História Reality - Capítulo 3


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Categorias ASTRO, Weki Meki (WEME)
Personagens Elly, Eunwoo, Jinjin, Lucy, MJ, Moonbin, Rocky, Sanha, Sei
Tags Binu, Binwoo, Coração De Tinta, Eunbin, Mjin, Myungjin
Visualizações 18
Palavras 3.764
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 3 - Capítulo Dois


Quando bateram naquela porta, Bin e Dongmin esperavam outro tipo de recepção. Mas, bem ali em frente a eles, se encontrava um jovem menino de calças rasgadas e fones de ouvido. Se entreolharam. Será que haviam batido na porta errada? Não, o síndico dissera exatamente aquele número.

– Eu sei o que estão pensando, garanto que estão no lugar certo – ele riu brevemente. – O síndico já havia comentado que vocês estavam procurando pelo Tio e pelo sobrenome supomos que você é Moon Bin. Sabe, ele resmungou muito sobre como seus pais eram uns irresponsáveis idiotas por nunca terem trazido você até aqui, juro que quase desejei ficar surdo quando você apareceu e ele começou a se vangloriar que "é lógico que precisariam de mim uma hora ou outra. Deveria mesmo era mandar eles à merda, mas sou muito generoso para isso".

Terminou fazendo uma careta no rosto, dando mais ênfase ainda na situação cômica, logo voltando a falar novamente.

– Aliás, entrem, entrem. Sou Minhyuk e juro que não tenho nada pervertido com o Tio. Aquele síndico adora falar suas teorias sobre isso para todo mundo, podem me contar, o que foi que ele disse à vocês sobre mim?

– Hm... nada? – Dongmin disse meio incerto. Não fazia ideia do que ele estava falando.

– Ah! Ele deve ter pensado que vocês dois também são! Logo começarão as perguntas, podem aguardar, aquele fofoqueiro intrometido... – e saiu resmungando para outro cômodo da casa deixando-os sozinhos.

Dongmin e Bin se olharam. Pronto. Gargalharam. Aquele menino era espontâneo demais e se fossem parar para pensar agora, bem que o síndico havia dado uma olhada estranha para cima dos dois mesmo e, droga, a risada do Lee era tão bonita que Bin não sabia mais se estava sorrindo por conta de Minhyuk ou por causa de Dongmin. Será que algum dia se acostumaria com a presença estonteante do Príncipe?

Mas logo o sorriso de ambos morreu e os dois ficaram sérios ao verem um senhor entrar na sala. Ele se parecia muito com seu avô, Bin percebeu, com exceção dos olhos. Aqueles eram os olhos de alguém que sabia muito da vida e que ainda não havia se cansado dela. Ele precisava da ajuda de Minhyuk para caminhar e mesmo o mais novo tendo se mostrado implicante com o idoso, era inegável o carinho que tinha em suas ações com ele.

– Você não os convidou a se sentar? Onde está a educação que eu te dei, Park Minhyuk? – ele disse fazendo gestos com a mão para que se sentassem logo, muito educado.

– Que educação? Foi você que me ensinou a xingar! – O olhou indignado.

– Calúnia – e então se virou para os dois visitantes sentados lado a lado no menor sofá que havia ali, ignorando o que Minhyuk estava prestes a retrucar, focando-se em Dongmin. – Você também é um Língua Encantada? Por isso está aqui?

– Não, senhor, fui lido de um conto de fadas...

– Você é um Príncipe?! Parece muito com um, não é, Tio? – Antes que Dongmin pudesse terminar a frase Minhyuk já estava exclamando.

Sorriu tímido acenando com a cabeça em confirmação, deixando para pensar depois em como aquelas palavras tão parecidas com as de Bin naquele primeiro encontro dos dois soaram com tão pouco impacto se comparado com as do garoto sentado ao seu lado naquele momento.

