1. Spirit Fanfics >
  2. (Re) Começar >
  3. Saindo Da Rotina

História (Re) Começar - Capítulo 9


Escrita por: e Ladyaly


Notas do Autor


Aaaaaaaa 😍

Capítulo 9 - Saindo Da Rotina


Fanfic / Fanfiction (Re) Começar - Capítulo 9 - Saindo Da Rotina

Nunca pensei que um simples jantar quase se tornaria em uma desgraça. Eu fiquei tão feliz quando Kay disse que meu pai chegaria mais cedo e que queria comer uma macarronada italiana e fiquei mais feliz ainda por ela ter deixado tudo sob meus cuidados. E eu tinha certeza que ele ia gostar muito...se não fosse pelo fato dele ter jantado com a Jessica na noite passada, me feito esperar até de madrugada , me confundir com um ladrão e quase ter me matado.

Imagine se...

Bom, deixa pra lá.

(...)

Me doeu muito quando ele me pediu desculpas sobre o que aconteceu e novamente o perdoei. Era nítido ver que ele estava cansado emocionalmente e eu sentia também.

Eu e ele entramos no carro para seguir caminho para a escola.

Meu pai nunca dispensou um bom rock para se ouvir no carro e dessa vez foi No One Like You dos Scorpions.

-Por que essa carinha triste? - ele perguntou calmo.

-Não tô triste...- respondi abraçando minha mochila. - é só sono.

Ele respirou fundo.

-Filha...eu tô me sentindo a pior pessoa do mundo depois do que aconteceu...meu Deus, vou me culpar pro resto da minha vida...

-Ah... dá nada não... também tenho culpa... não era pra eu ter dormido na cozinha - respondi calma. - é o preço que se paga por quem a gente ama, não é? 

Ficamos em silêncio.

-Tem muita coisa pra fazer hoje? - indagou manobrando o carro.

-Não... não tenho nada...- falei. - tô tranquila...

Ele sorriu.

-O que acha de ir na casa dos seus avós hoje a tarde? Eles tem reclamado comigo que tem muito tempo que você não visita eles...- ele disse calmo. - você sabe como Ruth e seu avô são apegados com você...

-Então...eu posso ir depois da escola? - pedi animada.

-Claro que pode pequena...- ele respondeu sorrindo e tocando meu nariz com o dedo.- você sempre foi...não precisa me pedir pra ir lá...

Nem percebi que havíamos chegado na escola.

Vi vários alunos sendo acompanhados pelos pais e só de saber que meu pai nunca me levou até a portaria me doía.

Fiquei olhando aquila cena e meu coração se apertava mais.

-Bom... está entregue. - ele disse sério. - e pelo amor de Deus, não vá aprontar... não brigue e nem bata nos meninos.

Mordi o lábio de tanto nervoso.

-Não vai comigo? - perguntei antes de abrir a porta.

-Não... não vai dar...eu preciso chegar mais cedo no tribunal... tô cheio de coisas pra fazer...- ele respondeu firme.

-Tá. - respondi saindo do carro. - bom dia e bom trabalho...

Ele me chamou de volta.

-Filha... desculpa. - meu pai respondeu me encarando.

(...)

Eu e Coraline somos tão amigas que o armário dela fica ao lado do meu.  Nem vi minha prima Victoria. Vick é filha da tia Emma, irmã do meu pai. Nós duas estudamos na mesma sala. Tanto minha família materna quanto paterna é bem grande.

Depois do que aconteceu , do meu pai quase ter me matado com um tiro na cabeça, resolvi manter silêncio sobre. Ninguém precisa saber.

Sim, eu sei....muito assustador.

Depois disso, pensei seriamente em se continuaria a esperar ele chegar.

Minutos depois, meu celular vibra, avisando que eu tinha uma mensagem.

Rapidamente o peguei e li.

Victoria Sheppard : Hey prima, bom dia! Infelizmente não vou poder ir pra escola hoje, porque tô muito gripada. Mas eu tô em casa, só estou de cama. Não se preocupe , eu vou estudar ainda e nosso encontro está de pé! Quando você vier, trás as matérias de hoje pra mim! 

Eu : pode deixar comigo! Melhoras!

Guardei o celular.

-Hey…eu não vi a Vick…- Cora falou olhando para os lados. Ela sempre chega primeiro que a gente!

-Você não viu e nem vai ver ela! - falei rindo. - minha prima tá super gripada e tá de cama.

Ela resmungou.

-Que safada! Justo hoje que tem treino!

Rimos.

Eu e ela ficamos conversando um pouco antes do sinal tocar.

Eu comecei a ouvir gritos e risos no corredor onde eu estava.

-Mas olha só se não é a caipira…você deveria estar no pasto cuidando dos animais! - reconheci a voz de Hector White. Hector é o motivo das minhas discussões diárias na escola, das brigas e da minha raiva. Ele é o garoto mais durão e valentão da escola, repetiu de ano várias vezes e todo mundo tem medo dele. E claro...é por causa dele que meu pai sempre faz uma visita na escola. 

