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História Real - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá meus amores! Boa leitura.

Capítulo 2 - 2. Inesperado


POV. Betty

 

Ele está prestes a subir no ringue, seu nome já ecoa através do microfone, e a multidão vai à loucura.

– Mais uma vez, senhoras e senhores, o Arrebentador!

Ainda não estou recuperada de vê-lo tão de perto, e meu sangue já carrega todos os tipos de coisinhas estranhas, quentes e borbulhantes. No instante em que ele vem trotando pelo amplo corredor entre as arquibancadas, usando aquele roupão vermelho brilhante com capuz, minha pulsação acelera, minha barriga se aperta e fico com a vontade terrível e desesperada de fugir de volta pra minha casa.

O cara é simplesmente demais. Muito masculino. Muita masculinidade e desejo animal juntos. Ele é supersexy e todas as mulheres ao meu redor estão gritando a plenos pulmões o quanto querem lambê-lo!

Jughead sobe no ringue e vai para o seu canto. Ele puxa fora seu roupão, expondo todos os músculos flexionados, e o entrega a um jovem louro que parece ajudar o treinador careca.

– E agora, apresento... Marreta!

Marreta se junta a ele no ringue, e Jughead sorri preguiçosamente para si mesmo. Seu olhar desliza diretamente para mim e percebo que ele sabe o lugar exato onde estou sentada nesta noite. Ainda sorrindo, ele enfia um dedo no ar em direção a Marreta e depois aponta para mim como se dissesse: “Isto é para você”.

Meu estômago cai.

– Merda, ele está me matando. Por que diabos ele faz isso? Ele é tão foda sendo macho alfa que não posso suportar mais!

– Verônica, controle-se! – sussurro para ela, e então me ajeito na cadeira, porque ele está me matando também. Eu não sei o que ele quer de mim, mas estou angustiada porque nunca esperava que eu também quisesse algo muito sexual e muito pessoal dele.

Aquela embaraçosa lembrança de ficar perto dele poucos minutos atrás se espalha por mim, mas a campainha no ringue toca e me arranca do devaneio. Os lutadores parecem começar de igual para igual, e Jug finta para um lado enquanto Marreta balança estupidamente, seguindo o movimento simulado. Uma vez que o flanco de Marreta parece estar desprotegido, Jughead vem pra ele a partir da esquerda, dando jabs nas costelas.

Os dois se afastam e Jug se comporta de forma arrogante, fintando e irritando o oponente. Ele se vira para mim, aponta para Marreta, então para mim novamente antes de bater com tanta força que o sujeito bate na corda atrás dele e volta para a frente, cai de joelhos, e balança a cabeça para se levantar novamente. Os músculos do meu sexo se apertam cada vez que ele bate no adversário, e meu coração se aperta cada vez que o adversário retorna o golpe.

Durante a noite, ele passa por vários lutadores exatamente dessa forma. Toda vez que é declarado vencedor, olha para mim com aquele sorriso de satisfação, como se me quisesse fazer saber que ele é o homem dominante por aqui. Meu corpo inteiro treme ao assistir ao seu corpo se mover, e sinto-me incapaz de parar de fantasiar. Imagino seus quadris rolando em cima de mim, seu corpo no interior do meu, essas mãos enormes me tocando, carne com carne. Durante os últimos assaltos, ele traz um olhar atento sobre o rosto, e seu peito se ergue com esforço e brilha com o suor.

De repente, eu nunca quis tanto uma coisa na minha vida.

Eu quero enlouquecer. Pulando numa cama elástica. Quero saltar e correr de novo, mesmo que apenas em um sentido literal. Quero todos aqueles encontros que nunca tive, porque estava treinando para algo que nunca aconteceu. Aqueles passeios que nunca fiz por medo de quebrar um osso que eventualmente quebrou de qualquer maneira. Nunca bebendo. Mantendo as minhas notas altas para que eu pudesse fazer trilha. Jughead Jones é tudo o que eu nunca, jamais fiz, e tenho um preservativo enfiado na minha bolsa e de repente sei exatamente porque o coloquei lá. Esse cara é um lutador. Eu quero tocar esse belo peito e quero beijar aqueles lábios. Quero ter aquelas mãos em cima de mim. Quando eu sentir aquelas mãos em mim, provavelmente vou gozar no segundo em que ele enfiar lá.

