História Realmente mal? - Capítulo 32


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Categorias Gravity Falls
Personagens Bill Cipher, Dipper Pines, Gideon Gleeful, Mabel Pines, Soos Ramirez
Tags Bill, Billdip, Dipper, Fanfic
Visualizações 77
Palavras 3.903
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Bishoujo, Comédia, Fantasia, Ficção Científica, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oieeeee Meus filhotes :3

Tomem o capítulo novo que sei que queriam!

É pequeno? Sim.

só 3780 palavras. :(

Mas é pq não estive tão criativa na segunda parte, a pov do Dipper foi difícil... Não sei se representei o sentimento tão bem, mas a primeira pov tá legal ;)

Boa leitura 💜

Capítulo 32 - Trinta e um - Scanor pov and Dipper pov


Fanfic / Fanfiction Realmente mal? - Capítulo 32 - Trinta e um - Scanor pov and Dipper pov


|Scanor pov|


Durante toda a manhã fiz o mesmo trabalho entediante, organizando documentos, mandando convocações para o júri popular do dia seguinte, e desmentindo boatos sobre os motivos de tais cartas.

Pela visão da maioria, Bill Cipher tinha voltado aos costumes cruéis e insanos pelos quais fora bem conhecido milênios atrás, e como nunca ouve nada pior do que boatos entre demônios menores… a notícia se espalhou como fumaça.

Agora, o que mais chegava a mim eram ligações ou cartas questionando a veracidade dos comentários, e sobre isso… nem fiz questão de opinar.

Afinal… conhecendo Bill, ele certamente ia preferir o povo temendo que ele tivesse mesmo voltado ao trono da insanidade, a ponto de ser acusado e julgado como culpado pela corte oficial submundana… do que ser humilhado como um fracote que se apaixonara por um mortal.

- Com sua licença Sir… - já deveria ser a terceira vez que eu me via sendo interrompido só naquelas primeiras doze horas do dia, não terminaria de organizar aquelas documentações nunca?

- Entre James… o que foi dessa vez? - murmurei com certo descaso, a falta de interesse era clara mas não tive meus motivos. - espero muito… pelo seu bem… que seja importante.

- Perdão… é que o senhor Willian, deseja lhe falar. - o secretário não pareceu se afetar com a breve ameaça da minha parte.

Não fazia mal que James não tivesse tanto medo de mim… talvez tenha sido por esse motivo que  o contratei, sempre pontual, educado, organizado… estava sendo um funcionário menos desprezível que os anteriores, e isso me agradava nele de alguma forma.

Encarei o moreno por uns instantes, sua face não passava o mínimo medo, ansiedade ou sequer curiosidade, isso me fazia imaginar onde ele tinha aprendido a se manter sempre tão paciente… parecia que nada o afetava.

- William? William Cipher? - questionei com certa curiosidade, enquanto pegava os óculos na mesa para checar uma lista pela terceira vez.

- Sim Sir... mas ele diz que não marcou hora… então acredito que o senhor não vá… - James tentou concluir, mas não precisou.

- Desde quando um Cipher precisa marcar hora comigo? - respondi de imediato, deixando o secretário com uma  expressão surpresa. Novidade para mim. - mande que suba, e rápido! Não é todo dia que Will vem me ver…

James soltou um suspiro antes de fechar a porta atrás de si, me deixando sozinho por mais alguns segundos.

Me levantei da cadeira e Ergui os braços acima da cabeça, me espreguiçando. Perdi as contas de quanto tempo  tinha passado na mesma posição. Indo emdireção da minha escrivaninha encontrei uma garrafa de whisky quase cheia, servi um copo para mim mesmo e voltei a mesma poltrona de antes.

Fiquei observando o líquido por um tempo antes de beber um mísero gole, não que me agradasse tanto, nem apreciava aquilo mas… era bom para me manter disperto, dar um susto no paladar de hora em hora.

Não que fosse impressionante ter uma visita de Will, ele era um membro do conselho afinal… do meu conselho particular, apesar de não estar sempre presente em todos os julgamentos.