Lembrei do que ele disse antes de eu sair: "não se meta em encrenca."

-Sua voz é irritante, seu sotaque do interior me dá nos nervos...mano, você é muito caipira! VOCÊ É SIMPLESMENTE INSUPORTÁVEL GAROTA!

Ah não…

Rapidamente me virei.

-Olha, se quiser encher o saco de alguém, fique a vontade, mas não me perturbe...não tô com paciência. - respondi

Todos o vaiaram e zombaram dele.

-Vai deixar uma garotinha com cachinhos de bebê calar sua boca cara? Pelo amor! - um aluno disse para Hector.

-Isso não vai ficar assim Aurora Ackles...não vai. - ele disse em tom de ameaça. 

-Vai fazer o que? Me bater? Saiba que agressão contra a mulher é crime...e só pra te lembrar…- falei. - meu pai é juiz e você sabe que se encostar o dedo em mim ou em qualquer outra garota, dentro ou fora daqui , você pode se dar muito mal. -respondi. - não venha cantar de galo num terreiro que não é seu.

Cora  ficou olhando pra minha cara.

-Nossa.- ela disse espantada.

-Não, eu não briguei...apenas respondi à altura...- expliquei. - agora vamos subir que temos dois andares pela frente!

Assim que chegamos na sala de aula, já ouço uma voz familiar.

-MAS OLHA A FILHA DO JUIZ AÍ! - Brooke disse animada.

Brooke Harper é uma das poucas amigas que tenho na sala de aula. Amiga de verdade mesmo, até porque ninguém queria ser amiga da verdadeira Aurora, da garota simples do interior que foi criada na roça e com os pés na terra, mas sim amiga da filha do juiz, a filha do juiz federal do Texas, a filha do Dr Ackles.

Um bando de interesseiros, um monte de aproveitadores.

Eu odeio isso. Odeio viver com esse rótulo , de ser a "filha do juiz" e a escola inteira sabe quem eu sou, por mais que eu tente viver no anonimato. 

Parece que não tenho identidade própria.

Todos estavam aproveitando seus últimos minutos antes da aula para conversar.

-ATÉ QUE ENFIM A MENINA MAIS GATA E MAIS INTELIGENTE DA ESCOLA CHEGOU! - Logan disse empolgado ao me dar um forte abraço. - Bom dia princesa Aurora, bom dia Mérida! 

Eu ri. A Mérida do filme Enrolados era a Cora , por ser ruiva e ter o cabelo cacheado e eu sou a princesa Aurora, por motivos óbvios. Logan Lerman vive dando apelidos engraçados pra todo mundo na sala. Ele é um menino muito gentil, um ótimo piadista.

-Bom dia Percy Jackson! - falei. Sempre o achei parecido com ele. Muito parecido.

Ele nos abraçou pelos ombros.

-Bom dia! - Coraline respondeu educada.

-E as novidades Percy Jackson? - perguntei.

-Rá, eu vou me mudar essa semana! -falou empolgado.

Meu coração se apertou.

-Vai deixar a gente Logan? - falei. - sério isso? 

Ele riu.

-JAMAIS! - respondeu. - nunca largaria minhas garotas favoritas! Vou me mudar por aqui mesmo!

-Acho bom mesmo Lerman! - Cora respondeu. - você é o único menino do nosso grupo e sem você não teria graça!

Logan sempre fez parte da minha vida. Desde o primeiro dia de aula, quando ele me defendeu das investidas de White por eu ser "da roça" e novata , nunca mais nos desgrudamos. Ele é meu irmão.

Layla veio correndo em nossa direção.

-Menina, seu pai tá empenhado mesmo em saber quem faz parte da quadrilha... tá em todos os noticiários!- ela disse assustada. Layla Campbell é a filha do zelador da escola. A família dela é simples e humilde, mas são pessoas extremamente gentis e tem um coração enorme. Sempre frequento a casa deles e sempre fui tratada muito bem pelos pais dela. 

-É...ele tá bem desesperado...-respondi.

Logan, Cora e Layla são uma versão texana dos meus amigos de Eau Claire.

Minutos depois, o Sr Folley aparece na sala com uma pilha de papéis nas mãos que julguei ser exercícios pra gente fazer.

-Bom dia, bom dia! Vamos ir arrumando a sala pra gente começar a aula! Exercício em dupla e por favor... não arrastem as carteiras.

Foi o mesmo que nada. Os únicos barulhos que se ouviam eram os da carteiras sendo arrastadas pelo chão.

(...)

O professor havia distribuído uma lista de questões para fazermos em sala e em dupla. Logan me chamou para fazer par com ele e aceitei de imediato.Eu estava pensando em tudo, menos nas respostas.

