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História Receios no Amor (Jeon Jungkook - BTS) - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite, gente, decidi postar hoje por conta que estava ansiosa para isso. Agradeço pelos favoritos e comentários do capítulo anterior. Fiquei muito feliz, de verdade! O último será postado na semana que vem — não vou demorar porque já tenho em mente e anotado tudo o que vai acontecer, rs. Enfim, boa leitura 🌹

Capítulo 2 - Lembranças


Fanfic / Fanfiction Receios no Amor (Jeon Jungkook - BTS) - Capítulo 2 - Lembranças

Rolava entre as cobertas. Sentia a maciez dos panos ao apertá-los com vigor. Adormecer estava longe do meu alcance. Os pensamentos rodeavam a minha cabeça e me impedia de permanecer com os olhos fechados. Estremecia a cada trovoada que a tempestade permitia dar naquela madrugada beirando a manhã que gelava até os ossos. Era frienta. Muito frienta. Sofria morando em Friburgo e aqui não poderia ser diferente. O sono havia fugido e eu não tinha como pegá-lo. Na verdade, tinha uma alternativa — sair da cama e ir até a cozinha e fazer um chá. Mas eu não estava em casa. Francamente, eu estava mas a preguiça me impedia.

Morei dos cinco até os treze anos. A vovó Maria não iria se importar. Você é de casa, minha filha, anda e pega aquele biscoito que você gosta — disse ela, uma vez. Sorrio com a lembrança e escuto minha barriga roncando. Ao levantar da cama, vestida pela longa camisola com uma pequena fenda de tecido renda preta que dava abertura para ver o meio dos meus seios — não estava muito indecente, apesar disso não precisaria me preocupar com isso. Estavam todos dormindo, afinal — fechando os botões do agasalho, atravesso a porta trancando-a.

Meus passos estavam silenciosos, ainda assim minha mente fazia suas distrações. Qualquer barulho que fizesse seria o motivo de acreditar que viria alguém e eu seria pega no flagra. Vou lentamente descendo as escadas e minha boca retorcia vez e outra ao tocar em um degrau que provocava um chiado. Meus olhos, astutamente, corriam para cima e voltavam a mirar minha frente. Nem me atreveria a olhar para o canto superior. Jamais. Aqueles quadros sempre faziam parte dos meus pesadelos. 

Solto uma lufada de ar ao chegar no lugar das guloseimas. Me sentia aquela pequena menininha fujona e comilona de anos atrás. Pelo menos, os doces iriam me ajudar a não reviver aquele momento da noite anterior diversas vezes. O olhar daquele que me apaixonei cortou meu coração. Ele não merecia aquelas palavras — ninguém merecia — cortantes da minha mãe. Meu amigo de infância. Ela havia me deixado triste e decepcionada com sua ação imprevista.

A pinha havia saído da boca nos poucos segundos que estava dentro dela. Sentia o calor se espalhar pelas minhas bochechas, começando a balançar meu corpo e batendo fortemente em meu peito. Tossia muito. O barulho que não quis ressoar, estava fazendo neste exato momento quando a fruta pareceu ser o impedimento do meu ar. Sinto os tapas se chocarem em minhas costas para tentar aliviar a falta do que dissera anteriormente. Comicamente, o autor do meu susto estava me ajudando. Me retratava como aquelas mocinhas que o bonitão as assustava na novela das oito.

— Calma, Aurora.

Sua voz ressoou, e Jungkook foi em direção à pia pegando a água da jarra de barro, caminhando rapidamente entregando-a a mim que peguei já bebendo. Aos poucos, fui me acalmando e o desconforto havia me dissipado. Pensava que a minha alma havia vagado e depois voltou para mim. Em uma noite, com relâmpagos e trovões. Você chega no lugar engolido pelo breu, e só encontra uma lamparina com a escassa luz cravada na parede, chega a se assustar até mesmo com sua sombra, logo em seguida encontra alguém a observando sorrindo. Você não se assustaria? Aquilo tinha me deixado apavorada e um pouco sem reação, ao reprimir minha vontade de gritar foi o suficiente para que a fruta do qual comia parasse em minha garganta.

— Carambolas! — fiz uma longa pausa para respirar mais um pouco. — Quer me matar, Jungkook?

Ao esbravejar contra o meu amigo, ele apenas pegou um banco e se sentou perto de mim — me surpreendi com o seu abraço repentino.

— Senti tanta falta sua, formiguinha...

Qualquer briga que iniciaria — como os velhos tempos — já acabou naquele mesmo momento que meu coração tropeçou em meu peito. Retribuindo, ele me aperta em seus braços, concluindo:

— … sua mãe que não queira, mas eu não quero me afastar de você, nem tão cedo.

Realmente, ele não mudou. Ficou mais maduro, pelo que vejo, e bonito. Ele sempre foi bonito. Enquanto eu parecia um cão chupando manga — ele sempre discordava disso.

