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História Receita para o desastre - Clexa - Capítulo 16


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Notas do Autor


Vamos então entrar um pouco na mente da Lexa...

Capítulo 16 - Cap. 16 - Lexa


Lexa POV

 

Arkadia sempre foi uma cidade que me atraiu embora Polis seja onde me sinto sempre um pouco mais em casa mesmo depois de tudo o que aconteceu, observo a cidade mover-se pela janela e tudo hoje me parece demasiado rápido para o meu gosto. A vida é para ser vivida rápida e bem, esse tem sido o meu lema nos últimos cinco anos, sair da escola foi um abrir de olhos que eu sinceramente estava a precisar, aprendi desde cedo que tudo o que queremos tem que ser conseguido com luta. O problema neste pensamento levemente perigoso é que por vezes temos que saber quando deixar de lutar, quando não vale a pena, quando nós não valemos a pena... 

- Sabes que me pagas quer fales ou fiques calada certo?! - Maya sorri suavemente levantando os olhos do caderno onde a sua atenção estava presa antes, vejo o seu reflexo e o seu olhar negro está preso em mim. - Mas sejamos realistas que já que estamos a perder tempo mais vale falares!

- Estava a pensar May... - Faz três anos que faço terapia com ela, seguiu as pisadas da mãe a minha antiga terapeuta que trabalhava comigo desde o tempo em que os meus pais descobriram que eu tinha um enorme problema com drogas. - Porque parece tudo tão complicado?

- Se a vida fosse fácil tu já terias morrido de tédio! - Fico a sorrir para a janela, sei que ela vê o meu reflexo e não me importo que me veja assim, ela já me conhece demasiado para imaginar algo mais errado em mim quando tudo o que vejo são erros. - Lexa o que aconteceu esta semana para que o teu modo introspectivo esteja tão activo?

- Merda... - Embora saiba que ela mantém uma política de linguagem limpa isso nunca se aplica propriamente a mim, está já fortemente habituada a que não ligo ao que me pede. - Ela voltou a fazer parte da minha vida!

- Clarke?!

- Sim... - Aperto a cana do nariz com força, estou a perder o controlo sobre os meus pensamentos desde que vi a loira que me fez perder todas as defesas que criei a minha volta com tantos cuidados. - A Costia aceitou um trabalho e ela é a chefe principal do restaurante, pensei mesmo que ia morrer assim que a vi e depois tive que a ver com a namorada, foi como sentir todo o meu corpo na mais profunda combustão! 

- Como se não soubesses que ela namorava... - Finjo estar surpreendida mas a verdade é que por vezes Maya me conhece melhor que eu própria. - Vamos então evitar esse ar de pessoa que não faz a mínima ideia do que falo, sejamos realistas e vamos apontar que tu mantiveste a tua ex namorada debaixo de olho desde que vocês terminaram!

- Ela traiu-me...

- E tu nunca foste realmente sincera com ela durante o vosso envolvimento, por isso será que foi ela que traiu ou foste tu que não soubeste viver o vosso sentimento?

- Porque raio lhe ia mostrar isto? - Aponto para o meu corpo com imensa repulsa. - Se ela soubesse toda a verdade sobre mim eu nunca teria uma hipótese, ela nunca teria sequer olhado para mim!

- Como sabes? Nunca lhe deste a oportunidade de decidir que queria ou não ficar contigo sabendo do teu problema na adolescência... E se ela no fundo quisesse ficar contigo o que aconteceria?!

- Eu seria feliz...

- É assim tão mau pensar em ser feliz Lexa?

- Não mereço isso May... - Continuo a olhar a cidade e sinto a minha armadura cair, o consultório e a minha casa são os únicos sítios onde eu posso ser eu... Bem... Não é propriamente verdade, eu era eu nos braços da Clarke! - Perdi todo e qualquer direito a ser feliz quando fiz o que... Sou um nojo de pessoa que parece sempre no controlo com mulheres lindas na mão e uma vida de meter inveja... Quando na verdade sou uma farsa!

- Porque tens que te ver assim? Queres uma verdade Lexa? - Deixo da olhar para a cidade e deixo que a minha atenção se perca na morena sentada num cadeirão confortável. - Tu és mais do que deixas que as pessoas vejam, és sensível e preocupada com quem amas, tens um coração enorme embora aches que nada do que fazes carrega o mínimo de altruísmo. Sim tens mulheres lindas ao teu lado mas a verdade que te negas, a verdade que tu sabes mas evitas pensar com todas as tuas forças, é que uma parte de ti irá continuar a amar a Clarke passe o tempo que passar.

