História Reação em cadeia (DG - Draco e Ginny) - Capítulo 24


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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Blásio Zabini, Draco Malfoy, Gina Weasley, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Narcissa Black Malfoy, Pansy Parkinson, Regulus Black, Ronald Weasley, Severo Snape
Visualizações 51
Palavras 9.654
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Magia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!
Bjos da Bella

Capítulo 24 - Encaixes


- Um ataque cardíaco. - repetiu Voldemort, com uma expressão indecifrável, após ouvir o relato completo de Narcissa.

Ele permaneceu em silêncio por alguns instantes, deixando Narcissa com a conhecida sensação de ter feito alguma coisa errada, embora dessa vez ela não pudesse imaginar o quê. Como, por Merlin, o homem ter um infarto poderia ser culpa dela? O mundo era mesmo muito estranho. Ela mal conseguia olhar para o Lord das Trevas depois da crueldade imperdoável que ele havia feito com Draco, e ainda assim tinha que se preocupar com culpas imaginárias que ele pudesse estar atribuindo a ela.

- Você não acha estranho – continuou ele – um homem jovem e saudável como Makulis ter um ataque cardíaco?

- Claro que acho. Era a última coisa que eu poderia esperar.

- E você não acha também uma grande coincidência?

Narcissa detestava quando não entendia o que o Lord das Trevas queria dizer. Isso costumava irritá-lo, pois ele tendia a achar que as pessoas estavam se fazendo de desentendidas. O que era engraçado, visto que estava perfeitamente ciente de que sua mente andava vários passos à frente das demais, então era normal que elas às vezes não compreendessem certas coisas.

- Ele sofrer um infarto enquanto estava num hospital? - arriscou ela, mesmo sabendo que não era disso que o Lord das Trevas estava falando, só para não dar a resposta que ele mais odiava, “do que o senhor está falando, meu Lord?” - Realmente, nesse ponto podemos até dizer que ele teve muita sorte.

- Não, não é disso que eu estou falando. Até porque não acho que essa parte tenha sido coincidência. - ele ficou olhando para ela ao dizer isso, e o olhar dele era… divertido?

- Certo, senhor. Eu desisto. Realmente não sei do que o senhor está falando.

Mas nem isso pareceu irritar Voldemort, que parecia achar graça em alguma piada que só ele entendia.

- Vamos voltar ao momento imediatamente anterior à chegada de Makulis. Você estava visitando Draco pela primeira vez. Ele tinha acabado de acordar. Você estava tentando avisá-lo…

- Convencê-lo.

- Perdão? - ele disse, com uma voz cuidadosamente controlada.

Narcissa vacilou, mas quando respondeu, foi com firmeza:

- Eu estava tentando convencê-lo a vir para seu lado. Para o nosso lado. E então Makulis interrompeu nossa conversa.

- Nós já vamos voltar nesse ponto. Não me interrompa.

A voz dele agora estava fria e cortante.

- Me perdoe.

Voldemort ignorou.

- Draco não está nem um pouco feliz comigo, naturalmente. Não é preciso ser brilhante pra deduzir que essa insatisfação possa se estender também aos meus associados. E então chega um deles, que ele sequer conhece, interrompe o primeiro encontro dele com sua mãe e a leva embora abruptamente. Expondo-a, inclusive, a uma situação embaraçosa, por ter que inventar uma explicação mentirosa em segundos para a súbita partida, pois nem isso ele foi capaz de fazer.

Narcissa não queria, mas a cada frase do Lord das Trevas a lembrança ultrajante a atingia com mais força, fazendo-a reviver toda a raiva e humilhação que havia sentido naquela tarde no hospital. Ela sentiu suas faces esquentarem e o coração acelerar, e colocou as mãos dentro das vestes para esconder os punhos firmemente cerrados. Nada disso, naturalmente, passou despercebido para Voldemort.

- É exatamente disso que estou falando, Narcissa. Olhe o que a mera lembrança desse episódio fez com você. Uma mulher adulta, madura, que certamente sabe se controlar devidamente. Agora… imagine o efeito, não da lembrança, mas do acontecimento real, na mente de um garoto de 16 anos, com um gênio explosivo, e perturbado pelo trauma do que acontecera a ele há menos de uma semana.

Agora a raiva dava lugar à incredulidade. Não era possível que o Lord das Trevas estivesse dizendo o que ela estava pensando, era?

- Pense, Narcissa. Um homem jovem, saudável. Praticante de quadribol, até onde sei. Sofrer um infarto imediatamente após enfurecer um jovem que quebrou candelabros de ferro com o pensamento só porque sofreu provocações pueris.

- O senhor… está acusando Draco de provocar um ataque cardíaco em Alexander Makulis?

- Acusando? - o tom dele continuava curiosamente divertido – Ah não, eu não estou acusando. Veja bem, acusar pressupõe duas coisas: carga negativa e incerteza. E nenhuma das duas se aplica nesse caso.

Narcissa ficou séria de repente. Não tinha certeza do motivo pelo qual o Lord estava dizendo um absurdo como aquele, mas não sabia o que podia se atrever a responder.

- O senhor está me testando. - foi o que teve coragem de dizer.

- Por que acha isso? - perguntou ele, a expressão agora indecifrável novamente.

- Não posso acreditar que o senhor realmente ache possível o Draco ter sido responsável pelo infarto do Makulis. Então só posso supor que é algum tipo de teste, para ver minha reação, minha lealdade, ou…

- Nada disso. Você está delirando. E eu não acho possível. Como eu te disse, incerteza não se aplica aqui.

Então o coração de Narcissa voltou a acelerar. O fato de que considerava impossível seu filho de 16 anos, debilitado e sem varinha, ter provocado um ataque cardíaco em quem quer que fosse era irrelevante se Voldemort acreditasse nisso. Se ele achasse que Draco era responsável por um ataque deliberado a um de seus maiores financiadores...

- Acalme-se, sim, Narcissa? - disse Voldemort, um certo tédio agora misturado ao divertimento – Você não está prestando atenção no que eu digo: incerteza e carga negativa, lembra? Repare que eu não demonstrei em momento algum estar chateado com o episódio. Surpreso, sim, a princípio. Mas não está em meus planos iniciais punir Draco pelo ocorrido.

- Me perdoe, senhor. Não é minha intenção questionar suas deduções, mas eu conheço meu filho. Não estou nem falando das tais habilidades recém-adquiridas, cuja natureza desconheço e não acredito que o senhor irá me dar mais detalhes a respeito. Estou falando sobre a personalidade dele. Uma coisa é quebrar candelabros de ferro. Outra, bem diferente, é provocar um ataque cardíaco em um homem. Draco não é um assassino.

- E Makulis não está morto. Pelo que você me contou, está bem vivo, e irá se recuperar. Não, ele precisaria aperfeiçoar esse feitiço para o infarto ser fulminante… - Voldemort disse essa última frase mais para si mesmo, os olhos brilhando de expectativa. Depois virou-se novamente para ela: – Você vê? Não é meu desejo transformar seu filho em um inimigo. Pelo contrário. Os talentos dele me interessam muito. Mas ele precisa colaborar. Makulis é um financiador, sim, mas está vivo, e mesmo se tivesse morrido, alguém da família dele assumiria suas transações sem que essa situação causasse grandes aborrecimentos. Agora, se Draco insistir em continuar me desafiando e tornar a investir contra algum de meus homens, causando danos maiores…

- Era justamente nisso que eu estava trabalhando antes de Makulis chegar. - dessa vez Narcissa sabia que Voldemort não se importaria com a interrupção. A última fala dele tinha sido uma clara deixa para que ela se manifestasse.