Essa é a mais intensa preliminar que jamais senti, e de repente quero que isso seja mais do que um jogo. Quero que aconteça hoje.

Quando ele vence pela décima e última vez, sinto seus olhos em mim de novo, e só consigo ficar olhando pra ele, desejando que saiba o que desejo dele. Ele sorri para mim, todo suado e arrogante com os olhos verdes brilhando e as covinhas aparecendo. Agarrando a corda em cima do ringue, Jug facilmente joga seu corpo sobre ela e pousa graciosamente no corredor diante de mim.

Verônica congela ao meu lado quando o lindamente esculpido e reluzente corpo bronzeado de Jug se aproxima de nós.

Não há dúvida a respeito de para onde ele se dirige.

Segurando minha respiração até que meus pulmões pareçam que vão explodir, fico de pé com as pernas bambas, porque realmente não sei mais o que fazer. Os rugidos da multidão ecoam e as mulheres atrás de mim começam a gritar.

“– Afogue ele de beijos, mulher!”

“– Você não merece ele, sua vadia!”

“– Vai lá, garota!”

Ele pisca suas covinhas pra mim, e eu continuo à espera de suas mãos enquanto ele se inclina. Quase posso sentir a maneira como aquelas mãos pousaram em mim da última vez, grandes, estranhas e um pouco maravilhosas quando praticamente engoliram meu rosto. Já estou morrendo. Morrendo de desejo. Com imprudência. Com antecipação.

Ele inclina a cabeça escura para sussurrar em meus ouvidos, e a única coisa de seu corpo tocando o meu é sua respiração, banhando minha pele com o calor enquanto sua voz rouca troveja:

– Sente e fique quieta. Vou mandar alguém buscar você.

Ele sorri e se afasta, enquanto a multidão continua gritando, e então sobe no ringue, deixando-me de olhos arregalados depois que se vai. Foi graças a uma mulher ao meu lado toda agitada, encostando-se em mim excitada, que saí do torpor:

– Ohmeudeus, ohmeudeus, ohmeudeusdeusdeusdeus, o cotovelo dele esfregou no meu braço. O cotovelo dele esfregou no meu braço!

– O ARREBENTADOR, PESSOAL! – berrou o locutor.

Meus joelhos amolecem e caio na cadeira, sem peso, como se fosse chantilly, segurando minhas mãos pra tentar fazê-las parar de tremer. Meu cérebro está tão derretido que nem consigo pensar em nada além do ponto em que ele desceu do ringue e sussurrou perto do meu ouvido, com sua voz terrivelmente sexy, que ele estava mandando alguém para me buscar. Só lembrar disso já faz meus dedos se enrolarem. Verônica me encara sem fala, e Pandora e Kevin olham pra mim como se eu fosse um ser sagrado, que acaba de fazer um animal sagrado se ajoelhar diante de si.

– Que porra ele te falou? – diz Kevin.

– Jesus, Maria e José – diz Verônica, gritando e me abraçando. – Betty, esse cara está caído por você.

A mulher ao meu lado toca meu ombro com a mão trêmula.

– Você o conhece?

Eu balanço minha cabeça, sem nem mesmo saber o que responder. Tudo o que sei é que desde ontem até agora, não houve um segundo em que não tenha pensado nele. Tudo o que sei é que odeio e amo o jeito que ele faz com que eu me sinta, e que o jeito que ele olha pra mim me enche de desejo.

– Senhorita Cooper – diz a voz, e giro a cabeça olhando para os dois homens de preto parados entre mim e o ringue. Ambos são altos e magros, um é loiro e o outro tem cabelos castanhos encaracolados.

– Meu nome é Pete, assistente pessoal do Sr. Jones – diz o de cabelos encaracolados. – Este é Riley, o segundo do treinador. Se a senhorita nos acompanhar, por favor, o Sr. Jones quer lhe falar em seu quarto de hotel.

