História Red - Capítulo 2


Escrita por: ¢

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Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 2.746
Palavras 3.259
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Heyllos, my lovers!
I'm back!
Como prometido, em duas semanas. Sou uma pessoa bem atrasada na vida, mas, dessa vez, tô com fé em Deus que não teremos atrasos nas postagens.
Eu quero muito agradecer por [email protected] que leram, favoritaram e comentaram na fic. Serião, galera, eu ficava sorrindo feito uma boba toda vez que eu lia um dos comentários ou via um favorito novo. Dá vontade de sair abraçando ocês tudo! Então, recebam o meu abraço de muito obrigada que está sendo mandado virtualmente.
Esse capítulo foi betado pela Angel, do Valerie Edits. O anterior também. Eu esqueci de avisar. Vou editar lá e está falado aqui de uma vez. Então, thanks, Angel.
Não tenho muito o que falar mais aqui, não. Boa leitura, espero que curtam e a gente se vê lá embaixo.

Capítulo 2 - Persian red


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 2 - Persian red

Charlie

Lentamente, recobro a consciência. Estou sentindo os meus ossos doerem e as pálpebras pesadas, como se tivessem postos halteres sobre cada uma delas. Ainda é um pouco confuso o que aconteceu anteriormente, como se tudo voltasse em borrões tortos e doídos. Sinto minha cabeça escorada em algo duro e gelado. Ela dói, mas dessa vez é ainda pior.

Coloco a mão em meu crânio e arfo com a dor e a pressão. Quando me movo, sinto algo transpassando o tórax até a cintura.

— Que droga. — Sussurro.

Lentamente, abro os meus olhos e encaro um vidro repleto de pequenas gotículas de chuva recente. O painel do carro está logo a minha frente e me apoio nele para acertar minha postura.

Não tenho a menor ideia de como cheguei até aqui. E pensar sobre isso me faz ter um extremo terror do que pode vir.

— Graças à Deus você acordou. Achei que tivesse entrado em coma ou coisa assim.

Olho para o cinto que atravessa meu corpo e depois dirijo o olhar para o motorista. É o cara do bar, seja lá qual for o nome dele. Henry, Harry ou qualquer coisa com H. Não importa. De alguma forma, e por alguma razão, eu estou sozinha com ele, dentro do carro dele, andando por um lugar que não conheço em uma noite escura. Isso aqui não tem nada haver com segurança.

Remexo-me no banco. Olho para a porta; a tranca está erguida. Isso serve para me tranquilizar um pouco.

— Está me sequestrando? — Questiono em um tom baixo.

— Você caiu bem na minha frente. Isso tudo foi medo da polícia?

— Que polícia? Eu não tenho a mínima ideia do que aconteceu ou do que você está falando.

— Alguém levou ecstasy e maconha para aquela festa, para vender. E outro alguém denunciou isso. Então, eles chegaram lá e todo mundo teve que sair correndo. Mas você desmaiou. E, como fez isso na minha frente, não seria justo deixá-la ali, porque qualquer coisa que acontecesse não seria algo bom.

— Você está se mostrando um excelente observador. — Inclino o corpo para frente. Finco os cotovelos nas coxas e apoio a minha cabeça nas mãos.

— Um simples obrigado já seria o suficiente.

Ignoro seu comentário.

— Para onde está me levando?

— Até cinco minutos atrás, era para um hospital, mas como você acordou e parece estar bem, talvez seja melhor eu te levar para comer alguma coisa.

— Você pode me levar para casa.

— Tem água no banco de trás. Pode pegar se quiser.

— Eu não conheço você. Eu não confio em você. Por isso, não vou comer nem beber nada que me oferecer.

Ele ri baixo e faz uma curva. Passo a mão sobre o vidro do passageiro, abrindo um espaço na camada de água condensada dali. Do lado de fora, tudo que vejo é uma rodovia deserta e parcialmente iluminada.

— Estamos saindo de Brighton? — Pergunto.

— Achei que você precisava de um hospital.

— E por isso resolveu me tirar da cidade?

— De nada.

Bufo e deslizo o corpo pelo banco, ficando completamente bagunçada. Em súbito, lembro-me de que não fui para aquela festa sozinha e que há uma grande probabilidade de que, nesse momento, essa pessoa esteja em pleno desespero.

De imediato, levo a mão ao bolso. Está vazio.

