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História Recomeçando do meio - Nanario - Capítulo 43


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Notas do Autor


O capítulo de hoje é forte e foi inspirado em Coisa Mais Linda e O outro lado do paraíso.
Boa leitura!

Capítulo 43 - Julgamento.


Em primeiro lugar eu desejo cumprimentar o senhor promotor nesse processo e todos os outros aqui presentes. - Diz a juíza do caso. - Esse processo terá como advogado de acusação o senhor Roger Machado e o advogado de defesa o senhor Augusto Carvalho. Devido a delicadeza desse tema e a condição de gestante da vítima, eu peço silêncio no tribunal e eu não hesitarei em pedir a retirada de quem venha tumultuar a ordem. Verifico também que as testemunhas já se encontram presentes. Começando. O réu Diogo Cabral se considera culpado ou inocente acerca das acusações que lhe foram feitas por sua ex-mulher a senhora Mariana Prado Monteiro?

- Inocente, meretíssima. - Diogo responde friamente, muito tranquilo de sua resposta, o que causa reações de raiva de Nana e daqueles que ali estavam lhe apoiando.

- De acordo com os rituais desse tribunal e de muitos outros, ouviremos em primeiro lugar a ofendida, a senhora Mariana Prado Monteiro.

Primeiramente o Advogado de acusação, o o senhor Roger Machado lidera o caminho para o depoimento de Nana.

- Senhora Mariana Prado Monteiro, por favor, como foi que isso aconteceu.

Nesse momento, Mariana se levanta e com os olhos já marejados inicia sua fala.

- Eu sempre fui minha antes de tudo, antes de ser de qualquer pessoa, antes de estar em qualquer lugar. Não suportava correntes me segurando, eu era o meu próprio lar. Era a dona do meu destino, fazia por mim tudo aquilo que posso para vencer na vida e conquistar meus sonhos. Não deixava ninguém me rebaixar. Não permitia que ninguém me dissesse o que eu poderia ou não fazer. Eu me fazia feliz enquanto pudesse, quando não podia, dava um jeito. Eu me pertencia cada dia mais e descobria o poder que existia na minha força feminina. - Nana se lembra da juventude. - Eu tinha acabado de fazer 30 anos, quando a minha mãe faleceu por causa de um câncer. Minha filha Sofia tinha apenas 2 anos e minha mãe que me ajudava a cuidar dela, porque o pai estava cuidando de algumas questões pessoais dele. Meu mundo caiu nesse momento. Eu perdi tudo, minha amiga, minha mãe, a vó da minha filha. Perdi muita coisa de uma vez, estava destruída. Meu pai, Alberto Prado Monteiro - Ela diz olhando para o pai que estava ali perto. - Estava ainda pior que eu e simplesmente ficou em choque, quase em estado vegetativo, não tinha reação, não fazia nada. Meu irmão, o Marcos, era o príncipe da minha mãe e com toda a situação ele foi pra Búzios sem avisar ninguém, estava lidando com o seu luto.

- Protesto, Meritíssima. Acho desnecessário todo esse rodeio.

- Protesto negado. Continue senhora Mariana.

