História Red - Capítulo 6


Escrita por: ¢

Postado
Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 1.823
Palavras 6.764
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hey, my baby!
Antes de tudo, um gigante obrigada por todos os favoritos e comentários. Chegamos aos quatrocentos no último capítulo! Isso é muito fantástico e eu só posso agradecer a todos vocês que leem e dão uma chance pra fic.
Então, esse capítulo é narrado pelo Harry. Eu confesso que, quando tava escrevendo, rolou uma lagrima. Pode ser a minha emoção excessiva, mas okay.
Não tenho muito falar. Só agradecer mesmo por terem lido e contar que a minha felicidade com essa fic é indescritível e que devo grande parte delas a vocês mesmo.
Perdão por qualquer erro ortográfico, ótima leitura e até lá embaixo.

Capítulo 6 - Red amaranth


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 6 - Red amaranth

Harry

— Então, você trabalha com o quê? — disposto a quebrar o silêncio, o amigo de Charlie se pronuncia.

Não posso definir a situação como sendo constrangedora. Isso seria ser muito gentil.

Quando eu cheguei aqui, eu tinha quase toda certeza de que Charlie já estaria pronta e que jogaria os meus cinco minutos de atraso bem no meio da minha cara. Fui pego de surpresa quando a prima, ou amiga, veio me falar que ela ainda estava se arrumando e que eu teria que esperar um pouco. A contra gosto, eu entrei na sala e me sentei no sofá com um copo de água em mãos. A parte constrangedora começou exatamente nesse ponto, quando o namorado da amiga de Charlie foi obrigado a ser gentil e se sentou para me fazer companhia. Não foi preciso mais do que sessenta segundos para que eu percebesse que isso era um completo desastre.

Se esse era plano de Charlie para me afastar e fazer com que eu desistisse dela, ela havia começado muito bem.

— Em um negócio de família — resumo a situação.

— Ah!

Se eu fosse obrigado a conhecer os pais quadrados dela, não seria uma coisa tão ruim.

Troco o copo de mãos e estico o braço pelo sofá. Olho para as escadas, esperando que Charlie surja dali e possa findar isso.

— Quer mais água?

— Não, obrigado. — Não retiro os olhos da escada.

Escuto o barulho de suas mãos batendo umas nas outras e as molas do sofá rangendo. O amigo de Charlie ser afasta e eu coloco o copo, quase intacto, ao lado da televisão. Deslizo o corpo pelo estofado vermelho e passo a encarar o teto velho deles.

Batuco os dedos sobre a minha barriga e estalo a língua algumas vezes. É de fato entediante passar por isso. Numa próxima vez, não vou me preocupar em sair de casa no horário.

Escuto barulho e arrumo minha postura. Charlie vem descendo as escadas, seguida de perto pela amiga. Ela já é naturalmente bonita, mas parece ter ficado excepcional essa noite.

Levanto-me do sofá enquanto ela chega mais perto.

— Desculpe o atraso — fala, remexendo a jaqueta.

— Achou que seria eu, não é?

Ela apenas ergue uma sobrancelha e respira tão fundo que marca alguns ossos no tórax.

— Nós deveríamos ir — ela aconselha.

Concordo e ela se vira para despedir-se da amiga com um abraço. Eu apenas aceno de longe, nada disposto a entrar em qualquer contato extra. Com um grito, Charlie se despede do outro amigo e nós dois saímos.

Estou surpreso com a roupa que ela escolheu. Eu esperaria algo mais longo, especialmente porque a noite parece propicia ao frio. Ela até abre uma fresta da janela quando o carro entra em movimento.

— Para onde vai me levar? — ela inquire. O vento joga seus cabelos direto em sua cara.

— É um bar com uma boate aos fundos. Acho que você vai gostar.

Ela vira o rosto para a janela, observando a cidade. Aperto o acelerador, até que a velocidade atinja o limite do que é seguro em zona urbana. Nem estou tão rápido. Porém, Charlie agarra a maçaneta da porta do passageiro.

Rio e ela revira os olhos.

A Emporium fica a uma quadra de distância do Café Coho. Parece ter sido de propósito, porque a maioria das pessoas vai lá beber um café e curar a resseca. Estaciono o carro na rua de trás. As luzes piscam e saem para fora das janelas, atingindo o carro junto com uma música gritada.

