História Reconstrução - Capítulo 24


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Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Inochi Yamanaka, Inojin Yamanaka, Naruto Uzumaki, Shikadai Nara, Shikamaru Nara, Temari
Tags Gaaino, Gaara, Ino, Naruhina, Shikatema
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Palavras 2.676
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Maju, esse capítulo é pra você :) <3

Capítulo 24 - Natural


O burburinho da união de diversas vozes ao seu redor era algo que constantemente deixava o quieto Sabaku Gaara desconfortável. Em diversas situações, as palmas de suas mãos suaram, e um suor gelado escorria por suas têmporas e nuca, mantendo o cérebro em constante alerta.

Naquele dia; porém, quando olhou para os lados, sentiu-se secretamente entre amigos. Ino permanecia à sua esquerda, seus olhos azuis mantinham-se grudados no palco montado logo à frente. O sorriso que estampava seu rosto, e que estendia-se ao brilho dos olhos, era simplesmente encantador, fazia com que o coração do advogado batesse de maneira estranhamente calma. De seu outro lado, Temari e Shikamaru prestavam igual atenção, cada um com sua própria expressão de comoção.

Gaara voltou-se novamente para frente, bem em tempo de fotografar com a memória a imagem de Inojin sorrindo feliz. Como sua mãe, o sorriso do menino transbordava pelos olhos, levando, novamente, ao coração do advogado aquela paz indescritível. O Sabaku nunca esteve em um momento como aquele, e não pensou que um dia estivesse. O dia dos pais era sempre doloroso para si, preferia manter-se afastado daquelas atividades quando ainda estava na escola. Contudo, naquele dia, não conseguia recordar a dor que costumava sentir em datas como aquela.

— Eles estão tão lindos! — Ino exclamou baixinho, comentando com a mãe de um dos coleguinhas de Inojin. A outra mulher, que aparentava ser alguns anos mais velhas que a loira, concordou com um aceno de cabeça e um sorriso largo.

O Sabaku não conseguiu evitar de deixar um riso curto escapar, aquelas mães estavam todas reagindo exatamente da mesma forma. Estava sinceramente intrigado, parecia que elas vinham já com um programa instalado.

Ele voltou a prestar mais atenção na peça escolar, desenvolvida especificamente para aquele dia dos pais. Inojin e Shikadai estavam participando junto com seus colegas de classe mais as crianças de uma série acima. O pequeno Yamanaka, com toda sua desenvoltura, atuava muito bem como um pequeno, e quase imóvel, girassol, enquanto seu sobrinho fazia também parte do cenário como uma adormecida pedra. Temari não parava de fazer comentários sobre o quanto Shikadai era o melhor ator, afinal não havia outros aspectos do cenário tão imóveis quanto aquela rocha.

Passados alguns minutos e o final da peça, que encerrava as apresentações dos dias dos Pais, as pessoas passaram a movimentarem-se, cada um procurando por seu pequeno raio de sol. Ainda repleto de um punhado de sensações inexplicáveis, Gaara permaneceu parado, os olhos claros fixos na interação de seu sobrinho com aquele que seu coração parecia ter escolhido. Ele não entendia muito sobre paternidade, mas algo tão natural e instintivo como o amor que crescia dentro de si não poderia ser tão diferente assim.

— Gaara?

O ruivo piscou e olhou para o lado, onde Ino mantinha-se em pé.

— Oi.

— Você deveria sorrir assim mais vezes. — Ela observou, pegando indiscretamente em sua mão e entrelaçando seus dedos. — Vamos lá para tirarmos uma foto juntos! — E saiu o arrastando, não o dando tempo para responder qualquer coisa.

A voz de Ino soava ainda em sua mente, no comentário sobre o sorriso. Ele deu-se conta do ato e tentou, de todas as formas, pará-lo. Não gostava de sorrir muito, afinal sempre foi conhecido por ser o sério Sabaku Gaara, o menino que não tinha amigos, não tinha família e muito menos motivos para sorrir.

Gaara sorriu ainda mais, sentindo-se emocionar. Estava feliz e, por mais que isso quebrasse o padrão de uma vida inteira, estavam também aceitando a felicidade.

— Tio Gaara! — Inojin falava alto, deixando sua voz sobrepor-se às outras. Ele balançava freneticamente o braço para cima, a fim de chamar a atenção do ruivo. — Vem cá, vem cá! Vamos tirar uma foto!