Engolindo o choro e respirando fundo, Nana continua. - Eu tive que lidar com tudo sozinha, tive que carregar o fardo do luto da família nas costas. Eu agora era a mulher forte da casa, eu tinha que segurar as pontas e foi isso que eu fiz. Mas no meio de tudo isso eu encontrei o Diogo e ele deixou as coisas mais leves, mais fáceis, mais suportáveis. Ele cuidava de mim, me protegia, me deixava segura. Mas no primeiro mês algumas coisas aconteceram, e só hoje eu percebo a gravidade delas. Eu tive muito leite após a minha filha nascer e mesmo com dois anos ela ainda mamava e por isso eu tinha uma sensibilidade grande nos seios, tinha alguns machucados comuns da amamentação e geralmente eu não deixava ser tocada ali porque doía muito. Mas em uma noite em que eu estava cochilando na cama, o Diogo achou que eu estava dormindo, chegou bêbado em casa e passou a apertar meus seios, beijou mordeu, me machucou e no outro dia me pediu desculpas, me mimou e eu simplesmente aceitei, achei que era um direito dele como marido! - Ela grita de raiva. - Ele machucou tanto os meus seios que eu tive que parar a amamentação. Doía tanto que eu não aguentava ser tocada, até a água do chuveiro quando encostava causava dor. - Nana falou embargada no choro. - Nós continuamos casados e toda sexta - feira era assim, ele me forçava a ter relações sexuais, me forçava a beber mesmo nos dias em que eu não queria, em dias que não estava bem. Depois disso outras coisas estranhas aconteceram e eu não notei no momento, como por exemplo a pressão psicológica que fazia para que eu deixasse ele a parte e no controle de tudo relacionado a a editora, mas para minha sorte meu pai é quem tem a maior parte dos direitos da Prado Monteiro e por isso o Diogo não teve acesso a tudo. Mas mesmo assim era uma pressão enorme, ele dizia que eu não era capaz o suficiente de comandar uma editora como a Prado Monteiro, no começo ele dizia que eu era frágil, que eu ainda estava muito fragilizada por tudo que aconteceu e coisas do tipo, mas depois ele passou a me xingar, chegou até dizer que eu era burra, e que por isso meu pai não deixava a editora totalmente em minhas mãos. Mas tem uma coisa que ele dizia que eu era boa, e essa coisa era sexo. - Ela pausa a fala e respira fundo. - Quando a Sofia tinha unha 9 anos, por muitas vezes eu mandei ela para a casa da Eugênia nos finais de semana porque eu sabia que ele ia chegar bêbado e ia me bater, ele não chegava e metia a porrada na minha cara, ele simplesmente me tirava da onde eu estivesse, tirava minha roupa e me obrigava a transar com ele, batia com força nas minhas pernas, nas partes íntimas. - Nana deixa as lágrimas rolaram por seu rosto. - Ele sempre quis ter um filho, mas após muitas tentativas falhas, a gente descobriu que ele não poderia ter filhos e meses depois eu estava grávida, estava grávida de outro homem, o Mário. O Mário não pôde estar aqui hoje por motivos de saúde, mas ele e eu temos uma história intensa. Quando o Diogo descobriu que eu estava grávida do Mário, após ver umas mensagens no meu celular sem a minha permissão, ele simplesmente surtou, entrou no banheiro no momento em que eu estava tomando banho, me colocou contra parede e me ameaçou. Levantou a mão para cima de mim, passou a me segurar com muita força, deixou meus braços roxos de tanto que apertou e começou a gritar "vagabunda, você é uma vagabunda". Nesse dia eu achei que eu ia morrer, vi sangue, ódio e raiva nos olhos dele. Ele ficava dizendo que ia me matar e que eu não prestava. Ficou falando muitas coisas como se ele fosse o bonzinho e eu a que não prestava, usou a traição pra me diminuir e eu me senti culpada depois, eu realmente achava que ele era bom pra mim. - Nana volta a gritar, mas dessa vez entre soluços.

- Mariana o que aconteceu depois que ele te encontrou no banheiro? - Machado pergunta.

- Felizmente eu não estava sozinha em casa, e ao ouvir os barulhos, a minha filha entrou no quarto, chamando por mim, na maior inocência e conseguiu me salvar, porque nesse momento Diogo parou e simplesmente saiu do quarto furioso. A noite quando ele voltou, eu estava no quarto esperando ele com as malas prontas. Foi uma burrice muito grande da minha parte ter esperado ele sozinha no quarto, sem nem contar para ninguém o que tinha acontecido durante a manhã. Quando Diogo viu as malas na cama, simplesmente ficou furioso, se chocou contra a parede, apertou forte os meus braços e com o joelho ele empurrou com força a minha barriga. Me disse algumas coisas no meu ouvido, mas na verdade eu não prestei muita atenção, estava muito preocupada com a bebê que estava na minha barriga. Mas naquele dia eu não senti muita coisa, as dores começaram depois, e em pouco tempo descobri que estava tendo um descolamento de placenta. Não cheguei a contar pro Mário sobre isso, nem pra ninguém da minha família - Ela diz enquanto olha para os familiares. - Eu não queria ser um peso pra ninguém. Eu me sentia culpada por ser abusada, por ser violentada, por ser estuprada. Mas eu era a vítima, eu sou a vítima!! - Nana grita olhando para Diogo.

