História Reação em cadeia (DG - Draco e Ginny) - Capítulo 20


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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Blásio Zabini, Draco Malfoy, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Narcissa Black Malfoy, Pansy Parkinson, Regulus Black, Ronald Weasley, Severo Snape
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Palavras 9.288
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Magia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, mores! Mais uma vez peço desculpas pela demora, estou realmente me esforçando pra fic não me alcançar, mas não sei até quando dou conta...
Espero que curtam o capítulo!
Bjos da Bella

Capítulo 20 - Novos papéis


- NÃO! – , ele gritou e desviou a garota da caixa com a varinha, mas parecia que já era tarde demais. Soltando um grito de horror, ela, que ele reconheceu vagamente como uma das artilheiras da Grifinória, caiu no chão, com um baque seco, o colar que antes estava dentro da caixa brilhando ao seu lado.

E antes mesmo que Draco pudesse pensar em fazer alguma coisa, um Harry Potter com rosto furioso surgiu no corredor, a varinha apontada diretamente para ele.

- Agora eu peguei você.

Erguendo a cabeça, Draco viu que vários rostos acusadores surgiam no corredor, alguns alunos se aproximavam correndo para tentar acudir a garota da Grifinória, todos obviamente achando que a culpa dela estar caída no corredor naquele momento, talvez morta, era dele.

Mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa em sua defesa, Dobby se adiantou:

- Por favor, Harry Potter, meu senhor... A culpa não é dele, não foi ele!

- Dobby, está tudo bem, você não precisa mais proteger esse verme!

- Não, meu senhor, escuta o Dobby, não é o que está parecendo!

- Harry, o Malfoy deve ter jogado a Maldição Imperius nele! - intrometeu-se Ron.

Draco, até então, estava apenas olhando de Potter para Dobby, naquele estado de estupor semelhante ao que ficara depois do jogo de quadribol em que salvara Ginevra. Mas ao ouvir a última fala de Weasley, não conseguiu se segurar:

- Weasley, se você não sabe do que está falando, devia ficar quieto. Será que não conhece nem mesmo os efeitos de uma das maldições mais famosas do mundo da magia?

Ron se enfureceu e estava pronto para rebater, ao mesmo tempo em que enfiava a mão nas vestes à procura da varinha, quando Hermione se colocou entre ele e Draco, um pouco hesitante:

- Ron... Ele tem razão.

- O QUÊ?? Mione, você está defendendo esse...

- Calma! Por enquanto eu estou falando apenas da parte dos efeitos da Imperius. O Dobby não está controlado por ela, isso dá pra ver com clareza.

- Então ele está controlado de outra forma. - teimou Harry - Ou talvez esteja simplesmente com medo dessa cobra que um dia foi mestre dele...

- … ou talvez ele saiba alguma coisa que nós não sabemos e seria sensato da nossa parte ouvir o que ele tem a dizer em vez de sair tirando qualquer tipo de conclusão.

Dessa vez foi Ginny quem falou, e tanto Harry quanto Ron, apoiados por outros grifinórios, começaram a protestar contra a súbita tendência dela e de Hermione de defender Malfoy, mas a ruiva elevou a voz acima dos protestos de uma forma que tornava impossível ignorá-la:

- Eu acho muito engraçado, Harry, que o Dobby nunca tenha mostrado outra coisa que não lealdade e devoção a você desde que se conheceram, e você parece incapaz de ao menos ouvir o que ele tem a dizer. É ingratidão e muito desrespeito. No fim das contas, você deve achar a mesma coisa que todos os bruxos preconceituosos, que a palavra de um elfo doméstico não vale muita coisa, não é?

Harry ficou tão espantado com a reação agressiva de Ginny que por um momento não soube o que dizer, e Hermione aproveitou a brecha para se aproximar de Dobby e perguntar, brandamente:

- Dobby, o que aconteceu, afinal?

Dobby olhou de Harry para Ron, parecendo ainda um pouco incerto, mas ao ver todos os olhares acusadores direcionados a Draco Malfoy (inclusive o de Madame Pomfrey, que chegou rapidamente após ser chamada pelos alunos), tomou fôlego e contou a história toda rapidamente, desde a chegada do pacote e a estranha reação de Filch ao deixá-lo passar sem averiguação, até a parte em que o próprio Draco quase sofreu a maldição do colar, sendo impedido na última hora pelo próprio Dobby.

Enquanto Dobby falava, Draco olhou de soslaio para Ginny. A expressão dela estava ainda furiosa (com Potter, Weasley e os demais grifinórios, naturalmente), mas também muito assustada. Parecia que já ela sabia que algo grave havia acontecido com ele antes mesmo do elfo dizer qualquer coisa. E ele teve uma compreensão repentina: claro que ela sabia. A corrente no pescoço dela devia tê-la avisado desde o momento em que ele começou a tentar a abrir o pacote amaldiçoado. Ele ficou imaginando a aflição da namorada, sabendo que algo de ruim estava prestes a acontecer com ele e sem saber se chegaria a tempo de impedir. Tentando prestar atenção nela sem ser notado, viu que ela estava levemente vermelha e suada perto das têmporas. Ficou angustiado ao ver que ela provavelmente correra para tentar salvá-lo. Ele gostaria de falar alguma coisa para confortá-la, mas na situação que se encontrava, sabia que não poderia.

Pois a história de Dobby não convenceu a maioria. Alguns, por exemplo (Ron incluso), achavam que Draco tinha encomendado o colar amaldiçoado sem ter certeza da potência dos efeitos dele, e por isso quase tinha sido atingido pela própria tentativa de atentado. Mas nem mesmo Harry sabia se conseguia acreditar nisso. Draco Malfoy podia ter todos os defeitos do mundo, mas não era burro, muito menos um bruxo incompetente.

Previsivelmente, o caso acabou no escritório de Dumbledore, após Minerva McGonnagal chegar, ouvir as diferentes versões (ou tentar ouvir no meio da balbúrdia geral) e decidir levar Dobby, Draco e Harry para se acertarem com o diretor.

A gravidade na expressão de Dumbledore indicava como a situação não era nada boa: Katie Bell já tinha há algum tempo sido levada à Ala Hospitalar por Madame Pomfrey, mas tudo indicava que a garota não permaneceria por muito tempo lá. Era claramente um caso para St. Mungus.

Minerva McGonnagal explicou brevemente o pouco que sabia da situação para o diretor e, antes que qualquer um dos presentes começasse a falar (e o que parecia que aconteceria era todos tentarem ao mesmo tempo), Dumbledore virou-se para Dobby e disse:

- Por favor, Dobby, repita para mim o que aconteceu.

Draco não conseguiu deixar de se sentir levemente animado com isso. Era a segunda vez em pouco tempo que ele ia parar no escritório do diretor, e, assim como da outra vez, Dumbledore parecia disposto a ouvir (quem sabe até mesmo aceitar?) a versão que favorecia o garoto.

Dobby repetiu a história que havia contado no corredor, com renovado vigor ao perceber a boa vontade no gesto do diretor em ouvi-lo antes de todos. E acrescentou ao fim:

- Por favor, meu senhor Dumbledore. O jovem mestre Draco não tem culpa. Ele não atacou aquela garota, acredite em Dobby, meu senhor!

