História Realmente mal? - Capítulo 33


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Categorias Gravity Falls
Personagens Bill Cipher, Dipper Pines, Gideon Gleeful, Mabel Pines, Soos Ramirez
Tags Bill, Billdip, Dipper
Visualizações 29
Palavras 6.812
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Bishoujo, Comédia, Fantasia, Ficção Científica, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Bem vindos meus amores, ao aguardado julgamento do Cipher que vocês amam!

Hoje o dia é dele, do meu bb, rei do preto e dourado, BILL CIPHER!

Aproveitem essas 6000 palavras!

e boa leitura 😉

Capítulo 33 - Trinta e dois - Bill pov



|Bill pov|


Acordei com alguém batendo na grade. O som de metal em contraste com outro me assustou e se tem algo que odeio é acordar com susto.

Não entendi de imediato mas acordei até feliz, eu deveria era estar com raiva mas algo em mim fazia uma animação estranha aflorar, isso só podia significar uma coisa… se não era eu, então era..

- Dipper..? - Falei sem pensar e acabei atraindo a atenção de quem estava ali fora, mas ele não pareceu ouvir então não me importei.

Por sorte aquele lugar não tinha tanta iluminação, como a maior parte do submundo, e minha cela não tinha janelas, tornando o frio mais suportável.

- Fico impressionado… conseguiu dormir mesmo sabendo o que teria no dia seguinte? - o garoto que me observava parecia uma criança aos olhos de qualquer um, mas eu sabia que ele era tão experiente quanto eu.

Os cabelos ruivos caindo sobre os ombros, criavam um belo contraste com os olhos verdes e as sardas que decoravam seu rosto. Assim que me levantei o menor sorriu e acenou para mim.

- Bom dia pra você também, Thuri. - me espreguicei com certo esforço e caminhei até as grades quase na mesma animação que o menor. - quem você subornou para vir me buscar?

Ele estalou os dedos e a cela foi aberta, eu mal sai e já recebi o vento frio dos corredores que no fundo da cela não era tão presente.

- Por favor… tome! - ele fez aparecer uma jaqueta dourada que eu aceitei sem reclamações, Thuriel era um dos poucos demônios que não me odiavam, ou me adoravam, ele era meu amigo… se é que já tive isso milênios atrás.

Na época que nos conhecemos eu não tinha amigos, tinha aliados e conselheiros… o fato de não me chamar de Milorde ou Sir já tornava alguém mais próximo de mim. Era difícil encontrar alguém assim… Thuriel foi um dos únicos.

- Anos sem te ver e é assim que te encontro? - ele estendeu a mão que eu aceitei em um high five breve. - se queria fazer besteira podia ter me procurado!

- Você é tampinha demais para me ajudar nessas coisas, seus pais podem ficar bravos. - comecei a caminhar na frente até que o menor me alcançou.

- Hey! Eu vim buscar você! - ele se colocou na minha frente impedindo que eu passasse. - então, eu guio você até a saída.

Sorri para ele e baguncei os fios alaranjados deixando mais desgrenhados do que antes.

O menor murmurou algo em protesto mas não liguei tanto, não iria danificar meu humor de qualquer jeito, apenas me abaixei um pouco e olhei diretamente para ele, que tentava arrumava os fios da pior maneira possível.

Estendi o indicador e empurrei a testa do menor, Thuriel revirou os olhos descontente.

- Quando você for mais velho pode ser o guia. - ri e assisti, enquanto ele me direcionava um olhar de puro ódio que eu sabia ser falso. - talvez… se cortar esse cabelo, pensarei no seu caso.

Voltei a andar, mais devagar dessa vez, deixando que ele andasse ao meu lado e gritasse o que quisesse, de todos os demônios que poderiam ir até ali me buscar… ele era um dos melhores.

Mesmo que eu quisesse conversar com ele sobre a vida, ou não.. minha mente não se desviava da preocupação com Dipper, pensar se ele estava bem, e como ficaria era o que mais me tirava a paz.

- Hey Bill. - ele disse, me despertando da minha breve viagem, quando voltou ao estado animadinho de antes e eu assenti para que falasse. - que diabos é Dipper?

- Não é o que… é quem… - respondi colocando as mãos no bolso e soltando um suspiro fraco.

- E por que falou o nome dele ao acordar? - ele perguntou com os olhos verdes faiscando em curiosidade.

Não consegui evitar um sorriso fraco que se formou em meu rosto… desde quando o moreno tinha se tornado meu primeiro pensamento ao acordar?

- Bill? BILL CIPHER!? - me assustei com Thuri puxando a manga da jaqueta, e já meio impaciente me virei para ele.

- O que foi? - questionei tentando não desferir um soco no menor, estava começando a lembrar o por que de ter me afastado dele. - sabe que não respondo a gritos de ninguém, está a fim de se queimar?

- Você que está todo avoado aí! Todo contente, com cara de idiota! - ele reclamou indignado. - sem contar que eu perguntei se ela era sua namoradinha e você nem me respondeu!

- Que? Ela? Quem? - falei meio confuso, não tinha mesmo escutado tal comentário do ruivo. - quando disse isso?

