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História Red - Capítulo 1


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Notas do Autor


Eu passei o dia escrevendo essa fanfic e eu tô é morta, mas feliz com o casal improvável!
Obrigada @CombatLover por para variar plantar sementes do mal em mim hahaha

Capítulo 1 - Capítulo único


Vinte e sete dias. 

Há vinte e sete dias Mikasa morava provisoriamente com Armin, visto que o anúncio de lockdown por causa da pandemia que havia se espalhado por todo o planeta era algo rígido onde moravam. No início, apesar da preocupação com a contaminação e tudo que um vírus podia despertar de receio, pareceu uma boa oportunidade de ficarem juntos, curtirem a amizade um do outro - que já perdurava desde a infância - e colocarem todo o assunto que os seis meses de Armin em um intercâmbio universitário havia acumulado. 

Acontece que depois de dias conversando com frequência, maratonando séries no netflix, vídeo game até altas horas e definitivamente estarem com os horários de sono todos trocados, o tédio começava a se mostrar presente. Por mais que amassem a companhia um do outro como grandes amigos que eram, a união forçada começava a obrigar que se isolassem em alguns momentos do dia pela própria sanidade mental e não poder sair de casa, para alguém tão ativa como Mikasa, estava começando enlouquecer. 

Mikasa perambulava pela enésima vez sem rumo pela casa quando decidiu parar na porta do quarto de Armin, buscando companhia para seu tédio. Deu duas batidas na porta, chamando pelo loiro, mas entrando em seguida sem esperar retorno. “Armin, o que você acha de nós pedirmos uma pizza e….”

Mas o que encontrou aguçou sua curiosidade: ele estava sentado sobre a cama de pernas cruzadas, as mãos ocupadas de uma corda verde, enquanto parecia testar nós no próprio tornozelo. “Momento errado?”, pergunta ela, a mão ainda na maçaneta e a visão interessada no que ele fazia.

Armin primeiro se surpreende, mesmo que não mostrasse na expressão, mas depois apenas sorri e, com um menear de cabeça, indica que ela entre. “Não, Mi. Vem cá, não estava fazendo nada demais”.

A garota internamente agradece a oportunidade de algo que quebre o enorme tédio que sentia, abrindo a porta e sentando na cama em frente a ele, vendo que não somente a corda que ele segurava estava ali, como mais uma perfeitamente enrolada, na cor vermelha. Pegou-a na mão, sob um olhar divertido de Armin, que acompanhava com algum interesse e curiosidade as reações da amiga. “Isso é para aquilo…?”, ela indaga, fazendo menção a uma conversa que haviam tido há alguns dias, a respeito de fetiches.

“Para amarrar? Sim!”, responde ele de forma natural, não parecendo nem um pouco incomodado, mesmo ainda tendo a corda verde entre os dedos. 

Mikasa apoia a mão sobre a cama com a corda vermelha embaixo da palma, inclinando-se em direção ao amigo para olhar mais de perto o que fazia, a curiosidade aguçada. Sempre foi assim. A linha verde fazia um bonito desenho de amarrações que ia do tornozelo até a panturrilha, contrastando muito com a pele muito clara de Armin. Era algo muito interessante, mas ao mesmo tempo completamente diferente do que conhecia. “Isso machuca? Digo...está apertando?”

Armin nega, aproveitando que tinha sua atenção e, com movimentos lentos, movendo a corda entre os dedos e dando um novo laço sob o olhar atento da oriental. “Não machuca. Nem é feito para machucar. Se dói, está errado”, ele deixa claro, retirando as mãos e apoiando o pé contra a cama, joelho recuado, para deixar mais visível. “Faz um bom tempo que eu não treino e já que não estava fazendo nada, resolvi praticar um pouco”, explica mesmo que ela não tenha colocado em palavras nenhuma pergunta.

