História Red - Capítulo 5


Escrita por: ¢

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Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 1.957
Palavras 4.642
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hey, flores!
Bom, em primeiro lugar eu peço desculpas pela minha demora em atualizar. Eu estive mal no sábado e tive um compromisso durante a noite e o meu domingo foi lotado de coisas pra resolver e tals, então eu realmente não tive como postar. Foram coisas de última hora e fugiram muito do planejamento, por isso, eu peço desculpas.
Mas estou aqui hoje e espero que possam me perdoar por esse atraso.
Bem, esse capítulo é mais fraquinho. É o que eu definiria como sendo mais um capítulo intermediário, antes de ter mais tiro, porrada e bomba. Enfim, não sei se vão se empolgar tanto com esse quanto o anterior, mas realmente espero que leiam e que gostem. O próximo capítulo é do Harry, então garanto altas tretas pra nós aqui e muito tiro, porrada e bomba também.
Ah! Eu queria muito, muito agradecer pelos comentários e favoritos. Eu recebi comentários lindos e me emocionei com cada um deles (sou mega sensível mesmo) e só quero agradecer porque vocês me incentivam muito a continuar escrevendo e postando aqui. Muito obrigada por isso, gente.
Bom, é só isso mesmo. Boa leitura, espero que gostem e nós nos vemos lá embaixo.

Capítulo 5 - Red magenta


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 5 - Red magenta

Charlie

Acordo cedo no dia seguinte. Visto minha roupa de malhar e prendo o cabelo. Aqueço-me, pego o MP3 e o fono de ouvido. Percorro o caminho mais longo entre Norwich e a faculdade de medicina. É o que eu faço quando alguma coisa fugia do padrão natural.

Diana e o frágil equilíbrio de seu mundo haviam sido fortemente abalados em menos de 12 horas. O meu também. Qualquer um com acesso a uma boa rede de informações e alguma sensibilidade estaria com algum problema em encontrar o nexo novamente.

Mais de 30 pessoas morreram quando duas mulheres se explodiram nas estações Lubyanka e Park Kultury do metrô, no centro de Moscou. A capital russa fica apenas 2,873 km de distância do centro de Londres. Pegando um voo comercial, são gastas 5h45min. É pouco. É muito pouco.

Duas semanas atrás, eu estava em simpósio sobre padrões sociais na Universidade Estatal de Moscovo. Eu estive na Park Kultury. Em menos de um mês, meus pais estariam na Europa. Eles fariam um tour por diversos países, incluindo a Rússia. Eles já deveriam estar lá. Por problemas pessoais, resolveram adiar a viagem até resolver tudo.

Eu poderia estar em uma daquelas estações quando aconteceu. Meus pais poderiam estar lá no momento dos atentados. Até Diana, com sua completa impaciência e vontade de se mover, poderia estar lá. Minha prima poderia estar lá, em passeio com o namorado. Meus amigos poderiam estar lá. Minha família. As pessoas que eu amo. É uma preocupação extremamente egoísta, fútil e desnecessária. Eles estão muito bem. Mas essas ideias não deixam minha mente em paz e me atormentam o tempo todo.

Fiquei sabendo que alguns alunos de sociologia e de história daqui estavam lá, fazendo um trabalho sobre Guerra Fria ou coisa a assim. Ouvi dizer que eles resolveram conhecer a estação Lubyanka. Só acho que, por infelicidade do destino, não escolheram o melhor dia para fazer isso.

Paro em um dos prédios de medicina. Escoro-me contra a estrutura e sobreponho os dedos no pescoço, sentindo o sangue pulsar rápido pela artéria. Inclino o corpo para frente, respirando ofegantemente. Transfiro as mãos para baixo, colocando-as sobre os meus joelhos. Jogo um pedaço de franja que escapou do rabo de cavalo para trás.

