História Reckless He(art) - Capítulo 8


Escrita por: e Perrywinkle

Visualizações 341
Palavras 7.421
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ecchi, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Friozinho + chuva (em alguns lugares) = capítulo quentinho de RH.
Nossa, voltei rapidão mesmo, viu! Era pra postar no sábado, mas a ansiedade é grande.
Esse capitulo é todinho narrado pelo Jimin, então está intenso do início ao fim. Acredito que a opinião de muitos irá mudar depois disso, mas ainda sim preciso saber o que acham
Ficou bem grande em relação aos outros, mas não quis dividir. Só espero que consigam ler tudinho kkk

Capítulo 8 - Entre segredos revelados


Fanfic / Fanfiction Reckless He(art) - Capítulo 8 - Entre segredos revelados

Meu falecido pai, Jae Park foi um homem muito bom. Todos no reino o amavam, além de possuir uma sabedoria que eu sempre quis me espelhar. Ele era um bom pai e acima de tudo um excelente líder. Não existe maneira de medir o quanto sinto sua falta.

O que meu pai mais gostava de fazer era estar entre as flores. Ele foi um homem que deu valor a beleza dos pequenos detalhes, como um mero botão de rosa, ou as margaridas desabrochando pela manhã.

Todos os dias Jae Park presenteava Seokjin com uma flor retirada do nosso jardim — mesmo que no fundo eu soubesse que não havia esse tipo de amor romântico entre meus pais, o carinho e admiração era nítido —, aquela era a sua maneira de dizer que era feliz ao seu lado.

Eu gostava de ver como ele fazia dos jardins do palácio o seu refúgio. Desde criança aprendi a apreciar as flores, assim como aquele homem me ensinou. No entanto, quando completei vinte anos de idade, meu pai se foi, carregando consigo toda a beleza que eu via no nosso jardim. Me doía olhar as fileiras de gipsófilas e lembrar daquele grande homem que  jamais teve a oportunidade de me ver crescer. E pensar que talvez nunca serei como ele, me dava medo.

Só que foi no meio das flores brancas que vi um anjo. Tal como nas histórias que ouvia na igreja, dos querubins que protegiam o Éden. Eu visualizei a presença celestial, bem ali no meu jardim. Como um tolo me peguei a observar a criatura espiritual que circundava minhas plantas, cuidando, regando e plantando. Seria ele um deus da natureza, um elfo encarregado de proteger o jardim?

Com o passar do tempo eu vivi a contemplá-lo secretamente, por puro medo de assustar meu precioso querubim. Dizem que quando se assusta um anjo, sua vida está fadada ao azar eterno. Por isso, jamais tive coragem de ir até ele.

— Por que passas tanto tempo espiando o filho dos jardineiros? — meu pai Seokjin indagou curioso quando me viu atrás de uma árvore espiando aquele que jurei ser uma criatura mística.

— Filho… dos jardineiros? — então não era apenas fruto de minha imaginação, ele era real?

— Sim. Achas que não conheço os criados do meu próprio reino? — ele sorriu fingindo indignação — esse é nosso servo, Jeon Jungkook, um jardineiro e excelente pintor, a julgar pelos quadros que o vi pintando nesse jardim. Por que não lhe pede um quadro? Tenho certeza que fará um bom trabalho.

— É impressionante — exclamei inconscientemente enquanto permanecia observando secretamente.

— O quê?

— Que exista algo tão bonito assim no nosso reino — disse-lhe em resposta, completamente hipnotizado.

Passei muitos dias tentando criar coragem para falar com ele. Entretanto, todas as minhas tentativas eram falhas. Me sentia cada vez mais frustrado por não conseguir sequer dizer uma palavra perto daquele ômega. Talvez Jeon Jungkook realmente fosse uma criatura mística, que tinha o poder de me transformar em um bobo apaixonado, apenas com a sua existência.

No início da primavera, todas as flores desabrocharam e o calor do sol também aquecia os meus ânimos. Ao vê-lo sozinho, caminhando entre as flores, me senti determinado a me aproximar. Pela primeira vez, me acheguei diante da sua presença celestial, que outrora foi como uma miragem para mim.

Solicitei que o ômega me retratasse, usando minha autoridade de príncipe para fazer tal pedido, sem que parecesse haver segundas intenções. A princípio não havia. No entanto, meu corpo inteiro fervilhava de paixão e o desejo de fazê-lo meu ômega se tornou cada vez mais intenso.

Em meio a tintas e pincéis, eu o pintei em um tom de escarlate tão vibrante quanto a paixão que ardia em mim. Foi assim que o tomei, que o fiz meu ômega naquele ateliê.

Minha felicidade era imensa, sequer podia acreditar que finalmente teria aquele ômega ao meu lado. Eu precisava tê-lo para sempre comigo, como meu esposo o ômega que reinará comigo quando eu ocupar o trono que pertence ao meu pai.

Em um surto de coragem o chamei para o baile que aconteceria naquela noite, eu sequer sabia o motivo do baile, mas estava contente pois aquela seria minha oportunidade de o pedir em casamento, eu o faria meu para sempre.

Porém, não esperava ter meus sonhos destroçados em apenas uma mísera noite, quando fui retirado da festa por meu pai, o rei ômega, que me guiou até uma sala cuja fora nomeada sala do trono. Ali ficava o trono de ouro no qual meu pai sentava para receber duques, reis, lordes entre outros monarcas.

Na sala havia duas entidades na qual eu já ouvira falar. Ambos vinham de Ilsan, um reino consideravelmente belo conforme os grandes pintores retratavam. A sala estava silenciosa, e por um momento pressenti que algo estava errado. Sentindo-me incomodado com a situação, eu fui o primeiro a se pronunciar.

— Creio que há algum motivo plausível para me retirarem da festa.