— E aí, artista — cumprimentou-o enquanto abaixava-se ligeiramente para pegar a criança do colo.

— Você gostou da peça? — O menino perguntou com os olhos brilhando, abraçando o tio emprestado pelo pescoço.

— Nunca vi girassol igual a você! — Respondeu sincero, fazendo a criança sorrir ainda mais.

— Vem, vamos tirar uma foto! — Ele insistiu, pegando na mão de Gaara e o arrastando para a fila de pais e crianças, que eram fotografados pelas professoras da escola. Inojin estava empolgado, e o ruivo sentia-se pleno por ver toda aquela felicidade transbordando pelos olhos e sorrisos do pequeno Yamanaka.

Eles entraram na fila, logo atrás de Shikadai e Shikamaru, que bocejavam ao mesmo tempo. As crianças engataram imediatamente em uma conversa, com o loiro observando com o amigo o fato de ser o primeiro dia dos pais que não precisava tomar o tio Nara emprestado.

Fotos tiradas, eles — incluindo Sasuke e Sarada, que encontraram também pela fila — voltaram a se reunir com as mães, que aguardavam pacientemente, cada uma com o olhar direcionado a um par de pessoas. Inojin logo reparou na presença de seus avós maternos, que conversavam tranquilamente com o avô paterno. Ele, então, abriu novamente um sorriso, feliz por ver todos reunidos.

— Vovô, você veio mesmo! — disse enquanto corria na direção de Hashirama, dando-lhe um abraço apertado nele e nos outros avôs.

— Não perderia isso por nada! — Hashirama sorriu, passando a mão sobre a cabeça do neto, em um afago carinhoso. Fazia mais de vinte anos que não participava de um evento como aquele, e estar ali como a representação de seu filho era algo que deixava o velho Senjuu emocionado.

Logo que o avô paterno de Inojin levantou o rosto, viu-se bastante próximo do ruivo, de quem tanto seu neto falava. Ele manteve a expressão leve no rosto, tratando de já estender a mão para um cumprimento formal.

— Sabaku-san. — Chamou-o, tomando de imediato sua atenção. — Acho que ainda não fomos apresentados. Senjuu Hashirama.

— Sabaku Gaara. — O ruivo apertou a mão do mais velho, mantendo com ele um rápido contato visual.

— O meu neto fala muito de você. — Hashirama comentou enquanto findavam o contato de suas mãos. — É um prazer finalmente conhecê-lo.

Gaara não conseguiu evitar de sorrir pela enésima vez naquela manhã e desviou rapidamente o olhar para Inojin. Ficava contente em saber que o menino falava de si para outras pessoas, e ansiava que o mais velho não guardasse interpretações errôneas para a situação. Ele nutria realmente sentimentos bastante complexos e intensos pelo menino, porém não era sua intenção apagar a existência de Sai. Desejava que na cabecinha criativa de Inojin, ele pudesse abraçar a presença de ambos.

— Hashirama-san! — Logo seu pensamento foi interrompido pela voz alegre de Ino, se colocou ao seu lado e se dirigia ao mais velho. — Nós vamos nos reunir na casa do Shikamaru para almoçar. Eu e o Inojin gostaríamos muito que o senhor fosse.

Hashirama pareceu ponderar por alguns segundos, imaginando que sua esposa teria um acesso se soubesse que havia confraternizado com Ino. Ele logo deu de ombros, tentando afastar de sua cabeça a imagem de Mei enfurecida. Depois lidaria com ela, seu neto, no momento, era prioridade. Ele alterou, então, a expressão, sorrindo diretamente para a loira.

— Claro, adoraria!     


Após uma longa tarde ao lado dos amigos e das crianças, Ino espreguiçava-se em frente a pia da cozinha, observando o café passar pelo coador. Sentia-se cansada, porém realizada. Aquele foi o primeiro dia dos pais, desde que seu filho tinha idade o suficiente para entender a data, que não precisou dar nenhum tipo de atenção especial ao menino, ou ter qualquer conversa. Ele simplesmente aproveitou com os amigos, correndo de um lado para o outro pelo quintal de Shikamaru e Temari.

Ela virou rapidamente o rosto, olhando, por cima do ombro, para a imagem de Gaara sentado à mesa, lendo qualquer coisa em seu celular. Ao sentir-se observado, o advogado sorriu e desviou os olhos para que se encontrassem com os da loira.

— Você parece contente — observou, conseguindo captar como seus olhos brilhavam, como se sorrissem.

