História Reality - Capítulo 2


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Categorias ASTRO, Weki Meki (WEME)
Personagens Elly, Eunwoo, Jinjin, Lucy, MJ, Moonbin, Rocky, Sanha, Sei
Tags Binu, Binwoo, Coração De Tinta, Eunbin, Mjin, Myungjin
Visualizações 58
Palavras 4.066
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Capítulo Um


Viver feliz para sempre parece uma vida realmente boa, todos desejariam um final assim, não que estivesse reclamando da felicidade, mas agora Dongmin tinha a noção de como isso era um pouco limitado.

Ele realmente era feliz lá, no entanto, o "mundo real", como diriam, era tão diferente e complexo que logo conseguiu se adaptar e a gostar de viver ali e agora não sabia mais dizer a qual das realidades preferia. Sua Princesa e antiga vida pareciam muito distantes agora. Mas ele precisava voltar para seu Reino, não poderia deixar as coisas daquele jeito, ele devia resolver isso por Myungjun que tanto lhe ajudou mesmo depois da perda que teve. Dongmin seria eternamente grato a seu amigo, principalmente por não odiá-lo depois que SanHa desapareceu, ainda que o Lee culpe a si mesmo às vezes, por mais que soubesse que aquele peso não era seu para carregar e sim da pessoa que leu aquele maldito livro naquele dia.

Passou grande parte de seu tempo naquele mundo tentando achar um jeito de resolver toda aquela situação. Myungjun achava que talvez algum Língua Encantada pudesse reverter os efeitos e trazer seu irmão de volta à realidade, porém o último visto, aquela mulher que leu Dongmin para fora do livro, desapareceu tão rápido quanto chegou.

Estavam esperando o ônibus, apenas os dois Kim, quando a mulher chegou. Estava de máscara e boné e seu rosto não era muito visível. E então ela começou a ler, com uma voz calma, cheia de habilidade, dando as entonações certas que eram pedidas em diferentes frases do livro. Myungjun se lembrava do vento e de como estranhou toda aquela situação. Olhou para trás ao ouvir alguém cair no chão e até hoje desejava nunca ter o feito, pois quando olhou para o lado novamente SanHa, sua o única família, havia sumido e a mulher já estava longe virando a esquina.

Imaginava que ela estivesse apenas testando o que conseguiria fazer e Dongmin pensava que aquele era um jeito muito cruel de fazer isso. Ela sabia que alguém teria que ir para o seu lugar ou não teria parado ao lado dos irmãos. O Lee estava perdido e Myungjun inconsolável, os dois demoraram um pouco para entender o que tinha acontecido e se o Kim não tivesse visto com os próprios olhos nunca acreditaria. O que lhe restou foi ajudar o desconhecido que não entendia nada daquele mundo, dando abrigo a ele e um jeito de trabalhar no restaurante de seu namorado – o único que iria crer em toda aquela história – junto com ele para que pudesse lhe ajudar – insistência do próprio Príncipe –, enquanto tentava fingir para todos que seu irmão não havia desaparecido de repente, pois ninguém acreditaria em si.

Por isso Dongmin estava em frente aquela porta. Depois de tanto procurar junto de Myungjun sobre algo que indicasse outros Língua Encantada finalmente haviam achado uma pessoa que parecia possuir o poder e agora tinha a esperança de que ele pudesse lhe ajudar. Demorou para conseguir encontrar alguém que batesse com as descrições de um, mas finalmente tinha conseguido. Há mais de um ano visitava escolas atrás de alguém que se recusasse a ler em voz alta nas aulas. Dizia que era para uma matéria de jornal sobre a leitura no país e agradecia muito por terem acreditado em si em todas as suas tentativas, achava que era uma desculpa fraca demais, mas se funcionava então continuava a usando.

Foi dessa maneira que achou Moon Bin. Todas as crianças que se recusavam a ler em voz alta nas escolas eram na maioria tímidas ou preguiçosas que no final sempre acabavam lendo cedendo à insistência dos professores. No entanto, o diretor da última escola que visitou comentou sobre um menino que se recusou a ler até o último momento em que esteve lá e que possuia o apoio dos pais quanto a isso. Algo ultrajante para o diretor, mas uma imensa notícia para Dongmin.

