História Reação em cadeia - Capítulo 15


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Descoberta, Drama, Reação Em Cadeia, Romance
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Palavras 2.376
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, FemmeSlash, Ficção Adolescente, Hentai, Lemon, Orange, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Slash, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Amém, nem demorou tanto!! hahaha
É que, com a graça da deusa, consegui terminar de digitar, então talvez, quem sabe as postagens fiquem mais regulares. E faltam poucos capítulos para terminar ><
Enfim, espero que gostem <3

Capítulo 15 - Foto


Fanfic / Fanfiction Reação em cadeia - Capítulo 15 - Foto

"Você devia ser mais discreta" recebi logo depois.

Eu não conhecia aquele número. Não fazia ideia de quem poderia ter tirado aquela foto e nem com que objetivo. Chantagem? Ameaça? Mas por quê? Eu não me relacionava com ninguém do colégio, não permitia qualquer intimidade, procurava me proteger nesse isolamento. Claro que sempre haveria as fofocas sobre minha disciplina e duvidosa vida pessoal, mas enquanto não houvesse provas eu poderia andar de cabeça erguida, ainda que pelos cantos. Com uma foto daquelas, alguém finalmente me tinha nas mãos.

Pode parecer exagero, já que eu não era a única “não hétero” do colégio – a advertência seria somente pelo meu comportamento inadequado. Minha real preocupação era que chamassem meus pais. Aquele flerte pareceria bem mais imoral aos olhos deles, e eu não queria ter que me drogar de novo pra conseguir aguentar mais discussões e tapas.

Não tinha condições nem de sair para espairecer. Preferi ficar no quarto pichando uma capa de caderno que me pareceu limpa demais. Meu celular apitou outra vez.

"Sei como você é, mas não esperava algo assim da Bianca. É, no mínimo, curioso."

Era alguém que conhecia bem a Bianca... E a mim. Mas como era possível? Eu não dava intimidade para nenhum colega nem nos trabalhos em grupo. Sempre tomei cuidado. Fiquei muito perturbada com isso.

"Não vai me responder mesmo, cereja?"

Quem quer que fosse, esperava mesmo que eu manifestasse a minha insegurança.

"O que você quer?", mandei.

"Nada. Só conversar."

Que droga de resposta era aquela? Ninguém tira uma foto tão comprometedora (nós duas de corpo colado, eu com a boca em seu ombro, e Bianca com uma expressão embaraçada de prazer) e quer só "conversar". Claro que havia algo a mais. Podia até ser alguém que gostava da Bianca e que queria que eu me afastasse. Mas, ainda assim, poderia simplesmente ter dito "fique longe dela" ou algo assim. Seria bem mais fácil, eu entenderia logo a mensagem e não me importaria de entregá-la – ela não me pertencia mesmo.

"Quem é você?"

A resposta demorou um pouco.

"Haha! Então você não sabe? Isso vai ser divertido..."

"O que quer dizer com isso?!"

Não vieram mais respostas. Fiquei temerosa. Eu estava sem defesa. Não conhecia nem o nome e nem o rosto do meu inimigo, mas ele sabia quem eu era.

E a Bianca... Ela não tinha culpa. Fui eu que a seduzi primeiro, ela apenas se deixou levar pelo momento, pela excitação de uma nova experiência. Não era como eu, que só queria provar o sabor de sua linda boca rosada. A Bianca era a maior vítima naquela história e nem sabia. Até cogitei ligar para ela e avisar sobre um possível delator, mas, então, lembrei de seu rosto assustado quando Michel quase nos encontrou e preferi me conter.

Comi uma migalha no almoço e mais nada o restante do dia. Parecia que qualquer coisa que eu colocasse na boca viraria uma bola intragável de massa. À noite, Michel perguntou se eu tinha me alimentado direito, pois parecia fraca. Respondi que era estresse por causa da prova de recuperação, mas ele me olhou torto e resmungou "até parece..."

Por mais que a gente não conversasse direito há muito tempo, meu irmão me conhecia o suficiente para não se deixar enganar tão fácil quanto eu gostaria – aposto que ele também suspeitava da minha gastrite nervosa.