Will sempre tinha sido de grande ajuda, com sua paciência e unanimidade em qualquer momento, sempre me impressionando e me dando a opinião que eu considerava a mais sensata do júri.

O que me assustou mesmo foi uma visita repentina, mesmo com o julgamento do irmão marcado para a próxima manhã. No lugar dele eu estaria nervoso em minha casa pensando em um meio de seguir minha vida, mas como sempre… ele me surpreendeu.

Ao invés disso ele resolveu assistir o julgamento, e não só assistir… mas também pediu pela permissão para estar no conselho durante a sessão.

Mesmo para demônios… parecia certa insensibilidade da parte dele.

- Com licença? Scar? - falando no diabo… o menor apareceu na porta, mais rápido do que eu esperava. - Estou atrapalhando?

- William… claro que não! - ele entrou encostando a porta em seguida, logo vindo em minha direção para retribuir a mão que estendi. - fico me perguntando qual seria o motivo intrigante para uma visita sua… sente-se.

- Não é tão intrigante assim… - ele riu com o próprio comentário e puxou uma cadeira para si.- só vim dar uma sugestão, se é que aceita.

Tomei um gole antes de prosseguir, tentei oferecer para o menor, que recusou com um aceno. Ele e sua mania anti álcool.

- Pensei que gostasse de beber… - comentei recolocando o copo na mesa.

- Só quando não tenho nada para pensar… não lido bem com essas coisas. - ele afirmou com um olhar torto para a garrafa de vidro no outro lado da sala. - e não quero tomar seu tempo…

- Você ao menos nunca toma meu tempo… - confessei com sinceridade tomando um riso do menor. - mas se quer tanto assim focar no assunto… deve ser importante, julgo eu que pode ser referente ao…seu irmão?

- Certo como sempre… - ele respondeu sem tanta animação enquanto se posicionava melhor no próprio acento. - alguma hora eu teria que intervir, e isso você já deveria esperar…

- Claro. - respondi com confiança, realmente esperava lá no fundo que ele viesse ter comigo para falar sobre o caso do irmão, e confirmei a suspeita quando ele me mandou uma carta pedindo pela posição no conselho durante o julgamento. - mas você sabe que… por mais importante que vocês sejam para mim…

- Sei que não pode fazer nada para soltar ele, Scar. - ele completou e eu assenti. - mas também sei que você não concorda por completo com a sentença atual dele.

Isso era um fato. Os Cipher's já tinham me dado muito trabalho, mas tempos atrás tinham sido de grande ajuda para mim, ou com favores que eu pedia ou como minha própria defesa em casos específicos.

- Claro... Devo tantos favores para você ou seu irmão, apesar de nenhum deles se igualar a esse que está me pedindo. - respondi com um leve pesar nas palavras, me doía não poder ajudar. - uma pena eu não poder fazer nada.

- É aí que você se engana… Scanor, não lhe pedi que o soltasse… nem pedi nada ainda.  - Will retrucou enquanto batucava os dedos contra a mesa, mania antiga. - mas, se eu dissesse que você pode ser útil… sem parecer injusto? Você o faria?

- Se conseguir algo nesse nível… ficaria contente em lhe apoiar. - confessei com ar de descaso, afinal não teria como o menor criar um plano tão aflorado em tão pouco tempo. - mas desacredito dessa possibilidade…

Mas quando ele sorriu de canto com aquele olhar de caso ganho típico do sobrenome… engoli minhas palavras em seco.

- Não é possível… você já planejou algo? Seriamente Will... Vocês me assustam. - comentei surpreso fazendo o menor se quebrar em risos comigo, mas logo tornamos ao normal. - conte-me! O que tem em mente?

- Pois bem… creio que meu irmão já teve metade da energia retirada e armazenada, e logo perderá tudo, se a sentença atual for executada… não é esse o caso? - ele começou com calma, e fiz o possível para acompanhar o raciocínio, assenti para que o mesmo continuasse.

- Acredito que possa haver um meio cruel de tratar disso, sem fazer com que ele perca a memória. - ele continuou.

- Você está sugerindo uma sentença mais cruel que banir Bill para a vida humana? - comentei com algum ar de objeção.

