História Rebel Rebel - Capítulo 3


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Categorias Stranger Things
Personagens Chefe Jim Hopper, Eleven (Onze), Mike Wheeler
Tags Eleven, Mike, Mileven, Stranger Things
Visualizações 35
Palavras 1.375
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um capítulo, e adivinhem quem vai aparecer?

Capítulo 3 - Eu gostei de brigar com ele


Hopper e eu tomamos café naquela manhã, no início de agosto, em completo silêncio. Ele bebericava seu café forte enquanto eu devorava meus Eggos caramelados com suco quando ele baixou o jornal que lia e me perguntou:

- E a escola, El? Você estudava?

Eu acabei de mastigar e respondi:

- A última vez que estudei mesmo foi quando tinha onze anos, na época do orfanato...

- E você não quer ir para a escola, como uma garota comum?

- Bem, eu... eu até gosto de ler, sabe, mas... – hesitei. Senti um aperto na garganta, porque me sentia insegura, e detesto a sensação de vulnerabilidade.

- “Mas...”? – ele repetiu. – Eu estava pensando que você não pode ficar esse tempo todo ociosa, precisa se ocupar com algo, e o que seria melhor que estudar, não é?

Franzi a boca, ainda relutante:

- Eu tenho medo de ser burra demais pra isso.- confessei, enfim. Então, me levantei da mesa e comecei a retirar a louça.

Hopper é teimoso como eu, então, não fiquei muito surpresa quando ele me levou ao prédio da escola para conversarmos com a diretora. Tudo estava quieto e vazio, já que ainda faltava quase um mês para as férias de verão acabarem.

- Olá, xerife. – uma mulher de meia-idade nos cumprimentou, a voz gentil.  

- Olá, Marissa. – ele abriu um sorriso. Hopper sorriu mostrando os dentes, alerta vermelho: ele estava usando a tática de homem charmoso e preocupado com a filha para cima da diretora. Eu quase revirei os olhos e ri.

- Bem, como posso ajudá-lo?

Ele contou a história omitindo alguns fatos, resumindo o geral, e ela compreendeu que eu tive uma vida problemática o suficiente para não ter estudado regularmente até então.

- Você tem quantos anos? – a diretora, Marissa Jenkins, virou-se para mim, com interesse.

- Quinze, faço dezesseis no começo de novembro. – respondi.

- Então você deveria ir para o segundo ano, o sophomore. Bem, eu acho que você precisa fazer uma prova de conhecimentos básicos em Inglês, História, Geografia, Matemática e Ciências, para sabermos se acompanha o nível dos alunos ou não.

Eu olhei um pouco assustada para ela. Eu não sabia nem por onde começar!

- Marissa. – Hopper tomou a palavra. – Acho que a El... Jane, acho que ela precisa de ajuda com isso... será que tem como ela ter aulas particulares antes deste teste?

Hopper não era meu pai biológico, mas com certeza nós tivemos um encontro de almas, porque ele parecia ler meus pensamentos.

A diretora sorriu (acho que o charme que Hopper estava jogando estava fazendo efeito mesmo). Ela pegou o telefone e ligou para alguém chamado Scott Clark, que em menos de cinco minutos estava em sua sala.

Ela um homem magro, de cabelo e bigode pretos, simpático. Ela explicou a minha situação e, por fim, perguntou:

- Professor Clark, o senhor acha que temos como ajudá-la?

- Bem, enquanto as aulas não começam, ela pode vir aqui estudar com os professores que já vierem fazer os planos de aula, mas seria bom também algum tipo de tutoria.

- É, isso é interessante. Quem você poderia indicar como tutor?

- Acho que o Michael Wheeler, sra. Jenkins. Eu posso conversar com ele.

[...]

Eu estava balançando minha perna, impaciente. Sentada no bando de madeira em frente à sala da diretora, munida de caderno e um estojo. Estava me sentido deslocada, perdida, me perguntando seriamente se eu deveria fugir dali. Não. Eu vou fazer isso. Eu posso fazer isso. Estava nervosa, mentalizando aquelas frases quando um garoto, que deveria ter a minha idade, apareceu na minha frente. Era alto, magro, branquinho e com sardas que salpicavam seu nariz. A boca era muito bonita, vermelha, e seu cabelo e olhos eram escuros; confesso que ele até me chamou a atenção, mas as roupas nerds e caretas dele eram feias de doer.