Pouco depois da meia-noite, uma discreta batida na porta me surpreendeu. Achava que todos já dormiam tranquilos enquanto minha mente turbulenta não sossegava por nada. Levantei com moleza, abri a porta devagar e fui recebida pelo vapor doce que subia de uma caneca de chocolate quente bem ao lado da porta. Ensaiei um sorriso e peguei a caneca, fechando a porta em seguida. Havia três marshmallows grandes boiando lá dentro.

Michel, você tem que parar de me conhecer tanto. Isso é constrangedor, pensei enquanto finalmente adormecia, o sabor adocicado brincando na boca.

Cheguei antes do horário da minha aula de química – o terceiro – e fiquei sentada com as pernas esticadas num dos grandes bancos cobertos do refeitório, que ficava na área externa entre o prédio da frente e o que comportava o ginásio e a área da piscina. Eu devia estar com uma tremenda cara de ressaca, pois não havia penteado meu cabelinho rebelde e, ainda por cima, tive um pesadelo no qual meu pai me batia sem me dar espaço para respirar. Acordei assustada, ofegante e com medo de encontrá-lo na saída. Não tomei café da manhã. Depois de pronta, me mandei sem dar meu costumeiro “tchau” sem olhar pra ninguém. No banco, encarando o vazio, eu esperava algo: uma ideia, uma pessoa suspeita, um meteoro que fosse... E nada. Cheguei a sentir falta de um baseado só para tirar o mundo da cabeça por umas horas. Eu tinha vacilado bonito ao flertar com a Bianca na festa de formatura. Abri totalmente a guarda.

Parabéns, Cecília, pensei, dando uma chacoalhada no cabelo ainda meio úmido.

A muralha era exclusiva para gente do colégio. Fora dele, eu era popular, sociável e desregrada. Como fui tão burra de querer pegar alguém do colégio numa festa do colégio?!

Meu celular vibrou. Era o stalker outra vez.

"Bom dia, cereja."

Engoli em seco.

"Vai se catar!", respondi.

"Nossa... pra quê isso? Eu ainda nem mostrei a foto pra ninguém."

Minha respiração falhou.

"Como assim 'ainda'? Você disse que só queria conversar!"

"Relaxa. Meu namorado é de confiança."

Então era uma garota. Uma intrometida que só queria zoar com a minha cara. Talvez alguém para quem eu já tenha dado uma resposta torta. O tal namorado sem dúvida mostraria a imagem para seus "amigos de confiança", que a mostrariam a outros amigos, e logo eu receberia mais uma advertência da coordenação. E a Bianca poderia acabar sofrendo algum tipo de retaliação, pois, pelo que eu ouvia, ela até que era famosinha no 1º ano.

"Tem alguém inocente no meio disso. Você não se sente mal?”, enviei, mudando totalmente minha postura. A resposta demorou um pouco mais.

"É com VOCÊ que eu tô brincando. E o que você fez com a Bianca? Ela tá estranha."

O que eu tinha feito? Será que ela ainda estava assustada por causa de sábado? Aliás, essa maluca e a Bianca estavam perto uma da outra?

"Acabei de enviar. Ele ficou surpreso.", recebi. "Vou te encontrar na saída. Minha aula também é no terceiro horário."

Aquilo já era demais! Senti como se cada passo meu estivesse sendo vigiado. Fiquei assustada. Ela estava próxima demais. Deu vontade de matar a aula de recuperação, mas era tão obrigatória quanto a prova.

– Cecília...

Levei um susto mesmo que sua voz fosse um tanto suave e acanhada. O choque da adrenalina gelou minhas costas, tanto pela surpresa quanto por quem era.

– Ah... Bianca... Oi. – respondi desanimada e desviando os olhos para chão ao apoiar o braço no joelho flexionado. – O que foi?

– A gente pode conversar?

– Não acho que seja uma boa agora. – cortei, com certeza fracassando em minha tentativa de parecer fria.

– Quando, então?

– Sobre o que exatamente você quer falar? – perguntei, nervosa – Quer jogar na minha cara o quanto sou bruta?