- Convenhamos que para nós… ser transformado em humano não é o pior dos casos não é? - Will riu com sarcasmo.

- Na verdade… como não posso mudar o passado, não será mais uma chance… se é que me entende. O resultado final ainda será o mesmo… - concluí com desânimo, isso ainda me causava raiva. - se eu pudesse dar outra chance a alguém… teria feito comigo a muito tempo.

- Sem drama Scar… sabemos que não tem um lugar para nós lá, nunca mais então... Vamo aceitar e continuar ok? - Will respondeu com a mesma expressão passiva de antes. - posso?

- Claro… diga-me o que pode ser pior que a primeira opção? - respondi enquanto tomava mais um gole de wisky, amargo o suficiente para me fazer retornar ao foco.

- Então…. Eu pensei no seguinte. - o menor suspirou e estalou os dedos antes de prosseguir. Ansiedade? - e se você afetasse o humano?

- Oi? - deixei escapar com certa dúvida se tinha realmente escutado essa sugestão, quase engasguei com a bebida. - o que você disse?

- Isso mesmo que o senhor ouviu, e não… não estou brincando, apenas escute e espere antes de tomar conclusões precipitadas. - eu respirei fundo e acenei para que ele prosseguisse.

- Bill realmente ama o garoto, mas por causa de alguns casos recentes… eles não se falam mais. - assenti relembrando do motivo de ter mandado que adiantassem o julgamento. - e acho que se apagassem a memória do meu irmão, ele só se livraria da dor… por isso tenho uma sugestão.

- E vai falar quando? Ou vai me dizer que tudo isso foi enrolação? - respondi com impaciência. O menor me direcionou um olhar obscuro e eu sorri. - me desculpe, pode prosseguir.

- Minha sugestão é que dêem metade da magia do meu irmão ao garoto. Tornado ele em um feiticeiro. - eu nem me atrevi a comentar, apenas guardei o riso pois sabia que Will não pararia em algo tão superficial.

- E se fizessem de Bill um feiticeiro permanente, banindo ele não de todo o submundo mas dá dimensão que ele habitava antes… no caso, a de Azazel. - ele continuou. - ele perderia sua posição, suas posses, o respeito… mas continuaria presente. Não daria mais problemas para você, ou para a corte… ao menos não seriam problemas diretos do senhor.

- Ok… eu entendi, mas o que o garoto tem a ver com isso? - questionei Tentando acompanhar as coisas. - ainda não entendi como isso pode interferir, não poderíamos jogar a magia dele de volta ao solo do submundo, como sempre fazemos?

- É poderíamos… mas pense. - ele continuou e eu suspirei. - se o garoto for transformado sem o desejo dele, vai ser forçado a perder sua família, mudar sua vida, se afastar… e a culpa disso será relacionada a quem? Quem o garoto vai acabar odiando e culpando por tudo isso?

- Bill? - respondi simplesmente, apesar de estranho fazia algum sentido. - ele vai culpar o amante pelos problemas dele? Se é que ele sobreviverá a tanta energia… poderia acabar matando ele.

- Isso… é o que humanos fazem, põem a culpa em tudo a sua volta, e a morte é uma consequência… mas não acredito que ele seja tão fraco assim. - ele continuou com confiança. - agora, concluindo o raciocínio… se fizesse isso, Bill pagaria seus erros, perderia tudo que mais importa para ele… suas posses, respeito e sua paixão… o motivo de todos os problemas desde o início.

- Por Belfegor, Will... Você tem noção do quanto está sendo sádico? - respondi incrédulo no que ele tinha proposto. - seu irmão concordou com isso?

- Meu irmão não está em posição de concordar em nada… e ele disse que confia em mim. - o menor respondeu enquanto arrumava o cabelo azulado. - e só estou tentando conseguir o que ele precisa.

- E o que seria? - questionei surpreso com a postura dele. - a ponto de tanto sacrifício que ele nem sabe que fará?

- Tempo. - Will respondeu e em seguida se levantou, arrumando o terno que vestia. - então… vai pensar na minha proposta?