Ela estende a mão, deixando que a ponta dos dedos roçassem a corda, um misto de admiração e fascinação. Embora não conversassem diretamente sobre isso, Mikasa sempre soube que o loiro tinha alguns gostos peculiares, uma inclinação a fetiches, muito mais do que ela conhecia. Nunca perguntou diretamente, mas sempre algum grau de curiosidade havia ficado nos pensamentos. Também nunca quis imaginar, nem conseguia!, Armin em trajes de couro ou chicotes, em cenários de masmorras com grandes X’s nas paredes. Não, aqueles pensamentos a faziam inclusive querer rir! Mas aquilo à sua frente parecia tão diferente de todos os cenários estranhos que já haviam passado por sua mente que a surpreendeu de forma positiva. Queria perguntar mais e sua expressão entregava isso - além de divertir Armin.

“Isso que é bondage?”, ela indaga, voltando a sentar corretamente, mas brincando novamente com a corda vermelha em mãos.

“Sim e não”, o loiro responde de forma dúbia, fechando os olhos por um instante diante da expressão confusa dela, pensando como ser o mais didático possível. “Bondage pode ser praticado com qualquer item que permita restringir. Então cordas como essas, ou mesmo uma gravata, um lenço. A ideia é conter e controlar. Sejam movimentos ou os sentidos. E ambos os envolvidos têm que estar de acordo com isso”.

Mikasa não pode deixar de perceber que até mesmo o tom de Armin havia mudado, mesmo que sutilmente. Ele falava sobre o assunto com aparente profundo respeito pelo que dizia, enquanto os olhos haviam voltado para a amarração que estava fazendo antes, agora desfazendo. “Já o Shibari….”, e ele desenrola a primeira volta da corda de sua perna, deixando que Mikasa percebesse a leve pressão que o material havia feito contra a pele, “O Shibari é mais focado em guiar a um caminho...sabe?”, e parecia que Armin dizia com carinho as palavras. “Ele encaminha sensações. Tem pessoas que relaxam quando são amarradas. Ou mesmo despertam sentidos que não apenas o sexual. São sempre fibras assim, como essas cordas”, ele ergue mais a corda que segurava para que ela pudesse ver mais de perto, atento ao olhar interessado que lançava.

“Alguém consegue relaxar amarrado?”, foi a pergunta que Armin já sabia que viria, mas não impediu um sorriso divertido da sua parte.

“Sim. É engraçado, né? Eu também estranhei isso no começo. Mas essas práticas, assim como outras, são muito sobre confiança. E entrega. É algo realmente interessante”.

Mikasa não pode deixar de perceber como aquilo o fascinava e como o próprio interesse dele começava a despertar o seu. A forma como Armin sorria ao falar daquilo, desenrolando a própria perna e organizando a corda em um novo bolo para guardar - e provavelmente o tédio da pandemia, a fizeram tomar uma iniciativa que nunca pensou que faria: ela estende a corda que segurava para ele, punhos unidos a frente do corpo, com uma expressão um pouco travessa. “Me amarra? Eu quero ver como é”.

Armin travou. Por um segundo achou que havia ouvido errado, mas ali estava Mikasa com os punhos esticados em sua direção, os olhos demonstrando sua curiosidade refletidos nos seus e percebeu que a ideia não era tão ruim assim. Mordeu internamente a bochecha, ponderando o pedido que não recuava, não conseguindo esconder o próprio interesse. “Tem certeza, Mi?”

Mas ela parecia determinada. “Não estamos fazendo nada, mesmo. E não estou dizendo para fazermos sexo! É só para… ver como é. Se eu não me sentir confortável, eu peço para parar. Ok?”

“Claro. Eu nunca ia fazer algo que você não quisesse”, ele revira os olhos, terminando de ajeitar nas mãos a corda verde. “Você quer essa?”, pergunta gentil, pegando a corda vermelha de suas mãos e a vendo concordar, uma empolgação que provavelmente era resultado de saber que poderiam fazer algo diferente para passar o tempo. Armin passa os olhos pelas roupas que Mikasa usa, percebendo que a camisa regata e o short esportivo não pareciam que atrapalhariam tanto. “Ok, Mi. Vem cá então”.