– Não, Cecília. Eu só quero te ajudar.

Meu coração deu uma palpitada fora do ritmo. O que era aquilo?... Por que, dentro dessa amargura toda, eu ainda pensava em beijá-la? Em tomá-la para mim outra vez? Ela era só mais uma, droga! Por que eu estava sendo tão afetada?

– Me ajudar? Você acha que sou doente?

– Cecília...

– Bom, você pode até ter razão. Eu te falei que sou louca.

– Cecília! – ela chamou e então me abraçou – Para com isso. Eu quero saber o que é que te machuca tanto. Por que você ficou agitada do nada naquela hora? Por favor...

Fiquei imóvel por uns segundos. Ela cheirava a sabonete e colônia de lavanda; era bem mais suave que o perfume usado na festa de formatura, e ainda assim fazia eu me sentir drogada.

"Não dá pra ficar imune..."

Aspirei levemente aquele aroma sutil e a afastei enquanto me levantava do banco.

– Não, Bianca...

– Ah, dá uma chance pra ela, Cecília. – disse Giovanne, se aproximando de nós com um pirulito na boca.

– Fala sério, você virou sombra dela por acaso? Você não sabe nem o que está acontecendo aqui. Não dá pra me deixar em paz?

– Sei mais do que você pensa. – retrucou com um sorriso sarcástico.

– Giovanne! Eu pedi pra ficar quieto! – Bianca se manifestou, visivelmente nervosa.

Ela tinha contado.

– O que é que tem? – ele continuou – Vocês não iam falar disso mesmo?

– Mas você não tinha que se meter nisso! Cecília, desculpa!

Agora mais alguém sabia sobre nós. E se o Giovanne, que era popular no colégio inteiro, resolvesse abrir a boca...

– Sua cara tá muito sombria. Ei, cereja, fala com a gente!

Aquele apelido deu um click na minha mente.

– Giovanne... Você está de recuperação em que mesmo? – perguntei.

– Química, por quê? Ah, você também, né?

Ele sorria de um jeito travesso enquanto brincava com a haste de plástico nos lábios. O brilho cínico em seu olhar me disse exatamente o que eu queria saber. "Alguém que conhecia a Bianca e eu...” Sabia até o tom de vermelho que eu usava nos cabelos. Mas não era uma garota como eu imaginava.

Antes que me desse conta, já havia puxado Giovanne com força pela gola do uniforme e o derrubado no banco.

– Foi você, não foi?! Vou quebrar essa sua cara, maldito!

– Ai! Você é indelicada, hein? – ele resmungava – Eu disse que só queria conversar.

– E que ia mostrar aquilo pra quem?! – vociferei, erguendo o punho cerrado na direção de seu rosto.

– Foi inocente! O Matheus é de confiança! Sério!

– Você não é inocente! Eu vou te matar!

– Cecília, para com isso! Tem gente olhando. – Bianca tentava me tirar de cima dele. – Giovanne! Esclareça isso, por favor!

– Só tira a homicida daqui primeiro!

– Cecília! Vamos conversar direito! Nós três! – ela pediu.

Senti uma tontura tão forte e repentina que tive que largar aquele cretino contra a vontade. Me sentei quase caindo ofegante e cobri o rosto com as mãos. Suava frio. O nível de exaltação despencou do nada. Fiquei gelada, fraca. Vulnerável. Me sentia uma imbecil.

– Cecília, você comeu? – Bianca perguntou, sentando ao meu lado. – Você está pálida...

– Parece um fantasma ruivo. – o outro comentou.

– Cala a boca... – grunhi.

Os dois me arrastaram para a cantina e me obrigaram a comer uma fatia de bolo de chocolate. Bianca me olhava de maneira que não deixava claro se era preocupação ou só pena. Giovanne massageava a garganta e agora mascava a goma que restara do pirulito, ainda brincando com a haste branca. O lanche, incrivelmente, não me foi de todo enjoativo.

– Sua pressão baixou...

– Eu sei, Bianca.

– Não me assuste assim. Você também não comeu muito quando fui à sua casa.

– Então... – Giovanne interrompeu, olhando seu relógio – Faltam 10 minutos pra entrarmos. Quer começar, Bianca?