-Número um! - o professor chamou.

Silêncio.

-Aurora Padalecki Ack.…- ele me chamou me olhando por cima do óculos.

Logan me dei um cutucão no ombro.

-Aurê, a chamada! Responde menina! - falou divertido.

- Hãm? - fiz - presente...- falei. - desculpe pela distração... tô tentando terminar aqui, mas não tô conseguindo...

-Tentando terminar o quê, se você não conseguiu responder nada até agora! Aurora.. você tá bem? - ele me chamou. - você sempre foi esperta pra responder perguntas .

A única coisa qu consegui colocar foi o meu nome na folha de exercícios. Eu nunca assinava meu sobrenome. Eu sempre coloquei o Padalecki em tudo, inclusive na minha camisa do time.

Todo mundo ficou olhando pra minha cara.

-Você tá bem? - Layla me perguntou.

-Tô... tô sim...-respondi aérea.

(...)

O intervalo foi o mesmo de sempre : eu , Cora , Layla, Brooke e Logan juntos no refeitório. Pra minha sorte, não vi White pelos corredores.

Tivemos mais algumas aulas depois do recreio.  Confesso que minha cabeça tava no mundo da lua.

Daqui um mês, meu time jogaria em Dallas e as meninas do time de lá são bem fortes.

Nossa última aula seria educação física e tecnicamente teríamos treino.

Eu e minhas amigas estávamos no vestiário, nos trocando e conversando. 

-Ah gente, né por nada não, mas eu tô com medo das meninas do Texas Cânion...- Brooke falou se sentando no chão. - eu já tô traumatizada! Pena que a Vick não veio! 

-Ah, para com isso! Somos melhores que elas! - Cora disse confiante. - elas são amadoras!

-Quero ver se você vai falar isso no dia do jogo. - Layla respondeu.

-A Aurê sabe que vamos jogar bem...ela é a melhor jogadora e é a capitã do time, não é Aurê? - Brooke disse empolgada.

Não respondi.

-Aurora...você tá ouvindo a gente? - ela disse sacudindo meu ombro de leve.

-Hãm? Claro que tô ouvindo…- falei baixo.

As três se entreolharam.

-É seu pai de novo né? - Layla perguntou. - nem precisa responder.

Ficamos em silêncio

-Poxa…seu pai é tão educado e tão profissional...eu babo nas entrevistas dele e nunca passou pela minha cabeça que vocês eram assim tão distantes um do outro…- Brooke indagou se ajoelhando na minha frente.

Duas lágrimas escorreram dos meus olhos.

Somente as três sabiam da minha relação desastrosa com meu pai.

-Brooke...quem vê cara não vê coração, acredite…- respondi. - sempre faço de tudo pra agradar ele, nunca dei trabalho pro meu pai... e ele é tão frio comigo, tão ausente…nunca queria ter saído de Eau Claire...lá eu tinha amor, tinha a amizade da minha família…

Ela me abraçou forte.

-Hey...não fala isso...tenho certeza que seu pai te ama muito, toda sua família também...imagino como deve ter sido difícil pra ele ter ficado viúvo tão cedo, imagino a dor que ele deve ter sentido e ainda sente por ter perdido sua mãe e cuidando de você tão pequena... Aurê, a vida muda as pessoas…falo isso porque meus pais são separados desde quando eu tinha oito anos e sei como que é escutar reclamações de ambas as partes..

Respirei fundo.

-Uma coisa é a vida mudar as pessoas...outra coisa é seu próprio pai fazer de conta que você não tá ali…-falei. - ele ficou comigo até eu fazer um ano e depois me mandou embora pro Wisconsin...eu tô cansada...cansada dessa vida... maldita hora que ele me tirou de Eau Claire!

Ficou um clima estranho entre a gente.

-Meninas, estão prontas? - Ellen, nossa professora de educação física e treinadora nos chamou. - vamos começar daqui a pouco! 

-Estamos sim, já vamos! - respondi.

A professora olhou dentro da minha cara.

-Aurora... você tá chorando? Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - ela perguntou preocupada. - sua tendinite tá atacada de novo?

Devido aos anos de handebol, acabei desenvolvendo tendinite, uma inflamação nos tendões musculares . A dor era simplesmente insuportável , me causava inchaço e febre.

-Não...não foi nada..- falei forçando um sorriso. -eu só vou colocar as lentes e já vou jogar! 

(...)

O treino foi ótimo, mas meu desempenho foi um fracasso. Eu joguei terrivelmente mal e eu sabia disso só pelo fato de ficar perdida dentro de jogo.

Mas que diabos tá acontecendo comigo?

Logo que terminamos o jogo, fomos direto pro vestiário tomar um banho pra irmos embora. O Texas é uma cidade muito, mas muito quente mesmo e ninguém aguenta chegar em casa para se trocar.

