História Reckoning (Imagine Mark Tuan - Yoo Kihyun) - Capítulo 3


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Categorias Got7, Monsta X
Personagens BamBam, Hyung Won, I'M, Jackson, JB, Jinyoung, Joo Heon, Ki Hyun, Mark, Min Hyuk, Personagens Originais, Show Nu, Won Ho, Youngjae, Yugyeom
Visualizações 71
Palavras 4.122
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Self Inserction, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Com Awaken chegando ao fim, é hora de dar prioridade à essa vida da S/N. Se você ainda não sabe, S/N tem outras vidas que são contadas em outras fanfics. Awaken é uma dessas vidas, se você quiser ler, vou deixar o link ali embaixo! ♥

Capítulo 3 - Capítulo II.


Fanfic / Fanfiction Reckoning (Imagine Mark Tuan - Yoo Kihyun) - Capítulo 3 - Capítulo II.

Não podia ser pior. Eu caminhei pesarosamente e me sentei em uma carteira, no meio da sala de detenção. Meu pai estava pronto para me enforcar, mas se contentou em me bater de cinta quando cheguei do colégio no dia anterior.

Todos os alunos e professores pensavam que eu estava no banheiro fazendo coisas indevidas com Mark e o resultado foi explosivo. Naquela manhã, o pai de Hoseok ligou em casa e desistiu do casório. Simples assim. O filho dele não casaria com uma garota mal falada. E era assim que todos me enxergavam ali agora. Jaebum prometeu que conseguiria um casamento para mim com algum dos seus amigos, mas eu não estava muito interessada.

Encarei a madeira velha da minha mesa, entediada, sem saber como seria uma detenção, porque eu nunca tinha sofrido uma. Só sei que cumpriria “a pena” durante duas semanas após a aula da manhã e só seria liberada perto das 16h.

Mark entrou na sala sem que eu percebesse e sentou na carteira na minha frente. Eu levantei os olhos, surpresa, quando ele virou para trás.

— Tudo bem? — Ele perguntou, preocupado.

— Como você acha que eu estou? — Eu perguntei, frustrada. Eu nem ao menos conseguia me animar com Mark tão perto. Ele não usava seu terno, apenas a camisa social branca e a gravata preta. Seu cabelo castanho estava perfeitamente alinhado, a franja caía displicente no rosto e ele usava brinco, o que parecia um ato de rebeldia naquela época, mas eu achava charmoso.

— Soube que Hoseok desistiu do casamento. — Ele tentou falar, meio nervoso, e eu revirei os olhos.

— Jaebum irá revirar esse colégio atrás de outro para casar comigo. Não se preocupe. — Eu respondi sem muito interesse. A verdade é que nada me interessava. Eu ainda só sentia o cheiro de sangue e não tinha dormido nada à noite. Ir ao banheiro, mesmo em casa, era uma tortura.

— Eu estava pensando... — Ele começou a falar, mas parou, porque nossos olhos foram atraídos para dois garotos que entraram na sala de detenção. Um deles era Hyunwoo, o tal garoto que me empurrou e brigou com Mark. Ao seu lado, andava um garoto que eu nunca tinha visto antes.

Meus olhos foram atraídos para o garoto desconhecido imediatamente. Acho que o garoto sentiu o mesmo, porque correspondeu o meu olhar de uma maneira diferente. Seus olhos pareciam não só fitar os meus olhos, mas também a minha alma. Era hipnotizante ao ponto de eu nem perceber que prendia a respiração.

O garoto tinha os cabelos castanhos para cima, em um topete bagunçado. Seu rosto era pequeno, seus olhos puxados e uma pele muito pálida que davam a ele uma feição mais introvertida. Ele parecia irritado com algo ou seria apenas a sua feição natural?