- Certo. Eu disse que voltaríamos a esse ponto. Sua conversa com Draco. Quando Makulis chegou, você estava dizendo a ele que vocês não tinham tempo.

- Senhor, se Draco não sabia que era um alvo, depois daquela noite, certamente ele não tem mais dúvidas disso. Portanto, quanto às opções dele serem se juntar ao senhor ou se transformar em seu inimigo, convenhamos, até aí nenhuma novidade. Aliás, sendo Lucius quem é, acredito que essas sempre foram as opções. Só que agora o tempo ficou mais escasso, primeiro porque ele não é mais uma criança, segundo porque a guerra já é uma realidade e terceiro porque ele começou a desenvolver essas … habilidades que despertaram seu interesse. Era disso que eu estava falando.

- Até aí, nada que eu não pudesse deduzir sozinho. Meu estranhamento é que esse discurso é tudo o que você e Lucius têm tentado me convencer a todo custo a não fazer. Você estava pressionando Draco: ou ele vem, ou se transforma em inimigo de mortal de Lord Voldemort . Cá entre nós, eu não tenho problema nenhum com essa estratégia. Estou mais do que acostumado a conseguir o que quero através do medo, sempre me foi muito útil. Mas vocês disseram não, meu Lord, assim não, por favor. E eu cedi, principalmente por acreditar que fazendo da forma de vocês poderia tirar o melhor das habilidades dele. E eu sempre quero o melhor. Mas agora vejo você fazendo exatamente o oposto… o que me faz pensar se está me contando tudo sobre essa conversa.

- Não é como se eu tivesse tido muito tempo para conversar com meu filho. - disse Narcissa, friamente.

- Quanta mágoa, Narcissa. - disse Voldemort – O ataque cardíaco que Draco provocou em Makulis não arrefeceu um pouco o seu rancor?

Narcissa sabia que ainda precisaria processar a ideia de que Draco tinha feito o que o Lord das Trevas afirmava e tudo o que aquilo significava. Inclusive, passado o choque inicial, o pensamento que começava a invadi-la era que, com a raiva que havia sentido, ela poderia ter feito o mesmo se tivesse a chance e as habilidades necessárias. De certa forma, ao não pedir socorro quando viu os primeiros sintomas do infarto bem na frente dela, embora na hora não soubesse disso, era como se estivesse colaborando com o filho na tentativa de homicídio de Alexander Makulis.

- Além de lavar sua alma humilhada, me pergunto se não teria sido extremamente conveniente pra você? - continuou Voldemort, uma perigosa acidez misturada agora à ironia – Afinal, a tarefa de Makulis não era apenas te dar uma carona. Ele deveria me reportar exatamente o que ouviu lá, e as impressões que teve. Será que ele não teria uma coisinha ou duas a mais para me contar?

Mas Narcissa não se abalou e respondeu, com um pequeno muxoxo de impaciência:

- Me perdoe dizer isso, mas o senhor pode ser bem melhor servido do que isso. Makulis não seria capaz de reconhecer o momento certo para se calar ou se manifestar nem se estivesse brilhando em Lumus Maxima na frente dele. Ele é um homem rude e deselegante, que tenta encobrir sua natureza grosseira com vinhos caros, voz baixa e viagens exóticas. Fico surpresa que seja puro-sangue.

Se tinha uma coisa que divertia Voldemort, era escutar esse tipo de crítica ácida. Mas como não era nenhum tolo, não ia deixar Narcissa usar isso como tática para distrai-lo:

- Está anotado. Agora me conte mais sobre a sua conversa com o Draco.

- Eu vi a dúvida começando a aparecer nos olhos do meu filho, senhor, acredite em mim. Vi a teimosia ferrenha dele começar a vacilar quando eu disse a ele que Lucius tinha um plano.

- O quanto você disse a ele sobre isso?

- Apenas o suficiente para que ele começasse a entender que o pai mudou em Azkaban. Que Lucius entendeu que pressioná-lo tinha sido a pior ideia possível, e agora ele não pretendia mais interferir. Eu disse a Draco que o pai só agiu daquela forma, provocando, criticando, porque era assim que ele agiria há um ano, quando eles viviam às turras, e tentar convencê-lo de qualquer mudança nesse momento só iria atrapalhar. Levaria um tempo que nós não temos. Foi essa minha última frase antes de Makulis entrar daquela forma ostensiva e inconveniente. Se ele tivesse me deixado terminar, eu poderia ter feito melhor.

- Sei. Você pretende que eu acredite que, em alguns minutos a mais de conversa, teria sido capaz de convencer aquele rapaz arrogante e atrevido, agora também certamente rancoroso pelo que fiz a ele, a se juntar a mim. Não se dê tanto crédito, Narcissa. Entenda que adolescentes são seres tolos, inconsequentes e de intelecto limitado. Nem mães são capazes de controlar esse tipo de criatura.

Narcissa ignorou as ofensas proferidas ao filho.

- Não estou dizendo que o teria convencido imediatamente. Mas garanto que consegui plantar uma dúvida. Poderia ter feito mais que isso se tivesse a chance de falar mais, especialmente sobre Lucius. Percebi que surtiu efeito quando falei sobre o tempo dele em Azkaban. Draco nunca perguntou sobre o pai, e agora eu pretendo que ele se sinta incomodado por isso. Entenda, senhor, esse é um espaço que está vazio na vida do Draco. Meu filho sempre teve tudo, como o senhor bem sabe. Mas a relação com o pai, desde que ele começou a tomar mais consciência das coisas e adquirir certa independência, foi ficando cada vez mais conturbada, atingindo o auge quando ele ficou adolescente. Ele nunca diz isso com clareza, mas sei que é uma lacuna.

- Que tédio. Eu resolvi essa lacuna de um jeito muito simples.

Ela estremeceu.

- Bem… Draco é diferente do senhor.

Voldemort deu uma gargalhada fria.

- Sei bem, Narcissa. Eu gosto de explorar as diferenças. Mas olhe só pra você! E as pessoas dizem que eu sou manipulador…

Narcissa mais uma vez não se abalou.

- Uma situação-limite pede medidas urgentes. Se eu precisar manipular meu filho para mantê-lo a salvo, farei isso sem qualquer remorso.

Essa fala pareceu satisfazer Voldemort. Ele deu um daqueles sorrisos viperinos que não chegavam aos seus olhos.

- Certo. Vou lhe dar algum crédito. Você acaba de ganhar o famigerado tempo aqui para o Draco.

O coração dela tornou a acelerar, dessa vez com esperança.

- Quanto… quanto tempo?

- Não sei. Quanto a minha paciência permitir. - respondeu ele, displicente. - Vou dizer para o meu contato em Hogwarts esperar um pouco. Você vê, é mais um exemplo do que eu te falei sobre adolescentes. Sempre ansiosos, inconsequentes e tolos. Vou tentar fazer a criança se acalmar de sua ânsia em trazer a cabeça do seu filho pra mim.

Narcissa se controlou para não esboçar reação. Era agora a máscara da eficiência. Ganhara tempo. Focaria nisso.