De início, nem consigo registrar quem é o Sr. Jones. Então a compreensão preenche meu cérebro e um relâmpago corre através de mim. Ele quer você em seu quarto de hotel. Você quer esse homem? Você quer fazer isso? Uma parte de mim já está transando com esse homem de dez maneiras até o dia seguinte, em minha mente, enquanto a outra parte não vai sair desta cadeira estúpida.

– Seus amigos podem vir com a gente – acrescenta o homem loiro com uma voz suave, e ele sinaliza para o trio atordoado.

Estou aliviada. Acho. Nossa, eu nem sei o que sinto.

– Betty, vamos lá, é Jughead Jones! – Verônica me puxa com força e me impulsiona a seguir os homens, e minha mente começa a trabalhar em velocidade máxima, porque não sei o que vou fazer quando vir Jug. Meu coração está bombeando adrenalina como um louco enquanto somos levados pra fora do clube da luta, para o hotel do outro lado da rua e, em seguida, até o elevador subindo à cobertura.

Um pico de nervosismo ondula por mim quando o elevador chega ao último andar, e eu me sinto exatamente do jeito que costumava sentir quando competia. Só imaginar o corpo desse homem penetrando o meu tem sido como andar numa montanha-russa, e de repente vejo que estou perto do clímax porque isso pode ser uma realidade. Meu estômago aperta a partir do pensamento de como pode ser emocionante a descida. Noitada amorosa, aqui vou eu...

– Por favor, me diga que você não vai transar com esse cara – diz Kevin, o rosto amassado de preocupação, enquanto as portas do elevador rolam para se abrir. – Isso não é você, Betty. Você é muito mais responsável do que isso.

Sou?

Sou mesmo?

Porque hoje eu me sinto louca. Louca de tesão e de adrenalina, e tudo por causa de duas covinhas sensuais.

– Eu só vou falar com ele – respondo a meu amigo, mas ainda não tenho certeza do que estou fazendo.

Nós seguimos os dois homens para a primeira parte da enorme suíte.

– Seus amigos podem esperar aqui – diz Riley, apontando para o balcão de granito preto gigantesco. – Por favor, sirvam-se de uma bebida.

Enquanto meus amigos se dirigem para as brilhantes garrafas de álcool, um gritinho inconfundível escapa de Verônica, e Pete faz um gesto para que eu o siga. Atravessamos a suíte e nos dirigimos para o quarto principal, e eu o avisto sentado no banco ao pé da cama. Seu cabelo está molhado, e ele segura um saco de gel na mandíbula. O visual de um macho primal cuidando de uma ferida depois de ter quebrado outros homens repetidas vezes com seus punhos é algo incrivelmente sexy para mim.

Duas mulheres asiáticas se ajoelham na cama atrás dele, cada uma delas esfregando um ombro. Uma toalha branca está enrolada em torno de seu quadril, e fios de água ainda se prendem à pele dele. Três garrafas vazias de Gatorade foram atiradas ao chão, e ele tem outra em sua mão. Ele joga o pacote de gel sobre a mesa e bebe o último Gatorade. Verde como seus olhos, o líquido escoa em um gole, então o frasco vazio é jogado de lado.

Estou hipnotizada enquanto seus músculos rasgados se apertam e relaxam sob os dedos das mulheres. Sei que a massagem é normal após o exercício intenso, mas o que eu não sei, e não consigo entender, é como vê-lo recebendo uma massagem me afeta assim.

Conheço o corpo humano. E o reverencio. Esse foi o meu templo por seis anos, quando decidi que uma nova carreira já estava na hora, quando percebi que não poderia correr novamente. E agora, meus dedos coçam ao lado do meu corpo com vontade de sondar seu corpo, pressioná-lo e soltá-lo, enfiar-me profundamente em todos os seus músculos.

– Gostou da luta? – Ele me olha com um sorriso arrogante, com os olhos brilhando, sabendo que eu adorei.

É uma coisa de amor e ódio pra mim, ver esse homem lutando. Mas eu simplesmente não posso elogiá-lo depois de ouvir quinhentas pessoas gritando o quanto ele é bom, então apenas dou de ombros.

– Você deixou tudo mais interessante.

– Só isso?

– Sim.

Ele parece irritado quando empurra os ombros abruptamente para deter as massagistas. Levanta-se e rola os ombros quadrados, então estala o pescoço para um lado, depois o outro.