- Enquanto você estava suspirando feito uma fadinha! - ele disse enquanto movia as mãos imitando asas. - … eu sou Bill e virei um frutinha por causa da minha namoradinha humana trouxa…

- Não chame ele de trouxa. - murmurei depois de dar de ombros, não iria desperdiçar minhas últimas horas criando mais motivos para ser condenado. - a não ser que queira ser empalado e deixado na porta da prisão para secar…

- Que horror Bill… - ele parou de imediato e voltou a me seguir pelos corredores. Estávamos nas escadas para o próximo corredor quando ele voltou a falar.

- Ela deve ser importante para você ficar irritado fácil… - ele murmurou com certo desânimo. - até ameaçou me empalar... Achei que tinha parado de empalar…

- Deixa de ser idiota Thuri… eu não vou empalar você. - dei um soco de leve no ombro do menor que abriu um riso de orelha a orelha. - a não ser que continue chamando o Dip de garota.

- Não é uma garota? Achei que Dipper fosse nome de garota! Pera aí… Dip? - ele comentou com certo entusiasmo e a típica boca aberta de surpresa exagerada. - não sabia que você saía com garotos… muito menos humanos.

- Eu saio com quem eu quiser, Thuri. - respondi meio antipático. Olhei em volta e notei que os presos não comentavam nada desde que tínhamos chegado no corredor, o que era estranho já que quando cheguei… fizeram questão de me perturbar.

- O que deu nesses caras? - perguntei para o vento já que Thuri estava murmurando sem parar alguma baboseira sobre relações amorosas e etc.

- Então esse garoto com nome de menina…

- Não é nome de menina! - cortei com irritação.

- Tanto faz! - ele continuou. - esse garoto.. Dipper, é seu namorado?

- É. - respondi de imediato, não que me importasse em alguém saber ou não, mas me surpreendi ao ver que falara com tanta facilidade. - ele é meu namorado. Por que?

O menor me observava, talvez tentando entender ou pensar em uma forma de como reagir, por fim ele apenas concordou com a cabeça e sorriu.

- Tomara que eu possa conhecê-lo. - ele disse por fim e eu comecei a cantarolar alguma coisa aleatória. - você está diferente…

- Isso é um fato. - respondi sem tanto interesse, a música não saía dos meus pensamentos, uma melodia melancolia em piano talvez… mas não conseguia lembrar de onde a conhecia.

- Está cantarolando… Clair de Lune…? - ele perguntou com a voz baixa. Encarei o menor com desconfiança. - não sabia que gostava de piano.

- E eu não sabia que conhecia essa música… - respondi no mesmo tom. Era surpreendente ver Thuri saber de algo e eu não. - estamos quites.

- Eu estive no teatro onde ela foi tocada a primeira vez... - ele afirmou, com o olhar perdido entre alguma lembrança. - com certeza… sinto falta daquele tempo.

Vê-lo pensativo me fazia querer ficar no mesmo estado, mas a última coisa que eu queria era pensar... Então preferi descontrair da minha forma favorita. Provocações.

- Não sabia que crianças podiam ir ao teatro… seus pais levaram você? - comentei, logo percebendo a irritação do ruivo, que me socou deixando claro o efeito “positivo” do comentário. - nossa… bate igual a uma garotinha… impressionante…

- Idiota. Você tem sorte que vai ser julgado… se não eu acabaria com você aqui mesmo… - ele disse soltando um suspiro.

Eu apenas voltei a cantarolar a música. Mesmo sem sentido… era como se alguém tocasse piano dentro da minha cabeça.

- Pare com isso… - ele soltou um suspiro notável. Realmente o menor não conseguia ficar três minutos sem falar? - vai irritar os presos!

- Não sou eu… - era até meia verdade mas ele não pareceu acreditar. - é que… está na minha cabeça, como um tipo de calmaria… não sei por que.

O ruivo deu de ombros e eu continuei, talvez não fosse eu mesmo... Quem sabe Dipper gostasse tanto de piano quanto eu pensava.

Dipper, Dipper e Dipper… por que o nome dele não passava nem cinco minutos sem voltar aos meus pensamentos? Eu estava começando a parecer uma garotinha rindo ao pensar nele… e isso me incomodava… ou não?

Ah, tanto faz.

////////

- Temos mesmo que ir caminhando? - reclamei com a voz arrastada enquanto subiamos os últimos vinte degraus. - não aguento mais…

- Nem chegamos na saída ainda! E estamos andando só a uns sete minutos! - Thuri respondeu enquanto eu subia as escadas reclamando a todo instante. - você é sedentário demais Cipher! Cadê toda aquela sua determinação e força? Cadê o soldado cruel que eu conheci em 1400?

- Ficou na Pensilvânia… - respondi com completo desânimo. - junto com toda a minha sede de sangue… perdeu a graça sabe? Por isso fiquei na minha pelo resto dos séculos.

Ouvi o ruivo reclamar e lançar algumas ofensas ao vento, me comparando com tempos que eu nem lembrava ou me importava mais.

- Não aceito ver você preguiçoso assim! - ele disse por fim e eu revirei os olhos. - vamos apostar uma corrida até a portaria!

