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História Recomeços - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Sem limites


Casa dos Santino’s, 10:50 da manhã

- Oi família, cheguei! – gritou entrando em casa.

- Enaaaaa! – correu em sua direção e se jogou em seus braços – nós vamos no cinema?

- Bom dia pirralho – bagunçando o cabelo dele – claro que sim, nunca quebrei uma promessa pra você. O que quer ver?

- Bom dia filha, já tomou café? – saiu da cozinha vindo ao seu encontro.

- Oi pai, tô sem fome, obrigada – o abraçou.

- Como você esta? – olhou nos seus olhos.

- Pai, não faz isso, eu tô legal, não se preocupa – desvencilhando dos seus braços, logo, também do seu olhar.

- Você é minha filha, eu te amo e sempre vou me preocupar, aceite! – sorriu – tem panquecas, certeza que ta sem fome? – foi se afastando, indo em direção à cozinha.

- Olha o golpe baixo – riram – pirralho, ainda to esperando, qual filme? – virando-se pra ele.

- Tô dividido Ena, queria assisti dois.

- São no mesmo horário?

- Não, são seguidos.

- Ótimo, vamos ver os dois então, pronto.

- Sério?

- Claro pirralho, mas não acostuma – sorriu.

- Melhor irmã do mundo – lhe abraçou.

Mais tarde naquele mesmo dia

(Lina)- Preparado pra uma sessão dupla Marcos? – estava encostada na lateral do seu Toyota Corolla vermelho os aguardando.

(Marcos)- Simmm! – gritou animado entrando no carro.

(Lina)- É isso ai garoto – sorriu pra ele – então, as meninas vão estar lá... –arrancou com o carro.

(Helena)- Você convidou elas?

(Lina)- Só tava trocando mensagens com a Julia.

(Helena)- Eu fui idiota com a Alexa, né?!

(Lina)- Aquilo foi tenso mesmo.

(Marcos)- O que fez Ena? – se intrometendo na conversa.

(Helena)- Fui má pirralho – olhando-o pelo retrovisor.

(Marcos)- Então tem que pedir desculpas Ena, não pode ser má.

(Helena)- Ta bom pirralho, ta certo – sorriu.

16:15, cinema local

(Julia)- Aqui meninas! – gritou assim que os viu atravessar a entrada, balançou os braços os chamando para se juntarem a elas.

(Helena)- Oi Julia – se abraçaram – e ai Alexa, podemos conversar? – ela acenou.

(Lina)- Enquanto isso, a gente vai comprar nossos ingressos – puxou Julia e Marcos para a bilheteria.

- O que você quer Helena? – de cara fechada.

- Quero te pedir desculpas, ontem eu sai do controle, foi mal mesmo...

-Olha Helena, sei que você passou por muita coisa, que tua cabeça deve ta cheia, mas não somos teus sacos de pancada. Legal assumir teus atos, mas você precisar parar...

- Eu sei Alexa, ta legal?! Vou tentar me controlar...

- Helena, você precisa é parar de usar, isso não te faz bem e muito menos pra ninguém a sua volta, não seja sua mãe!

- Alexa, já te pedi desculpa, não coloca ela nessa historia – ficando na defensiva.

- Ta bom Helena, mas olha aqui nos meus olhos e me diz que não tem nada a ver com sua mãe toda essa merda!

- Eu não vou morrer!

- Será? Você só tem usado mais e mais, onde acha que isso vai parar?

- Alexa não quero falar disso, se não puder me desculpar...

- Relaxa Helena, eu te desculpo, mas tô falando isso pro teu bem, te considero minha amiga, me importo contigo. Vem cá mulher – a puxou pra um abraço – ops, o carinha de ontem ta aqui – apontou com a cabeça.

- LINA! Por que ainda fico surpresa? Aposto que chamou ele – irritada.

- Ele ta bem afim de você, né?! Da pra perceber, ele ta vindo pra cá então vou ali nas meninas.

- Beleza! – ela foi se afastando – Alexa, obrigada!

- Amizade é isso ai, ate daqui a pouco.

- Ate – acenaram.

- Olha você ai, que coincidência! – para na sua frente.

- Lina te disse que estaríamos aqui, né?!

- Você é muito egocêntrica, sabia? – riu.

- Claro, foi o destino que te colocou aqui no mesmo horário que a gente – deu as costas.

- Espera – segurou o braço dela – por que sempre tenta fugir de mim?

- Gatinho não vai rolar, já saquei qual é a sua.