Assim que terminei o banho, fui arrumar minhas coisas e fiquei fazendo hora, penteando meu cabelo até Cora terminar. Já eram duas da tarde.

-Vamos? - reconheci a voz dela.

-Amém! Achei que você ia morrer afogada no chuveiro! - falei rindo.

-Cadê seu óculos? - ela indagou.

-Tá na mochila.. tô com preguiça de trocar , então vou de lente mesmo! - respondi.

Saímos da escola para irmos pra casa, mas antes , nos encontramos com Logan e fomos comprar milkshake na cantina da escola. Era nosso ritual diário fazer isso.

Seguimos o caminho tranquilamente pra casa e nada de diferente aconteceu. 

-Você vai tentar convidar seu pai pra ir no evento da escola? - ela me perguntou sugando o milkshake e fazendo aqueles barulhos irritantes com o canudinho.

-Não...eu sei que ele não vai…- respondi. - se isso fosse na escola de Eau Claire, com certeza meus tios iriam, já que eles nunca deixaram nada passar em branco…

Logan me encarou.

-Nada conta seu pai...mas ele dá medo...- ele respondeu olhando pra cima.

-Ah... não é só você que tem medo dele, acredite...-respondi.

(...)

-Bom, estamos em casa! - ela disse animada. - andamos tanto que nem nos demos conta!

-É verdade! - respondi.

-Só quero minha cama e descansar...eu tô um caco! - ela falou. - aproveita e faça o mesmo... Aurê...eu sei que você não tá nada bem, mas tira um tempo pra você...fica um pouco longe de livros, documentários e da biblioteca municipal...toca um pouco de violão, de piano...tem muito tempo que não escuto você tocar!

Ri de lado.

-Não dá...tenho que estudar pra prova de literatura. - falei.

- Garota, desencana! Você vai ficar maluca desse jeito! A prova é daqui duas semanas!

-Maluco mesmo vai ficar meu pai se eu tirar nota baixa…- falei. - mas , a gente vai se falando pelo WhatsApp...é melhor do que ficar gritando na janela!

Rimos e nos despedimos em seguida.

Eu já tô até vendo quando Kay olhar essa minha cara de choro. Ela vai interrogar até minha alma.

Entrei pela porta dos fundos, tentando fazer o mínimo de barulho.

-Cadê seu óculos? - Kay indagou colocando as mãos na cintura. - depois fica reclamando de dor de cabeça!

-Ah...eu tô de lente...fiquei com tanta preguiça de tirar que acabei vindo assim! - falei jogando o copo de milkshake no lixo da cozinha. 

-Seus tios do Wisconsin ligaram pra cá mais cedo, perguntando sobre você! Só o Jared ligou umas três vezes! Ah, me conta como foi seu dia!

Eu ri.

Tio Jay sempre fui muito preocupado comigo. Enquanto do meu pai eu não tinha atenção alguma, dele eu tinha atenção redobrada.

-Ah, novidade…- falei soltando um riso e rolando os olhos. - ah...foi bom...nada de mais.

Kaya me encarou.

-Você andou chorando né? Tá com cara de choro!

-Não...tava chorando não..- menti. -é que eu fico muito tipo sem usar as lentes e quando uso , meu olho fica meio irritado...fora que tô muito cansada…dormi muito mal.

Kay parou na minha frente.

-Aurê, não mente pra mim…você é igualzinha a sua mãe... podia tá caindo o mundo e ela não falava nada...- ela pediu se sentando na cadeira e me levando pela mão. - vamos, pode me falar.

Eu minto muito , mas muito mal.

-Não adianta falar…- falei baixo e indo pra sala. - o verdadeiro problema tá aqui e ele sou eu! Dá pra ver isso na cara dele!

-Hey... não fala isso..- ela me repreendeu me acompanhando. - com certeza sua mãe tá muito triste vendo que você tá falando isso mocinha. - você não é e nunca foi um problema. 

Me sentei no sofá e fiquei olhando pra cima por alguns minutos. Eu precisava perguntar algo a Kay, independente do efeito que sua resposta causaria sobre mim. Eu tenho isso guardado comigo há anos , mas nunca criei coragem pra fazer isso.

Acho que agora é a hora.

-Kay...posso te fazer uma pergunta? Mas quero se seja sincera, por favor. - falei.

Ela me olhou com um ponto de interrogação no rosto.

-Claro, faça! - ela pediu.

-Meu pai sempre foi desse jeito...ou alguma coisa deixou ele assim? - falei. - você ajudou a criar ele junto com meus tios, você viu ele crescer, se casar, se tornar um esposo e um pai... então com certeza você deve saber mais do que eu.

Meu coração tava doendo demais, mas eu precisava dessa resposta. Sempre indaguei o motivo dele ser assim, tão sério, rude e...amargurado. Algo me dizia que ele estava mal por dentro, ele estava destruído.