- Então para além de uma pessoa que sabe que é terrível sou também masoquista?! - Deixo o meu corpo cair no sofá sem cerimónias. - Estou fodida!

- Tu não és de forma alguma terrível Lexa, nunca o foste, cometeste erros e é isso que faz de ti humana... Estás a combater os teus fantasmas e para isso é preciso muita coragem, nem imaginas quantos pacientes tenho que não fazem os progressos que tu fizeste, que não falam com a mesma abertura que tu falas. Os vícios são difíceis de controlar, as pessoas cometem as maiores atrocidades nesses momentos de desespero quando não tem o que todo o corpo mais precisa, agora tens que te perdoar por isso mesmo...

- Incrível como achas que tudo é fácil!

- Incrível como tu achas que cozer arroz é fácil! - A nossa eterna discussão sobre a facilidade de cozinhar recomeça e não prendo um sorriso sincero, nunca vou admitir mas toda a minha terapia ficou mais fácil quando Maya começou a tomar conta de mim. - Devias ver o ultimo jantar que fiz, tenho quase a certeza que a minha comida tinha vida própria e fugiu da minha mesa de jantar com medo de me matar!

Solto uma gargalhada, embora já me tenha oferecido imensas vezes para a ensinar a cozinhar nunca aceitou, aparentemente acha que sou demasiado controladora quando vejo facas ou um fogão, essa observação não está nada distante da realidade. Aquele controlo é tudo o que tenho para manter o meu lado negro anestesiado, volto então a pensar nos meus meses com Clarke e sei que no fundo estando com ela ao lado o meu lado negro parecia desaparecer por completo e isso sim era paz. 

- Lexa...

- Hum...

- O passado não é um fardo é uma forma de aprendizagem, podes manter-te presa aos erros ou podes aprender a saber identificar os teus gatilhos!

- Gatilhos?!

- Momentos que te fazem perder o controlo, momentos em que achas que tens que te esconder, momentos em que acreditas que precisas de algo para abafar toda a confusão que sentes na tua mente... Ou até momentos em que pesquisas incessantemente a rapariga por quem ainda sentes algo, embora como me dizes muitas vezes “tenho uma vida sexual muito activa e bem resolvida”!

- Nem me consegues imitar como deve ser! - Olho para ela que se ri com a mesma naturalidade que eu. - Não importa a vezes que eu a pesquise, desde que soube que ela tem namorada fixa que evito sem muita sorte pensar que se ela não me tivesse traído nós seriamos felizes ainda agora. 

- Talvez... Ou talvez os teus segredos acabariam por a afastar... Seria assim tão errado ela saber que controlas anonimamente uma empresa que está na tua família já faz algumas gerações? Tu fizeste mais da empresa que a tua mãe te deixou, por isso mesmo a Clarke poderia ter orgulho da mulher que és mesmo depois de tudo o que erraste mas tu nunca lhe deste essa oportunidade. 

- Porque teria ela orgulho? Eu não faço nada, tenho bons funcionários que aprendi a incentivar e a ajudar a serem a melhor versão de eles mesmos, é tudo muito simples na verdade...

- Tu não entendes o que acabaste de dizer... Tu vês o melhor das pessoas, sempre e independentemente dos seus erros, por isso te apaixonaste pela Clarke e por isso continuas a ver o melhor dela mesmo sabendo que ela te traiu.  

- Masoquista já entendi!

- És masoquista por te prenderes ao passado, por reveres os teus erros da adolescência demasiadas vezes na tua cabeça, já te disse diversas vezes que tens que aprender com os erros e não os viver novamente.

- Mais uma vez é mais fácil falar que fazer...

- Eu sei... - Aparece o nosso silêncio confortável, fecho um pouco os olhos e logo sou atormentada por olhos azuis que parecem ver para lá das minhas defesas, o meu corpo e alma continuam dela mesmo depois de ter levado para a cama mulheres capazes de criar a loucura em todos os que sejam minimamente sexuais. Estou fodida! - Lexa...

- Diz!

- E se ela ainda te amar?

- Quem te disse que ela alguma vez me amou?!

- A forma como me falaste dela... Mas se ela ainda sentir algo por ti não achas que devias descobrir o que vocês poderiam ter sido?

- Era tão bom que as coisas assim fosse Maya, num mundo perfeito eu nunca teria cedido o meu corpo para fazerem o que bem quisessem por drogas e quando conhecesse a Clarke eu seria tudo o que ela merece e não este monstro que vejo em mim!

- Já pensaste que tudo o que passaste foi necessário para seres exactamente a pessoa por quem ela se iria apaixonar?!