– Saiam.

As duas mulheres me oferecem um sorriso e saem do quarto, e no instante em que estou sozinha com ele, minha respiração para.

A enormidade de estar aqui, em seu quarto de hotel, não se perde em mim, e fico de repente ansiosa. Suas mãos bronzeadas, de dedos longos, descansam ociosas ao lado do corpo, e um fluxo de desejo corre em mim ao imaginá-las deslizando sobre minha pele.

Meu corpo pulsa, e com um esforço ergo meus olhos para seu rosto e percebo que ele me olha em silêncio. Ele estala os dedos com uma mão, e depois faz o mesmo com a outra. Parece agitado, como se não tivesse despendido toda a sua energia batendo em meia dúzia de homens. Como se pudesse facilmente lutar mais alguns assaltos.

– O cara que está com você – diz ele, flexionando os dedos abertos ao lado do corpo como que para obter algum fluxo de sangue, seus olhos me observando. – Ele é seu namorado?

Honestamente, não sei o que eu esperava ao vir aqui, mas pode ter sido algo nas entrelinhas que me fez supor que seria levada diretamente para a cama. Estou confusa e mais do que um pouco ansiosa. O que ele quer de mim? O que eu quero dele?

– Não, ele é apenas um amigo – respondo.

Seus olhos descem para o dedo da aliança e sobem de novo.

– Sem marido?

Um estranho zumbido passa por minhas veias e vai direto pro cérebro, e acho que estou meio tonta por causa do cheiro do óleo de massagem que foi  esfregado nele.

– Não, nenhum marido.

Ele me estuda por um longo tempo, mas não parece tomado pela luxúria como eu estou, vergonhosamente, me sentindo. Ele apenas está me avaliando com um meio sorriso, e parece estar genuinamente interessado no que estou dizendo.

– Você foi estagiária em uma clínica particular de reabilitação de jovens atletas?

– Você me investigou?

– Na verdade, nós fizemos isso. – As duas vozes familiares dos homens que me trouxeram se fazem ouvir, ao reentrarem no quarto. Pete carrega uma pasta de papel pardo e a entrega a Riley.

– Senhorita Cooper – mais uma vez, Pete, com o cabelo encaracolado e olhos castanhos suaves, fala comigo. – Tenho certeza de que você está se perguntando por que está aqui, por isso vamos direto ao assunto. Estamos deixando a cidade em dois dias, e temo que não haja tempo pra fazer as coisas de forma diferente. O Sr. Jones quer contratá-la.

Fico olhando por um instante, estupefata e sinceramente confusa como o diabo.

– O que exatamente vocês acham que eu faço? – uma carranca se instala no meu rosto. – Eu não sou uma acompanhante.

Tanto Pete quanto Riley desatam a rir, mas Jughead fica assustadoramente silencioso, lentamente se acomodando no banco.

– Você de fato sabe das coisas, senhorita Cooper. Sim, eu admito, quando estamos viajando, achamos conveniente manter uma ou várias amigas especiais do Sr. Jones para, digamos assim, acomodar as suas necessidades, antes ou depois de uma luta – explica Pete, rindo.

Minha sobrancelha esquerda voa pra cima. De fato, estou perfeitamente ciente de como essas coisas funcionam com os atletas.

Eu costumava competir e saber que, seja antes ou depois das atividades esportivas, o sexo é uma maneira natural e até saudável de aliviar o stress e auxiliar no desempenho. Perdi minha virgindade nas mesmas eliminatórias olímpicas em que meu joelho foi destruído, e a perdi com um velocista que estava quase tão nervoso ao competir quanto eu. Mas a forma como esses caras falam das “necessidades” do Sr. Jones, de forma tão casual, me parece de repente tão pessoal, que meu rosto começa a queimar de vergonha.

– Um homem como Jughead tem necessidades muito particulares, como você pode imaginar, senhorita Cooper – Riley, o homem de cabelos loiros que se parece com um surfista, continua: – Mas ele tem sido muito específico sobre o fato de que não está mais interessado nas amigas que providenciamos a ele durante a viagem. Ele quer se concentrar no que é importante e, em vez dessas amigas, quer que você trabalhe para ele.