- Esses foram os únicos momentos em que o réu Diogo Cabral foi violento e abusivo com a senhora? - Machado pergunta.

- Não. Depois disso veio o pior, ele se afastou de mim, a gente se divorciou, e quando eu achei que estava livre dele, em um dia normal de trabalho, ele apareceu na editora, me disse coisas que eu não lembro mais e simplesmente me atacou, e mesmo eu pedindo para ele parar, implorando para que ele me deixasse em paz, ele continuou me mordendo e tirando minha roupa. Eu fiquei com medo, não sabia o que fazer, eu sei que poderia ter gritado mais, batido mais nele, mas eu não consegui reagir e acabei cedendo aquela pressão mesmo não querendo e deixando claro isso. Enfim, começou a consumar, eu muito nervosa, sentindo dor na barriga, já estava com mais de 5 meses de gestação. Tentei lutar contra a força dele e ele continuou dizendo que eu estava gostando, que eu era safada, que eu não podia gritar, que era pra eu ficar quieta. Ele passou a prensar minha barriga contra a mesa da minha sala na Editora, eu implorei para ele parar, a minha filha se mexia tanto na minha barriga naquele momento, ela estava sofrendo, eu estava morrendo de dor. - Nana faz uma pausa na fala após ser invadida pela triste lembrança.

- Toma um pouco de água, meu amor. - Vera entrega um copo com água para Nana e beija sua cabeça. - Sei que vai conseguir.

- Podemos continuar? - Machado pergunta.

- Podemos. - Ela respira fundo e continua. - Depois de algum tempo eu desmaiei e só acordei no carro. Eu estava tão fraca, toda machucada, com as mãos e as pernas amarradas, toda ensanguentada.

- Rapidamente eu desmaiei de novo, eu estava tão fraca que não tive forças nem para gritar. A segunda vez em que acordei já estava no quarto, deitada na cama, com ele em cima de mim, sem roupa e me batendo forte com uma cinta. Eu senti tanta dor, tanta dor. Eu me tremia de dor, eu chorava de soluçar, implorava para ele parar, mas ele não parava. - Nana se descontrola, passa a falar em um tom mais alto, olhando firme para Diogo, mostrando toda sua raiva.

- Nana, se acalma, se acalma pelos bebês. Tá? - Marcos se aproxima da irmã e pede enquanto segura sua mão lhe passando toda a força que tinha.

- Tá.. - Ela aperta a mão de Marcos de volta e continua. - O Diogo me estuprou, me violentou, ele MATOU a minha filha! - Ela grita a palavra "matou", demonstrando todos os seus sentimentos do momento e se derramando em lágrimas. - Depois de ter velado e enterrado a minha bebê, eu me fechei pro mundo, morri por dentro e por fora. E sem o meu parceiro, sem o Mário saber, eu fiz terapia. E lá na terapia eu lembrei de todos os detalhes do estupro, e de todas as outras agressões de quando ainda éramos casados. Na verdade eu não lembrei, eu revivi. - Nana chora muito, leva as duas mãos ao rosto na tentativa de esconder - se e não passar a sua fragilidade.

- Nana, eu seu que é difícil, mas eu preciso que continue. - Diz Machado, meio sem jeito, tentando não ser invasivo.

- Se já não bastasse tudo isso, ele colocou uma bomba dentro do meu carro, se juntou a uma mulher e juntos colocaram uma bomba no meu carro, uma bomba para me matar, mas na verdade quase matou meus filhos, duas crianças!! - Nana grita e seca as lágrimas ao falar de seus filhos. - Eu engravidei de novo e quando eu descobri não sabia como reagir, no começo eu fiquei assustada, estava passando por outros problemas e de repente eu estava grávida de novo, depois de ter passado por tanta coisa, depois de ter perdido minha bebê. Eu fui tomada por um medo tão grande, eu tenho tanto medo de você, Diogo, que nesse momento eu tô com medo. - Nana fala com a voz trêmula, acariciando a barriga.

- Mariana, não precisa ficar com medo, você está segura aqui, não vai te acontecer nada. - Machado garante.