Guio Charlie até a entrada. O segurança mais próximo fica a dez minutos de distância. A ideia da Emporium é ser o mais liberal possível. Eles excluíram qualquer tipo de proteção. Em troca, você tem acesso a uma série de drogas com qualidade razoável e preço camarada.

Entro com Charlie atrás de mim. Ela segura minha mão, mas solta cinco segundos depois. Consigo uma mesa para nós dois perto do bar. Ela se senta e analisa o ambiente.

Não sei se ela está acostumada com um lugar como esse.

— Você quer beber alguma coisa? — grito. Essa é a única forma de ela conseguir me escutar direito com a música alta de uma banda de rock.

— Pode ser — ela dá de ombros.

— Eu já volto!

Vou até o bar e compro duas cervejas. De longe, vejo Charlie remexer o tronco no ritmo da música. É divertido. O barman me entrega as bebidas abertas e eu volto para a mesa.

— É só isso? — Charlie pergunta quando a música para. Ela bebe um gole da cerveja.

— Não. A música ao vivo costuma ficar só até às 10h.

— Deveríamos ter saído mais cedo, nesse caso. — ela sorri. Parece estar de bom humor. — Quer saber uma coisa estranha? É a segunda vez que a gente passa a noite juntos e eu não faço a mínima ideia do seu sobrenome.

— É Styles.

— Dawson. De Montana. — Ela ergue a cerveja e bebe um gole. — Algumas vezes, eu posso ser um pouco grossa. Como quando mandei você se ferrar hoje. E eu queria pedir desculpas por isso.

— Tudo bem. Vá em frente.

— Eu já pedi. Não espere mais do que isso de mim.

Sorrio. Ela realmente parece mais pacífica do que nas nossas outras conversas. Levo isso como um sinal de paz.

Terminamos a cerveja e eu trago outra. Pergunto para Charlie sobre seu nome e ela coça o pescoço, avaliando a situação.

— É um por causa do meu avô. Minha irmã tem o nome da minha avó e ninguém tinha o nome dele. Meus pais esperavam que o orfanato indicasse um menino, mas eu cheguei antes.

— Foi adotada? — Charlie parece tão inclusa na maioria dos padrões que é difícil não pensar que ela tem a vida perfeitamente estruturada.

— É. Minha mãe biológica me deixou em uma estação de trem e saiu correndo. Nunca a acharam. Mas os meus pais cuidaram de mim muito bem. E você? Seu pai parece um cara legal.

— Não parece. Não é. — Bebo o resto da minha cerveja. Acho que eu não esperava que ela se interessasse pela minha família. — Ele sempre trabalhou demais e teve um derrame por causa disso. Por isso ele tem problemas para andar e para ser normal.

— Você não gosta muito dele, não é?

— Ele não é bem um exemplo que pretendo seguir.

Eles finalmente conseguem arrumar o som. Agora, são remixes variados, provavelmente feitos na hora. Charlie se levanta, deixando a bolsa e a jaqueta para fora, sem soltar a cerveja.

— Vai dançar comigo? — pergunta.

— Eu vou ficar aqui um pouco.

Ela estala a língua e dá de ombros. Afasta-se até a pista lotada, mas fica em uma distância na qual ainda posso vê-la. Entre um gole e outro, ela pula e balança a cabeça no ritmo da música. Não demora muito para fazer alguma amizade e começar a dançar alucinadamente com uma garota que acabou de conhecer.

No começo, é divertido ver como ela faz, movimentando-se como se estivesse sozinha e fazendo as danças mais icônicas já vista. Mas a coisa muda de figura quando desaceleram o ritmo da música e ela usa o quadril para acompanhá-lo. Em cinco segundos, ela se livra da garrafa vazia e começa a rebolar com sua nova amiga.

Eu esperava que ela se sentasse ao meu lado e fizesse de tudo para que a noite fosse um fiasco e nunca mais olharia na minha cara. Ela é bem capaz disso. Surpreendentemente, ela está em um ótimo humor. Deve ter começado a beber antes de chegar aqui.

Charlie joga o cabelo para o lado e movimenta os pés. Ela está de costas para mim. Mesmo com as luzes trocando de cor o tempo todo, posso ver sua silhueta deslizando de um lado para o outro. A forma como ela dança é excitante e eu não consigo desviar os olhos.