O fato de Dobby ter se referido a Draco como “jovem mestre Draco” não passou despercebido a Harry. Para ele, era uma clara evidência de que o elfo estava sofrendo algum tipo de pressão para defender o garoto. Ele estava prestes a dizer isso, mas mal havia aberto a boca quando Dumbledore interveio:

- Entendo. Draco, o que você tem a dizer?

Isso irritou Harry. Por que Dumbledore parecia tão inclinado a aceitar a palavra de Malfoy e ouvir antes de tudo as versões que o favoreciam?

- O que exatamente deseja saber além do que Dobby já contou, diretor?

- Você tem alguma ideia de por que alguém encomendaria esse colar em seu nome?

- Não é óbvio? Alguém quer me incriminar. Não fosse o Dobby ter testemunhado a coisa toda, talvez tivesse conseguido. Basta o senhor dar uma olhada para a cara do Potter para ver do que eu estou falando.

De fato, tanto a raiva quanto a acusação eram óbvias na expressão de Harry. E ele achou que a menção ao seu nome era uma boa deixa para finalmente emitir sua opinião. Tentando ao máximo se controlar por saber que essa era a melhor forma de ser ouvido por Dumbledore, ele disse:

- Professor Dumbledore, se alguém queria incriminar o Malfoy ao encomendar esse colar amaldiçoado, foi uma péssima forma de fazer isso. Endereçar a ele dessa forma poderia ter feito com que ele fosse atingido pela maldição, e como culpá-lo então?

- Essa era a minha outra hipótese. - disse Draco, baixinho.

Alguma coisa na forma como ele falou isso arrefeceu momentaneamente a raiva de Harry. O que era aquilo no tom e na expressão de Malfoy? Apreensão? Cansaço? Medo?

- O que quer dizer, Draco? - perguntou Dumbledore, naquele tom típico dos professores que sabem exatamente o que o aluno quis dizer, mas desejam que ele compartilhe com o resto da turma.

- Eu detesto parecer paranoico, mas acho que a única explicação possível é que tem alguém me perseguindo aqui dentro. Primeiro, aquele episódio na partida de quadribol. Agora, isso. Quer dizer, eu terminar amaldiçoado ou culpado eram as duas hipóteses mais prováveis de acontecerem com a encomenda desse colar. Nenhuma delas me serve muito, não é?

- Professor Dumbledore, eu realmente não acredito que Malfoy estivesse tentando amaldiçoar Katie Bell.

Draco virou-se, já prevendo o “mas” que se seguiu à fala de Potter:

- Acho mesmo que essa parte foi um acidente, e que a interferência do Dobby pode ter desviado o verdadeiro propósito que ele tinha ao encomendar esse colar.

- Você é surdo ou burro mesmo, Potter? Eu. Quase. Morri. Sofri a influência da maldição do colar e posso descrever o que era: nada mais importava a não ser tocá-lo. Minha mente se cegou completamente pra qualquer outra coisa. Se Dobby não tivesse me impedido, eu teria metido a mão naquela porcaria amaldiçoada, e talvez tivesse morrido, pois a garota Bell nem mesmo pegou o colar e pelo que eu sei ainda pode morrer!

- Não pegou porque a gente chegou bem a tempo!

- Não pegou porque eu impedi, seu idiota!

Harry soltou uma risada pelo nariz:

- Ah, mas essa é muito boa! Draco Malfoy, O Herói!

- Está com ciúme por não ter sido você dessa vez?

- Chega.

Dumbledore falou naquele tom que não admitia contestação. Sem elevar a voz, mas deixando claro que não havia opção para os garotos. Os dois permaneceram meio que bufando um para o outro, mas se calaram.

- Como esse pacote chegou a você, Draco?

- Assim que voltei de Hogsmeade, uma garota lá da Sonserina me deu o recado de que tinha chegado um pacote pra mim, e que estava escrito "a pedido". Estranhei, porque não tinha encomendado nada. Aí resolvi abrir depois do jantar, quando não tivesse ninguém por perto e eu pudesse realizar alguns testes contrafeitiços, porque não sou nenhum imbecil. - ele disse essa última frase olhando diretamente para Harry, que encarou de volta, ainda cético e furioso.

- Entendo... - disse Dumbledore, parecendo pensativo. - Quer dizer que você testou o pacote antes de abrir e mesmo assim não detectou nada.

- Nada. Parecia completamente inofensivo, e olha que eu fiz muitos testes, todos que conheço, e que não são poucos.

Ele pareceu dizer isso como uma constatação normal, sem indício de vaidade, mas Harry achou antipático mesmo assim.

- Quer dizer... - Draco acrescentou, um pouco mais hesitante – Eu realizei testes nas embalagens até chegar na caixa. Foi quando minha mente cegou completamente. Teste nenhum parecia importante mais. Só pegar o que quer que estivesse na droga daquela caixa, porque se eu não fizesse isso, alguma coisa terrível ia acontecer. Quando Dobby me impediu...

Ele hesitou novamente. Percebeu que até Harry Potter ouvia atento o que ele dizia, querendo saber como terminaria. Com uma expressão de desafio, ele completou calmamente, ignorando as possíveis consequências:

- Eu queria matá-lo. Acho que teria feito isso se a raiva não tivesse me deixado tão cego e sem reflexos que eu simplesmente não conseguia acertar nenhum feitiço nele.

Um breve silêncio se seguiu a essa declaração. Quando Dumbledore voltou a falar, porém, não parecia que tinha ouvido praticamente uma declaração de intenção de homicídio.

- E quando foi que você percebeu que alguma coisa estava errada?

- Quando Dobby se distanciou, e consequentemente, o colar amaldiçoado também. E a raiva irracional começou a desaparecer. Aí eu percebi tinha alguma força estranha me fazendo querer tão desesperadamente pegar a caixa, algo que estava me deixando ao mesmo tempo cego e incompetente. E que sem isso era bem fácil acertar um feitiço nele. E foi o que eu fiz, mas não mais pra pegar a caixa, e sim pra entender o que estava acontecendo. E foi aí que apareceu a garota, enquanto eu conversava com o Dobby, me distraí e não vi. Quando me dei conta, ela já estava com a caixa na mão. Tentei intervir, mas já era tarde. Pelo visto, consegui que ela não se apoderasse totalmente do colar, mas ela encostou. Na caixa, no papel, não sei se no próprio colar, mas alguma coisa bem ruim aconteceu com ela, como todos viram.

Ele disse tudo muito rápido, de forma semelhante à que tinha feito no episódio do atentado contra Ginny. E, exatamente como daquela vez, Dumbledore aceitou a palavra dele.

Já prevendo que teria que enfrentar a objeção (para dizer o mínimo) de Harry, pediu que o garoto ficasse depois que dispensou Dobby e Draco Malfoy, pedindo convenientemente que Minerva McGonnagal acompanhasse o garoto até a porta do Salão Comunal.

“Não tem necessidade, eu sei o caminho.”, foi o que Draco teve vontade de dizer. Mas achou que seria muita ingratidão ser malcriado quando Dumbledore, pela segunda vez, acreditara nele contra todas as evidências. E também de uma infantilidade constrangedora.