O campus está começando a ganhar movimento. Mas não como sempre acontece. Não tem a mesma alegria e bom humor que as manhãs de terça costumam ter. Não há nada daquele bom humor matinal de alunos novos tentando se acostumar à rotina. É muito mais mórbido, silencioso e triste. O dia estar tão frio e cinza só favorece essa sensação.

Quando estou suficientemente recuperada, traço o meu caminho de volta. Tento superar meu tempo anterior, forçando minhas pernas até o ponto no qual elas doem tanto que preciso parar, sentar e deixá-las se recuperarem. Depois que estou bem de novo, volto a fazer a mesma coisa. Gasto tanto tempo parando e me recuperando que demoro muito mais para chegar lá. Quando entro, Diana está jogada sobre o sofá, com olhos vermelhos e inchados.

— A reitoria chamou um padre para rezar uma missa para os alunos mortos e para os demais — ela comenta.

Jogo-me no chão, exausta. A televisão está ligada na BBC, com uma matéria sobre o que houve em Moscou passando.

— Você gostaria de ir? — pergunto e ela balança a cabeça. — Eu vou com você. Que horas?

— Às 10h. Vai ser perto do centro de conferências. Se chegarmos cedo, podemos sentar mais na frente.

— Eu vou tomar um banho e me arrumar para podermos ir. Você deveria fazer o mesmo.

Acaricio sua mão. Diana é feita de extremos. Sua sensibilidade não é diferente. Ela é capaz de se afetar por grande parte das coisas que não afetariam as pessoas tão forte ou facilmente. Acho que, quando se olha em perspectiva, faz sentido com a maneira imprevisível que ela age.

Levanto-me e atravesso a casa até o meu quarto. Tiro os sapatos e solto os cabelos. Pego minha toalha e entro no banheiro. Tempo não é exatamente o problema. Isso nós temos bastante. Dessa maneira, não me preocupo em ser rápida no banho. Lavo meu cabelo e me livro de cada gota de suor sobre a nuca e a testa. Depois, passo creme no corpo e me visto com uma saia florida e um suéter cinza. Calço um par de sapatilhas e penteio os cabelos. Transfiro minhas coisas para uma bolsa menor. Visto um trench coat preto, o único que tenho, por cima e passo o cachecol vermelho entorno do pescoço. Pego uma sombrinha por precaução.

Preciso bater na porta do quarto de Diana. Fugindo ao nosso padrão tradicional, sou eu que preciso apressá-la dessa vez. Ela pede que eu espere cinco minutos. Aproveito esse tempo e tomo um rápido e insuficiente café da manhã, indo escovar os dentes logo em seguida. Quando volto, Diana está me esperando.

— Eu sempre fico pronta primeiro — ela tenta brincar. — Mas te dou ponto pela tentativa. E a sua prima ligou mais cedo, mas eu esqueci de avisar.

— Vou visitá-la mais tarde. Vamos.

Diana e eu descemos.

O centro de conferências fica próximo a uma área verde considerável, é conhecido por muita gente e é de fácil acesso. Sem uma igreja, não me surpreende que a reitoria tenha escolhido esse lugar. Diana já havia até mencionado que era um ótimo lugar para realização de eventos ou atividades extraclasse e extracurriculares.

Eles organizaram cadeiras lá e esculturas de gesso para improvisar um altar. Para um espaço de tempo tão curto, é tudo muito bem feito. Talvez bem feito até demais.

Diana escolhe um lugar logo na terceira fileira. Sento-me ao seu lado, preferindo estar ocupando um lugar bem mais atrás do que esse. Não queria estar tão ao alcance das vistas do padre, mas não vou testar a paciência de Diana.

Confiro o relógio. As pessoas estão chegando e o burburinho só aumenta, mas ainda faltam 40 minutos para o horário determinado. Com a taxa atraso padrão de qualquer evento, devemos ter algo parecido com uma hora até que o padre comece a rezar.