Depois de umas duas músicas, Charlie para no meio da pista. Ela fica parada lá por alguns segundos, encarando o chão. Dá meia volta e vem até o ponto onde estou.

— Vai ficar parado aí a noite toda? — ela pergunta, debruçando-se sobre a mesa.

— Talvez. Não sou um dançarino

— Isso é muito quadrado para você. — Ela arruma a postura e me estende a mão. — Dança essa próxima comigo.

Penso na sensação de ter o corpo de Charlie próximo ao meu e tê-la rebolando ao meu lado. Parece muito tentador. Levanto-me e ela segura minha mão, girando-me em direção à pista de dança.

— Não é tão difícil assim — ela grita sobre a música. Para a minha frente. — Só tem que fingir que não se importa.

Ela passa as mãos ao redor do meu e encosta os joelhos nas minhas pernas. Do que conheço de Charlie, não sei se ela se incomodaria caso eu pusesse minhas mãos em algum lugar. Ao invés de tomar essa atitude, deixo os braços caídos ao lado do corpo. Minha perna começa a doer.

— Não tem graça se não colocar suas mãos em mim — ela diz.

Coloco as mãos ao redor da cintura dela.

— Se isso facilita para você, finge que está tocando sua primeira guitarra. Quando todas as cordas são duras demais. — Aperto as mãos contra o seu corpo. — Assim.

Charlie é menor do que eu. Mesmo os saltos altos não alteram muito isso. Ela cola o corpo ao meu. Suas mãos empurram o meu pescoço para baixo, fazendo com que os meus olhos encontrem os dela. Ela quebra a seriedade sorrindo para mim. Sua cintura se movimenta contra minha barriga.

Ela suaviza o seus braços ao redor do meu pescoço. Joga a perna para fora e a usa de apoio para girar o quadril enquanto inclina o corpo um pouco mais para longe do meu. Uso minhas mãos para evitar que ela se afaste demais.

Tento deixar o meu corpo se mover no mesmo ritmo do dela. Acontece que Charlie é muito mais relaxada do que eu. Além disso, os puxões inesperados que a minha perna dá fazem com que eu torça o nariz de dor.

Charlie usa o meu corpo de apoio para deslizar-se alguns centímetros para baixo e subir entre reboladas. Subo com uma das mãos até suas costas e aproximo nossos rostos, quase encostando o meu nariz no dela. Sem interromper o ritmo no qual rebola, ela inclina o corpo para trás e eu sou obrigado a segui-la.

Acho que Charlie não tem a mínima noção do quão sexy é o que ela está fazendo. Se ela soubesse, talvez não tivéssemos saído daquela mesa. É ainda mais excitante ter o seu corpo rebolando contra o meu e por minhas mãos nela. Não posso negar que seria ainda melhor levá-la para casa e tirar sua roupa, então nós poderíamos transar por toda a madrugada, até que ela não conseguisse mais se manter acordada. A imagem de ter o seu corpo nu colado ao meu enquanto ela pede por mais não sai da minha cabeça.

Charlie se aproxima de mim ainda mais, deixando sua boca a centímetros de distância da minha. Inclino-me para beijá-la, mas ela abaixa o rosto e coloca contra o meu, respirando profundamente. Tudo que posso sentir é o seu cheiro.

Coloco minhas mãos em seu cabelo, fazendo-a minha olhar. Ela contorna a situação girando, e colocando suas costas juntas a mim. Charlie joga o cabelo para o lado e morde o lábio. Ela agora mantém sua bunda rebolando contra mim e só faz com que a situação piore, com que eu queira mais e mais trepar com ela.

Beijo a lateral do seu pescoço e ela diminui a velocidade dos seus movimentos.

Minha perna dói nesse momento de uma forma absurda, repuxando a cada movimento. Penso como seria bom ter algum analgésico pesado agora. Charlie até consegue diminuir a sensação, mas não é tão eficiente quanto deveria ser e eu posso surtar nos próximos minutos caso não consiga algo para diminuir a dor.

Sem muitas opções, afasto-me de Charlie. Ela se vira para me olhar. Sua testa está franzida.

— Tudo bem? — ela pergunta.

— Eu preciso resolver uma coisa.

— Okay. Eu vou comprar umas bebidas para gente.