Quando se viu sozinho com Dumbledore, Harry descobriu que não sabia bem o que dizer. Tinha mil acusações na ponta da língua, mas estava cansado. Tinha certeza de que havia muito que Dumbledore não estava contando para ele. Quando deixara de ter a confiança do diretor? Ficou em um silêncio amargo, acometido de repente por um pensamento ainda pior: de que Malfoy estava certo e ele poderia estar com ciúme.

Dumbledore ficou olhando para ele por alguns instantes, com aquela expressão que sempre deixava Harry com a incômoda sensação de estar sendo esquadrinhado.

- Harry, eu sei que muito dessa história não deve estar encaixando na sua cabeça. - o diretor falou, enfim. - Mas vou pedir que confie em mim. Pode fazer isso?

- Não sei. Por acaso o senhor confia em mim, diretor?

Ele não pretendia soar tão agressivo, mas não conseguiu evitar. Dumbledore, porém, não pareceu se importar:

- Sim, confio. Falta de confiança não é o único motivo possível para não dividir todas as informações de meu conhecimento, Harry.

- Certo. Como quiser. Não preciso lembrar ao senhor o que aconteceu da última vez que passou o ano todo deixando de me contar as coisas. O senhor queria ajudar, eu sei. Mas não ajudou. E Sirius está morto. Espero que ninguém precise morrer dessa vez.

Ele sabia que tinha ido longe demais em sua mágoa por estar sendo preterido e já começava a sentir as primeiras pontadas de arrependimento pelas palavras duras. Estava se retirando do escritório sem olhar para o diretor, deixando para pensar mais tarde em como se desculpar (de preferência quando não estivesse tão irritado), mas Dumbledore respondeu, mais uma vez parecendo não se importar com a agressividade do garoto:

- O que não quer dizer que não pretendo contar mais nada para você. Pelo contrário. Pedi que ficasse porque há informações importantes que eu gostaria de dividir. Isto é, se estiver em um bom momento para ouvir. Se quiser voltar outra hora, não tem problema.

Esse tipo de atitude de Dumbledore invariavelmente fazia Harry ficar com vergonha. O diretor não parecia estar chateado com as acusações cruéis feitas pelo aluno, e sua expressão tranquila quando deu a Harry a opção de voltar em outro momento indicava que ele realmente se importava com o estado de espírito dele para ouvir o que quer que fosse, e não estava fazendo algum tipo de chantagem emocional barata.

Ele se voltou, não conseguindo encarar Dumbledore nos olhos.

- Me desculpe.

- Pelo quê? Você não disse nada além da verdade. Eu errei ao não falar com você durante o ano passado inteiro, errei ao imaginar que você não devia saber que Voldemort poderia ter acesso aos seus pensamentos. Simplesmente joguei você numa aula de Oclumencia com o professor de quem você menos gosta, sem ao menos explicar por que estava fazendo isso. Você tem toda razão de não me perdoar pelo que aconteceu.

- A morte de Sirius não foi culpa sua, diretor. Eu disse isso agora porque estava com raiva.

- O que importa é que você tem razão ao dizer que esconder as coisas de você não ajuda. Você já provou seu valor muitas vezes nessa escola, e suportou um peso muito maior do que um rapaz da sua idade deveria suportar. Eu não pretendo subestimá-lo novamente.

Estranhamente, a honestidade do diretor ao admitir que o havia subestimado fez sua raiva diminuir. Ele esperou para ouvir o que o diretor tinha a dizer, agora já bem mais calmo.

- Sente-se, Harry. Não vai ser rápido.

O garoto obedeceu, sua curiosidade crescente.

- Bem... Sobre Draco Malfoy. Talvez você fique desapontado, mas infelizmente esse é um assunto sobre o qual há pouco que eu possa dizer. Tenho motivos mais que suficientes para aceitar a palavra dele nos acontecimentos recentes, e se não os expus para você foi, em parte, porque esse assunto causou danos para além do que eu poderia prever, e não consigo não me sentir culpado por isso.

Harry ficou frustrado e confuso.

- Do que o senhor está falando? Por acaso tem algo a ver com a morte de Kreacher?

- Eu não esperaria mesmo que você demorasse a fazer essa conexão.

- Mas não entendo! O que Draco Malfoy tem a ver com isso?

- Mais do que você imagina, mas certamente sem culpa nenhuma. Kreacher simplesmente sabia demais. E o que sabia era grave o suficiente para provocar a reação que provocou em Voldemort.

- O que sabia e o que deixou de contar pra ele, pelo que o senhor me disse, não é?

- Kreacher morreria de qualquer jeito, Harry. Estava condenado desde que foi parar nas garras de Voldemort. Mas sim, ele escolheu o momento, que foi antes de contar tudo o que sabia. E eu realmente espero poder contar com essa vantagem.

- O que ele sabia, professor? Que segredo tão grande e tão importante sobre Draco Malfoy...

- Ouça, Harry. A história a respeito de Draco não está fechada, não está decidida. Há elementos que nem ele mesmo sabe. Além de ser perigoso, eu não me sinto no direito de lhe contar.

- Então por que é que o senhor pediu que eu ficasse? - perguntou Harry, não conseguindo deixar de se exaltar.

- Para lhe contar o segredo da aparente imortalidade de Voldemort. E pedir sua ajuda para destruí-la.

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No dia seguinte, Harry ainda estava processando a história contada por Dumbledore, e as lembranças que visitara na Penseira do diretor. Horcruxes. Fragmentos de uma alma amaldiçoada abrigados em objetos diversos, escondidos em lugares cujo destino nem mesmo o próprio Dumbledore era capaz de dizer com certeza. Pelo menos não o de todos.

Ele recapitulou o que sabia até agora. (N/A: eu sei que já avisei isso, mas só pro caso de alguém ter esquecido: não estou mais tão fiel aos livros originais quanto antes, logo vocês perceberão que fiz com que todo o conhecimento sobre horcruxes já fosse passado ao Harry de uma vez, em vez de todas aquelas reuniões noturnas entre ele e Dumbledore que aconteceram em HbP. Uma vez que Harry não é o foco da história aqui, achei melhor atalhar.) Três horcruxes (ele ainda estava tentando se acostumar ao nome) não existiam mais: o diário de Riddle. Um anel que pertencera a Marvolo Gaunt (descendente de Slytherin), destruído pelo próprio diretor. E um medalhão cuja procedência Dumbledore não explicou. Só disse que tinha certeza que havia sido uma horcrux e que estava destruída. E que descobrira isso através de uma lembrança que Harry veria na hora certa. Pela forma como falou, o garoto teve certeza que não adiantava perguntar mais do que isso.

Uma vez que Voldemort decidira repartir a alma em sete pedaços (Harry ainda se espantava em como a vaidade era capaz de cegar pessoas inteligentes como Slughorn, que mesmo sem querer dera dicas fundamentais para que Voldemort pudesse começar a pôr seu plano em prática), existiam mais quatro, estando um deles abrigado no próprio corpo do bruxo, naturalmente. Havia, então, três horcruxes a serem encontradas e destruídas para tornar Voldemort novamente um homem mortal. O que seriam? “Relíquias dos fundadores de Hogwarts” eram a única pista que tinham, por enquanto bastante insuficiente. E agora Dumbledore continuaria pesquisando sobre isso, e não só prometeu que deixaria Harry ir com ele caso descobrisse alguma coisa, como incumbiu o garoto de levar a missão até o fim, “não importando o que acontecesse”.