— Querido, sente-se — disse o rei ômega, eu o obedeci pois o mesmo é meu pai. — Acredito que não esteja entendendo nada do que se passa.

— Tens razão — eu o respondi ríspido.

— Tu és jovem meu filho, mas mesmo que não seja a hora, tu bem sabes que as responsabilidades de um rei começam ainda quando é apenas príncipe. — Desde o momento em que fui tirado daquele salão, eu suspeitava que havia algo errado, mas eu de longe queria confirmar minhas suspeitas — Eu tenho um pedido a lhe fazer meu filho, pelo nosso reino, pelo meu trono. Tu terás de se casar.

— Casar? Sim, eu irei me casar, eu sei o ômega que quero ter em meus braços, eu irei me casar em breve, meu pai. — Ele negou, os dentes prendiam o lábio inferior numa tentativa de parar aquela dor no coração que eu sabia que ele estava sentindo.

— Filho, teu ômega já foi escolhido — Meus olhos aumentaram de tamanho, eu não sabia quem era o escolhido, mas também não queria o conhecê-lo. Eu queria apenas meu elfo. — Deixe-me apresentá-lo ao rei de Ilsan, e ao seu filho Príncipe Namjoon, o seu ômega.

— Não! — Vociferei perplexo — Eu não me casarei com um completo estranho. Já tenho meu ômega e me casarei somente com ele!

— De que ômega tu tanto falas, Park Jimin? — Meu pai levantou do luxuoso trono, totalmente irritado. — Diga-me com que outro príncipe tiveres contato?

— Eu apresentarei esta noite, apenas poupe-me desta infelicidade, eu não me casarei com outro que não seja ele!

Meu pai levou as mãos às têmporas e a julgar pelas expressões compassivas do rei e do príncipe de Ilsan, Seokjin era o único alterado ali.

—  Por favor, leia isso meu jovem — o rei de Ilsan me entregou uma carta ainda lacrada com o selo real. A assinatura na parte interior tinha a mesma caligrafia de meu pai, o rei Jae Park — Isso o ajudará a entender o que está acontecendo.


Ao meu legítimo filho,

Venho por meio desta expressar-lhe o meu imenso amor por ti. Posso não ter sido um bom pai, ou um bom marido para Seokjin, entretanto espero que meu legado seja o de um bom rei.

Estou doente, como sabes, não posso afirmar que ainda me restarão muitos dias de vida. No entanto, antes de partir, como meu último desejo quero que seja feliz.

Como deves saber, minha amizade com o rei de Ilsan têm longa data. Considero-me um irmão para o Kim. Tenho certeza que seu pai um dia irá lhe contar todas as travessuras que fizemos durante a infância. Foram momentos memoráveis.

Nem sei como explicar o imenso desejo que tenho de voltar aquelas épocas, que foram as melhores de minha vida. Por esta razão, pela minha imensa gratidão a amizade deste homem justo e honesto, minha última e mais sagrada ordem real é a de que meu legítimo filho seja dado em casamento ao príncipe de Ilsan.

Espero que respeite o meu último desejo, meu filho.

Que você seja tão feliz quanto eu.

Do seu pai.


Não consegui conter as lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto, por mais que isso manchasse o meu orgulho de alfa. Pois sei que este é o último desejo de meu pai, que eu seja dado em casamento ao filho de seu melhor amigo. Infelizmente, não posso afirmar o que mais me doeu, se foi saber que jamais poderei me casar com quem eu amo, ou se é saber que meu pai já não estava mais ali para saber que existe alguém especial para mim.

De fato, o último desejo de meu pai jamais será realizado. Pois eu nunca poderei ser feliz longe de quem eu amo.

—  É uma ordem de seu pai — Seokjin expressou —  faça isso por ele.

— Eu serei infeliz, meu pai — respondi-lhe brevemente, logo pousando minha atenção no ômega diante de nós.

Suas mãos sempre juntas na frente do corpo, o olhar tão profundo que nenhum ser humano conseguiria mergulhar tão fundo. Quem o visse jurava que ele não tinha sentimentos, e talvez ele realmente não tivesse, pois me olhava com um misto de compaixão e frieza. Talvez estivesse passando o mesmo que eu, sendo forçado a ficar preso em um casamento sem amor.

E então eu tomei a pior decisão de minha vida, pelo meu pai, quando aceitei aquele acordo com uma imensa dor no coração. E ao apresentar Namjoon ao reino como o meu noivo, desmantelei-me severamente e pior que isso, arruinei o coração do meu pobre ômega, Jeon.

— Você fez o melhor para o reino — disse o príncipe à qual estou condenado a viver eternamente — afinal, essa era a vontade de seu pai.

Podia jurar que Jungkook estava tão desolado quanto eu, meu coração dizia o quanto ele estava sofrendo por mim. Eu queria poder o contar o porquê de tudo isso, o porquê dessa humilhação, eu o prometi um casamento, o nosso casamento. Mas eu não podia o dizer a verdade, tudo que restava era um poço de mentiras, e a pior delas era a de que eu havia me apaixonado por outro e me casado por vontade própria.

O reino inteiro comentava sobre meu casamento com o ômega príncipe de Ilsan. Todos pareciam felizes e até diziam o quanto o príncipe Park estava crescendo, ou que o príncipe era um novo homem, o povo estava contente. Eu só não esperava escutar da boca do ômega que tanto amo, o quão feliz ele estava por meu casamento. Ele estava feliz por ter se livrado de mim, ele realmente não me amava.

É injusto com meu coração, eu o amo demais, o amo muito mais do que  deveria. Sou um príncipe, príncipes não devem a envolver com meros plebeus. Mas então por que meu coração insistia em doer tanto por não ser amado da mesma maneira?