- E qual é a minha Helena? – a olhou com um ar de desconfiança e malicia.

- Guiu, você me cheira a compromisso, programas de casais nos finais de semana, romantismo! Não sou esse tipo de garota, não quero me envolver com ninguém, gosto de festa, farra, pegação, não quero te machucar, você é um cara legal, não perca seu tempo comigo.

- Oauuu, você se acha demais garota, só quero curtir com você, sexo casual gata.

- Boa tentativa gatinho, mas você transou com a Lina pensando em mim, então só desista! Eu e você não vai rolar, não existe futuro entre gente, não insista mais e por favor, para de ficar segurando meu braço, da primeira vez foi legal, mas agora já ficou chato – deu as costas e foi pra perto das meninas.

(Lina)- O que disse pra ele? Ele parece derrotado.

(Helena)- Fiz o que era preciso Li.

(Marcos)- Ele ta te incomodando Ena? Eu posso ir la e ter uma conversinha com ele, ninguém mexe com a minha irmã.

(Helena)- Relaxa ai Marcos, vamos ver os filmes.

(Lina)- Eu já vou... guardem um lugar pra mim.

(Julia)- Okay Li.

                - E ai Guiu, ela é difícil, né?! – se aproximando dele.

                - Qual o problema dela? Odeia relacionamentos? – parecia bastante frustrado.

                - Ela meio que já namorou antes, mas é complicado Guiu, o que ela te disse?

              - Que eu sou garoto pra namorar e isso não é a praia dela, não quer se envolver. Me pediu pra ficar longe... como foi esse meio namoro dela?

                - Não sei se devia te contar isso, é coisa dela e não sei se já percebeu, mas ela é bem fechada quando se refere a assuntos pessoais.

                - Vai, por favor, eu tô mesmo afim dela, quero conhece-la de verdade. Por favor? – fazendo cara de cachorro pidão.

             - Aff, ta bom garoto, para de me olhar com essa cara, mas que morra aqui e que ela não saiba que eu te contei, enfim... A Helena nunca foi do tipo de garota que esperava um príncipe encantado, era raro ficar com garoto repetido, só queria beijar muitooo, só que há uns três anos atrás a mãe dela morreu e então ela mudou, por 6 meses ela não saia de casa, ela tava tão estranha que o pai dela me ligava com frequência pra tira-la de casa, depois de muitas tentativas a gente começou a sair, ela bebia horrores, como se fosse o ultimo dia na Terra, ficava com vários garotos, mas nunca transava, era virgem e não queria que sua primeira vez fosse de qualquer jeito, ela dizia isso, mas eu acho que ela morria de medo mesmo. Então numa festa ela conheceu o Mark, um pequeno traficante, eles começaram a se curtir muito, ele oferecia droga pra ela, mas ate então ela odiava drogas por conta da mãe que morreu por overdose de cocaína. Ele parecia mesmo gostar dela, mas queria transar e ela não se sentia segura ainda, só que no aniversario de um ano de morte da mãe dela, ele ofereceu cocaína pra ela se soltar e ela aceitou, nessa mesma noite ela perdeu a virgindade com ele, tava muito alta, depois disso eles tavam sempre usando e transando, era cocaína da boa, ele sempre dizia que para ela só o melhor, cocaína pura, sem aquela mistureba toda na composição. Saímos com eles bastante, ele sempre a tratou bem, só que um dia eles tavam na casa dela, muito altos, mas eles nunca usaram na casa dela, era uma regra dela, nunca mais entraria droga lá, ela dizia ser inaceitável enfim, estavam ouvindo musica alta e o Marcos tava incomodado, então ele foi ate o quarto dela pedir pra abaixar ou desligar o som e o Mark xingou e empurrou o menino, ele caiu no chão e a Helena foi como um bicho pra cima do Mark, expulsou ele da casa dela e disse um monte, que se ele tocasse no irmãozinho dela de novo o mataria, que não queria olhar pra ele nunca mais e afins. Ele apareceu na escola e em festas que frequentávamos varias vezes, pediu perdão, pediu pra voltar e oferecia mais cocaína da boa, ela sempre pegava, mas nunca ficava com ele, muito menos transava, depois de quase um mês ele parou de procurar ela, disse que ela sabia onde encontra-lo se quisesse mais e já sabia qual era o pagamento, mas ela nunca o procurou e não transou com mais ninguém, ele foi o único que eu saiba, ela gostou mesmo dele, mas família era maior que isso, não podia por em risco seu irmão por causa de suas besteiras e é isso.