– Me desculpe perguntar, mas você é um, Minhyuk? – Bin se pronunciou pela primeira vez, curioso. Afinal, aquele menino entendia tudo o que estavam falando e seu tio-avô não parecia muito de revelar segredos por aí.

– Ah, sou sim. Foi o Tio quem me disse o que eu era quando usei desse poder pela primeira vez. Éramos vizinhos na época – sorriu de um jeito meio triste.

– Posso perguntar o que aconteceu? – Bin perguntou com a voz calma, já imaginando que algo tinha dado errado naquele dia.

– Minha mãe estava me ensinando a ler, ela adora livros e queria me mostrar como era boa a sensação de segurar um entre as mãos e ler. Eu ainda era muito criança, não havia começado a escola, então ela se encarregou de me ensinar sempre que tinha um tempo livre. Quando ela achou que eu estava pronto me disse para escolher qualquer livro em sua estante para tentar ler. Entre falhadas nas sílabas difíceis eu consegui ler um pequeno trecho de Os Miseráveis. Imagine então o susto quando vimos a própria Cosette bem na nossa frente – ele deu uma pausa. – Só não foi maior do que o susto em perceber que meu irmão que ainda era um bebê havia sumido.

– Você já tentou trazê-lo de volta? Sabe como fazer isso? – Dongmin perguntou, sentindo a dor dele.

Quando SanHa sumiu Myungjun ficou extremamente mal. Não queria nem mesmo imaginar o que a família de Minhyuk havia passado. O Park criança com a culpa de ter feito àquilo a seu irmão e o quanto a mãe dele deve ter sofrido em perder o filho.

– Bem, é uma via de mão dupla - foi o senhor que explicou. – Quando um personagem sai do livro ele passa a viver aqui, como você. A mesma coisa acontece quando alguém vai para lá. Infelizmente, Os Miseráveis se passa em uma época difícil na França e...

O olhar em seu rosto e a tristeza em Minhyuk deixou a situação bem clara. O bebê havia morrido em algum momento de sua nova vida como personagem do livro e a família Park jamais poderia recuperá-lo de volta. Dongmin desejava com todas as suas forças que tudo estivesse bem para SanHa em sua nova vida.

– Está tudo bem, já se passaram anos – Minhyuk voltou a falar. – Nós adotamos Cosette, sabe. Agora ela se chama Hyojung e é minha irmã. Não foi muito difícil, dissemos para a polícia que ela estava na rua e sabíamos que ninguém a procuraria caso eles quisessem procurar pelos pais dela. Ensinamos coreano para ela e a amamos como parte da família.

Sua animação havia voltado apenas ao lembrar-se de sua irmã, dizendo que iria preparar um chá para que pudessem conversar direito sobre o que queriam saber. Minhyuk parecia realmente amar muito Hyojung, sendo ela o seu pilar para ter continuado firme e forte e Bin conseguia o entender, faria qualquer coisa por Suah.

Enquanto esperavam, o tio-avô de Bin explicou o motivo de Minhyuk chamá-lo de Tio. A pequena Hyojung costumava se referir a ele sempre daquela forma e o jeito acabou pegando, tanto que até mesmo a mãe dos dois chamava o velho senhor assim e ele não veria problema algum caso Dongmin e Bin quisessem tratar ele da mesma forma – e Bin o lembrou que ele realmente era seu tio, coisa que resultou em um palavrão que significava que não estava nem aí para isso, enquanto contava um monte de segredos dos parentes que fez o Moon mais novo entender o motivo de sua família desgostar tanto dele. Também explicou coisas básicas sobre os Língua Encantada, como um personagem pode vir com efeitos colaterais se for mal lido. Esse foi o caso de Hyojung, que possuia palavras marcadas em sua pele por conta da leitura fraca de um Minhyuk criança. Além de contar que esse poder aparece em cada pessoa em diferentes idades da vida, podendo se revelar quando criança ou até mesmo já na vida adulta.