- Não... - Abro os meus olhos e observo Maya que tem um sorriso leve, sabe bem que me fez pensar e também sabe que odeio quando faz isso. - Porque achas isso?

- Porque ela usou a tua arrogância no vosso primeiro beijo e se tu não fosses quem és provavelmente isso nunca teria acontecido, logo aquele beijo que ainda hoje quando pensas te faz sorrir de forma parva como agora não era viável. 

- Não podes afirmar isso!

- Olha que até que posso, nunca terias seguido cozinha e serias uma gestora num escritório a comer uma data de mulher que te aquecem mas não te fazem ferver como ela faz, como ela ainda faz mesmo passando esses cinco anos separadas... Pensa nisso e falamos na próxima semana que o nosso tempo terminou por hoje!

- Odeio quando fazes isto...

- Eu sei e eu adoro isso!

- Deves ter muitos pacientes assim...

- Não me posso queixar na verdade, por gostar de ti até aponto uma coisa de forma gratuita, as pessoas não mudam Lexa mas adaptam-se a tudo o que vivem e por isso te peço que vivas e que permitas as pessoas viverem com o teu eu real. O teu eu empreendedor, carinhoso, protector, apaixonado, controlador e com mil e um problemas com abandono e drogas e com o teu corpo. 

- Até para a semana... 

- Podes fugir mas eu sei que estás a pensar em mim! 

- Pensar em ti?! - Solto o meu melhor sorriso enviesado, estas nossas leves provocações são uma constante no final das nossas sessões mesmo sabendo que ela é hetero. - Sabes bem que prefiro loiras!

- Engraçado que és sempre fotografada com morenas a tua volta... Como se quisesses evitar numa certa loira!

- Já te disse que te odeio?!

- Também te adoro Lexa... Jantamos logo?!

- Claro, mas começo a pensar que não mereces... - Ela abre mais o sorriso, é das pessoas que melhore me conhece e isso faz com que seja das pessoas que não consigo abdicar de ter na minha vida. - Queres que te vá buscar?

- Não eu vou lá ter... Agora põem-te a andar que já tenho o meu próximo paciente na sala de espera!

Saio a sorrir e evito olhar para a próxima pessoa que vai ocupar o sofá da Maya, não que tenha vergonha de estar em terapia pois acho isso bastante benéfico para quem preciso o que definitivamente é o meu caso, mas mais por respeito a privacidade alheia. Logo me vejo na rua, a velocidade de hoje continua a incomodar-me ligeiramente, avanço para o meu carro e o sol irrita os meus olhos verdes, consigo entender que do outro lado duas mulheres me olham com desejo e esse é um habito que ainda não aceito com facilidade. Gostam do corpo e do dinheiro que tenho ou então do nome, mas não de mim porque isso só a Clarke viu e largou...

Ligo o carro e logo sou invadida pelo som da música que estava a ouvir, em toda a minha vida só consigo apontar um ano em que a música não foi uma constante do meu dia a dia, sei que estou a sorrir e dói relembrar a minha mãe e a forma como a nossa casa sempre tinha música por todo o lado. Que raio se passa comigo hoje que estou demasiado sentimental?! Deixo os meus longos dedos brincarem no volante, faz demasiado tempo que não me sento num piano mas a verdade é que sempre que o fiz fui atacada por dor e desespero. Engulo as lágrimas, o meu pai sempre me disse que chorar era mostrar fraqueza, não consigo ser fraca mas neste momento também já não consigo ser forte.

- Ligar para Costia! - Dou a ordem ao meu telemóvel, ouço o toque de chamada e não consigo avançar com o carro para o trânsito. - Olá!

- Hey Lex que se passa?

- Estás no escritório?

- Sim... Precisas de alguma coisa?

- Sim... Não... Não sei Cos... 

- Estás assim por causa da Griffin não é?

- Merda... - Um carro faz uma movimentação estranha e por pouco não lhe bato, estes idiotas na estrada são um perigo. - Porque tinhas que aceitar trabalhar com eles?! - Eu sei bem a resposta, já discuti isso várias vezes com a Costia mas parece que tudo o que ela me diz não entra. - Tudo isto é complicado...

- Eu sei Lex... - O silêncio dela nunca é bom agoiro, dou por mim a sorrir por já a conhecer tão bem, foi o meu primeiro amor e a pessoa que esteve ao meu lado nos piores momentos que vivi. Foi quem me deu a mão no funeral dos meus pais, quem me viu vomitar até nada mais sair, quem me viu chorar ao ponto de desmaiar, quem me agarrou quando a ressaca era tão forte que todo o meu corpo doía a um ponto de estar na mais profunda agonia. - Queres desistir? Os outros podem tratar da Arca, tens uma equipa incrível e podes estar então disponível para outros projectos!