— O que houve com meu celular? — Digo, rangendo os dentes.

— Por que eu deveria saber disso? — Ele abre a mão do volante um pouco, como se mostrasse estar confuso.

— Você o pegou!

— Olha, moça, e...

— É Charlie.

Ele suspira.

— Olha, Charlie, eu não faço a mínima ideia do paradeiro do seu celular. Eu não poderia nem imaginar que você estivesse com ele. Talvez tenham roubado ou coisa do tipo.

— Eu preciso ligar para minha amiga. Ela deve estar preocupada comigo.

Ele suspira e leva a mão até o bolso. Puxa de lá um aparelho mais largo e alto do que minha mão. Passa-o para mim.

— Obrigada, Henry. — Digo.

— É Harry.

— Tanto faz. — Ele faz careta.

Aperto o botão lateral para desbloquear a tela. Entretanto, isso não tem qualquer efeito porque ela continua apagada. Tento novamente e, em seguida, passo a apertar os outros botões, desesperada. Mas nenhum dele muda em nada o estado do celular.

— A bateria acabou. — Concluo. — Não acha toda essa situação muito favorável e estranha? Não basta estar em um carro com alguém que não conheço, mas também sem qualquer telefone ou comunicação com o mundo externo?

— Não pode simplesmente agradecer por eu estar te ajudando?

— Só quando essa situação ficar menos estranha.

Harry suspira e eu me viro para encarar o lado de fora. Quando o silêncio entre nós se torna constrangedor e desagradável, o volume do rádio aumenta até preencher todo o espaço vago no carro. É uma tentativa quase frustrada de fazer com que a situação ser torne menos esquisita.

O tempo todo, verifico se a tranca continua aberta. Em nenhum momento, ela deixa de estar assim. É algo que serve para me manter segura; se isso fosse um sequestro, provavelmente não haveria tanta liberdade quanto tenho aqui.

Paramos em uma lanchonete 24h na beira da estrada. O lugar está bem inteiro, apesar de que o vidro da porta e das enormes janelas agradeceria por uma boa limpeza. O sino sobre a entrada também.

O lugar é majoritariamente frequentado por caminhoneiros. Concluo isso porque tudo que vejo são caminhões do lado de fora e porque ninguém se arriscaria a viajar nesse horário, nessa época do ano.

Passo as mãos pelos ombros, envolvendo-os, assim que saio do carro. O vento que corta é gelado e uma blusa tão exposta e decotada quanto a minha. Sem casaco, isso é o máximo que eu posso fazer.

Harry vem logo atrás de mim. Ele tranca o carro e me segue de perto quando entro na lanchonete.

Pelo lado de dentro, o lugar é uma espelunca com um ótimo clima interiorano e familiar. Cheira a café recém moído. Todas as mesas, assim como as cadeiras, são feitas com grossas toras de madeira e envernizadas. As paredes são decoradas com pôsteres e capas de discos do século passado. Eles ainda mantêm um jukebox aqui, nos fundos, próxima aos banheiros, mas ela parece velha e enferrujada.

O lugar realmente está cheio de caminhoneiros, jogando, conversando e comendo.

Sento na mesma mais próxima da porta. Harry ainda está andando, provavelmente disposto a escolher um lugar mais distante, mas ele para ao ver que já estou sentada. Vira o rosto e bufa. Então, dá meia volta e senta-se na minha frente.

— Você não é boa com concessões, não é? — Ele questiona, analisando o cardápio disposto sobre a mesa.

— Nem um pouco. — Estalo a língua.

Puxo o menu para mim. O plástico que recobre o papel está solto nas pontas e não consigo evitar de ficar passando o dedo por ali e descolando cada vez mais e mais.

Analiso as opções que tenho. Quando começo a pensar em comida, meu estômago dói e não posso mais negar que estou faminta. Não sei quantas horas são, mas posso muito bem supor que já se passou muito tempo desde que pus qualquer alimento na boca.

Todas as opções ali parecem um pouco mais pesadas do que as que eu geralmente escolheria para um horário como esse. Acabo optando pelas scones e por uma xícara de café.

Abaixo o cardápio, tentando transformar isso em um sinal de que já estou pronta para pedir. Mas ele ainda está analisando o seu. Leva cerca de mais dois minutos antes que ele chame uma mulher baixa e loira, provavelmente a única garçonete daquele lugar.