Minhas entranhas se apertam quando olho para Riley, depois para Pete e, em seguida, para Jughead, cuja mandíbula parece ainda mais quadrada do que eu me lembrava, como se fosse feita da peça de granito mais valiosa e mais linda que o mundo jamais tivesse encontrado.

Não há nenhuma forma de eu saber o que ele está pensando, mas embora não esteja mais sorrindo, seus olhos permanecem acesos de malícia.

Seu rosto está ligeiramente inchado do lado esquerdo, e meu instinto de cuidar deseja mesmo pegar o pacote de gel e colocá-lo de volta nesse lugar. Droga, em minha mente, eu já coloquei pomada sobre a cicatriz vermelha no meio de seu lábio inferior. Estou tão abalada com esses pensamentos que percebo que não posso confiar em mim mesma na presença de alguém tão poderosamente atraente quanto ele. Ainda estou acesa demais apenas por saber que estou no mesmo quarto que ele.

Pete folheia as pastas.

– Você estagiou em reabilitação esportiva para os alunos da Academia  Militar de Seattle, e vemos que você se formou há apenas duas semanas. Estamos preparados pra contratar os seus serviços que irão cobrir o período das oito cidades que ainda temos em turnê e a manutenção do condicionamento do Sr. Jones para competições futuras. Seremos muito generosos com seu salário. É algo de muito prestígio cuidar de um atleta tão popular e isso deverá causar uma boa impressão em qualquer currículo, podendo até permitir que a senhorita trabalhe por conta própria se, no futuro, decidir ir embora – diz Pete.

Vejo-me piscando várias vezes.

Estive ansiosamente me candidatando a empregos sem retorno, pelo menos até agora. A escola onde estagiei me disse que eu poderia voltar quando as aulas fossem retomadas em agosto, então pelo menos ainda tenho essa opção. Isso seria, no entanto, daqui a muitos meses, e a inquietação de ter um diploma e não fazer nada com ele está me comendo por dentro.

De repente, percebo que todos os olhos estão em mim, e estou particularmente consciente dos olhos de Jughead.

Em mim.

A ideia de trabalhar pra ele depois de já estar tendo relações sexuais com ele em minha mente deixou-me um pouco enjoada.

– Tenho que pensar sobre isso. Realmente não estou procurando algo que me leve pra longe de Seattle por muito tempo. – Olho para ele hesitante, e depois para os outros dois homens. – Agora, se isso é tudo o que vocês queriam me dizer, é melhor eu ir embora. Vou deixar o meu cartão em seu bar.

Giro o corpo para sair, mas a voz de comando de Jughead me detém.

– Responda agora – diz ele.

– Como?

Quando eu me viro de novo, ele inclina a cabeça e sustenta o meu olhar, e o brilho em seus olhos não é mais brincalhão.

– Eu lhe ofereci um emprego, e quero uma resposta.

O silêncio desce sobre o aposento. Ficamos encarando um ao outro, aquele demônio de olhos verdes e eu, e esses olhares trocados são complicados. Não consigo decidir se o olhar dele é apenas isso ou alguma coisa mais. Algo que parece uma coisa viva, respirando dentro de mim, se inflama quando encaro seus olhos, e vejo a maneira como ele me devolve o olhar com aqueles olhos dolorosamente intensos.

Tudo bem, então. Que se ferre esse desejo estúpido. Eu preciso muito mais de um trabalho...

– Eu vou trabalhar com você pelos três meses que ainda faltam da sua turnê se incluir hospedagem, alimentação, transporte e me garantir referências pra quando eu me candidatar ao meu próximo emprego, e me permitir promover o fato de que trabalhei com você para meus futuros clientes.

Como ele apenas fica me olhando, giro o corpo novamente, supondo que ele vai querer pensar sobre isso. Mas sua voz me detém outra vez.

– Tudo bem – diz ele assentindo, e minha cabeça começa a rodar em descrença.

Ele me contratou?

Eu consegui esse homem como meu primeiro emprego?

Lentamente, agarrando a toalha à cintura para evitar que se abra, Jughead se levanta e olha para seus homens.