- Eu passei muito tempo machucada, com o corpo cheio de mancha, as marcas daquele dia me assombraram por muito tempo. Eu fui para longe, me mudei de país quando soube que estava grávida, simplesmente para ficar longe do Diogo e proteger meus bebês, não contei para ninguém da gestação justamente porque tinha medo que ele soubesse e fizesse alguma coisa comigo, parecia que a todo momento ele tinha controle sobre mim, até porque ele se uniu com outro advogado, com outro homem para me destruir. Ele queria destruir minha vida, meu relacionamento, minha saúde mental. Eu contratei um novo excelente advogado para a minha editora, mas não sabia que ele estava lá me manipulando e não iria saber se o próprio Rafael não tivesse me contado por mensagem de texto quando eu ainda estava em Londres.

- Aqui estão as provas da conversa, meritíssima. - O advogado entrega as provas.

- Por força das circunstâncias eu tive que voltar ao Brasil, e quando eu cheguei no hospital para visitar o pai dos meus bebês, simplesmente encontrei o Diogo perto dos aparelhos que garantiam a respiração do Mário. Quando ele me viu ali, me calou rápido e depois de inúmeras tentativas minhas de gritar e fugir, ele me derrubou no chão com força e eu desmaiei. Nesse momento um novo pesadelo começava, ele de novo subiu em cima de mim, tirou sua roupa e ia me estuprar de novo. Ficou falando do meu corpo, passando a mão pela minha barriga e pelos meus seios. Meus bebês se mexiam tanto, mais tanto, parecia que eles sabiam o que estava acontecendo, eles estavam incomodados. Se não fosse meu subconsciente não tivesse me ajudado a acordar naquele momento, eu teria sido violentada mais uma vez, eu teria sido estuprada de novo. Quando eu consegui me levantar, ele, um homem grande e forte e eu, uma mulher grávida, passamos a lutar corporalmente, eu tentava sair do quarto e pedir ajuda e ele tentava me calar. Depois de termos saído no tapa, ele tirou uma faca do bolso e depois de muita briga a faca acabou perfurando ele. Foi a minha salvação, a salvação da minha família.

- "Subconsciente"? Isso parece coisa de gente desequilibrada, não são fatos. - O advogado de Diogo garante.

- Protesto, meretissima. O advogado está ofendendo a vítima.

- Protesto aceito! - A juíza declara. - Mais alguma coisa?

- Não senhora. - O advogado declara.

- Crime de estupro é crime de extrema gravidade, violando a dignidade sexual de qualquer pessoa que não queira ou não possa fazer resistência ao ato criminoso. E se tratando de que há mais outros crimes envolvidos o caso fica ainda mais sério. Senhor assistente de acusação, mais alguma pergunta? - A juíza pergunta para Machado.

- Nana, obrigada pelo seu depoimento. - Ele agradece a filha do amigo de longa data e agora cliente. - Estou satisfeito, excelência. - Responde a juíza.

- Nesse caso eu passo a palavra para o advogado de defesa.

- Obrigado, meretíssima. - Ele responde a juíza. - A senhora diz que todos esses fatos começaram quando ainda eram casados. Certo?

- Sim. - Nana responde friamente.

- Mas foram fatos ocorridos a tanto tempo, por que não contou isso antes? - O advogado de Diogo questiona.

- Como eu disse, eu só passei a ter consciência sobre o que estava acontecendo quando as coisas começaram a ficar piores, quando as coisas passaram a ser sérias e eu passei a corre risco de vida juntamente com a minha família. Eu revivi todos os acontecimentos, revivi tudo quando passei a fazer terapia.

- "Reviveu" - Ele ironiza. - E como é que podemos ter certeza que isso são fatos reais e não frutos da sua imaginação?

- Porque eu sei o que aconteceu comigo! - Nana grita. - Eu passei a ter medo de sexo, eu era praticamente casada e não fazia sexo com meu marido, durante um tempo foi porque tinhamos perdido uma filha, mas depois não. Eu tinha nojo do meu corpo, eu ainda me sentia dolorida, estava me sentindo usada, um lixo. Eu tinha medo do meu corpo, eu não sentia prazer em fazer sexo, não tinha vontade!