Ele se levanta, trazendo-a pela mão até o lado da cama, começando a desprender a corda vermelha. “Me fale qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, ok? E eu vou parar. Nada de negativo deve vir disso”.

Mikasa faz uma careta para contestar mas, ao ver que ele não compra sua expressão, apenas assente com a cabeça em concordância. “Ok. Eu entendi. Eu confio em você, Armin”.

E aquelas palavras o deixaram seguro, mas também feliz. 

 

À medida que ele ia trabalhando a corda no pulso esquerdo de Mikasa, percebia que o olhar da garota acompanhava cada movimento, curiosa, interessada. Parecia com expectativas, mas não era algo negativo. Ele ia confirmando com ela a cada etapa, tendo autorização para amarrar ambos os braços de amiga para trás, na altura da base das costas, e depois voltando para sua frente. Guiou-a para a frente do espelho, ficando atrás dela e indicando-a que observasse a própria visão, as mãos apoiadas carinhosamente sobre seus ombros “E então? O que acha?”.

Para a própria surpresa, a empolgação inicial dava espaço para um novo sentimento. Se no início se sentiu ansiosa quando permitiu que Armin amarrasse seus braços para trás, agora sentia algo mais próximo realmente a um relaxamento. A entrega do movimento de seus braços trazia uma sensação de fragilidade, algo que alguém sempre tão durona como ela não costumava se permitir demonstrar. A corda havia acabado, mas algo que não imaginou que sentiria guiou palavras até a boca. “Nós podemos… continuar?”

Armin encarou o reflexo de Mikasa, a ansiedade pela aprovação do seu trabalho e pelo feedback sobre a experiência que estavam tendo ao encaminhar a garota por novos caminhos, seus caminhos, pela possibilidade de compartilhar mais algo tão importante em sua vida com a melhor amiga, se tornando cada vez mais crescente. E ela estava ali, pedindo por mais e não o julgando. Não o repelindo. Sentiu uma satisfação que o fazia corar em um sorriso, deixando que um beijo espontâneo fosse plantado sobre um dos ombros dela. “Claro! Eu tenho outra corda com a mesma cor. Eu vou pegar. Espere aqui”.

Armin vai até a cômoda, se abaixando e Mikasa consegue perceber que ele possui outros itens ali, desviando os olhos de imediato e voltando a se mirar no espelho. Ela engole a seco, colocando o corpo de lado para poder observar melhor os braços presos, um sobre o outro. Por instinto tenta movimentar os ombros, mas está firmemente amarrada. Quando retorna, Armin repara que por algum motivo Mikasa parece ter se perturbado com algo, sua mente logo trabalhando em como poderia deixá-la mais confortável. “Sabe o Marco?”, indaga para atrair seu foco.

Mikasa volta sua atenção para ele, parando de repuxar as cordas, a voz de Armin a trazendo para o que faziam. Não percebeu de forma espontânea, mas a distância física dele havia a deixado incomodada. Encontrou sua voz, ensaiando falar de primeira, mas falhando, só então respondendo. “Que estava na faculdade, contigo? Lembro. Vocês ficaram, não é? Algumas vezes”.

Ele percebeu. Armin mantinha o sorriso amigável no rosto, mas tanto seu tom quanto seus olhos estavam dedicados a perceber as variações da pessoa a sua frente, em como ela se sentia e notou que seus ombros pareciam relaxar quando voltou, anotando isso mentalmente. “Isso. Ele mesmo. Nós já fizemos isso algumas vezes. Na verdade, ele foi minha cobaia por algum tempo!”, e sorriu, para distraí-la, conseguindo o efeito desejado, enquanto solta a corda que havia trazido consigo, par da que ela usava agora.

“Eu não consigo imaginar isso. Aliás eu nem devia imaginar isso!”, ela sorri revirando os olhos. “Você devia me contar essas coisas?”