Ele faz o pedido e então me olha. Digo o que quero para garçonete. Ela anota e se afasta checando seu bloquinho de papel.

— Onde estamos? — Pergunto. O silêncio se tornou constrangedor e isso é algo que eu preciso saber.

— Na M23. A caminho de Londres.

— Por quê?

— Eu te disse: achei que precisasse de um médico.

— Brighton tem médicos. Não precisava atravessar 100 km só para me levar em um.

— Não conheço nenhum médico em Brighton. — Ele diz, com a testa franzida. — Quero dizer, eu conheço, mas ele não está na cidade.

— Ah! — Jogo as mãos para cima, exasperada. É uma terrível justificativa. — Isso explica tudo.

— Você não tem sotaque britânico. — Ele muda de assunto.

— Não poderia. Eu não sou daqui.

— Aluna de intercâmbio? — Concordo com a cabeça. — Veio de onde?

— Estados Unidos.

— Ah! — Ele parece desapontado. — Eu estive lá por um tempo. Qual cidade?

— Montana.

— Sabe — ele tateia o bolso da calça. Puxa um maço de cigarros e um isqueiro velho. — Eu lutei pelo seu país por um tempo. Servi no Iraque e Afeganistão.

Ele coloca o cigarro entre os dentes. Aperta o disparador do isqueiro, lançando uma chama azulada no ar. Inspiro profundamente enquanto ele acende seu cigarro. Harry dá a primeira tragada.

— Eu não apoio guerras. — Respondo. — E você não pode fumar aqui dentro.

— O quê?

Aponto para o fundo do corredor, onde uma placa feita a mão estampa a proibição ao fumo aqui dentro. Harry vira o rosto e parece levemente desapontado pelo que vê. Ele demora alguns segundos para decidir se para o não e acaba optando por apagar o cigarro.

— Não apoia guerras? — Ele repete, comprimindo o filtro do cigarro contra a mesa.

— Não acho que seja a melhor forma de resolver problemas.

— Faz faculdade de quê?

— Antropologia. — Ele joga o corpo para trás, rindo. Isso me irrita. — Por que você está rindo?

— Porque isso não me surpreende nem um pouco. Também acha Levi-Strauss um gênio?

— Não. Ruth Benedict tem teorias e obras que me interessam muito mais.

— Não a conheço o suficiente para falar sobre.

— Acho que eu não poderia esperar algo muito diferente. Se alguém dia tiver tempo, talvez devesse ler alguma obra dela.  Ela tem ideias muito interessantes. Acredito que valha seu tempo. Você estuda na Sussex?

— Não exatamente.

— O que fazia em uma festa de lá?

— Não acha que está fazendo perguntado demais? — ele franze o nariz e aperta os olhos.

— Você me pós no seu carro enquanto eu estava desmaiada e me arrastou para uma rodovia vazia no meio do nada. O que eu estou perguntando não é nada que você não possa responder.

— Eu fui rever uns conhecidos.

— Não foi tão difícil.

A garçonete trouxe nossa comida e pós sobre a mesa. Imediatamente, agarro a alça de minha xícara e beberico o café. Ele foi feito há tanto tempo que está gelado e frio agora. Suspiro, afastando-o e deixando de lado. Pego um dos scones do prato e mordo.

— A maioria das pessoas come isso com chá, e não café. — Harry comenta.

— Eles não tinham rosquinhas.

Comemos em silêncio. Eu tento ficar focada no meu prato cheio e na minha xícara com café até a metade. Mas percebo que, vez ou outra, Harry deixa seu olhar sobre mim. Eu realmente não entendo. Ele segue me analisando enquanto eu pigarreio para mostrar que isso não me deixa nada confortável.

Mesmo estando frio como está, termino meu café. Deixo algum dos scones no prato porque estes estão mais pesados do que os que geralmente como. Quando a garçonete volta, pergunto se eles tem algum telefone que eu possa usar. Ela diz que tem um aparelho público do lado de fora e que só preciso comprar algumas fichas para usá-lo. Imediatamente, olho para Harry.

— O único dinheiro que eu tinha estava no meu celular, que foi roubado. — Explico. — Pode me emprestar algum?

Ele puxa a carteira para fora do bolso. Analisa o valor ali dentro e me passa uma nota de £5,00. Não queria ter de depender de mais nada dele, mas não tinha muita escolha.

