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História Red - Capítulo 10


Escrita por: coffeehayes

Notas do Autor


oi gente. eu não desisti de red, por incrível que pareça! ahsianks precisei de um tempo, mas estou de volta. espero que ainda exista alguém por aqui... sem mais delongas, vamos ao capítulo

Capítulo 10 - Escolher.


Um arrepio gelado percorreu todo o corpo de Blake, que engole seco e procura manter a postura. Ashkore analisa a garota cuidadosamente através da distância existente entre a poltrona de couro branco na qual encontra-se sentado e o leito que Blake ocupa. 

— Que gracinha! Estava me observando dormir? — a garota de cabelos escuros questiona, o tom de voz neutro disfarçando o fato de que a mesma ainda se recuperava do susto de vê-lo ali. Em resposta, Ashkore desvia o olhar meticuloso para um pequeno objeto de metal que dançava por entre os dedos de sua mão esquerda —Blake concluiu ser uma chave —. 

Ashkore ri em desdém ao notar o olhar curioso, que praticamente entregava a pergunta cuja provável não-humana gostaria de fazer. 

— Preciso que faça algo. – direto, o mascarado se aproximou da garota. O tom de voz firme. 

— E eu preciso voltar ‘pra casa. — Blake dá de ombros, a voz amena e a sobrancelha direita arqueada. 

— Já conversamos sobre isso. Se aliando a mim, você consegue o que quiser, Blake. 

Por deus, será que ele realmente acredita que eu seja tão estúpida e manipulável? 

A garota abre a boca para responder, mas pondera. Poderia ver até onde a situação se desenrolava, afinal de contas, precisava dar abertura às opções. Ela respira fundo e seus lábios trabalham tão rápido quanto sua boca quando as seguintes palavras saltam da mesma:

— Certo. Digamos que seja mesmo, o que você precisa que eu faça?

Depois do último acontecimento na Sala do Cristal, não tinha certeza se a guarda de Eel ainda estava disposta a ampará-la. Fora que Miiko parecia ter o péssimo hábito de colocá-la em último lugar em coisas que se tratam de sua própria vida. 

— Preciso que invada o laboratório de alquimia e roube o acônito. Depois, preciso que realize uma infusão e beba.  — Blake pôde ouvir o sorriso em escárnio que dançava nos lábios do homem de máscara enquanto ele proferia cada palavra da frase.

Mas que porra?

— Parece uma ótima maneira de me envenenar! — o sarcasmo presente no tom da garota fez o homem revirar os olhos por baixo da máscara.

— Não é comigo que você deve se preocupar! — Ashkore pragueja, de forma impaciente, o tom de voz aumentando uma oitava. 

— Se você vai fazer com que eu roube, poderia ao menos explicar o porquê. — Sussurra-gritando.

— Houve um conselho da Reluzente hoje, enquanto você… estava desacordada. — o homem profere a contragosto. A simples menção da guarda soando amarga demais. — Eles irão testá-la. Querem se assegurar de que você é faeliana. São tão estúpidos que não conseguem enxergar o óbvio. O acônito vai inibir a presença da sua magia, camuflando você. 

Blake refletiu. Havia muita informação ali. 

— Espera, como assim, minha magia? E além do mais, essas reuniões não são tipo… super secretas? Como diabos você-

— Tenho os meus métodos. — o rapaz interrompe de maneira despreocupada, explicitando o fato de que aquela seria toda a informação que daria sobre o assunto. 

— Aliás, eu não sou faeliana. – Blake acrescenta, de forma ríspida. O nó em sua garganta denunciando o quão incômodo esse tópico poderia ser.

— Minta para si mesma, Blake. Honestamente, pouco me importa. A questão é que não é hora de deixar que saibam sobre você. 

— Saibam o quê, exatamente? — cautelosa, Blake inquire. Precisava extrair algo de Ashkore. Estranhamente, o rapaz parecia saber muito mais do que deixava escapar. A conversa escorregadia e o fato do rapaz estar sempre fugindo dificultava que a garota de cabelos escuros obtivesse alguma vantagem. 

—  Ótima tentativa. Mas as informações custam algo, Blake. Você será a minha arma mais poderosa na Guerra contra a Reluzente. Não estou disposto a te dar vantagens sem uma prova da sua lealdade. Lhe ensinarei tudo sobre a sua magia quando me assegurar de que você fez a escolha certa. 

Filho da puta.