“Se eu não contar para a minha melhor amiga, eu vou contar para quem?”, ele retruca, voltando a ficar atrás dela, virando seu corpo de frente para o espelho novamente, mostrando a corda à frente dos dois com ambas as mãos. “E então? O que você pensou? Como quer se ver com esta aqui?” E deu um tempo para ela pensar, complementando. “Como quer que eu use isso em você, Mikasa?”

Podia ser impressão, mas a voz e o tom que ele usava pareciam despertar reações que ela não havia considerado. Armin sempre foi um grande amigo, desde a época do colégio. Não havia um intervalo que não passassem juntos e mesmo que a vida tivesse os separado em vários momentos, sabiam que podiam contar um com o outro. Mikasa nunca havia cogitado qualquer avanço entre eles - até agora. “Eu não sei”, foi o que conseguiu responder enquanto mirava o reflexo dele no espelho de forma discreta. “O que sugere?”. 

Ele pareceu pensar por alguns segundos, só então voltando a falar. “Acho que amarrar suas pernas te deixaria muito desconfortável, embora seja algo muito bonito”, e ele se abaixa atrás dela, movendo o dedo indicador pela pele, tocando logo abaixo do joelho. “Sabe o que eu estava fazendo? Eu poderia prender daqui até… aqui”, e desceu o dedo, percebendo que ela arrepiava, embora tentasse a todo custo disfarçar.

“A..acho que talvez seja demais isso hoje, Armin”, e gaguejar foi obrigatório. “Qual outra opção?

Armin sabia que era errado, ou talvez fosse errado, mas estava gostando cada vez mais das reações que Mikasa tinha. De como sua voz havia amolecido, dos arrepios que sua pele sentia, da curiosidade em continuar aquela brincadeira. Quando se levantou novamente atrás dela, percebeu pela primeira vez que estava alguns poucos centímetros acima dela mas, mesmo não tendo um porte atlético, parecia um pouco maior que Mikasa e aquilo o satisfez. “Eu posso criar uma espécie de maiô com as cordas. Ficaria lindo. Posso?”

Ela procurou seus olhos e os encontrou. E também o olhar cúmplice, maior que a amizade. Algo que estava acontecendo ali, além da razão. Assentiu com a cabeça, porque era algo que ele queria e havia pensado para ela e Armin a conhecia como ninguém, estava segura. E mais do que isso, queria agradá-lo, nem que fosse permitindo que ele fizesse algo como queria, como desejasse.

Se entreolharam por mais algum tempo, dizendo coisas que palavras não eram necessárias. Somente então ele colocou gentilmente as mãos em seus ombros, fazendo com que ela virasse para ele, de costas para o espelho. “Bem, eu vou começar então. Quero que veja só ao final”, e não deu espaço para negociações.

Armin começou passando a corda pela parte detrás do pescoço de Mikasa, deixando que descesse em partes igualmente divididas por sua frente. Cada volta que dava, cada laço que estudava, era meticulosamente pensado. Suas mãos eram leves e cuidadosas, contornando o corpo e as curvas da garota com respeito, embora a intensidade da situação já estivesse nitidamente mexendo com os dois - o suficiente para que Armin, com a respiração um pouco mais pesada mas ainda muito cordialmente, perguntasse algo que iria além. “Mi, você se incomoda que eu retire seu short? Você está vestindo algo por baixo?”, e sem olhá-la de princípio nos olhos, apenas nos nós, ele explicou. “Eu preciso passar a corda entre suas pernas. E o tecido pode atrapalhar, até machucar você”, e somente então ele procurou sua expressão, o peso de anos de amizade o julgando por um pedido tão ousado. “É um limite errado?”