Hyunwoo e o garoto passaram ao nosso lado e sentaram nas últimas carteiras da sala. Eu soltei a respiração que estava prendendo e tentei raciocinar. Espiei, discretamente, para trás e vi que Hyunwoo estava mal humorado e se deitou na carteira para dormir sem dizer uma palavra sequer.

Então, eu virei o olhar para o desconhecido e, para a minha surpresa, ele ainda me encarava com o mesmo olhar. Eu engoli em seco. Ele não usava o terno dos uniformes padrões dali. Apenas a camisa social com a gravata preta e a calça também preta. Mas, ele tinha um adereço a mais: ele também usava brincos de argola em suas orelhas e all star preto nos pés. O que era bem descolado, já que os meninos tinham que usar sapatos. All star era um tênis ainda não muito comum, o que só demonstrava que talvez o garoto não fosse daquela cidade.

— Quem são? — Eu perguntei, virando para Mark, tentando me livrar do olhar estranho do garoto.

— Não faço ideia. — Mark respondeu, mal humorado, encarando os garotos de longe. — Devem ser alunos do turno da noite.

— Olá, boa tarde. — Eu levantei o olhar e Mark virou para frente. Aquela detenção não parava de me surpreender, já que Minhyuk apareceu todo sorridente, segurando uma pilha de papéis. Não havia muitas pessoas ali naquela sala, talvez uns dez alunos.

 — Boa tarde. — Os poucos alunos responderam em coro.

— Hoje eu vou acompanhar vocês na detenção. Para quem ainda não me conhece, eu sou Lee Minhyuk, monitor do Professor Yuri.

Eu o encarei, surpresa, e Minhyuk notou minha presença, piscando para mim. Era impossível que aquele garoto nunca perdia o bom humor. Minhyuk e eu tínhamos uma relação de amor e ódio. A verdade é que o garoto se dizia filho do pai de Jaebum... Aquele pai que fugiu e abandonou Jaebum e minha mãe. Minhyuk também foi abandonado pelo pai da mesma forma que Jaebum e era criado pela sua mãe. Nós dois não nos dávamos bem sempre e eu devo culpar meu irmão por isso. Jaebum e Minhyuk não se davam bem e eu ficava no meio da briga dos dois.

— A tarefa de hoje é bem simples, discorram um pequeno texto sobre o que fizeram e o porquê isso é errado. Legal, né? — Eu segurei a risada, mas Mark virou para trás, lançando um sorriso de quem acha graça da empolgação de Minhyuk. — O texto será feito em duplas, de maneira que vocês poderão trocar experiências.

— Vamos fazer juntos? — Mark sussurrou para mim e eu assenti. Ok, talvez não fosse tão ruim assim a detenção.

— Não se animem. — Minhyuk falou em voz alta enquanto todos se movimentavam para achar uma dupla. — Eu escolho as duplas. — Após vários protestos, Minhyuk começou a ditar as novas duplas, entregando apenas uma folha para elas.

— S/N, quero você aqui do lado desse moço simpático. — Minhyuk me chamou, distribuindo um papel para o garoto desconhecido que eu fitava anteriormente, o tal amigo de Hyunwoo.

Eu observei Minhyuk sorrir para o garoto misterioso que estava sentado. Mas, este não sorriu de volta, apenas franziu o cenho para ele como se estivesse incomodado de ter sido colocado comigo como dupla.

— Você já está aqui há tanto tempo na detenção que nós devíamos ser melhores amigos. — Minhyuk provocou o garoto pálido e mal humorado que apenas revirou os olhos.

Minhyuk me ajudou a levar a mesa e a cadeira para sentar ao lado do garoto desconhecido. Eu sentei, tensa, sem encarar o garoto e Minhyuk pousou sua mão em meu ombro:

— Não sejam tímidos. Vocês dois tem muita experiência em comum para trocar. — Eu franzi o cenho para Min, sem entender, mas ele se distanciou de nós para arranjar uma dupla para Mark que foi, obviamente, Hyunwoo. Forçar os dois a trabalhar juntos após a briga era bem clichê.

