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História Recomeço - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Boa noite pessoal!
Aos 45 do 2º tempo está eu aqui, postando mais um cape desse drama novelístico fofíneo.
Espero que gostem ^^

Capítulo 9 - Marca na árvore


~**~

Sesshoumaru acordou minutos antes do sol nascer, e Rin já não estava na cama. Seu coração se apertou, ela não havia o acordado, nem com pulos, nem com beijos amorosos. Ela já não mais necessitada de sua ajuda e muito menos companhia. Não havia mais nada que Sesshoumaru pudesse fazer por ela, e aquilo o fez se sentir um inútil.  

Ele trocou de roupa, fez suas higienes matinais e desceu para a cozinha. Lucinda estava lá e serviu seu café da manhã. Ele não queria perguntar onde estava Rin, não queria que a mulher soubesse que sua esposa havia saído logo cedo de madrugada sem lhe dar nenhum tipo de satisfação. Mas a angústia de seu coração e a curiosidade foram maiores do que o orgulho.

- Sabe de minha esposa? – A mulher o olhou surpresa, Sesshoumaru sentiu seu orgulho terminar de quebrar.

- A senhora foi ao vilarejo, me lorde. – Ela informou com a voz não muito boa. – Logo de madrugada o ferreiro veio a procurar, sua esposa está em trabalho de parto e as coisas estão complicadas. A senhora saiu na companhia de Kaede e Kikyou para tentar ajudar a pobre mulher.

- Entendo. – Disse pensativo enquanto tomava seu chá. – Ela parece gostar disso.

- Não sei se gosta ou se faz para ajudar os outros. A verdade é que seja lá qual o motivo a levou a isso, foi uma benção na vida dessas mulheres. A senhora é boa parteira, muito raro um parto dela que não dá certo. Mas como o senhor bem sabe, a maior parte do parto é com a mãe e o bebê. Quando a senhora perde um bebê, ou não consegue salvar uma mãe... Aí só deus para ter misericórdia da gente, porque ela cai em desgraça, com todo respeito da palavra. No começo da primavera ela perdeu uma mãe, dona Iolanda, a esposa do vigário. – Lucinda colocou um prato com ovos mexidos na frente de Sesshoumaru e ajeitou o avental. – A senhora ficou três dias sem conseguir comer, trancada no quarto chorando e se remoendo de culpa. Jurou nunca mais chegar perto de uma grávida, mas o senhor sabe como é, né? As coisas voltaram a se complicar novamente, e a senhora Rin fora chamada. Ela não queria ir, mas a pobre mulher já estava condenada, ninguém via esperança para ela. Então a senhora decidiu que faria seu melhor pela mulher, e por um milagre ela conseguiu trazer ao mundo gêmeos e ainda salvou a vida da mãe.

Sesshoumaru deu um sorriso contido, era bom ver as habilidades de Rin enaltecidas assim. Ele se perguntava se estaria tudo bem na casa do ferreiro, mas suas dúvidas foram sanadas quando a porta do salão principal foi aberta bruscamente e ele ouviu passos acelerados subirem escada acima. Segundos depois Kikyou entrou na cozinha toda ensanguentada junto de uma Kaede cabisbaixa.

- Nós fizemos o possível. – Disse Kikyou com amargura, os olhos baixos e opacos pela tristeza. – A esposa do ferreiro não devia ter tentado ter mais filhos, o corpo dela não aguentava.

Sesshoumaru olhou cumplice para a mulher, ela estava arrasada.

- Teve como salvar o bebê? – perguntou Lucinda.

- Nenhum dos dois. – disse Kaede suspirando. – Vamos nos limpar e voltar ao serviço. Infelizmente não havia nada a ser feito pela pobre mulher, nenhuma das manobras de Rin fez com que o bebe saísse. E olha que ela foi muito habilidosa em fazer o bebê se virar de cabeça para baixo na barriga da mãe, mas infelizmente a mulher não tinha passagem. Depois de horas sofridas ela faleceu, Rin tentou fazer uma incisão para tirar o bebê, mas ele também já estava morto.

- Que horror! – Lucinda colocou as mãos na boca chocada. – Que tragédia, que tristeza. Vou fazer um chá forte para acalmar os ânimos da senhora sua esposa, Lorde. O senhor leve para ela por favor.