O chá logo ficou pronto, o Park disse que havia aprendido com a amiga de sua irmã como fazê-lo, pois ela era realmente viciada em chá. E então o assusto sério voltou e Dongmin teve que contar novamente sua história.

Bin já havia lhe explicado como precisaria do livro específico para conseguir resgatar SanHa, então se focou em apenas perguntar como se fazia para enviar um personagem de volta a sua história. Não queria ficar relembrando sobre a situação do Kim mais novo, não quando sua mente já o atormentava o bastante sobre o assunto.

– É um pouco mais complicado do que ler alguém para fora. Você precisa achar algum trecho que indique que você esteve lá, porém não está mais. Como você era um personagem importante, acho que não terá problemas com isso, mas ainda sim precisa do exemplar específico de que saiu.

Explicou estudando bem as reações de Dongmin. Era um senhor esperto e nada conseguia escapar de si. Notou bem como o Príncipe recebeu aquela notícia e pensou nos poucos casos que teve conhecimento sobre os personagens que foram lidos para fora de seus livros, todos ansiando mais que tudo voltar. Nunca houve outro como Dongmin.


***


Já era noite e Bin e Dongmin se encontravam deitados na cama do mais velho encarando o teto. O quarto outrora tinha pertencido a SanHa e o Príncipe fez questão de não mexer em nada, dando a impressão que nem mesmo vivia ali, que nunca sequer havia existido. Não deixava sua marca no quarto, nem mesmo no resto dos cômodos da casa, com exceção das fotos nos porta-retratos que Jinwoo insistiu que aparecesse.

Mas Bin sabia que seu coração já estava marcado, Dongmin querendo ou não, e se sentia muito besta por isso. Era tão tosco o modo como se apegou em tão pouco tempo. E a situação apenas piorava. Dongmin queria ir embora para voltar ao seu para sempre e o Moon sabia que não pertencia àquela história.

– Dongmin, como era no seu Reino? Você sente saudades? – Não resistiu em perguntar, a voz num sussurro, quase com medo de quebrar o silêncio que rodeava os dois.

– Era tão mágico quanto lido nos livros, Bin, uma terra realmente incrível...

Porém já não sabia mais sobre qual terra falava, qual mundo pertencia e nem o motivo de não desejar com todas as suas forças poder voltar. Sentia tanta culpa por isso. Como poderia ser um Príncipe Encantado bondoso para com seu Reino se mal lembrava-se de seus súditos enquanto vivia ali? Como poderia ser o para sempre de alguém que parecia não existir mais em seus pensamentos como antes?

Bin virou o corpo na direção de Dongmin, que logo fez o mesmo. Era bom olhar em seus olhos assim tão de perto.

–  E como era a Princesa? – Ele precisava perguntar.

– Não quero falar sobre isso, Bin, desculpe.

E havia tanta tristeza em seus olhos que o Moon só pode supor que era a mais pura saudade de seu amor. Segurou a mão do Príncipe em um gesto de apoio, mas lá no fundo sabia que era ele quem estava precisando daquilo.

Ficaram naquela posição por muito tempo, se olhando. E então uma troca de sorrisos foi tudo o que precisaram para esquecerem suas frustrações ao menos naquele momento, aproveitando bem aquela sensação boa por estarem ali lado a lado. Estavam tão bem relaxados que Myungjun não teve coragem de os atrapalhar dizendo que Jinwoo já havia chegado e poderiam jantar.

Ele sabia que Dongmin precisava daquilo, sabia como ele se sentia. Moravam juntos há um ano, o conhecia bem. Esperava que Bin pudesse fazê-lo entender que poderia ser feliz ali, que tinha sim o direito de criar uma nova vida, ainda mais agora que as chances de trazerem SanHa de volta eram tão mínimas. Talvez Bin o fizesse perceber que os contos de fadas estavam muito distantes da realidade, até mesmo para ele, e que um verdadeiro amor não aparecia apenas uma vez na vida de alguém e que era capaz de escolher seu próprio feliz para sempre.