Ela se afasta em direção ao bar. Forço minha perna a se mover e tento não fazer careta a cada passo que dou. Atravesso a boate até o canto mais escuro, onde quase não tem luz e é fácil de conseguir sexo oral ou LSD.

Procuro por Momo. De todos os vendedores, ele tem o estoque mais pesado. Encontro-o sentado em uma mesa, bebendo e fumando.

Momo desistiu da vida antes que ela começasse. Abandonou a faculdade, saiu da casa dos pais e começou a mendigar pelas ruas. Passou a cheirar tudo o que podia e agora é uma caveira de ossos secos. Tudo que ele ganha é revestido em coisas que ele possa usar.

Puxo uma cadeira e sento na sua frente.

— Harry! — ele já está quase bêbado. É mais fácil negociar assim. — Pensei que não viria mais. É um dos meus melhores clientes.

Não me importo.

— O que tem para dor? — digo.

— Problemas com a perna de novo? A boa e velha maconha está sempre aqui.

— Não funciona muito mais. O que eu usava para uma semana eu acabo em três dias.

— Você pode comprar mais. — Fecho a cara. Momo remexe na bolsa ao seu lado. — Uma mulher é casada com um cara e esse cara tem câncer. Estágio avançado. Ela me pediu alguma coisa para que ele parasse de sentir dor. Mas não veio buscar. — Momo me estende uma cartela com quatro comprimidos.

— Que isso?

— Metadona. Uma versão melhorada. Vai aliviar sua dor rápido e sem muitos efeitos.

— Rápido?

— Menos de cinco minutos.

Não tenho nada a perder. Se for bom e rápido como Momo diz, não vai ser tão ruim.

— Quanto quer por ele? — pergunto.

— Sabe, foi bem difícil de conseguir. Não posso te pedir menos do que $400,00.

— Se não for bom, você sabe que eu volto aqui e quebro sua cara.

Tiro o dinheiro da carteira e posso para ele. Momo confere a quantia e sorri.

— Eu garanto minha mercadoria, Harry. Você sabe. Além disso, jamais vou esquecer que você tem uma arma.

Ignoro seu comentário e destaco um dos comprimidos. Ingiro a seco, sentindo minha garganta arranhar. Guardo o restante no bolso junto com a carteira e me levanto.

Caminho de volta para Charlie. Forço minha perna a trabalhar normalmente, esperando o momento no qual ela magicamente vai parar de doer. Encontro Charlie parada no bar, conversando com outro cara. Ela acena ao me ver e recolhe as bebidas sobre o balcão, vindo até mim. O cara com o qual ela falava acompanha seus movimentos, olhando-a de cima para baixo como um tarado.

— Aqui está você. — Ela me estende a bebida.

— Quem era aquele cara? — aponto para o homem no bar.

— Ninguém. Ele me pediu algumas informações.

— Informações? Ele te jogaria no balcão e transaria com você sem o menor esforço. Não chegue mais perto.

— E você chegou a essa conclusão usando que lógica?

— Eu sou homem, Charlie.

— Quer parabéns por isso? Não vai estragar a noite por causa do seu ego, vai? — ela bebe seu drink. — Podemos só continuar a dançar.

Ela sorri. Começa a se mexer ali mesmo, convidando-me para acompanhá-la. Porém, Charlie se embola nas próprias pernas. Achei que não passasse de um acidente, mas quando seu corpo tomba para frente, derramando minha cerveja na blusa de nós dois, eu começo a reavaliar meus conceitos. Ela encosta a cabeça em meu ombro.

— Tudo bem? — pergunto.

Charlie tenta se arrumar, mas quase cai para trás ao se erguer. Passo minhas mãos ao redor dela, dando-lhe algum suporte.

— Eu fiquei um pouco tonta — Charlie balbucia. Sua fala sai embolada. — Não estou me sentindo muito bem.

Ela coça os olhos. Não preciso mais do que cinco segundos para supor que o cara do bar pós algo na bebida dela. Seria muito fácil fazer qualquer coisa com Charlie desnorteada como está.  Isso me deixa furioso ao ponto de querer arrebentar a cara dele. Mas preciso levar Charlie para um lugar mais seguro que esse.

— Deveria ter me escutado — digo. O corpo dela desaba para trás. — Realmente deveria.

Coloco-a em meu colo. Recolho sua bolsa e me apresso em sair da Emporium. Charlie sussurra algumas coisas, mas nenhuma delas faz algum sentido. Ela está completamente drogada.