***

Sesshoumaru podia escutar o choro de Rin do corredor. Quando ele entrou no quarto uma criada a ajudava a se despir, mas ao notar a presença do rapaz a menina hesitou, caminhando até o banheiro para ficar longe de sua visão. Compreensível.

Ela não demorou muito no banho, e a criada não demorou muito no quarto. A moça ruiva e com milhares de sardas dançantes no rosto fez uma reverência a ele e depois saiu apressada, claramente incomodada com as lágrimas de sua senhora. Rin se deitou na cama de costas para baixo e fechou os olhos enquanto feixes de lágrimas marcavam a lateral de seu rosto.

- Rin... – Sesshoumaru não sabia bem o que fazer. Fosse antes ele simplesmente a pegaria no colo e afagaria seus cabelos, mas agora ele duvidava que o gesto de carinho seria bem-vindo. Era estranho não saber o que fazer diante de uma pessoa da qual você era tão intima, da qual você sabia de cor até quantas pintas tinha e onde ficavam.

- É tudo culpa minha. – A menina colocou o antebraço contra o olho e voltou a chorar.

- Claro que não, Rin... Você fez o seu melhor, tenho certeza. – Ela fez que não com a cabeça, as lágrimas brotando aos turbilhões.

- Eu fui idiota e burra. – Sesshoumaru duvidava muito daquilo. Depois do que Lucinda falou na cozinha, a última coisa que ele acreditava era nessa possibilidade.

- Tenho certeza que não foi, Rin. Você não é detentora da vida e da morte, não está em suas mãos salvar as pessoas. – Ele se aproximou dela e tocou de leve os cabelos negros e úmidos.

- Eu fui uma burra, eu poderia ter salvo o bebê. – Rin se levantou e limpou as lágrimas, respirando ofegante e entre soluços. – A mãe... A mãe do bebê me pediu para tirá-lo dela, mas eu não tive coragem de rasgá-la viva.

- Não é culpa sua, pequena. – Sesshoumaru observou o sofrimento nítido na face dela. Céus, ela era uma garotinha de 17 anos, não deveria ser responsabilidade dela rasgar ou não mulheres grávidas. Isso era uma decisão difícil de se levar, parteiras velhas com muitos anos de experiência não se atreveriam a abrir uma pessoa viva. Era cruel e traumático.

Sesshoumaru fez então a única coisa que ele sabia fazer diante de uma Rin magoada e frustrada. Ele a puxou para seu colo e a abraçou. No começo ela tentou resistir àquela investida, mas o youkai era mais forte e a obrigou a ceder. Ela estremeceu e se calou por alguns segundo, provavelmente constrangida da situação em que se encontrava. Sesshoumaru beijou sua cabeça, muitas e muitas vezes.

Ele só tinha presenciado Rin chorar três vezes. Ele achou que a forma melodiosamente triste de seu choro continuava a mesma. Ainda que ele estivesse vendado ele a reconheceria pelo choro.

Então não é surpresa que por reconhecer algo tão familiar ele tenha se esquecido da realidade e agido como se ela ainda tivesse 9 anos. Ele deslizava a mão pelos cabelos dela enquanto deferia beijos e a apertava forte contra si. Fazer isso tudo era ligeiramente mais fácil agora que ela era grande e ele não precisava se inclinar para baixo.

Rin deve ter percebido que Sesshoumaru não tinha intenção alguma de tirá-la do colo, porque passou os braços no pescoço dele e descansou a cabeça em seu ombro, deixando que as lágrimas molhassem a curva do pescoço dele.

- Se eu tivesse feito o que ela me pediu, talvez o bebê estivesse vivo. – Sesshoumaru sentiu o coração apertar. Rin estava se sentindo culpada e responsável pelo fim trágico da mulher e seu filho. Ele não sabia se iria continuar permitindo que ela fizesse este tipo de trabalho. Por melhor que fossem as intenções dela, e por mais talentosa que fosse, Sesshoumaru sentia que precisava protege-la de todo sofrimento.

- Ou talvez você teria a submetido a um sofrimento ainda maior em vão. Kaede falou que não é a primeira vez que ela perdia um bebê, que o corpo dela era fraco e não conseguia segurar uma gestação de forma eficiente.