- Entendo, o casamento está em crise e você quer salvar a relação com uma acusação sórdida contra o próprio ex-marido.

- Protesto, excelência! O advogado de defesa está induzindo o depoimento da vítima. - Machado diz se levantando de seu acento.

- Protesto aceito! - A juíza concorda. - Não considerei as explicações da defesa. Mais alguma pergunta doutor?

- Estou satisfeito, excelência. - Ele diz se sentando.

Nesse momento algumas testemunhas da vítima entram no local para fazer seu depoimento. Sendo elas, Vera, a madrasta e uma moradora do prédio que levou Nana para o hospital no dia do estupro.

- Meu nome é Vera, sou madrasta da Mariana e por diversas vezes vi comportamentos abusivos do até então marido, Diogo Cabral. Eu percebia que ela se sentia muito reprimida para ter suas próprias opiniões e falar o que achava sobre determinadas situações. Parecia que ela precisa estar de acordo com o que Diogo achava. Por diversas vezes eu vi seus braços um pouco roxos, mas eu não tinha intimidade o suficiente ainda para poder perguntar o que estava acontecendo, tinha acabado de entrar na casa dela, me relacionado com o pai, fiquei com medo de perguntar e invadir a privacidade dela, não queria que ela achasse que eu estava tomando o lugar da mãe dela. Mas foi passando o tempo e fomos ficando mais próximas e logo ela foi me contando tudo que vinha acontecendo e me falou do seu medo de se divorciar, era claríssimo o quanto ela tinha medo daquele marido, era apavorador.

- A senhora diria que o réu tinha um comportamento hostil? - Machado pergunta.

- O Diogo sempre se dizia ciumento por amor, dizia que amava a Nana tanto que não queria olhares maldosos sobre ela. Mas não era isso, não era amor, nunca foi amor, foi posse, foi interesse. É ciúme de psicopata.

- Protesto, a testemunha está fazendo suposições. - O advogado de Diogo interfere.

- Concedido. - Diz a juíza. - Mais alguma pergunta?

- Sem perguntas, excelência. - Machado responde.

- A defesa tem alguma pergunta?

- Sem perguntas.

- Pode entrar a próxima testemunha. - A juíza autoriza.

Nesse momento Raquel, a moradora do prédio em que todo o estupro aconteceu, entra em ação.

- Durante a noite eu ouvi muitos barulhos que pareciam muito estranhos, mas eu preferi não incomodar vizinho porque ele já tinham o histórico de ser arrogante e chato com os vizinhos do outro andar. Mas já era quase umas 5 horas da manhã quando eu ouvi gemidos de dor, parecia que ela estava em trabalho de parto de tanto que gritava. Encontrei ela na porta do elevador, extremamente ensanguentada, com a cara machucada, com as pernas muito roxas e com marcas das cintadas, uma coisa horrorosa. Os olhos dela chegavam a se revirarem por completo de tanta dor que ela estava sentindo. Ela simplesmente não ouve a gente falar com ela para, não respondia, apenas gritava, e gritava também falando "meu bebê". Logo eu entendi que ela estava grávida e aí meu desespero foi ainda maior. Sai que nem uma louca gritando pelos outros vizinhos que logo ajudaram. A gente levou ela para o hospital às pressas, de carro mesmo. Lá no hospital ela foi atendida bem rápido, foi transferida para o hospital que costumava ir e recebeu um atendimento ótimo.  Eu fui dar o meu depoimento para polícia  que provavelmente a senhora meretíssima já em mãos.

- Sim, tenho. - Ela confirma . - Alguma pergunta? - A Juíza pergunta ao advogado de defesa.

- Sim. A senhora já havia visto o Diogo lá? Sabia que ele era seu vizinho?

- Não. Ninguém sabia qual era a cara dele, sabíamos que se chamava Diogo, mas nunca tinha visto seu rosto.

- Certo. Isso basta!

- Certo, a próxima testemunha pode entrar. - A juíza anuncia uma testemunha que não estava nos planos de Diogo ou de Nana.

Rafael entra no tribunal e causa alvoroço.