Não foi muito difícil depois conseguir o endereço de Bin, o diretor parecia mesmo acreditar em sua índole e emprego e quando disse que queria se encontrar com o Moon ele logo lhe passou o endereço de sua casa. Era um homem bondoso, no fim das contas, e apenas queria ajudar.

Quando a porta foi aberta à sua frente, um jovem apareceu sorrindo gentil e Dongmin reuniu coragem.

– Olá, aqui é a casa de Moon Bin? Eu preciso conversar urgentemente com ele.

– Na verdade, sou eu, sobre o que é? – Ele disse franzindo as sobrancelhas e trocando o peso de um pé para o outro se escorando na porta.

Dongmin hesitou antes de falar, esperava que ele realmente pudesse lhe ajudar. Já estava cansado de tanto procurar e se aquilo se monstrasse um engano não saberia de onde tiraria forças para continuar procurando busca.

– Preciso conversar com você sobre Língua Encantada – praticamente sussurrou a última parte, olhando para os lados e desejando que o menino ao menos entendesse sobre o que estava falando. No entanto, pela expressão de espanto em seu rosto, estava bem óbvio que havia entendido muito bem os dizeres e o Lee temeu que ele fechasse a porta em sua cara por isso.

– O que você sabe sobre isso?! Por que está aqui? Acho melhor ir embora, por favor – ele já ia fechando a porta, assustado. Ninguém deveria saber sobre seu segredo.

– Você precisa me ajudar, por favor, ao menos me ouça! Eu fui tirado de um livro! – gritou desesperado, sua última esperança estava prestes a lhe virar as costas.

O Moon parou a ação, pensando. O homem parecia desesperado e talvez ele estivesse mesmo precisando de ajuda. Havia dito que tinha saído de um livro e agora Bin estava muito curioso sobre isso. Porém, a desconfiança ainda estava ali e não sabia se deveria deixar ou não ele se explicar. Dongmin estava quase desistindo, os ombros caídos em cansaço, já haviam se passado um ano desde que chegara e tudo o que lhe restava era olhar para o menino pedindo apenas uma chance. Sorte sua que Bin tinha o coração mole demais, era uma qualidade e um defeito ao mesmo tempo. Não conseguiu resistir aos olhos pidões daquele desconhecido – nem a própria curiosidade, para ser sincero – e esperava não se arrepender da decisão de abrir mais a porta e indicar que ele deveria entrar em sua casa para que pudessem conversar.

Dongmin agradeceu bem mais aliviado, agora tinha sua chance. O garoto parecia saber o que era um Língua Encantada e talvez até mesmo possuísse o poder assim como já desconfiava, então, ao sentar-se no sofá indicado por ele, logo tratou de contar tudo o que havia acontecido consigo, Myungjun e SanHa, desde o dia que chegou àquele mundo até parar em sua porta. Contou como fez de tudo para descobrir o que havia acontecido e como procurou alguém para lhe ajudar por esses anos, assim descobrindo sobre ele ao visitar sua antiga escola. Bin ouviu tudo quieto e concentrado, não sabia o que dizer, apenas imaginava como deveria ter sido transportado de seu Reino para a realidade, tão diferente. No entanto, dentre todas as coisas inteligentes que poderia ter falado, tudo o que saiu de si ao final da narrativa do outro foi...

– Você parece mesmo um Príncipe.

E ele parecia mesmo. Era tão bonito quanto um e apenas por seus gestos e modo de falar, Bin tinha certeza que também era inteligente tanto quanto era cavalheiro. Mas ele não devia ter dito aquilo em voz alta, pois agora uma bolha de constrangimento havia se formado entre os dois. Dongmin parecia bem envergonhado, talvez nunca tivesse sido elogiado por um homem antes, ainda mais se levar em conta de onde veio. O Moon sabia que ele devia ter um Princesa o esperando e sabia que deveria parar de pensar em bobagens e se concentrar no problema que havia ali, então pigarreou e tentou voltar ao assunto principal, mal percebendo o sorrisinho agradecido do Lee com as bochecas vermelhas.

– Eu sinto muito por seu amigo, de verdade, quando soube que era um Língua Encantada estava lendo para minha irmã e não sei o que faria se ela tivesse desaparecido, mas não entendo o que posso fazer por você.