- Enquanto isso, vamos ver os efeitos do que você começou no hospital. Eu também tenho uma tática ou duas que podem ajudar. E quando ele estiver devidamente fisgado… ele volta aqui. Naturalmente, Dumbledore terá tomado medidas extras de proteção para garantir que Lucius não volte lá como coruja, e, obviamente, não quero ser incomodado com esses detalhes. Isso é problema de vocês. Porém, uma vez que ele esteja novamente aqui… se tudo sair como eu planejo, não vai precisar acontecer nada parecido com aquela noite tão traumatizante pra você. Ele será meu em poucos minutos de conversa. - finalizou ele, o sorriso sem alegria se alargando.

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Narcissa não conseguia dormir. Havia mil motivos para isso, mas um em especial agravava sua insônia. Por mais que tentasse se concentrar no fato de que ganhara tempo para salvar o filho, havia algo no plano do Lord que a incomodava profundamente. Ela nunca se opusera à decisão de Lucius de se juntar aos Comensais da Morte quando jovem, assim como a nenhuma das escolhas que o marido fizera em momentos posteriores. Quando ele “voltara para o lado do Ministério” fingindo estar dominado pela maldição Imperius, pareceu extremamente lógico para ela. Jamais passaria pela sua cabeça a ideia dele permanecer encarcerado por anos em Azkaban por lealdade a um mestre supostamente morto como fizera a desequilibrada da sua irmã Bellatrix. Na verdade, ela nunca o perdoaria se ele tivesse feito isso. Afinal, como ela e Draco viveriam?

Então, era perfeitamente natural que ela também não se opusesse à ideia de ver o filho seguir o mesmo caminho do pai. Claro, havia uma questão a ser considerada: era seu filho, afinal, não seu marido, e tinha apenas 16 anos. Isso fazia toda a diferença. Ainda assim, com a expansão crescente do poderio do Lord das Trevas e a ameaça que pairava sobre Draco, parecia o caminho mais seguro.

Mas havia algo naquela risada sem alegria, naquela antecipação maldosa, que trazia a Narcissa um incômodo que ela estava tentando compreender. Ora, não era como se não conhecesse o Lord das Trevas! Não era nenhuma novidade que o que mais lhe dava prazer se relacionava a dor, crueldade e degeneração. Estava perfeitamente familiarizada com isso, não era nenhuma garota ingênua e impressionável.

Horas se passaram, e ela se viu recordando momentos das mais diversas fases da vida de Draco, memórias que não visitava havia muito tempo. Um bebê de 11 meses que mal havia começado a andar e já queria correr, e se recusava a chorar ao cair incontáveis vezes na tentativa… mas que berrava ao ser colocado no carrinho, ou mesmo no colo. Draco nunca gostara de colo. Nem mesmo do dela. No início isso a incomodava, mas depois se acostumara com essa característica que logo reconhecera como uma dentre tantas que formavam a personalidade independente do filho.

O tempo foi avançando em suas lembranças e apareceu um garotinho sorrindo satisfeito consigo mesmo porque conseguira voar sozinho numa vassoura pela primeira vez, diante do olhar orgulhoso do pai. Depois desse momento de alegria compartilhada, porém, previsivelmente Draco quis voar mais alto do que seus 5 anos permitiriam, e Lucius teve que puxá-lo de volta com um feitiço. Draco se aborrecera tanto com o pai que aquilo estragou o momento feliz. Qualquer um que visse a cena imaginaria se tratar de um menino mimado, acostumado a ter sempre tudo o que queria, e que fazia um escândalo quando sua vontade não era respeitada. Mas Narcissa sabia que não se tratava disso. O que Draco não gostava era que sua autonomia não fosse respeitada. Queria voar mais alto e não entendia qual era o problema. Claro que, aos 5 anos, uma criança não tem maturidade para ter autonomia, ao menos não da maneira como ela deseja. Para regular isso servem os pais. Mas, de qualquer forma, essa costumava ser a questão central dos desentendimentos entre Draco e os pais, especialmente entre ele e Lucius. Afora isso, ele costumava encarar a hierarquia familiar com surpreendente maturidade e sensatez.

O que a levou a lembrar-se de um terceiro episódio, que acontecera quando o filho tinha 10 anos. Os Montrose Magpies iriam jogar contra os Wimbourne Wasps em Londres, e assim que Draco soubera, correra para contar aos pais, os olhos brilhando de expectativa. Lucius, naturalmente, tratara de acionar seus contatos no Ministério e conseguir os melhores lugares para os três. Quando contou ao filho, o sorriso no rosto dele foi uma das coisas mais lindas que Narcissa já tinha visto. Na semana do jogo, Draco mal conseguia dormir, tamanha a ansiedade que sentia. Porém, faltando dois dias, veio a notícia que a deixou em pânico: o primo de Rodolphus Lestrange, Theophilus, estaria em Londres naquele fim de semana. Fazendo o quê, Narcissa não sabia. O que sabia era da reputação dele: Theophilus Lestrange era psicopata. E não, isso não era modo de dizer. Por ser cunhada de seu primo, ela sabia de algumas histórias que deixariam dementadores hipnotizados. Depois do fim da Guerra, ele havia desaparecido da Inglaterra, provavelmente buscando territórios mais favoráveis para caçar suas presas. Estava em liberdade por uma razão muito simples: não deixava rastros. Também nunca fora Comensal da Morte, isso não. Gostava de agir por conta própria. O que não o impedia de fazer alguns serviços para o Lord das Trevas quando o interessavam… ou para um primo querido.

Narcissa sabia que Rodolphus e Bellatrix jamais haviam perdoado Lucius pelo que consideravam uma traição abominável a Voldemort. Imaginava que, por ser irmã de Bellatrix e por nunca ter se envolvido diretamente na luta, provavelmente estava menos na mira, assim como Draco, que era apenas uma criança. Mas Lucius… Lucius poderia ser um alvo vivo para um homem como Theophilus, caso Rodolphus resolvesse contatá-lo. Além disso, psicopatas eram imprevisíveis. Ele poderia decidir matá-la e ao filho só por estar entediado. Assim que contou ao marido, ele percebeu a gravidade da situação. Por mais que quisesse fazer um gosto ao filho, jamais passaria por sua cabeça arriscar sua segurança e a de sua família por causa de um jogo de quadribol. Ele e Narcissa decidiram que iriam para a França, e de lá monitorariam a situação. Só voltariam à Inglaterra quando tivessem certeza que era seguro.

O problema, obviamente, era dar essa notícia a Draco. Embora estivesse convicta da decisão que haviam tomado, Narcissa estava consternada por ter que decepcionar o filho dessa forma. A alegria que vira no rosto dele quando o pai contara dos lugares que conseguira no estádio! E o pior era não poder contar a verdade. “Então, filho, vamos viajar porque tem um psicopata que pode resolver matar todos nós se ficarmos aqui” não era uma opção. Ao mesmo tempo, ela se recusava a inventar alguma história ridícula. Enquanto pensava nisso, ele apareceu. E ela disse, num ímpeto:

- Filho, infelizmente nós não vamos mais ao jogo.

Draco ficou olhando para ela, obviamente esperando que ela desmentisse. Achou que se tratava de alguma brincadeira.

- Eu estou falando sério. Nós vamos viajar.

- Mas… por quê??? - ele arregalou os olhos.

- Porque precisamos. Vamos para a França. Você vai adorar, você vai ver.

- Mas… não!! Não é justo! Eu estou esperando esse jogo há anos, eu…

- Draco, eu sei. Tudo que você vai me falar, acredite, meu filho, eu sei. Se tivesse outro jeito, eu daria. Mas não tem.