— Nem eu, dentinho. — passo a língua entre os dentes. — Peço desculpas pelas palavras dela.

A voz saiu determinada e baixinha. Percebi que o mesmo separou o nosso contato ao me olhar com as orbes escuras brilhando em divertimento.

— Dentinho? Vejo que não se esqueceu do apelido de infância. — sorriu. — Tranquilo, ela não é você. 

Solto um riso pelo nariz, rebatendo: — Nem você, pelo que vejo. — o mesmo me corresponde com uma careta engraçada. — A infância é a época que gostaria de voltar apenas para não fazer a faxina de casa.

A gargalhada gostosa se espalhou por todo o lugar e eu ergo as sobrancelhas, me juntando à risada e fazendo gestos nas mãos para que ele não seja tão escandaloso.

— Continua preguiçosa, dona Aurora?

Empurro seu ombro com o meu, ofendida. Eu não era preguiçosa, apenas não gostava de lavar a louça. Desenhar era o que eu poderia fazer que nem me dava conta das horas que passava. O vejo caminhar e abrir a geladeira pegando um pote.

— O que anda fazendo hoje em dia? 

Minha voz entregou a curiosidade e ele me olhou enquanto cortava e colocava a goiabada no prato cerâmico.

— Trabalho na cidade como funcionário de uma empresa de eletrodomésticos.

— Supimpa! — me mexi no banco para me endireitar. — Então você vende telefones, fogão, essas coisas?

— Sim — ele sorriu da minha animação. — Só não é bacana acordar quatro horas da manhã pra pegar ônibus. — piscou um olho. Eu gostava daquele gesto. — E você? — me entregou o doce enrolado no queijo.

— Concordo, eu estudo e tenho que pegar o trem às cinco e meia da manhã. — aperto os lábios e dou uma mordida. — Prefiro ficar em casa e querer todos os livros que eu não posso comprar, e também desenhar.

— Ainda desenha aquela casinha mixuruca com aquelas firulas em form de céu?

— Que ultraje! — rebato. — Eram bonitinhas…

Coloco a mão nos lábios, acabando de mastigar e sentindo o maravilhoso gosto da goiaba invadir minha boca.

— Hum… Não eram, não.

Faço uma cara feia e ele ri, me irritando ainda mais. Começamos um assunto onde relembramos as nossas travessuras nesse lugar. Era tão divertido. Certa vez, tomamos banho e estávamos cheirosos e arrumados. Conclusão: a limpeza foi para o beleléu e nos sujamos todinhos ao correr atrás das galinhas. Nossas mães quase deram um treco. 

— Sim — colocou a mão na barriga e mordia a outra para impedir a risada. — Você parecia uma formiga com aqueles doces em cima de você. — não aguentou e riu pelo nariz — Sua mãe ficou uma fera.

— E quando o seu dente saiu na pêra?

Ele mostrou a fisionomia indignada.

— Aquilo doeu demais. 

— Ah… Tadinho — a voz saiu, infantilmente, fina. 

Ele revira os olhos.

— Não faz essa voz, não. É chata. 

— O que? Essa? — afino ainda mais para irritá-lo. — Eu não consi…

Ele me deu um delicado beijo nos lábios. Rápido demais e duradouro o suficiente para se fixar na memória e não conseguir dar continuidade na frase. Surpresa. Aquele pequeno feito deixou-me com uma sensação estranha dentro de mim. Meu estômago dava voltas e voltas e eu quis acreditar que era a dor de barriga por ter comido o doce. Meu Deus, assim é difícil querer ser apenas uma amiga. Nos olhamos por um tempo, ambos com as bochechas avermelhadas. Ele parecia nervoso, mas disfarçava olhando para a pia já lavada.

De repente, escuto sua voz soar: 

— Quer sair comigo no domingo? — hesitou. — Claro, se quiser. — ele sorriu nervoso e finalizou com sua voz aveludada soando mais baixa — Poderíamos andar a cavalo.

E, naquele amanhecer da sexta, eu disse sim. Sem me importar com o que a mãe iria dizer.

[....]

Já era noite e, como era final de semana, iria ocorrer uma pequena festa com direito a forró, dança e muita música boa. Começo a massagear meu rosto com o hidratante facial, suave, e sentindo a maciez de minha mão contra a pele. Finalizando um tipo de massagem em meu rosto, sinto-o mais delicada. 

Sorrio contra o reflexo e pego o pincel esfregando, vagarosamente, no pote e a linha da bochecha é preenchida pelo pó de arroz. Terminando, passo o lápis em minhas sobrancelhas e as vendo arqueadas e um tanto escuras, meus lábios são completados pelo batom que se parecia com a cor dos vinhos da adega do senhor D'Ávila. 