- Você só pode estar louco se acha que vou correr rumo a minha morte nos meus últimos minutos de paz… - olhei seriamente para o menor que parecia realmente interessado. - Nem pensar Thuri!

- E se eu prometer não falar mais uma palavra até chegar no tribunal? - ele estendeu a mão para mim, esperando que eu apertasse para fechar uma aposta… mesmo sendo tão tola. - mas claro… se você me ganhar…

- Não deveria me subestimar em tão pouco… - comentei com um riso diabólico aceitando o comprimento. - até lá em cima Thuriel…

Eu falei e saí em disparada pelas escadas. Só ouvi os gritos de injustiça dele, algo sobre eu ter saído na frente mas nem liguei. Nem estava cansado de verdade, jamais deixaria minha forma física e minha força… só estava procastinando mesmo, mas sempre fui convincente, então o ruivo se surpreendeu quando chegou na portaria em segundo.

- Então são vocês que estão fazendo todo esse barulho? Por todos os sete! - um cara qualquer murmurou enquanto retirava os fones e se esticava para nos ver, já que estava atrás de uma salinha meio alta… eu e Thuri nos entreolhamos. - até com fones eu ouvi!

- E quem é você? - perguntei com uma sombrancelha erguida. Ele deveria ser de alguma importância para se referir a dois demônios de alta clave dessa forma.

- Sou Jones, o guarda dessa coisa toda! - ele respondeu esticando as mãos teatralmente, apontando para o redor. - e vocês estão badernando!

- Quem você pensa que… - Thuri já ia acendendo as mãos em um vermelho vivo, ansioso para queimar alguém. Então segurei o estressadinho pelos ombros tomando as rédeas da situação. - me solte Bill!

- Quieto! Você não pode falar lembra? - coloquei o dedo na frente da boca do ruivo, que baixou os olhos e soltou um suspiro. Se acalmando com relutância. - ótimo… bom garoto Thuri! Agora vamos embora sim?

O ruivo ia reclamar mas aposta entre demônios é selada com magia. Se ele falasse a própria energia o queimaria, então ele apenas assentiu e seguiu em frente, para abrir um portal.

Dei uma última olhada no guarda, que acenava para mim como um trouxa, me aproximei dele uma última vez para que o mesmo quebrasse o selo que bloqueava minha magia, e durante o breve encantamento ele olhou para Thuri, mas o ruivo estava concentrado.

- Seu filho é irritadiço hein… - ele comentou de trás da abertura na parede de vidro que nos separava. - deve dar um belo trabalho…

- Filho? - comentei com um riso alto. Mesmo que não fosse o caso preferi me aproveitar da brincadeira. - claro… ele é um pestinha, mas é obediente quando eu quero… não é garotão?

Thuriel ainda permanecia preso em seu próprio jogo, mas pude jurar que vi uma fumaça vermelha saindo do cabelo ruivo do menor. Então depois de alguns risos suspirei e segui até Thuri, que já estava com o portal aberto.

- Não me culpe se você parece uma criança mimada… - disse quando cheguei ao lado do ruivo, ele até mesmo me deu um soco mais forte que os anteriores. - ai…

Então ele sorriu e segurou a manga da minha jaqueta para me puxar através do portal, sorte dele que eu sou experiente nessas coisas, por que entrar em um portal repentinamente poderia me levar para qualquer lugar ou dimensão aleatória.

Por causa disso retribui o soco do ruivo assim que atravessamos para a entrada do tribunal, onde um certo demônio com um chifre e meio nos esperava.

- Jamie! A quanto tempo! - dei um soquinho no ombro dele por que ele não iria me comprimentar em nenhuma hipótese. Ele nem sequer respondeu, apenas olhou de mim para Thuri e de Thuri para mim.

- Quem deixou o pirralho buscar você? Não lembro de concordar com isso! - James respondeu indignado. Pelo menos dessa vez não precisei segurar o ruivo, ele não seria burro de socar James a toa.

- Eu não sou pirralho! - Thuri se colocou ao meu lado, pelo visto o feitiço tinha cessado. - e foi o Scar que deixou! Pelo que eu sei… ele manda e você obedece.

Quase tinha esquecido que Thuriel e Scanor eram bem próximos, eles sim poderiam ser chamados de pai e filho, apesar de não levarmos isso muito a sério entre os demônios.

- Não liga não Thuri… - me virei para o menor e estendi a mão para um último comprimento. Ela apenas me observou com curiosidade. - que foi? É agora nos despedimos.. não é?

- Ah… - consegui ver a animação ser trocada por decepção no olhar do ruivo, e quase tive pena, mas sabia que ele não choraria ou algo assim. Um ex soldado dos meus não choraria. - então… tá. Vou sentir sua falta, trouxa.

- Também vou sentir saudades… - em vez de continuar esperando um high five, que obviamente não viria, pousei a mão na cabeça do menor. - baixinho.

- Vou ficar de olho em você se virar mesmo humano… - ele disse quando eu voltei a postura ereta e comecei a me afastar. - a não ser que você consiga escapar dessa…

- Quem sabe. - eu ainda tinha esperanças de não precisar ser banido, e ao olhar Thuri com um riso sincero para mim, notei que nem todos do submundo me odiavam.