Gostaria de ter um celular para mexer agora ou um livro para ler. Qualquer coisa que me ajudasse a passar o tempo. Entediada, pego algum dinheiro na carteira e deixo a bolsa marcando meu lugar ao lado de Diana. Desloco-me para o Dine Central. Depois de comprar uma água, passo algum tempo conversando com o atendente e vendo televisão. Quando volto para Diana, o lugar já está tão cheio que preciso me espremer para passar.

Sento-me novamente em meu lugar. Jay está do outro lado de Diana, com os braços ao redor do ombro dela. Odeio o quão funcional eles dois parecem em certos momentos, porque isso faz com que minha tendência a não gostar de Jay diminua e eu me torne mais gentil com ele do que realmente deveria ser. Mantenho a paz pelas circunstâncias, mas ele ainda não é minha pessoa preferida. Bebo um gole de água e transfiro a garrafa para as mãos de Diana.

Antes que a cerimônia comece, eles colocam porta retratos dos alunos mortos. As molduras são perfeitas. É engraçado, mas em fotos, todos sempre parecem felizes. Imagino que, em pouco tempo, esse pequeno memorial estará cheio de flores e velas e mensagens que ninguém vai ler. É tão fácil se lamentar pelos mortos e muito difícil fazer algo pelos vivos. Diana morde o indicador com força, evitando chorar. O sentimento nacionalista é latente e forte demais para ser ignorado. Além disso, ela conhecia algumas daquelas pessoas.

Quando o padre começa a falar, todos ali se silenciam em uníssono. Acho que o grande problema da faculdade foi ter montado uma cerimônia exclusivamente católica. Mesmo que esse seja um grupo majoritário nos parâmetros da universidade, não é a única religião e imagino que nem todos os demais se sintam confortáveis para frequentar esse tipo de cerimônia.

Acho que foi uma missa escrita e planejada quase exclusivamente para essa ocasião. Não é difícil imaginar pelas palavras que ele usa e que batem de forma direta com a situação que houve algum prazo de preparação. Imagino que não muito longo. Não posso evitar, porém, de sentir estranheza com muitas das coisas que ele diz. Seus argumentos religiosos fogem ao padrão natural e lógico algumas vezes, esquecendo facilmente os princípios básicos da religião. Seu sotaque francês não é de muita ajuda e me faz questionar a validade da situação. Em dado momento, não me controlo e deixo uma risada escapar. Diana me acerta com o cotovelo e me recrimina com os olhos, fazendo com que eu me retraia.

Sendo bem simples, todo o processo dura longas duas horas. Perco-me no decorrer delas muito facilmente e forçar-me a manter o foco e a atenção não tem efeito. É um tempo custoso, lotado de falhas que, independentemente de minhas crenças, não são justas de serem ignoradas ou esquecidas.

O mundo é muito grande. Tem muita gente sofrendo.

Quando o padre diz o último amém, eu me sinto feliz por poder levantar e esticar as pernas duras e dormentes. Já estou em pé, pronta para sair quando Diana nem se levantou ainda. Apresso-a, mas ela apenas me lança um olhar irritado e eu me silêncio.

Apoio-me em uma das cadeiras da fileira da frente e coloco a outra mão na cintura. Corro os olhos pelo ambiente. As pessoas estão falando em um tom cada vez mais alto enquanto se movimentam para fora dali. É muita gente e imagino que um número considerável tenha ficado em pé.

Diana e Jay ainda estão conversando quando noto a presença de Harry. Estranhamente, ele está aqui. E não muito feliz com a conversa que seu grupo está tendo. Ele parece deslocado e desconfortável. Ao me ver, movimenta a mão em um aceno, sorrindo quase que ironicamente. Pergunto-me se estou olhando faz muito tempo e se, por isso, ele resolveu se manifestar.

Rapidamente, saio da minha fileira de cadeiras e desço em sua direção. Ele também se afasta do seu grupo, vindo até mim.