- Outro jeito pra quê?? Você nem ao menos me explica! Você simplesmente pega e fala que a gente não vai… - ele tinha lágrimas nos olhos.

Isso tirou Narcissa do sério. Ela não estava preparada para essa reação. Imaginava que Draco teria um acesso de raiva, iria gritar com ela e deixar pra chorar no quarto, orgulhoso como era. Mas ela não aguentaria vê-lo chorar. Então fez a única coisa que conseguiu:

- Porque SIM! Você entendeu?? Vamos porque sim e isso não está em discussão! Porque precisamos e você é criança demais pra entender isso!!

Um silêncio audível se seguiu a essa explosão. Draco ficou olhando para a mãe. As lágrimas que ele tinha nos olhos desceram, ele as secou, mas não vieram outras. Sua expressão abrandou.

- É importante? - perguntou numa voz baixa e séria.

Narcissa não sabia o que pensar. Sua cabeça latejava.

- É, sim, filho.

- Está certo.

Ela abriu e fechou a boca várias vezes. Queria dizer alguma coisa a ele, mas não tinha ideia do quê.

- Vai ficar tudo bem, mãe. - disse ele, tranquilizando-a, antes de subir para o quarto. Nenhum traço de raiva ou frustração pela perda do jogo estava visível mais em seu rosto, apenas uma altivez incomum para um garoto daquela idade.

Não, ao contrário do que a maioria das pessoas poderia pensar, Draco não era mimado. Ele era, sim, acostumado a ter tudo o que quisesse em termos materiais. Desfrutava de todos os luxos que o dinheiro podia proporcionar. Mas tinha um senso de responsabilidade impressionante. Era como se, desde pequeno, tivesse consciência de que o mundo seria daqueles que estivessem dispostos a fazer alguma coisa de útil enquanto estivessem nele. Tinha uma grande admiração por seu avô Abraxas, que, ainda relativamente jovem, havia multiplicado a fortuna da família Malfoy ao perceber uma mina de ouro em uma invenção aparentemente banal de um professor do interior da Irlanda. Ele assinara um contrato com o tal professor, que continha apenas uma cláusula: caso a invenção despertasse o interesse do Ministério da Magia, estaria autorizado a negociar com a instituição em nome do professor, e os lucros desta negociação específica seriam dele. Não teria participação em quaisquer outros lucros que surgissem, e ainda pagaria pelo registro da patente em nome do professor. O pobre homem mal acreditou em sua sorte. Não tinha condições de pagar pelo registro, esse homem rico estava se oferecendo para fazer isso por ele, e a única coisa que queria em troca era isso? Assinou sem pensar duas vezes. Dois meses depois, o Ministério estava negociando com o avô de Draco a exclusividade do uso da invenção. O professor ainda tentou protestar por ser o dono da patente, mas seu advogado o lembrou que aquela cláusula única do contrato se sobrepunha a isso. Assim, Abraxas Malfoy não só ganhou rios de dinheiro como uma expressiva promoção no Ministério.

Importante ressaltar que a intenção dele nunca fora “sacanear” o professor. Porque o que não faltava era gente com o cérebro do tamanho de uma ervilha pra achar que sonserinos eram todos sádicos e perversos como Voldemort. Não, o que ele acreditava era que o maior ganho viria das negociações com o Ministério, mas que haveria outros, menores porém suficientes pra acertar a vida do homem. Todos sairiam ganhando. Ele expressivamente mais, claro, mas para quem estava passando por sérias dificuldades financeiras, qualquer coisa seria lucro.

Não estava também na natureza de Abraxas Malfoy sentir remorso por coisas que não considerava culpa sua. Era um homem pragmático. E contrato era contrato. Ainda assim, ele escreveu uma carta de recomendação e enviou a alguns contatos que tinha. Foi o suficiente. Duas semanas depois o professor foi contratado para chefiar um laboratório de preparo de poções no sul da Escócia. Nunca soube que o responsável por essa contratação fora Abraxas e o odiara pelo resto da vida, e com esses dois fatos o avô de Draco não poderia se importar menos.

Era dono de uma mente complexa, inteligente e astuta, que Draco herdara. E Narcissa e Lucius, cada um à sua maneira, incentivaram no filho desde cedo esse senso de responsabilidade, essa noção de que deveria fazer algo de produtivo.

E de repente não era difícil mais entender o que a incomodava. Era essa essência, que tanto a orgulhava, que ela temia que se perdesse se o plano do Lord das Trevas desse certo. Não conhecia ninguém que não tivesse perdido algo de si ao se tornar Comensal da Morte. Ou adquirido algo ruim que não tinha. Nem mesmo Lucius. No caso de Draco, ela tinha certeza que a primeira coisa que o Lord iria querer quebrar era sua personalidade independente e atrevida. E depois, acrescentaria uma dose de maldade que o filho não possuía. Não que ele fosse um lufo estúpido. Mas, tal qual o avô, não era de sua natureza fazer maldades deliberadas. Ele era mais inteligente e complexo que isso. Se provocara um ataque cardíaco em Makulis, fora em um estado limite de raiva.

Para Voldemort, porém, isso não seria suficiente. E só de pensar nessa cópia malfeita de seu filho que o Lord pretendia construir, amedrontado, servil e cruel, ela tinha vontade de… de quê? De chorar? Parecia pouco. Ela se assustou com os pensamentos que vieram e varreu-os para longe.

Pois, de qualquer forma, que escolha ela tinha? Porque de repente lhe viera à mente uma descoberta ainda mais assustadora: Voldemort estava com medo de Draco. Sim, era medo o sentimento que estava fazendo com que ele se comportasse daquela forma. A tortura em nível desproporcional. A atenção que ela e Lucius estavam recebendo naquelas últimas semanas, maior do que já haviam recebido na vida toda. Ele realmente ouvindo os dois, inclinando-se a aceitar seus planos e a ceder a seus pedidos com relação a Draco. E o Lord das Trevas não sabia lidar com o medo. Não estava acostumado com isso. Se não conseguisse revertê-lo logo em algo que o deixasse confortável, Draco estava condenado.

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A partir do momento em que acordou, a recuperação de Draco se acelerou como se ele estivesse convalescendo de um simples resfriado. Não sentia dor nenhuma, nem seu corpo guardava qualquer memória residual do que sofrera na noite na masmorra. Seus reflexos e movimentos permaneciam os mesmos de antes, assim como a rapidez de seu raciocínio e a qualidade de seus feitiços. A dra. Scofield e sua equipe fizeram todos os testes possíveis. Ele passou em todos.

Em quatro dias, a despeito do que a prudência e as estatísticas pudessem dizer, não parecia haver nenhum motivo lógico para mantê-lo no hospital. Assim, 10 dias depois de ter sido submetido a uma das piores sessões de tortura que Voldemort já infligira a alguém (embora não soubesse disso), Draco estava ao lado de Dumbledore, a caminho de passar a noite de ano novo em Hogwarts. Ele mal acreditava em sua sorte.

Apesar de ter certeza de que poderia aparatar sozinho, sabia que o diretor jamais permitiria. Não sem que antes passasse no teste, que só poderia realizar quando completasse 17 anos (ainda faltavam 5 meses). Assim, fariam aparatação acompanhada. E ele segurou o braço de Dumbledore com tanta naturalidade que não pode evitar pensar, antes de ver a fachada de St. Mungus desaparecer num borrão, no tamanho da guinada que sua vida havia sofrido desde que Voldemort se revelara para o mundo mágico.