- Se eu sair dessa… a gente se vê. - falei alto o suficiente para que ele ouvisse. E também notei a negação com a cabeça que James desferiu após meu comentário.

- É bom mesmo! - ele gritou enquanto eu me dirigia ao portão negro, direto para o júri que eu nem temia mais. Nem precisei me virar para saber que Thuriel não estava mais lá, ele não iria assistir nem que o pagassem.

Seria a segunda vez que eu me encontraria sendo o centro das atenções no tribunal submundano, que era mais um teatro do que qualquer coisa.

Todos ali sabiam bem como tudo funcionava. Não tinha defesa ou acusação, apenas o conselho formado por três pessoas, que narravam seus erros e sua sentença, enquanto o juiz assentia em silêncio, batendo o martelo a cada fato, para no fim o acusado receber seu destino, cruel ou nem tanto.

/////////

James parecia acostumado com tanta atenção, não demonstrava nervosismo nenhum em ver o tribunal mais cheio do que de costume. Para mim eram apenas demônios demais que não cuidavam das próprias vidas.

Que finalidade aqueles imbecis viam em assistir a condenação de alguém? Claro que no meu caso, alguns tinham seus motivos. Se não agradei a muitos ali.. uma coisa era certa, desagradar eu consegui, por que muitos ali matariam sem pensar por uma chance de me ver queimando em uma fogueira.

Para os que eu reconheci na platéia enquanto caminhava pelo longo corredor vermelho, fiz questão de acenar ou desferir piscadelas amigáveis, apenas para receber gritos ou ameaças, sem contar os sorrisos e olhares de contentamento em me ver caminhando para o exílio.

Realmente demônios não tem misericórdia. Compreensível, eu também não tive misericórdia com as tropas e exércitos de alguns dos presentes, fiquei impressionado mesmo por ver que os com mais motivos para me matar, não demonstravam sequer um comentário.

Talvez estivessem satisfeitos com o final que eu mesmo tinha causado para mim.

- Bill Cipher… segundo irmão dentre os três possuidores desse sobrenome, o do meio entre os três controladores dos sonhos e da ordem mental que rege a maior parte das formas de vida… - Jack, um dos conselheiros começou a falar.

O tom calmo e quase mecânico, trouxe a atenção de todos os presentes. Sinceramente nunca entendi o motivo de tanto drama… meu cargo e os dos meus irmão nem eram dos melhores… só éramos mais conhecidos ou temidos por conta dos problemas que um dia causamos.

Will representante da ordem, sempre cuidadoso e responsável, mantendo a ordem entre nós três. Eu, representava a gota de ordem dentro da discórdia, já que mesmo a desordem precisa de limites… e kill, nunca falávamos muito dele, a representação da desordem, a encarnação do caos, o causador dos pesadelos e responsável por causar alguns dos principais problemas na humanidade.

Esses eram nossos títulos dentre os outros demônios, nossas responsabilidades, mas isso não quer dizer que seguimos isso muito bem.

- Está consciente dos atos que citaremos, e se dispõe a aceitar sem questionamentos a sentença que lhe proporcionarmos? - ele concluiu no mesmo tom, pelo visto tão entediado quanto eu.

- Como se eu tivesse opção… - murmurei sem me importar, mas ao notar o olhar frio de Jack preferi não causar novos problemas. - quis dizer… claro! estou ciente e disposto a aceitar meu… destino.

- Pois bem. - Jack suspirou e passou a palavra para o segundo conselheiro, esse eu não conhecia, tinha a pele clara como a neve e os cabelos acinzentados, mas em contraste com esse perfil límpido… os olhos vermelhos eram um destaque marcante. - agora Nimbus vai continuar, substituindo um dos conselheiros que se ausentou hoje.

- Ao meu ver, seus erros foram considerados graves… quebrou os acordos quando se envolveu em forma sentimental com um mundano, e foi completamente contra os limites quando matou o motivo de todos os seus problemas… - ele não tirava os olhos do livro em mãos, pelo visto não estava a par dos acontecimentos e isso me dava certa pena dele… sem contar que dificultou um pouco para que eu evitasse os risos.

- O senhor teria alguma justificativa para a morte do humano, Stanford Pines? - ele questionou como era de lei, eu tinha ao menos uma chance de me explicar. Então eu assenti, não mataria falar um pouco. - então prossiga.

- Então… posso dizer que não estava em completo controle sobre meu subconsciente. Tive alguns problemas e fiz questão de me distanciar dos mortais… - falei me esforçando para lembrar de tudo. - e pelo que me recordo… foi ele que apareceu na floresta, não tive culpa sobre meus atos. Todos aqui sabem as consequências de um descontrole.

Ouvi os burburinhos entre as pessoas do júri e as que apenas assistiam tudo como um espetáculo, o que eu disse não assustou ninguém, mas deu aos que me apoiavam (que eram menos da metade) um motivo para continuar em minha defesa.

- Mesmo assim sabe que não está em posição de se justificar, seu primeiro erro já foi suficiente para sua sentença… que agora será dirigida pelo terceiro conselheiro. - olhei para o lugar que eles estavam, em uma mesa ao lado do púlpito do juíz, e vi pela primeira vez a expressão do meu irmão.

