratar negócios com alguém que nunca assinou um cheque na vida? Um inútil!

E o que esperava também? Apesar da bondade que vira em seus olhos, Aurélio era um homem e, sendo assim, só poderia ser um imprestável mesmo. Bondade nos olhos? Não, tinha claramente se enganado na noite passada. Não existia homem bom. Mas seus gestos também indicavam certa gentileza. E, afinal, ele não parecia ser mau caráter. Será que...

Não. Por que estava pensando nisso? Era desnecessário, já que o fato dele ser ou não um homem bom não mudava o fato de ser péssimo nos negócios.

A mulher que vestia preto tentou focar, mas seus pensamentos a traíam e insistiam em tentar desvendar o enigma que era Aurélio. Não sabia o motivo, mas sentia uma vontade de entendê-lo melhor, de conhecê-lo.

Agora havia passado dos limites.

Tentou respirar fundo, pois sentia uma corrente de sentimentos ameaçarem inundá-la. Era tudo que não precisava naquele momento.

Decidiu encerrar logo aquela conversa que não a levaria a lugar nenhum. Iria outro dia conversar pessoalmente, dessa vez, com o Barão.

- Entendo. – foi a resposta de Julieta. – Darei o prazo de uma semana para os senhores pensarem a respeito. – ela se levantou, sendo seguida pelos demais. Sentiu as pernas bambas e quase correu em direção da porta. – Até breve.

As duas já estavam do lado de fora quando o pai de Ema reparou em algo não familiar na sala: uma bolsa pequena e preta. O homem a pegou, analisando-a e percebeu que só poderia pertencer à Julieta Bittencourt.

Começou a atravessar a sala, decidido em devolvê-la imediatamente, entretanto, seus passos pararam abruptamente diante da figura que aparecera subitamente a sua frente.

A Rainha do Café, lembrando-se de sua bolsa, havia voltado rapidamente para buscá-la. Contudo, ao abrir a porta e dar um passo dentro da sala, se deparou a centímetros do filho do Barão que segurava o objeto e demonstrava uma expressão de surpresa no rosto.

Os olhos dos dois se encontraram e se fixaram. Os sentimentos que Julieta tentava segurar a inundaram completamente, afogando sua razão que, em vão, lutava. Agora, sua armadura se desfazia e sua máscara se despedaçava. Sentiu novamente um frio na barriga e engoliu em seco. Aquele homem a olhava tão intensamente que a fazia perder o fôlego. Controlar sua respiração já não era uma alternativa e ela se perdia em meio a um caos que se formava em seus pensamentos. Tudo estava confuso, nublado, e Aurélio surgia como um filete de luz em meio à escuridão: claro e nítido.

O viúvo sentiu de novo o arrepio em sua nuca e não disfarçou a expressão de admiração. Ela estava perto e, assim, conseguia observar sua beleza. Ela era linda e inegavelmente elegante. Sentiu seu coração pulsar rapidamente e o sangue quente percorrer por suas veias. Parecia que seu corpo explodiria em mil pedaços, lentamente, sendo cada peça levada pelo vento, grudando nas vestes, nos cabelos e no rosto da mulher a sua frente. Sua respiração ficou ofegante e seus pensamentos não paravam de rodopiar em sua mente. Seus pés bambearam e os seus pelos dos braços se eriçaram. Uma corrente de eletricidade percorria seu corpo. Tudo parecia não se encaixar direito e, ao mesmo tempo, aquilo parecia totalmente certo, totalmente perfeito.

O mundo ao seu redor não existia mais. Eram apenas os dois e a faísca que se ascendia em ambos os corações.


Notas Finais


Por favor, me falem a opinião de vocês que me ajuda bastante a saber se a história está tomando um rumo legal ou não!


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