História Reconciliation (Kaisoo). - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias EXO, Jay Park
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Jay Park, Kai, Sehun, Xiumin
Tags Kaisoo
Visualizações 273
Palavras 11.395
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Lemon, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


~Me esforcei demais nessa fic pois houve pessoas que me chamaram de "desleixado" por eu não criar coisas grandes e com toda a vontade. Bem, está aí! Outra "Kaisoo" pois várias pessoas quase que a exigiram por causa de 《BabySITTER》e o Jackson Corno.

Capítulo 1 - Único - "Dance Baby".


Fanfic / Fanfiction Reconciliation (Kaisoo). - Capítulo 1 - Único - "Dance Baby".

Encarava meu reflexo no espelho ralo com uma seriíssima dúvida existencial:

Usar ou não usar blazer preto.

Certo, não é uma dúvida existencial. Mas é séria. Não era fútil na maioria das vezes (só de vez em quando!). O problema é que usar ou não esse blazer pode mudar minha vida durante esta noite.

Me peguei exagerando novamente. O fato é que eu, como Do Kyungsoo, 22 anos, dono da maior empresa de comunicação da Coreia , não faço a mínima idéia do que vestir pra reconquistar meu namorado esta noite.

Talvez reconquistar não seja um bom termo, já que eu sei que a criatura ainda me ama. Eu e toda a torcida dos meus amigos idiotas. O Jongin não é do tipo que sabe esconder o que sente, mas mesmo assim, preciso de um charme a mais esta noite, e é aí que entra o blazer preto curto favorito que sempre usava em ocasiões de extrema importância. 

Se pelo menos aquele espelho mostrasse os pés também, pra ver o visual inteiro... O espelho do Baekhyun é uma droga e sinto falta do meu. Arrumei um jeito de me hospedar em sua casa porque eu saí da minha, da minha casa com Jongin, quero dizer. Meu Kim tem uma priminha que é meu carma nesse planeta. Meio bonitinha até, mas naquele estilo “mamãe quero ser puta”, nada contra as aspirantes a biscates, cada um na sua, mas esse projetinho de vadia insiste em dar em cima do meu homem. Ela se aproveita do fato de conhecê-lo desde pequena, e o lerdo num vê as reais intenções da mesma. 

À alguns dias aconteceu uma coisa que foi a gota d’água. Estávamos em um churrasco na casa do tio dele e a nojenta sentou em seu colo comigo ali no espaço! E o que ele fez? Nada.

Esperei a hora de voltar para casa. Uma discussão puxa a outra, e acabou que o que era uma bronquinha passou a ser uma briga de verdade, tão séria que eu resolvi sair de casa e vim me refugiar na casa do meu suposto melhor amigo. Agora já se passou uma semana, me arrependi. Sabia que havia exagerado, não era pra tanto, precisava aprender a controlar meus nervos... Mas já havia acontecido, só me restava tentar consertar a burrada. 

Sentia sua falta, essa é a verdade. Eu amo aquele ser mais do que eu já amei alguma outra pessoa nessa vida, dói não acordar todo dia e receber aquele sorriso lindo. Eu o queria de volta pra mim, e sabia que ele me quer também, apesar de todo aquele teatrinho. Quando saí de casa, óbvio que fez aquela pose de machão e disse que eu podia ir se quisesse. Mas quando eu realmente fui, deu pra perceber que ele ficou surpreso, e senti sua tristeza. Parece que até chorou algumas vezes escondido, e brigou com a tal prima oferecida.

Sei disso porque Sehun me contou, o seu amigo mais próximo.

Pelo o que me contou, Baekhyun, e Minseok , meu ex parceiro de quarto, precisaram ir em sua casa, já que não atendia as ligações de nenhum deles. Aparentemente, os três encontraram-o totalmente bêbado, usando meu casacão azul da Hurley preferido , largado no sofá vendo filmes depressivos na TV.

"É, parabéns Kyung, olha a fossa na qual você deixou o coitado." - Foram as primeiras palavras de Minseok ao me encontrar.

Eu devia ter sido menos grosso, ter usado um tom menos definitivo... E com certeza não devia ter desligado na cara dele nas três vezes que me ligou, todo fofo.

Me culpei porque acabei fazendo o tal pensar que não tinha mais volta, quando na verdade tudo que eu quero nessa vida é ter meu Jongin de novo. Foi capaz de engolir o orgulho e ligar, mas fui ingrato demais pra responder. O machuquei com minhas idiotices e por isso me rotulei como um lixo.

Os meninos cuidaram dele, o fizeram tomar banho frio pra ver se voltava ao normal, chegaram a forçá-lo a tomar café forte. O Baek dormiu lá para vigia-lo à não fazer mas nenhuma besteira, deixou eu e seu namorado Chanyeol sozinhos em casa, o que foi bom na verdade, já que depois de saber que tudo foi por minha causa, passei a noite chorando no colo do mais alto, me odiando por ser tão idiota. Não o mereço, isso ficou claro. Mas não me impede de tentar tê-lo de volta. Não sou do tipo que chora muito tempo, levanto a cabeça e vou à luta.

Os meninos acabaram o convencendo a ir a uma “festa” de aniversário de uma amiga do Baekhyun naquela noite, pra distrair a cabeça. Festa entre aspas mesmo, já que vai ser comemorada em uma boate perto da casa aonde estava, que nem foi fechada para a ocasião. Jongin resistiu um pouco quando soube que eu também ia, mas acabou aceitando, porém deixando claro que não pretendia falar comigo. Doeu pra merda saber disso. Pediu também que nenhum dos três me contasse o estado no qual ele se encontrara antes.

Engraçado que, pelos meus cálculos, a primeira coisa que o Sehun fez ao sair de lá foi me ligar, dizendo que precisava conversar comigo.

As pessoas precisam parar de pedir pro Sehun não me contar as coisas, ou vice-versa. Eles não entendiam que, não importa o que peçam, eu e o Sehun vamos sempre contar tudo um pro outro. Não existem segredos entre eu e o Oh, ele foi o único no qual ficou ao meu lado em diversas situações de minha vida. Por mais que ele e o Jongin sejam muito amigos, Sehun sempre ficaria do meu lado em situações como essa.

Jongin supria um certo cúme besta e infundado pelo amigo. Certo, Sehun é um safado. Já havia deixado bem claro que não pensaria duas vezes antes de me pegar se eu desse mole e não fosse tão envolvido com meu namorado, e vamos ser francos, nessa situação eu também não pensaria duas vezes antes de ficar com o Oh, ele é muito atraente! Mas como o Kim existe, Sehun nunca teria nada comigo, nem eu com ele.

Bom, chega de reflexões inúteis. Tentei ao máximo de desprender dessas lembranças ruins e confusas.

Vou usar, pronto, decidi! Blazer preto, camisa branca simples , calça preta colada ao máximo, sapatos pretos, cabelos bem arrumados, maquiagem leve para esconder as olheiras que insistiam em aparecer pela falta de sono nesses dias e o cordão que Jongin me deu de presente de aniversário. Quero ser provocante pelo menos uma vez na vida.

Chequei o visual uma última vez, peguei meu celular e fui para sala. Baekhyun e Chanyeol assistiam TV agarrados.

- Tá pronta, criatura? – Perguntou Baek, aparentemente de saco cheio, graças à minha demora.

- Não sei. Você acha que a roupa tá boa? – Perguntei, enquanto Chanyeol desligava o aparelho e pegava as chaves do carro de Jongin, que estava com ele por uns dias, já que seu carro precisara ser mandado para o conserto, e o Kim.. Bem, Jongin não andava saindo muito de casa, graças a um garota infantil e fútil. 

Eu.

Quem ia passar lá e levá-lo para a boate era o Sehun.

- Ah, tá sim. – disse Baek me analisando – Chany, o que você acha?

- De que? – Perguntou o garoto, que não estava prestando atenção na conversa.

- De mim. Como é que eu tô? – Perguntei, inseguro.

- Ah, tá bonito. – disse Chany, desinteressado. Aquilo não era o suficiente.

- Mais bonito ou menos bonito do que antes? 

- Você tava com outra roupa antes? – Perguntou, sorrindo confuso e coçando a nuca. Eu e Baekhyun reviramos os olhos ao mesmo tempo.

- Você não presta atenção em nada mesmo, Chany! – Disse Baek, rindo.

- Ei, não reclama! Se eu ficasse reparando nos seus amigos, você ia achar ruim! – Reclamou, fazendo bico.

- Oun, eu tô brincando! – Disse o outro balançando as mãos, deu um selinho em Chanyeol rapidamente. – Só queria dizer que desse jeito você num ajuda muito o Soo.

- Tudo bem Baek. – Disse, rindo – O Min é assim também. O único amigo que faz comentários úteis sobre as minhas roupas é Sehun. Cadê meu anjo quando eu preciso dele?! – Reclamei, em voz chorosa, rindo em seguida. Chanyeol me olhou estranho enquanto atravessávamos a porta e íamos em direção ao carro.

- Depois você reclama que o Jongin tem ciúmes de vocês dois...