Minha perna não dói mais e isso facilita o meu trabalho. Coloco Charlie no banco do passageiro e arrumo o seu cinto. Ela diz algo e eu apenas concordo para que se cale. Em alguns segundos, minha paciência se esgota e só quero estar em casa rápido.

Minha irmã mora em Brighton. Decido que é melhor ir para casa dela do que dirigir para Londres.

Charlie está completamente grogue no banco ao lado. Completa e assustadoramente vulnerável. A saia está dobrada, mostrando ainda mais as pernas brancas. É fácil pensar no que o cara do bar faria com ela. No banco traseiro do carro dele, sem nem se preocupar em ser discreto. Para ele, poderia ser incrível. Para Charlie, provavelmente seria um dos piores momentos de sua vida.

As pernas de Charlie estão brilhando por causa da luz dos postes. É muito tentador. Coloco a mão sobre uma das coxas dela. Não é nada demais. Apenas para sentir a textura. Tiro minha mão assim que Charlie se movimenta, quase constrangido pela ideia de ser pego em flagrante.

Dirijo pela cidade, Gemma mora ali, afastada do centro, mas perto o suficiente do hospital. Estaciono o carro na porta da casa e saio com a chave em mãos. Destranco a porta e a deixo aberta, acendendo a luz da sala. Volto para pegar Charlie.

— Harry? Você não tinha ido para Londres?

Gemma se levanta do que sofá. Seus olhos estão pequenos. Ela deveria estar dormindo. Ela se surpreende ao me ver com Charlie no colo. Levanta-se e vem até mim, trancando a porta.

— Eu pretendia — murmuro. Tento equilibrar o peso de Charlie. — Mas a sua casa fica mais perto.

— O que houve com ela?

— Acho que puseram alguma coisa na bebida dela. Não. Foi exatamente isso que aconteceu.

— Deveríamos levá-la ao médico.

— Não. Não faria diferença. Ela só vai dormir por muito tempo.

— O quarto de hóspedes está cheio das caixas do George.

— Ela fica no meu quarto.

— E você? Como fica?

— Não se preocupe comigo. Eu me viro. Só vou arrumá-la.

— Precisa de ajuda?

— Eu me viro.

Deixo Gemma sozinha e subo as escadas. Caminho até o meu quarto e empurro a porta. Coloco Charlie sobre a cama e tiro seus sapatos.

— O que está fazendo? — ela sussurra. Preciso de um tempo para entender sua pergunta.

— Pode confiar em mim.

Abaixo o zíper da saia dela e puxo o tecido para baixo. Charlie arfa e murmura algo mais, mas é embolado e confuso demais para entender. Coloco-a sentada e apoio suas costas. Ela abre o olho por um segundo e me encara, confusa e tonta.

— Você está fedendo a cerveja — explico. — Derramou em nós dois. Não posso te dar um banho, mas não vou te deixar com essa roupa suja.

Passo a sua blusa pelo seu pescoço e a coloco aos pés da cama, juntamente com sua saia. Assim que tiro minha mão de suas costas, Charlie cai para trás e se encolhe na cama, tampando o corpo. Parece uma forma involuntária de proteção. Ela está seminua, deitada na cama de um homem que pouco conhece. Não posso culpá-la por tentar se proteger.

Abro meu guarda-roupa e pego uma das minhas camisas. Observo Charlie. Ela está quase sem roupa, deitada na minha cama. É tentador. Seria muito fácil fazer qualquer coisa com ela. Fácil até demais. Ela se vira de costas, mostrando a tatuagem preta de um desenho tribal no final do quadril.

Visto a camisa em Charlie e a arrumo debaixo das cobertas. Imagino que não vá ter uma noite fácil, mas é o melhor que eu posso fazer.

Desocupo o bolso, jogando todas as minhas coisas sobre a escrivaninha ao lado da porta. Tiro os sapatos e desabotoo a calça. Puxo a blusa para fora do corpo.

Escolho algo que possa ser ao menos sensato para vestir. Tiro a calça e pego uma toalha na gaveta. Tomo um banho gelado, tentando fazer com que a visão de Charlie saia da minha cabeça. Visto-me e pego travesseiros e uma coberta. Saio do quarto e vou até a sala.