Harry não gostou do tom do diretor, achando-o de mau agouro, mas prometeu que levaria.

Tão absorto estava com a rajada de novas informações que o assunto Draco Malfoy acabou ficando momentaneamente esquecido em sua mente... Pelo menos até Hermione ofegar de surpresa ao pegar o Profeta Diário daquela manhã.

- O que foi?? - perguntou ele ao mesmo tempo que Ron e Ginny.

Ela não respondeu. Simplesmente largou o jornal à vista deles, que entenderam imediatamente a reação da amiga.

FUGA EM MASSA DE AZKABAN

Segundo episódio em menos de um ano traz perigosos Comensais da Morte de volta à liberdade.

Nem precisava do subtítulo para recordar a todos do que acontecera no ano anterior. Desde a forma como a notícia veio (Hermione, sempre a primeira a se informar) até as reações ao redor e as palavras e fotos no Profeta, tudo trazia uma sensação horrível de déjà vu. E um dos rostos em maior destaque no jornal invariavelmente trouxe de volta à mente de Harry o “assunto momentaneamente esquecido”: Lucius Malfoy, com uma expressão entre o deboche e o desafio, era um dos fugitivos.

Blaise também recebia o Profeta Diário, e foi com uma reação mais cautelosa que leu a notícia e passou o jornal a Draco. Ele ficou olhando a primeira página sem piscar, até que ela começou a sair de foco e seus olhos arderam e lacrimejaram. Sentia que havia diversos olhos sobre ele agora, especialmente vindos da mesa da Grifinória.

Ele os olhou de volta com uma expressão cuidadosamente neutra, que acabava sendo também de desafio. Deliberadamente escondendo daqueles olhares hostis sua reação à notícia. Que pensassem o que quisessem. Que fossem todos para o inferno.

Aliás, todos não. Ginevra, obviamente, olhava para ele com uma expressão grave que dizia a Draco que ela era quem tinha alguma capacidade de entender o que essa notícia significava para ele. E Granger também não parecia hostil. Apreensiva, aflita, sim, e havia algo mais que ele detectava no olhar dela, algo entre a preocupação e a consternação. Que interessante. Parecia que Ginevra estava realmente conseguindo convencer a amiga de que ele não mordia.

O olhar de Potter e Weasley quase fazia Draco ter vontade de sorrir, de fazer aqueles imbecis acreditarem que ele estava feliz com a notícia, só para vê-los espumar de raiva. Mas de repente ele não sentia ânimo ou energia para provocações infantis. O pai em liberdade, se fizesse alguma diferença na vida dele, seria para pior. Significaria o aumento da pressão para se juntar ao Lord das Trevas, algo que Draco se sentia cada vez menos disposto a fazer.

E havia algo mais naquela notícia que o inquietava. Passou os olhos rapidamente pela matéria e leu: “não sabiam explicar”, “nenhuma falha na segurança detectada”, “tudo aconteceu numa discrição assustadora”, “sem pistas do destino dos fugitivos”. Uma fuga em massa organizada com perfeição. Parecendo estar planejada há muito tempo, somente esperando o momento certo... Na cabeça de Draco, aquilo só podia significar uma coisa: a intenção de uma grande investida por parte de Voldemort, e muito em breve. Exatamente como ou quando ele não sabia, mas sentia que o momento em que ele teria que fazer uma escolha definitiva estava chegando.

E o que faria então? Juntar-se ao Lord das Trevas significava tornar-se uma daquelas pessoas servis que ele desprezava. Significava fazer a vontade do pai. E significava perder Ginevra, algo que doía só de pensar.

Por outro lado, juntar-se a Dumbledore significava juntar-se a Potter e a um bando de gente que ele também desprezava. Significava afastar-se definitivamente da mãe. E, no momento, significava uma chance maior de morrer.

Há algum tempo, ele nem acreditaria que estava cogitando isso. Mas ele sabia que estava propositalmente ignorando o fato, cada vez mais certo, de que aquela era a única maneira de ficar com a namorada, de estar perto dela, de mantê-la a salvo. De que serviria a corrente encantada se ele se tornasse um dos inimigos, um dos perigos para ela?

Serviria para que você estivesse um passo à frente do perigo dela, disse uma voz em sua mente. Um agente duplo? Aquilo estava parecendo cada vez mais coisa de Potter, e ele não estava gostando nada disso.

Draco sentia que o cerco estava se fechando, o que o deixava irritado e, detestava admitir, amedrontado por absolutamente não ter ideia do que fazer.

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Estranho. Tudo ali era estranho. Embora os móveis fossem os mesmos, embora nada estivesse diferente na aparência da mansão, ao caminhar pelos corredores e cômodos ele se sentia percorrendo a casa de um estranho. Talvez fosse o longo tempo em que ficara longe dali, numa cela gelada de Azkaban, tendo apenas dementadores por companhia.

Ou talvez fosse o fato de que o Lord das Trevas fizera questão de que assim fosse. A casa não mais pertencia a ele e Narcissa. Comensais entravam e saíam livremente, comiam e bebiam às custas deles, davam ordens aos elfos domésticos. Ele só não estava mais irritado com isso porque havia outra coisa em sua mente, mais importante e muito pior do que meia dúzia de idiotas invadindo sua casa.

Ele se recordava da conversa que tivera com Severus Snape uma semana antes, logo que saíra de Azkaban. A conversa fora tanto breve quanto alarmante, e ele percebeu que o momento não poderia ter sido mais oportuno para estar de volta. Nem Narcissa sabia das coisas que Snape contara para ele, logo cabia unicamente a Lucius tentar fazer alguma coisa. Ele precisava urgentemente falar com o Lord das Trevas, e a sós. Sabia que só o fato de pedir isso já poderia ser motivo suficiente para uma punição, dependendo do humor do Lord. Mas, pela primeira vez em muito tempo, ele não mediria os riscos.

Não quando a vida de seu filho estava em jogo.

Depois do suntuoso jantar, o primeiro depois de tantos meses (mas que parecia ter gosto de areia devido ao estado de ansiedade no qual se encontrava), ele milagrosamente viu a oportunidade surgir sem que precisasse se esforçar muito. Voldemort distribuíra ordens a vários Comensais, e Lucius estava pensando numa maneira de afastar Bellatrix Lestrange por um minuto, quando Narcissa fez isso por ele. Ele sabia que a irmã seria uma das poucas pessoas que poderia desviar a atenção de Bellatrix do Lord que ela venerava obsessivamente, e ficou grato à esposa por fazer esse favor acidental a ele.

Vendo-se sozinho com o Lord das Trevas e sabendo que só teria alguns segundos antes de aparecer algo mais importante que ele para merecer a preocupação do mestre, ele resolveu engolir os medos e começar:

- Meu Lord, eu... gostaria de lhe falar.

- Não é o que você já está fazendo, Lucius? - respondeu Voldemort, de fato não parecendo muito disposto a perder tempo com ele.