- Ah, nem vem, Chany! – O cortei – Todo mundo sabe que esses nossos apelidinhos são de brincadeira. Eu e o Sehun somos amigos, porra!

- Na verdade eu ainda nem entendi por que você veio pra cá em vez de ir pra casa dele. Vocês dois são tão colados! – Disse Baek , pensativo.

- Posso te dar dois motivos. Primeiro, ia pegar mal pro Sehun ter o namorado do melhor amigo morando na casa dele. Pra onde ele levaria os vítimas? – Falei, rindo. “Vítimas” era como eu chamava os mil garotos que Sehun pegava diariamente. – Meu amiguinho precisa de privacidade. O segundo motivo é que Jongin teria um ataque se eu fosse morar com o Sehun, ciumento do jeito que é... Assim sobraram você e o Minseok. Mas é impossível ficar na casa do Min , eu me sentiria mais intruso ainda, ele e o Jongdae vivem em constante lua de mel... Sobrou você e o Chany, que são um casal menos meloso e enjoado e mais sociável!

- “Sobrou”... Valeu, ein Kyung? – Disse Baekhyun, rindo. – Sua sinceridade me espanta!

- Me sinto um lixo agora. – Acrescentou Chany. – O carinho que você tem por nós me comove!

- Ah, num fica assim, coisa fofa! – Eu disse, rindo e pulando nas costas dele, quase derrubando o garoto no chão – Você sabe que eu te adoro!

- É, eu sei! – Disse Chany, rindo, me botando no chão e apertando o botãozinho para destravar as portas do carro. – Na verdade eu acho que você só começou a namorar o Kim pra ficar mais perto de mim, já que eu só tinha olhos pro meu bombonzinho de morango! – Ele disse, com um sorriso fofo, olhando para Baek, que se sentara no banco do carona, ao seu lado. Eu fui relegado ao banco de trás.

- Posso fazer uma pergunta? – Falei, já fazendo – Por que seus apelidos pra Baekhyun são sempre baseados em comidas?

- Ah, fácil... – Disse Chany, tentando não rir. – Porque ele é bom de comer, ué! – Concluiu, e eu comecei a rir junto com ele. Baekhyun ficou vermelho que nem um pimentão e sorriu meio envergonhado, enquanto dava tapinhas de brincadeira em Chanyeol.

- Vamos logo! – Disse ainda sem graça, o outro deu a partida, sem parar de rir.

Não demoramos muito para chegar lá, infelizmente. A cada minuto que passava eu ficava mais nervoso. O que eu diria pro Jongin? E se ele me tratasse mal? Ele tinha todo o direito, é claro. Eu fui um "vaco" com o tal. Mas não estou preparado pra levar um fora dele, não mesmo.

Entramos na boate pelos fundos, nos livrando da fila quilométrica que se formava na frente do lugar. Ser amigo (e ex-namorad) de gente famosa tem muitas vantagens.

Assim que entramos, o Chanyeol jogou as chaves do carro pra mim e simplesmente desapareceu com a Baek, me largando sozinho no meio daquele povo. Pelo visto os dois não pretendem voltar pra casa... Safadinhos. Me sinto mal por eles sentirem a necessidade de sair de casa quando querem uns momentos mais... Íntimos, mas eu não tenho outro lugar para onde ir a não ser a casa deles! 

Olhei à minha volta procurando algum rosto conhecido. A quem eu estou tentando enganar? Eu procurava o Jongin mesmo.

Mas no momento em que o vi, desejei não ter feito isso.

Lá estava ele, sentado no balcão de um dos dois bares do lugar, com nada mais, nada menos do que seis garotos em sua volta. O maldito conversava com as meninas exibindo aquele sorrisinho idiota capaz de fazer qualquer pessoa tremer na base. Aquele era o meu sorriso! 

Como se lesse meus pensamentos, Kim olhou na minha direção. Nossos olhares se encontraram por um breve segundo antes de ele dar um sorrisinho de escárnio e se voltar para um dos garotos, enrolando uma mecha do cabelo dele com os dedos.

Eu queria sumir. Queria cavar um buraco no chão e não sair dele nunca mais. Senti minhas mãos tremerem e meus olhos começarem a arder. Eu estava tonto e meu coração batia tão forte no meu peito que chegava a incomodar. Eu tinha que sair dali. Tinha que desgrudar meus pés do chão e dar fim àquela humilhação. Mas claro que eu precisaria de ajuda.

No meu vocabulário, “ajuda” é sinônimo de “Sehun”.

Saí que nem louco procurando meu amigo naquela boate apinhada de gente. Passei pela mesa na qual a aniversariante estava com o grupo de convidados no qual eu teoricamente estava incluso. Teoricamente porque eu nem conhecia a garota, mas como a boate era pública...

Sehun não estava lá. Fui então em direção ao outro bar, o no qual Jongin não permanecia. Assim que vi a silhueta do Oh à distância, meu coração se acalmou um pouco. Sehun estava ali, tudo ficaria bem.

- Sehun! – Chamei, mesmo sabendo ser impossível ele me ouvir com todo aquele barulho. Mas por algum milagre ele se virou na minha direção. Pelo visto não é só com Kim que meus poderes telepáticos funcionam.

- Meu demônio! – Disse ele quando eu me aproximei, sorrindo aquele sorriso capaz de iluminar meia-noite. Sorriso esse que sumiu assim que ele reparou na minha expressão. – Que foi Kyungsoo?

- Me ajuda. – Disse, simplesmente, dando a ele aquele olhar amuado. Isso mesmo, aquele que só nós dois entendíamos, aquele que dispensava explicações.

- Pode falar. Eu faço qualquer coisa. – Sehun falou com convicção, chegando mais para frente no banco no qual estava sentado no bar e me abraçando pela cintura. Ele parecia preocupado.

- Dança comigo? – Pedi, com voz fraca, e ele me olhou confuso.

- Dançar? Por quê? Soo, o Jongin está aí, ele vai achar que é provocação... – Nossos olhares se encontraram e ele riu baixinho ao entender, me olhando com aquele brilho divertido nos olhos – É provocação, né?

- É. – Respondi com simplicidade. Não havia motivos para mentir pro Sehun.

- Soo... – Começou ele, rindo – Não faz isso com o coitado, ele tá sofrendo por sua causa...

- Sofrendo?! Sehun... – Comecei a dizer, mas desisti. Uma imagem vale mais do que mil palavras, então simplesmente o puxei pelo braço até um lugar de onde dava para ver perfeitamente Jongin, do outro lado do salão. Ele ria de alguma coisa que um dos garotos havia cochichado para ele e estava abraçando a cintura de outro.

A mudança no rosto de Sehun foi impressionante. O sorriso deu lugar a um maxilar fechado, sobrancelhas franzidas e olhar frio, numa clara expressão de raiva que não combinava em nada com ele. Sehun era um cara geralmente pacífico e pra cima, e bem bobo, pra ser sincero. Aquela seriedade e irritação destoavam de seu jeito. Eu só o via com essa cara quando alguém me magoava de alguma forma.

- Certo, o Kim passou dos limites. – Disse ele, com a voz firme, ainda encarando a ceninha ridícula – Pode deixar que eu já entendi tudo. Vem comigo. – Dizendo isso ele me puxou pela mão, me arrastando pra sei lá onde. Não que eu me importasse. Eu confiava no maluco à minha frente.

Eu e Sehun fomos contornando com dificuldade as pessoas na pista de dança. Avistei Baek e Chany praticamente se engolindo, sentados em uma mesa perto da pista. Joguei meu casaco e minha bolsa em uma das cadeiras, esperava que Baek repare quando finalmente resolver deixar o Chanyeol respirar.

Esbarramos em Min logo depois, que dançava que nem um louco, totalmente bêbado e com uma garrafa de vinho na mão. Tinha o rosto levemente rosado de um jeito fofo e o cabelo totalmente bagunçado. Sehun chegou perto dele e sussurrou alguma coisa que eu obviamente não escutei em seu ouvido. Minseok fez que sim com a cabeça, bem devagar, e saiu tropeçando em direção a algo no sentido contrário do qual nós íamos. Sehun continuou me puxando pela mão e...

Me toquei de uma coisa subitamente! 

Aquele ali era o Min?! Não era possível! O que o Minseok estava fazendo bêbado e dançando numa boate?! Pior, o que ele fazia ali sozinho? Desde quando ele vinha curtir a noite desse jeito sem a Jongdae? Hmm, já vi que brigaram. Mas tudo bem, depois descubriria o que houve. No momento tenho coisas mais importantes a resolver, como dar o troco no nojento do Kim.

Por falar em Kim, era na direção dele que o Sehun me arrastava...

Eu já estava disposta a matá-lo quando ele subitamente parou, ainda na pista de dança, a pouquíssimos metros de Jongin. Foi aí que eu olhei em volta e vi quem mais estava naquela boate. Sorri involuntariamente. Ali, onde paramos, um grupo de garotos bonitos estava parado olhando a pista, e entre eles estava ninguém mais, ninguém menos do que Jay Park. Sim, você leu direito.