— Distraído? — Indagou Namjoon que surgiu de trás da árvore em que eu estava observando Jeon com sua família — Aquilo é uma família?

— Sim, — disse firme — a família de jardineiros deste castelo.

— E você faz o quê aqui? Observando aquele lindo ômega deitado no colo do outro ômega? — Eu neguei mesmo que sua fala estivesse tão certa quanto a minha certeza de que sou alfa — Então o que faz?

— Vim pôr meus pensamentos no lugar, eles já estão aí a um tempo — eu queria me aproximar, queria o dizer coisas bonitas, queria saber se aquilo sobre felicidade em se livrar de mim é real ou apenas uma máscara para esconder o que já tivemos.

Então uma ideia me veio em mente, aquele ômega não havia terminado minha pintura, eu usaria isso ao meu favor mesmo que fosse a mais tola das ideias.

— Eu tenho uma ordem para esse ômega.

— Posso saber do que se trata? — ômega atrevido. Como ousas ralhar comigo?

— Esse ômega a quem chamou de belo, é um exímio pintor. Eu o ordenei que fizesse uma pintura minha, mas o mesmo não chegou a concluí-la.

— Então tu estás aqui para o ordenar a completar o seu pedido? — assenti, pouco me importando com a presença do ômega ao meu lado. — Vamos até eles. Uma ordem do futuro rei não deve ser desrespeitada.

Novamente aquela insegurança em chegar tão perto dele me atingiu. Cada passo pesava toneladas e talvez eu não quisesse me aproximar. Estava tão inerte que sequer notei quando Namjoon cruzou seu braço ao meu como os casais que perambulam pelo reino, como meus pais faziam.

Me arrependo tanto de tê-lo tratado com tamanha frieza naquela  tarde, minhas mãos poderiam estar atadas com outro ômega mas em meus pensamentos apenas um se mantinha vivo. Mesmo sabendo que Jungkook não tenha amor por mim, eu o amo tão  profundamente que jamais conseguirei negá-lo nada nesse mundo.

— Essa é uma das minhas obras preferidas, representa a verdadeira essência da beleza de um homem — expliquei a Namjoon, tentando afastar o peso da presença do lindo elfo Jeon ao meu lado.

— Pelo corpo, é um ômega, estou certo? — indagou o príncipe.

— Sim, o mais belo dos ômegas. No entanto tamanha perfeição é apenas uma utopia. — Eu falava a verdade, por mais que meu coração gritasse o nome do Jeon, meu consciente dizia eu jamais poderia tê-lo. Injusto, eu sou um príncipe, nasci em berço de ouro e fui criado tendo tudo que eu desejava. Se algo não me pertencia, certamente não existia.

— Estás me dizendo que esse ômega não existe? — o ômega questionou.

— Nunca existiu — porque nesse momento, aquele ser sobrenatural que me manteve preso em meu infinito amor, jamais poderá ser meu.

Como o pior dos tolos eu voltei a espiá-lo de longe. A medida que meu casamento se aproximava, me sentia cada vez mais necessitado de estar em tua presença. Mesmo que por vezes fosse uma tarefa difícil, com tantas obrigações que meu futuro enlace exigia.

Em uma dessas ocasiões me peguei observando-o enquanto regava as roseiras. Meu noivo estava no jardim escolhendo as flores para o casamento. Eu poderia muito bem tê-lo acompanhado e assim estaríamos próximos um do outro, entretanto não conseguia ficar perto de Kim Namjoon sem que um sentimento de repulsa — de  mim mesmo — inundasse todo o meu corpo. Por isso me contentei em apenas olhar para o meu anjo de longe.

Só não esperava que a dor fosse me consumir mais uma vez, assim que o vi flertar com outro alfa. Não o culpo, afinal ele é livre para ser cortejado. Mas como explicar para o meu coração partido que além de não poder tê-lo, precisarei vê-lo com outra pessoa?

Uma aflição latente e torturante me incendiou até que restassem apenas cinzas, pois minha realidade foi manifesta: eu o perdi para sempre. Apesar de ter sido abençoado com um último beijo, recebi a sua confirmação de que ele jamais me amou.

Como fui tolo por acreditar na néscia ilusão de poder ter o amor daquele ômega! Fui o único a guerrear nessa batalha, em vão. Pois de que adianta combater, se  não há pelo quê lutar?

Eu havia perdido.

[...]

O imenso manto de estrelas caía sob o céu, iluminando parcialmente toda a paisagem. Todavia, apesar dos insistentes pedidos de meu pai, eu me recusei a ir até a sala de jantar. Perdi minha fome, meus ânimos e toda a vontade de viver. Apenas ansiava deitar-me em meu leito e permanecer assim até que esse marasmo acabe. Porém nesta noite minha maior vontade era de olhar para os luzeiros do céu e me torturar por lembrar-me que nenhum astro do céu pode ser comparado a beleza daquele ômega.

Entretanto, algumas vozes altas no andar inferior me fizeram despertar do torpor causado pelo meu auto flagelo. Assustado, saí às pressas de meu aposento para descobrir o que quer que seja o motivo de tantos protestos.

— Como ousas falar assim dentro de meu próprio castelo, Yoongi? — meu pai respondeu-lhe com um semblante furioso.

— O que está acontecendo meu pai? — indaguei da escada, olhando de Seokjin para o alfa grisalho que tinha a mesma fachada enraivecida — Esse homem está o desacatando?

— Eu? — o alfa exclamou irritado — Jamais ousaria desacatar a esse rei… como posso dizer, insigne, magnífico talvez? — respondeu-me em ironia.

— Não seja contundente, seu alfa cínico — meu pai bradou em irritação — diga-me a razão de vir aqui me atacar. Vamos, diga!