— Vai dormir no sofá? — Gemma pergunta ao me ver descer.

— É um sofá cama, não é? É a melhor coisa que posso ter.

— Vai ficar com dor nas costas.

Trabalho em transformar o sofá em cama, abrindo-o enquanto Gemma fica me encarando.

— É quase meia noite. Não deveria dormir? — sugiro.

— Lide com os problemas de dormir no lugar errado sozinho.

Rio de seu comentário e pulo em cima do sofá, colocando o travesseiro debaixo do pescoço e a coberta ao meu lado.

— Você apaga a luz ao sair? — peço.

Gemma bufa e atende o meu pedido. Ela murmura um boa noite e sobe. Respondo para o nada.

Fico me revirando na cama por algum tempo, em busca de uma posição mais confortável. É o que acontece todas as noites. O colchão é sempre macio demais. É estranho estar em cima dele, porque a sensação que tenho é a de que vou me afogar ou coisa assim. Por mais que eu me mexa, a sensação desagradável sempre volta e não demora muito até que eu me irrite e me frustre com minha total ineficiência em me adaptar a realidade.

Levanto-me do sofá. Vou até meu quarto e pego o maço de cigarros e o isqueiro. Acendo um deles assim que sento no quintal.

Não funciona mais como eu gostaria. Ainda dá algum alívio, mas nem sequer perto de como era antes. Ainda sim, sou incapaz de largar. É quase como um totem que me conecta a vida real; essa é a coisa mais palpável na qual me permito agarrar. De resto, tudo se extingue fácil demais.

Termino meu cigarro e volto para dentro. Recolho minhas coisas e subo. Arrumo a coberta no chão, ao lado da cama, e jogo o travesseiro por cima. Deito. A mão de Charlie cai próximo a mim, numa altura fácil de ser atingida. Ela se movimenta seguindo o ritmo da respiração de Charlie. Involuntariamente, estico meus dedos até os seus. Quando dou por mim, estou agarrado a sua mão, pressionando a minha contra a dela na tentativa de me manter bem. Funciona e me solto dela para finalmente dormir.

O chão é mais confortável e minha cabeça se afunda em sonhos e lembranças ruins tão fortemente que torna a inconsciência algo doloroso. São sempre os mesmos pesadelos, a mesma sensação de impotência enquanto vejo as mesmas cenas catastróficas do Iraque e Afeganistão. Acordo arfando e suando, sentindo minha perna formigar como acontece todas as noites. Levo algum tempo até perceber que estou em casa, completamente a salvo, e não mais em campo.

É uma droga. A mesma merda, todas as noites. É um ciclo que nunca acaba. Não importa quanto dinheiro e tempo eu gaste em psicólogos, psicanalista e todo esse grupo, tudo sempre volta a ser o que era.

Toco minha perna para ter certeza de ela está ali. Mesmo com o formigamento, isso é algo que eu preciso confirmar. Tendo certeza disso, volto a me deitar. Charlie ainda está dormindo e quieta na cama. Ela não tem a mínima noção do que acontece por aqui; mesmo se tivesse, não faria muita diferença.

Sua mão está ainda mais para fora da cama do que antes. Levo os meus dedos seus. Seguro-os. É bom saber que tem outro ser humano ali e que esse provavelmente não vai tentar fazer algo contra mim. Mas é questão de tempo para que eu perceba o quão tolo é o que estou fazendo e me vire na cama para voltar a dormir.

Quando acordo, o sol nem nasceu direito. A primeira coisa que faço ao me levantar é verificar Charlie. Ela ainda está inconsciente, respirando calmamente. Parece bem. Depois, visto um moletom e um tênis. Estico braços e pernas e saio para correr.  São só dois quilômetros antes de correr de volta para casa. Uso o piso da varanda de Gemma para fazer séries de flexões e abdominais. Estou molhado de suor quando volto para meu quarto. Tomo um banho e me visto. Fecho a porta para que ninguém incomode Charlie e desço para a cozinha.

Ainda é muito cedo. Minha irmã não vai acordar por agora. Pego meu carro e vou à padaria mais próxima. Compro nosso bolo e biscoito. Volto para a casa e faço café. Acho que é forte demais para o gosto da maioria das pessoas, mas é o suficiente para mim. Tomo uma xícara e fico escorado a bancada, lendo as notícias do dia.