Sigo a garçonete até o balcão. Compro por uma ficha apenas e amasso o troco na mão. Esperava encontrar Harry ainda sentado na mesa, mas ele não está mais lá. Abro a porta e encontro-o escondido, sobre o toldo, com um cigarro na boca. Contorno seu corpo e me dirijo ao orelhão, próximo ao posto de combustível desativado.

Estou com frio e tremendo. Começo a transferir o peso de uma perna para outra, tentando me aquecer, mas isso não altera muito meu estado.

Coloco a ficha no encaixe e a empurro para dentro. Puxo o fone do suporte e coloco na orelha. Disco o número de Diana, esperando que ela me atenda.

— Oi. Eu provavelmente estou ocupada agora e não posso atender seu telefonema. Por que não deixa uma mensagem? Eu retorno assim que for possível. Beijinho.

Passo a língua sobre o lábio inferior e reviro os olhos. É provável que Diana nem tenha percebido que eu sumi ainda. Irritada, gravo um recado:

— Oi, Diana. Sou eu, Charlie. Eu estou ligando apenas para falar que estou viva e inteira e que você não precisa se preocupar nem um pouco. As chaves de casa ficaram com você, o que significa que eu vou precisar passar a noite toda em algum outro lugar. Mas não se preocupe, eu ficarei bem. Nós nos vemos amanhã. Talvez.

Coloco o telefone no gancho e apoio o braço na cabine. Encaro meus sapatos, tentando pensar no que posso fazer sem dinheiro ou as chaves de casa. É desesperador não pensar em nada.

Jogo o cabelo para trás e respiro fundo. Eu vou pensar em alguma coisa e dar um jeito na situação. Sou especializada em emergências e momentos desesperadores como esse. Dou meia volta e retorno para o lado de Harry. Ele ainda está fumando.

— Conseguiu falar com sua amiga? — Ele questiona, metendo uma das mãos no bolso.

— Não. Caiu na caixa postal. O telefone deve estar desligado ou coisa assim.

— Quer que eu te leve de volta para a Sussex? Para seu dormitório ou coisa assim?

— Eu fui roubada, esqueceu? Além disso, só Diana estava levando uma cópia das chaves.

— Vocês duas são bem espertas, não é? — Ele dá uma última tragada no cigarro e o joga no chão. Pisa nele até estar completamente esmagado e apagado. — Vem. — Ele contorna o carro até o lado do motorista e para ao ver que eu não me movimentei.

— Para onde?

— Precisa de um lugar para passar a noite. Exceto que queira ficar na rua, sozinha no frio. Quer?

— Não. — Engulo em seco.

— Deveria entrar no carro, então. Minha casa não fica mais longe daqui do que Londres.

— Sua casa? — Gaguejo.

— Não se sinta especial. É só porque você precisa de ajuda. Eu não vou te torturar ou coisa do tipo. — Ele entra no carro.

— Não é disso que eu tenho medo. — Murmuro para mim mesma.

Olho em volta, refletindo sobre minhas opções. Levo um segundo para decidir que ficar na rua, no frio, não nem minimamente seguro. Não posso voltar para casa porque não tenho as chaves para entrar, o que me leva ao problema anterior. Acho que aceitar o convite de Harry é o melhor. Não o conheço bem, mas ele não parece que vai me causar qualquer dano.

Além disso, não tenho qualquer outra opção.

Puxo a maçaneta da porta e a abro. Pulo para dentro do carro e coloco o cinto. O lado de dentro é muito mais confortável e quente do que o lado de fora.

— Eu realmente estou desesperada. Só estou aceitando por isso. — Comento.

Ele ri:

— Claro que sim.

Harry dá partida no carro. Ele liga o aquecedor e coloca uma música ao fundo. A minha ideia de que permaneceríamos no silêncio é quebrada no instante em que ele abre a boca:

— Você não bebeu tanto para passar mal. Tem problemas com álcool?

— Fazia muito tempo que eu não comia alguma coisa. Talvez tenha sido.

— Ah! Você realmente bebe bem menos do que o restante do pessoal que estava lá.

— Quer saber por quê? — Ele concorda com a cabeça, sem tirar os olhos a estrada. — É porque eu não quero ser a garota que tem a risada mais alta, que nunca quer estar sozinha ou a garota para qual você liga de madrugada, às 4h da manhã, porque sabe que ela não vai estar em casa. Por isso não bebo.