— Como se atreve a destruir a vida de uma pessoa apenas por ser um plebeu? — disse entre dentes, aparentemente tentando controlar a voz de alfa — Diga-me você, príncipezinho, por que fez da vida de um pobre ômega um brinquedo?

— Do que está falando seu velho alienado? — não me esforcei em conter meus instintos e disse com o tom mais áspero de minha voz, assustando até meu próprio pai.

— Sendo filho de quem é, não posso esperar atitude menos desprezível — riu sarcástico.

— Jamais fale assim de meu pai ou eu mesmo irei mandá-lo à forca — ameacei.

— Jimin, por favor acalme-se! — meu pai pediu — Yoongi, pela última vez eu lhe peço, pare de enrolar e diga-me o motivo de sua fúria. Pois não sou obrigado a ouvir essas ofensas dentro de minha própria casa.

— Seu filho — o alfa pareceu pesar muito bem as palavras, respirando fundo antes de prosseguir — ele tirou a pureza de um ômega, do jardineiro, antes do casamento.

— Isso é verdade? — meu pai  questionou-me e eu apenas assenti, pronto para ouvir o que quer que aquele alfa queria dizer, o que inclui a razão dele saber algo tão íntimo ao meu respeito.

— Sabes como essa atitude é mal vista pela sociedade, principalmente para um ômega — o alfa expressou enquanto caminhava de um lado para o outro — no entanto, apenas essa humilhação não foi o suficiente, pois seu ômega está grávido.

— G-Grávido? — suspirei exasperado. Meu tio Taehyung, a essa altura, descia as escadas apressado, tentando entender o que acontecia.

— Aquela pobre criança perdida não sabe o que fazer para lidar com isso — prosseguiu ressentido — Por isso sua melhor opção é fugir. Nesse momento ele está partindo, pois é sua única alternativa, já que o pai de seu filho covardemente irá se casar com outro.

— E-eu preciso até lá e… — balbuciei as palavras, pois as mesmas eram impossíveis de serem ditas com o tamanho do choque em que estava.

— Pois você não irá — meu pai ordenou — Deixe-o ir!

— Hyung! — meu tio foi até ele, tão incrédulo com aquelas palavras quanto eu — Como podes fazer isso?

— Você irá se casar com Kim Namjoon. Esqueça esse ômega — Seokjin concluiu, arrancando uma risada mordaz do grisalho.

— Você não mudou nada. Continua sendo… — se conteve — Bom, não importa.

— O quê? — meu pai indagou se aproximando daquele alfa — Diga. O que eu sou?

— Estúpido — respondeu prontamente.

— E por que sou estúpido? Por visar o bem do meu reino? Por preservar o desejo de meu marido? Fale, Yoongi.

— É estúpido porque está cometendo os mesmos erros de quase trinta anos atrás — concluiu.

— Não Yoongi. Meu erro foi ter me envolvido com você.

— Basta! — praticamente gritei, aturdindo a todos — Por favor, me explique o que está acontecendo — disse ao meu pai, que tinha o rosto carregado de lágrimas — O que quer que tenha sucedido, eu preciso saber.

Seokjin olhou para meu tio, pousando o olhar no alfa grisalho e depois parando em mim. Então, respirando fundo algumas vezes, ele se sentou na chaise  da sala.

— Meu filho... — engoliu em seco — Por favor sente-se. Vou lhe contar algo. — Prontamente fiz o que me foi pedido, agora notando o silêncio que se instaurou ali.

— Jin… — o alfa mais velho iria dizer algo, mas suas próprias falas cessaram.

— Quando eu tive a sua idade, eu me apaixonei — fez uma pausa e olhou para o homem à sua frente antes de prosseguir — Como toda paixão na flor da juventude, era tudo belo e extraordinário. E todo o meu fascínio me cegou a ponto de não enxergar as dificuldades que iríamos enfrentar. Não sabia o quanto precisaria estar disposto a superar tantas coisas para ficarmos juntos. E eu estava disposto, afinal nada mais importava para mim além dele. Nem mesmo o reino, minha família… Ele era tudo. — sua voz saiu falha ao se lembrar — Eu era o seu ômega e Yoongi o meu alfa.

Pelo que  compreendi de suas palavras, meu pai e o alfa pálido tiveram um romance na juventude. O que não me surpreende, já que sempre imaginei que este não amasse ao meu pai, o rei Park, verdadeiramente.

— Mas o que as pessoas pensariam quando descobrissem que o príncipe tinha um romance com um soldadinho qualquer? — Seokjin riu, limpando uma lágrima que caía no seu rosto — Nem isso me importava. Só me importava o tamanho do meu amor por ele.

— Por que está revelando isso agora? — expressei impaciente. Meu ômega estava partindo e eu não entendia onde meu pai queria chegar com isso.

— Porque eu o deixei ir, meu filho. Talvez tenha sido a melhor decisão de minha vida, assim como estou pedindo que o deixe.

— Isso é tolice. Não se pode afastar um pai de um filho, hyung — meu tio se manifestou magoado — por que faz isso?

— Yoongi se foi — O rei ômega prosseguiu elevando o seu tom de voz, ignorando a todos — Ele partiu para uma batalha me prometendo que voltaria. Disse que levaria três dias, no máximo uma semana e eu… como um tolo apaixonado eu confiei nele. Yoongi não mentiria pra mim. — Ele olhou para o alfa grisalho por um longo tempo, como se lhe lançasse todos esses anos de mágoas — Antes de ir eu entreguei a ele tudo o que tinha, confiando na sua promessa. Eu me entreguei a um alfa.

Tive vontade de questioná-lo, de saber qual era a razão de me contar coisas tão íntimas. Mas pelas lágrimas que escorriam abundantemente de seu rosto e pela sua delicada escolha de palavras, percebi que havia algo mais a dizer. Como um desabafo sincero depois de longos anos.