- Will, prossiga com a palavra, para encerrarmos essa sessão. - foram as últimas palavras de Nimbus.

Em seguida Will me direcionou um leve olhar que ambos conhecíamos. Em minha mente uma frase se formou antes que ele começasse a falar.

“Só escute ok? Sem questionamentos… e as coisas se resolvem.”

Eu assenti para ele e ninguém mais pareceu notar a breve conexão entre nós, apesar da maioria conhecer nosso grau de parentesco a muito tempo.

Não consegui evitar de ouvir os diálogos que se espalhavam entre as pessoas na “plateia”, alguns com pena de Will por ser o único que “presta” entre os irmãos, ou reclamações dizendo que seria injusto deixar que família julgasse família. Hipócritas… a maioria ali não se importava com nada disso, só o ódio os guiava então eles nem deveriam estar presentes.

- A sentença para o acusado em questão já havia sido decidida, cerca de nove dias atrás. - ele começou tomando outra vez o silêncio de todos, a voz mansa do meu irmão me fez respirar fundo e me manter em silêncio, mesmo com receio de onde isso iria terminar… eu confio nele. - mas, por ordem de nossos superiores… ela foi alterada a menos de três dias.

Ouvi os demônios ou feiticeiros explodirem em revolta, como se tivessem o direito de exigir minha morte ou algo tão ruim quanto, isso por que a maioria nem sabia o que ocorreria comigo e estavam ali só para verem. Agora se encontravam em risco de perderem suas viagens? Claro que causaria um breve caos… dentre todo o alvoroço eu apenas sorri, não importa o que acontecesse, contanto que não me apagassem… eu ficaria bem.

- SILÊNCIO! - Scanor se pronunciou pela primeira vez e aos poucos os submundanos tomaram seus lugares e a “paz” voltou ao local. - prossiga Will, andemos logo com isso.

- Ok… a sentença atual consiste em rebaixamento. - me assustei mas nem tanto ao ouvir tal palavras. Rebaixamento era o que a maioria dos demônios temiam, afianl… além da queda de milênios atrás, perder um cargo até mesmo ali no submundo, seria a pior das humilhações.

- Como foi decidido, Bill Cipher perderá seu título de demônio, e permanecerá como feiticeiro, sendo forçado a viver na terra pois do submundo será banido permanentemente. - ele disse e eu soltei um suspiro. Notei em Will um olhar de reprovação, e voltei a parcer triste.. pelo visto eu deveria ao menos fingir um efeito.

- Suas posses na dimensão de Azazel, onde um dia habitou, serão retiradas… e ficará apenas com o que tiver em seu nome no mundo mortal. - ele continuou e aí sim senti um peso, afinal… estavam tirando minhas coisas!? Eu teria que forçar Will a ir em minha antiga residência para pegar o básico antes de a destruírem. - não poderá ter contato com os nossos por invocação ou qualquer meio de contato mágico, pelo contrário poderá ser punido com morte, prisão, ou exílio eterno.

Até ali estava dolorido, mas não seria a pior coisa. A imortalidade ainda estava do meu lado, eu poderia continuar com Dipper e Will! Só perderia minhas coisas, e o respeito de qualquer demônio vivo… claro. Mas no momento não era o meu foco me importar com isso, eu só me preocupava em segurar o riso que estava louco para surgir em meu rosto.

- Por fim… - Will prosseguiu, pelo visto ainda tinha mais alguma coisa, e quando vi ele levantar um receptáculo onde uma chama azul se encontrava presa... Senti meu sangue esquentar um pouco. - a parte da sua energia que um dia fez de você um dos melhores soldados dos sete, ao invés de ser lançada ao solo demoníaco como diz a tradição… será mandada a uma alma humana, que com sorte se transformará num feiticeiro.

- O QUE? - eu exclamei em choque, nem percebi que tinha mesmo gritado em voz alta. Infelizmente o medo tinha me abatido, um humano recebendo aquela quantidade de energia demoníaca contra a vontade? Poderia matar quem quer que fosse! E a única coisa em que eu poderia pensar era no pior. - O QUE VOCÊ DISSE?

- Se coloque em seu lugar, Bill. - foi a voz de Scar que me trouxe de volta ao que estava acontecendo, ele parecia calmo e Will nem fazia questão de me encarar. - a decisão foi tomada e sua energia será mandada ao Pines que lhe trouxe a esse tribunal desde a primeira vez. E a sorte decidirá se ele vai viver ou não.

- Não… - senti a mistura de angustia e raiva, Dipper poderia morrer por minha causa, e eu não poderia fazer nada para impedir… - o senhor não pode recorrer a sentença antes dita? Mesmo que eu peça pelo primeiro destino? Não há regra sobre isso?

Scanor pareceu pensar um pouco, ele e Will trocavam olhares de culpa e receio, pelo visto ambos tinham algo a ver com isso. No fundo eu sabia que não poderia fazer nada e isso me assustava.

- Sinto muito, mas o caso já está concluído. - Scanor ergueu o receptáculo e o quebrou entre os dedos, deixando o fogo azul seguir seu caminho, sumindo rapidamente e tomando o caminho para a alma do único humano com qual eu me importo.