– Você pode me mandar de volta para meu conto e ler SanHa para fora – e ele falou isso com tanta certeza que fez Bin encolher os ombros sem saber como lhe explicar que não fazia ideia de como fazer aquilo. Sabia que Dongmin estava segurando forte em sua esperança e não queria ser aquele a romper esse fio.

– Me desculpe, Dongmin, me desculpe mesmo, mas... eu não posdo fazer isso... eu não sei fazer isso e mesmo se soubesse não teria como – olhava para todos os cantos, menos para os olhos que sabia estarem tristes do Príncipe.

– Por que? – Sua voz saiu falha e Bin jura que seu coração falhou junto.

– Apenas usei esse poder uma vez na vida e foi por engano, não sei como funciona direito e nem o que posso ou não fazer com ele, muito menos se seria capaz de lhe enviar de volta da mesma forma que poderia tirar. E também... – vacilou mais um pouquinho – quando meu cachorro desapareceu na noite em que li em voz alta pude perceber que desde então ele fazia parte da narrativa do livro, ainda que tenha surgido apenas como um cão de rua em uma breve citação. No entanto, em outros exemplares do mesmo livro, ele não estava lá.

– Você está dizendo que... – agora ele parecia realmente desolado e sua voz saía tão baixa que Bin mal podia ouví-la. – Como vou contar isso a Myungjun? Nunca acharemos novamente aquela mulher, nunca conseguiremos trazer ele de volta.

Dongmin estava a ponto de chorar, a cabeça escondida em uma almofada macia que nem sabia se tinha intimidade o suficiente para pegar assim. Não que Bin estivesse se importando com isso, não quando ele próprio tinha se aproximado e abraçado o corpo do Lee em um consolo meio estranho, porque não sabia muito bem o que fazer, apenas queria dizer que estaria lá e que ele podia chorar o quanto quisesse.

– Talvez você possa encontrá-la, afinal, você conseguiu me achar, não é? – tentou Bin.

– Eu demorei um ano para isso e foi tão difícil conseguir todas as informações – sua voz saiu abafada por conta da almofada e parecia ter acontecido exatamente o que o Moon temia: ele havia perdido as esperanças.

– Eu posso te ajudar a procurar.

Percebeu o que tinha oferecido quando o Príncipe ergueu a cabeça da almofada e o olhou exatamente como mais cedo em sua porta. O fiozinho de esperança havia voltado e ele estava contando com Bin para conseguir o que queria. Agora era tarde demais para voltar atrás, mesmo que quisesse, mas seu maldito coração mole estava falando mais alto outra vez e ele gritava para que ajudasse o Lee.

– Posso tentar achar alguma coisa com minha família, meu pai e minha mãe são descendentes de Língua Encantada. Não sei se poderei fazer muito, mas posso tentar. Depois tentamos pensar uma maneira de encontrar essa mulher, não pode ser impossível, você conseguiu uma vez, não perca as esperanças assim, hm?

E foi quando Dongmin sorriu para si, seus olhos se tornando dois riscos, que Moon Bin pensou que talvez ele próprio tivesse entrado em um conto de fadas e desejou com todas as forças que aquilo fosse tudo menos amor à primeira vista.


***


Na tarde seguinte Dongmin apareceu novamente em sua casa, assim como haviam combinado. O dia anterior tinha sido reservado para o Lee contar tudo a Myungjun e por mais que quisesse o Moon ao seu lado naquele momento para que explicasse tudo, sabia que a notícia deveria vir de si – além de saber que Bin não era uma pessoa íntima sua, por mais que sentisse isso naquele momento, e que não lhe devia nada, então não queria abusar da bondade dele e nem se acovardar diante da notícia que tinha em mãos.

No entanto, naquele dia, já começariam a busca. Era sábado e queriam procurar enquanto não houvessem suas obrigações para fazerem. Afinal, Dongmin ainda trabalhava no restaurante e Bin fazia sua faculdade de história que voltaria ao período letivo em uma semana. De início ficaram parados na porta da casa do mais novo apenas se olhando em silêncio e pensando por onde diabos começar e se tudo aquilo realmente os levaria até algo. Não faziam ideia, mas tinham que tentar.