Uma coisa eu preciso admitir: O Sehun pode ser bem lesado pra algumas coisas, mas ele sabe ser um gênio do mal.

Acontece que eu já conheço o Jay há um tempinho. Eu e todo mundo sabemos que ele tem uma certa... Queda por mim. Até mais do que isso, ele nem consegue disfarçar, fato que esfriou um pouco a amizade dele com o Jongin. E, bom, agora ele já deve saber que eu e o Kim não estamos mais juntos...

Sehun me olhou, sorrindo aquele sorriso que dizia “agora é com você, vai lá e dá seu show”. Sério, nessas horas eu tenho vontade de morder o Sehun por ele ser tão fofo.

- Gente, olha quem chegou! – Sehun gritou para os garotos, me trazendo para perto deles. Sorri sem graça ao ver o sorriso enorme que o Park deu ao me ver.

- Oi, Kyungnie! – Gritou ele, tentando se fazer ouvir apesar da música alta. Eu sorri e dei um beijo em seu rosto. – Tudo bem?

- Quase. – Respondi, dando meu melhor sorriso – Pra ficar tudo bem eu quero dançar! Quem dança comigo? – Perguntei, e Sehun, Jay e os outros três bonitinhos que estavam com ele levantaram a mão, rindo. Na mesma hora, Minseok se aproximou de nós e a música mudou. Não só a música como a iluminação do lugar, que diminuiu em quase todo o salão, menos em um certo ponto, onde a luz começou a piscar um pouco, formando um clima sensual. O tal ponto era logo acima de onde eu e os meninos estávamos. 

Olhei para Sehun, que trocava um olhar cúmplice com Min, e entendi o que eles estavam tramando. É nessas horas que eu entendo porque amo tanto meus amigos.

Sehun começou a afastar o pessoal, fazendo uma rodinha ao meu redor, só não delimitada na parte de frente para Jongin. Sorri sem graça frente aos olhares de todos, mas relaxei ao reconhecer a música que tocava. Algumas partes da letra podiam não ter muito haver com a situação, mas o ritmo... 

"She, she, she wants it, I want to give it to her

(Ela, ela, ela quer isso, eu quero dar isso para ela)

She knows that, it's right here for her

(Ela sabe que está bem aqui para ela)

I want to, see you break it down

(Eu quero ver você arrasar)

I'm ballin', throw'n money around

(Eu estou excitado, jogando dinheiro por aí)" - Era meu trecho preferido.

Comecei a dançar, engolindo totalmente a vergonha. Coloquei uma mão no pescoço e comecei a mexer o corpo devagar, no ritmo da música, deixando um sorriso sapeca repuxar os cantos dos meus lábios. Eu não olharia sequer uma vez na direção de Jongin, não o daria esse gostinho de ter certeza de que tudo aquilo era pra ele. Não, prefiro que ele me veja o esnobando.

Passei a exagerar mais nos movimentos, me soltando aos poucos. Desci até o chão devagar apenas para subir rapidamente, fazendo o Jay, que me assistia, quase molhar o chão de tanta baba. Já havia perdido a vergonha de rebolar e dançava como nunca havia dançado antes, despertando alguns olhares interessados da platéia masculina, fato que me deixava totalmente convencido. Entre esses olhares, pude ver o de Min . É, o Minseok estava afim de mim naquele momento. Sorri e fui até ele, apoiando minhas mãos em seus ombros, ainda dançando. Min sorriu, meio envergonhado, mas começou a dançar comigo, coisa que nunca faria se estivesse sóbrio. Desculpa Jongdae, mas o tal fica muito mais divertido quando está bêbado, além de sexy com aquele cabelinho desarrumado.

Larguei Min e voltei para o centro do “círculo”. Os seis meninos começaram a se aproximar de mim, fazendo uma rodinha particular, sendo que dois dos quais eu não sabia os nomes chegaram bem perto começaram a dançar comigo. Todo o resto da boate parecia dançar e me assistir ao mesmo tempo, já que eu era o única ali dando showzinho. Eu me sentia bem com aquilo. Me sentia sexy.

Sorri, me aproximando de Jay, que não desgrudava os olhos dos meus quadris, e fiquei de costas pra ele, ainda rebolando. Ele sorriu e colocou as mãos na minha cintura, dançando comigo, enquanto eu colocava uma mão pra trás, segurando de leve sua nuca. Desci até o chão de novo, subindo em seguida, dessa vez roçando meu corpo no de Jimmy e provocando um estremecimento nele, assim como certos assovios do meu “público”.

Exatamente em uma parte da música bem intensa, larguei Jay e fui até Sehun, o puxando pela gola da camisa e fazendo com que nossos corpos se colassem. Encarei os olhos dele, que continham uma mistura de diversão e malícia, combinando com seu sorrisinho safado. Sehun mordeu o lábio inferior e começou a dançar comigo. Nossos movimentos eram lentos e provocantes, no ritmo da música, e nossos olhares não se desgrudavam. Havíamos chegado a um acordo mudo de fazer com que Jongin perdesse a cabeça de vez. Se eu bem o conhecia, ele provavelmente estava se roendo por dentro ao me ver assim com o Oh. 

Empurrei Sehun numa cadeira vazia ali perto e sentei no colo dele só para seguir a letra da música que mandava fazer tal ato, me levantando em seguida e voltando a dançar com um sorriso safado nos lábios, sob assovios agora mais numerosos e gritos de “Uhul”. Claro que eu não daria uma Lap Dance pro Sehun, aquilo tudo era só brincadeira, e se ele ficasse animadinho seria bem constrangedor.

Nesse ponto eu já dançava com os seis ao mesmo tempo, girando de um para o outro. De repente Jay me puxou para si, espalmando as mãos em meus quadris e colocando uma perna entre as minhas, fazendo com que dançássemos mais colados do que antes. Sehun chegou por trás de mim e colocou uma mão em minha cintura, enquanto com a outra acariciava minha nuca para depositar um beijo de leve em meu pescoço, ainda dançando. Tive que me controlar pra não rir. Sabia muito bem o porquê dele ter feito aquilo, e era difícil me controlar para não checar a reação de Kai, sentado a poucos metros dali. Ele provavelmente estava a beira de um infarto assistindo aquilo.

Fiquei como recheio do sanduíche formado por Sehun e Jay mais um tempo, porém sem demorar muito. Eu sabia que os carinhos de Sehun em minha cintura eram para provocar Kai, mas eu conhecia meu amigo o suficiente para saber que ele estava gostando de tirar uma casquinha de mim. A criatura era safada por natureza, o que eu posso fazer?

Desci minha mão por meu quadril e depois a subi por minha bunda. Ouvi a risada de Sehun e o grito de “Gostoso!” que ele deu, ao mesmo tempo em que o Jay chegava por trás de mim e refazia o caminho que minhas mãos antes fizeram por minhas pernas, também seguindo o ritmo da música. É, pelo o visto o Oh não era o único safadinho por ali.

Continuei dançando com eles até que a música acabou. Me virei para Jongin, não sem antes perceber que, pelas minhas costas, Sehun e Jay brincavam de se abanar como se sentissem calor. Recebi palmas e só não fiquei totalmente sem graça porque agora eu finalmente encarava o Kim.

Só sabia uma coisa: ele estava com a raiva de um demônio. Puto da vida. Mas muito puto da vida mesmo.

Kim tinha as mãos fechadas em punhos sobre o colo, os lábios franzidos, as narinas levemente infladas e os olhos estreitos. Me encarava com aquele olhar de raiva, porém não parecia prestes a fazer nada. Na verdade, acho que ele tinha perdido temporariamente a capacidade de se mover.

Os garotos em sua volta pareciam não saber muito bem o que fazer. Aparentavam estar se indagando se não era melhor simplesmente se levantarem e irem embora, já que Jongin parecia totalmente alheio à companhia a qual antes ele parecia dar tanta atenção. Um deles se levantou do banco no qual estava, sorriu como quem pede desculpas e saiu, se desculpando:

- Foi mal gato, mas depois dessa eu sou fã do Kyung.

Comecei a andar na direção do Kim com pisadas fortes, porém sem perder minha sensualidade natural. Eu gosto de andar como se estivesse numa passarela, alguma coisa contra?

Ele não havia desgrudado o olhar de mim um segundo sequer. Sorri superior enquanto andava até ele, e ao chegar perto simplesmente estalei os dedos, impaciente, e os dois loiros que estavam entre eu e ele praticamente pularam pra fora do meu caminho. Eu gostaria de dizer que foi pelo respeito que eu impus com meu showzinho, mas é mais provável que tenha sido porque, do jeito que eu vinha, era óbvio que eu passaria por cima deles feito um trator se os idiotas ousassem se meter entre mim e meu Jongin.

Fiquei de frente pra ele. Kim continuava me olhando do mesmo jeito, sem dar sinal de que falaria qualquer coisa. Engoliu em seco quando viu o quão próximo eu estava, como se tentando conter as palavras que ameaçavam sair de sua boca. Inclinei o corpo pra frente e apoiei uma mão em cada coxa dele, apertando com um pouco de força. O mesmo tentou, mas não conseguiu controlar o gemidinho de dor. Fiquei com o rosto a poucos centímetros do dele e encarei corajosamente aqueles orbes castanhos claro que no momento estavam ameaçadores.