Acho que ele fez um minijulgamento de mim também, porque parecia estranhar minha saia preta com girassóis, blusa de gola rasgada e estampa do Pink Floyd, uma alça do meu top rosa choque aparecendo, rabo de cavalo voltado pro lado esquerdo e tênis All Star roxo. Éramos opostos, a materialização do paradoxo.

- Você é Jane Hopper? – ele perguntou.

- Sim. E você? – levantei do banco, encarando-o. Ele era alto, mas quando fiquei de pé, vi que não era tão anã perto dele.

- Michael Wheeler.

Eu e ele ficamos parados no corredor, olhando um pro outro, quase como se estivéssemos desafiando quem faria o quê primeiro, quando ouvimos a voz de Mr.Clark em nossa direção:

- Ah, vocês já se conheceram? Vamos para a biblioteca.

Andamos calados até chegarmos á biblioteca, e eu nunca tinha visto tanto livro junto na minha vida. Eu amo livros, e até aquele momento, tinha sido a melhor coisa que vi em ir à escola.

- Jane, Mike é o melhor aluno da turma, ele vai ser seu tutor até acabar o primeiro bimestre, se você passar. – disse o sr. Clark. – Mike, ela teve alguns problemas e não conseguiu frequentar a escola nos últimos anos. Você deverá seguir este programa. – ele nos entregou duas folhas de papel com o cronograma que eu deveria seguir. – bem, boa sorte, garotos. No fim do mês, vamos aplicar o seu teste.

O professor me encarou com um sorriso e saiu, deixando-me a sós com o garoto quase que totalmente, porque além de nós, só havia a bibliotecária catalogando livros mais adiante.

- Então... – ele se pronunciou, lendo mais atentamente a sua folha.- eu preciso saber em que você mais tem dificuldade.

- Hãn... eu acho que em cálculos e ciências. Mas eu gosto de ler.

- Ok. – ele voltou a se concentrar no papel.

Contei certinho cinco longos minutos olhando entediada para o relógio de parede:

- Então... você vai fazer o quê? – eu perguntei.

- Estou deliberando. – ele me respondeu secamente.

- Como assim? – rebati.

- Estou organizando por onde começamos, espere.

“Arrogante”, eu pensei, fechando a cara. Já estava vendo tudo na minha cabeça: garoto que sempre teve tudo na vida, CDF, que sempre viveu naquela cidadela, se achava superior a mim, aposto. Ele me olhou de alto a baixo, com certeza deveria estar me avaliando também naquele exato momento.

- Então, eu vou buscar alguns livros ali para você começar a estudar. – ele disse, levantando-se.

Começamos, enfim, a fazer algo de prático; eu até que me senti confiante em ter que ler O Grande Gatsby, mas, quando ele colocou na minha frente um monte de problemas matemáticos, eu gelei, e ele percebeu:

- O que foi?

- Eu... eu não sei nem por onde começar. – falei baixo, envergonhada. Odiava aquela sensação.

- Você nunca estudou? – ele me olhou de forma estranha, como se estivesse vendo um alien.

- Não, eu... há muito tempo eu parei.

- Por quê?

- Porquê sim. – eu estava ficando nervosa.

- Porquê sim? Mr. Clark disse que você teve problemas...

- Ah, e agora você quer saber da minha vida íntima? Isso tem a ver com a matéria? – pronto, ele já tinha feito minha autodefesa em forma de agressividade dar as caras.

- Eu só queria entender como...

- Como alguém não é igual a você? – eu desdenhei.

Ele soltou um sorriso de lado, sarcástico:

- Você nem me conhece, garota.

- Você também não me conhece, mas já sei que tá me julgando com base no que tá vendo e no fato de que eu não ia para a escola. É, pois é. A vida é muito maior que Hawkins, lá fora as coisas são bem mais difíceis.

- Você é maluca. – ele fechou o livro, irritado.

- E você é um almofadinha pedante.

Mike riu na minha cara:

- Garota, eu só tô aqui para ajudar. Deixa de ser louca.

- Mentira, você deve estar ganhando algo em troca. – retorqui. Estava finalmente vendo graça em alguma na companhia daquele garoto.

- Sim, eu não iria largar um período das minhas férias se eu não visse vantagem nisso, mas eu não sabia que você era doida. Talvez eu repense agora nesta escolha. – ele disse, saindo da biblioteca.

Eu fiquei para trás, e senti um monte de sensações formigando em mim, mas uma coisa é certa: estranhamente, eu gostei de brigar com ele. 


Notas Finais


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