- Ou talvez eu teria salvo o filho que ela tanto amou. – Os olhos dela eram dois poços de arrependimento.

- Nunca saberemos, Rin. Não sofra por isso, você fez o seu melhor. – Sesshoumaru acariciou sua bochecha com suavidade, a tempos ele sonhava em fazer carinho nela. Sonhos literais mesmo, não era incomum Sesshoumaru sonhar com piqueniques, bonecas e livros de criança. Também não era incomum ele ter pesadelos onde Rin se acidentava fatalmente enquanto ele estava fora. – Tome seu chá, Lucinda me fez prometer que te faria beber.

Rin aceitou o chá e reconheceu nele notas de sua própria fórmula de ervas. Sesshoumaru a observava atentamente, sem desviar os olhos como se tivesse medo que ela de repente desaparecesse de sua frente. Nem quando ela tomava a bebida as lágrimas davam sossego, percorrendo insistentemente o rosto dela. Era terrível vê-la chorar em silêncio enquanto tomava chá, porque ele sabia que tamanho descontrole só podia ser ocasionado por uma dor muito grande.

- Obrigada – ela disse com um sorriso fraco entregando a xícara para ele. – O senhor se importa de se retirar um pouco? Desejo descansar, se não for incomodo algum.

- Não é. – Rin saiu do colo dele e se deitou na cama. Sesshoumaru se pôs de pé, mas antes de sair ele beijou a bochecha dela repetidas vezes.

***

O dia estava quente, o céu era azul e a brisa suave. Os galhos das árvores chacoalhando de um lado para o outro e algumas flores caiam pelo caminho. Sesshoumaru olhou para trás e lá estava Rin, um cágado enorme nos braços, e ao seu lado o bode Taishomaru e o Eunuco.

- Rin, você precisava mesmo trazer esses bichos? – questionou erguendo uma sobrancelha. O cágado estava a atrasando demais, Sesshoumaru via em seu semblante o cansaço pelo esforço de carregar o bicho pesado. Ele se oferecera para levar, mas a garota não deixou de forma alguma.

- Taishomaru gosta de subir na parte alta da montanha e Eunuco gosta de nadar. Qual o problema? – o problema era que Sesshoumaru estava preso no limbo do passado, e sua mente perturbada queria reproduzir os piqueniques que eles faziam. E nos piqueniques que eles faziam só havia os dois, nada de cães e cágados e, principalmente, nada de bodes barulhentos e atrevidos que tentavam chifrá-lo.

Eles seguiram até o lago que Rin costumava adorar. Sesshoumaru percebeu que a garota já não parecia apreciar aquele tipo de programa, quando ele sugeriu que eles fossem até lá seu rosto não se encheu de felicidade. Ao contrário, ela fez uma careta esquisita e o olhou com desdém, a boca torta e os olhos descrentes. Ela não recusou, pelo menos dessa humilhação ele fora poupado.

Ao chegar no local Sesshoumaru foi montar tudo enquanto que Rin fora imediatamente para a água com Eunuco. O bode realmente gostava de andar, e começou a vasculhar o local com muito interesse. Ao menos os bichos estavam felizes com aquele passeio.

- Pula, Eunuco! Pode vir garoto. – Rin gritava para Eunuco que estava precisamente na mesma pedra que um dia ela esteve. Sesshoumaru sentiu a força das memórias o acertarem em cheio. Ele fora mesmo muito tolo de achar que poderia voltar ao passado e reviver aqueles momentos de alegria ao lado dela.

Depois de estender a grande manta xadrez vermelha no chão, Sesshoumaru se sentou para observar sua esposa. Ela parecia feliz com o cachorro. Rin fugia dele na água enquanto nadava com muito mais agilidade do que quando era criança.

Sesshoumaru deu uma olhada atenta naquele lugar, ele sim havia permanecido parado no tempo, e até o velho salgueiro parecia o mesmo. Exceto por uma marca em seu tronco largo. Sesshoumaru se aproximou da árvore, ele queria ter certeza de que estava vendo corretamente o que estava marcado lá.

S & R até que a morte nos separe”. A frase estava zelosamente escrita dentro da marca de um coração, a caligrafia não deixava dúvidas do autor. Sesshoumaru olhou para o lago, o coração estranhamente acelerado de emoção pelo que ela fez. Quando teria escrito aquilo? Provavelmente a anos atrás, quando ainda sentia algo por ele.