Ela respirou fundo e apenas me abraçou. Eu chorei o dobro.

-Hey...não chora…- ela pediu afagando meu cabelo.

-Só preciso que você me responda…se o problema for eu, eu volto pro Wisconsin e nunca mais saio de lá…

-Não diz uma coisa horrível dessa menina! - ela pediu. - deixa de bobagens! 

-... só quero uma resposta…- insisti.

Ela respirou fundo.

-Seu pai sempre foi um garoto alegre, cheio de vida desde criança...mas quando sua avó morreu, ele ficou muito triste...eles eram muito apegados um ao outro...ele começou a viver de novo depois que ele conheceu sua mãe...- ela fez uma pausa. - ele se tornou um novo homem...acredita que eu fui a primeira a saber que ele tava apaixonado? - ela disse rindo. - aí depois de algum tempo sua mãe já estava esperando o primeiro bebê...mas aconteceu dela o perder…foi aí que seu pai ficou mal...

Eu não dizia nada.

Apenas ouvia tudo com atenção com os olhos fechados. A única coisa que eu sentia era a mão dela sobre minha cabeça.

-Aí depois que eles se casaram, pouco tempo depois , descobriram que Alice estava grávida...ela já casou te esperando  e ninguém desconfiava de nada! Mas depois que sua mãe foi morta com você ainda na barriga dela, ele nunca mais foi o mesmo homem. Foi a cena mais horrível que já vi na vida.

Eu fiquei imaginando cada cena , cada detalhe...era um filme de terror.

-Desde adolescente Jensen sempre quis ter uma família, ser pai e esposo...ele sempre levou jeito com essas coisas. Seus pais eram extremamente apaixonados um pelo outro...se casaram tão jovens, mas mesmo assim já sabiam e entendiam o sentido da vida.

"Ah, mas comigo ele nunca teve jeito."

-Kali...eu acho que eu sou o maior problema dele…- respondi baixo. - se ele realmente gostasse de mim, não teria me deixado no Wisconsin quando eu era um bebê...eu nasci em Santa Fé, mas ele nunca me levou lá... só fui com tio Jeffrey , já que ele tem alguns negócios por lá...se não fosse por ele, nunca teria conhecido o lugar em que nasci…o Novo México é lindo! - falei baixo.

-Seu pai tem as razões e os motivos dele pra não ir lá…- Kali respondeu.

-Mas não acho justo que ele se prive disso...se fosse assim, eu nunca teria colocado os pés no Wisconsin, onde minha mãe nasceu e cresceu…- falei baixo. 

Ficamos em silêncio.

-Bom...acho melhor você descansar um pouco... você tá toda vermelha do treino ainda! - Kay falou.

Me levantei e olhei para meu relógio.

-Acho que vou dormir um pouco... desisti de ir pra casa da tia Emma…- falei me levantando do colo dela. - mando as fotos da matéria pelo celular e passo pra Vick.

Em seguida me levantei e fui subir as escadas, mas ela me chamou de volta.

-Aurê...por favor...não se torture por algo que você não tem culpa...não se culpe de uma coisa que nunca teve nada a ver com você. - ela pediu. - e por favor, descansa! Você tá cansada da escola, da prova e do treino! Dorme um pouco!

Concordei.

Rapidamente segui para meu quarto, fechei a porta e me joguei na cama.

Talvez eu siga os conselhos da Cora e descanse um pouco.

Será que eu consigo dormir com tanta coisa pra fazer?

É muita coisa na minha cabeça.

Tirei meu tênis com os pés mesmo e fiquei deitada.

Mas por um momento , havia me esquecido do dever de física.

-INFERNO! - falei comigo mesma.

Na mesma hora, dei um pulo da cama e fui direto pra minha escrivaninha. Ela fica de frente pra janela , onde posso aproveitar melhor a claridade e assim posso estudar melhor.

Prendi meu cabelo num rabo de cavalo super mal feito e me sentei.

-AURÊ, O QUE EU TE PEDI? - Cora gritou na janela. -DESLIGA UM POUCO!

Levei um susto.

-AH QUE DROGA GAROTA! - bufei. - QUER ME MATAR?

Ela me olhou com desaprovação.

-Amiga...pega leve com você, por favor! Poxa, não é assim que as coisas funcionam! - pediu.

Fechei os olhos.

-Tá, tá! - falei. - eu vou descansar... só tô preocupada com a lição de física…

Ela rolou os olhos.

-Aurê, isso é pra sexta feira que vem!

Ficamos olhando uma pra cara da outra.

-Ok, tudo bem, você venceu! - falei levantando as mãos em sinal de rendição. - eu vou dormir e não se fala mais nisso! 

-Amém! - ela respondeu.

Assim que ela saiu da janela , eu me joguei na cama. Talvez ela tenha um pouco de razão... ultimamente não tenho parado pra nada. Eu precisava mesmo dar uma pausa pra minha mente.