Passeio pelas pestanas a tinta preta dando uma realçada brilhante. Meu cabelo em seu estado natural, permaneceria desta maneira tal como os fios curtos que marcavam a linha facial e as ondulações perversas dando um ar mais grosseiro e bonito. Abro o porta-jóias e capturo o meu brinco de argolinha com um lindo pingente de coração dourado e o colar delicado como igualmente o acessório anterior. Borrifo um pouco de perfume em meu pescoço e pulso. Saio do quarto ajeitando o bordô da saia redonda e florida. 

Sendo recebida pelos elogios da minha irmã e do meu pai junto com o silêncio da minha mãe que apenas deu um pequeno sorriso.

Ela estava arrependida.

[....]

Todos os pares dançavam em conjunto. Batíamos palmas em constante animação. O lugar estava todo arrumado e a sala provida de harmonia e o conjunto de vozes dos músicos. Escutamos em singela alegria. 

— Oh trem doido sô, o nosso rapaz de ouro vai cantar pra nóis.   

Bradou Gonçalves, meu tio, em seu sotaque de Minas. Até hoje meu avô se lamenta por ter saído daqui, no entanto era uma decisão de nossa avó que estava grávida da quarta filha. O motivo não sabíamos, mas logo depois eles voltaram e tiveram a ideia de ter um lugar para eles e para nós: a fazenda D'Ávila. E eu os agradeço por isso.

Naquele momento meu coração parou e minha boca secou. Jungkook se sentava perto dos músicos com uma acordeon em seus braços. Ele procurou pelos olhos e parou em mim, sorrindo de canto se pronunciando mantendo as orbes cravadas aos meus.

— Essa mulher só quer namorar, minha gente.

Com apenas essa fala foi o suficiente para todos gritarem, assobiar e ele começar os primeiros acordes da música de Luiz Gonzaga e cantar com sua voz rouca e bonita.

— Mandacaru quando fulora na seca. É o sinal que a chuva chega no sertão. Toda menina que enjoa da boneca. É sinal que o amor já chegou no coração…

Suas mãos se moviam e os casais se aconchegaram no meio da enorme sala, dançando: — Meia comprida não quer mais sapato baixo. Vestido bem cintado não quer mais vestir timão... — e os seus olhos até então nos tocadores, que sorriam entre si, cravou em mim ao cantar o refrão.

— Ela só quer. Só pensa em namorar. Ela só quer. Só pensa em namorar… 

Sorri para ele, negando com a cabeça. Vera me cutucou.

— Tá um pão, né? 

— Sim. 

A respondo sem esconder a vergonha. Era verdade, oras. Roupa alinhada — calça larga e blusa xadrez —, cabelo penteado para atrás e as suas botas. A manga arregaçada mostrando os seus braços com veias salientes fortemente contraídos pelo instrumento e os dedos apertando sem dó enquanto se movimentava ao cantar. Não é dizendo não, mas ele era um pedaço de mau caminho. Lindo por demais.

— Ela só quer. Só pensa em namorar. Ela só quer. Só pensa em namorar… — ela canta e eu a olho percebendo sua desafinação e entendendo sua insinuação — Ah, maninha não me olhe assim. Tá na cara que gosta dele.

— Não tá não…

Vera sorriu e eu percebi a minha burrice.

— … não, não é isso.

— Já disse e não tem como negar. 

Minha vontade era de fazê-la engolir a galinha caipira da goela abaixo.

— Deixa sua irmã, minha filha, o rapaz cresceu e tá bonito.

Nos espantamos com as palavras da mulher que sorriu para nós. Colocando suas mãos na minha, ela declarou.

— Filha, passei dos limites e… Peço perdão. — ela parou e olhou para meu pai que acenou. — Eu pedirei desculpas a ele, também. Estava fazendo como meu pai e eu não quero isso pra você — acariciou minha mão.

— Mãe… — molho os lábios. — É só amizade, e...

Fui interrompida com a seguinte frase.

— Não tenha receios no amor, Aurora — sorriu para minha mãe. — Amar profundamente alguém é para poucos, e o seu olhar não engana.

Finalizou pegando a mão dela e a beijando. Diria que os dois são como água e fogo; respectivamente, a senhor e a senhora D'Ávila. Me levantei do estofado e os abracei, apertado. Eu sabia que não poderia me esconder como antes. Não podia. 

Saindo do aperto, meus olhos para no dono dos meus pensamentos. Percebo o olhar preocupado em minha direção e o tranquilizo, esboçando um meio sorriso e piscando o olho como ele faz. Lembro-me do nosso tocar de lábios. Meu primeiro beijo. Não sei se posso acreditar que ele cumpriu sua promessa de tê-lo os dois juntos e sermos o primeiro a tirá-lo.

E, já amadurecida, eu iria me declarar para ele.


Notas Finais


Peço desculpas caso tiver erros. Gostaram? O próximo vai ser recheado de surpresas, inclusive o momento entre os dois. O terceiro vai ser maior, estes dois últimos são pequenos por conta de focar somente neles. *mudei a localização no capítulo anterior!

Espero de coração que tenham gostado. Até o próximo! 🌻
Um beijão,
Aria.

Último capítulo - 26/02


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