— Ele não voltou — sua frase soou  quase inaudível e por um instante eu quis ir até ele e impedi-lo de prosseguir — Uma semana, duas, várias semanas se passaram e ele não retornou. E na quinta semana eu descobri que estava grávido.

— Grávido? Jin… o que está dizendo? —  Yoongi se aproximou bruscamente de meu pai, que permaneceu parado olhando para um ponto fixo naquela sala.

E eu estava da mesma maneira. Descobrir que provavelmente tive um irmão que jamais conheci ou que talvez não pôde nascer me deixou extremamente abalado.

— Foi um choque — ele continuou, como se nada pudesse pará-lo — Afinal eu mal sabia se o pai do meu filho voltaria. Quando completou dois meses eu concluí que ele jamais iria voltar… — o alfa ao nosso lado estava com o semblante totalmente pintado em carmesim, com exceção de suas lágrimas, que brilhavam abundantemente na pouca luz — É claro que teve o mesmo impacto para os meus pais, já que todo o reino seria afetado por isso.

— Meu pai… — minha fala saiu sussurrada, porém meu pai parecia sequer escutar, pois estava preso em suas lembranças dolorosas — onde está essa criança?

— Então Jae Park apareceu — secou algumas lágrimas que escorriam pela sua pele — Ele estava disposto a cuidar de mim, mesmo sabendo que jamais o amaria. Naquela mesma semana nós nos casamos e eu nunca mais voltei a ver Min Yoongi... por 25 anos. Jae criou esse filho como se fosse seu, pois de modo algum descobriu quem era o seu verdadeiro pai. Jimin era um bebê tão pequeno e frágil. Não foi difícil mentir que ele nasceu antes do tempo.

— Está dizendo que… — Taehyung mal conseguiu expressar-se, o que não difere em nada da minha situação — Jimin…

— Não pode ser. Não! — o alfa jogou-se aos pés de meu pai, que pela primeira vez desviou o olhar para si — Jin… Eu voltei — suas mãos repousaram em cada lado do rosto do meu pai — Eu voltei por você, meu amor.

— Com mais de vinte anos de atraso — respondeu inflexível.

— No dia do seu casamento. Eu retornei para você, Jin. Mas foi tarde demais — o homem revelou aos prantos.

— Por que… — Seokjin retirou as mãos do alfa de seu rosto — Por que demorou tanto Yoongi? Eu não podia esperá-lo.

— Eu estava doente. Muitos da tropa morreram e por pouco eu não fui um destes — o alfa se levantou, caminhando de um lado para o outro — Eu fui forte e me esquivei da própria morte por você.

— O que está dizendo… É inconcebível — expressei-me amplamente desacreditado — Está me dizendo que este homem é meu pai?

— Me desculpe por escondê-lo de você, meu filho — declarou aquele homem ardiloso a quem chamo de “pai”.

— Jamais o perdoarei por isso — afirmei, enquanto sentia a amargura tomar conta de mim.

Por culpa de uma mentira do homem que me deu a vida, eu perdi o amor do meu ômega. Por sua culpa eu quase perdi a oportunidade de conhecer meu filho. Céus, um filho! Não sei se me alegro ou se me dói saber disso, já que é algo que me ligará a Jeon Jungkook para sempre. Uma ligação mais forte que uma marca.

Embora aquela notícia fosse como estocadas de uma espada em meu peito, de certa forma me trouxe alívio, pois assim estarei livre da ordem do rei e me pouparei de um casamento forçado. Entrementes, minha vida inteira sofrerá uma grande reviravolta — o que talvez ainda não estivesse pronto para lidar — por conseguinte, eu precisava, mais do que nunca ter aquele ômega ao meu lado.

— Meu tio, por favor diga-me, onde está seu cavalo? — interpelei agitado.

— Já disse que você não irá — Seokjin ordenou, o que me fez arder em furor.

— E o senhor, meu pai, perdeu todo o direito de me dar ordens — comuniquei-me pela última vez, antes de dar as costas e sair apressado daquele recinto.

Não havia tempo a perder, então nem mesmo conferi se o corcel estava preparado, antes de alçar-me ao cavalo, transpondo-me velozmente pela estrada escura iluminada apenas pela luz da lua minguante e as brilhantes estrelas do céu.

Minha mente enevoada, pensava unicamente na ideia de novamente ter Jeon Jungkook para mim. Eu precisava encontrá-lo a tempo. Nem mesmo a noite fria e a estrada coberta pela trevas, nada me impedia. Mesmo que ainda houvessem questões a serem resolvidas com meu pai, um casamento a ser cancelado e por fim, meu casamento com o ômega que realmente amo.

Os barulhos das rodas da carruagem ficaram cada vez mais audíveis na estrada principal. Senti que me aproximava quando ouvi nitidamente som das pedras batendo contra o carvalho na lateral do veículo e aumentei ainda mais a velocidade do cavalo para alcançá-los.

Prontamente, o cocheiro Minseok conseguiu conter os cavalos e parou a diligência para que eu pudesse me aproximar.

— Vossa alteza real — o beta curvou se em reverência assim que me viu — há algo errado?

— Preciso ver quem o senhor está levando para longe do meu reino — disse.

— É apenas um jovem ômega desafortunado, majestade — o cocheiro explicou, porém pouco me importava.

Com pressa, abri uma das portas da coche, finalmente o encontrando ali.

— Onde pensa que vai com o meu filho? — indaguei a primeira coisa que me veio em mente, tendo como resposta o seu olhar assustado.

— C-como me encontrou?

—  Responda-me!

— Não está claro, vossa alteza? — o ômega retorquiu em ironia.

— O que está claro para mim é que eu não permitirei que você saia deste reino. Não quando obviamente sei da razão de sua fuga.