- É complicado William… - levei as mãos a cabeça tentando assimilar as coisas. - o conselho descidiu a sentença a um tempo, não sei se conseguirei convencê-los…

- Você consegue Scar… confio na sua capacidade. - ele estendeu a mão que eu aceitei em uma despedida breve. - agora preciso ir… já tomei demasiado tempo.

- Você e seus irmãos… não são fáceis, Sempre com essas idéias aleatórias e completamente insanas. - respondi enquanto ele se dirigia a porta. - já dizendo… não garanto que vou convencer eles. E se seu irmão souber…

- Deixe que eu cuido do meu irmão, ele não vai fazer nada com você, não se preocupe… - ele respondeu, com um olhar vibrante e um sorriso que não deixava a mostra o lado negro do menor.

- Deveria me visitar mais… nem sempre é fácil lidar com os casos sem conselhos decentes. - falei antes que ele se fosse. - você nem age como se fosse um dos meus conselheiros.

- Não vou ser pra sempre, Scar. - ele respondeu baixo mas eu ouvi, e antes que eu pudesse esbanjar qualquer protesto, o menor se foi fechando a porta atrás de si.

Soltei um suspiro seguido de um riso, voltei a me sentar e tentei repensar sobre o que ele tinha me proposto. O garoto realmente era um demônio, só assim para tanta insensibilidade… sem contar as mudanças aleatórias de personalidade, algo fascinante de ver.

Não demorou muito para que outra vez a porta me assustasse, duas batidas firmes e por um instante pensei serem de Will, por isso nem me incomodei em ir ver. Um erro desnecessário.

- Entre! Esqueceu alguma coisa? - a porta se abriu lentamente com o ranger habitual, a seguir ouvi os passos pesado e algo que estranhei, tocs familiares, de uma bengala? Mas Will não usava bengala. - William?

- Acho que não deveria me confundir assim Scar… poderia ficar seriamente ofendido. - a voz que congelou minha espinha por alguns instantes, com certeza não pertencia a meu amigo. - se me confundiu com o garoto que encontrei no corredor… de cabelos azulados, ficaria até lisonjeado, afinal ele me pareceu… agradável.

Esse homem com certeza não era, nem de longe, parecido com Will. A pele clara como a neve, e os cabelos negros como carvão pouco abaixo das orelhas, o terno perfeitamente negro coberto por uma capa na mesma cor, cobrindo apenas um ombro no momento. Ele emanava o medo e o respeito de uma forma intrigante, exatamente como um líder deveria parecer.

- Mil perdões Milorde, não foi minha intenção… - comentei baixo me desculpando por confundir ele com outro aparentemente menos importante. Ao menos para ele.  - fique a vontade senhor… tem algo em que eu possa lhe ser útil?

- Claramente, pelo contrário eu não viria a essa espelunca. - ele respondeu com descaso e sarcasmo. Em seguida se sentou com cuidado próximo a mim, o sorriso dele me deixava desconfortável, sem contar os olhos esmeralda que exaltavam terror.

- Preciso de um favor seu… nada extremamente complexo. - ele estalou os dedos e vi quatro envelopes negros com selos dourados que eu conhecia bem. - preciso que entregue esses envelopes, para seus respectivos donos. Consegue?

- Claro Milorde… e se me permite, reconheci alguns nomes… pertencentes a humanos? - questionei com certo receio, e minha visita ergueu uma sobrancelha. - é que os envelopes são referentes a apenas submundanos…

- Está cogitando um erro meu, Scar? - senti um leve tremor em meu ser, medo claro... Ele sempre me causou medo. - sabe que não lhe devo explicações.. não é?

- Sim senhor… perdão. - respondi em tom baixo, mas por sorte ou não… ouvi um riso do moreno. O que me deixou confuso.

- Só vou contar por que não… odeio você, e é melhor que saiba o que é caso precise… - eu apenas assenti e deixei que ele falasse. - esses convites são para quatro feiticeiros… que ingressarão na academia no próximo ano.

- Feiticeiros? Mas senhor… eles não são feiticeiros… - tentei dizer mas ele se levantou e estendeu a bengala para a minha garganta antes que eu pudesse reagir.