Mas a visão que encontrou foi da garota com a franja parcialmente sobre os olhos, a cabeça baixa, mordendo o lábio inferior como se tentasse impedir algo de escapar. Ela estava linda, mas também parecia incomodada. “Ei, ei. Está tudo bem?”, ele se adiantou, liberando as mãos e levando-as ao rosto de Mikasa, erguendo sua face com as palmas em conchas para que pudesse olhar seu rosto. “Nós podemos parar. Era para ser bom, lembra?”, ele reforça, protetor, passando uma das mãos para tirar a franja de seu rosto. “Não morda seu lábio assim. Vai machucar ele”, repreendeu com carinho, correndo o polegar lentamente por onde ela mordia. E nesse momento, sentiu um pequeno encostar de boca sobre seu dedo, um beijo tímido. “Mi?”, ele a indagou ao perceber a intensidade no olhar da amiga ao encará-lo com um desejo contido - o mesmo desejo que a impulsionou um passo à frente em busca dos lábios dele. 

Armin congelou por alguns segundos, preso na bela imagem que a entrega de Mikasa lhe causava e por sua iniciativa, antes de corresponder com carinho a investida. Retribuiu o beijo com um menear suave de cabeça, as mãos novamente encontrando seu rosto e o amparando por quanto tempo o fôlego de ambos permitiu. Quando finalmente se separaram ele salpicou beijos por seu rosto, afastando-se para olhá-la, uma expressão de carinho e zelo estampada em suas reações. “Eu nunca esperei por isso”, admitiu de forma amigável.

“Eu passei dos limites, Armin? Eu… forcei a barra?”, Mikasa indagou de forma insegura e frágil, os lábios vermelhos respirando de forma entreaberta enquanto seu olhar procurava qualquer traço de irritação ou ofensa da parte do melhor amigo.

Mas tudo que encontraram foi amor em retribuição.

“Imagine. Eu gostei. Eu gostei muito, Mi”, admitiu, beijando sua testa sobre a franja, os polegares ainda acariciando seu rosto. “O que quer fazer? Quer que eu te desamarre?”

Mas ela apenas negou com a cabeça, molhando os lábios com a língua que há pouquíssimo tempo estava ocupada em procurar a dele, enquanto seus pensamentos pareciam tentar se encadear de forma lógica. 

“Não. Eu… eu quero que a gente continue. Eu quero ver como é. Como é para você”, e as palavras que ela dizia o encantavam. “Se você quiser… fazer isso comigo”, sentenciou a oriental, esboçando um sorriso confidente que sobrepujava até mesmo o rubor de seu rosto, lhe conferindo um aspecto simplesmente magnético demais para que Armin pudesse ignorar. Ou voltar atrás.

“É claro que eu quero. Você é uma mulher incrível, Mi. Eu adoraria fazer isso com você, até onde você estiver disposta”, e ele deu mais um selinho sobre seus lábios, simplesmente porque a vontade o cobrou. Seu rosto era um sinal de puro contentamento. “Vou continuar, mas estarei atento. Eu estou aqui. Eu vou perceber qualquer coisa que queira me dizer, ok?”

A preocupação e o zelo dele eram quase afrodisíacos e a certeza de que todas as suas reações estavam sendo percebidas a faziam se sentir especial, realmente especial. Armin recuou alguns passos, fechando a porta do quarto, simplesmente para lhe dar a noção de que o que faziam ali era algo privado, mas sem desviar os olhos dos dela. Quando se aproximou novamente foi para levar os polegares até a barra do short que Mikasa usava, ajoelhando sobre uma perna no chão para descer a peça, os olhos sem desviar dos dela por quase todo o trajeto até que a roupa estivesse na altura suficiente para que ela o ajudasse a tirar erguendo uma perna por vez, ficando com apenas uma calcinha simples de algodão, preta, com finas tiras laterais. Era uma visão desconcertante, de tão bonita. As mãos de Armin voltaram a subir pelas laterais do corpo de Mikasa, mas sem tocá-la, apenas o roçar breve pelos movimentos de subida eventualmente resvalando na pele, até que alcançassem as cordas que haviam sido deixadas brevemente em laço. “Vou precisar que você abra as pernas um pouco para eu passar a corda. Pode fazer isso para mim, Mi?”

Ela, que não desviava a visão do que ele fazia, apenas concordou com a cabeça, entreabrindo sutilmente com um passo para fora de cada lado, em total confiança no respeito que ele teria.

Mesmo que sua respiração continuasse acelerada.