— Isso parece trauma de infância.

Encaro-o, apertando os olhos pela falta de percepção em seu comentário.

— Meus pais me criaram muito bem, obrigada.

— Eu não quis ofender.

— Posso imaginar que não.

Nossa conversa acaba exatamente nesse ponto. Eu escoro minha cabeça no vidro, sentindo minha visão ser embaralhar cada vez que abro os olhos após uma piscada. Acho que a exaustão e o cansaço me abateram. Preciso ficar me revirando no banco para me manter a acordada. Acho que acabo cochilando, porque quando dou por mim estou no que parece ser uma garagem.

Remexo-me e bocejo.

— Você vive em um galpão? — Questiono, sonolenta.

— Não. Eu moro em um prédio. — Ele tira o cinto e abre a porta. — Nós estamos na garagem.

— Ah.

Escoro-me na porta e fecho os olhos. Estou quase dormindo quando meu suporte é bruscamente puxado para longe de mim. Atordoada, desequilibro-me e quase caio. Porém, isso não é o suficiente para me fazer ficar mais desperta ou acordada.

Harry escancara ainda mais a porta. Ele passa um braço atrás de meus ombros e outro por debaixo de meus joelhos. Puxa-me para fora.

Ele bate à porta e começa a se mover.

— Eu estou com sono e não com as pernas quebradas. — Murmuro. — Eu posso andar sozinha.  

— Acho que vai acabar caindo se fizer isso. E, caso se machuque, sou eu que tenho que te levar para um hospital.

Bocejo. Gostaria de relutar um pouco mais, erguer-me e sair controlando os meus próprios passos. Mas, por mais que eu odeie admitir, estou tão zonza e desnorteada que posso tropeçar no ar e cair. Não é uma escolha muito segura no momento.

Harry e eu atravessamos a garagem até o que me parece uma porta de aço. Ele a abre e nós entramos no elevador. Aperta alguns botões e eu sinto meu estômago ficar para trás quando subimos. Demora algum tempo para sairmos, então dou de cara com um corredor larga. Atravessamos até a porta do meio.

Sou desequilibrada por alguns segundos. Quase me ofereço para sair dali, mas vejo sua mão se movendo em direção à tranca da porta e colocando a chave na fechadura. Permaneço quieta. Harry gira a maçaneta e empurra a porta com seu cotovelo.

Imaginei que ele fosse me largar no sofá da sala. Eu não tinha quase 100% de certeza que ele faria isso, mas sou surpreendida quando Harry entra mais e mais na casa até um quarto. Ele me coloca sobre a cama e acende a luz do abajur  sobre o criado mudo.

— Eu deveria ir para o sofá. — Digo.

Desnorteada, levanto-me e sento. Até a simples e fraca luz da luminária me faz apertar os olhos. Harry coloca a mão sobre meu ombro.

— Pode ficar. — Ele diz, empurrando-me para baixo.

— Não é o mais justo.

Ele se senta ao pé da cama e puxa o meu pé.

— E o que você sabe sobre justiça? — Ele ri, puxando meus sapatos.

Deixo meu corpo cair sobre o colchão.

— Talvez mais do que você. — Engulo em seco.

Ele apenas ri e se levanta. Caminha até o armário e puxa duas cobertas para fora, além de um lençol. Abre uma pequena greta na janela e então anda até o outro lado da cama e puxa o travesseiro.

— Para o caso de sentir frio. — Ele explica ao colocar um dos cobertores ao meu lado.

Seguro seu braço, impedindo que ele se afaste. Harry me olha.

— Obrigada. — Digo.

— Poderia repetir isso?

— Não abuse da sorte.

Ele sorri torto e recolhe suas coisas. Apaga a luz do abajur e, antes de sair, diz:

— Boa noite, Charlie.


Notas Finais


Acho que foi um capítulo mais curto. Não tinha tanta coisa assim e não dava pra ficar enrolando muito. Mas deu pra ter um vislumbre desses dois, né? Acho que sim.
Espero que tenham gostado. Como já dito anteriormente, venham falar com a minha pessoa. Vamos conversar. Sou legal. Podemos falar por aqui ou pela ask (https://ask.fm/GrupoDOW). Mas venham porque vou amar falar com vocês.
Mas uma vez, muito obrigada pelos comentários e favoritos e nós nos veremos novamente daqui a duas semaninhas.


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