- Primeiramente quero que o senhor não tenha dúvidas do quanto estou grato por essa chance de liberdade. Sair de Azkaban...

- Me poupe, Lucius. Sei muito bem que você não iniciou essa conversa pra me agradecer. Diga logo o que você quer.

Certo. O Lord estava impaciente e era bobagem tentar agradá-lo com adulações nesses momentos. Ele respirou fundo e resolveu ir direto ao assunto:

- É sobre Draco.

Voldemort deu uma risadinha fria.

- Por que isso não me surpreende?

- Meu Lord, o que está acontecendo? O que o garoto fez que eu não estou sabendo?

- Por que acha que ele fez alguma coisa?

- Porque o senhor não iria atrás de um imbecil qualquer. Não colocaria alguém para persegui-lo debaixo do nariz de Albus Dumbledore se não achasse que era importante.

- Ora, as notícias voam, não é mesmo? E eu achando que Narcissa sequer tinha percebido...

- Não foi Narcissa quem me contou. Foi Snape.

Pela primeira vez o sorriso irônico e frio saiu do rosto de Voldemort:

- Severus? Não consigo imaginar por que ele faria isso.

- Ah, ele não parecia ter a intenção de me alertar de alguma coisa, se o senhor quer saber. Aliás, não tenho certeza se ele parecia saber exatamente o que significavam as coisas que estava me contando.

- Me explique isso melhor. - exigiu Voldemort.

- Ele foi a primeira pessoa que encontrei quando saí de Azkaban. Foi inevitável que eu perguntasse sobre Draco, uma vez que Snape é professor dele. E as notícias que ele me deu me fizeram concluir que havia algo acontecendo.

Voldemort estava ficando cada vez mais impaciente:

- Não estou interessado em sua mágoa por estar em Azkaban com saudade do seu filhinho, uma vez que você só ficou lá esse tempo por sua própria incompetência. Quero saber exatamente o que Severus te contou.

- Ele estava me provocando. Disse que a ausência do pai pode fazer um estrago na vida de um adolescente, uma vez que Draco estava ficando a cada dia mais parecido com Harry Potter. Perguntei o que ele queria dizer com isso. Então ele me contou sobre os incidentes que aconteceram em Hogwarts, um durante uma partida de quadribol e outro recentemente, envolvendo um colar amaldiçoado e uma garota da Grifinória. E contou como nas duas ocasiões ele foi acusado por vários alunos, com fortes evidências... para no fim ser livrado por Dumbledore, exatamente como acontece diariamente com Harry Potter.

Voldemort esperou o resto do relato, mas Lucius parecia ter terminado.

- E daí? O que mais ele falou?

- Nada. Foi só isso.

Voldemort sondou a expressão e depois a mente de Lucius, e viu nada mais que sinceridade absoluta.

- Então lamento dizer que Azkaban parece ter enlouquecido você. - disse ele, novamente tranquilo e frio. - Porque não vejo conexão entre esse relato de Severus, que como você mesmo percebeu, tinha a clara intenção de te provocar, e a sua afirmação de que eu estou, como é mesmo? “Colocando alguém para perseguir seu filho debaixo do nariz de Albus Dumbledore.”

Lucius hesitou. Tinha certeza do que estava falando, mas não contava que o Lord negasse. Desmenti-lo agora era de uma ousadia que ele não achava que seria necessária.

- Por que não me conta exatamente o que está pensando? - perguntou Voldemort.

Lucius percebeu que tanto o tom do Lord quanto seu olhar perigoso deixavam uma coisa muito clara: ele não tinha outra opção a não ser fazer o que o mestre acabara de “sugerir”.

- Meu Lord, eu conheço Dumbledore. Sei como ele age. Sei o que ele é capaz de fazer para proteger um aluno em perigo, sei o quanto ele consegue cavar e descobrir, para além de qualquer evidência. Draco nunca precisou desse tipo de proteção. Snape quis me provocar, mas ele está certo: o aluno que está constantemente nesse papel é Harry Potter. E nós dois sabemos que Dumbledore tem muita razão em querer proteger aquele garoto. O senhor esteve durante o ano passado todo buscando uma forma de entrar na mente dele, e só não conseguiu antes por interferência de Dumbledore. Porque de alguma forma ele sabia o que o senhor estava planejando. É sempre assim. Então, se em duas ocasiões ele precisou proteger Draco, isso me faz concluir que o senhor decidiu perseguir meu filho agora. Por quê, meu Lord? É para me punir pelos meus erros do ano passado?

Lucius disse tudo isso muito rápido, antes que perdesse a coragem. Um silêncio insuportável se seguiu a esse desabafo, em que ele ficou esperando a punição, tendo certeza que o Lord das Trevas iria erguer a varinha e torturá-lo até que ele se arrependesse amargamente daquele atrevimento. Mas, inesperadamente, Voldemort riu, e apesar de fria como sempre, a risada não tinha aquele tom cruel de antecipação da tortura.

- Lucius, você me surpreende! Quem diria que teria tamanha sagacidade pra perceber tudo isso? Me parece que tirar você de Azkaban não foi um desperdício total, no fim das contas.

Lucius ficou tão aliviado por ter aparentemente escapado de uma punição que sequer se incomodou com as palavras depreciativas de Voldemort.

- Seu raciocínio só tem um erro: acha mesmo que eu iria atrás de Draco só pra punir você? Por favor. Não se dê tanto crédito.

- Mas por quê então, meu Lord? - perguntou Lucius, novamente sem se importar com o desdém de Voldemort. - Se não foi nada que ele fez, nem uma punição a mim, por que o senhor está fazendo isso? - ele completou, a voz anormalmente exaltada pelo desespero óbvio.

Voldemort ficou em silêncio por alguns instantes, avaliando o que deveria dizer a Lucius. Sabia que podia simplesmente mandá-lo calar a boca e nunca mais perguntar sobre o assunto. Era possível que ele obedecesse sem criar muitos problemas, uma vez que sempre fora um covarde. Por outro lado, Lucius revelara uma astúcia incomum ao deduzir, com base em poucos fatos, a verdadeira natureza dos incidentes envolvendo o filho na escola. Com isso, ele havia inclusive aberto os olhos do mestre para algo ele que não tinha atentado antes: Dumbledore já tinha percebido que Draco corria perigo, logo já estava se intrometendo mais uma vez nos planos de Voldemort. Normalmente já havia poucas coisas que conseguiam ser mais indigestas do que a constante intromissão de Dumbledore, e agora então, com toda a operação dependendo de uma criança tola e inexperiente... Era muito possível que desse errado.

Além disso, com a inesperada devoção que Lucius demonstrara ter ao filho (a ponto de torná-lo pelo menos por alguns instantes bem mais inteligente do que realmente era), ele poderia ser mais uma complicação desnecessária em um plano que agora já parecia falho. Ora, se o desespero conseguira aguçar a esse ponto uma mente que era, na maioria das vezes, bastante limitada, quem sabe Voldemort não poderia usar isso a seu favor?

- Está certo, Lucius. - ele falou enfim - Acho que você mereceu o direito de saber. E olha que o que estou prestes a contar é segredo absoluto. Ninguém sabe, nem ao menos Bella, ou Severus. Você sabe o que isso significa?