— Estou mesmo — respondeu, voltando-se novamente para o café e alcançando com uma das mãos a tampa da garrafa térmica ao passo que, com a outra, colocava o coador dentro da pia. — Enquanto meu filho estiver feliz, eu também estarei.

Gaara sorriu, achando bonita a colocação da loira

— Achei legal o Sr. Senjuu ter passado a tarde conosco — disse, largando o celular de lado e apoiando o queixo com uma das mãos. — Ele me disse que se arrependeu por ter ficado tanto tempo afastado, que não quer perder mais nada da vida de Inojin

— Vocês conversaram bastante, pelo visto. — Ino comentou em meio a uma risada, virando-se para colocar a garrafa de café sobre a mesa. Gaara concordou com um aceno de cabeça enquanto a loira voltava ao armário, a fim de pegar três canecas. — Antes de ir embora, ele também comentou comigo que está bastante satisfeito com você.

— Comigo? — O ruivo indagou, arqueando uma das sobrancelhas, intrigado.

— Acho que ele estava receoso... — Após colocar as canecas sobre a mesa, ela sentou-se ao lado de Gaara, ainda o observando. — Talvez com medo de alguém tentar apagar a existência do Sai da vida do Inojin, fosse eu, você ou qualquer pessoa.

O Sabaku permaneceu com sua natural pouca expressão, absorvendo as inseguranças do avô paterno de Inojin. Por certo, não sabia direito o que era ter e criar um filho, nem como era exatamente amar um. Contudo, algo em seu peito o fazia acreditar que era provavelmente algo muito próximo do que sentia pelo pequeno Yamanaka.

Não fazia ideia se era influência de Ino ou apenas sua energia, que se conectou com a do garoto. Independente do que fosse, no final das contas, tudo soava natural demais para si. Ter zelo e um intenso e inexplicável amor por Inojin parecia simplesmente natural.

— Eu não teria motivos para fazê-lo — disse, por fim. — Se não fosse por Sai, ele não estaria aqui. Respeito sua existência e paternidade.

Ino sorriu largamente diante a resposta de Gaara, sentindo o coração esquentar. Seus dedos foram até o rosto do ruivo, apertando-o de leve.

— Você não existe mesmo.

— Por que o tio Gaara não existe? — Ambos desviaram o olhar para a entrada da cozinha, por onde um recém-tomado banho Inojin passava.

— Deixa de ser enxerido, moleque. — Ino riu, passando a servir café para os três. Inojin fez um bico manhoso, ainda estava curioso. — Você vai querer comer ainda alguma coisa?

— Não... — O menino bocejou, agradecendo logo que a mãe servira uma caneca de café com leite para ele. — Tô cheio ainda. Que bom que foi a tia Sakura que cozinhou…

— A gente precisou arranjar várias desculpas para que a Temari não ficasse responsável pelo almoço desse ano. — A Yamanaka riu, explicando ao ruivo. — Ano passado, tive que sair depois com Inojin para comer.

— Não consigo entender a falta de habilidade da minha irmã. — Gaara comentou, pegando uma das canecas. — Foi sempre assim, nem a prática a faz melhorar.

— Eu não consigo entender como o Shikadai consegue sobreviver. — Inojin riu do próprio comentário, lembrando-se das inúmeras vezes que o amigo, na escola, jogou o lanche fora e usou o dinheiro que Shikamaru dera escondido para comprar algo.

Ino rolou os olhos, voltando a sentar-se e passando a tomar, também, o seu café. A comida de Temari nem era tão ruim, acreditava que somente pegavam em seu pé porque era o costume.

Os três continuaram a conversar, falando sobre a peça de teatro na escola e o dia agradável que passaram na presença dos amigos. Quando deu-se conta de que o tempo começava a passar rápido e a noite chegava, Gaara lembrou-se que tinha um assunto importante para tratar com o pequeno Yamanaka.

— Hey, artista — chamou, fazendo com que o menino, que falava algo para a mãe, passasse a olhá-lo. — Tenho uma coisa para te perguntar.

— Pra mim? — Inojin franziu o cenho, curioso com a colocação do tio emprestado. — O que? O que?

Gaara desviou rapidamente o olhar para Ino, que também parecia curiosa, e sorriu. Esteve planejando aquele momento há alguns dias e não via oportunidade melhor que aquela.

— Você sabe que eu gosto muito de você, não sabe?