Não conteve uma pequena exclamação de espanto ao perceber que aparataram diretamente no escritório do diretor. Mas mal teve tempo de registrar essa informação, e Dumbledore já estava murmurando algumas palavras em voz baixa, certamente colocando o castelo novamente sob a proteção do feitiço anti-aparatação.

- Foi um trabalho hercúleo convencer a Dra. Scofield e sua equipe a liberar você. - disse Dumbledore, sorrindo.

Draco rolou os olhos com impaciência.

- Não sei o que eles poderiam mais inventar de teste pra mim. Me senti uma cobaia.

- Sabe, arrisco dizer que você se aproximou da verdade.

Draco ergueu uma sobrancelha para ele, sem entender.

- Veja, eles não queriam manter você lá por duvidar da sua recuperação. Queriam entender como você se recuperou tão rápido.

- E achavam que se eu ficasse morando lá eles teriam respostas?

- Cientistas são assim, Draco. Quando se deparam com um enigma como esse, sem solução, não descansam. E eles não tinham qualquer pista, a não ser… você. A poção que eu te dei antes de você chegar lá não é nenhum elixir milagroso, é uma essência que eles estão acostumados a usar há muito tempo.

- Então acharam que era uma ótima ideia me manter lá indefinidamente, para assim descobrirem a razão dos meus superpoderes de recuperação e poderem construir a droga de uma pedra filosofal qualquer de cura?

Para surpresa de Draco, Dumbledore riu.

- Eu acho que era mais ou menos por aí, sim. Mas o que importa é que você está aqui agora, não é? Já basta passar o Natal no hospital, o Ano Novo também já seria demais.

Draco deu um meio sorriso. Não dava realmente a mínima para o Natal, parara de se importar desde que saíra da infância. Na verdade, nem para o Ano Novo, mas agora ao menos havia um motivo relevante para a noite valer a pena.

- Nem todo mundo, porém, terá essa sorte. - continuou Dumbledore, mais sério – Você certamente soube de um homem que teve um ataque cardíaco no mesmo dia em que eu levei Ginny para te visitar? Um dos… colaboradores de Lord Voldemort, se não me engano.

Draco ficou alerta de repente. Tinha certeza que não era uma pergunta inocente.

- Sim, eu soube. - respondeu, a princípio tomando cuidado para manter a expressão neutra – E pra ser sincero, não posso dizer que lamento, diretor. - completou, num ímpeto. A verdade normalmente funcionava bem com Dumbledore (embora nesse caso não fosse possível contar toda a verdade).

- É mesmo? Você chegou a conhecê-lo, então?

- Tive esse desprazer. O homem teve a audácia de entrar no meu quarto sem ser chamado, interromper a visita da minha mãe e levá-la embora sem mais nem menos. Certamente a mando do seu Lord.

A raiva latente nas palavras do garoto, culminando num ódio profundo ao cuspir o título de Voldemort, alimentou o algo naquela história que incomodava Dumbledore.

- Me parece que sua mãe presenciou o momento em que ele teve o ataque cardíaco. Então será que foi logo que eles saíram do seu quarto?

- Então deve ter sido. - respondeu Draco, a expressão novamente neutra.

- Draco - perguntou Dumbledore, repentinamente – Você tem tido problemas para controlar seu temperamento?

- O quê?

- Perguntei se você tem tido problemas para…

- Eu ouvi a pergunta. Só não entendi por que o senhor está me perguntando isso.

- Ginny me disse uma coisa quando voltávamos de St. Mungus… E não quero que se chateie com ela por isso. Primeiro, porque eu posso ser um velho muito insistente quando quero saber algo. E segundo porque ela estava preocupada com você.

- Ah, pronto.

- Eu perguntei a ela se você tinha chegado a comentar alguma coisa sobre aquela noite… do quê você se lembrava… na verdade a informação que eu estava especialmente buscando era como tudo tinha terminado daquele jeito. Entenda, eu não estava certo da natureza do interesse de Lord Voldemort em você. Não sabia exatamente o que ele pretendia ao mandar seu pai levá-lo lá. Veja bem, se ele...

- O senhor está querendo dizer que se ele quisesse me matar, eu estaria morto agora. É, eu tenho consciência disso. Ele quer que eu me junte a ele. “Não sabe a glória que o espera se ficar ao meu lado...” Sério, alguém realmente cai nisso?

- Você sabe a resposta para essa pergunta.

- Não, eu quero dizer acreditar mesmo nesse papo de glória. Uma coisa é escolher o lado dele por achar mais vantajoso, ou menos perigoso, ou qualquer outro motivo prático. Outra é comprar esse discurso barato.

- Você ficaria surpreso de ver quantos de seus Comensais têm de fato a impressão de compartilhar uma grande glória por estar ao lado dele. Voldemort é extremamente convincente quando tem a chance. Não o subestime, Draco. Ele não chegou onde chegou à toa.

Essa resposta de Dumbledore deixou Draco momentaneamente sem saber o que dizer. O diretor, então, continuou falando.

- Mas então, Lord Voldemort queria que você se juntasse a ele. Você recusou. Isso o irritou. E por isso ele o castigou com a Maldição Cruciatus. Tudo isso Ginny me disse e foi relativamente fácil de compreender. Por que então eu continuei fazendo perguntas a ela? Porque acompanho os passos de Voldemort desde que ele ainda era Tom Riddle. Arrisco dizer que sei do que ele é capaz melhor que qualquer bruxa ou bruxo vivo. E posso dizer com segurança que poucas vezes em todas essas décadas presenciei ou soube que ele fez com alguém o que o vi fazer com você aquela noite.

Draco começou a achar que aquele não seria mais um diálogo. As últimas palavras de Dumbledore pareceram deixar sua língua pesada. Sua cabeça girava. Os olhos, porém, permaneciam inexpressivos.

- O que você poderia ter feito para irritá-lo tanto? O que poderia ter acontecido? Então, eu pressionei Ginny. E ela me contou algumas coisas… interessantes. A começar por candelabros de ferro sendo espatifados.

- Ah, eu sabia.

- Mais uma vez, peço que não fique chateado com ela. Ela ficou realmente preocupada, porque depois desse primeiro episódio, houve um segundo em que você ficou nervoso e que foi o que provocou a fúria vingativa de Voldemort. Mas, por enquanto, quero me ater ao primeiro. Algo assim já tinha acontecido antes, Draco?

Não, ele não ia ficar chateado com Ginevra de jeito nenhum. Pelo menos recuperara a capacidade de falar ao confirmar que ela contara a Dumbledore sobre os candelabros.

- Eu nunca tinha quebrado nenhum candelabro de ferro com o pensamento, se é isso que o senhor está perguntando. - respondeu Draco, sabendo que não era isso que Dumbledore estava perguntando.

- Perdão, acho que não me expressei corretamente. - disse Dumbledore, educadamente – Minha pergunta foi se, recentemente, você teve alguma outra explosão de raiva com consequências semelhantes? Entenda… eu não estou perguntando de episódios tais como os que acontecem com crianças que ainda não conseguem controlar sua magia, e que são, em sua maioria, inofensivos.

- Os candelabros não machucaram ninguém. Acho que uma criança poderia ter feito sem querer.

- Não, não poderia. Mesmo a magia ainda descontrolada de uma criança obedece a certos limites. A massa de um candelabro de ferro…

- Certo, certo. Então o que eu fiz é anormal. Assim como o lance no jogo de quadribol. Não é culpa minha, diretor.