"Espero que isso não afete meu rendimento escolar."

(...)

Horas mais tarde acordei com meu celular vibrando. 

Peguei-o e tentei ver a mensagem, mas eu estava sem óculos e minha visão estava extremamente embaçada.

Cocei meus olhos , bocejei e os coloquei no rosto.

Era Victoria.

Vick Sheppard : TÔ TE ESPERANDO GAROTA! 

Caralho!

Eu havia me esquecido!

Eu a deixaria na mão, infelizmente.

Eu : prima , eu sinto muito, mas não vou poder ir pra sua casa hoje. Não se preocupe, não teve nada de importante...só uma atividade de história e alguns deveres de casa. Vou mandar foto de tudo pelo celular.

Assim que mandei mensagem pra ela, fiquei olhando a rua do condomínio.

Tão calma , tranquila...

Nunca entendi o porquê que meu pai sempre fala que Austin é um lugar perigoso...eu nunca vi nada de anormal, nada de diferente por aqui.

Ele é bem neurótico com essas coisas.

(...)

Dormi muito.

Mas muito mesmo.

Fiquei um pouco na cama antes de me levantar. Eu estava tão desanimada que nem queria ir na casa dos meus avós, mas resolvi ir para não deixá-los tristes.

Rapidamente peguei meu celular e retornei a ligação da minha família do interior.

A saudade me consumia há mais de um ano. Já faz um ano que não nos vemos pessoalmente e isso me matava por dentro.

Fiquei impaciente esperando que alguém atendesse.

-Alô? - reconheci a voz da minha avó.

-Oi vovó, sou eu! Como está? Sua benção! - falei animada.

-Ah minha pequena, que saudade de você! - ela respondeu. - Deus te abençoe! Como você está? E seu pai?

-Estamos bem...o doutor Ackles tem trabalhado muito ultimamente... só sinto muita falta de vocês, de Eau Claire...-falei com a voz embargada. - como estão as coisas aí?

-Estamos ótimos!

-Tio Jay tá aí? Tô morrendo de saudades dele!

Ela riu.

-Tá sim meu amor, só um minuto que já passo pra ele.

Eu ouvi ele dizer todo bobo : "é ela? É minha boneca mesmo?"

Ele pegou o telefone.

-Ah...não acredito que tô falando com minha loirinha favorita! Céus, que saudade de você meu amor! Como você tá? Meu Deus , quanto tempo o tio tá sem apertar suas bochechas! Pera , tá todo mundo aqui perto, vou colocar no viva voz!

Eu ri.

-Ah tio , não fala isso...vai me deixar mais triste ainda...- respondi. - eu que queria estar com vocês! Vai vim no campeonato interestadual né? 

-Mas é claro! -respondeu animado. - vai cair junto com minhas férias de verão...aí eu aproveito e fico uns dias com você aí!

Meu coração se apertou. 

Eu sei da relação delicada que ele e meu pai tinham.

- Mas e meu pai...vocês não...- comecei a falar, mas ele me cortou.

-Aurê... você é minha sobrinha, minha afilhada e tenho todo o direito de te ver...que se foda seu pai, ele não tem que achar nada... todos os dias eu fico preocupado com você, em como ele tá te tratando...meu Deus, quero nem imaginar...- ele falou tenso.

(...)

Fiquei muito tempo no telefone falando com eles.

Ouvir minhas tias chorando, meus primos me enchendo e tio Jeff reclamando que eu os abandonei partiu meu coração em mil pedaços. Até tia Andreia conversou comigo, o que era extremamente raro, pelo fato da gente não se dar bem.

Como eu queria estar no Wisconsin...como eu queria estar com eles.

A hora da despedida foi um show de lágrimas como sempre. Essa sempre a parte mais difícil e dolorosa pra mim, mas ouvir deles o quanto eu era amada e como sou importante pra eles me fazia sentir a melhor pessoa do mundo.

(...)

Tomei um banho rápido e me arrumei. Eu precisava me distrair um pouco , mesmo que fosse pra tomar chá com minha vó e jogar baralho com meu vô.

-Kay , eu vou pra casa dos meus avós...- falei alegre. - meu pai pediu pra eu ir lá , pois os dois estão sentindo minha falta... é...eu realmente vacilei com eles.

Quase todos os dias depois da escola eu ia ficar com eles. Desde criança , eles tem um cuidado imenso comigo, até porque eles sempre cuidaram de mim.

Ela sorriu.

-Sempre há tempo pra tudo minha criança. - ela disse calma e beijou minha testa em seguida. - cuidado tá?

-Pode deixar! - respondi saindo de casa.

Caminhei calmamente pela rua.

O sol estava matando , de tão quente e o calor estava sufocante.

Eu estava me sentindo um pouco melhor, depois de tudo o que tinha acontecido na noite passada. Por um milagre não fui morar com minha mãe no céu.