— Majestade — só agora percebi que seus olhos estavam carregados de lágrimas e pela sua aparência, já estava chorando a um bom tempo. Imaginar que esse pobre elfo cogitou a possibilidade de se afastar de todas as pessoas que ama me doía  — Se sabes da minha condição, por favor deixe-me ir, antes que cause ainda mais vergonha para o reino.

— Acate um decreto de seu príncipe — disse em um tom de ordem, que o fez me encarar aturdido —  Você irá retornar ao reino e se casará comigo.

— Está novamente me propondo em casamento, alteza? — Jeon perguntou incrédulo e eu apenas assenti ansioso — Sinto muito, mais não poderei aceitar.

— E por que não?

— Porque sou incapaz de acreditar em sequer uma única palavra que sai de sua boca.

— Não peço que confie em minhas palavras, mas que apenas deixe-me dar uma  família para esse bebê — levei as mãos trêmulas ao seu rosto frio e molhado — Eu te amo Jeon Jungkook. Mesmo que não acredite, tenho plena certeza de que te digo a verdade, pois guardo esse sentimento dentro de mim a tanto tempo que serei incapaz de um dia deixar de amá-lo. Então case-se comigo por favor, Jeon. Ou apenas pense nisso, pelo futuro de nosso filho.

[...]

Embora ainda não obtive minha resposta, pedi que gentilmente o ômega viesse morar no castelo. Jungkook não pareceu-me disposto a trocar mais do que poucas palavras comigo, nem mesmo aceitou minha ajuda para comunicar aos seus pais a sua recente mudança. Todavia, eu me sentia aliviado por tê-lo aqui — ainda mais após receber o seu real diagnóstico do Doutor Baek — assim poderei oferecer o devido conforto e tratamentos necessários para uma  gravidez saudável.

No meio daquela tarde, convidei Kim Namjoon para um chá, no intuito de cancelar o nosso acordo de casamento. Visto que não sou filho legítimo de Jae Park, isso anula completamente o mandato real.

A lamentosa realidade me assombra, mas ainda há maneiras de me livrar desses fantasmas para sempre.

— Agradeço o seu convite para esse boníssimo chá, porém vejo em seus olhos, meu noivo, que há mais do que simples perguntas sobre minha saúde que tu queres falar — o ômega graciosamente largou a xícara no pires de porcelana posto sobre a mesa — Diga-me o que se passa, sou teu noivo, teu confidente para a vida toda.

— Eu agradeço sua compreensão, querido — articulei as palavras enquanto via que o chá estava frio e intocável, sequer tomei uma gota da bebida — O que tenho para tratar é um assunto sério.

— Pois então não delongue, conte-me tudo, alfa.

Aprumei-me na cadeira e finalmente provei de meu chá, só o fiz para molhar os lábios e a garganta antes de anunciar minha decisão final. Pousei o olhar no rosto do Kim, a fim de captar todas suas reações, afinal, quem era Kim Namjoon agora? Continuaria ele sendo o mesmo garoto fútil que só pensava em jóias e status?

— Pois bem — passei a falar — Vim comunicar-lhe do fim deste noivado, tu não serás mais o meu esposo.

Os olhos pequenos arregalaram-se por um curto período, mas tão logo o ômega voltou para sua graciosidade pousando sobre a bandeja de prata o doce que provara a pouco.

Eu o observei retirar as luvas que cobriam as palmas fixando o olhar na mão esquerda. Ali encontrava-se a argola dourada que rodeava o anelar do Kim, algumas pedras reluziam à luz solar, causando um brilho incômodo nos meus olhos. Namjoon soltou uma risada baixa e retirou do dedo a aliança de noivado: a prova concreta de que logo seria o ômega de Park Jimin.

— Está vendo o quão bela ela é? — demandou o príncipe de Ilsan — Tu não achas que seria maldade fazer-me retirá-la daqui com palavras tão ilógicas?

— Não há maldade alguma em minhas palavras, Namjoon. Estou acabando com algo que não deveria sequer ter um início — Namjoon acabrunhado levantou-se rigidamente por pouco não derrubando sua cadeira, deixou o ômega formoso de lado e bateu a palma na mesa.

— Tu não tens esse direito! É uma ordem do antigo rei! — Gritou o ômega, sua voz soou estridente assustando alguns criados que trabalhavam por ali.

— O antigo rei decretou que seu herdeiro casaria-se com o príncipe de Ilsan, caso ainda não saiba de meu vexame, eu contarei: eu, Park Jimin, não sou verdadeiramente filho do vosso rei Jae Park! — Levantei-me da cadeira ficando na mesma pose que o ômega, nos encaramos firmemente sequer ousamos desviar o olhar — Eu já disponho de um ômega e este está esperando um filho meu, eu o amo, Namjoon e faria de tudo para ter meu ômega e o pequeno que está por vir ao meu lado.

— E o seu trono? Como ficará sua reputação com o reino ao saber que Park Jimin, o príncipe de Busan engravidou um ômega antes mesmo de seu casamento?! — Namjoon rodeou a mesa até parar ao meu lado e segurou-me pelos ombros — Case-se comigo, Jimin! Podemos cuidar desta criança como nosso filho, e o seu ômega ficaria livre deste bebê!

Eu não podia crer nas palavras do Príncipe, Namjoon estava mesmo propondo-me aquele absurdo? Eu já não reconhecia mais o ômega contido que ele parecia ser, aquele ali era outro Namjoon.

— Eu peço a ti que pense mais de duas vezes antes de dizer algo deste tipo — Retirei suas mãos de meus ombros segurando seu pulso carinhosamente, eu faria Namjoon voltar a ser quem era — Jungkook é um ômega de respeito e em momento algum ele aceitaria um acordo tão inepto! E eu como pai daquele bebê, jamais aceitaria isso.

— Faça pelo reino, Jimin!