- Eu não disse em nenhum momento que foi culpa sua, Draco. A única pergunta que fiz é se aconteceu algum outro episódio semelhante recentemente. Pergunta essa que está ligada àquela que você em princípio não entendeu, mas agora certamente sim, sobre a dificuldade em controlar seu temperamento.

E certamente também, Draco compreendeu com um sobressalto, à pergunta que ele fizera antes dessa, sobre o ataque cardíaco de Alexander Makulis. Ele avaliou suas possibilidades. Ainda estava com raiva, embora não conseguisse distinguir com precisão a quê ou a quem estava direcionada. Essa raiva, que estava deixando-o um pouco irracional, o fazia ter vontade de jogar às claras com Dumbledore, e pedir ao diretor que fizesse logo com todas as letras a pergunta que estava querendo fazer. À qual ele quase certamente responderia com a verdade, e não sabia se estava disposto a lidar com as consequências. Provavelmente não estava.

Não, ele precisava de outra estratégia. Detestava falar de seus sentimentos pra quem quer que fosse (exceto, às vezes, sua mãe e Ginevra), mas problemas urgentes pediam medidas urgentes. Mais uma vez, não seria uma inverdade, e ele esperava que funcionasse. Respirou fundo e fechou os olhos demoradamente, num gesto um pouco teatral demais.

- A verdade, diretor, é que eu estava com raiva. E nem era de Voldemort. Eu estava com raiva desde o momento em que acordei e comecei a me lembrar de como eu tinha ido parar lá. Eu estava com raiva porque assim que eu olhei pra cara do meu pai quando ele apareceu aqui em Hogwarts, eu soube… E quando, na minha raiva, os candelabros começaram a quebrar e ele começou a me provocar, eu obtive a comprovação. Ele estava furioso. O senhor sabe, eu conheço meu pai. Um dos primeiros sinais de que ele está furioso é quando ele começa a ser irônico. Característica que, aliás, eu herdei. Nós costumávamos ficar nesse joguinho por vários minutos até um de nós perder a paciência. Enfim, a questão é que em poucos minutos de interação com ele eu percebi que… que nada tinha mudado desde a última vez que eu o tinha visto.

- E por isso você ficou com raiva. - disse Dumbledore, achando que começava a compreender.

- Não! Aí é que está, o motivo principal da minha raiva não era esse! A reação dele era completamente previsível, afinal, se ele já não estava contente comigo antes de ir pra Azkaban, era natural que estivesse menos ainda depois de passar quase um ano lá. Eu não fiz nada do que ele queria nesse tempo. E não mandei sequer um bilhete pra ele. Era tão óbvio que ele se comportaria dessa forma que…

Draco fez uma pausa porque o relato começou a ficar mais verdadeiro do que ele pretendia. Sentiu que a raiva aumentava para mascarar outros sentimentos que não entendia tão bem e que ameaçavam aflorar ao proferir aquelas palavras. Percebeu, horrorizado, uma queimação subindo por seu rosto que certamente se transformaria em lágrimas se ele não se controlasse. Agora seria uma boa hora para Dumbledore dizer alguma coisa, mas o diretor escolheu justamente esse momento para ficar calado. Se não estivesse tão preocupado em ocultar seus sentimentos, Draco se congratularia pelo sucesso em fisgar o diretor.

- Eu fiquei com raiva de mim por ter ficado decepcionado com isso. - ele completou numa voz baixa e cansada, depois de respirar fundo mais uma vez. - Eu não sei exatamente o que eu estava esperando. Nada parecido com uma cena afetiva, isso nunca. Acho que… a questão é que eu mudei tanto de junho pra cá que fiquei decepcionado que ele parecesse tão igual. É nisso que dá essa mania de medir o mundo pela nossa régua. - concluiu com um sorriso meio triste, que não chegava aos olhos.

- Medir o mundo pela nossa régua... Escolha muito interessante de palavras essa que você fez, Draco. É precisamente o que nós fazemos, e é daí que parte a nossa constante dificuldade em compreender o outro. Você não deveria ter raiva de si mesmo por fazer algo tão inerente a qualquer ser humano.

- Mas eu fiquei. Eu deveria saber que era estupidez esperar alguma coisa do meu pai. - disse Draco, sentindo que voltava àquele limbo entre encenação e realidade. As palavras de sua mãe não haviam saído de sua cabeça. - Entenda, diretor, eu não tenho problemas pra controlar meu temperamento. Nunca tive. Minhas reações naquela noite foram fruto dessa raiva que eu mesmo só entendi depois, no hospital, quando o que não me faltou foi tempo livre pra pensar. Eu nunca diria uma coisa daquelas pro Voldemort no meu estado normal. Eu estava sozinho, desarmado e, bem, ele é o Voldemort. Eu não sou burro. E também nunca saí quebrando coisas por aí. Nem mesmo quando eu era criança.

Se a rara exposição de sentimentos de Draco conseguiu fazer com que Dumbledore se esquecesse momentaneamente do episódio com Alexander Makulis, ou se o diretor resolveu simplesmente postergar a ocasião em que o mencionaria novamente, o sonserino não sabia, mas decidiu que se preocuparia com isso quando ou se fosse necessário. Já sentia uma desagradável dor de cabeça se aproximando, e não queria dar motivos para que ela começasse a galopar.

Passou o resto da tarde no quarto, descansando, abençoando sua sorte por ser deixado o tempo todo sozinho. Nem ao menos Blaise apareceu, pelo que ele se sentiu extremamente grato. Não se sentia com energia para contar ao amigo tudo que tinha acontecido.

A única coisa que realmente queria era ver Ginevra, mas por alguma razão que não sabia explicar, resolveu esperar até a noite. Não tinha ideia se ela sabia que ele estava de volta, mas estava certo de que, uma vez que ela o visse no jantar, daria um jeito de encontrá-lo depois.

Também não entendeu o por quê de, depois de sair de um demorado banho com todos os sais a que tinha direito no banheiro dos monitores, resolver vestir a camisa de linho azul-marinho que sua mãe havia lhe dado no último aniversário e que ele estava guardando para usar em uma ocasião que valesse a pena. Estava se comportando como um idiota, isso sim. Era só a droga de um jantar de ano novo, pra quê tanto drama? Mas como se usar a camisa nova não fosse suficiente, ele quis fazer algo diferente com o cabelo. Ajeitou-o para trás, de forma a não cair nos olhos, mas deixando algum movimento, como que sugerindo um leve despojamento. Era a primeira vez que ele fazia isso. Sempre alternava entre parti-lo de lado ou penteá-lo completamente para trás, sem um fio fora do lugar. Quase desejou que o castelo não fosse magicamente aquecido para poder acrescentar alguns acessórios de inverno. Ele sabia que Ginevra gostava… Pelas trevas, Draco Malfoy, dá pra ser um pouco menos ridículo e deixar de se comportar como se fosse o seu primeiro encontro com ela?

Mas então, ou essa mesma coisa sem nome havia se apoderado dela para fazê-la se embelezar mais que o normal, ou ele realmente não estava distinguindo as coisas direito. Porque achou-a tão linda que seu coração disparou ridiculamente quando a viu. Não sabia nem explicar o que exatamente havia de diferente. Simplesmente não conseguia tirar os olhos dela, e imaginou, vagamente, Potter ou o imbecil do irmão dela se levantando da mesa da Grifinória para dar um soco nele.

Não saberia dizer também quanto tempo demorou para perceber que alguém estava falando com ele. Na verdade, não percebeu. Blaise precisou sacudi-lo para conseguir a atenção dele e fazê-lo sair da escada.