Em seguida ele bateu seu martelo e as luzes voltaram ao tom branco de antes, mostrando que o caso estava mesmo encerrado.

- Estão dispensados. - foi a última coisa que ele disse, e eu não poderia reagir nem se quisesse, já que agora eu era permanentemente um feiticeiro, nem em sonho forte o suficiente para lidar com Scar.

- Bill? - ouvi uma voz atrás de mim, baixa e calma mas meio receosa. Seguida de uma mão no meu braço, com um puxão fraco. - vamos…

- Thuriel? - falei quase no mesmo tom, estava com raiva e preocupado demais para demonstrar felicidade em ver o ruivo outra vez. - não tinha ido embora?

- Eu ia, mas… - descido seguir o menor para fora do local, evitando qualquer um que quisesse me irritar ou provocar até atravessar as portas negras outra vez. - preferi ficar quando descobri a sentença… bem, você precisava de alguém não é?

- No que você poderia ser útil? - acabei falando sem pensar, não estava mesmo entendendo o sentido de ter ele ali, no que ele poderia me ajudar? - não tem nada que possamos fazer agora.

O ruivo bufou e acenou com a cabeça para um guarda ao sairmos. Então ele me arrastou para o mais longe que podia, evitando as pessoas em volta.

- Você é idiota? - ele questionou em um sussurro mesmo estando fora da vista de qualquer um. Me deixando um pouco confuso já que não era o melhor momento para insultos. - pelo que eu sei… o garoto pode não morrer, não é?

- As chances são poucas. - respondi com mais raiva do que tristeza. - ele é mortal… não lembro do último mortal que sobreviveu a isso.

- Eu lembro… uma garota, Lisa Ann Arbor. - ele respondeu no mesmo tom baixo, não entendi mas pelo visto tinha algum sentido para ele. - e sabe por que ela sobreviveu?

- Não me lembro bem... Mas alguém deve ter ajudado, se é que tem um meio de ajudar… - respondi com certa indignação. - mas o que isso tem a ver comigo? Nem sequer posso chegar até Dipper agora, muito menos salvar ele!

O ruivo negou com a cabeça e me deu um soco forte no estômago, me fazendo dobrar para a frente em sinal de agonia.

- Continuando… ela sobreviveu por que alguém ajudou, alguém que eu conheço muito bem… - ele respondeu com ar de superioridade. - e se tem alguma forma de salvar seu namorado… sou sua melhor esperança.

- O que…? - questionei com dúvidas se tinha escutado direito. - você está brincando comigo Thuri?

- Aff... Claro que não, Cipher. - ele respondeu revirando os olhos. Então eu sorri e abracei o menor a ponto de quase sufocar, mas ele escapou do abraço com uma expressão de susto. - tá tá… não me faça perder tempo!

- Você precisa de algo? - eu disse tentando imaginar algo para ajudar, não queria deixar tudo nas mãos dele. - posso ajudar?

- Endereço… estado… província... Onde ele mora? Onde ele pode estar? - o ruivo perguntou arrumando a roupa e os fios ruivos. - se não souber vou te dar outro soco.

- Piedmont, Califórnia… serve? - falei enquanto me acalmava um pouco. - não sei o endereço, normalmente não preciso saber…

- Serve, vou seguir a energia. - o ruivo respondeu já se organizando para abrir um portal. - você vai me dever muito por isso… sorte sua que temos a eternidade para resolver isso.

- Se salvar ele… vou te dever uma vida. - respondi tocando o ombro dele quando o portal foi aberto.

- Você já salvou a minha vezes o suficiente para estarmos quites, chefia. - ele respondeu com um sorriso, em seguida pulando no portal que sumiu em seguida. Me deixando ali, sozinho e aliviado.

Mesmo assim uma questão rondava minha mente.

“Como Thuriel soube da sentença? ”

- Eu contei pra ele… - procurei em volta pela voz, encontrando um certo demônio azulado familiar, até demais. - vamos conversar…?

Eu estava levemente irritado com Will, por não ter me contado, ou sequer perguntado se eu queria ou concordava com a sentença que eles tinham decidido. Isso me irritava e muito, apesar do não durar tanto já que tinham chances de ver Dipper fora de perigo.

- Conversar? Você quer… “conversar”? - respondi com sarcasmo dando ênfase nas aspas com os dedos indicadores. - você deveria ter “conversado” quando me viu naquele fundo de poço que chamam de prisão!

- Bill… não precisa ficar tão irritado comigo… - ele começou enquanto se aproximava. O menor parecia mesmo ansioso em se desculpar, fazendo a típica carinha de gatinho abandonado… como se isso funcionasse comigo. - eu só fiz o que pude para manter você aqui.

- Nem pense em usar esse seu troço comigo! - exclamei virando de costas para ele, que pareceu surpreso e confuso. - você concordou com essa idéia? Mesmo colocando o Dip em risco? E se acontecer alguma coisa com ele? A Mabs poderia odiar você! E eu contaria pra ela só de raiva!