Por isso deu um abraço apertado no mais novo quando ele disse que precisava ir embora e sussurrou em seu ouvido para não desistir. Bin não pareceu entender, mas ele não precisava. Myungjun apenas queria que ele fosse constante na vida de Dongmin, pois ele sendo ele mesmo já era o suficiente.

O Moon naquela noite dormiu muito bem, um sorriso no rosto enquanto sonhava com seu Príncipe. Ao menos dormindo poderia fazer parte daquele conto, se preocuparia com os vilões quando acordasse. Coisa que não demorou para acontecer, pois sua irmã batia em sua porta pedindo se poderia dormir consigo naquela noite.

– O que aconteceu, Suah? – Perguntou assim que ela deitou-se ao seu lado.

– Não é nada demais, Bin, não se preocupe, apenas briguei com Haerim antes de sair da casa dela hoje – sua voz já estava sonolenta, ainda que desse para perceber como ela estava chateada com a situação.

– Vocês são melhores amigas, logo tudo se resolve e vocês voltam a serem inseparáveis de novo e você estará passando o final de semana inteiro ao lado dela novamente – tentou animá-la.

Se ao menos pudesse conversar com Bin... mas nem Haerim era capaz de entendê-la. Seu irmão, ainda mais ele, seria mais incapaz ainda. Ela continuaria com aquele segredo.


***


Agora devia vir a parte mais difícil para conseguir trazer SanHa de volta: achar a mulher que leu Dongmin para fora de seu conto e conseguir pegar o exemplar de onde ele saiu. O que era praticamente impossível de se conseguir na cabeça de todos os envolvidos naquilo.

Já se fazia um ano desde aquele dia, conseguir pistas sobre a tal mulher era improvável. Moravam em Seoul. Como poderiam achar uma pessoa dentre tantas?

Bin sabia que havia dito a Dongmin para ele não desistir, pois conseguiria encontrá-la, mas tinha tão poucas esperanças quanto o Lee. Não eram tão iludidos a ponto de acharem que um dia conseguiriam. Ela havia sumido do mapa naquele dia e Myungjun, mesmo se trombasse com ela bem na sua frente no dia-a-dia, não poderia dizer que a reconheceria.

No fim, procurar tanto tinha sido em vão.

Bin se sentia muito egoista por estar um tanto feliz em perceber que Dongmin ficaria por mais tempo ali, no entanto, SanHa continuaria perdido.

Estava novamente no restaurante de Jinwoo esperando pelo Príncipe. Dongmin havia dito que queria conversar com ele, o que o deixou preocupado pelo resto do dia. Nunca acabava bem quando alguém dizia isso.

Viu pela parede de vidro da fachada do restaurante quando Dongmin foi trocar seu uniforme, logo voltando de dentro do vestiário dos funcionários se despedindo dos seus colegas, incluindo Myungjun e Jinwoo. Bin percebeu como sua expressão estava cansada apesar de tentar forçar um pequeno sorriso em sua direção.

O Moon ficou mais preocupada ainda quando ele disse que a rua não era um bom lugar para se conversar e seguiram para a casa do mais velho. Sentiu as mãos tremerem, uma sensação ruim tomando conta de si.

– Você está bem, Bin? Parece muito nervoso – o Lee reparou assim que chegaram à sua casa.

– Mas é claro! Você está muito estranho, Dongmin, e isso me deixa ansioso – falou com uma expressão frustada.

Dongmin suspirou e continuou de pé mesmo que Bin tenha sentado em seu sofá por conta própria.

– Acho que você já pode ir, Bin, não precisa mais ficar aqui tentando ajudar. Quero dizer, não tem como você ajudar – foi direto de uma vez ou não conseguiria nunca dizer.

E Bin teve sorte de já estar sentado, porque aquilo era um baque grande demais para se aguentar. O Lee mal olhava em seus olhos, apertando as mãos uma na outra em receio depois de dizer aquilo.