- Gostou? – Perguntei, juntando o máximo de cinismo que encontrei dentro de mim. Por um momento achei que Jongin ia me bater, mas ele continuou estático – Eu não. Não queria precisar fazer esse tipo de coisa, mas você me obriga. – Suspirei – Se é esse o joguinho que você quer fazer, tudo bem... Mas admita, - Olhei para os garotos a nossa volta e dei um risinho de desprezo – Eu sou bem melhor nesse jogo do que você, queridinho. Então se você pretende jogar tudo o que a gente viveu fora por vingancinha, vai em frente... Você sabe que o que quer que você faça, eu sou capaz de fazer mil vezes pior. – Dizendo isso, desviei meu olhar significativamente para Jay, que estava há uns metros de distância. Acho que Jongin entendeu o recado. Dei um selinho nele por pura provocação, seguido de um leve tapinha na bochecha, e me afastei.

Se eu seria capaz de pegar o Jay por vingança? Óbvio que sim. Se o babaca do Kim resolver esfregar um desses vadiozinhos na minha cara, eu tenho o Jay. Eu sei que ficar com o amigo do cara é vacilo, mas ninguém tinha noção do que eu sou capaz de fazer quando fico irritado. O Kai tem, e sabe que o que eu fiz nessa boate não é nem de longe a pior coisa que posso fazer.

Andei até o Park, que me encarava aparentemente sem conseguir decidir o que era pior: apanhar de Jongin ou não aproveitar a “chance” comigo. Pelo visto ele acha que é a segunda opção, já que colocou uma mão na minha cintura e me afastou dali, indo em direção ao outro bar. Ás vezes o Jay me orgulha.

Olhei à minha volta e não avistei Sehun em lugar nenhum. Provavelmente havia achado algum garoto dando mole e partira pro ataque. Sorri com o pensamento enquanto caminhava com Jay. Eu já tinha aprendido a gostar do jeito quase irremediavelmente galinha do Sehun, era divertido. Mas isso não significa que eu tenha desistido de arranjar um namorado pra dar um jeito naquela criatura. Um garoto legal, que eu aprove, porque o meu amiguinho merece alguém à altura dele. Já até tenho um amigo meu em mente, mas vou deixar pra pensar nisso depois. Tenho que resolver minha própria vida sentimental antes de me meter na dos outros.

Certo, fiquei conversando com o Park por uns dez minutos, até ele resolver pegar bebidas. Eu pedi uma dose grande de tequila, mas como o bar não tem, o Jay foi ver se um dos “contatos” dele na despensa arranja. Ele era um cara bem legal, pena que meu coração é de Jongin. 

Por pensar no diabo, ele aparece, nem me viu, apenas tirou umas notas da carteira e entregou ao barman. Já estava pagando a conta?

- Vai embora tão cedo, Kim? – Perguntei, tentando não rir. Eu estava com os cotovelos apoiados sobre o balcão e olhava para minhas mãos desinteressadamente. Não consigo me controlar, sou daqueles que perdem o namorado, mas não perdem a piada.

- Vou! – Ele respondeu, me fazendo olhá-lo, surpreso. Achei que fosse continuar me ignorando – Estou pensando em levar um dos garotos comigo. Quem sabe dous? – Continuou ele, com um tom que misturava impaciência e raiva.

- Vai em frente... – Eu disse, dando os ombros e fingindo indiferença. Por dentro eu tinha vontade de socá-lo. Eu sei que ele não faria isso, mas porra, precisa me fazer ter essas imagens mentais?! – Seu carro tá aí, o Chanyeol trouxe, se quiser levá-lo... Eu tô com as chaves, mas não se preocupe, duvido muito que o Jay me negue uma carona pra casa... Ou melhor, pra bem longe de casa. – Concluí, em tom sugestivo.

Eu nem vi direito como aconteceu.

Só sei que de repente meu corpo estava grudado à uma parede em um canto escuro da boate, e as mãos de Jongin me prendiam pelos braços. Mais uma vez achei que ele fosse me bater, tão raivosa era a expressão dele. Talvez seja por isso que eu fiquei tão surpresa com o beijo repentino.

Mas acho que não havia muita diferença entre aquele beijo e um tapa. Os lábios dele se forçaram contra os meus com tanta fúria que chegaram a machucar minha boca. Mas, estranhamente, eu não achei aquilo ruim.

Eu não sou nenhuma espécie de masoquista, ou qualquer coisa do tipo. Pelo menos acho que não. Mas alguma coisa naquele beijo... Alguma coisa despertou uma certa curiosidade em mim. Kim nunca havia me beijado com tanta fúria antes, e eu achei aquilo... Sexy. Bem sexy.

Ele se afastou momentos depois, parecendo aplicar nisso um esforço gigante. Seus cabelos estavam desarrumados, sua respiração ofegante e sua boca, avermelhada. Não nego, foi difícil simplesmente não puxá-lo de novo para mim.

Ficamos nos encarando em silêncio por alguns segundos. Os olhos de Jongin brilhavam com uma mistura de ódio e outra coisa que eu não conseguia identificar. Ele suspirou e finalmente soltou meus braços, levando as mãos aos cabelos e dando alguns passos pra trás.

- Jongin...

- Agora não. – Disse ele, com a voz controlada com dificuldade. Ele olhava para algum ponto no chão enquanto falava, como se tivesse medo de me encarar. – Escuta... Eu, eu vou pra casa do Minseok, tudo bem? Pode ir pra casa essa noite, se quiser... Eu não vou levar garoto nenhum comigo, só preciso... Só preciso me acalmar. – Ele fechou os olhos e respirou fundo. – Não dá pra gente conversar agora. Eu nunca senti tanta raiva de alguém quanto eu estou sentindo nesse momento. Tenho medo do que eu posso fazer se a gente continuar falando, eu sou capaz de te machucar. – Certo, eu tremi nessa hora. Não sabia que tinha o irritado tanto assim.

- Mas...

- Sem “mas”, por favor. Só me deixa sozinho. – Ele passou as mãos pelo rosto. – Você passou dos limites, e olha que eu achava que você já não tinha limites. Dessa vez você conseguiu me tirar do sério de verdade. – Jongin balançou a cabeça, parecendo tentar afastar algum pensamento ruim. – Pode me ligar amanhã, aí sim a gente conversa. No momento eu não consigo. Você não faz idéia do esforço que eu tô tendo que fazer pra não... – Ele deixou a frase no ar, mas não precisava completar. Eu havia entendido.

Não sei o que me deu, sério. Quando eu vi, já tinha dito:

- A gente não precisa conversar. – Dei dois passos para frente, encostando meu corpo no dele. Jongin tinha o rosto virado para o lado, decidido a não me olhar, e não reagiu com a minha proximidade. Respirei fundo e subi minhas mãos para os ombros largos dele. Inclinei meu corpo mais para frente e fiquei na ponta dos pés, encostando a boca em sua orelha – Eu sei como descontar sua raiva... – Desci a boca para seu pescoço, beijando a área devagar. Senti que ele engoliu em seco e prendeu a respiração – Desconta em mim. Eu... Quero que você desconte.

Senti ele tremer e respirar fundo. Kim segurou meus braços novamente e me afastou de si com violência, olhando nos meus olhos em seguida. Foi então que eu finalmente entendi o que era a “outra coisa” no olhar dele.

Desejo. 

Aparentemente o que eu fiz não provocou apenas raiva nele.

Mordi meus lábios, quase sem conseguir conter aquela vontade inesperada de tê-lo ali, agora. Eu não entendia direito o porquê de repente eu precisava tanto tê-lo pra mim de novo, acontecera no momento no qual eu senti aqueles lábios macios mais uma vez contra os meus. Mas nunca antes esse desejo havia sido tão forte, tão urgente, tão desesperador. Não tocá-lo chegava me causar dor física.

Só que eu não estava sozinho nessa. A vontade refletida em meu rosto pareceu destruir o resto de controle que impedia Jongin de fazer o que aparentemente queria tanto quanto eu. Me vi novamente jogado contra a parede, e os lábios dele rapidamente se encaixaram nos meus, com a mesma fúria de antes. Aquela fúria que eu queria, aquela fúria da qual eu precisava. 

Suas mãos se embrenharam em meus cabelos, puxando-os sem delicadeza, enquanto as minhas encontraram o caminho de seus ombros em direção a sua barriga. Ouvi o gemido desesperado que Kai deu contra meus lábios ao sentir meus dedos percorrendo seu “caminho da felicidade” por baixo de sua blusa, e sorri, o beijando com mais força.

Ele partiu o beijo momentos depois, me olhando daquele jeito que fazia meu corpo inteiro se arrepiar.