– Mas eu quero isso no papel, que ela não vai sair até que a turnê termine.

Com os músculos salientes de uma forma que acho difícil não notar, ele enfia a toalha no lugar e começa a chegar mais perto, e novamente tem aquele jeito felino e predatório de abordar, seu sorriso confiante tornando-o duplamente perturbador. É um sorriso que me diz que ele sabe que me perturba. Cara, ele me abala mesmo... Estou observando um metro e noventa de puro músculo se movendo debaixo de uma pele brilhante de óleo e aquele abdômen definido, que parece fisicamente impossível, na verdade, mas como negá-lo quando ele está lá? Deus.

Meu coração começa a pular quando ele engole a minha mão em uma de suas mãos enormes e dobra a cabeça para olhar diretamente para mim. Ele sussurra, enquanto me prende em seu poderoso aperto, e seu toque lança um choque elétrico através de meu corpo.

– Negócio fechado, Betty.

Acho que desmaiei.

Ele dá um passo pra trás, e seu sorriso brilha em mim, carregado com mil megawatts, e então ele se vira para seus homens.

– Coloquem tudo no papel amanhã, e cuidem para que ela vá pra casa em segurança.

 

***

 

Verônica salta do bar no instante em que me vê, com os olhos arregalados de curiosidade. Acho que a peguei empurrando uma garrafa em miniatura de rum em sua bolsa.

– Já? Mas isso foi uma rapidinha? Eu pensei que o homem teria mais resistência do que isso – diz ela, extremamente aborrecida por mim.

– Gente, o cara nocauteou dez outros caras do tamanho daqueles ursos pardos, é claro que está esgotado – diz Kevin, o único dos três sem uma bebida na mão.

– Pessoal, relaxem... Eu não transei com ele – balanço minha cabeça e quase começo a rir da expressão desesperada no rosto de Ronnie. – Mas consegui um emprego durante o verão.

– O quêêêê?

Nem consigo começar a relacionar os detalhes para os meus amigos antes que os dois homens de Jughead se coloquem a meu lado:

– Pronta, senhorita Cooper?

– Betty, por favor. – Eu me sinto ridícula por ter sido chamada de “senhorita Cooper”. Meus amigos provavelmente não vão parar de me provocar com isso mais tarde. – Olhe, eu sei mesmo me cuidar. Não há necessidade de ficarem me seguindo pra todo lugar.

Riley joga a cabeça loura para trás, com o sorriso torto.

– Confie em mim, nem Pete nem eu conseguiremos dormir esta noite se não tivermos certeza de que você está em casa a salvo.

– Bem, olá então, acho que não fomos devidamente apresentados – diz Ronnie, voz suave, os olhos brilhando em cima de Riley com pupilas dilatadas e tudo o mais. Em seguida, ela passa a trabalhar encantadoramente em Pete. – E quem são vocês?

Gemendo, faço rapidamente as apresentações, e depois pego cada uma das meninas pelos braços e vou logo para os elevadores e então para o carro de Kevin, meu coração ainda pulsando com violência em meu peito.

Elas estão ansiosas para saber sobre toda a “experiência”, exceto Kevin, que está carrancudo quando sobe ao volante.

– Que entrevista do caralho foi essa? Em uma porra de quarto de hotel?

– Nem me fale... – meu orgulho feminino está ferido porque, em algum momento, eu me convenci de que o cara queria dormir comigo. E em vez disso, ele me oferece um emprego? Não é ruim, mas totalmente inesperado, devo admitir.

Acho que estou com meus sensores fora de sintonia, e ele é provavelmente o único culpado disso também.

– Eu me sinto tão importante ao ver que eles estão nos seguindo – é isso que Ronnie nos informa minutos depois, e ela já logo levanta o telefone e tira uma foto.

– O que você está fazendo? – Sim, eu perguntei a ela, mas não tenho certeza se quero saber.

– Estou tuitando sobre isso.

– Lembre-me de nunca mais sair com você de novo – lamento, mas estou tão inquieta que não suporto mais. Olhos verdes. Covinhas. Ombros de um metro de largura. Pele bronzeada lisa, brilhante. Mas nada de sexo... Definitivamente não deu para transar com ele agora.