Decidiram então começar pela família de Bin, perguntar à seus pais se eles tinham conhecimento sobre como fazer um personagem voltar ao seu livro. Porém, primeiro teriam que esperar ambos chegarem do trabalho e Bin agradeceu por sua irmã estar passando o fim de semana na casa de uma amiga, não queria envolvê-la nessa história toda. Assim, o que restou para fazer foi conversar enquanto esperavam o tempo passar.

Bin tinha certeza já ter ouvido falar de Dongmin, apesar de saber que nunca havia lido seu conto. Perguntando, então, se as pessoas questionavam ele sobre a semelhança de nomes.

– Nesses casos, tenho que mentir e dizer que minha mãe escolheu meu nome justamente por isso: ela me achava parecido com o Príncipe – ele respondeu, sorrindo.

Então Dongmin contou como foi sua vida no início de tudo e, apesar de triste por conta de SanHa, Myungjun e ele tentavam aproveitar bem todos os momentos, pois agora sabiam quão rápido se pode ficar sem quem amamos. Contou, então, sobre seus desastres de adaptação, o quanto achava tudo muito esquisito e a tecnologia difícil, rendendo muitas histórias divertidas. Ele gostava da vida ali, deu para Bin notar, mas algo em seu olhar não parecia certo e o mais novo pensou que talvez fosse porque também gostava da vida que deixou para trás. Resolveu não perguntar nada, daquela vez guardaria sua curiosidade para si.

O Lee estava gostando de conversar com Bin, era bom sentir que mesmo o conhecendo tão pouco este, ainda sim, aceitou lhe ajudar e se mostrou companheiro. Era o que o Príncipe sentia naquele momento sentado de novo em seu sofá: que havia feito uma grande amizade e que por isso Bin seria para sempre especial para si. Ele parecia lhe dar toda a sua completa atenção, com os olhos sempre fixos nos seus, mas sobre isso o Lee ainda não sabia muito como se sentir, apenas sabia que não era nenhum pouco ruim.

Tiveram que sair do mundinho dos dois quando ouviram a porta ser aberta e viram Haneul, mãe de Bin, passar por ela, franzindo as sobrancelhas – exatamente como o filho na tarde anterior, Dongmin notou – ao perceber que seu filho estava acompanhado por alguém que nunca havia visto entre os colegas dele. Bin logo se levantou e tratou de apresentar Dongmin à sua mãe, dizendo que precisava conversar com ela, mas apenas quando seu pai chegasse também, mal dando tempo de completar a frase quando o homem entrou na casa.

A situação era meio constrangedora para Dongmin que sentia-se sendo analisado pelos pais de Bin enquanto o mesmo explicava sua história. Viu a mesma expressão de espanto tomando suas feições exatamente como o Moon na tarde anterior e não podia culpá-los por isso. Era um segredo muito grande e muito bem guardado para um desconhecido aparecer em sua casa o anunciando.

– E o que vocês dois querem saber exatamente? – Haneul perguntou, já conhecendo bem o suficiente seu filho para saber que sua curiosidade e compaixão iam fazer ele se enfiar de cabeça naquilo. Além daquele olhar em seu rosto que só poderia indicar uma coisa... e ela torcia para que estivesse errada.

– Bem, senhora, queríamos saber se vocês sabem como fazer um personagem entrar novamente em seu livro. Sei que não possuem o poder como Bin e nem que aprovam a prática dele, mas pensamos que talvez vocês pudessem saber algo sobre – Dongmin respondeu com toda a sua educação.

Haneul e seu marido, Chinhae, se entreolharam e soltaram um suspiro.

– Queriamos poder ajudar, porém sabemos tanto quanto Bin sobre os Língua Encantada – Chinhae explicou. – Quando ouvíamos sobre isso de nossos antepassados na infância achávamos que era apenas uma história para nos divertirmos. No entanto... talvez tenha alguém que possa ajudar.

– Nunca contamos isso a você, filho, mas quando descobrimos que você tinha esse poder, procuramos um tio-avô seu que acreditava fielmente nisso desde sempre. Todos achávamos que ele era meio louco, bem, ele não era. Foi ele quem deu umas instruções básicas sobre proteger esse segredo.