- Sesshoumaru, não vai entrar na água? – Ele se aproximou do lago a observando brincar. Agora era o cachorro que fugia dela, se esquivando à menor aproximação.

- Hoje não. – Rin parou de perseguir Eunuco e o olhou, piscando os olhos confusos.

- Por que o senhor me chamou até aqui se não queria se refrescar?

- Eu só queria passar um tempo com você. – A honestidade na voz dele fez com que Rin corasse e recuasse, mergulhando dentro do lago. Poucos segundo depois ela já estava próxima da beira, saindo e se esticando.

- Então ficarei com você. – Rin foi até onde sua toalha estava pendurada e tirou o excesso de água do corpo.

Sesshoumaru aproveitou o momento de distração de sua esposa e observou atentamente seu corpo, agora não mais comparando com o que um dia fora, mas admirando o que se tornou. Ele se sentia envergonhado de encará-la descaradamente daquela maneira, mas a curiosidade fora maior. Ela era linda.

Depois de se secar Rin fora até a manta e se sentou, esperando que Sesshoumaru a imitasse. Quando ele se juntou a ela um silencio constrangedor se instalou. Sesshoumaru pensou no quanto aquilo era errado, Rin não era uma menina quieta, muito pelo contrário, ele nunca conhecera criança mais tagarela e curiosa, mais movida a aventura e imaginação.

Ela era criativa e sonhadora em todos os aspectos, Sesshoumaru torcia para que ele ainda tivesse essas qualidades em seu coração. Ele virou a cabeça e olhou o tronco do salgueiro, ele esperava que ela tivesse ao menos um pouco do amor que um dia tivera por ele.

- Eu li em um livro. – Sesshoumaru inclinou a cabeça de lado a observando com curiosidade. – Eu devia ter uns treze anos na época e li um livro da biblioteca. Era um romance, a mocinha estava apaixonada e o amor de sua vida teve que ir para guerra. Eles se comunicavam por carta, como a gente. E então em um capítulo ela foi no lugar preferido deles e marcou suas iniciais no tronco de uma árvore. Você não estava na guerra, mas estava distante o suficiente. Eu não sei se este era o seu lugar favorito, mas era o meu, então decidi fazer o mesmo.

As palavras de Rin despertaram uma pontada de dor no coração dele, e também estranhamento. Nunca passou pela cabeça de Sesshoumaru que Rin fosse capaz de fazer uma comparação daquelas, uma comparação onde ela estivesse no lugar de uma mulher apaixonada e ele no papel do mocinho. Saber que Rin talvez pudesse ter despertado uma paixão platônica por ele no passado o assustou um pouco, e deixou seus sentidos agitados.

Houvera mesmo um período em que as cartas dela estavam muito mais semelhantes à de uma esposa apaixonada do que de uma amiga. Em uma ocasião ela até teve a ousadia de revelar um sonho que teve, onde os dois se beijavam apaixonadamente. Sesshoumaru imaginou que talvez pudesse ser alguma confusão da cabeça dela, provavelmente ocasionada por Zelda, mas agora, depois dessa revelação e depois de ver as marcas na árvore, ele acreditava ser possível a hipótese de ela ter se apaixonado, mesmo que ele não entendesse como.

- Sua letra ficou muito bonita. – Um brilho de raiva passou pelos olhos de Rin.

- É só isso que o senhor tem a me dizer? Um elogio à minha caligrafia? – Sesshoumaru logo notou que havia falado besteira. Ela tinha acabado de lhe revelar um segredo, de abrir seu coração e ele bancou o idiota.

- Não. Me desculpe, Rin. Para ser honesto com você eu não sei o que dizer. Nunca me passou pela cabeça que você talvez... Talvez pensasse em mim dessa forma. – Ela olhou para suas mãos por um segundo, brincou com os nós dos dedos e depois se virou para ele.

- Como não? Somos casados, não somos? Eu sou sua esposa, de que forma deveria pensar no senhor? Como meu pai? Meu irmão mais velho? Ah, já sei, como meu eterno e amado melhor amigo. – Ela fechou o semblante e olhou para o marido com descontentamento.