- Eu sou o antigo advogado da Prado Monteiro. Fui preparado pelo Diogo para entrar lá. De início ele me disse que o Mário não fazia bem pra Nana, e por isso eu tinha que estar lá com ela, tinha que salvar ela das mãos dele. Mas depois de muitos acontecimentos, como a bomba, e a como comemoração dele pela perda da bebê dela, eu fui percebendo que as coisas estavam erradas, e eu passei a deixar de receber ordens dele, mas não somente porque eu achava que estava fazendo coisas erradas, mas também porque eu estava me apaixonando pela Nana. Então eu passei a fazer coisas de verdade por ela, e continuei do lado dele, na verdade estava fingindo que estava do lado do Diogo, porque eu sabia que se eu deixasse de estar do lado dele, ele ia encontrar outra pessoa e essa pessoa poderia realmente fazer algum mal para ela. Nana, eu não quis te magoar, eu tentei te proteger, me perdoa.

Nana não responde, fica apenas olhando firme para Rafael, engolindo o choro e mantendo a postura.

- O senhor está dizendo que o advogado Diogo Cabral tinha planos para fazer mal a Mariana? - Machado pergunta.

- Sim, senhor. - Rafael confirma.

- Você tem como mostrar algum material que comprove suas falas?

- Sim! Além as conversas salvas aqui no meu celular, tenho as fotos de um mural que o Diogo tinha nesse apartamento. Na verdade dois murais. Em um deles tinha fotos de todos aqueles que ele odiava. No outro mural eram fotos da Mariana pelada, machucada e completamente vulnerável. - Ele diz entregando o celular.

- Protesto meretissima! - O advogado de defesa fala.

- Protesto aceito.

- Querem acabar com a vida desse homem baseados em mentiras, em delírios sem fundamentos, em fantasias.

A juíza bate o martelo interrompendo o advogado.

- Vamos fazer uma pausa e já voltamos. - A juíza determina.

Chegou a vez de Diogo falar.

- Deus é testemunha do quanto eu tentei, ia tudo bem até a minha mulher se encontrar com o Mário Vianna que aqui não está presente, esse homem influenciou a minha Mariana de uma forma terrível.

- Senhor Diogo, como era a sua vida com sua esposa? - O advogado questiona.

- Nós tínhamos uma vida perfeita, de repente o Mário começou a enfiar ideias na cabeça dela, a Mariana então começou a pintar a noite, sair do foco do trabalho, da família, do marido, passou a beber demais. Senhores promotores, jurados e presentes, eu posso afirmar a vocês que eu sempre amei a minha mulher e que se não fosse o babaca do Mário, nada disso estaria acontecendo.

- Mentiroso! MENTIROSO! - Nana grita. - Eu te odeio, te odeio!

- Podemos ver que minha mulher está completamente desequilibrada.

- Não sou mais sua mulher, não sou! E eu nunca bebi muito, nunca!

- Nana, se acalma. Lembra que você tá grávida. - Vera ajuda a enteada a se sentar novamente.

- Amiga, por favor, respira um pouquinho. - Addison fala.

- Fala a verdade seu imundo! - Nana grita.

- Silêncio! - A juíza pede.

- Ja que não tenho nada a perder e sei muito bem que estou acabado, vamos as verdades. Essa velha desgraçada, a Vera, essa mulherzinha indecente tremia de medo de mim. Hoje colocou as asas de fora e veio aqui me destruir. Alberto, esse velho do inferno não morre de jeito nenhum. Esperei anos para ficar com a herança e nada. Essa mulherzinha com quem casei, Mariana. Nunca serviu pra nada, aliás, nenhuma mulher serve pra nada. Mandei uma monga colocar uma bomba no carro dela e nem pra fazer o trabalho direito. Pelo menos agora ela tá queimando no inferno. - Ele se refere a Letícia, a falsa irmã de Nana. - Casei não por interesse em você. Ridícula, mal vestida, velha acabada, só servia pra transar mesmo, mas tinha que ser bêbada, assim eu tinha total controle de você. - Ele ironiza. - Tem a Sofia também. Que menina insuportável! Toda mimada, chata pra cacete, bobinha, eu odiava ter que suportar ela! Mas tinha um coisa que ainda me fazia suportar ela. Ela é bem gostosinha que nem a mãe, da gosto ficar olhando.