— Pensei que não gostasse de Deus — disparo, cruzando os braços sobre o peito.

Ele ri.

— Você me perguntou se eu não gostava de igrejas. E nem essa pergunta eu respondi oficialmente.

— O que está fazendo aqui?

— Não se preocupe. Não foi por você que eu vim. — Ele encaixa as mãos nos bolsos dos jeans. — A empresa do meu pai dá um certo apoio a essa universidade. Viemos acompanhar minha irmã. Meu pai e eu.

Ele olha para trás e eu sigo seu olhar. Encaramos uma mulher loira que fala continuamente com um homem e outra mulher.

— São sua família? — questiono.

Ele balança o indicador na direção das pessoas.

— Não todos — explica. — Só o homem e a loira que está falando. Minha irmã está terminando o mestrado aqui. Depois, ela pretende fazer mais uma faculdade. Ela mora em Brighton. — Balanço a cabeça, tentando manter a cara mais livre o possível de expressão. — Foi por causa dela que eu vim.

Aponto para Diana, ainda sentada.

— Eu vim por causa dela — comento. — Mas fui comprar uma água e, quando voltei, ela já tinha arrumado companhia melhor. Acho que sua irmã não escolheu muito bem quem trazer. — Ele ergue sua sobrancelha. — Você sabe o que eu estou falando.

— Usualmente, acho que não gastaria meu tempo retrucando isso, mas, vindo da garota que riu descaradamente na cara do padre, eu não poderia ficar calado.

Reviro os olhos. Ele exagerou bastante nas proporções.

— Não foi escancarado e não foi na cara dele — respondo.

Passo por Harry e continuo a descer. Ele me segue.

— Eu consegui ouvir — diz ele.

— Parabéns pela sua super audição de bom soldado. — Passo a descer em marcha ré, com a frente do corpo virada para Harry. — Porque você foi o único que conseguiu me ouvir.

— Na verdade, eu não tenho uma “super audição de um bom soldado”. Um dos meus ouvidos não funciona muito bem. — Fico surpresa com a informação. Ergo uma das sobrancelhas. — Eu não tenho a audição completa no ouvido direito. Eu não acho ruim, se você quer saber.

— Não quero. — Balanço a cabeça e coloco as mãos no bolso do casaco.

— Humor negro é bom às vezes.

— Eu só não concordava com as palavras dele. Pareciam erradas demais.

— Acho que você é a católica mais estranha que eu já vi.

— Tento separar a minha concepção humanista da religiosa. Vocês são estranhos, cara. — olho em volta. — Aconteceu longe daqui, em outro países. 

— Isso vindo da mulher cujo o país invadiu o Oriente Médio e está caçando o mesmo homem a nove anos só porque ele explodiu duas torrezinhas é hipócrita.

— Eu não...

— Não tem que se preocupar, Dawson. Poderia ser qualquer um de nós. Mas não deveria atirar pedras quando o seu telhado também é de vidro.

Ele dá passos maiores, diminuindo a distância entre nós. Sua rápida aproximação me desequilibra. Tropeço em uma pedra, fazendo meu corpo se inclinar para trás. Agilmente, agarro o ombro da jaqueta de Harry enquanto empurro o corpo para cima. Ele segura o meu cotovelo, dando-me algum apoio para voltar a ficar ereta. Seguro em seu braço

— Obrigada. — Sugo o ar.

— Só estava sendo humano.

— Claro que sim.

Solto minhas mãos de seus braços. Ele demora um pouco antes de perceber o que eu fiz e reproduzir o movimento. A nossa distância foi muito reduzida com a minha quase queda. Por precaução, dou um passo para trás aumentando o espaço entre nós. Volto as mãos nos bolsos inferiores do casaco e franzo as lábios.

— Você tem um alojamento aqui ainda e a faculdade ainda te deixa usar. Mesmo você não sendo mais aluno — comento.