– Qual é o lance desses caras? – Ronnie quer saber.

– Eu não sei. Riley, o loiro que você quer pegar, é o segundo do treinador, e Pete é o assistente pessoal do Jug, acho.

– Eu quero pegar os dois, na verdade. Pete é bonito, com aquele jeito de bom menino, mas ele precisa de mais carne em seus ossos. E Riley parece um cara bem alegre. Os dois são gostosos, beirando o tesão. Quantos anos você acha que eles têm? Uns trinta?

Dou de ombros.

– Jughead tem 26 anos – diz ela. – Eu acho que eles são um pouco mais velhos. Jug é definitivamente mais jovem. Como você acha que eles se conheceram?

– Você é a única a par dos boatos, então por que está perguntando pra mim? Eu não passo meus dias fuçando a vida das pessoas no Google. – Somente a dele. Merda.

– Betty, conte-nos sobre o seu novo trabalho – diz Kevin, do assento do motorista. – Você não está pensando seriamente em ir viajar com um cara com a reputação dele, está?

Levo um momento pra responder, porque ainda estou abismada por ter conseguido um emprego, mesmo que seja apenas temporário.

Sempre me disseram, desde que eu era criança, que tinha nascido para correr. Quando me arrebentei, passaram-se muitos dias – dias, não, meses – e eu me sentia como se não tivesse fazendo progresso algum. Mas a reabilitação esportiva curou-me de diversas maneiras e de um jeito que eu não conseguiria sozinha, e agora, quanto mais penso nisso, mais entendo que adoraria ajudar um homem tão agressivo como Jughead, cujo corpo brutalmente espancado com certeza precisa de carinhos e cuidados.

– Estou, Kevin. Na verdade, se tudo correr bem e os termos do contrato não forem loucos demais, já vou embora no domingo. Eu prometo a você que posso cuidar de mim mesma, pergunte ao meu professor de autodefesa. Chutei a bunda dele várias vezes. Vou viajar, o que será divertido, e posso ter a chance de me tornar uma freelancer em reabilitação esportiva se conseguir boas referências. Se isso acontecer, não vou mais precisar ficar passando por entrevistas de emprego.

– Esse cara pode derrubar um elefante, Betty. Será que você não viu? Pandora com certeza o viu.

– Cara, não havia nada pra ver, a não ser ele mesmo. Esse cara pode derrubar a porra de um trem carregado de elefantes – diz Pandora, do banco do passageiro. Ela está ocupada em sugar seu cigarro eletrônico e soprar vapor para o ar, uma vez que esta é a primeira semana que ela realmente parou com os cigarros de verdade.

– Estou me perguntando aqui o que os caras atrás de nós vão fazer se pararmos no drive-through do Jack in the Box, fizermos um pedido grande e dissermos que eles é que vão pagar – diz Verônica.

– Verônica – falo, repreendendo –, quantas dessas você tomou? – Percebo que ela tem uma pequena garrafa de vodca na mão e sou imediatamente capaz de deduzir que é a que ela roubou do bar do Jughead. Coloco a tampa de volta e enfio a garrafinha na minha bolsa. – Trabalharei com esses caras por três meses, então, por favor, comporte-se.

– Só pra ver o que eles fazem, menina, vamos lá – suplica Pandora.

Rindo, Kevin vira à direita no drive-through e começa a encomendar um pouco de tudo. Pego minha bolsa contendo o preservativo solitário e meu cartão de crédito.

– Seu bobo! – digo, jogando a camisinha em cima dele. – Vocês são muito infantis. Pare na janelinha que vou pagar e vocês vão comer tudo o que pediram!

Quando Kevin para no drive-thru seguinte, do McDonald’s, estou soltando fumaça. Faço com que esperem até pagar pelo pedido, e então saio do carro e vou até o Escalade. Entrego dois McLanche Feliz com duas tortas de maçã pela janela do motorista.

– Tome. Desculpe por isso. Eu disse que não era necessário me seguir. Parece que estou andando por aí com crianças. Mas eu vou chegar em casa em segurança. Por favor, voltem pro hotel.

– Isso não será possível – diz Pete, atrás do volante, enquanto Riley mergulha nas batatas fritas.