— Eu já disse tudo que tinha de falar, logo anunciarei meu noivado com Jungkook, até lá não quero mais o ver em Busan. — O dei as costas sem me preocupar com seus gritos ou com a bandeja sendo arremessada contra o chão tamanha a raiva do ômega.

Agora eu precisava ver Jungkook, seu estado era preocupante e me deixava alarmado para qualquer recaída, se algo acontecesse bem embaixo de meu nariz, eu jamais me perdoaria por ser tão cego. Eu cuidaria bem daquela criança, eu seria um alfa de verdade.

— Foi uma madrugada cansativa, você deve deitar-se — A voz provinha do quarto onde Jungkook estava instalado, minha curiosidade falou mais alto no momento e eu sequer bati na porta. Adentrei o quarto sem aviso prévio encontrando Jungkook sentado sobre a cama e Junmyeon ao seu lado — Vamos Jungkook, não seja teimoso e deite-se.

— O que esse alfa faz aqui? — Indaguei irritado, aquele alfa insolente continuava a seguir o meu ômega, isso é algo que eu não toleraria.

— Suho veio me ver — disse o ômega — Ele se preocupa comigo.

Jungkook acomodou-se na cama como pôde, pude notar que ele estava bem mais magro e eu jurava que com qualquer pequeno impulso do vento ele voaria longe como as folhas de meu jardim.

O alfa ao seu lado tocou-lhe a maçã do rosto fazendo um carinho singelo, o ômega fechou os olhos aproveitando o afago. Meu rosto deveria estar tão rubro pois a raiva fervilhava em meu ser, a qualquer momento eu socaria aquele alfa e o ameaçaria.

— Como pode ver, ele está infausto, então é melhor que o deixe descansar — Junmyeon levantou-se da cama e aproximou-se com o semblante torcido em raiva.

— Quem pensas que é para me afastar deste ômega? — bradou o alfa — Ele jamais será tua propriedade, não o trate como um objeto nas mãos de crianças!

— Tu não sabes o que fala, baixe o teu tom para falar com o príncipe deste castelo! — poderia jurar que meu olhar fumegava de raiva, o clima havia ficado tenso e eu podia sentir uma energia diferente ali.

— Você pode ser o rei, não me importarei em gritar tais palavras. Jungkook é um ômega, um homem como nós, ele não é e jamais será um objeto para ser usado e descartado da forma que você o fez!

— Como ousa?! — Agarrei-lhe o colarinho o puxando para perto, já estava prestes a socá-lo, quando olhei de soslaio e vi o ômega se encolheu no canto da cama,  apavorado — Repita o que disse se tens audácia o suficiente!

— Tu és um príncipe mimado que usa os outros! — Ele esbravejou, seu tom fora mais forte que o meu,  mas não deixei-me abalar — Ainda queres que eu o repita? Pois poderei citar diversas imperfeições de vossa majestade!

— Oras… — Ergui o punho acima da cabeça pronto para acertar-lhe o rosto, porém antes que tal coisa acontecesse a porta fora aberta rudemente e outra voz fez-se presente.

— Basta! — Bradou o lorde Yoongi segurado o meu braço — Este comportamento infantil perto de um ômega grávido, eu jamais imaginaria que dois altos cavalheiros como vocês seriam capazes de agir desta maneira!

Larguei Junmyeon e tratei de me desvencilhar do aperto em meu braço causado pelo chefe da guarda. O grisalho olhou-me irritado na tentativa de amedrontar-me. Mas eu não vacilei o olhar, o mantive firme até que o mesmo voltasse a pronunciar-se de forma coerente e pacífica.

— Deste alfa eu esperava uma atitude desta — seu indicador levantou-se em minha direção — Já tu Suho, um nobre cavalheiro, tão belo como uma flor fosses capaz de fazer algo tão infantil.

Junmyeon curvou-se respeitosamente desculpando-se com o mais velho, este sorriu em resposta tão logo voltou seu olhar para mim. Havia algo diferente, ele tentava penetrar a minha alma através dos meus olhos. Quando o lorde desviou o olhar, seu semblante tornou-se triste e amargurado.

— Tu és o príncipe deste castelo, o responsável por este filho a qual Jungkook espera, seja homem o suficiente para assumir esta responsabilidade de forma correta — disse ele — Não tolerarei outra insolência como esta.

— E quem és tu para falar de insolência com o próprio príncipe? — Indaguei, minha cabeça erguida, meu olhar penetrava o seu, eu não desistiria, eu mostraria ser homem de verdade — Tu és um pobre homem chefe da guarda, alguém com um coração partido um patife! Ainda tens coragem de mandar-me ser homem se nem mesmo tu conseguiu ser um? 

— Eu sou seu pai, o homem a quem tu deves o respeito, mesmo que eu não seja um homem da realeza como o rei ou você — soltei um riso melancólico aproximando-me ainda mais do grisalho, este a nenhum momento recuou ou reverenciou-me, apenas manteve seu olhar preso ao meu — A que devo o ar da graça?

— Meu pai foi Jae Park e não você. Tu és apenas um servo do reino. Antes de se dirigir a mim, curve-se em respeito! — Esbravejei as palavras em seu rosto, podia jurar que o vi vacilar por um momento.

— Parem! — Jungkook manifestou-se — Eu não tolerarei que o trate desta forma absurdamente suja! Ele é o seu pai, príncipe ou não você o deve respeito! — Jungkook levantou-se da cama e caminhou até nós pondo-se em frente ao lorde com os braços esticados para os lados — Se irás insultá-lo, eu não irei permitir!

Sua respiração desregulada chamou a minha atenção, seu peito descia e subia apressuradamente. Seu rosto tornou-se ainda mais pálido, e eu vi seus braços fraquejarem por um curto momento. Yoongi pôs a mão em um de seus ombros o confortando, ele estava grávido e não podia sentir emoções tão fortes.