— O quê exatamente te faz pensar que eu aceitaria me aliar a você? Quem garante que não estou apenas esperando o momento certo para te deixar na mão, Ashkore? — Blake se levanta do leito e caminha até o rapaz, ignorando toda a onda de dor nos membros superiores de seu corpo que a fazia querer gritar. Os braços cruzados e o olhar desafiador focado no que seriam os olhos da máscara do rapaz.

— Porquê você é como eu, Blake. Você teve tudo tirado de você. E você quer recuperar, a qualquer custo. E porque… se você não está comigo, está contra mim. — A mão direita do rapaz agarra os cabelos de Blake em um rabo de cavalo com brutalidade, e a esquerda apertando o rosto de Blake entre o polegar e o indicador. A garota reprime um gemido de dor enquanto observa o mascarado, raiva crescente a invadindo. As mãos espalmadas no peito do rapaz numa tentativa de afastá-lo. —  E acredite, você não vai querer estar contra mim. 

Rapidamente, Blake força seu joelho esquerdo contra a virilha da figura mais alta. Ashkore a observa surpreso enquanto grunhe em descrença e dor.

— Nunca mais… — Entredentes, Blake começa de forma ameaçadora antes de dar um passo para trás O vermelho em seus olhos parece brilhar dentro da sala escura. — toque em mim. Entendeu? 

O som de passos discretos e apressados no corredor chama atenção de Blake, que se vira rapidamente em direção à porta. Ezarel adentra o cômodo, e Blake não precisa observar a grande janela da enfermaria para entender que a deixa de Ashkore foi o breve momento em que a garota se distraiu. 

— Que barulhos foram esses? — o elfo questiona com um olhar de pura confusão ao capturar a imagem de Blake em pé sozinha dentro da enfermaria, quando a mesma deveria estar repousando.

— Hm- eu só- Oh! Merda! — ao tentar caminhar, Blake percebe que usar os joelhos para se defender talvez não tenha sido uma boa ideia, uma vez que sente ambos travarem e doerem. — Eu ia procurar algo para dor. Não consigo dormir. — a garota é rápida em dizer antes de se escorar contra uma das pilastras da enfermaria. Os cabelos escuros escorregam até seu rosto enquanto ela mantém seu olhar no chão.

Ezarel reprimiu um riso sarcástico.

— Certo. Ewelein adoraria saber dos seus métodos de auto-medicação! 

— Cala a droga da boca, Ezarel!

— Uh, não acho que você deveria me tratar assim, humana. Aliás, cadê a Oluhua? Ewe sempre deixa alguém cuidando da enfermaria.

— Eu não sei… acordei sozinha. — O olhar da jovem desvia de forma rápida.

Sozinha com aquele cara que vocês aparentemente odeiam.

Surpreendentemente, Ezarel se aproxima de Blake e a ajuda a se dirigir até o leito destinado a si, segurando-a pelo cotovelo esquerdo, parecendo extremamente incomodado. 

Constrangido, o rapaz se distancia rapidamente e se dirige ao pequeno balcão, onde começa a misturar líquidos e folhas que para Blake pareciam exatamente iguais e diferentes ao mesmo tempo. 

— O que vai fazer? — Blake tomba a cabeça para o lado esquerdo e questiona com naturalidade. A tensão pelo momento com Ashkore era tanta, que a garota sequer conseguia ligar para o fato de estar tentando conversar com o que julgava que fosse o ser mais insuportável do Q.G.

— Algo para te ajudar com a dor. — o elfo responde simples. Blake não esconde a surpresa em seus olhos, que acompanhada do silêncio faz com que o rapaz revire os olhos.

— Por favor, não aja como se eu fosse um monstro.

— Uh, tá tudo bem? Quem é você e o que fez com o Ezarel? — Blake inquiriu ao receber um pequeno tubo de ensaio com um líquido verde dentro. O cheiro não era desagradável num todo. 

— Pelo Oráculo, só bebe logo a droga da poção. 

— Gentil. Obrigada. — Blake força um sorriso e franze excessivamente os olhos, o que faz com que Ezarel faça uma espécie de careta. A garota é rápida em engolir o líquido que tem um sabor forte de ervas que ela não conseguiria distinguir.

O elfo parece focado em algo além de Blake, que sente o coração disparar ao vê-lo caminhando em direção ao pequeno pedaço de papel no chão. 

— Ezarel, espera aí! isso aí é me- 

— “Estimo melhoras. Beijos e abraços” oh, acho que alguém já tem admiradores. De gosto duvidoso, se me permite dizer. Isso aqui cheira aos pinhos da floresta. — o de cabelos azuis ensaia uma careta ao cheirar o papel.