- Monstro, psicopata. Você é um monstro! - Nana grita desesperada e é contida por seus familiares. - Não fala da minha filha!!! - Ela grita desesperada.

- Desgraçado, você encostou na minha neta?! - Alberto se indigna.

- Infelizmente não deu tempo, velho acabado. - Diz em tom irônico.

- Seu desgraçado, eu vou acabar com você. - Marcos se levanta e grita mas é contido por profissionais que ali trabalhavam.

- Pelo menos eu cheguei a tomar banho de piscina com ela. Me senti no paraíso! - Diogo debocha.

- Filho da puta, eu vou te quebrar! - Marcos continua descontrolado de raiva.

- Vem Marquinhos! Você nunca foi homem de verdade, agora vai ser?? - Diogo debocha.

- Eu vou te mostrar quem é homem de verdade! - Marcos se irrita e vai avançar no farsante.

- Alguém segura essa biba louca!!!! - Diogo faz ainda mais graça enquanto Marcos está furioso, ainda sendo contido pelos seguranças.

- Você me abusou, me destruiu, matou minha bebê! Eu te ODEIO! - Nana grita, se altera e chora de raiva. A executiva só para de xingar o advogado quando passa a sentir dores no pé da barriga, fisgadas rigorosas.

- Nana, tá tudo bem? - Addison se preocupa ao ver a amiga fazer cara de dor e levar a mão até o ventre.

- Os bastardinhos vão nascer!! - Diogo grita em tom irônico e debochado.

- Tá tudo bem, tá tudo bem. Foi só uma dorzinha. - Nana tenta tranquilizar todos.

- Silêncio no tribunal! - A juíza ordena. - Algum argumento válido, defesa?

- Meu cliente está completamente fora de si. Peço que o processo seja adiado. - O advogado de Diogo fala.

- Não vejo motivo para prorrogar. Pedido negado! - A juíza responde. - Os depoimentos dados aqui, falam por si só.

- Não estou fora de mim não, estou muito sã das ideias. A Mariana é uma vagabunda, marmita de homem casado, ficava com o Mário mesmo sabendo que ele tinha esposa e filho. É uma cachorra, uma alivia macho! Uma velha mal comida!

- Seu desgraçado, eu mato você nem que seja já a bengaladas. - Alberto se levanta da cadeira entre gritos.

- Calma velho! Você que não deu educação pra sua filha e agora quer me culpar?! É MARMITA DE HOMEM CASADO MESMO! - Ele grita descontrolado.

- Seu desgraçado, eu vou matar você!! - Mariana grita.

- Silêncio no tribunal! Silêncio senhor Diogo Cabral! Diante dessa sua conduta, está claro que será condenado, volto em alguns minutos para anunciar a pena.

A juíza deu algum tempo para que todos pudessem se acalmar e para que ela voltasse com sua resposta final.

- Em virtude do crime atribuído ao réu Diogo Cabral e mediante os depoimentos de confissão apresentados nesse tribunal. Eu condeno Diogo Cabral! - Ela bate o martelo.

Nesse momento Nana respira aliviada, finalmente ela ganhou a batalha. Vera,
Marcos, Paloma, Alberto e Adisson abraçam ela já muito emocionados.

- Como pena perde definitivamente seu cargo de advogado, o exercício de suas funções, assim como o recebimento de salário. Ficará também em regime fechado por 70 anos, em presídio sob a tutela do Estado. - A juíza completa. - A conduta do requerido ultrapassou os limites da proporcionalidade, o que efetivamente gera dever de reparação. Isso é fruto de uma sociedade intolerante, machista e abusiva para com o próximo e de pessoas de nível cultural baixo.


Notas Finais


Garotas vocês não brincam em serviço não, né? 🤣 Gostei dessa brincadeira. Hahahahaha.

Esse é o maior capítulo até agora, o mais trabalhoso e difícil também.

Estamos nos últimos e melhores capítulos, vamos de meta alta sim! 🤣 Segundo duas leitoras eu posso aumentar a meta que elas são mais loucas que eu. 🤣

META: 100 comentários!
( vou varar a noite escrevendo pra vocês.)


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