– Estas batatas fritas são as melhores – resmunga ele.

– Sim, obrigado, senhorita Cooper – Pete acrescenta, sua expressão genuinamente agradável quando olha para mim com ar divertido.

– Betty. Por favor. – Eu olho pros meus amigos enquanto eles estão sentados no carro com os rostos voltados em minha direção e suspiro.

– Então, vocês sempre seguem as instruções dele ao pé da letra?

– Ao pé da letra – Pete sai do carro, caminha até o Altima de Kevin, e abre a porta de trás pra mim. O interior do carro fica em silêncio até que sou enfiada dentro e finalmente estamos indo pra casa.

– Acho legal ele querer que você chegue em casa em segurança.

– Verônica, neste momento você está achando até o McDonald ’s legal, coisa que você odiou depois de assistir Supersize Me e tinha banido pra sempre. Seu hálito está cheirando a vodca e a Quarteirão com Queijo.

– Bem, Betty, se você tivesse tomado uma bebida comigo, você não seria capaz de me cheirar. Não há mais desculpas. Acabou essa do “eu tenho competição amanhã”. Você devia encher a cara e dar ao Jughead todos os bebês que ele quiser.

– Ele quer gêmeos, mas eu já disse que quero esperar até o casamento em Vegas. – Entrego pra ela um tablete de vitaminas B e C pra mascar. – Toma, chupa isso. Sei que não é o que você quer, mas vai ajudar a eliminar o álcool de seu organismo bem depressa.

– Obrigada, doutora. Vou sentir a sua falta. Mas já está mais que na hora da pequena Nora deixar de ser a única a se divertir. É uma droga o fato de sua irmã ter uma vida sexual muito melhor do que a sua quando você é muito mais bonita, Betty. Por favor, por favooooor, me prometa que vai me mandar SMS todos os dias.

Sorrindo, eu a trago pra mais perto e desejo que não estivesse tão bêbada, então eu poderia realmente conversar com ela. Não tenho ideia do que fiz, mas estou animada. Tudo o que eu sei com certeza é que não vou recuar desse acordo. Meus pais vão ficar em êxtase ao ver que estou dando um novo impulso à minha vida e numa nova direção, e ficarei também muito feliz quando conversar com eles no próximo domingo de manhã, quando a resposta à saudação deles, que é sempre “E então, alguma oferta de emprego?”, vai finalmente ser um “Sim”.

Tudo bem, isso é apenas por três meses, mas esse trabalho vai fazer maravilhas para a minha carreira. Além disso, é bom ser desejada em um sentido profissional, depois de toda a preparação.

– Pode deixar, Ronnie, todos os dias – respondo, ao ouvi-la mascando o chiclete.

– Quando ele beijar você, vai ter que mandar um SMS a cada segundo.

– Ronnie, ele me contratou como uma especialista. Não haverá beijo, é tudo profissional.

– Foda-se o profissional – ela protesta.

– Isso aí, fique no profissional, Betty – adverte Kevin. – Senão, paro o carro agora e vou ter uma conversinha com esse cara.

– Ainda bem que você disse “ter uma conversa”, Kevin, porque é tudo que um homem como você pode de fato conseguir quando enfrenta Jughead Jones – Pandora diz antes de cair na gargalhada.

Eu sorrio, porque a imagem de Kevin enfrentando Jug é mesmo engraçada. Uma imagem de Jug brilha em minha mente, e eu o vejo como estava há pouco, me encarando sem pedir desculpas, tão sexy quanto o sexo em si, e me pergunto como vai ser quando tiver que colocar minhas mãos nele.

Meu trabalho é extremamente tátil. Não há nenhuma maneira de ajudar meus clientes sem ter algum tipo de contato. Eu já reabilitei meus alunos do ensino médio, tratando de lesões como tratei de meu joelho, mas nunca toquei um homem como esse, que eu realmente desejasse. Sempre que ele treinar, vai precisar de alongamento depois, e esse é o meu campo de trabalho. Agora, meu único objetivo será garantir que Jughead Jones continue lutando como um campeão. De repente, eu mal posso esperar para estar de volta a uma equipe, mesmo estando a um lado diferente agora.



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