Eu respirei fundo, sem me mover, encarando o papel na mesa do garoto ao lado. Ele respirou fundo também, audivelmente, e esticou o braço para a mesa, lendo o papel.

— Quer que eu escreva? — Eu decidi tomar a iniciativa e quebrar o silêncio. O garoto levantou o olhar para mim e passou a folha para a minha mesa. Eu o encarei, mas ele não disse uma palavra, o que era bem irritante. Mas, seus olhos estavam bem perto dos meus, como se ele estivesse se divertindo em me analisar. — Certo. — Eu cerrei os olhos para ele, ameaçadora, mas isso fez ele apenas dar um sorriso discreto, de quem acha graça. Eu franzi o cenho, sem entender nada, e virei para o papel.

— Ok, meu nome é S/N. — Eu declarei, escrevendo na folha. — E o seu é?

— Yoo Kihyun. — Ele falou num tom baixo. Eu virei para ele de supetão, ao lembrar do nome na porta do banheiro, e levei um susto. Ele estava apoiado na mesa e seu rosto estava bem perto do meu ombro para espiar o que eu escrevia. No minuto em que virei, seu rosto estava perto demais do meu e eu abri bem os olhos, surpresa.

— Kihyun? — Eu repeti e ele piscou os olhos duas vezes para mim, sem se afastar, como se não entendesse o motivo da minha confusão.

— É, Kihyun. — Ele repetiu, abrindo um sorriso discreto. Eu parecia uma piada, por acaso? Porque, ele se comportava como se estivesse rindo de mim mentalmente.

— Eu sou a S/N. — Eu me apresentei, esquecendo-me que eu já tinha falado meu nome. Olhar nos olhos dele era confuso. Eles eram negros em contraste com a pele branca de uma maneira bem atraente.

— Eu sei. — Ele abriu um sorriso, achando graça, e eu virei para a folha, lembrando que já tinha falado meu nome. Era impossível não corar e eu escrevi o nome dele rapidamente, torcendo para que ele não percebesse o quão desconsertada eu estava. O que nem fazia sentido. Eu nem conhecia o garoto, então por que estava tão nervosa?

— Você é a garota do incidente no banheiro. — Ele falou, de repente, e eu voltei a encará-lo, tomando outro susto. Mas, aquele garoto não conhecia espaço pessoal? Novamente, ele estava perto demais.

Ele me analisava com um sorriso um tanto irônico, mas não parecia um sorriso maldoso nos lábios dele. Não sabia se isso era porque ele era bonito ou porque ele não devia ser tão mal humorado quanto eu supunha.

— Eu sou. — Eu falei, irritada, porque não precisava de mais garotos me julgando. — Mas, nada rolou naquele banheiro. — Eu declarei, fervorosamente, e Kihyun abriu um sorriso de quem achava graça do meu jeito. Mas, isso não me intimidou. — Na verdade, rolou. Uma garota foi morta no boxe ao lado e eu fiquei presa! Mark só entrou lá, porque ouviu meus gritos e abriu a porta para mim. Mas, como ninguém acredita em mim, além de ter presenciado um evento traumático nas últimas vinte e quatro horas, eu ainda estou sendo julgada por todos, inclusive meu pai, e perdi o meu “suposto” noivo que eu nem queria mesmo. — Eu fiquei muda, terminando meu discurso, e para a minha surpresa, o garoto sorria para mim, um tanto fascinado.

— Sabe, qual é o problema de vocês homens? — Minha pergunta fez Kihyun arquear as sobrancelhas e apontar para si mesmo como se perguntasse “eu?”, achando graça do meu discurso. — Aparentemente, não existe um homem virgem nesse colégio inteirinho, mas as mulheres tem que ser virgens!

— Você não quer ser virgem? — Ele perguntou, malicioso.