- Não seria um absurdo tão grande você me ver como uma dessas três coisas, Rin. Aliás, visto a forma como se iniciou nosso relacionamento era bem mais provável que você nutrisse por mim um sentimento fraternal. – A voz dele era grave e ele a olhava com os olhos semicerrados. – Acredito que se eu tivesse ficado aqui você nunca teria pensado em mim ao ler um livro de romance, jamais iria me ver como um homem.

- Você não pode afirmar isso. – disse Rin severamente.

- Posso, com certeza eu posso.

- Não, não pode. Não tem como você saber.

- Tem Rin, porque eu mesmo não poderia te ver como mulher. – Ela se calou, os olhos arregalados e o semblante ofendido. – Não poderia meu amor, nunca, jamais. Por que o amor incondicional que eu tinha por você era totalmente diferente disso. Eu te via como minha filha, Rin. Eu pensei em fugir com você para recomeçar do zero, te criar como um pai viúvo.

- Você não seria capaz de um absurdo desses. – A ideia era ridícula por si só, mas quando falada em voz alta beirava a insanidade.

- E não fui. Mas não posso negar que a ideia martelou em minha cabeça por meses a fio. Eu até sonhava com isso, para você ter uma ideia. Eu sonhava que fugíamos para bem distante disso tudo e eu te via crescer feliz. Era tudo que eu queria. – Ele deu um sorriso triste para ela que parecia muito ofendida.

- É por isso que você está hesitando tanto em consumar este casamento? Você me vê como sua filha?

- Não, Rin, eu não vejo. - Não tanto quanto antes, mas ele preferiu não acrescentar essa parte.

- Então por que tanta demora?

- Eu já te disse isso, mas vou falar de novo. Eu te amo, Rin. Sei que você está magoada, não quero te tocar sabendo que você sente mágoas de mim.

- Então nunca na vida vai me tocar. Acho que isso tudo é uma desculpa para jogar a responsabilidade do fracasso em cima de mim. Você não conseguiu me desvincular da imagem daquela garotinha de nove anos que deixou para trás, esta é a verdade. Você não me ama, não sente nada por mim. É ela quem você ama, ou talvez nem isso. – Sesshoumaru ficou consternado com aquelas palavras.

- Você sabe muito bem que eu te amei Rin, sabe muito bem que foi a pessoa mais importante da minha vida.

- Fui?

- Você é. – Ele passou a mão pelos cabelos, dava para ver que estava ficando nervoso. – Eu precisei fazer isso Rin. Eu sei que você não entende, claro que não entenderia. Você é apenas uma garotinha ainda. Sim, eu sei que você tem feito um ótimo trabalho com a administração do castelo e de nossas terras, você é realmente incrível. Mas ainda não entende as complexidades do relacionamento entre um homem e uma mulher, você não tem experiencia com isso.

- E certamente o senhor tem um monte, não é mesmo?

- Eu já era um homem quando nos casamos Rin, então sim, eu tive um monte de experiencia antes de irmos para o altar. – Ele parou para tomar fôlego. - Eu poderia muito bem ter ficado no castelo com você e depois ter consumado o casamento, mas você não me amaria mais, Rin. É egoísmo da minha parte, mas eu não conseguiria viver sem o seu amor, acredite em mim. Eu não poderia existir sabendo que a pessoa que eu mais amo me odeia e sente nojo de mim.

- Eu não iria sentir nada disso. – Ela se inclinou mais para frente, se aproximando dele.

- Iria.

- Não, não iria.

- Você iria, Rin, e todos sabiam disso, por isso foi necessário que nos separássemos por tanto tempo. – Ele aproveitou a oportuna proximidade para acariciar o rosto da esposa. Ela se inclinou para trás ao primeiro toque. – Rin, seja honesta comigo e com você. O que você pensava de mim quando eu partir? Você consegue se lembrar dos seus sentimentos daquela época?

- Perfeitamente.

- Agora pense em você hoje com aqueles mesmos sentimentos, com aquela mesma visão de mim. Não seria decepcionante se uma noite eu chegasse e te pedisse para ficar nua? Você não iria se sentir abusada se eu te pedisse para deitar na cama e fizesse com você o mesmo que Eunuco faz com as cadelas?