- O carro tá aí? – Ele perguntou, simplesmente, com a voz tremendo um pouco. Assenti com a cabeça, já que não conseguia encontrar fôlego pra falar qualquer coisa, e tirei a chave de dentro do meu decote. É o lugar mais seguro do mundo. – Ótimo. Vem comigo. 

Ele arrancou a chave da minha mão e me puxou pelo braço com pressa, me fazendo quase tropeçar nos meus saltos ao segui-lo para fora da boate. Nem precisei dizer a ele onde estava o carro, já que Chany havia estacionado bem perto da entrada. Jongin apertou o botão pra destravar as portas e caminhou apressado para o lado do motorista, sem parar para abrir a porta pra mim como o de costume. Mas acho que não posso cobrar cavalheirismo dele, ainda mais nessa situação...

- Entra. – Disse ele, já no volante, com aquele tom impaciente. Despertei de minha breve crise de autismo e entrei no carro, sentindo minhas pernas vacilarem. Só de pensar qual era o motivo daquela pressa toda, eu tremia.

Assim que eu fechei a porta, Kim deu a partida, pisando no acelerador com um pouco mais de força do que o necessário e fazendo o carro praticamente voar. Ele dirigia a uma velocidade absurda, com os olhos fixos na estrada, o maxilar tenso e as mãos quase esmagando o volante. Sorri de lado ao observá-lo e, sutilmente, deslizei uma das minhas mãos para sua coxa, a apertando. O corpo inteiro de Jongin se enrijeceu no mesmo instante.

- Não faz isso! – Grunhiu ele, em tom autoritário, fechando os olhos e fazendo uma expressão que beirava a dor.

- Faço. Você não manda em mim... – Falei, daquele jeito implicante que eu sabia que ele gostava. Subi minha mão pela sua coxa devagar, chegando ao volume já evidente em suas calças e deslizando meus dedos por ali. – Já esqueceu o quanto eu sou desobediente? – Sorri provocante e desabotoei um botão da calça dele. O tal lutava para manter os olhos abertos e fixos na estrada.

- Não tem problema. – Disse ele, respirando fundo e ainda esmagando o volante. – Eu faço você me obedecer quando nós chegarmos.

Me arrepiei inteiro depois dessa, e ele percebeu, já que aquele sorrisinho safado e cruel repuxou os cantos de seus lábios. Sorriso esse que eu fiz questão de arrancar ao descer o zíper de sua calça devagar.

- Kyungnie... – Disse Kai, em tom de aviso. Ignorei, acariciando-o por cima da boxer vermelha que ele usava. Ri baixo ao vê-lo jogar a cabeça pra trás e gemer um pouco, antes de lembrar que estava dirigindo e voltar sua atenção imediatamente à rua.

Não consegui resistir. Deixei que minha mão deslizasse para dentro da boxer dele, o masturbando devagar.

Jongin quase perdeu o controle do carro. Ele mordeu os próprios lábios, soltando o ar com força e tentando manter o autocontrole. Acelerei os movimentos, assistindo o rosto dele se contorcer em uma expressão de prazer.

- Para idiota! – Pediu ele, meio desesperado – Eu tô tentando dirigir... Não, não faz... Isso, continua assim... – Jongin parecia dividido entre me parar e me incentivar. Ele desceu uma mão do volante até a minha, com a visível intenção de parar o que eu fazia, mas hesitou, sem coragem. Acariciou minha mão de leve antes de soltar um suspiro derrotado e começar a guiar meus movimentos.

Tirei minha mão debaixo da dele alguns segundos depois, por dois motivos. Primeiro, eu não queria acabar com tudo tão rápido, e segundo, eu estava ficando com medo dele dirigindo com apenas uma mão e naquele estado.

Kai gemeu frustrado ao sentir a perda do contato, me olhando com o canto dos olhos, com aquela cara de cachorrinho sem dono que me dava pena.

- Olho na estrada, Kim. Quando a gente chegar eu penso se resolvo seu...Probleminha aí embaixo. – Falei, rindo, e ele bufou, voltando a olhar a estrada com cara de raiva.

É, acho que o ódio que ele tá sentindo de mim triplicou agora.

Chegamos em casa em dois minutos, graças à direção lunática de Kai. Ele estacionou de qualquer jeito, praticamente arrancou o cinto de segurança e se inclinou na minha direção, me beijando com uma vontade assustadora.

- Tanto trabalho pra chegar aqui... E a gente vai transar no carro, Kim? – Perguntei, rindo um pouco, quando ele desgrudou os lábios dos meus e passou a devorar meu pescoço. Meu corpo estava meio deitado sobre o banco, com o dele por cima.

- Você acha que eu tô me importando com o lugar? – Resmungou ele, subindo uma das mãos pelas minhas pernas e tentando puxar minha calça pra baixo. O impedi, ao mesmo tempo em que tirava a chave de casa do bolso de trás dele e escorregava para fora do carro, meio desajeitado e quase tropeçando nos meus próprios pés. Kim me olhou de dentro do carro com uma expressão puta e confusa, e eu apenas sorri, da forma mais safada que podia.

- Mas eu me importo. – Eu disse, correndo em seguida em direção a porta da casa, sem me importar com o salto alto ou minhas pernas meio bambas.

Vi Jongin resmungar e ajeitar a calça de qualquer jeito, antes de se levantar e correr atrás de mim. Não preciso nem dizer que ele me alcançou facilmente. Tentei me concentrar em destrancar a porta de casa, mas isso era difícil com o tal atrás de mim, apertando minha cintura e chupando meu pescoço. 

Consegui finalmente acertar a chave na fechadura, e nós entramos cambaleando pela sala, sem nos desgrudarmos por um segundo que fosse. Jongin me empurrou contra algumas almofadas que estavam jogadas pelo chão, próximas a mesa, e se deitou sobre mim em seguida. Eu sorri ao assimilar o fato de que estávamos no chão. Não que eu tivesse alguma esperança de chegar no quarto no ritmo em que nós estávamos, mas eu pensei que pelo menos conseguiríamos chegar ao sofá.

Kim chutou os tênis e as meias pra longe de qualquer jeito, enquanto eu lutava pra abrir o cadarço de meu próprio sapato. Nossos lábios não se descolavam, e eu descia minhas unhas com força por suas costas com a outra mão, por debaixo de sua camisa, o fazendo gemer de dor e prazer. As mãos de Jongin passaram a tentar em vão puxar minha camisa para cima, mas era meio que apertada, ele não ia conseguir.

Arranquei os sapatos no mesmo momento em que Jongin teve a brilhante idéia de rasgar o tecido da camisa, coisa que ele fez meio violentamente.

Cada centímetro que ele expunha da minha pele era imediatamente coberto por beijos meio famintos.

Fechei os olhos, absorvida demais no momento para reparar que Jongin subiu minha blusa por meus braços, que eu erguera para ajudá-lo, só até a altura de meus pulsos.

Tirou a fita de couro que estava amarrada em meu pulso. Estranhei quando ele voltou a descer as mãos por meu corpo, tentei abaixar os braços. Não consegui. Tentei de novo e finalmente constatei o óbvio.

O maldito havia me amarrado.

Ele prendera meus pulsos no pé de uma das cadeiras com aquele pedaço. Tentei me soltar, mas o desgraçado tinha dado várias voltas e nós com a fita de couro. Ele riu dos meus esforços pra me libertar e continuou a trilha de beijos que fazia de meu pescoço até minha barriga.

- Me solta, Jongin! – Mandei, sem o menor traço de brincadeira na voz. – Eu tô falando sério, não é hora pra ficar me torturando!

- Até parece que eu vou ter controle o suficiente pra torturar alguém no estado em que eu tô. – Disse ele, arrancando a própria camisa com pressa e se deitando de novo sobre mim, com aquele físico absurdamente gostoso. – Só acho excitante ter você tão vulnerável pra mim. – Ele completou, sussurrando no meu ouvido.

- E o que você vai fazer comigo? – Perguntei, entrando na brincadeira. Aquilo estava cada vez melhor.

Ele olhou nos meus olhos por alguns segundos, e eu pude sentir os dele escurecerem à medida que as coisas que ele desejava fazer comigo cruzavam sua mente. Jongin apenas deu uma espécie de grunhido e voltou a me beijar, subindo uma mão pro meu peito enquanto a outra deslizava para baixo da minha saia, subindo por minha coxa. Aquela era a melhor resposta que ele conseguiria me dar.

Gemi com força ao senti-lo começar a me estimular com dois dedos à beira de minha entrada, enquanto meus gemidos começavam a ficar mais fortes. Sua boca desceu em direção aos meus mamilos, ao mesmo tempo em que ele aumentava a velocidade dos dedos em mim.

Eu precisava urgentemente tocá-lo. Precisava espalmar minhas mãos por aquelas costas definidas e o puxar mais para mim, porém com as mãos presas aquilo era impossível. Não tocá-lo era torturante, e por um momento eu me perguntei porque ele estava fazendo isso comigo.

Foi então que eu lembrei.

Pra Jongin, aquilo não era uma transa normal. Era uma vingança.