– Tio-avô? Eu nem mesmo sabia que tinha um – Bin se mostrou confuso.

– Como disse, ele era, quero dizer, é, meio louco, ninguém tem muito contato com ele – ou gostam muito dele, para ser sincera –, mas sabemos onde ele mora.

– Muito obrigado por ajudarem, não sei como agradecer – Dongmin tinha a certeza que possuia a sorte grande. Depois de tanto tempo, finalmente pode ter respostas e, quem sabe, a solução do que procura. Mesmo que fosse quase impossível de se achar SanHa agora, não perderia as esperanças, não quando as coisas pareciam estarem dando certo, não quando Bin pediu para não desistir.

– Está tudo bem, Dongmin, ficamos felizes em ajudar você e seu amigo. Vivemos com medo de Bin ler em voz alta por engano ou algo do tipo e as coisas acabarem mal. Você só precisa prometer que não vai deixar ele se encrencar, ficaria surpreso com o quanto ele faz isso normalmente sem nem perceber – Haneul disse divertida vendo seu filho resmungar dizendo que aquilo não era verdade ao mesmo tempo que o Lee fazia a promessa de bom grado.

Ela realmente esperava que seu filho ficasse bem.


***


Achar o endereço do tal tio-avô foi até fácil. O difícil foi encontrá-lo. O síndico de seu simples prédio disse que ele costumava ficar muito tempo fora de casa. Bin se perguntou o que um senhor com idade já avançada fazia num sábado a noite, mas pensou que talvez fosse melhor nem imaginar.

Na manhã seguinte, Dongmin precisava trabalhar no período de almoço para compensar a folga que havia tirado na sexta-feira para ir atrás do Moon. O restaurante costumava receber muitos clientes querendo fugir de ter que cozinhar em um domingo tranquilo, por isso estava sempre aberto naquele dia da semana. Havia combinado com Bin de se encontrarem ali depois de seu expediente para que pudessem encontrar o tio-avô do mais novo juntos e foi inevitável não segurar a risada diante da carinha que Bin fez já supondo que teria que acordar cedo em pleno domingo, ainda que Dongmin tentasse entender onde 14h era cego.

– Ah, Dongmin! Eu não acordo as 14h, acordo 12h, mas as horas seguintes são reservadas ao momento de pura preguiça em que ficamos apenas deitados pensando que não queremos levantar.

– Bem, você pode fazer esse grande sacrifício amanhã por mim, não é? – e o Lee pensou ter visto Bin corar enquanto virava o rosto resmungando que estaria lá no horário certo e se virava para ir embora, acenando rapidamente um tchau e andando depressa.

Porque Bin queria poder dizer que não, no entanto, naquele momento sentia que faria tudo que o mais velho pedisse para si.

E ele chegou mais cego do que o previsto.

Dongmin estava atendendo um cliente quando o viu passar pela porta e olhou para o relógio na parede para ter certeza de que ainda não eram 14h e sim 12h. Antes que pudesse chegar até ele, viu que Jinwoo já estava anotando seu pedido e se contentou em sorrir de longe em um comprimento, voltando a fazer seu serviço. Estava tão concentrado no que fazia que nem mesmo notava o olhar meio bobo que Bin tentava conter inutilmente em sua direção, com direito a cotovelos apoiados na mesa e cabeça apoiada na mão. Um sorriso simples em seu rosto.

– Você o conhece? – Myungjun perguntou indicando discretamente o Moon com a cabeça assim que o Lee chegou perto de si.

– Sim, é o Bin, você sabe quem – foi discreto, evitando falar Língua Encantada em voz alta. Não que as pessoas em volta fossem entender, porém nunca se sabe, não é? – Iremos encontrar aquela pessoa que comentei ontem com você depois que acabar meu expediente.

Antes que Myungjun pudesse dizer alguma outra coisa, Jinwoo parou ao lado dos dois com um olhar divertido.

– Ele está olhando esquisito para você. Mas é um esquisito bom! Tipo o jeito como olho para Myungjun.