— Você quer levar na cara? — Eu levantei a mão para ele, mas isso o fez rir e deitar a cabeça na mesa, se escondendo. — Viu? Homens podem desrespeitar. Garanto que você não vai ser considerado um homem desonroso por causa desse comentário idiota. — Eu o ataquei e ele levantou a cabeça, surpreso. Mas, eu estava ainda mais surpresa, porque ele sorria para mim, ele não estava irritado.

— Desculpe por ser desonroso, S/N. — Ele falou, achando graça, e segurando a risada.

— Por que você está rindo? — Eu perguntei, irritada.

— Garota, você é... — Ele levantou as mãos, fazendo gestos que eu não entendia e eu franzi o cenho. — Você é... Intensa.

— Intensa? — Eu revirei os olhos e ele riu, aproximando seu rosto do meu tanto que eu podia sentir a respiração dele em meu rosto. Mais uma vez, os olhos negros estavam me hipnotizando e eu permaneci parada.

— Eu já estive na detenção várias vezes, como o garoto serelepe ali na frente comentou. — Ele acenou para Minhyuk ao falar isso. — Mas, dessa vez... — Ele começou a explicar com um sorriso. — O motivo dessa detenção é porque eu pulei a janela do banheiro masculino e caí em cima do telhado da entrada. Eu amacei um pouco o telhado de alumínio deles que, com certeza, é muito mais importante do que o evento traumático que eu presenciei na semana passada.

— Que evento traumático? — Eu perguntei, perplexa.

— Eu estava no banheiro, no mictório.

— Ok, sem detalhes. — Eu pedi, sem paciência, e ele continuou a sorrir.

— Ouvi uma voz falando com um garoto dentro do boxe. Papel azul ou...?

— Papel vermelho. — Eu completei, surpresa, e ele sorriu, satisfeito.

— Garota, eu sei que você me acha desonroso, mas eu estou aliviado de ter encontrado você. — Ele confessou, me fazendo sorrir. Por um momento, eu não estava mais sozinha naquela loucura. Mas, aquilo parecia surreal. Talvez, ele estivesse pregando uma peça em mim e eu decidi testá-lo.

— E qual papel o garoto escolheu? — Eu perguntei, impaciente.

— O azul. — Ele confessou, me analisando de perto. Nós agora sussurrávamos próximos demais, trocando confidências e esquecendo completamente da tarefa.

— Então, ele saiu livre. — Eu concluí, surpresa. Porque, eu sabia o que acontecia quando se escolhia o papel vermelho, eu tinha presenciado. Soube, inclusive, que a garota continuava hospitalizada. Ela não tinha morrido, mas tinha tantos cortes pelo corpo que era impossível contar. E como eu não ouvi qualquer alvoroço sobre o tal incidente no banheiro masculino, então o garoto deveria ter saído livre.

— Não. — Kihyun franziu o cenho e se aproximou mais, falando mais baixo. — Ele foi sufocado. A porta do garoto não deveria estar trancada, porque ele caiu para fora do boxe e foi quando eu o vi. Era bizarro. Seu rosto estava tão branco, tão pálido, que parecia mesmo quase azul. Morto.

— Como ninguém ouviu falar de um garoto morrendo no banheiro masculino? — Eu perguntei, desconfiada.

— Porque, ao contrário de você, eu não gritei. Eu tentei sair pela porta, mas estava trancada. Então, abri a janela e pulei. As pessoas me viram pular a janela à noite, mas todos já estão um pouco acostumados a me ver aprontar, então... Ninguém ligou muito. O diretor, no entanto, abafou o caso para não perder alunos.

— Eu não acredito que o diretor está sendo capaz de... — Eu parei de falar e pensei por um momento. — Não, eu acredito sim, depois de ser colocada na detenção, tudo é possível.

Constatar isso fez Kihyun rir baixinho e eu acabei rindo junto. A primeira risada mais relaxada que eu dei em dias. Era bom poder conversar com alguém sobre as coisas esquisitas que estavam acontecendo. Mas, nossos risos atraíram olhares justamente de Mark e Hyunwoo. Os dois estavam sentados um pouco mais para frente de nós e viraram para nos encarar.