Mas não dá pra dizer que eu não estava gostando. Não dava para decidir se eu queria ser solto ou se preferia continuar preso. Eu queria tocá-lo, mas a tortura era estranhamente boa... E o jeito como o Kim parecia estar gostando de me manter amarrado só me deixava mais enlouquecido. Parte do meu prazer era o prazer dele, sempre fora assim.

- Se é pra me deixar preso, - Comecei, com a voz falha – Pelo menos vai logo com isso. Eu quero você, seu imbecil. Eu preciso de você logo, ou eu acho que vou explodir.

Ele parou o que estava fazendo para me olhar com aqueles olhos transbordando malícia. Seu rosto continha uma expressão clara de tesão, que parecia ter aumentado com as minhas palavras. Sem dizer mais nada, Jongin levantou minhas pernas e tirou minha cueca que ainda permanecia colada ao meu corpo. Em seguida, abriu rapidamente a calça, com as mãos trêmulas e o olhar fixo no meu. Abaixou-a junto com a boxer e me penetrou imediatamente, com tanta força que me fez gritar ao invés de gemer.

E ele não parou. Continuou investindo contra mim com força, gemendo e literalmente urrando tanto quanto eu a cada movimento. Eu não conseguia formar pensamentos coerentes no momento, só o que ocupava minha cabeça era o prazer quase inacreditável que eu sentia. Nunca havia imaginado que algo tão bruto pudesse ser tão bom. 

Quando eu achava que já não seria possível aumentar a intensidade das investidas, ele fez exatamente isso. Por um momento cheguei a achar que ia desmaiar, era demais para mim. O ritmo louco dos movimentos, o fato de não poder tocá-lo, a voz dele sussurrando em meu ouvido frases impublicáveis entre os gemidos fortes... Não pude controlar o pedido desesperado por “mais” que escapou de meus lábios. Jongin afastou o corpo do meu, ficando apoiado nos braços esticados dos dois lados da minha cabeça.

- Mais? – Perguntou ele, com um sorriso cruel. Fiz que sim com a cabeça e na mesma hora percebi a besteira que havia feito, já que o sorriso de Kai aumentou.

Ele começou a fazer movimentos lentos, sem parar de me olhar. Fechei os olhos, mal acreditando que ele ia realmente me torturar daquele jeito. Esperei que ele não resistisse muito tempo naquele ritmo, mas aparentemente seu prazer em me deixar louco era ainda mais forte do que sua vontade de ir mais rápido.

Senti meus olhos se enchendo de lágrimas. É, eu estava quase chorando, tão forte era meu desespero pelos movimentos fortes de novo. Parecia ridícula a necessidade que eu tinha daquilo, mas eu não conseguia me controlar.

- Jongin, por favor... – Pedi, com os olhos lacrimejando um pouco. Ele me olhou visivelmente espantado por um milésimo de segundo, antes de entender. Seu olhar escureceu mais ainda de desejo e ele investiu uma vez contra mim, com força, me fazendo morder os lábios pra não berrar de prazer. Ver minha reação o fez entender o quão séria estava a situação pra mim, e ele investiu de novo, mais forte. Gemi de aprovação e ele jogou a cabeça pra trás, gemendo baixo.

- Você vai me matar, garoto... – Disse Kai, voltando ao ritmo intenso de antes.

Não demorou muito para eu perceber na expressão dele que seu orgasmo não demoraria a chegar. Tive um breve acesso de pânico. E se ele resolvesse me deixar – literalmente – na mão? Ele estava com raiva de mim, não estava? Não tinha obrigação nenhuma de se preocupar com o meu prazer.

Mas esses pensamentos idiotas sumiram no momento em que ele segurou forte a minha cintura e intensificou o ritmo, me olhando com cara de quem tentava ao máximo se controlar.

- Assim tá bom? – Ele me perguntou, com a voz trêmula, e eu assenti com a cabeça, sorrindo. Eu era burra de pensar uma coisa daquelas dele. Era o Jongin, ele me ajudaria a chegar lá antes, como sempre fazia.

Ele continuou, e eu comecei a sentir que meu orgasmo também não demoraria.

- Kyunie, eu não vou agüentar muito mais... – Kim avisou, em tom desesperado, e uma pequena parte do meu cérebro, que não estava totalmente dominada pelas sensações, registrou o fato de ele ter voltado a me chamar de “Kyunie”. Ele se moveu mais uma vez e eu gozei, de uma forma tão intensa que eu nem pensava ser possível. No mesmo momento, Kai parou de se segurar, dando um gemido rouco no meu ouvido e deixando o corpo desabar sobre o meu, me esmagando um pouco, mas de um jeito bom.

Me sentia exausto como nunca antes na minha vida, e ao mesmo tempo extremamente relaxado. Comecei a sentir um sono irresistível, e olhei pra ele sorrindo meio abobalhada antes de apagar totalmente.

Jongin POV

Senti todos os meus músculos se contraírem e relaxarem em seguida, me dando uma sensação de calma e satisfação. Nem me preocupei em sair de dentro dele, já que tinha certeza que Kyunie havia apagado pelo sono. Um sorriso provavelmente bem idiota surgiu no meu rosto enquanto eu olhava-o, que também sorria bobo. Ele fechou os olhos em seguida, e sua respiração se acalmou, me fazendo sorrir. Dormiu, e eu não podia culpá-lo. Também me sentia totalmente acabado.

Desamarrei os braços dele e o puxei mais pra mim. Sorriu no sono e se aninhou em meus braços, como sempre fazia. Já nem me lembrava o porque de estar bravo com ele. Mas não quero lembrar naquela hora. Ficar agarradinho com a Kyungsoo é tão melhor do que brigar... Certo, isso foi bem mais gay do que o normal.

Ajeitei um travesseiro atrás da minha cabeça e me deixei dormir ali mesmo, com meu garoto mal nos meus braços.

Acordei algumas horas depois, graças a um carro que passara com caixa de som extremamente alta pela rua. Me movi sem querer, acordando Kyung. Ele abriu os olhos devagar e me encarou, sorrindo.

- Oi. – Disse Kyunie, mordendo os lábios e me dando um sorriso envergonhado. Nessas horas eu tenho vontade de apertar essa criatura por ser tão fofo!

- Oi, coisa linda. – Respondi, praticamente babando, fazendo ele corar.

- Que horas são? – Kyungsoo perguntou, coçando os olhos.

- Quatro e meia da manhã. – Respondi, conferindo o relógio. – A gente pode dormir mais um pouco.

- Tudo bem. Mas no quarto. E eu quero tomar um banho antes. – Dizendo isso, Kyunie se sentou. Fez imediatamente uma careta de dor que me deixou preocupado.

- Que foi? – Perguntei, assustado. Ele me olhou e... Começou a rir. Muito.

Esperei o acesso de riso passar, mas não passou. Comecei a ficar impaciente.

- Kyungsoo, o que foi?

- Ahn... Eu vou precisar de ajuda pra tomar banho. – Disse ela, rindo mais ainda.

- Por quê? – Ele estava me confundido.

- Porque eu acho que não vou conseguir andar. – Respondeu, sorrindo culpado e mordendo os lábios.

- Por que não...? – Comecei a perguntar, mas parei imediatamente quando Kyungsoo me olhou significativamente.

Oh. Entendi...

- Espera aí! – Perguntei, apavorado – Quer dizer que você... Que tá doendo porque... Que eu... – Não dava pra completar essa pergunta, mas ele entendeu, e assentiu, ainda rindo. Rindo. Ele tá louco?!

- Que foi, Jongin? – Perguntou ele, ao perceber minha cara de pânico.

- Como assim “que foi”? Cacete, eu sou um merda! – Eu disse, escondendo meu rosto entre as mãos.

- Jongin...

- Caralho! Eu não presto mesmo! – Eu tinha vontade de me chutar – Como é que eu faço uma coisa dessas com você?

- Que foi, homem? – perguntou ele, assustado.

- Foi que eu machuquei você! – Eu disse, o abraçando imediatamente – Desculpa, amor... Ou melhor, não me desculpa não! Eu sou um idiota, eu... Eu devia ter me controlado melhor, mas eu tava com tanta raiva... Nem pensei que talvez estivesse te machucando. E você ficava ali, pedindo mais, e chorou quando eu parei... Porra, Kyunie, você sabe que eu não resisto a lágrimas!

- Jongin, tá tudo bem... – Ele parecia confuso.

- Não tá não, eu devia ter controlado melhor essa vontade. Mas você pediu mais, eu fiquei louco! Mas a culpa não é sua, é minha. Eu que sou um merda, e...

- PARA! – Ela gritou, rindo – Me escuta. Não tá doendo tanto assim! E eu gostei.

- Gostou? – Certo, eu vi que ele estava gostando na hora, mas agora?

- É. – Ele olhou pro chão, sorrindo abobalhado. – Tanto que, como você disse, eu pedi. Foi bom, você descontrolado daquele jeito... – Agora ele estava vermelho. – E não tá doendo de verdade, é só uma dorzinha... Boa. 

- Nem vem, Kyunie, desde quando dor é boa? – Perguntei, e ele me deu aquele olhar significativo de novo. Na mesma hora lembrei das unhas dele em minhas costas.