Mesmo que o desejo dele fosse afundar o rosto no vão entre suas pernas e absorver todo cheiro e o gosto da excitação que sabia que Mikasa estava exalando e sentindo.

Mas não. Não haviam terminado aquilo. Ainda ajoelhado, ele trouxe a corda para que passasse entre suas pernas, gentilmente as conduzindo para cima novamente, ficando ajoelhado a sua frente enquanto a prendia os nós finais, pedindo que ela girasse o corpo vez ou outra para uma volta atrás mas no final, ao acabar, tendo-a virado em sua direção. 

Seus dedos percorreram com idolatria cada centímetro de corda, passando muito perto do sexo de Mikasa, mas sem o tocar, correndo por sua barriga, suas costelas, toda a extensão de corda até finalmente se assentarem em sua cintura, se permitindo plantar um beijo delicado sobre seu umbigo, devoto e gentil, antes de voltar a olhar para ela. “Você está absolutamente linda, Mi”, a elogiou e encontrou em sua expressão um olhar de agrado com aqueles cuidados. Ele se levantou finalmente, tomando um beijo breve de sua boca, antes de a guiar novamente até o espelho. 

E o que Mikasa viu definitivamente a fez se surpreender, porque a imagem da mulher refletida era ela mesma, despida de vergonhas vendo como bonitos desenhos geométricos haviam sido feitos por Armin ao trabalhar de forma empenhada em amarrá-la. Aquilo era mais do que prender, era uma arte. E apesar de presa e teoricamente frágil, se sentia forte. Sentia beleza. Mais do que apenas a excitação que começava a inquietá-la, aquilo tinha outras nuances, outros nomes. “Isso é… é incrível, Armin”, foi o que conseguiu dizer, correndo todo seu corpo com os olhos, não conseguindo sentir vergonha pela quase nudez. 

“Vermelho definitivamente combina com você”, ele elogiou, sempre gentil mas agora com alguma malícia, a olhando por cima do ombro da própria garota enquanto depositava um beijo em seu ombro, demoradamente. “Estamos bem?”, conferiu mais uma vez, as mãos orbitando o corpo de Mikasa antes de finalmente se apoiarem novamente em sua cintura, aspirando profundamente o cheiro de seus cabelos na altura de sua nuca, puxando-a contra sí, gemendo baixo em aprovação ao sentir que ela arrepiava. 

A morena não sabia de onde aquilo tudo vinha, mas sabia que queria mais. Que não queria parar. Qualquer medo que aquilo poderia acabar mal simplesmente se dissolveu todas as vezes que sentia que o desejo de Armin era temperado com zelo, com adoração e aquilo definitivamente não poderia ser errado. Eram adultos, se conheciam como ninguém e agora, queriam um ao outro. Ela se virou para ele, dentro de seus braços, para novamente o beijar, insinuando, mas não fazendo. Mikasa era ousada, não era de esperar que a chuva caísse na plantação, ela mesma ia atrás do que tinha vontade. 

Com um andar pensado ela fez Armin recuar alguns passos, até que sentasse sobre a cama de casal, erguendo uma perna de cada vez até que estivesse sobre seu corpo, auto confiante de sua investida - e sentindo que ele imediatamente a envolveu com os braços para evitar que caísse. Ele sempre a protegia. “Me beija, Armin”, ela pediu. Mandou. E ele acatou no mesmo instante.

Ainda que seus braços estivessem presos, cada movimento de ondulação que fazia para corresponder às investidas do homem embaixo de si faziam que a corda roçasse a pele, entendendo que estar amarrada não era o fim, mas um caminho, como ele havia dito. Era suave, mas real e os toques dele, assim como o roçar entre os seios, entre suas pernas, causava comichões que a arrepiaram por completo, ainda mais forte quando sentiram as mãos de Armin se encherem quando a tocou por trás, tendo a bunda apertada e provocada enquanto os beijos a ocupavam. 