Kihyun e eu paramos de rir imediatamente. Eu pude ver que Hyunwoo não era o único raivoso, Mark me encarava, perplexo, franzindo o cenho e depois lançou um olhar estranho para Kihyun.

Eu correspondi o olhar de Mark por um momento quando ele voltou para mim. Ele parecia desconfiado e eu tentei adivinhar o que ele estava sentindo. Foi aí que eu ouvi Kihyun sussurrar enquanto já tinha pego a folha de mim e escrevia com o meu lápis:

— Isso tudo é uma maneira do Diretor nos silenciar sobre os incidentes que aconteceram nas últimas semanas no colégio. — Eu virei para Kihyun, perdendo a atenção de Mark, percebendo que o mesmo pareceu frustrado por um momento de eu desviar o olhar. Mas, eu o ignorei e prestei atenção no que o garoto ao meu lado escrevia e abri um sorriso. Ele, definitivamente, não ia sucumbir às regras. Eu me identifiquei automaticamente.

— Cadê o dinheiro que meus pais usaram para pagar o telhado que eu amassei? — Ele continuou a escrever, me fazendo rir. — O telhado continua amassado da última vez que cheguei. E a garota ao meu lado continua virgem. Está tudo sob controle. Ou quase tudo, afinal ela presenciou um acontecimento traumático nas últimas vinte e quatro horas e perdeu seu noivo. Mas, ela nem queria um noivo mesmo. Então, está tudo sob controle. De verdade.

Kihyun analisou o que escreveu e eu fiquei boquiaberta. De repente, ele se levantou da cadeira e me chamou:

— Vem. Pegue suas coisas. — Eu olhei para o relógio e eram só 14h. Não iriam nos liberar mesmo, mas peguei a mochila e o segui. Ele caminhou para Minhyuk e lhe entregou o papel.

— Opa, tá feito. — Kihyun informou ao garoto e parou, pacientemente, esperando Minhyuk ler. Pelo menos, eu achava que era isso que ele ia fazer e parei ao lado dele, segurando a risada. Mas, em poucos segundos, com Minhyuk distraído, Kihyun me puxou pela mão para fora da sala para fugirmos, o que me surpreendeu. Eu comecei a rir, porque aquilo era loucura, mas deixei que ele me guiasse para aonde queria. Ele ria também e logo nós paramos de correr, parando na frente do banheiro feminino onde tudo aconteceu no dia anterior.

Eu engoli em seco, espiando lá dentro e Kihyun parou ao meu lado, sem soltar minha mão e me encarou atento.

— Vou te mostrar algo. — Eu decidi, tentando criar coragem para entrar ali. Com ele, eu me sentia estranhamente bem, invencível até. Eu o puxei para dentro do banheiro e ele entrou, meio apreensivo.

— Será que é uma boa eu entrar aqui? — Ele perguntou, tenso, mas eu continuei a puxar a mão dele até chegar ao boxe em que eu estava no dia anterior. Eu nem sequer percebia que andar de mãos dadas com ele era algo vulgar.

— Está com medo? — Eu virei para ele e o silêncio se fez. Ele olhou em volta, tenso, e balançou a cabeça negativamente.

— Estou falando de você, garota. Se nos pegam aqui, aí sim você terá problemas para explicar como arrasta um garoto por dia para o banheiro. — Ele falou e eu revirei os olhos.

— É rápido, prometo. — Eu decidi e abri a porta do boxe, engolindo em seco. Respirei fundo, tentando fingir que não tinha medo de nada e puxei Kihyun para dentro dele, fechando a porta.

— Oh, ok, isso não é nem um pouco estranho. — Ele concluiu, se encolhendo comigo dentro do boxe.