— Andou investigando a minha vida? — ele diz, sorrindo.

— Não. Eu não gastaria o meu tempo com isso. A minha amiga, porém, não se importou em desperdiçar as horas dela tentando descobrir qualquer coisa sobre você.

— Por que ela faria isso?

Dou de ombros.

— Porque ela não é 100% sã. Não tem que voltar para sua família?

— Não são tão bons quanto parecem. Está ocupada essa tarde?

— Estou.

É uma mentira. Não estou. Estou com a tarde amplamente vaga e vazia, mas prefiro que Harry acredite no oposto e não continue estendendo essa situação.

— Tem que almoçar — ele comenta.

— Eu vou. Com a Diana. Mais tarde. Nós já combinamos.

— Está me evitando?

— Não. Só estou ocupada. Acontece com as pessoas. — Dou de ombros, tentando enfatizar o quão inocente isso é. — Também acho seu cabelo estranho.

Harry remexe os bolsos da jaqueta. Ele puxa o seu maço de cigarros e tira um deles. Coloca na boca, entre os dentes, e acende. Traga-o e expira a fumaça. Coincidentemente, ela vem em minha direção. Balanço a mão em frente ao rosto, tentando afastá-la.

— Você parece uma chaminé. Sabia que isso pode te matar? — Ponho as mãos na cintura.

— Eu estou vivo. — Ele segura o cigarro entre os dedos. — Não consigo pensar em nada que seja mais mortal do que isso. — Rio, desapontada, e balanço a cabeça. Esperava uma justificativa melhor. — Aposto que nunca fumou nada.

Dou de ombros:

— Eu nunca quis — digo.

— Claro que não.

— Acha que eu não posso fazer isso?

Irritada, puxo o cigarro das mãos dele antes que ele dê mais uma tragada. Levo direto até minha boca e o prendo entre os dentes. Eu realmente nunca fumei antes, principalmente por achar que isso não seria uma coisa que deixaria meus pais orgulhosos. No momento, porém, apenas estou disposta a provar que posso fazer isso.

Inexperiente, puxo o ar tão fundo que quase perco o fôlego. Tento não mostrar isso. Tiro o cigarro da boca e empurro ar e fumaça para fora de mim. Tonteio, sem sentir qualquer efeito grandioso.

Harry ainda está me olhando, com uma contínua expressão de desapontamento, choque e, acima de tudo, descrença que eu faria algo mais radical do que isso.

Ele recolhe o cigarro de minha mão e volta a fumá-lo.

— Isso é o mais radical que pode fazer? — questiona. — Esperava algo mais de você.

— O quê? Quer me ver fumando maconha ou coisa assim?

— A caixa de vidro na qual você vive é pequena demais pra isso.

Travo o maxilar, sentindo minhas bochechas queimarem de irritação. Acho que ele conhece muito pouco de mim, pouco demais para criar um conceito sobre mim e julgá-lo como sendo verdadeiro. Sua pressa e total falta de consideração me enervam.

— Por que não volta direto para sua família? — sugiro num ranger de dentes.

— Porque eu estou me sentindo muito melhor aqui.

Franzo a testa, quase confusa e abismada com sua última fala. Não procuro por qualquer significado além do óbvio, porque esse já é o suficiente para me fazer querer socá-lo com muita força. Em um instante, ele crítica a forma como guio a minha vida, no outro, ele já insinua que de alguma maneira, está mais satisfeito ao meu lado do que ao lado da família. Além disso, não é o tipo de coisa que ele deveria sentir. Não acho que seja possível de encantar por alguém que você mal conhece.

— Por que não vai se ferrar, então? Que droga!

Deixo-o sozinho com seu cigarro e me afasto, pisando duro. Caminho até Diana e Jay. Eles estão abraçados, cuidando um do outro. Nesses momentos, até acredito que ele possa ser bom para ela, mas é uma fração de segundos até que eu veja a situação como ela realmente é e reavalie tudo.