Ele se moveu, erguendo-se e a ela o suficiente para que pudesse deitá-la na cama, perdido em como a imagem daquela mulher sobre seu colchão o causava sensações conflitantes e ainda tão intensas. Queria mais. Queria dominá-la mais. Queria….!

Ergueu-se da cama, colocando um dedo indicador sobre os próprios lábios para tranquilizá-la, indo para a cômoda e retornando brevemente. Sentou-se ao lado da morena, mostrando o que havia trazido: em sua mão, uma fita de seda preta. Antes que ela pudesse perguntar, ele se antecipa. “Eu quero te vendar. Eu quero muito te dar a sensação de não saber de onde vem os meus toques, Mi”, justificou com um sorriso tão lindo que tornava quase impossível para ela não ceder a ele. “Eu não vou colocar nada em sua boca. Eu quero te ouvir o tempo todo. Mas eu gostaria muito de restringir seus olhos. Me permite?”

“Você está meio abusado, não está?”, pergunta numa implicância, mas concordando com a cabeça. “Vai fazer valer a pena?”, é a única questão que ela levanta, olhando-o de lado, sua expressão toda dizendo o quanto aquilo parecia agradá-la.

“Não tenha dúvidas”, foi a resposta que ele deu, e a última coisa que Mikasa viu antes de ser vendada.

Todos os toques de Armin agora pareciam cobrir seu corpo, porque a privação de um de seus sentidos parecia despertar todos os outros: ficou mais consciente do cheiro dele, sons sons que fazia ao mover-se pelo quarto - sempre perto. Sempre atento. Sempre intenso. Sentiu quando ele se afastou, o peso de seu corpo sentando na beirada do colchão e em como ele gentilmente segurou um de seus pés, beijando com reverência seus dedos quase a fazendo cosquinha, mas a sensação sendo substituída pela leve provocação. Os beijos intercalaram com leves mordidas em seu calcanhar, seu tornozelo, o interior de suas coxas. Armin estava se aproximando de forma quase reverente, certificando-se que todo o corpo de Mikasa fosse agradado, tocado e reverenciado até que alcançasse o meio de suas pernas, o que havia desejado tão intensamente minutos atrás e que agora tinha todo ao seu dispor. Ele se abaixou, primeiro plantando um beijo e então absorvendo o cheiro, dando um leve mordiscar que mais provocava do que machucava. Podia ouvir o gemido de entrega e surpresa da mulher preencher o ar, instigá-lo, torturá-lo. Ah, ela era perfeita!

Armin chegou a peça que o impedia de um melhor contato o suficiente para que tivesse acesso, mergulhando com submissão e entrega a missão de dar prazer a quem tanto havia o permitido ter o que queria até então. Seus braços contornaram suas coxas, as mãos a mantendo firme no lugar enquanto a explorava com toda a boca, ouvindo seu nome ser pronunciado em meio a gemidos entregues. A lambeu com vontade, como quem provava uma fruta suculenta, penetrando com a língua e sentindo como seu corpo preso reverberava suas reações. Sabia que era bom naquilo e que poderia fazê-la gozar daquela forma, mas não queria terminar de forma tão rápida. Queria ouvir mais seu nome ser dito daquele jeito tão pecaminoso, tão entregue e sensual. 

Como nunca haviam percebido essa química entre ambos era um mistério!

Subiu em beijos e mordidas pela pele clara, ouvindo um gemido agora decepcionado e inquieto de quem havia sido enganada e se divertindo com isso. Ela despertava seu lado travesso, seu sorriso fácil, sua adoração. Odiou a camiseta que ela usava e que impedia que ele tivesse mais extensão de pele para adorar e marcar, percorrendo o caminho por seu corpo sustentando o corpo nos joelhos e mãos, até chegar ao seu rosto e ver como a desconcertava. Era ela quem estava amarrada, mas era ele quem se sentia completamente entregue por aquela visão.

“Armin?”, a ouviu chamar, receosa, quando ele parou qualquer investida por alguns segundos para observá-la. “Não pare…”, pediu, sem fazer idéia de que cada pedido seu era uma ordem para seus ouvidos. 