– Você não pode estar falando sério – estava incrédulo. – Você... eu... como você pôde dizer isso? Eu pensei que...

– Que estou apaixonado por você igual você está por mim? É isso, Moon Bin?

– Eu não estava esperando que você estivesse, mas que ao menos me considerasse seu amigo! Eu não sirvo mais para o que queria e agora está me mandando embora, é isso?! – Levantou-se do sofá e ficou frente a frente com o outro.

– Se ao menos fosse isso... – deu uma risada amarga. Agora era ele quem se sentava no sofá, com a cabeça entre as mãos num gesto de perdido. – O problema é que também estou apaixonado, Bin, e eu não deveria, não quando eu tenho outra pessoa. Mas ela parece tão distante agora que tudo o que sinto é culpa. Só se passaram alguns dias, como posso me sentir assim?

Bin estava confuso demais. Em um momento só conseguia sentir raiva de Dongmin, no outro estava feliz pela declaração e então sentia a mágoa pelo Lee achar que não era justo amá-lo.

– Você saiu de dentro de um maldito conto de fadas e não acredita em amor à primeira vista? Por que está fazendo isso então, Dongmin? Complicando ainda mais as coisas e quase me fazendo ter esperanças de que poderíamos ficar juntos?

Agora sua garganta doía e seu olhos começavam a ficar embaçados. Não era justo o que o Lee estava fazendo consigo.

– Eu deveria amá-la para sempre, quão rápido um amor pode desaparecer? Como posso acreditar que isso é real também? – Dongmin parecia mais estar falando consigo mesmo do que com o outro à sua frente naquele momento.

– Se você está sentindo, então é real. Mas se não acredita em si mesmo ou em mim, então não há nada a se fazer – foi em direção à porta, estressado e magoado demais para continuar ali. – Fale para Myungjun que nunca me esquecerei de SanHa, por favor, e que ele sempre pode contar comigo caso precise de ajuda.

E foi embora. Deixando Dongmin para trás chorando e se sentindo horrível. Agora já havia estragado tudo e tinha acabado de deixar outra pessoa que amava para trás. Mas estava confuso demais, pensando demais, que esqueceu-se de sentir. Sentir como olhar nos olhos de Bin era bom, como seu toque era aconchegante e como seu sorriso fazia seu coração bater forte.

Myungjun já havia lhe dito como a realidade era diferente dos contos, era tudo tão complicado. O romance não era o mesmo, eles vem e vão e alguns ficam para sempre assim como nas histórias. Talvez aquele fosse seu caso. Já não vivia mais num conto, as coisas que existiam lá não aconteciam da mesma forma ali e talvez isso tivesse influência em como se sentia.

Parecia estar preso entre os dois mundos. Seu amor não era único e exclusivo, assim como naquela realidade, mas Bin podia ser seu para sempre e amor à primeira vista, do mesmo modo como era tão comum acontecer em seu conto.

Aquilo realmente poderia acontecer consigo? Talvez fosse um efeito de se viver por tanto tempo ali ou talvez Bin estivesse simplesmente certo. Estava complicando tudo. Se sentia estão por quê tinha que ter algum problema? Era tão bom apenas se imaginar ao lado dele, parecia tão certo. Mas a Princesa vivia voltando à sua mente, então fazia parecer tudo tão errado. Se sentia injusto tanto com ela quando com Bin e injusto consigo mesmo, afastando a própria felicidade, pois não tinha coragem o suficiente para deixar sua antiga vida e mundo totalmente para trás.

Bin não voltaria a procurá-lo, sabia disso, por isso precisaria ir atrás dele se quisesse resolver aquela pendência que ficaria martelando na cabeça dos dois por muito tempo, mas era tão difícil...

Já o Moon achava que era muito simples. Qual era o problema em se ver feliz ao seu lado? Será que ele achava que Bin não conseguiria isso como outrora a Princesa conseguira?