Então algumas dores são boas. Mas é impossível essa ser uma delas!

Abri a boca pra falar algo, mas ela me interrompeu:

- Shh, num fala nada. – Colocou um dedo na minha boca, selando meus lábios. – Você não me machucou, pelo menos não de um jeito que eu não queria. – Tentei interrompê-lo, mas ele não deixou. – E é o tipo de coisa que eu vou querer repetir.

- Você acha que eu vou fazer isso de novo? – Perguntei, incrédulo. – Não mesmo, a partir de hoje você é minha bonequinha de porcelana!

- Se eu te provocar de novo você faz. – Ele disse, simplesmente. E o pior é que ele tá certo. Eu sou um canalha a esse ponto.

- Kyunie, eu não quero te...

- Você não vai. E eu vou querer de novo... Ah, vai dizer que não foi bom?

Foi. Bom demais, esse é o problema. Cair na tentação e agarrá-la desse jeito de novo vai ser fácil demais. Principalmente porque esse projeto de masoquista sabe me provocar como ninguém.

- Agora desmancha esse bico! – Disse ela, sorrindo e me dando um selinho. Catou minha camisa, que estava jogada ali perto, e a vestiu. – E me leva no colo até o banheiro!

- É o mínimo que eu posso fazer, né? – Falei, ainda emburrado. Vesti minha boxer e peguei-o no colo, carregando Kyunie pelas escadas em direção à suíte, como se ele fosse feito de vidro. Eu ainda estava me sentindo culpado. Tudo bem que ele gostou daquilo, mas podia não ter gostado. Eu podia ter machucado a coisinha mais perfeita do universo.

Coloquei Kyungsoo no chão com cuidado ao chegarmos no banheiro do quarto, fazendo-o rir. Eu ainda não entendi o que ele vê de tão engraçado nessa história toda, mas é melhor não discutir. Sempre soube que tinha um parafuso a menos naquela cabecinha linda.

- Toma seu banho que eu vou ver se tem algo pra comer na cozinha. – Falei, ajeitando seus cabelos pra trás e lhe dando um selinho. Me virei de costas pra sair do banheiro, mas ele me impediu, abraçando-me por trás.

- Não me deixa sozinho, toma banho comigo... – Pediu, com aquele tom de voz irresistível, ficando na ponta dos pés pra encostar a cabeça em meu ombro.

- Não sei se é uma boa idéia... – Avisei, me virando de frente para ele e abraçando sua cintura. Kyunie colocou os braços em volta do meu pescoço e fez biquinho.

- Mas... E se eu escorregar no banheiro e me machucar? Você tem que cuidar de mim, lembra...? – Disse ele, me olhando daquele jeito pidão e tentando controlar o sorrisinho que brincava em seus lábios.

Ah, eu conhecia aquele sorriso. Kyungsoo só sorria desse jeito quando estava com segundas, terceiras, quartas intenções. Deus, como ele consegue pensar em sexo quando teoricamente devia estar querendo se recuperar? Ok, Kyunie não é mais o único pensando em sexo ali. Mas a culpa não é minha se ele fica sexy desse jeito quando morde o lábio inferior e me olha daquele jeito... Mas, não! Eu posso até tomar banho com ele, mas não vou fazer nada. Posso machucá-lo mais ainda, será que a Kyunie não entende?

Deixei que ele me puxasse para dentro do chuveiro querendo bater em mim mesmo. Porra, alguém me explica como ele me domina dessa maneira? Olha a idade dele, olha a minha. Olha o tamanho dele, olha o meu. Como eu deixo uma coisinha desse tamanho mandar e desmandar em mim? Você é uma decepção mesmo, Kim Jongin.

Kyunie ligou o chuveiro, ficando embaixo da água, ainda usando minha camisa. Detalhe: a camisa era branca. Puta que pariu, por que eu preciso lidar com tamanha tentação, meu Deus? Eu tento cuidar dele, mas o mesmo não deixa! Precisa ficar me provocando desse jeito?

Fiquei ali, parado, com os olhos vidrados no corpo dele, tentando convencer a mim mesmo de que não era uma boa idéia avançar na meu namorado agora. Kyunie sorriu e veio devagar na minha direção. Dei um passo pra trás, encontrando a parede do box. Ele parou na minha frente, colocando as mãos em meus ombros e começando a distribuir beijos de leve por ali. Pedi que ele parasse, entre gemidos, sem um pingo de convicção. Kyungsoo apenas riu perto do meu ouvido e desceu a mão pelo meu tórax, chegando a barra da minha boxer e descendo ela devagar, enquanto subia a trilha de beijos em direção a minha orelha. A orelha não, tudo menos isso, eu não agüento... Como se adivinhasse meus pensamentos, ele mordeu de leve o lóbulo, me fazendo tremer inteiro.

- Para de resistir, você sabe que não consegue... – Disse ele, agora beijando do meu peito até minha barriga. Kyunie se ajoelhou no chão molhado e eu suspirei, já sabendo o que vinha em seguida.

Começou apenas beijando minha ereção de leve, fazendo com que meus pelos da nuca se eriçassem. Ele prosseguiu, começando a chupar devagar e me fazendo segurar na parede para não cair, já que minhas pernas vacilaram. Acariciei seus cabelos como uma forma inconsciente de agradecimento, enquanto ele continuava os movimentos lentos.

Kyunie parou logo depois, me fazendo gemer em protesto. Levantou-se e encostou-se na parede de frente para mim, embaixo do chuveiro, fazendo a carinha mais safada do planeta. Dobrou uma das pernas de forma que seu pé também se encostasse à parede e me chamou com o dedo. Eu fui, me sentindo um idiota por ser tão cachorrinho dele. Mas não daria pra parar agora, Deus. Eu sou homem e a carne é muito fraca. 

Puxei a blusa que ele usava para cima e joguei-o longe, erguendo Kyunie nos meus braços em seguida e o beijando. Ele colocou as pernas ao redor do meu quadril e apoiou os braços nos meus ombros, esperando que eu continuasse.

O penetrei devagar, prestando atenção em seu rosto. Eu pararia ao menor sinal de dor que encontrasse ali, mas não vi nenhum. Kyunie apenas sorriu e mordeu os lábios de novo, de olhos fechados. Comecei movimentos bem lentos, provocando um gemido contrariado da parte dele. Ignorei, continuando no mesmo ritmo. Já que eu havia me rendido a esse ponto, pelo menos seria como eu queria. E no momento, o que eu queria era não machucá-lo de novo, coisa que com certeza aconteceria se eu fosse mais bruto agora. Isso nem Kyunie poderia negar.

O problema é que aquilo era tão torturante pra mim quanto era pra ele, e Kyungsoo não estava ajudando com seus pedidos desesperados para eu ir mais rápido. Suspirei e acelerei um pouco, observando a reação de Kyunie. Ele gemeu um pouquinho mais forte, mas em sinal de prazer, então eu continuei. Estabeleci um ritmo agora não tão lento, porém cuidadoso, carinhoso, não torturante como antes. Sorriu um pouco em aprovação e encostou a testa na minha, com as duas mãos na minha nuca. Fechei os olhos e me deixei levar pelo clima intenso e intoxicante que nos dominava. Aquilo não era mais apenas físico, tinha algo mais ali. Meu coração batia junto com o dele, minha respiração se misturava com a de Kyungsoo e mais uma vez eu tive certeza do quanto eu amava aquele garoto. 

Gozamos juntos algum tempo depois, ambos respirando com dificuldade. Abri finalmente os olhos apenas para encontrar Kyungsoo olhando pra mim com aquela carinha boba de apaixonado. Sorri largamente e o beijei, colocando-o novamente no chão.

- Então, - Comecei a dizer, quando recuperei meu fôlego. – Sexo com carinho ao invés de raiva é tão ruim assim? – Perguntei, brincando.

- Claro que não é ruim, bobo. – Ele riu, me beijando de novo. – Com você seria impossível ser ruim. Foi bom... Tanto quanto antes, só que de jeitos diferentes. Mais um que eu quero repetir.

- Desse jeito fica difícil descobrir qual seu favorito, mocinho. – Brinquei, colocando o dedo na ponta de seu nariz.

- Todos! – Ele riu, me fazendo rir junto. – Eu gosto de variedade, assim a gente não cai na rotina...

- Como se fosse possível cair na rotina morando com você! – Revirei os olhos, e ele riu de novo.

- Eu gosto de ser imprevisível, algum problema? – Disse ele, pegando um sabonete e começando a ensaboar minhas costas.

- Nenhum. – Sorri, afastando o cabelo de sua testa e o beijando de novo.

Ficamos brincando de dar banho um no outro enquanto trocávamos alguns beijos por mais tempo, só parando quando nossos dedos já estavam enrugados. Enrolei Kyunie em uma toalha e o peguei no colo outra vez, saindo do banheiro e carregando-o até a cama, onde o deixei. Não sei com que milagre Kyungsoo não reclamou de eu deitá-lo totalmente encharcado na cama. Ele sempre implicava quando eu largava minha toalha molhada ali depois do banho...