- Mas não vai acontecer nada… de ruim, com ele. - meu irmão disse com a cabeça baixa similar a uma criança. - e eu não concordei com isso… eu meio que sugeri…

- VOCÊ O QUE? - Agora eu estava a um passo de enforcar ele. Como ele tinha ousado sugerir algo assim? - TEM NOÇÃO DO QUE PODERIA TER ACONTECIDO?

- Não precisa gritar! Em minha defesa você disse que confiava em mim! - ele respondeu indignado e nossa discussão acabou atraindo alguns olhares. - E precisava ser algo tão ruim quanto a primeira hipótese, se não Scar não aceitaria!

Soltei um suspiro e olhei para ele que me encarava com os olhos azuis faiscando. Aguardando alguma reação minha, que provavelmente ele estava preparado para ouvir, mas eu não poderia ficar irritado com ele pra sempre…

- Você tem muita sorte que Thuriel é meio curandeiro… - respondi com a voz calma, e comecei a andar, me direcionando para a entrada/saída daquele lugar. - se algo acontecesse com o meu garoto…

- Eu não deixaria algo acontecer sem estar preparado, achou que eu simplesmente deixaria ele morrer? - Will questionou ao andar mais rápido para me alcançar. - não acredito que pensou que eu seria ruim a esse ponto…

- William Cipher... Você é meu irmão, ninguém sabe mais o que tem aí... - apontei para o peito dele. - do que eu, então… não me faça passar por essas coisas ok?

- Ok… - ele abaixou a cabeça enquanto seguia ao meu lado, mas pude notar que ele parecia mais animado. - mas eu não sou mal… é sério!

- Você matou o maior preso do corredor dois… - comentei. Assisti enquanto o menor mudava sua expressão para uma óbvia surpresa. - se não fosse moreno, poderia jurar que está corado… está com vergonha? Nem precisa, aquele cara mereceu maninho…

- Como você… - ele tentou falar em tom baixo e eu soltei um riso alto, abraçando ele pelos ombros. No fim ele acabou rindo também.

- Eu vi seu casaco na cela dele… preciso te ensinar a não deixar rastros, não é? - ambos rimos um pouco e eu suspirei. - agora vamos?

- Pra onde? - ele questionou tirando um cristal do bolso, fazendo um desenho e formando um portal. - por que… você não pode ficar na minha casa.

- Como assim não posso ficar na sua casa? - falei desacreditando no que ele dizia. - nós já moramos juntos a um tempo… como você vai sobreviver sem mim?

- Muito bem na verdade… - ele disse revirando os olhos. - tenho certeza que todo esse amor próprio me faz mal. Vai ser bom um tempo sem tanta poluição no meu ar de paz e sossego…

Quando lancei um olhar clássico do estilo “você só pode estar brincando” com olhos cerrados e sombrancelhas arqueadas… ele apenas sorriu para mim.

- Estou brincando bill… mas, você vai ter que comprar uma casa, em outro lugar… não agora, e nem nos próximos três anos. - ele disse meio avoado mas segurando firme no meu pulso, me puxando rapidamente pelo portal rumo a entrada do jardim na mansão dele.

- Mas vai ter que sair depois disso… iria contra as regras que eu mesmo criei. - ele completou indo direto para a entrada da mansão.

Nem lembrava do quanto senti falta daquele lugar, e de alguma forma, apesar de tanto azul… era minha definição de conforto e familiaridade.

Ao entrar não demorei muito para correr na direção do meu quarto! Ah… meu amado refúgio dourado e preto, minhas roupas, meu banheiro, meu cantinho… é assim que abri a porta encontrei ele do mesmo jeito que tinha deixado, mas.. isso não era tão bom.

Assim que me aproximei da cama, me lembrei da última vez que estive ali, e não estava sozinho. E a presença, o cheiro, a essência de Dipper ainda estava ali, me causando uma breve depressão.

- Eu quero vê-lo… - murmurei abraçando um travesseiro qualquer, sabendo que Will estava na porta me observando. - eu quero agora.… Willy, preciso saber como ele está..

- Você não pode, não agora… - Will respondeu, estava encostado na parede já bem próximo de mim. - Thuriel não gosta de olhos a mais em seu trabalho… ao menos foi o que ele disse.

- Pensando agora… Mabel vai deixar ele tocar em Dipper? Ela não deve.. odiar os demônios agora? Você falou com ela? - perguntei me virando para ele com curiosidade.

- Perguntas demais para quem acabou de chegar em casa... Mas ela não poderá fazer nada… - ele respondeu meio baixo me deixando preocupado. - ninguém pode falar com Dipper agora… pelo visto o efeito da energia foi rápido.

Me levantei de imediato com o susto do que tinha acabado de ouvir. Do jeito que ele falou, para ninguém poder ver Dipper, algo de ruim poderia ter acontecido.

- O que ouve com ele? Thuriel disse que faria algo! - perguntei para Will que fitava o próprio celular com curiosidade. - Willy?

- Thuriel chegou lá, está tudo bem… Dipper está mesmo em Piedmont, mas em um hospital. - quando comecei a ficar na beira de uma crise, Will fez o que pode para esclarecer. - calma! Ele está bem agora… foi só um susto. Quando a energia o atingiu ele desmaiou, o corpo começou a falhar e levaram ele para a emergência.