- Draco! Draco, você está bem?

Ele percebeu que Blaise não sabia se sorria por vê-lo de volta ou se preocupava por causa de seu aparente estado catatônico na escada do Salão Principal. Sorriu para o amigo para tranquilizá-lo.

- Estou vivo. Não foi dessa vez.

O rosto de Blaise se desanuviou um pouco.

- Já que está vivo, que acha de sair do caminho e ir pra mesa? Quase pisaram em você parado aí.

- É, Draco. Ou eu vou começar a achar que tiraram você de lá um pouco cedo demais. - intrometeu-se Pansy. Em seu rosto, um misto de ironia, bom humor e boas vindas.

Draco se sentiu feliz por ver os dois. Praticamente só pensara em Ginevra desde que voltara, mas agora que estava com Blaise e Pansy, percebeu de repente que passara até a gostar um pouco da companhia da garota. E se sentiu meio ingrato com Blaise. Fez um esforço para tirar os olhos da namorada (aparentemente ela ainda não o tinha visto) e deixou-se levar até a mesa da Sonserina.

Por algum tempo, eles comeram sem falar muito. Soaria artificial qualquer tentativa de conversar sobre algum assunto que não fosse o que tinha acontecido com Draco. Mas Blaise costumava respeitar o tempo de Draco para falar sobre as coisas, e mesmo Pansy, normalmente mais atrevida, dessa vez não pareceu disposta a fazer qualquer tipo de pressão. Na verdade, depois de dar as boas vindas e se certificar que ele estava bem, ela foi se sentar em outro canto da mesa.

Ele aproveitou os instantes de paz para olhar Ginevra novamente. Ela finalmente percebera sua presença, e ele notou, satisfeito, o esforço que ela precisou fazer para não abrir um enorme sorriso. Ela corou e olhou para baixo como se os dois estivessem flertando pela primeira vez. Ele não aguentou e riu. Ela estava se comportando como ele!

E, por todo o tempo em que Blaise não o questionou, ele se permitiu fingir que estava de fato flertando com Ginevra pela primeira vez, a despeito do quão ridículo isso pudesse parecer. Lançava olhares furtivos e sorrisos tortos na direção dela, e ela vez ou outra olhava e sorria de volta, convincentemente tímida, deliciando-o. Aliás, pensou de repente, ridículo pra quem? Estava se divertindo e estava feliz, ela também. O que e quem mais importava?

- Não sentiu falta? - perguntou Blaise.

Draco olhou para ele e ia dizer que era uma pergunta meio idiota, quando viu que o amigo olhava seu prato quase intocado.

- Na verdade, senti. - respondeu, e com certa surpresa percebeu que estava sendo sincero quando olhou o pudim de carne. Por algum motivo aquilo sempre fora uma das coisas que mais gostara de comer em Hogwarts.

- Ocupado demais pra comer? - alfinetou o amigo com um sorrisinho.

- Acho que estou tentando arrumar uma briga na Grifinória. Sabe como é, meus dias andam muito tediosos.

- Sim, claro. Nada dá mais tédio que ser torturado pelo Voldemort na masmorra da própria casa.

A risada de Draco saiu inesperada até para ele. Só mesmo Blaise conseguia fazer isso.

- Que sensível, Blaise.

Mas o amigo ficara sério agora.

- Ginny me contou algumas coisas quando veio de St. Mungus. Como seu pai te tirou daqui, como você acordou e percebeu que estava na sua casa, como ele começou a te provocar, você ficou irritado, Voldemort apareceu… então ele quis te recrutar, você não só recusou como falou alguma coisa bem atrevida e ultrajante pra ele, e foi aí que tudo começou. Mas a partir daí ela não quis me dar mais detalhes. Foi você que pediu a ela pra fazer isso?

- Não. Mas espero que você não a tenha pressionado.

- Claro que não. Até parece que você não me conhece. - disse Blaise, com certa impaciência – Mas fiquei me perguntando o quão horrível é a história.

- Bem, pra ter terminado comigo chegando no hospital delirando, cheio de sangue e vômito, o que você acha? - Draco disse meio de boca cheia. Já que tinha sido privado de sua diversão da noite, podia pelo menos comer.

Blaise arregalou os olhos.

- Nossa, eu não sabia que isso podia acontecer… - disse ele, parecendo meio em choque.

- É. A medibruxa disse que são reações que o corpo produz a partir da sensação de dor que a mente transmite.

- Eu nunca tinha ouvido falar nisso.

- Nem eu. E espero nunca mais ter que ouvir falar. - disse Draco, com um olhar sombrio.

- Você tem ideia de quanto tempo teve que aguentar? - perguntou Blaise, em voz baixa.

- Não. Eu perdi a noção de tudo. Tempo, espaço, sentidos. Chegou um momento em que só sobrou a dor.

- Não entendo… Que coisa mais absurda. Eu sei que ele é conhecido por ser sádico, cruel e tudo o mais. Mas isso não faz nenhum sentido. Torturar um adolescente de 16 anos dessa forma insana porque ele foi… atrevido? Até pro Voldemort parece demais.

- Eu acho… - Draco começou lentamente – que ele estava testando.

- Como assim?

- Quanto tempo eu aguentaria. Começou como uma punição porque eu fui atrevido, mas depois… acho que ele ficou interessado porque eu resisti. E quis ver qual era o meu limite. Tipo um cientista. Só que psicopata.

Blaise ergueu as sobrancelhas.

- Sabe… faz sentido. E agora que ele viu o quanto você resistiu, provavelmente ficou ainda mais interessado.

- Provavelmente, é.

- Draco, você precisa tomar cuidado.

- Qual a novidade?

- É sério. A situação já não estava boa pra você antes disso, com todos aqueles atentados acontecendo e sempre parecendo te envolver de alguma forma. Tudo indica que vai piorar agora.

- Me diz alguma coisa que eu ainda não saiba, Blaise. - disse Draco, impaciente – Mas o que exatamente você pretende que eu faça? Me transforme no Olho-Tonto Moody e ande por aí com medo da minha própria sombra?

E antes que Blaise pudesse responder, ele emendou:

- Não, eu vou te dizer o que eu vou fazer. Eu nunca mais vou ser pego desprevenido como fui pelo meu pai naquela noite, isso eu te prometo. E nem por algum estudante imbecil que ande armando pra mim. Eu tenho sido muito descuidado. Mas não mais.

O tom de voz de Draco foi ficando cada vez mais baixo, a ponto de Blaise quase não ouvir a última frase.

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Draco ficou um pouco desapontado quando finalmente terminou de responder as perguntas de Blaise, pois voltou a olhar para a mesa da Grifinória e Ginny não estava mais lá. Será que demorara tanto assim, a ponto da namorada se cansar de esperá-lo? Ou será…

Ele sorriu com um pensamento repentino. O corredor. Talvez ela estivesse lá esperando por ele, no corredor que marcara o início da história deles e que tantas vezes fora o ponto de encontros não marcados.

Mas ao chegar lá teve uma segunda decepção. Nada de Ginevra. Uma certa irritação começou a substituir o desapontamento. Será que ela não poderia ter esperado alguns minutos para…

Seu pensamento foi subitamente interrompido por um som indistinto. Draco sacou a varinha, imediatamente alerta. Seriam passos? Ele aguçou os sentidos para tentar ouvir novamente. Poderiam ser apenas as velhas armaduras fazendo seus barulhos de sempre, mas ele tinha acabado de dizer a Blaise que não seria pego desprevenido novamente, e não seria pego desprevenido novamente.