- Eu lamento informar, Lorde – ela se aproximou dele novamente e disse entredentes. – Mas para você fazer comigo o que eunuco faz com as cadelas eu não poderia estar deitada na cama.

Sesshoumaru não teve reação, aquela correção o deixou desconcertado, afinal, era Rin quem estava ali diante dele. Tudo bem que o exemplo que ele deu era péssimo, ele deveria ter pensado em algo melhor para falar, mas era difícil quando o cachorro estava bem atrás de Rin tentando cruzar com o bode. Fora esta a única coisa que passou por sua cabeça.

Mas de repente o olhar o semblante debochado dela foram o suficiente para trazer ele de volta a realidade. Aquela não era a sua menininha, aquela era uma mulher cínica que queria o constranger. E ela não conseguiria.

Sesshoumaru a puxou pela cintura e a prendeu em seu colo. Ela grunhiu revoltada e os olhos saltaram de surpresa e indignação.

- Como você quiser. Você não iria se sentir abusada se eu te pedisse para ficar de quatro na cama e fizesse com você o mesmo que Eunuco faz com as cadelas? – Os olhos dela se arregalaram mais ainda e a boca abriu formando “O” perfeito.

- Mas o senhor é muito abusado.

- Você pediu por isso. – Ele ainda a segurava firme em seu colo. – Você não respondeu minha pergunta.

- Não sei. Não sei de nada, porque perdi o raciocínio da conversa. – Ela cruzou os braços e franziu a testa. Ela estava tão brava que Sesshoumaru não resistiu a lhe provocar mais um pouco. Ele costumava fazer isso com ela, provoca-la a tal ponto que ela não conseguia se segurar e explodia de raiva. E então ele a provocava mais até ela se dar por rendida e esquecer o motivo da raiva, não sabendo mais por qual das muitas razões perdeu o controle.

Com este pensamento em mente ele decidiu mordê-la por brincadeira, cravando seus dentes de maneira delicada na curva entre a mandíbula e o pescoço. A reação dela foi instantânea e desconcertante. Ela suspirou alto, um ofego de prazer e se arrepiou por inteira. Sesshoumaru roçou os lábios suavemente no pescoço dela e sentiu que ela toda estava como uma gata eriçada.

Rin pareceu ficar desconcertada por suas próprias reações, ela desviou os olhos de Sesshoumaru e observou Eunuco que correia atrás do bode. Um clima estranho se instalou entre eles. O rapaz não sabia o que fazer, ele de verdade não esperava por aquilo. Jamais passou por sua mente que Rin fosse agir de tal maneira a sua mordida. Ele de fato acreditou que ela iria rir e tentar afastá-lo. Mas ela não riu, ela suspirou. E não foi qualquer suspiro, foi o suspiro de prazer de uma mulher. Ele não estava preparado para isso.

Ele juntou os cacos de seu coração. O que ele queria? Rin havia mudado, não era de se surpreender que suas reações aos seus toques houvessem mudado também. Droga, ela havia estado apaixonada por ele... Vê-la deseja-lo de maneira tão óbvia foi como levar uma pancada no estômago, mas ele deveria estar esperando por isso. Deveria estar feliz.

- Pensei que fosse mais esperta do que isso. – Ele a provocou com a voz divertida, tentando quebrar o constrangimento do momento.

- Lamento, mas não sou metade do que o senhor imagina. Então, você pode voltar para a sua outra família nas terras de seus pais e me deixar em paz. – O tom de voz dela era acusatório.

- Você sabe que eu não tenho outra mulher, que nunca tive desde nosso casamento.

- Ah, claro que o senhor espera que eu seja estúpida o suficiente para acreditar nisso. Que durante esses 9 anos você não se deitou nenhuma vez se quer com mulher alguma.

- Estou sendo honesto com você, Rin.

- Da mesma forma que foi honesto esses anos todos? Me dizendo sempre que viria voltar e nunca voltava? O senhor já parou para pensou que seria muito melhor me decepcionar uma única vez do que me propiciar constantes decepções? Se tivesse sido honesto, senhor, eu não teria criado expectativas de sua volta, mês após mês.

Aquelas palavras o deixaram desnorteado, Sesshoumaru sabia que não havia justificativa plausível para o que fizera, e que Rin estava certa. Ele sabia que ela tinha toda razão, a honestidade era melhor. Ele se arrependia muito das mentiras, mas ele tinha medo do que aconteceria se ele lhe dissesse que planejava ficar no mínimo 5 anos fora de casa.