Ponho-me entre eles, separando o abraço. Diana me encara.

— Já estiveram juntos por tempo demais — digo, com o cenho franzido. — Nós vamos almoçar agora. Só Diana e eu.

— Na verdade, Charlie, eu já havia marcado com o Jay.

— Ah! Ótimo! Troque a sua melhor amiga pelo seu namorado. É ele que limpa suas lágrimas de madrugada mesmo.

Saio de perto deles enquanto Diana, com a testa encrespada, tenta entender a minha reação. Acho que estou, principalmente, com fome. Talvez eu precise de mais açúcar e carboidrato para me sentir melhor e mais calma. Já tem algum tempo desde que eu me alimentei de verdade.

Volto ao Dine Central. Sento-me sozinha na janela, com uma cópia do The Guardian de hoje. Peço um hambúrguer ao garçom e um copo de refrigerante. Ele não demora mais do que quinze minutos para trazer a comida. Começo a mordiscar o pão, lendo notícias sobre o atentado ontem e sobre acontecimentos que ganharam menos destaque.

— Por que mentiu para mim?

Engasgo-me ao ver Harry sentando-se em minha frente. O cabelo dele está molhado agora, como pedaços da jaqueta jeans, e eu só posso concluir que está chovendo. Estou surpresa por ele ter me seguido até aqui e abismada com sua força de vontade.

— Santo Deus! — digo, soltando a comida sobre o prato. — Você me seguiu?

— Não pretendia isso. Mas eu vi quando saiu e sua amiga ficou lá. Não tinham nada planejado, não é?

— Sua capacidade de observação só não é mais absurda do que a quantidade de fumaça você carrega.

— Por que você simplesmente não disse um "não"?

— Porque você não iria parar se eu disse um não. Você ia continuar insistindo até que eu aceitasse.

Ele franze os lábios, pensando.

— Na verdade, eu pararia. Eu sei o que um não significa, Charlie, e ainda tenho um pouco de dignidade que eu gosto de manter. Mas, agora, essa é quase minha missão pessoal. E, se formos honestos um com o outro, tudo pode dar muito certo. Por isso, eu vou tentar de novo: está ocupada essa tarde?

Suspiro.

— Vou ver minha prima em Brighton — falo.

— E a noite? Seja sincera dessa vez. — Faço careta.

— Eu não vou fazer nada. Vou estar em casa, assistindo televisão e comendo pipoca.

— Posso te pegar que horas?

— Não pode! — grito. Quando todos que estão próximos direcionam os olhares para nós. Envergonho-me com isso. Volto a falar em um tom mais contido. — Esse é o ponto. Eu não vou sair com você. Minhas desculpas anteriores não foram o suficiente?

Ele não altera sua expressão e sua confiança parece seguir inabalável. Mas relaxa a postura e se reclina um pouco mais para trás. Talvez essa seja a forma de ele aceitar a derrota, o que seria um grande alívio.

— Por quê? — pergunta, sério.

Bufo e faço careta. Não consigo pensar em nenhuma razão que seja racionalmente aceitável para lhe dar um não. Nem acho que, ao menos, esteja seguindo a minha intuição. Estou me baseando nos conselhos de Diana, o que é uma péssima ideia e uma péssima resposta para a pergunta dele. Mas é a única coisa que eu consigo pensar.

Fico tempo demais em silêncio, avaliando a situação. Não faço a mínima ideia do que dizer e ele percebe minha total ineficiência em conseguir achar uma resposta.

— Viu? Você nem tem uma justificativa — ele continua. — E não estou falando de uma boa resposta, qualquer coisinha serviria. Mas você não tem. Então por que se recusa a fazer isso? Você poderia simplesmente dizer sim, fazer serem os piores momentos da minha vida, até que eu desistisse. — Cruzo os braços sobre o peito e mordo a parte interna do meu lábio.