– Não está, não! – Soou mais exasperado do que pretendia, olhando rapidamente pelos ombros para Bin e voltando tão rápido quanto para frente. Sabia bem como o Park olhava para Myungjun. Era feito de amor puro. E era por isso que Bin não olharia daquele jeito para si, afinal haviam acabado de se conhecerem!

Então uma vozinha lá no fundo da sua mente o lembrou do tão famoso amor à primeira vista, bem aquele que fez seu coração bater forte por sua Princesa há um tempo atrás. Aquele que se perguntava todos os dias onde estava.

– Não precisa ficar assim – Jinwoo ergueu as mãos em rendimento, ganhando uma risadinha do Kim que assistia o rosto do mais novo entre eles ficar vermelho. – Agora vá levar o pedido dele, anda.

Revirou os olhos, mas fez o que ele mandou. Ainda era seu chefe, afinal. Foi Myungjun quem o convenceu a lhe contratar, pois, assim como ele próprio fazia questão de deixar muito claro, era apaixonado pelo mais velho e nunca o deixaria na mão com algo, nem mesmo duvidaria de sua palavra, por isso foi a única pessoa para quem contaram quem Dongmin realmente era e para onde SanHa havia ido e temiam que seria o único a realmente acreditar. Agora era tão seu amigo quanto Myungjun e o Lee admirava como os dois faziam um casal bonito digno ao conto de onde veio.

O Príncipe até tentou se segurar para não dar muita trela a Jinwoo, mas quando viu já estava indo em direção a Bin sorrindo todo brilhante, colocando a refeição que o outro pedira em sua frente e sentando-se à mesa junto com ele. O Park não brigaria consigo por uns minutinhos ali, no entanto, teria que aguentar alguma brincadeira mais tarde e sinceramente não sabia o que era pior. Ele tinha o dom de deixá-lo constrangido.

– Uau, acho que devo me sentir honrado por você ter deixado de lado suas preciosas horas de preguiça para vir aqui. E ainda por cima mais cedo que o combinado!

Bin tentou também, porém não conseguia fazer o olhar bobo sair de si. Sabia que todos haviam reparado e sabia que antes de Dongmin vir conversar consigo ele e os dois outros meninos baixinhos estavam falando sobre ele. Não foram lá muito discretos. Não que Bin tenha sido também. Só esperava que o Lee não achasse ruim a sua pequena queda por ele. Não precisaria o corresponder nem nada do tipo, assim como sabia que nunca iria acontecer, mas não queria que ele o afastasse e desgostasse de si por isso. Não sabia quão mente aberta ele poderia ser, nem sabia se ele poderia ficar ofendido com isso. Afinal, tinha sua Princesa, seu feliz para sempre, o esperando em outro mundo, poderia achar ofensivo Bin gostar dele mesmo sabendo que tecnicamente era comprometido?

– Você merece – meu Deus, pare já de tentar flertar, Moon Bin. Queria poder se bater naquele momento, podia ouvir claramente em sua cabeça o estalo da própria mão batendo no rosto em descrença.

Dongmin sorriu constrangido e queria poder conseguir fingir que não sabia o motivo.

– Bem, você terá que almoçar sozinho e ainda esperar por duas horas, tenho que continuar meu trabalho, desculpe.

– Sem problemas, eu como devagar mesmo – mentira. Moon Bin era especialista em comer rápido e bastante, mas não queria atrapalhar o outro, então tentaria disfarçar isso. Quem sabe não desse para o observar andando pelas mesas mais um pouco. Mais discretamente dessa vez.

Não que fosse o único a fazer aquilo. O Príncipe era bonito demais para passar batido e era tão gentil com todos os clientes que mesmo a comida servida ali sendo extremamente boa, não duvidaria nada que a maioria voltasse sempre só porque ele pediu numa resposta padrão de todo atendente. É, Dongmin era realmente encatador e Bin se sentia muito idiota naquele momento.

Felizmente, as horas passaram rápido. Às vezes Dongmin parava na mesa de Bin para ver se estava tudo bem e conversar um pouquinho. Jinwoo e Myungjun também vieram o cumprimentar e se apresentaram a si. Pareciam muito legais, então Bin entendeu porque o Lee parecia gostar tanto deles. Mas enfim o expediente do mais velho havia acabado e estavam batendo na porta de seu tio-avô.



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