Blake franze as sobrancelhas e puxa o papel da mão direita do elfo. O tamanho dos dedos pequenos da garota contrastando com a mão fina e grande de Ezarel. 

Mas que…? 

De fato, a mensagem de Ashkore parecia ter evaporado do papel. Como se o rapaz tivesse camuflado o pequeno bilhete.

— Nada a ver. Isso aqui nem deve ter sido ‘pra mim. — A garota revira os olhos teatralmente ao encarar o elfo, que arqueia a sobrancelha direita e leva uma das mãos a cintura como se dissesse que não comprava a justificativa da garota.

— Bom, não me diz respeito. Só vai ferir o ego do Nevra saber que não foi o primeiro a ter seu frágil coração humano aqui — o elfo finalmente recolhe o pequeno vidro que outrora continha a poção de sabor forte que Blake havia tomado e se concentra em organizar a pequena bagunça que havia feito ali. .

A garota de cabelos escuros sente as bochechas esquentarem ao mesmo tempo em que arregala os olhos em descrença.

— Não fala besteira, elfo. — o tom de voz ameno e os olhos desviando-se para qualquer canto da enfermaria entregavam o fato de que ela se sentiu desconfortável. O homem levantou o polegar esquerdo como se em sinal de joinha, caminhando até a janela da enfermaria.

— Mas, hm, como você se sente? — assumindo um tom mais sério, Ezarel parecia cauteloso.

Blake pôde sentir seu queixo ir até o chão. Jamais imaginou que Ezarel faria esse tipo de pergunta, uma vez que ele realmente parece não ligar. 

— Uau. Você devia estar mesmo entediado antes de chegar aqui. — antes que o rapaz pudesse dizer algo mais, Blake continuou: — Me sinto estranha. Parece que constantemente descubro que tudo que eu conheço é mínimo. 

— Isso não me surpreende. É como pensar que, caso um faeliano fosse para a Terra, as coisas seriam, no mínimo, assustadoras. 

— Sim. E olhos coloridos não ajudam, você sabe. — Ezarel congela com a fala da garota, provavelmente não ciente de que essa já sabia de sua mais nova condição.

— Ao menos agora você parece menos comum. — o rapaz sorriu sarcástico, antes de continuar com o raciocínio.

Blake fingiu desprezo ao encarar o rapaz. 

— E você parece viver constantemente pronto para um episódio de Sword Art Online. — ela arqueou as sobrancelhas e deu de ombros.

— Swo- O quê? — O rapaz perguntou, dirigindo-se a saída do local. 

— Hm, é algo comum demais para eu te explicar. — Blake piscou exageradamente de forma teatral. 

— Oh. Talvez um dia eu ceda meu precioso tempo ‘pra você explicar sobre estranhezas mundanas. — ele pausou dramaticamente em frente a porta. — O dever me chama. Caso precise de algo, o próximo a fazer a ronda é o Leiftan, sinta-se à vontade para incomodá-lo. 

Aquilo parecia uma espécie de bandeira da paz. Blake assentiu e segurou um riso enquanto o elfo atravessava a saída após uma última olhada. 

Não sabia qual havia sido a motivação do rapaz para a mudança repentina, mas ficou feliz por poder se distrair de todas as coisas que sua mente insistiu em projetar após encontrar Ashkore. 

Pouco depois daquilo, Ewelein apareceu se desculpando pelo sumiço, explicando que havia ido comer algo, uma vez que sentia-se indisposta após passar o dia todo dedicando-se aos cuidados de Blake. A garota sentiu-se instantaneamente culpada ao ver a expressão de preocupação no rosto da elfa. Enquanto era examinada, a de olhos vermelhos não pôde deixar de pensar que talvez nem tudo ali fosse tão ruim quanto Ashkore dizia ser. 

Afinal, as coisas pareciam mais leves, e Blake começava a considerar jogar em ambos os times até descobrir o real motivo de tudo aquilo, mesmo que a parte sombria de seus pensamentos insistisse em lembrá-la de que o caminho que ela estava seguindo consistia em trair não um, mas ambos os lados daquela guerra. 

Tudo para voltar ‘pra casa. 



Notas Finais


o que acharam??? sintam-se livres para críticas e opiniões, estava com muuuita saudade de conversar com vocês!! obrigada pela leitura e até o próximo

meu twitter: @voidnevra


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