- Sim, eu fui um crápula por ter te dado falsas esperanças durante todos esses anos, Rin. Mas eu nunca quebrei nosso juramente. – E de fato ele era fiel a essa menina, sempre foi. No começo por estar ocupado demais cuidando dela, e depois porque ele fez um juramento solene. No caso, o juramento ao qual ele se referia era o juramente que fizeram em seus quartos, dias antes dele partir. Aquele juramento tinha valor para ele, porque fora Rin quem pediu para que eles fizessem.

O juramento que ele fez no altar da igreja eram apenas palavras vazias e desprovidas de sentimentos, ele havia dito por dizer e Rin apenas repetiu porque lhe fora mandado. Mas o juramento daquela noite fora feito em um momento de pura emoção, onde o amor deles um pelo outro era tanto que transbordou em palavras. Ele seria fiel a esse juramento até o dia de sua morte.

- Vai me dizer que foi fiel a promessa feita a uma criança? – Ele a olhou de maneira intensa.

- Cumpri e continuarei cumprindo até o meu último fôlego de vida. – Ela ficou calada por um momento. Sesshoumaru se inclinou sobre ela, roçando o nariz em seu pescoço e inalando seu cheiro delicado. Ela suspirou novamente e ele se deu conta de que provavelmente seria assim sempre dali adiante. Ele a queria, não como mulher, mas ainda assim a queria com ele. Ele a beijou no pescoço, não resistiu, ela inteira despertava esse desejo nele, sempre despertou. Era impossível se manter indiferente a Rin, por mais que ele tentasse, por mais que quisesse. Ela tinha um o dom de possuí-lo facilmente nas mãos. – E você, tem mantido seu juramento?

- Do que você está falando? É claro que sim. – Ela olhou para o céu de maneira despistada, constrangida pelo que estava acontecendo. Sesshoumaru riu e beijou sua cabeça como costumava fazer quando ela era criança.

- Então ainda sou a pessoa que você mais ama no mundo? – A voz dele era provocativa e ele tinha um sorriso divertido no rosto.

- Não chega a tanto, mas eu ainda gosto um pouco de você.

- Terei que lutar então, para reconquistar minha posição. – Ele piscou para ela e Rin sentiu um arrepio percorrer seu corpo. – Vamos comer, já está na hora.

Eles conversaram pouco durante o almoço, Rin, ao que tudo indicava, não era mais tagarela. Ela lhe contou sobre a filha de um arrendatário que estava grávida e era dois anos mais nova que ela. Sesshoumaru fez uma careta, meninas de 14 anos não deviam engravidar, essa era a opinião dele.

Depois do almoço eles se deitaram, um de frente para o outro em silêncio. Ele observou que Rin parecia um pouco incomodada com sua companhia, e ele desejou do fundo de seu coração que ela voltasse a apreciar estar com ele. Ela o olhava com uma expressão ilegível, Sesshoumaru não sabia se ela o estava avaliando ou julgando.

Em certo momento do descanso um grilo saltou no roto de Sesshoumaru, bem em sua bochecha. O coração do rapaz se derreteu quando sua esposa abriu um largo sorriso e se inclinou sobre ele para ver mais de perto o inseto. Com a proximidade da moça o grilo fugiu, mas nem por isso Rin recuou de volta para seu lugar. Ao invés disso ela se abaixou timidamente e beijou o rosto de Sesshoumaru, delicada e demoradamente.

Ele se virou um pouco para olhar para ela, tão linda e delicada. Ele não conseguiu se segurar, a puxou de maneira rápida para um abraço, a prendendo, como fizera na primeira vez que estiveram ali. Rin agiu da mesma maneira, rindo e tentando se soltar dele. Ao constatar que não conseguiria se livrar do marido, Rin se virou de frente para ele, os rostos muito próximos um do outro, então ela colou seus lábios no dele, o beijando de surpresa. 

 


Notas Finais


Primeiro beijo de verdade desses dois. Agora os dois estão resolvidos, finalmente se acertaram.

Se gostaram da fic COMENTE e FAVORITE.

Até a próxima, pessoal!


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