Ele a virou na cama, deixando seu corpo de bruços debaixo do seu, a visão dos braços contidos arrepiando seu corpo, mas também lembrando que já a havia deixado tempo suficiente daquela forma. Sentou-se sobre suas pernas, ocupando-se em desamarrar cada nó até que ela estivesse com os braços livres. Afastou-se unicamente para permitir que ela sentasse ao seu lado, tirando a venda de seu rosto e indicando que agora livre, ela observasse os próprios braços.

A corda havia empregado pequenas marcas de pressão sobre a pele, fazendo um desenho que era mais intenso que tatuagem e ao mesmo tempo não definitivo. Armin correu todas elas com pequenos e singelos beijos, carinhosos, atentos. Mas antes que pudesse repetir o mesmo gesto no outro braço Mikasa já cobrava mais de sua atenção, o fazendo deitar sobre a cama e o tomando em beijos, a sensação de finalmente ter os braços soltos e seu livre arbítrio retomado a permitindo ser a pessoa certa do que queria como era com tudo na vida. E queria muito, muito retribuir todo aquele carinho, aquelas descobertas. 

Mikasa o deu um tratamento tão devoto quanto teve, cobrindo o corpo dele com o seu após o ajudar a tirar a bermuda e a camisa que usava, mas sendo mais urgente e menos paciente: o tocava e provocava com o roçar do próprio corpo, ambos arrepiando quando as cordas que ainda vestia tocavam suas peles. A mão de Mikasa buscou decididamente o sexo de Armin, o tocando com intensidade e confirmando o que já sabia, que seu desejo era tão verdadeiro quanto o próprio. 

A velocidade do que faziam havia aumentado exponencialmente, como se o coração acelerado e suas respirações fossem uma música alta que os ensurdecesse para todo o resto. Armin inverteu a posição em que estavam, deitando-a novamente contra a cama de forma feroz, decidido, os dedos tremulos pela excitação tocando o sexo de Mikasa para ter certeza de que não a machucaria, encontrando-a molhada o suficiente para que pudesse inserir dois dedos de uma vez, a fazendo arquear contra a cama. Ela estava extremamente receptiva ao mesmo tempo que suas reações praticamente gritavam a necessidade de mais. 

“Armin..!”, ela chamava por ele, os braços envolta de seu pescoço, ancorando-se ao seu corpo, emudecendo quando finalmente o sentiu entrar, sem esperas! Um gemido que parecia travado em sua garganta enquanto os lábios entreabertos e surpresos com a investida a faziam agarrá-lo ainda mais. E, sem esperar, ele começou a se mover. “Ar...min!”, Mikasa gemia, entregue, febril, apenas o motivando a ir mais forte, mais rápido e impiedoso. Nunca, em nem um milhão de anos, Mikasa poderia imaginar que seria assim estar com ele, com o gentil e doce melhor amigo. Ele era um homem - e um homem muito decidido do que queria, como queria e definitivamente, sabia o que fazia. 

Ele a queria. Deus, como a queria. Mais. Queria ouvir os gemidos e o próprio nome serem gritados como ela fazia, desesperados, ansiosos. Iria gozar, e podia sentir pelos espasmos e pela urgência da amiga que não estava longe. Só mais um pouco. Só mais….!
A oriental mal conseguiu registrar quando todo seu corpo pareceu explodir em sensações, um enorme alívio misturado ao espasmo do prazer que vinha em ondas enquanto ele ainda buscava o próprio final antes de se debruçar com um gemido sobre seu corpo, procurando refúgio em seus braços para poder lidar com todas as sensações que corriam entre eles. 

Ficaram assim algum tempo, apoiando-se mutuamente, as mãos se encontrando e entrelaçando os dedos, deixando que a respiração acalmasse sem qualquer pressa de voltar a realidade.

Uma realidade que nunca mais seria a mesma.

 


Notas Finais


Por favor deixem comentários! Nunca mais eu quero escrever um capítulo tão grande ~lágrimas~


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