Ela fez que sim.

– Cecília, desculpa por ter falado pro Giovanne sobre a gente. Contei o que aconteceu na festa e na sua casa, no sábado. Contei que ficamos.

Eu percebi a ênfase dada à última palavra. Então ela não tinha falado sobre minha reação escandalosa? Encarei o prato de plástico me sentindo confusa, meio exposta demais. Sei lá...

– Mas por quê?... – perguntei.

– É que eu precisava de um conselho, porque nunca tinha me interessado por uma garota. Eu... Fiquei mesmo a fim de você. – admitiu, sua pele branca ruborizando suavemente – Então... Bem, acho que você já entendeu.

– Tá, então. Entendi.

– Ei! – ela segurou meu rosto para que eu a encarasse. Seus olhos brilhavam tanto que até me espantei. – Não me ignore! Eu estou falando sério.

– Mas a gente já ficou. Já passou. – Tentei engolir em seco, mas minha garganta doeu.

– Não passou, não. Você me marcou mais do que pensa. – disse, erguendo uma sobrancelha para que eu soubesse do que, exatamente, ela estava falando – Me diz o que aconteceu pra você ficar daquele jeito.

Apertei os lábios, contrariada. Tirei sua mão do meu rosto e a apertei de leve sobre a mesa. Eu não queria contar...

– O que aconteceu, afinal? – Giovanne se intrometeu – Foi tão ruim que alguém chorou?

– Ahhg! Você é insuportável! – rosnei – Aliás, qual era a sua com aquela foto, hein? Não entendi ainda.

– Que foto? – Bianca perguntou.

– Esse safado tirou uma foto nossa na festa de formatura. Naquela hora.

– O que? Por quê? – ela se voltou para ele.

– Foi mal, gente. – disse juntando as mãos na frente do rosto – Na verdade, eu só fiquei muito surpreso em ver vocês... Tão coladinhas assim. Aí pensei que seria uma boa oportunidade de me reaproximar de você, Cecília.

– O que?! Como assim? – perguntei muito confusa – Você só estava tirando com a minha cara! Seu cretino!

– Ah, é que deu vontade. – respondeu como se não fosse nada – Acho que fiquei magoado por você ter apagado meu número. Você me ajudou muito naquela época. Primeiro eu queria só conversar, mas...

– "Mas..." O que?

– Não resisti. Tive que te torturar um pouco. Tortura de amigo. – disparou e piscou para mim.

– Ai, ai... – Bianca suspirou – Ele é assim mesmo, mas é uma boa pessoa. Eu acho, né...

Fiquei de queixo caído. Mas que diabo de mudança era aquela?! Que tipo de cara o Giovanne tinha se tornado em quase dois anos? O que aconteceu com o garoto fofinho e chorão que tinha levado um tremendo fora? Que merda ele fazia para ser tão popular com uma personalidade deformada daquelas? Como a Bianca era amiga de um garoto assim? Eu deveria ter ficado aliviada com o desenrolar da situação, mas... Ahh! Que coisa mais zoada!

O sinal do terceiro horário tocou e eu ainda não tinha me recuperado direito. Minha presença na aula se resumiu a meu corpo sentado sem prestar a mínima atenção em nada. Giovanne me obrigara a salvar seu número, dizendo: "Você é legal, Cecília, só tem que deixar de ser chata". Vai entender...

Bianca tinha se despedido de mim de um jeito que eu realmente não esperava. Assim que Giovanne entrou na sala, ela me roubou um selinho e disse:

– Você não escapou de mim. Não esqueça que eu sei onde você mora. – e deu um pequeno sorriso – Até mais, Cecília.

Não tinha como eu me concentrar na aula depois daquilo.


Notas Finais


"Parece um dia tão normal
Mas em cada esquina você pode vacilar, e então
Vê se se cuida, rapaz
Então, estamos quase quites"
(Emboscada-Pitty)

Muito obrigada por ter lido até aqui ^^ Espero que tenham gostado, e não esqueçam de deixar seu feedback, pois é muito importante pra mim <3
Bjs da tia ^3^


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