- Mas eles serão, e você garantirá isso… não é mesmo Scar? - ele perguntou com animação e eu assenti rapidamente, assistindo enquanto ele tirava a bengala da minha garganta e direcionava para meu ombro, onde bateu duas vezes. - muito bem, não me decepcione…

Então ele arrumou sua capa e foi em direção da porta, por onde saiu e não voltou mais. Pelo visto ele insistiria em tirar minha paz toda vez que nos víssemos?

Observei os convites com certo receio, era estranho aceitar isso… o que aquele homem queria com eles, e por que seria tão importante a ponto dele vir pessoalmente me pedir uma coisa tão simples?

Enquanto isso me intrigava vi James entrar sem nenhuma cerimônia em meu escritório. Ele nunca era cordial sem algum motivo prévio, ou apenas quando sabia que eu não estava em um dos meu melhores dias.

- Senhor... Esse que passou era...? - ele tentou falar, parecia amedrontado, pelo visto não era só a mim que aquele homem assustava.

- Belfegor? Sim… - respondi respirando com calma e tomando outra rodada de wisky, sendo bom ou não, iria me fazer aceitar que não tinha sido um pesadelo.

- Mas Sir… o que ele queria? Não que o senhor seja descartável mas… ele não sai do palácio por qualquer motivo. - James falou com receio.

Acenei com o queixo para a mesa e o secretário avaliou as cartas brevemente, curioso mas não tanto, ele também conhecia o lugar.

- Ele já mandou subordinados por muito menos… não faz sentido. - ele concluiu.

- Belfegor não precisa fazer sentido James, ele só faz o que quer… - observei as cartas e os nomes presentes mais uma vez. - não sei do que se trata… mas quem sou eu para questionar nosso príncipe.

/////////

| Dipper pov |


Ouvi a porta bater algumas vezes, mas não respondi nenhuma delas.

Mabel avisou que nossos pais poderiam se preocupar caso eu não saísse para comer algo, ou falar com eles, ou caminhar com o cachorro… mas não me importei.

A pergunta que eu fazia para mim mesmo ainda não tinha mudado.

“O que vai fazer agora?”

E era nisso que eu pensava o tempo todo.

Já tínhamos chegado a umas seis horas, Mabel convenceu nossos pais que eu estava mal por conta do Ford, o que não foi uma mentira por completo, e evitou que viessem falar comigo, mas não era apenas isso.

Stan e nós tínhamos conversado no carro, quase no fim da viagem… nem foi bem uma conversa, apenas um monólogo, onde Stan nos instruiu a dizer que Ford tinha se acidentado em uma queda d'água, onde escorregou e acabou se afogando.

A idéia era ter algo a contar para nossos pais, que ficaram menos abalados do que esperávamos após receberem a notícia. Por fim a idéia era criar um memorial, no cemitério municipal… onde nossos avós tinham sido enterrados, e fariam isso no dia seguinte.

Stan disse a eles que a polícia em Gravity não encontrou o corpo, e que ele mesmo procurou durante horas a fio… mas poderia ter sido perdido para sempre por ser uma queda profunda rumo a rochas adiadas.

Depois de tudo explicado, Stan resolveu ir embora, recusando qualquer proposta para ficar mais um pouco ou passar a noite. Ele disse apenas que voltaria para o memorial.

Agora eu estava ali no quarto, sozinho, pensando… me senti até meio culpado por não pensar em Ford, mas não podia evitar… eu estava preocupado.

Desde que Mabel tinha contado a verdade sobre o que aconteceu com Bill, me coração tinha se acalmado, e agora eu não estava mais bloqueando ele… mas depois de um tempo a preocupação passou a um nível extremo, pois eu passei a conseguir sentir ele.

Angustia, ansiedade, medo, tristeza, raiva… Bill estava mal, e do jeito que se sentia, talvez estivesse sozinho, e isso me deixava mal… muito mal.

- Dipper? - Mabel estava entrando no quarto, sem muitas cerimônias como sempre, mas com ela não podia me incomodar. - como está?

- Eu ou ele? - ela entendia o que eu estava passando pois eu tinha explicado mais ou menos, eu agora estava assim, dividido entre o que era eu e o que era ele.