O menino sorriu, balançando afirmativamente a cabeça. Gaara não costumava ser muito direto em relação aos seus sentimentos, mas Inojin não era cego nem insensível. Conseguia sentir de longe que todo o apreço que tinha por Gaara era recíproco. Não precisava que o ruivo o lembrasse constantemente daquilo, visto que demonstrava sempre com suas ações.

— Mas eu também... gosto muito da sua mãe. — Ele deslizou, então, a mão pela mesa, capturando a da Yamanaka, fazendo o menino passar a franzir novamente o cenho. Ino, que começava a se dar conta do que poderia estar acontecendo, levou a mão livre sobre a boca, em uma frustrada tentativa de esconder sua surpresa. — E gostaria de saber se você me permitiria namorá-la.

— O quê? — O menino pulou de súbito, passando a ficar em pé sobre a cadeira. Seus olhinhos azuis pareciam ter dobrado de tamanho, denotando toda sua surpresa com a pergunta repentina do ruivo. — Como assim namorar a minha mãe? Tipo o tio Shikadai e a tia Temari?!

Gaara apertou a mão de Ino, sentindo-se começar a suar. Enquanto ensaiava a cena em sua cabeça, dias antes, não esperava que fosse ficar tão nervoso.

— Isso.

O menino abriu a boca em um sorriso largo e pasmo, aquilo parecia informação demais para sua cabecinha. Estava sendo o primeiro dia dos pais que não precisava pegar seu tio Shikamaru emprestado para tirar fotos, Gaara e seus avôs elogiaram sua performance como girassol, Temari não cozinhou o almoço e agora o homem, que há meses sonhava que fosse seu pai, pedia sua mãe em namoro! Que dia sensacional, teria muito que conversar com a tia Karin.

Inojin abriu a boca algumas vezes, mas parecia impossível transformar sua alegria em palavras. Ele pulou da cadeira, — Ino pensou em ralhar com ele por ter sujado o assento branquinho, mas preferiu deixar aquilo para outro momento — deu a volta na mesa e jogou-se no colo do ruivo, que o recebeu de braços abertos. Inojin virou o rosto para a mãe, e voltou a olhar o ruivo. E gargalhou alto, era a única coisa que conseguia fazer.

Ino, que ainda tinha uma mão entrelaçada com a de Gaara e a outra sobre a boca, apertou os dedos contra a própria bochecha. Seus olhos passaram a lacrimejar violentamente, e ela não conseguia evitar o formigar que subia por seu peito, tomava suas vias nasais e ia até os olhos. Não tinha como não se emocionar diante a felicidade estampada de forma escancarada no rosto de Inojin.

— Mamãe! — Inojin finalmente conseguiu falar, ainda sem conseguir tirar o sorriso que mostrava todos os seus dentes. — Eu vou poder chamar o tio Gaara de papai agora?!

— Você sempre vai poder me chamar de papai, Inojin. — Gaara respondeu pela loira, que não parecia em condições de falar qualquer coisa. — Desde que não se esqueça que tem outro pai também.

— Eu sei, a tia Karin me disse isso! — O menino pontuou, lembrando-se das muitas vezes que conversara com a psicóloga sobre aquilo. — E o meu vovô Hashirama disse que o papai Sai está contente por eu ter o papai Gaara.

Gaara passou uma das mãos sobre a cabeça de Inojin, bagunçando seus cabelos. Ele era um menino muito especial, sentia-se grato ao universo por ter colocado os dois Yamanakas em seu caminho.

— Estou feliz também por ter você e a sua mãe. — Ele expressou aquela gratidão em palavras, olhando serenamente de um para outro. Não sabia ao certo o que o futuro reservava, não tinha como saber, mas suas intenções eram de que aquilo, eles, fosse eterno.

Inojin abraçou o pai e a mãe pelo pescoço, fazendo com que ambos se aproximassem. Queria aproveitar aquele momento, guardá-lo detalhadamente na memória para nunca esquecer. Gaara também passou um dos braços pelas costas de Ino, sentindo-a apoiar a cabeça na curva de seu pescoço, enquanto Inojin ainda abraçava os dois ao mesmo tempo.

O ruivo sorriu pela enésima vez naquele dia, sentindo-se parte de algo. Sentindo-se parte de uma família.

          

   

          


Notas Finais


Reconstrução está perto do fim! Acho que mais dois ou três capítulos e chegamos ao último. Obrigada a todos que estão acompanhando, e desculpem a demora kkk


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