Sou obrigada a concordar com ele em algumas partes. Eu realmente seria muito mais lógica se fizesse esse encontro ser o pior da vida dele ao ponto de ele nunca mais querer me levar para sair de novo ou olhar na minha cara. Não tenho nem uma boa justificativa. Acho que parte dos meus planos não incluía ver Harry novamente, porque ele e eu estamos quase que vivendo em lados opostos de uma mesma moeda. Por isso eu não pensei em nada. Nem imagina um convite assim vindo dele.

— Para onde me levaria? — questiono.

Eu posso suportar uma noite com Harry. Eu já suportei na verdade. Quando nós nos vimos pela primeira vez e ele falou comigo, eu tinha a vaga esperança de que quisesse estender o momento me chamando para sair ou coisa do tipo. Ele não o fez e eu deixei essa ideia de lado, porque não fazia sentido manter essa expectativa.

Mas ele estava me chamando agora. Eu não perderia tanto aceitando esse convite. Especialmente se levasse em conta que, até pouco tempo, era isso que eu gostaria.

— Relaxa. Não é para um bordel ou coisa do tipo. Só um pub em Brighton. Eu te traria para casa quando quisesse.

— Podemos chegar e sair, então?

— Não tão rápido.

— Se eu aceitar — suspiro — você me deixa tentar?

Ele sorri de lado e fala:

— Não custa tentar.

Arranco um pedaço de papel do jornal e me viro na cadeira, procurando por uma caneta. Anoto o endereço da casa de minha prima e, por via das dúvidas, o telefone de lá, já que não tenho mais um. Empurro através da mesa até que ele chegue à Harry.

— Eu vou estar nesse endereço às 9h — explico. — Você pode me pegar lá, nesse horário. — Ergo uma sobrancelha. — Então nós podemos sair e beber alguma coisa.

Ele abre mais o sorriso e encara o papel que lhe entreguei, avaliando o que está escrito. Depois, dobra-o e encaixa-o no bolso da jaqueta.

— Eu prometo não me atrasar.

Tentei convencer Becky e o namorado a me acompanharem na saída com Harry. Na minha cabeça, seria uma forma de fazer com que a situação parecesse menos um encontro e mais um momento diversão com os amigos. Mas eles não aceitaram. Liam estaria trabalhando e Becky iria fazer companhia para a mãe doente dele durante a noite. E eu até pensei em ligar para Diana, mas não precisei de mais que um segundo para saber que ela odiaria isso mais do que qualquer coisa.

Então, eu simplesmente passo toda a minha tarde com Becky. Ajudo-a a arrumar um dos quartos, cozinhamos e passamos o resto da tarde fofocando na cozinha arcaica dela.

Becky e os pais se mudaram para Londres quando ela não tinha nem dez anos completos. O pai de Becky trabalha com o ramo de hotéis e, naquela época, ele conseguiu uma vaga como gerente no The Montague on The Gardens. Ele não pensou duas vezes antes de aceitar. Becky praticamente cresceu aqui. Para ela, voltar para Montana seria uma completa loucura. Seus pais voltaram para os Estados Unidos. Compraram uma casa na Califórnia e moravam lá agora. Quiseram levar Becky, mas ela recusou veementemente. Ela conheceu Liam através de alguns amigos em comum e, após alguns anos de namoro, eles passaram a dividir uma casa em Brighton. Nessa fase da vida, ele provavelmente nem pensava mais em voltar para a América do Norte.

Acho que uma das razões para meus pais não se oporem ao meu intercâmbio foi justamente o fato de Becky estar na mesma cidade e não mais distante do que meia hora do campus. A total confiança deles em mim era facilmente abalada pela total desconfiança das demais pessoas que não conheciam. Em sua lógica frouxa, seria Becky a me proteger em momentos nos quais eu estivesse em perigo ou a me ajudar quando eu precisasse. E ela facilmente faria isso. Todavia, nos vemos duas vezes ao mês. Ou menos que isso. Ela trabalha e eu estudo e é muito mais difícil do que parece conciliar os horários.