Eu virei com dificuldade e apontei para o que estava escrito na porta. Kihyun estava logo atrás de mim. Eu sentia seu corpo perto demais e ele abaixou o rosto um pouco, tentando ler o que estava escrito, porque ele era mais alto que eu. Eu virei para analisa-lo. Ele franziu o cenho e eu o achei bonito por um momento. Realmente bonito de uma maneira mais displicente.

— “Talvez Kihyun e S/N me ajudem quando o momento de atravessar o véu for necessário” — Ele repetiu o que estava escrito e ficou parado, visivelmente confuso. — Foi por isso que você perguntou meu nome mais de uma vez hoje.

— Eu não conhecia um Kihyun ontem e achei isso estranho. Mas, quando ouvi seu nome hoje... — Eu continuei a analisa-lo e ele cerrou os olhos para mim. Nossas respirações estavam pesadas, mas acho que era da tensão, do medo, e não necessariamente da proximidade dos nossos corpos naquele boxe pequeno. — Você também ouviu o que eu ouvi no banheiro.

— O que você quer dizer? — Ele perguntou, confuso. — Isso não faz o mínimo sentido. Véu. Que véu? Que porra é essa? Seu nome não é bem comum e... Isso não parece coincidência.

— Vou fazer um teste, ok? — Eu pedi, atenta, tentando controlar a respiração que já estava se tornando ofegante conforme meu coração acelerava. Eu tentava não lembrar do que aconteceu no dia anterior, mas meu corpo lembrava e queria correr.

— Que teste? — Ele perguntou, em dúvida.

— Esse. — Eu peguei a mão dele de volta e encostei seus dedos no que estava escrito. Ele passou de leve e franziu o cenho, tentando pensar. Eu acabei passando a mão também novamente para testar se não era apenas coisa da minha cabeça. Mas, não era. No minuto em que a escrita encostou em meus dedos, eu os senti gelar como no dia anterior. Kihyun me encarou, preocupado.

— Tem algo errado aqui. — Ele concluiu e eu soube que ele sentia o mesmo que eu.

— Ajuda... — Uma voz tão baixa sussurrava que eu quase não a ouvi por um segundo. Eu virei, encarando Kihyun de frente e ele simplesmente travou, ouvindo o mesmo que eu. — Ajude-me... — A voz era tão baixa que parecia quase um vento, o que era irônico, porque com certeza não tinha vento ali dentro. Eu engoli em seco, pressentindo o pior, enquanto meu coração já estava acelerado. Kihyun me olhou, percebendo o quão nervosa eu estava.

— Vamos... — Eu tentei pedir para sairmos dali em um sussurro, mas ele me puxou e me encostou na parede do boxe, mais para o fundo, do lado contrário à porta. Ele colocou ambas as mãos na parede, como se me encurralasse. Eu o encarei, surpresa, mas ele apenas colocou o dedo indicador sobre seus lábios, indicando que eu permanecesse em silêncio. Eu me encolhi na parede e Kihyun fazia um escudo na minha frente para a porta.

— Ajuda... — A voz voltava a repetir. — Ajude, por favor. — A voz ficava um pouco mais forte agora, como alguém sufocando.

Não dava sequer para definir se era homem ou mulher. Eu coloquei minhas mãos na boca, tentando tampar qualquer som que pudesse sair da minha boca, porque eu queria chorar. Kihyun não exprimiu muitas emoções, ele me encarou, preocupado, e continuou parado ali como um escudo para mim. Eu olhei atrás dele, por de baixo de seu braço e pude ver algo diferente por baixo da porta.

Pés. Pés brancos e descalços. Andando para um dos lados do banheiro. Não dava para definir ao certo de quem eram, mas aquilo me fez querer gritar, então apertei as mãos na boca com mais força.