Lucius assentiu, a expressão grave e ansiosa. Em circunstâncias normais, ele interpretaria como um bem-vindo afago ao seu ego, uma demonstração inestimável de confiança do Lord das Trevas nele. Agora, porém, só conseguia ver tudo sob uma ótica sombria e pessimista: significava que caso ele contasse para alguém, estava morto.

- Imagino que você não tenha ouvido falar em um feitiço chamado Anima Bellator.

Mas a resposta de Lucius, mais uma vez, surpreendeu Voldemort:

- Na verdade, já, meu Lord.

- Mesmo? - perguntou Voldemort, erguendo levemente as sobrancelhas. - Nunca imaginei que uma baboseira sentimental como essa poderia lhe interessar.

- De fato. Quando pesquisei sobre ele, foi inicialmente procurando uma forma de combatê-lo com Artes das Trevas.

Voldemort estava, agora, muito interessado:

- E o que foi que você descobriu?

- Antes de responder, posso fazer uma pergunta, meu Lord? - e ele, ousadamente, não esperou a resposta do Lord antes de acrescentar: - É isso que o senhor acredita estar perseguindo então? Um portador da alma guerreira?

Voldemort estava tão surpreso com esse novo Lucius que resolveu desconsiderar mais esse atrevimento. Ele estaria certo de que o Comensal tinha um informante, se não soubesse que era impossível. Ninguém sabia do feitiço. Nem mesmo Bellatrix ou Severus, como ele dissera antes. E a ideia de Lucius Malfoy associado a Dumbledore era ridícula e igualmente absurda.

E então se viu, pela primeira vez, conversando com Lucius como se este fosse quase um igual, e não um servo incompetente:

- E eu te respondo com outra pergunta: por que você despreza essa hipótese?

- Não desprezo. É só que...

- Foi o que pareceu. “É isso que o senhor acredita estar perseguindo?”. Você falou como se fosse uma teoria absurda.

- O senhor sabe como funciona esse feitiço, não sabe, meu Lord? Como é feito, o que é necessário e tudo o mais?

- Sei. Você acha impossível pela dificuldade do feitiço, e pelos ingredientes raros?

- Não só isso, meu Lord. Também toda a natureza do feitiço, as qualidades exigidas, o fato de que o próprio Draco não poderia ter feito...

- Poupe suas perguntas, Lucius. Estou vários passos à sua frente nesse aspecto. Eu não acredito que Draco esteja protegido por esse feitiço... eu sei. E sei exatamente quem providenciou para que isso acontecesse.

A segurança de Lucius vacilou diante dessa informação, e ele empalideceu. Voldemort gostou disso. Mais um pouco desse Lucius sagaz e ousado iria deixá-lo... desconfortável.

- É, isso mesmo. Eu a princípio desconfiei de você e Narcissa, sabe? Seria uma traição das mais imperdoáveis, mas quem mais faria algo assim por ele senão seus pais? E então eu me lembrei... De que vocês acidentalmente escolheram um traidor para padrinho do garoto.

- O quê? - ofegou Lucius - Mas... ele está morto!

- Foi o que pensei também assim que o nome dele veio à minha mente. Mas e daí? Esse feitiço em especial pode demorar anos para se manifestar. Deduzi que o traidor poderia ter feito antes de morrer, quando seu filho ainda era um bebê. E antes que você me pergunte como eu poderia ter certeza então... – acrescentou ele, ao ver que Lucius já abria a boca para mais uma pergunta – Bem, você talvez não tenha ouvido falar que o pobre desprezível elfo doméstico Kreacher está morto. - ele finalizou, com um sorrisinho frio.

Voldemort não achou necessário acrescentar que o desgraçado morrera antes de fornecer todas as informações de que ele precisava. Essa pequena complicação poderia fazê-lo parecer fraco e incompetente, incapaz de extrair o que quer que fosse de um elfo doméstico nojento.

- Então... Kreacher contou para o senhor que Regulus... fez o feitiço da Alma Guerreira... para proteger Draco?

- Mas Lucius, você estava tão sagaz até agora há pouco... Me admira que esteja parecendo tão confuso agora.

- Meu Lord... Esse feitiço precisa de três litros de sangue de pessoas que se afeiçoem ao protegido! E o protegido, para manifestar os poderes da alma guerreira, precisa... bem... ter a alma guerreira. É onde entram as tais baboseiras sentimentais que o senhor falou. Draco nunca...

- Nunca? Você tem certeza disso? - perguntou Voldemort, com um olhar intenso – Talvez você realmente tenha ficado distante por tempo demais. Você não conhece mais seu próprio filho.

- Era apenas uma questão de tempo até que Draco se juntasse a nós. Eu estava imaginando que quando ele fosse maior de idade...

- Pois você obviamente imaginou errado. Draco Malfoy agora é protegido por um dos feitiços mais grifinórios de que eu já ouvi falar. E, por causa disso, é o novo queridinho de Dumbledore.

- Mas o que faz o senhor pensar que ele está manifestando os poderes?? - perguntou Lucius, desesperado, vendo que seus argumentos estavam se esgotando.

- Ah... Eu esqueço que você acabou de chegar de uma temporada longa em Azkaban. Não deve ter tido tempo de conversar decentemente com sua esposa ainda.

- Narcissa? Mas o que ela...

- Foi ela quem me contou dos poderes. Se o conforta, ela não parecia ter a mínima ideia do que estava falando. Mas Lord Voldemort sabe.... Ele sempre sabe.

Lucius teve um tremor automático ao ouvir o nome do mestre.

- O que... o que ela contou para o senhor? - perguntou em uma voz baixa e assustada.

- O suficiente. Contado a ela pelo próprio Dumbledore. Seu filho aparentemente vem se tornando mais parecido com Harry Potter a cada dia. Abnegação, coragem, nobreza de caráter... - ele praticamente cuspiu essas palavras, com desprezo – Tudo isso combinado com o feitiço do traidor estão tornando Draco extremamente poderoso. Mas está tudo bem. Antes mesmo que ele se dê conta disso, vou garantir que ele não seja mais um problema.

Lucius tentou controlar seu desespero ao ouvir isso. Não passara despercebido para ele que Voldemort o tratara com um respeito muito maior quando ele demonstrara astúcia e até o desafiara um pouco. Duvidava que simplesmente implorar pela vida do filho fosse dar algum resultado agora. Ele precisava, de alguma forma, convencer o Lord a mudar de ideia, dissuadi-lo inteligentemente da ideia de matar Draco. Mas como? Diminuir a importância do feitiço e dos novos poderes do filho não parecia uma boa estratégia. Ele mesmo não tinha certeza do que pensar sobre isso.

Tentou trazer à mente o que conhecia do filho. Seria tão pouco assim? Lucius não conseguia imaginar Draco como um clone de Harry Potter, um heroizinho patético se protegendo debaixo das vestes de Dumbledore. Não, isso nunca! Um dos grandes problemas que ele estava tendo com Draco antes de ir para Azkaban era o surto de independência que parecia estar tomando conta do garoto, e que ele esperava que fosse apenas uma crise adolescente. Isso somado a um fato que ele tinha certeza que não mudara, que era o ódio do filho por Harry Potter, dava a Lucius a certeza de que Draco nunca se rebaixaria a ser um imitador barato, especialmente dele.