Mas meus pais não precisam se agoniar com isso e sofrer por antecedência. É só desnecessário. Então, eu os deixo pensar que vejo Becky toda a semana e que nós nos comunicamos constantemente.

— Fala sobre o cara que vai te levar para sair — Becky pede com a sua típica voz mansa.

Ela é uma criatura diferente. A voz é a única coisa mansa que tem. Becky é incapaz de ficar parada por mais do que 10 minutos. Além do seu trabalho como professora em uma escola primária, ela ensina dança em um centro comunitário. Se houvesse mais tempo e mais disposição para tal de sua parte, suas pernas longas e rosto simétrico lhe garantiriam facilmente um bico como modelo. Mas, apesar de toda a sua hiperatividade, Becky é extremamente caseira e, mesmo sem um pedido, já tem 60% do casamento preparado.

Estamos sentadas em sua cozinha, ao redor de uma mesa circular, logo abaixo da janela, sentadas de frente uma para a outra. O forno ainda está quente, assim como os cookies recém tirados dele. Arrisco-me a puxar um para mim. Meus dedos esquentam e eu solto o biscoito na mesa.

— Eu o conheci na festa da faculdade — explico. — Ele me ajudou quando passei mal.

— O bom samaritano cursa o quê?

— Ele não estuda lá.

— Então, como... ?

— Amigos. — Mordo lábio. — Eu só aceitei sair com ele para que ele parasse de pedir.

— Você é tão gentil, Charlie. Isso significa que não está interessada?

— Provavelmente. Mas eu adoraria usar aquele seu vestido preto.

Becky ri. Provavelmente, Diana seria a melhor pessoa para me arrumar para qualquer evento, incluindo esse. Mas ela não seria muito a favor disso, não depois de me alertar para não me envolver. Dessa forma, terei que me virar com apenas Becky.

Depois de tomar banho, eu chego a conclusão óbvia de que qualquer coisa acima da média comum me faria parecer, muito provavelmente, disposta a mais coisas do que realmente estou, mesmo que eu não saiba ao que estou disposta. Assim, acabo substituindo qualquer ideia de maquiagem pelo simples batom vermelho que ganhei de Becky no meu último aniversário.

Eu também acabo não pegando a roupa dela emprestada. É muito mais do que a ocasião pede. Decido usar a minissaia azul escura que eu havia escolhido e a blusa preta, com o decote redondo. Calço os saltos de Becky porque eles já são mais macios do que os meus.

Uso a jaqueta de couro escura por cima de tudo. Acho que fiquei tão preocupada com um possível atraso de Harry que eu mesma me esqueci de ficar de olho nas horas. Becky me avisa que estou ultrapassando o tempo marcado. Eu me apresso e, quando desço, pronta para esperar, Harry está sentado na sala.


Notas Finais


Então, flores, é um capítulo mais fraquinho mesmo. Não tem tanta carga emocional. Mas, mesmo assim, espero que tenham gostado e que estejam [email protected] par ao próximo, porque é do Harry e, pessoalmente falando, sempre fico empolgada com os capítulos dele mesmo.
Como sempre, amo quando vocês falam comigo. Eu tô por aqui constantemente, então chamem pra gente bater um papo ou vão lá nas ask (https://ask.fm/GrupoDOW) que a gente pode bater um papo por lá também! Mas amo falar com vocês, então aparecem quando der que vai ser mó legal, eu garanto.
Ah! Acho que na próxima postagem eu vou indicar umas fics T O P pra vocês lerem. Talvez. São ótimas fics e que realmente valem a pena, então, talvez eu traga procês.
Isso é tudo por hoje, pessoal. Obrigada por terem lido, espero que tenham gostado e até loguinho!
xoxo


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