Nenhum dos dois sabia que a resposta para aquela última pergunta já era um sim cheio de certeza.

Quando Bin chegou em casa tudo o que fez foi deitar-se em sua cama e ficar lá pelo resto da noite em silêncio. Era uma droga sofrer por um coração partido. Queria poder dizer que se arrependia de deixá-lo entrar em sua casa naquela tarde de sexta-feira, mas não seria verdade. Os poucos momentos passados ao lado do Lee foram valiosos demais para si.

E Haneul vendo Bin todo tristinho em seu quarto apenas queria que sua intuição de mãe estivesse errada ao menos aquela vez. Assim que viu Dongmin em sua sala pela primeira vez e reparou em como seu filho o olhava ela soube que ele se machucaria em algum momento. Era sobre aquele tipo de encrenca – um coração partido – que fez o Lee prometer manter Bin longe, uma pena ele não ter a entendido e a descumprido tão rápido.


***


Alguns dias pareciam ter sido o suficiente para deixar a vida de Bin de cabeça para baixo. Agora pensaria bem antes de abrir a porta de sua casa e pensaria melhor ainda ao topar com homens extremamente bonitos por aí.

Algo nunca daria certo. Ele já havia tentado uma vez e comprovado isso.

Podia ter se passado quase um mês longe, mas o sorriso de Dongmin parecia não ter perdido nenhum detalhe em sua mente. Ainda podia ouvir sua risada e sua voz bonita dizendo qualquer coisa que fosse.

Devia saber que ele não o procuraria e queria se bater por ter pensado diferente em alguns momentos. Agora a única história que queria saber era a que sua faculdade o ensinava, nada de contos, nem mesmo a própria história de amor. Queria deixar tudo aquilo para trás e tudo ficaria bem.

Essa era a ideia, ao menos. Pois lá estava Dongmin novamente à sua frente. Realmente deveria ter pensado bem antes de abrir aquela porta, assim como prometera a si mesmo. Myungjun, Jinwoo, Minhyuk e duas outras meninas estavam junto com ele, mas isso só foi reparar depois de vários minutos apenas encarando o Lee.

– Temos uma pista, Bin! – Foi Minhyuk quem exclamou. Parecia alheio a toda aquela tensão que havia se formado ali, mesmo que as duas garotas desconhecidas tenham percebido muito bem. Era impossível não notar o modo como se olharam, mil coisas sendo sentidas em apenas uns poucos segundos frente à frente. –Seojung acha que conhece uma Língua Encantada.

A menina mais baixa de franja concordou com a cabeça.

– Bem, Hyojung já havia me contado sobre esse poder, somos melhores amigas, quase como irmãs, desde sempre e não temos segredos uma da outra e isso incluí de onde ela veio. Mas o negócio é que algum tempo atrás ouvi por engano a conversa de duas meninas da minha escola no banheiro e tenho quase certeza de que uma delas é uma Língua Encantada – e então seu olhar ficou meio perdido. – Deixei isso para lá, porque não é da minha conta e sei como isso é um segredo grande, mas então eu soube sobre SanHa através de Minhyuk. Nós estudamos juntos, éramos amigos, pensava que ele apenas tinha se mudado! Porém agora sei a verdade e quero ajudar.

– Ela sabe onde uma das meninas mora e disse que pode nos levar lá. Assim podemos conversar com a garota e tentar descobrir onde a outra mora e se ao menos realmente é uma Língua Encantada – Hyojung disse firme, como se estivesse pronta para obrigar a tal menina a falar.

Bin reparou em suas tatuagens nos braços e pensou que talvez ela estivesse tão incomodada com a situação por conta do irmão perdido de Minhyuk. Ela não queria que a mesma história se repetisse e tentaria tudo que pudesse para ajudar Myungjun.

E foi olhando para Dongmin mais uma vez por puro reflexo, sempre buscando por ele, que Bin concordou de prontidão em ir.



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