Parei numa doceria para comprar alguns doces e coisas do tipo. Minha avó ama chocolate e meu avô também. Acho que vão gostar. Comprei muffins, cupcakes, trufas e balas de caramelo. Minhas inseparáveis balas de caramelo. Sempre tive um estoque delas no meu armário da escola e Logan sempre me chantageia pra dividir com ele. Já em casa, a gaveta do meu criado tinha centenas delas e na minha mochila , nem se fala.

Assim que saí da loja , tive uma surpresa.

Uma desagradável surpresa.

-J...- Jess? - indaguei confusa.

Era ela. Estava muito bem vestida, com um dos seus vestidos caríssimos , saltos e maquiagem chamativa em plena tarde.

-O que tá fazendo aqui? - indagou com desdém. - ou melhor...seu pai sabe que você tá na rua? Ah...deixa Jensen saber disso.

Respirei fundo.

-Não só sabe como ele mesmo me pediu pra ir na casa dos meus avós passar o dia com eles...- falei. - e você? Não deveria estar no trabalho?

Ela riu ironizando.

-Você falou certo querida.. deveria- ela reforçou a palavra - mas não estou. Vou na universidade encontrar uma amiga que trabalha lá para irmos tomar um café...quem sabe eu não dou a sorte de encontrar seu pai por lá?

Achei estranho, pois ela nunca havia dito que tinha uma amiga na universidade...ou se disse alguma vez, não prestei atenção.

-Entendi...- falei esparsa. -tudo bem...

-E outra coisa...quero você em casa antes das oito...você sabe como Jensen é exigente com você e mais...não vá aprontar nada. - disse autoritária.

Meu sangue ferveu

-Jessica...com todo respeito...você não é minha mãe pra ficar me dando ordens e coisas do tipo e outra coisa...é meu pai que é meu responsável , não você. - rebati.

Ela riu.

-Espere e veremos...seus dias estão contados pra você ficar comigo garota...quero ver se você vai fazer esse tipo de gracinha. Comigo as coisas são bem diferentes, acredite.

-Uma ameaça? - perguntei.

-Só um aviso prévio querida... só um mero aviso.

A essa altura todo mundo tava olhando pra gente. Não dei atenção e a deixei com cara de tacho no meio da calçada.

Ah, me poupe!

Continuei meu caminho tranquilamente, comendo uma barra generosa de chocolate.

Eu apenas ouvi o barulho de uma sirene ligada.

-AAAH! - gritei de boca cheia.

Apenas ouvi gargalhadas.

Me virei pra trás.

Ah...tinha que ser!

-Aaah Aurê, sempre te pego direitinho! - reconheci a voz do meu tio Robert.

Ele saiu da viatura e me abraçou forte e fiz o mesmo.

-Tadinha gente! O tio assustou você! - ele disse rindo após beijar minha testa. - como tá minha caçulinha? Deus te abençoe meu amor.

Ele sempre me chama assim.

-Ah...eu tô bem...- respondi. - tô indo pra casa do vovô...eles querem que eu passe o dia com eles...

Ele riu ao olhar minha sacola cheia de chocolates.

-Com licença, mas eu preciso confiscar algumas barras...- ele disse mexendo na sacola. - nossa, chocolate com amendoim, o meu preferido! Olha o tanto de coisa tem aqui! Você tá traficando doces agora?  Você não precisa comer isso tudo, não é? Não seja egoísta e divide um pouco comigo!

Eu ri.

-Pega aí! - falei.

E ele pegou umas seis barrinhas de chocolate, uns três bombons, dois cupcakes...fora os canudinhos.

-A Jess tava ali ou era impressão minha? - ele perguntou curioso.

-A própria...- respondi. - e ainda quis me dar lição de moral , só porque eu tô andando na rua...

-É...- ele fez. - eu tenho pena do seu pai...pena por ele ser tão cego a ponto de querer uma pessoa tão fútil e vulgar como ela... igual a Alice ele nunca vai encontrar...sua mãe sim que era mulher, em todos os sentidos... Aly era um anjo...

-Você não é o único que não gosta da Jessica tio, acredite...- falei.

Eu e ele ficamos conversando por mais um pouco, até ele ser chamado pra atender uma ocorrência e ainda disse que precisava conversar com meu pai. Ter um tio investigador é bem emocionante.

Nos despedimos e segui meu caminho. Graças a Deus , eu já estava chegando.

Cinco minutos depois, eu já estava parada na porta na casa dos meus avós.

Toquei a campainha e rapidamente a porta foi aberta.

-Ah meu Deus! Olha quem veio ver a vovó! - ela disse alegre e me apertando. - ah menina, porquê você some desse jeito , hum?

-Sua benção! Aah vó, desculpa...- falei triste. - as coisas estão bem complicadas lá em casa , muita coisa pra estudar...tô bem perdida! Mas não deixei de sentir sua falta!