- Ambos. - ela se aproximou da cama, estava com um copo em mãos, me sentei e peguei observando o líquido quente e esverdeado. - tome… é chá, erva doce… talvez te ajude.

- Obrigado Mabs… - falei meio sem jeito e bebi um pouco. - sobre nós… eu estou bem, mas ele… está ansioso.

- Ansioso? Alguma preocupação? - ela questionou com curiosidade. O pingente dela pendia por cima do suéter branco.

- Não sei o que é… eu só sinto, não dá pra saber o que causa os problemas dele Mabs. - respondi tomando mais um gole de chá. - o que eu não daria para poder ajudá-lo... Para poder saber o que está deixando ele assim.

- Já pensou no julgamento? Pode ser isso… - ela comentou com certo receio de estar certa. Ambos sabíamos o que aconteceria se fosse verdade.

- Se for isso… não adianta nada ficar assim… - coloquei a caneca na cabeceira e deitei outra vez. - não vou poder fazer nada… e nunca mais vou vê-lo.

- Ah Dipper… - ela se aproximou para deitar ao meu lado, por cima do cobertor. - se eu pudesse fazer alguma coisa por você… por vocês.

- Não pode, ninguém pode… - falei tentando conter a dor que voltava dentro de mim.

O pior não era saber que ele esqueceria, não era saber que ele nunca mais iria aparecer no quarto do nada, não… o que mais machucava era saber que eu lembraria, de tudo, o tempo todo… e não passaria de mais uma aventura de verão.

- Não queria que acabasse assim… não imaginei assim nossos últimos dias, sinceramente… fico imaginando como seria.

- Como seria…? Em que sentido? - ela disse tentando manter um diálogo.

- Se Stan e Ford não fossem pra Gravity… talvez não teríamos que passar por isso. - comentei deixando minha mente voar um pouco. - poderíamos ter aproveitado mais um pouco…

- Não está mais com raiva dele, não é? - ela questionou do nada me fazendo pensar um pouco.

- Sempre estou com raiva dele, Mabs... - respondi abraçando o travesseiro mais forte. - preciso estar.

- Que? - ela disse confusa, me fazendo rir um pouco.- você não está aí todo triste falando que morre de saudades dele?

- Eu nem disse isso!  - falei me virando para bater o travesseiro nela. - e não corte meu raciocínio…

- Mas é verdade! - ela falou pegando outro travesseiro e jogando em mim, iniciando uma guerra infantil. - você sente falta dele… e vai ficar pior logo, então vamos fazer outra coisa! Pra você não pensar nisso!

- Tanto faz… - ambos rimos e estiquei meus braços para me espreguiçar um pouco. Ela aproveitou e quase me sufocou com o travesseiro. - MABEL!

- Você está pensando demais! Não pense! - ela continuou me batendo com o travesseiro até que me levantei e comecei a revidar.

Era legal ver o esforço dela para me ajudar, infelizmente não seria útil pra sempre… isso, como ela disse, alguma hora ia piorar… eu sentiria falta dele sempre.

Eu sinto raiva dele, sempre, ao menos um pouco, por que é minha segurança.

Pode parecer estranho mas… ele sempre sabe quando eu estou com raiva dele, e em algum momento ele aparece, com aquela cara de idiota.

Pede desculpas por qualquer coisa que tenha feito, consegue ganhar minha atenção… seja me perturbando ou partindo para o físico, ele sempre consegue.

Por isso continuei com uma certa raiva dele naquele momento, era meu jeito de pensar que se de alguma forma, ele pudesse sair dessa, não importa como, algo dizia que ele conseguiria…

Ele viria se redimir.

////////



Notas Finais


Fotinho na capa pra ter uma idéia de como é o tio Belf 💚

Ao menos o estilo dele ksksks

Próximo capítulo sai o tão esperado julgamento!

E o reencontro do casal secundário, Will e Mabel!

O Dipper e o Bill só se verão no baile, que virá logo após... Ao menos esses são meus planos, mas quem sabe? Posso mudar as coisas não é?

Até logo bbs ❤


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