Lucius tentou fazer a conexão entre o que o Lord lhe revelara agora e o que ele soubera antes. O acidente na partida de quadribol... o incidente com a garota e o colar amaldiçoado... Ora, da forma como Snape contara, as ações do filho pareciam muito mais as de uma pessoa acuada do que de alguém que se supunha um herói! Em ambas as situações, Draco parecia estar salvando a própria pele mais do que qualquer coisa! E acidentalmente talvez tenha salvado mais algumas pessoas.

Era isso! Draco acabara fazendo alguns favores sem querer, o que fizera com que o feitiço se manifestasse nele... E todos passaram a fazer uma enorme tempestade por causa disso! Tanto Dumbledore, já achando que ganhara mais um aliado, quanto o Lord das Trevas, achando que ganhara um inimigo! Mas tudo não passava de uma sequência de coincidências...

Ele se animou repentinamente. Isso combinava com o que havia pesquisado sobre o combate ao Anima Bellator há muitos anos. Praticamente todos os peritos em Artes das Trevas diziam que não havia forma de anular ou inutilizar o feitiço, exceto com a morte do portador, o que poderia se tornar uma tarefa extremamente complicada. Mas havia um livro que sugeria uma solução, baseada na subjetividade que algumas das qualidades da alma guerreira poderiam ganhar com base na capacidade de manipulação do indivíduo. Se parecesse, de alguma forma, que o protegido estava batalhando por um bem maior...

Voldemort, que esperava mais desespero vindo de Lucius, e não o longo silêncio que se seguiu, começava a perder a paciência:

- Devo presumir que você não se importa, então? E entende o que eu decidi fazer?

- Meu Lord... - começou Lucius, cauteloso – Talvez haja uma forma de usarmos isso a nosso favor.

- Lucius, eu entendo seu desespero. - disse Voldemort, em tom de falsa complacência – Apesar de ter se tornado uma decepção, é o seu filho, afinal de contas. Entendo que...

- Não, o senhor não entende! No início dessa conversa, me perguntou o que eu descobri sobre o combate ao Anima Bellator com Artes das Trevas, não foi?

- E você não me respondeu e ficou me enrolando, o que me fez deduzir que não descobriu nada de útil.

- Na verdade, eu descobri, meu Lord. Foi apenas em um dos livros, mas estava lá, e com exemplos de sucesso.

- E o que era? - perguntou Voldemort, novamente impaciente.

Lucius se permitiu um breve sorriso pela primeira vez:

- Manipulação, meu senhor. A sua especialidade.

- Como assim? - Voldemort perguntou, ainda aparentando certo desprezo pelo assunto, mas não conseguindo conter um leve interesse.

- As qualidades da alma guerreira, assim como quaisquer outras características provenientes da mente humana, estão sujeitas a um certo nível de subjetividade. Assim, se Draco vier para o nosso lado, e o senhor fizer parecer que o que ele está fazendo é por um bem maior...

- … então teremos um aliado poderoso. - Voldemort completou, agora visivelmente interessado - Mas parecer pra quem? Qual é a referência que deve ser seguida?

- É aí que entra a sutileza, que também é uma de suas especialidades. Eu conheço Draco, e sei que ele é essencialmente individualista. Como então atitudes dele foram consideradas como fruto da alma guerreira? Pela natureza das consequências que geraram. Pelo que Snape me contou, ele acabou salvando algumas pessoas. Atraiu a atenção e proteção do nobre, corajoso e altruísta Dumbledore. E a raiva do senhor... que se orgulha de não ter nenhuma dessas características. Tudo isso combinado parece ter feito o feitiço se manifestar nele... Muito mais plausível do que ele ter virado um novo Harry Potter em tão pouco tempo.

- Sei. E como eu sei que isso tudo não é apenas uma invenção sua para tentar salvar seu precioso filhinho? - Voldemort perguntou, com um olhar que, em circunstâncias normais, teria feito Lucius recuar.

Mas ele não tinha essa intenção. Não com a vida de Draco em jogo e com a confiança que tinha de que poderia funcionar.

- Está tudo no livro "Decifrando as sutilezas das Artes das Trevas". Eu mesmo não dava muita coisa por ele por causa do título, mas me surpreendeu em muitos aspectos. Posso pegá-lo na biblioteca para o senhor agora mesmo.

Voldemort parecia estar considerando. Lucius aproveitou para acrescentar:

- Eu sei que fiquei longe dele por muito tempo, meu Lord, até mesmo antes de Azkaban. Mas eu lhe peço que me dê uma chance de mostrar ao senhor que ainda conheço meu filho. Deixe-me ajudá-lo a trazer Draco para o nosso lado. Em troca, o senhor pode ganhar um aliado mais forte do que imaginou ser possível a essa altura.

- Sei. E se não der certo?

- Está falando se ele não vier? Ou se vier e não se provar útil?

- Qualquer uma delas.

- Bem... Se ele vier, ainda que o feitiço não se manifeste a nosso favor, também não se manifestará contra nós. E duvido que ele seja inútil. Pelo menos mais um comensal competente o senhor terá.

- E se ele não vier...

Lucius fez uma pausa. Quando falou, tentou colocar o máximo de segurança que conseguia em sua voz:

- Então ele será um inimigo nada bem-vindo. E eu estou ciente do que o senhor faz com esse tipo específico.

E acrescentou:

- Mas ele ainda não é, meu Lord. E o senhor tratando como se fosse apenas fortalece a proteção de Dumbledore em torno do garoto. Me perdoe dizer isso, mas o senhor pode estar criando seu próprio inimigo.

- Está bem, Lucius. Você me convenceu que vale a pena tentar.

Lucius tentou esconder pelo menos uma parte do alívio que o invadiu. Queria que o Lord das Trevas se convencesse de que a ideia era realmente boa, e não o ato de um pai desesperado.

- Eu... obrigado, meu Lord. Vou me esforçar para que o senhor não se arrependa.

- Espero que sim. E uma vez que você teve a ideia, sua primeira missão em liberdade será colaborar para colocá-la em prática. Traga Draco para conversar comigo.

- Certamente, meu senhor. - ele disse, no tom neutro de quem está apenas obedecendo. - Quando?

- O mais rápido possível.

- Deseja que seja antes das férias de Natal? - perguntou Lucius. Faltava menos de uma semana para as férias, talvez fosse mais prudente esperar, mas isso pouco importava agora.

- Por que não? Estou certo de que não será problema pra você. A fuga de Azkaban mostrou que não lhe faltam as habilidades necessárias e, afinal, nós dois sabemos que você só não as utilizou antes porque estava com medo de mim. E devo avisá-lo que não vou me desgastar com essa história a ponto de suspender minhas ordens atuais em Hogwarts. Se trouxerem seu filho morto antes que você o traga vivo, por mim tanto faz.