- Não vou desistir... - Era mais fácil, sei bem que era efectivamente mais simples deixar de a ver, talvez assim não sentisse tão forte em mim a primitiva vontade de a prender nos meus braços e a proteger de todo o mundo. - Tu tinhas razão eles são bons e só precisam de um empurram no sentido correcto, contudo hoje não contem comigo vou jantar com a Maya.

- Essa vossa relação fora do consultório é no mínimo engraçada...

- Não faças um filme na tua cabeça Cos... Sabes bem que eu e ela somos amigas, provavelmente sabe e diz mais da minha vida que qualquer outra das minhas amigas mas mesmo assim é uma amiga. - Avanço para em velocidade para casa, preciso treinar um pouco para tentar arrancar do meu corpo as mãos da Clarke que após anos ainda sinto em mim com uma força surpreendente. - Amanhã treinas comigo?

- Claro Lex... Até amanhã!

- Até amanhã!

O meu corpo cai no tatame, hoje Gustus está endiabrado e eu é que estou a sofrer com isso ou talvez eu esteja com a cabeça perdida e por isso mesmo ele me domina com incrível facilidade, a katana de madeira na mão dele avança ameaçadoramente para mim e mal tenho tempo de me levantar antes dele atacar novamente. Defendo-me como posso, a minha mente está longe, quero a todo o custo afastar-me da Clarke e isso é difícil quando todo o meu corpo parece não entender que ela não me quer. 

- Queres falar? - Gustus passa-me uma garrafa de água, o meu corpo dói como não doía já faz uns anos. - Conheço-te desde criança e sei bem quando algo te ocupa a mente ao ponto de tu nem conseguires lutar como deve ser.

- Vou ficar bem Gus... Hoje não trabalho durante a noite mas não estarei em casa para jantar...

- Queres que te leve a algum lado ou vais a conduzir?

- Aproveita uma folga que bem mereces!

Estou no bar do restaurante e espero que Maya chegue, já me enviou uma mensagem a dizer que um paciente a atrasou um pouco mas já vem a caminho, já evitei dois copos de vinho oferecidos por uma mulher ruiva que está do outro lado do bar. É bonita, muito bonita, mas hoje não estou com vontade de sexo casual porque sei bem que o meu corpo quer outra pessoa e não tenho tempo para tentar o que sei que não vai resultar. Volto-me para o meu cocktail sem álcool enquanto analiso uns dados que Costia me enviou e as cartas novas que a Anya me pediu para dar uma vista de olhos. 

- Desculpa a demora!

- Não faz mal May... A nossa mesa está pronta, vamos?

- Claro! Estou cheia de fome!!!

A conversa é leve e sem problemas, por momentos esqueço a loira que me preenche o pensamento desde a primeira vez que a vi. O amor é engraçado, aparece quando menos esperamos ou até quando pensamos não merecer, e leva com ele tudo o que temos ao ponto de nos fazer cair. 

- Estás a pensar nela?!

- Sim... Como sabes?

- A minha mãe sempre me disse que quando se ama tem-se uma luz diferente, o teu olhar mudou e ficas com um sorriso muito leve sempre que ela te agarra o pensamento. Por isso é fácil saber que pensas nela... Não me importava que alguém olhasse para mim dessa forma!

- Tens que te abrir mais May!

- Já fazem seis meses que ninguém tenta nada comigo Lexa, começo a achar que tenho um problema grave, até já faço terapia a mim mesma no espelho...

- Oito meses!

- Como assim oito meses?!

- Já faz oito meses que estás sem sexo, isso se as minhas contas não estão erradas...

- Oito meses?! - Vejo ela pensar com força, uma pequena ruga aparece na sua testa e um sorriso tímido nasce nos seus lábios quando entende que eu estava realmente certa nas minhas contas. - Oh merda... Mais uns meses e fico virgem de novo!

- Linguagem May! - Faço a minha melhor imitação do que me disse durante meses sempre que eu falava de forma imprópria, ela sorri e eu não prendo uma gargalhada que se solta por causa do desespero que ela mostra. - Se um dia quiseres podes tentar testar o lado negro da força, as mulheres são sem sombra de dúvida mais... Muito mais...

- Já te disse que és uma idiota?! 

- Já... Mas sou uma idiota que não sabe o que é estar sem sexo oito meses!

- Odeio-te!

- Também te adoro Maya!


Notas Finais


Digam-me o que acham... Faço mais capítulos pelo ponto de vista da Lexa?!


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