- Por sorte Thuri já resolveu, ele disse que Dipper está acordado e bem confuso… - ele continuou. - e ele também disse que tentou esclarecer as coisas mas Dipper ficou meio…

- Apavorado. - respondi rapidamente, sabia como Dipper estava se sentindo e era a única palavra que descrevia bem. - eu sei… queria poder estar lá.

- Dê um tempo pro garoto, ele precisa respirar… - Will se aproximou e sentou ao meu lado na cama. - enquanto isso… você precisa resolver outra coisa…

- Que outra coisa? - perguntei mas ele apenas entregou um envelope negro com selo dourado. A carta de entrada para um lugar que eu conhecia bem, e da pior maneira possível. - você só pode… estar brincando comigo. É alguma piada? Por que não tem graça William…

- Não é… - ele estendeu um envelope idêntico só que já aberto, enquanto sorria de forma deprimente.

- Mas você já foi pra lá… eu também! Por que novamente? - ele estendeu a mão pedindo silêncio e saiu do quarto, provavelmente foi buscar algo. Em questão de alguns segundos ele voltou com mais dois envelopes.

- De quem são? - perguntei mas logo ele me entregou um dos envelopes que segurava, fiquei surpreso com o nome que estava escrito em dourado na parte de trás. - Mason… quem é Mason?

- Por Lúcifer… você é muito lerdo hein!? - Will negou com a cabeça e se aproximou para indicar com o dedo o que eu não tinha lido. - “Mason Dipper Pines”, viu?

- Não acredito… - pisquei com força tentando entender. - o nome do Dipper é Mason?

Meu irmão me encarava como se eu fosse um caso perdido. Claro que eu só estava querendo perturbar ele, eu estava mesmo surpreso por saber que Dipper tinha sido chamado para a academia, o que era estranho já que ninguém sabia que ele iria mesmo virar um submundano.

- Quem mandou isso? - questionei tentando entender o motivo de tudo isso, fazendo questão de mostrar que não estava afim de nada daquilo. - por que eu não vou, nem se me obrigarem… até parece! Passar três anos naquele inferno? TRÊS ANOS? NUNCA!

- Mesmo que não queira… é uma convocação, não um convite. Pelo visto alguém já nos matriculou… e você nem terminou o curso lá! Você foi expulso Bill. - Will respondeu com impaciência, mas logo mudou o olhar para um malicioso que eu conhecia bem. - e não acredito que precisarei te obrigar a ir… você não iria ficar aqui.

- E qual sua brilhante justificativa? Por que se eu disse não, é por que não vou e pronto! - falei fazendo minha birra típica me virando para a parede. - não tenho motivos..

- Ah é…? - Will deixou a voz tomar um tom típico de suborno, do tipo que ele usava com kill sempre que queria algo e eu não fazia. - uma pena… Dipper vai ficar bem triste, sozinho naquele castelo imenso… cheio de submundanos. Quem sabe ele fique carente… mas acho que alguns lá não se importariam em ajudar ele, um pobre Feiticeiro inocente e inexperiente…

Virei para meu irmão que olhava apenas para seu envelope, Will e suas torturas, usando meu psicológico contra mim. Claro que eu não deixaria Dipper sozinho a mercê daqueles cães e sanguessugas.

- Jogo sujo, William… muito cruel da sua parte… - falei olhando para ele novamente. - em outros casos eu teria orgulho… você venceu, eu vou… Mas não pense que vou feliz e todo contente!

- Como se eu também estivesse satisfeito… - ele disse com o olhar avoado, então preferi deixar meus pensamentos descansarem um pouco também.

Assim que pudesse eu sairia dali para visitar meu garoto, não via a hora de sair um pouco, me divertir. Foi quando lembrei de algo que tinha desconsiderado até então, um evento que eu tinha parado de aguardar a tantos séculos.

- Will! - chamei o mais novo que pareceu despertar de um sonho com minha voz. - Por todos os sete! Eu esqueci!

- Do que exatamente? Você esquece de tudo… - ele murmurou com certo sarcasmo.

- Quando você disse que eu poderia sair e ver o Dipper mesmo? - perguntei com entusiasmo enquanto ele arqueava uma sombrancelha em dúvida.

- Eu nem sequer lembro de estipular uma data… você não pode ainda pois eu disse que Dipper não iria querer te ver por um tempo ao Scar… para convencer de que você teria perdido seu namorado. - ele respondeu rapidamente o que resultou em pouco entendimento da minha parte. - por que?

- Por que o baile do eclipse está vindo… - comentei sorrindo.

Fazia um bom tempo que eu não ia ao baile dos sete, achava que não tinha graça e quase sempre passava a noite sozinho, mas desta vez não. Deitei com conforto olhando para cima, admirando como sempre as flores douradas desenhadas no preto do teto.

- E eu… preciso de um par.


/////////



Notas Finais


E AEEEEEEE ?

OPINIÕES?

 ALGUÉM FELIZ?

 ALGUÉM TRISTE?

Caso encontrem erros ortográficos, por favor me corrijam tá? Pq quem corrigiu e leu pra mim foi meu irmão... Ele diz que tá ótimo.

Bjs da tia Willy 💙


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