— Sua namorada não acordou até agora — Gemma fala, sentando-se a mesa. Ela está de pijamas e com a cara toda amassada.

— Ela não é minha namorada — explico. — Só saímos juntos ontem. Se ela não tivesse ficado assim, então nós poderíamos ser alguma coisa.

— Deveríamos levá-la ao médico.

— Você me disse isso não tem — olho o relógio na parede — doze horas. Eu ainda acho o mesmo. Não tem muito a ser feito.

— Então vamos ficar com uma garota desmaiada quase nua no seu quarto, na minha casa?

— Quase nua é um exagero e você sabe. Ela vai acordar em algumas horas.

— E se isso não acontecer? — Gemma ergue uma sobrancelha.

Suspiro.

— Eu a levo ao médico. E você ainda vai ter a chance de jogar na minha cara que eu estava errado.

 

Antes

— Acho que o último enxerto resolveu o problema.

Fiz uma careta enquanto a médica removia a faixa das minhas costas e avaliava o resultado. Miranda sorriu, balançando a cabeça em completa desaprovação.

Minha mulher estava sentada de frente para mim, com o rosto escorado na mão e uma leveza no olhar que eu não via há tempos. Seus olhos brilhavam e eu agradecia pela chance de vê-los assim. Era um alívio enquanto a médica remexia minhas costas, verificando o processo de cicatrização das minhas costas.

— Eu espero que sim. — comento. — E bem mais doloroso do que parece passar por isso.

— Não o escute, Janet. — Miranda avisou. — Ele é bem mais fraco do que parece.

— É, mas não é o tipo de coisa que eu saio falando para qualquer um.

Janet riu. Ela e Miranda eram amigas. Ou algo assim. De qualquer forma, havia algum tipo de familiaridade entre as duas que garantiu um excelente tratamento para as minhas costas e todo o estrago.

— Não vamos contar isso ao seu supervisor. — Janet brincou. — Tudo o qur eu podia fazer eu já fiz. Agora, é só seguir as minhas recomendações.

— Eu vou.

— Sem mais fogo para você. Cuide bem dele, Miranda. Nós nos vemos logo.

Janet saiu. Peguei a blusa e a vesti. A pele ainda repuxava conforme eu me movia, mas era muito melhor do que o calor insuportável devorando os meus músculos e destruindo a carne.

Miranda me encarava.

— Ficou ruim assim? — questiono.

— Você nunca conseguiria ficar ruim. Não para mim.

Sorrio. Estendo minha mão em sua direção e ela agarra, erguendo-se em seguida.

Saímos do hospital apenas para passear pela cidade.

Era meio do outono. As folhas caiam, enchendo o chão de manchas amareladas. As pessoas começavam a usar casacos, cada vez mais grossos, e desfilavam de um lado para outro, firmemente agarradas em alguém.

Puxei Miranda para mim. Ela enrolou um braço ao meu redor. Beijei o topo de sua cabeça, apreciando o cheiro de morangos de seu condicionador.

Uma foto de Miranda não era o mesmo que ela. Constantemente, tudo que eu tinha era um pedaço de papel amassado e as lembranças em minha mente. Ver os olhos azuis cheios de vida e o sorriso brilhando era completamente melhor. Impossível de descrever.

Eu nem ao menos conseguia desviar o olhar. Ficava preso, encantado com cada mínimo movimento seu e apaixonado por cada detalhe. Gastava segundo decorando suas feições da forma mais metódica possível, nada disposto a deixá-la para trás.

— O que está olhando? — Miranda questionou.

— Estou me lembrando de todas as razões que me fazem te amar.

Miranda sorriu. Ela deu um soco em minha barriga e se afastou, caminhando até perto de uma árvore. Agarro-se ao galho mais baixo e me encarou.

— Posso te lembrar disso todos os dias. — ela falou. — Enquanto estivermos vivos.

— Isso significa que vai gastar muito com ligações de longa distância.

O sorriso de Miranda sumiu de seu rosto. Seus olhos se entristeceram enquanto sua expressão de surpresa se tornava decepcionada e frustrada. Ela se soltou da árvore, dando alguns passos para trás de mim.

— Ligações de longa distância? — sussurrou. — O que está falando, Harry?

— Eu volto para a minha base semana que vem.