                - Ela é viciada? Quanto tempo faz isso?

                - Um ano e meio mais ou menos e ela tem usado bastante ultimamente...

                - Pera, ontem ela usou?

                - Sim gatinho, ela sempre usa.

                - Ela precisa parar, precisa de um tratamento. Ela quer terminar como a mãe dela?

                - A mãe dela é meio que um assunto proibido de se falar, ontem que ela me falou mais dela, parecia destruída, sente muita falta dela e por algum motivo a droga as aproxima.

                - Ela precisa de ajuda, não podemos perde-la – parecia desesperado.

                - Oau, ta mesmo ligado a ela... sabemos disso, mas é a Helena, não da pra obriga-la, ela acha que ta no controle e não da pra convencê-la do contrario.

                - Eu vou pensar em algo... melhor ir la ver o filme, elas devem estar sentindo sua falta.

- Então ta bom, tchau Guiu – começou a caminhar pra sala de cinema.

                - Lina! – gritou – obrigado por confiar em mim, por me contar – ela acenou com a cabeça e entrou na sala.

                Na saída do cinema, o grupo estava falante e animado com a sessão dupla que tinham acabado de assistir, Marcos pulava na frente eufórico, fazendo diversos comentários sobre os filmes. Helena estava focada no irmão, sua animação era contagiante, mas uma figura conhecida roubou sua atenção.

                - Esperem aqui – disse se afastando do grupo e indo em direção a um homem mais velho e elegante.

                - Helena, é você? – se abraçaram – há quanto tempo não te vejo garota?

                - Bob o que faz por aqui? E não faz tanto tempo assim – sorriu.

                - Sinto muito pelo Mark, ele era bom, mas vacilou e dançou, assim é o jogo.

- O que aconteceu com ele?

- Não sabe? Seu namorado foi preso essa manhã.

- Bob, já não o vejo há tempos, mas sinto muito por ele e por seus negócios...

- Sim, ele é uma perda valiosa, mas darei um jeito nisso. Que tal darmos uma volta? Estava sentindo sua falta Helena – sorriu para ela.

- Não sei Bob, estou com meu irmão aqui...

- Ele vai ficar bem com suas amigas, uma confraternizaçãozinha pelos velhos tempos garota – se aproximou – tenho pó do bom aqui comigo – sussurrou.

Ela concordou e foi ate as amigas, pediu Lina para levar o irmão para casa que ficou emburrado. Todas não haviam gostado da ideia dela partir com aquele cara, mas por conta da presença de Marcos, apenas reprovaram pelo olhar a escolha de Helena. Após este momento, se despediram e ela retornou para perto de Bob que sorria extremamente satisfeito. Cheiraram algumas carreiras de cocaína em uma mesinha mais escondida do ambiente e ela pediu para pilotar a moto dele que sem nenhuma hesitação lhe entregou as chaves.

Ela começou a acelerar, sentir o vento contra seu corpo lhe dava a sensação de liberdade, quebrando as correntezas que a empurravam para trás. A droga aumentava a intensidade de tudo aquilo e ela acelerava mais e mais, literalmente voava no asfalto. “Um movimento em falso, uma curva mais fechada e eu já era, mas o que tenho a perder? Um pai viciado em trabalho e um irmão carente e preocupado? Minha mãe tinha um marido amoroso, um filho carinhoso e eu, uma filha rebelde, “se acha dona do seu nariz”, você me dizia. Bom, nada disso foi suficiente, não é? Sabia que eu ouvia as brigas de vocês? Papai tava tão preocupado contigo e você dizia que tava no controle, isso não iria te matar, que engraçado, matou mãe! Você deixou a gente, sua família não foi o suficiente para você parar e talvez eu esteja me tornando como você, “uma viciada de merda” como disse a Alexa. Mark ta preso, mas ainda tenho minhas amigas, né? Droga mãe, o que estou fazendo? Sinto tanto a sua falta, dos seus abraços, das nossas conversas, queria que brigasse de novo comigo, que pegasse no meu pé, mas você morreu e eu tô com tanta raiva de você, do papai, de mim. Queria que algum de nós fosse o bastante pra você, o suficiente pra que ficasse”. Ela chorava tanto e sua visão estava embaçada, um cachorro tentou atravessar e entrou na frente. A roda da frente travou e Helena foi arremessada para longe por conta do impacto...e tudo mais escureceu.



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