Lucius conteve um estremecimento e percebeu que precisaria mesmo dar adeus a qualquer preocupação com prudência. Tentou parecer mais eficiente do que desesperado ao responder:

- Posso trazê-lo para o senhor ainda hoje. - e retirou-se, a própria imagem do soldado pronto para cumprir ordens.

Ele não foi imediatamente para Hogwarts. Subiu para seu quarto, onde começou a montar um plano de ação. Supostamente, era fácil. O Lord das Trevas estava certo em dizer que não lhe faltavam as habilidades para isso, e, com a noite como aliada, era tentador sair voando agora mesmo para buscar o filho.

Mas Lucius sabia que não devia se precipitar. Se era um plano que demandava sutileza, seria uma péssima ideia chegar em Hogwarts, afoito e desesperado, e tentar convencer Draco do que quer que fosse. O Lord das Trevas poderia estar só fazendo uma provocação, mas Lucius precisava concordar amargamente com uma coisa que ele tinha dito: ele estivera distante demais do filho, em todos os sentidos.

Lembrou-se do último encontro que teve com Draco. Parecia ter sido há tanto tempo... E ele teve um sobressalto ao fazer os cálculos e perceber que tinha sido mesmo. Antes do fiasco no Ministério, antes de ele saber que passaria os próximos meses em Azkaban, amedrontado e amargurado.

Agora ele era capaz de admitir que a temporada até fizera algum bem. Sem muito mais o que fazer, e tentando não enlouquecer com os dementadores, ele passava a maior parte do tempo revisando o que aprendera nos livros de Artes das Trevas, tentando formular novos planos, revendo o que tinha dado errado nos anteriores para futuramente não repetir os erros...

E sim, havia também, pela primeira vez, o medo real de perder Draco. Apesar das dores de cabeça que o menino estava dando, nunca passara pela cabeça de Lucius que o filho poderia se afastar definitivamente dele. Quando foi para Azkaban, imaginou que em algum momento Draco mandaria algum tipo de notícia, fosse por carta, ou pelo menos por intermédio da mãe. Mas nas cartas da esposa, e nas poucas visitas que pôde receber dela, ficou claro que o filho não estava minimamente interessado no destino dele, ou no que poderia vir a acontecer ao pai.

Isso pode ter sido um combustível adicional, mas ele tinha certeza que voltara de Azkaban mais preparado e astuto.

E não conseguia deixar de se arrepender da forma como lidara com o filho antes. Tanto pela solidão que Azkaban e os dementadores proporcionavam, e que fatalmente o fizeram reconsiderar algumas escolhas, quanto porque não fora inteligente. Como não percebera que quanto mais forçasse Draco a pensar como ele, a ser como ele e seguir seus passos, mais afastaria o filho? Draco herdara a independência e o atrevimento de Narcissa. E tinha 16 anos. Era óbvio que aquela era a pior estratégia possível.

Agora, ele tinha pouco tempo para reverter os próprios erros e tentar convencer o filho... Mas convencer de quê? Quando chegasse a Hogwarts, teria pouco tempo, e não tinha ideia do que dizer. Como já havia deduzido, a ausência de qualquer sinal de Draco no tempo em que estivera na prisão dava a Lucius a certeza de que o nível de boa vontade do filho com ele era de baixo a inexistente.

Depois de algum tempo matutando, ele acabou se convencendo, desanimado, de que a solução era o que ele menos queria fazer. Se não tinha tempo de convencer Draco de sua mudança, não tentaria fazer isso. Deixaria essa parte para o Lord das Trevas e toda a sua maestria. Tudo o que era necessário fazer era levar Draco até ele, para que fizesse o trabalho que Lucius não se sentia capaz de realizar no pouco tempo que tinha: convencer o garoto a se tornar Comensal. Não o idiota que Draco achava que o pai era, mas um melhor. Lucius já vira do que o Lord era capaz em termos de manipulação, persuasão e distorção da realidade. Fora testemunha do que o mestre já conseguira. E concluiu, resignado, que se ele não interferisse tentando provar alguma coisa para o filho, provavelmente a ideia teria maior chance de sucesso.

E, já que era para ser assim, ele faria o papel do idiota por mais algum tempo.

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A insônia natural de Draco estava um pouco pior naquela noite. Já fazia uma semana que o pai havia escapado de Azkaban, e ele não tivera notícias de casa ainda. O que mais teria acontecido? Teria Lucius voltado para casa ou estaria escondido em algum outro lugar? Seria coerente que a mansão estivesse sob vigilância do Ministério, mas o que esperar de um governo desajustado e incompetente, que permitira que acontecesse a segunda fuga em massa de Azkaban em menos de um ano?

Ele queria falar com Narcissa. Nos raros momentos em que sentia que precisava de um conselho, era à mãe que ele recorria (quer dizer, havia Blaise também, mas o atrevido costumava dar sua opinião sem Draco pedir), ela que sempre o conhecera melhor que todo mundo. Agora, havia Ginevra, mas por motivos óbvios, ela não era imparcial sobre esse assunto e não poderia ser consultada. Narcissa sempre entendera suas dúvidas, seus medos e seus rompantes, e o melhor, sem fazer muito alarde sobre qualquer coisa. Era uma conselheira inteligente, observadora e discreta, com o bônus de gostar dele mais do que qualquer outra pessoa.

Mas uma voz na cabeça dele dizia que tudo podia ser diferente agora. Pois o principal motivo que o levava agora a rejeitar por completo a ideia de se juntar ao Lord das Trevas era Ginevra. E o que sua mãe diria se soubesse disso? Uma Weasley? Talvez até mesmo a capacidade de compreensão de Narcissa tivesse limites. O pai, então... Nem queria pensar na reação de Lucius se sequer desconfiasse de alguma coisa. Não tinha medo nenhum do desagrado dele, mas temia por Ginevra. E Lucius...

Um som inesperado interrompeu os pensamentos de Draco. Talvez imperceptível para a maioria, apenas algo semelhante a um ligeiro farfalhar... De quê, ele não sabia. Começou a vasculhar o ambiente, procurando a origem daquele som. Nem sabia por quê o deixara apreensivo. Podia ser apenas um animal voando lá fora. Mas parecia estranhamente próximo...

Não havia ninguém mais acordado, que Draco soubesse. Como acontecia com frequência, ele era o único ocupante do Salão Comunal, ocupado com seus pensamentos insones em frente à lareira. Ele olhou para as escadas. Deveria subir aos dormitórios para checar se o som viera de lá? E que paranoia era essa, por Slytherin? Devia só a droga de um bicho, o que mais poderia...

- Olá, filho.

Ele estava delirando. Estivera pensando no pai tempo demais e ouvira coisas. Não podia ser realmente ele, podia?

Draco se virou e encontrou o olhar de Lucius. Não compreendeu o que viu ali. Um misto de expectativa, zombaria e... algo que não combinava. Seria apreensão?

Mas antes que pudesse dizer alguma coisa ou mesmo organizar seus pensamentos, Lucius ergueu a varinha.

E ele não viu mais nada.


Notas Finais


Eita! O que acharam dessa versão de Lucius? Estava doida pra ele entrar na história, e posso dizer que veio pra ficar! E qual será o resultado desse encontro entre Draco e Voldemort?
Deem seus palpites! Comentem!!
Até o próximo!
Bjos da Bella


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