-Deus te abençoe meu anjo, como você tá? Gente, você tá muito linda! Você fica uma gracinha de óculos! - ela disse andando abraçada comigo pela sala.

Meu avô Jim resolveu se casar com Ruth Connell após dez anos do falecimento da minha avó Aurora. Foi na festa de casamento deles que meu pai apresentou minha mãe pra família toda. Desde quando eu era um bebê , meus avós sempre cuidaram de mim em todos os sentidos possíveis. Minha vó é uma mulher jovem , ativa e muito vaidosa. Sempre cuidou do corpo e da aparência. Ela tem idade pra ser minha mãe , mas sempre morreu de amores pelos netos e , sempre cuidou dos meus tios e do meu pai como se fossem filhos dela.

Eu e ela sempre fomos muito ligadas.

Entramos e entreguei a sacola cheia de doces pra ela.

É claro que ela amou.

-Cadê o vovô? - perguntei.

-Tô aqui meu bem! - ouvi ele respondendo da cozinha.

Rapidamente corri até lá e o abracei.

Meu avô é desembargador aposentado e vive confortavelmente com o generoso salário que recebe. Já minha avó é advogada e atua na área da vara de família.

-Aah , que saudades de você! - falei animada.

Ele riu.

-Se realmente tivesse com saudades de mim , tinha vindo me visitar mais tempo, não é mocinha? - me repreendeu.

-Ah querido... Aurê tem suas responsabilidades...você sabe...estudos , os treinos...mas ela nunca deixou de ligar pra gente! - minha avó respondeu.

-Obrigada por me defender vó! - respondi.

(...)

Passar o dia com eles é uma das coisas mais gostosas da minha vida. Joguei baralho , tomei chá, banho de piscina, conversamos bobagens e claro...comi muito. Sempre como muito quando tô com eles. Minha avó sempre me entupiu de comida e sempre fala que tô em fase de crescimento e que eu preciso comer.

É incrível o cuidado e o amor que eles tem comigo...

Avós sempre estragam os netos, fato.

Saí de lá com a exigência deles de não os deixar de lado , pois segundo eles , sou a neta mais apegada com os dois e que eles se sentem muito sozinhos. Prometi que pelo menos três vezes na semana ia ficar com eles.

Saí de lá por volta das sete da noite e claro, avisei meu pai que eu estava indo pra casa.

Rapidamente entrei pela porta da frente e fui pra cozinha.

-Minha nossa senhora menina! Onde você tava, num forno? Você tá toda queimada de sol! - Kay disse ao ver meu estado e pondo a mão nas minhas costas.

-Tomei banho de piscina...acho que passei do ponto! - respondo- aí, tá doendo!

-Toma aqui...- ela disse me passando algumas ervas - enche a banheira disso e fica de molho lá...vai refrescar você! Mas antes, me fala como foi!

-Ah...encontrei tio Rob no caminho, conversamos um pouco...e vi a...- pensei no que ia falar. - aquela vadia da Jess... acredita que ela chamou minha atenção no meio da rua? Me encheu de pergunta ainda!

-Nojenta...- Kay respondeu.

-Ela é uma vagabunda mesmo...- tava toda arrumadona , falando que ia tomar café com uma amiga da universidade.

Ficamos conversando por uns minutos até eu subir e tomar outro banho e ficar de molho.

Depois do banho , vesti meu pijama e Kay já me chamou pra comer.

Todas as noites era assim : só nós duas jantando juntas , conversando e contando histórias e coisas do tipo. Era raro meu pai jantar em casa.

Após o jantar , fui escovar os dentes e desci pra sala , enrolada num cobertor e fiquei no sofá assistindo um documentário sobre animais marinhos.

Kaya sempre se recolhia cedo e me pediu para que não demorasse ir pra cama.

Depois do que aconteceu com meu pai, pensaria mil vezes se ia continuar a esperar ele chegar...acho que fiquei traumatizada.

(...)

Antes de ir dormir , passei no quarto dele , peguei o bloco de notas e escrevi um bilhete e deixei junto com uma barra de chocolate sobre a cama.

"Eu estava cansada e com muito sono, por isso não esperei por você. Meu dia foi maravilhoso. Fiquei o dia todo com meus avós e fizemos muitas coisas. Estou bem bronzeada pelo sol e muito ardida. Espero que você não tire sarro de mim amanhã.

Comprei seu chocolate preferido.

Espero que goste.

Não se esqueça de comer alguma coisa, pelo amor de Deus.

Boa noite e durma bem...

Eu amo você."

Ps: não esquece de assinar o aviso da reunião. Amanhã preciso levar pra escola. Minha agenda tá em cima da sua cama.

Entrei no meu quarto, me atirando na cama e abracei minha ovelha em seguida, mesmo assim olhando atentamente pra janela.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...