Ficou alguns minutos em completo silêncio, tentando escutar de novo. Estava quase desistindo e voltando ao Salão Comunal da Sonserina, quando escutou novamente. Com toda a certeza, eram passos. Começou a seguir o som. Direita. Segundos de silêncio. Passos novamente. Esquerda. Mais silêncio. Esquerda. Silêncio. Até…

- Meu Deus, eu desisto.

Ele se virou, a varinha ainda em punho, espantado. Era Ginevra.

- O que, por todos os demônios, você está fazendo?

- O que eu estava tentando fazer era uma surpresa.

- Ginevra, eu poderia ter machucado você!

O tom descontraído dela se desfez e ela ficou séria.

- Draco, você… você está realmente chateado?

- Se eu estou chateado? O que você acha? Eu acabei de voltar do hospital depois de ter sido torturado pelo Voldemort, Ginevra. E isso aconteceu porque eu estava desarmado e não ofereci o mínimo de resistência para ser levado daqui. E você decidiu que era engraçado brincar de esconde-esconde comigo no meio da noite num corredor deserto!

A expressão dela foi mudando durante a explosão dele. Da seriedade para o espanto, do espanto para a resistência, e no fim, compreensão. E culpa.

- Você tem razão. Me desculpe. Foi muito estúpido da minha parte não ter pensado nisso. Eu imaginei que por eu ter sumido no jantar e a “perseguição” ter começado no nosso corredor, você teria sacado desde o início. Mas obviamente eu imaginei errado.

A expressão de Draco abrandou, mas ele ainda estava com raiva.

- E quando me viu de varinha em punho com cara de quem ia amaldiçoar o primeiro que aparecesse, você não desconfiou que tinha algo de errado?

- Bom, a gente estava meio num joguinho de flerte de primeiro encontro no jantar, não é? Eu achei que você poderia estar num joguinho de detetive agora também.

E acrescentou ao ver a cara dele:

- Maaaas, como eu disse, eu estava errada. Me desculpe. Eu devia ter percebido que era uma péssima ideia. Você tem toda razão em ficar alerta, e também em ficar chateado comigo.

Essa era uma das coisas que Draco gostava em Ginny: dava pra ver que ela estava sinceramente chateada pela situação que causara, e não fazendo algum tipo de drama barato para comovê-lo. Ele não conseguia ficar com raiva dela por muito tempo.

- Bom, posso dizer uma coisa? Você é boa nisso. Eu só ouvia os passos. Não vi você em momento nenhum. - disse ele, sorrindo de lado.

Ela sorriu de leve, claramente ainda se sentindo desconfortável:

- Bem, eu tenho seis irmãos mais velhos. Se tem uma coisa que aprendi a fazer bem é me esconder.

- Certo. Já que estraguei a surpresa mesmo, pode me dizer o que está aprontando?

O sorriso dela se alargou.

- Venha comigo.

Draco seguiu-a por mais alguns corredores, até que começou a reconhecer o caminho para a Sala Precisa.

- Ah, então era aqui que a sua pequena perseguição ia dar.

A expressão dela mudou. Draco não soube reconhecer o que era aquilo que estava vendo, mas o fez sentir-se ansioso de repente. Como se algo importante estivesse para acontecer. Enquanto Ginny andava pra lá e pra cá perto da sala, no conhecido ritual para que o lugar se transformasse no que quer que ela estivesse planejando, ele lembrou-se de repente de como se sentiu no seu primeiro dia em Hogwarts, nos momentos que antecederam a cerimônia de seleção. Mas antes que começasse a pensar que estava sendo idiota, notou que a mão dela estava fria e levemente suada quando ela pegou a dele para conduzi-lo para a sala. Ela também estava nervosa.

Quando entraram, Draco não entendeu imediatamente as intenções de Ginny. Estavam em uma cabana rústica, e não dava para dizer que o lugar era exatamente bonito. Ou feio. Olhou em volta e não levou muito tempo para assimilar tudo o que havia no ambiente, uma vez que não existia nenhuma divisão: a sala emendava com a cozinha, e não havia quartos ou banheiros. Na cozinha, uma pia com armários de madeira e algumas prateleiras contendo louças, copos e temperos. Havia também uma bancada de madeira com tampo de mármore perto da pia com algumas peças de serralheria pregadas em sua lateral, que Draco achou que funcionaram bem como decoração. Duas janelas com cortininhas verdes dispunham-se perpendicularmente à pia e à bancada. De frente para elas, uma pequena mesa quadrada também de madeira com quatro cadeiras e um sofá-cama marrom de aspecto confortável fechavam a mobília da sala. Na verdade, a parte mais interessante da cabana era o teto: em alguns pontos, havia cobertura de vidro, pela qual era possível ver as estrelas.

Foi na segunda olhada que as coisas começaram a se encaixar. O lugar era familiar. Eles já haviam estado ali antes.

- Hogsmeade. - disse ele, finalmente compreendendo.

- Não sei se consegui me lembrar de todos os detalhes com perfeição. Mas quero que seja aqui, porque foi o lugar onde mais desejei você até hoje. Só que o vento não vai quebrar nenhuma janela dessa vez para nos atrapalhar.

Com um toque da varinha, ela baixou levemente a luz da cabana, e de repente Draco não conseguia entender por que não tinha achado o lugar bonito antes. Era maravilhoso. Era o melhor lugar do mundo. Ele envolveu Ginny pela cintura com tanta vontade que ergueu-a levemente do chão, e ela, longe de achar ruim, suspirou de prazer praticamente dentro da boca dele enquanto o envolvia pelo pescoço.

Dependesse apenas do desejo que ambos sentiam naquele momento, tudo aconteceria muito rápido. Roupas estariam no chão e os dois no sofá-cama em questão de segundos. Mas Draco tinha acabado de descobrir o que estava acontecendo. Precisava saborear a expectativa mais um pouco.

- Devo acreditar – disse ele, beijando o pescoço dela em vários pontos, enquanto ainda a envolvia pela cintura – que você pensou em tudo, tudo mesmo?

- Você quer enumerar tópicos? - disse ela de olhos fechados, curtindo a sensação de ser beijada por ele.

- Vejamos… - ele agora abraçava-a por trás, colando o corpo no dela – Tem a questão da contracepção. Deixando claro que eu não estou colocando a responsabilidade em você, é só que eu não sabia que isso ia acontecer.

- É claro, amor. Fica tranquilo que das próximas você vai ser igualmente responsabilizado. - disse ela, com uma risadinha – Mas hoje está tudo por minha conta. Poção contraceptiva e feitiço imunizante. E o meu é bem poderoso. Não que eu não confie em você, mas sabe como é...

- Se sabe fazer um bom, pra que fazer um médio, não é? - ele virou-a de frente, e viu o desejo e a urgência nos olhos dela parecendo refletir os dele.

Não fez mais perguntas. A espera havia acabado.


Notas Finais


Finalmente, gente! Os dois não se aguentavam mais de vontade, hormônios à flor da pele hehe! Mas devo avisar uma coisa: não sei se todos notaram a descrição da minha fanfic, e ela contém apenas "insinuação de sexo". Então, não vai rolar exatamente cena hot por aqui. Desculpem, eu não me sinto suficientemente segura pra escrever uma assim. Mas vai ficar claro que tá rolando, ok? :)
Até o próximo!!
Bjos da Bella


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