— Está tudo bem — Yoongi relatou — Deite-se, tu tens que descansar — Mas Jungkook negou insistentemente, ele me olhava com ódio, por mais que a raiva o dominasse seu coração batia fortemente contra o peito, minha audição apurada deixava-me ouvi-lo.

Ousei me aproximar mais um pouco, porém um grito do ômega me impediu, ele não me deixaria  aproximar-me e quando eu investia ele berrava e tentava me afastar. Porém eu não desisti, avancei e agarrei-lhe os braços o mantendo colado à mim.

— Me largue! — Esbravejou — Vamos, me largue!

— Solte-o, Jimin! — Gritou Junmyeon, esse se aproximou-se e tomou a cintura do ômega em seus braços. Eu manti a pressão mantendo-o preso em mim, ele era o meu ômega e eu não o deixaria escapar — Pare com isso, deixe-o sair! — O ômega levou suas mãos até minha vestimenta e apertou o tecido entre os dedos.

— Ele é o meu ômega, se há alguém que deve cuidar dele, esse alguém sou eu — Jungkook deitou a cabeça em meu ombro, naquele momento eu julguei que ele havia se entregado, porém no momento seguinte o ômega esmurrou-me o peito e saiu do meu abraço deixando-me para trás com o peito dolorido. Eu queria gritar, esbrajevar para todos o quanto aquilo doía, sua rejeição me doía e corroía pouco a pouco meu ser. Mas eu não podia o fazer, meu ômega estava grávido, qualquer atitude impertinente e eu perderia o meu filho a única ligação entre Jungkook e eu que nada existia.

— Tu estás bem? — Junmyeon indagou ao acariciar as costas do Jeon, ele negou. Sua testa suava, a respiração desregulada, e o coração frenético. Céus, ajudem o meu ômega! — Jungkook? — Não houve tempo, Jungkook apoiou-se nos braços de Junmyeon, pareceu-me um pouco nauseado.

— Saiam daqui. Eu preciso ficar sozinho — o ômega confessou. E antes de me retirar do quarto, lancei meu olhar para o alfa. 

Algo me diz que nossas pendências ainda não foram resolvidas.

[...]

Nada conseguia me fazer pegar no sono, nem mesmo o meu cansaço extremo por passar mais de uma noite sem dormir. Mas o que eu poderia fazer, se minha própria consciência fazia-me sentir como se nada estivesse resolvido de fato? Então decidi, que ficar na cama, não ajudaria em nada, por isso determinei-me a sair e caminhar um pouco sob as estrelas.

— Não consegue dormir? — uma voz grave assustou-me assim que saí dos portões do palácio e me recostei no parapeito da escada. Quando notei de quem era aquela voz, minha reação foi de tentar retornar para dentro do castelo — Você não precisa se retirar. Por favor, fique. — assenti para o alfa e permaneci encostado na pequena parede de mármore.

— Me desculpe por ter agido daquela maneira, eu…

— Não há pelo quê se preocupar — respondi prontamente a fim de findar aquela conversa com Yoongi.

— Seus cabelos são tão loiros quanto os meus já foram um dia — O alfa sorriu, olhando para o horizonte sem me encarar — e seus olhos…

— Nós temos muito em comum — falei quase sem perceber que tais palavras saíram de minha boca.

— Sim — afirmou — E isso também inclui o fato de que nós dois ainda estamos aprendendo a ser pais — concluiu, já se preparando para descer as escadas.

— Yoongi… — chamei o grisalho, mesmo sem ter nada a dizer. Se tinha algo a ser dito, eu não sabia, no entanto, recebi troca um breve sorriso junto com um aceno com a cabeça, como se ele soubesse, mais do que eu o que inconscientemente eu era incapaz de dizer.

— Nós vamos nos sair bem — disse, logo se afastando de meu campo de visão.

Não demorou muito para que eu retornasse ao castelo, estranhamente mais leve. Entretanto ainda havia uma grande preocupação com Jungkook, depois dos desentendimentos desta tarde. Meu ômega jamais deveria passar por isso, afinal sua situação é bem delicada. Se algo acontecesse a ele e meu filho, eu jamais iria me perdoar.  

Minha curiosidade em vê-lo foi tão grande, que no instante seguinte eu já estava parado diante da sua porta, abrindo-a levemente para velar o seu sono.

A brisa soprava as cortinas azuis, fazendo-as balançarem com a força do vento. Jungkook permanecia encolhido sob a cama e só agora notei que ele deveria sentir frio, pois a manta não cobria todo o seu corpo. Me apressei em fechar as cortinas da janela, indo em sua direção para cobrir os seus braços.

— És tão lindo… — sussurrei para mim mesmo, vendo o quanto agora ele  parecia confortável em seus sonhos, mas tremia de frio, apesar do calor do tecido pesado.

Não hesitei em me deitar ao seu lado, na tentativa de aquecê-lo com o calor do meu corpo. No entanto, o que se aquecia cada vez mais era o meu coração, que batia descompassado perto do homem que eu tanto amo.

— Me desculpe meu amor — mais uma vez sussurrei, com medo de despertá-lo de seus sonhos profundos — Por favor me desculpe.

A primeira lágrima escorreu pelo meu rosto e eu agi prontamente para afastá-la.

— Me perdoe por não ser o que você merece — minha voz soou embargada, mas não importava, pois ele permanecia adormecido — Eu te amo Jeon Jungkook. — pois desde a primeira vez que o vi naquele jardim, sabia que seria seu para sempre, mesmo que ele não seja meu.



Notas Finais


Nossa
Nem sei o que dizer.
Esse capitulo vai dividir muitas opiniões...
Mas me digam, quem ainda odeia o Jimin?


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