- Tá com fome? – Perguntei, e o estômago dele roncou em resposta, me fazendo rir. – Vou pegar algo pra gente comer, não sai daí. – Dei um selinho nele e me levantei da cama.

- Sim, senhor. – Disse ele, sorrindo meigo. Saí do quarto com um sorriso totalmente abobalhado e desci correndo as escadas.

A geladeira e a despensa estavam quase totalmente vazias. Eu nem tinha me tocado que estava quase zerado de comida em casa. Isso que dá ficar sem namorado, tudo fica desorganizado. Mas como alguém esperava que eu me lembrasse de comprar comida? Era sempre a Kyunie que insistia pra gente ir ao supermercado. Pra mim a comida surgia magicamente na despensa e pronto.

Peguei a tigela de brigadeiro que eu e Chanyeol fizemos ontem à noite, já que era a única coisa comível naquela cozinha, coloquei numa bandeja e peguei duas colheres. Sim, eu e o Chany ficamos fazendo brigadeiro e vendo TV juntos ontem, que nem duas bichas. Culpa de Kyungsoo e da Baekhyun que nos viciaram em sobremesas japonesas. 

Subi de novo as escadas, já com saudade da Kyunie. A coisa mais comível da cozinha podia ser o brigadeiro, mais a do planeta estava nesse momento me esperando no quarto. Certo, se Kyungsoo ouvisse isso ia me chamar de tarado.

Abri a porta, sorrindo um pouco culpado para Kyunie. 

- Ahn... Eu não fiz compras, então a cozinha estava vazia. Só tinha brigadeiro. – Coloquei a bandeja sobre a cama e cocei a nuca, meio sem jeito. 

- Eu imaginei. – Kyungsoo riu e pegou uma colher, começando a comer. Me sentei de frente para ele e peguei a outra. Nós ficamos em silêncio por alguns segundos, mas não era um silêncio desconfortável. Mesmo assim, eu precisava quebrá-lo.

- Kyunie... A gente precisa conversar, né? 

- Hum... A gente ainda tá brigado? – Ele perguntou, me olhando com um pouco de medo e parando de devorar o brigadeiro.

- Não. Esse é o problema, a gente ficou bem de novo, mas não resolvemos os motivos da briga. – Eu não queria voltar naquele assunto (que eu finalmente havia lembrado). Mas se a gente só deixasse aquilo passar, ia acabar voltando pra atrapalhar nossa vida no futuro. Geralmente é Kyunie que pede pra discutir a relação, e não eu. Mas quero resolver isso de uma vez por todas pra poder seguir em frente.

- Achei que o que a gente fez hoje mais cedo fosse uma reconciliação. – Disse ele, sorrindo provocante. Revirei os olhos, rindo.

- Aquilo serviu pra nos acalmar antes da conversa, mocinho. Gastar a raiva. – Ele riu, e eu ri junto. – Um hábito que eu acho que vamos manter. Mas no momento a gente precisa conversar sério.

- Certo... Vamos conversar então. – Ele disse, sem me encarar, pegando mais uma colherada de brigadeiro. Esperei que ele dissesse mais alguma coisa, mas Kyungsoo continuou calado. Passaram-se cerca de dois minutos até eu finalmente juntar coragem o suficiente pra começar.

- Doeu ver você dançando com eles daquele jeito. – Suspirei.

- Doeu chegar lá e encontrar você com aqueles idiotas. – Ele rebateu, com voz fraca. Me senti instantaneamente culpado.

- Doía quando você não atendia minhas ligações. – Olhei pra ele, com o coração apertado. Só de lembrar o desespero que me deu esses dias todos...

- Doía saber que você não entendia o que tinha feito de errado. – Ele me encarou também, com os olhos tristes.

- Mas o que mais doeu foi você ter ido embora. – Falei, tentando não chorar. Homens não choram, Kim! Ou era nisso que eu tentava acreditar.

- O que mais doeu... Foi você não ter me impedido. – Vi as lágrimas se formarem nos olhos de Kyunie e o puxei pra mim, o abraçando forte. Ele me abraçou também, enterrando o rosto no meu peito.

- Desculpa. – Eu pedi, beijando o topo da cabeça dele e acariciando seus cabelos. Uma ou outra lágrima insistia em descer pelo meu rosto.

- Você não tem que se desculpar, eu tenho. – Disse ele, com a voz abafada – Quem mais errou nessa história toda fui eu.

- Eu tentei jogar os garotos da boate na sua cara...

- E olha o que eu fiz pra me vingar? – Kyunie se afastou, dando um sorriso sem humor. – Mas é que eu cheguei lá tão disposto a fazer as pazes com você, e encontrei aquilo... Você sabe que eu não me controlo quando tô com raiva... Estava me sentindo tão mal pelo que o Sehun me contou, e foi um choque ver aquela cena...

- Por falar em Sehun, - Eu disse, me lembrando de repente. – Tenho que ter uma conversinha com o Oh depois. Com um amigo como aquele, não sei quem precisa de inimigo! – Cruzei os braços, meio irritado, e Kyunie levou as mãos ao meu rosto, me fazendo olhá-lo.

- Você não vai brigar com o Sehun! – Disse ele, sério – Ele não tem culpa de nada. Se não fosse por ele, eu não teria pensado nas burradas que estava fazendo e não estaria aqui com você agora. E quanto ao que aconteceu na boate... – Ele mordeu os lábios, envergonhado. – Fui eu que pedi. Sehun só quis me ajudar, ele também achou que você estava errado. 

- Vai dizer que acha que ele não se aproveitou nem um pouquinho da situação? – Reclamei.

- O Sehun é o Sehun, amor. – Disse Kyungsoo, agora rindo. – Ele é tarado mesmo, mas não faz por mal. Ele num tem muita noção do que é ou não exagero, mas você sabe que ele é uma das pessoas que mais torcem por nós dois. Se não fosse, não teria vindo me contar como você estava e não teria me aconselhado a te procurar.

- Certo, certo. – Suspirei. Sabia que ele estava certa, o Oh era só uma criança que cresceu demais. Era acima de tudo meu amigo, e eu sei que queria o melhor pra mim e pra Kyunie. – Mas o Jay me paga!

- O Jay é um caso à parte. – Disse ele, rindo. – Mas não vamos falar disso agora não...

- Tá certo. – Eu disse, sorrindo. Deixa o Park pra lá, depois eu me acerto com ele.

- Mas... Você me desculpa por tudo isso? Porque eu já te desculpei. – Disse ele, sorrindo fraco.

- Já perdoei você há muito tempo, bobinho. – Beijei a ponta do nariz dele. – Só me promete que nunca mais vai fazer aquilo. – Pedi, me referindo ao showzinho que ele dera mais cedo.

- Prometo, se você prometer que não vai mais me provocar daquele jeito. – Pediu ele, colocando os braços em volta do meu pescoço.

- Eu prometo, se você prometer nunca mais brigar comigo. – Sorri, enrolando uma mecha pequena de seus cabelos curtos entre meus dedos.

- Isso eu num posso prometer! – Ele disse, sorrindo. – Não tem jeito, amor, a gente ainda vai brigar muito. Não tem como evitar, todo mundo briga, mesmo dois malucos que se amam tanto, como nós dois. – Kyunie roçou o nariz no meu e encostou nossas testas. – Acho que não brigar seria até chato... Mas eu posso prometer sempre voltar pra você depois de cada briga.

- Certo, é o suficiente. – Sorri, abraçando sua cintura e beijando-o de novo.

- E eu posso prometer também. – Disse ele, parando o beijo e me dando um selinho. – Que a gente vai sempre resolver nossas brigas como a gente fez lá na sala. – Kyunie concluiu, me fazendo rir.

- Você não tem jeito mesmo, né? – Balancei a cabeça e ele sorriu. – Mas agora vamos dormir que eu tô acabado! – Me joguei na cama e Kyunie riu alto, deitando do meu lado. Coloquei a tigela já vazia na mesa de cabeceira, com preguiça demais de levar de volta pra cozinha, e puxei Kyunie pra mais perto de mim. Tirei a toalha na qual ele ainda estava enrolado e joguei na poltrona, que ficava no canto do quarto. Não queria nenhum pedaço de pano entre mim e meu Kyungsoo. Puxei o cobertor pra nos cobrir e Kyunie se aninhou no meu peito pela segunda vez naquela noite.

- Boa noite, amor. – Eu disse, quase babando.

- Boa noite meu bem. – Ele respondeu, com voz de sono.

Passaram-se alguns segundos antes de eu chamá-lo de novo.

- Kyunie?

- Que foi? – Ele perguntou, com voz tranqüila. 

- Eu te amo. – Cheguei a boca perto de seu ouvido e sussurrei.

Ele sorriu largamente e sussurrou em resposta, logo antes de adormecer:

- Também te amo, Kim.


Notas Finais


~Obrigado por lerem, desculpe qualquer erro e o tamanho do capítulo! Sarangho muito vocês meus leitores ^^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...