— S/N... — A voz me chamou tão perto, de repente, que eu jurava que ela estava do meu lado e dei um pulo para o lado oposto, assustada. Kihyun ficou com medo que eu fizesse mais barulho e me segurou pela cintura, me prensando contra a parede para que eu ficasse imóvel. Eu me encolhi e encostei minha cabeça em seu peito, enquanto as lágrimas desciam com pressa pelo meu rosto.

— Kihyun... — A voz falou próxima, como se estivesse atrás dele, e ele me abraçou mais forte e afundou seu rosto no meu pescoço.

— Shhh... — Ele me pediu, baixinho, tentando me acalmar, porque eu chorava. Seus braços me seguravam com força, demonstrando que apesar de ele estar tentando me proteger, ele estava com medo também.

Eu fechei os olhos, porque não queria ver nada. Não queria correr o risco de encarar quem fosse o dono daqueles pés. Foi aí que um baque forte se sucedeu, me fazendo dar outro pulo e me agarrar mais a Kihyun. Vozes. Duas garotas que eu bem conhecia:

— Você não ficou irritada com Mark por estar com outra garota neste banheiro? — Era uma amiga de Yoora. Eu respirei aliviada, porque parecia que o clima pesado tinha se esvaído e Kihyun afrouxou os braços em volta de mim, mas não se moveu, com medo de que nos flagrassem ali.

— Eu não ligo. — Yoora respondeu. — Mark será meu marido e o dote já foi pago. Ele pode se aventurar com qualquer vadia por aí até subir no altar comigo.

— A garota é irmã do Jaebum, não é?

— É sim, eu tenho pena é do Hoseok. Garoto adorável, mas soube que ele rompeu o noivado com a menina assim que soube.

— Bem feito. — A menina respondeu, maldosa.

— Quem manda ela se meter com o noivo das outras, não é? — Yoora falou, irônica, e eu mordi o lábio, irritada. Kihyun me analisou por um momento, preocupado, porque ele sabia que aquilo era sobre mim. — Tomara que morra sozinha e desonrada.

— Você não disse que não se importava de o Mark ficar com ela antes do casamento? — A garota perguntou à Yoora.

— Eu disse, mas isso não quer dizer que eu não odeie a garota. — Yoora deu uma gargalhada e saiu do banheiro com a amiga. Eu bufei, irritada, mas Kihyun não perdeu tempo. Ele abriu a porta do boxe e olhou em volta, tenso, e logo me puxou pela mão para sair dali.

— Vamos embora antes que aquela coisa volte. — Ele pediu e eu corri junto com ele. Ao chegarmos ao corredor, nós dois paramos ao mesmo tempo.

Mark e Hyunwoo estavam passando ali mesmo, perto da porta. Os dois pararam e nos encararam, surpresos, por ver de onde saíamos e Mark fechou a cara imediatamente.

— Onde você estava? — Ele me perguntou, irritado.

— Ah... — Eu tentei falar.

— Ela me mostrou onde tudo aconteceu ontem. — Kihyun deu a desculpa por mim e Mark respirou fundo, mas não olhou diretamente para o garoto, mantendo seus olhos furiosos em mim.

— Certo. Você vai para...? — Ele ia me perguntar e eu o interrompi.

— Vou para casa. Está tarde. — Eu nem sabia que horas eram.

— Eu... Você quer que eu te acompanhe? — Mark perguntou, aliviando um pouco a irritação e se tornando mais gentil.

— Tudo bem. — Eu assenti, abrindo um sorriso. Por um segundo, eu esqueci de Kihyun e esqueci do que aconteceu no banheiro. Era tudo sobre Mark. Meu coração acelerou de prazer por ele se oferecer e ele abriu um sorriso de volta, parecendo aliviado de eu ir com ele.

— Tchau. — Eu me despedi de Kihyun com um aceno e ele apenas retribuiu o gesto, sem um sorriso sequer. Este parecia mal humorado agora enquanto Mark sorria discretamente, me esperando para ir embora.

Foi ali que toda a guerra começou mais uma vez.

 


Notas Finais




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