— Volta? Não. Você não volta. Você foi dispensado. Com honras. Não tem que voltar.

— Eu liguei para o meu comandante. Ele disse que me aceita. Que posso terminar o período.

— Você é louco? Por que faria algo assim?

— Eu tenho que terminar o que comecei.

Os olhos de Miranda se encheram de lágrimas enquanto ela cambaleva para o lado. Houve tsnta tristeza em seu rosto que eu me senti o pior ser humano do mundo. Senti que a magoava e isso destruiu um pequeno pedaço de mim.

Engoli em seco. Minha decisão estava tomada e não havia nada que pudesse mudar isso. Eu não voltaria atrás porque precisava resolver o que tinha começado. Não poderia deixar tantas pendências em aberto. Eu só seguiria atormentado ficando aqui.

Esperava que Miranda entendesse isso.

— Não pode ir, Harry.

— Não posso ficar. Você sabe. Eu... É algo que tenho que fazer.

Miranda se aproximou. Ela colocou suas mãos em meus braços. Estiquei o dedo, secando uma lágrima que escorria pela curva do nariz

— Preciso de você aqui. Mais do que nunca. Eu preciso.

— Por favor, tente entender. É algo que eu devo ir.

— Você não pode ir, Harry. Não sou só eu que preciso de você. — Miranda puxou minha mão, colocando-a sobre sua barriga. — O seu filho também precisa.

Aquilo me fez vacilar. Eu senti o meu mundo se inclinando, sendo percorrido por um furacão muito violento.

Uma parte de mim estava explodindo de felicidade. Inevitavelmente e como louca, gritando o quão fantástica aquela notícia era. Eu havia esperado por muito tempo por esse tipo de redenção e quase achava que ela não aconteceria mais.

Outra parte mantia a posição sobre a minha escolha. Essa parte sabia o que aconteceria se eu aceitasse o pedido de Miranda, se ficasse aqui ao invés de ajudar os amigos que deixei em outro continente. Não suportaria o peso dessa escolha.

— Como..? — babulcio.

— Você está aqui já faz alguns meses. — Miranda deu de ombros. — De alguma forma, nós escorregamos.

— É uma notícia maravilhosa. E é mais uma razão para que eu vá.

— Como disse?

— Não quero correr o risco de cometer os mesmos erros de novo. Eu quero dar ao meu filho algo para se orgulhar.

— A única coisa que você vai dar é seu corpo morto. E eu vou chorar sobre ele. Quantas vezes você quase morreu lá?

— E quantas vezes eu sobrevivi? Sou forte, você sabe disso. Eu preciso continuar. É minha obrigação.

— Não. Você não deve nada a ninguém.

— Eu devo. Você sabe. Para muita gente.

—  A única pessoa cuja o julgamento importaria seria exatamente quem te pediria para ficar.

— Mas ela não pode. Porque eu cometi um erro estúpido. Uma merda de um erro na merda do pior dia, justo quando aqueles idiotas resolveram sequestrar a porra do avião. Eu sei. Penso sobre isso todos os dias.

— Eu também. Penso nisso sempre que visito o túmulo. Ela está enterrada. Não quero que você também esteja.

Puxei Miranda para perto. Ela se abraçou a mim, encostando seu rosto em meu tórax. Deixei uma das minhas mãos ao seu redor e acariciei seus cabelos.

Queria que ela se sentisse segura. Naquele momento, era tudo que me importava. Eu já tinha a certeza de que retornaria para ela, independente do que ocorresse.

— Amar dói. — Miranda sussurrou.

— Amar você é a única coisa que consegue curar minha alma e manter o meu coração inteiro. E fica mais fácil. Eu juro que fica. Cada dia, quando lembro do seu sorriso e sei que é um dia a menos naquele inferno. Quando as coisas ficam difíceis, e você sabe que ficam, saber que você me ama e que eu te amo é a única coisa que me faz permanecer vivo.

— Como fica mais fácil?

— Eu carrego um pedaço de você sempre. E agora você também carrega um pedaço meu. Literalmente. Te mantenho naquela fotografia que tiramos em Greenwich.

— Você ainda guarda?

— Claro que sim. Foi o melhor dia da minha vida. Foi quando eu percebi que estava completamente apaixonado por você.

— Ah, Harry... É horrível ficar sem você. Cada vez que o telefone tocava eu pensava... Pensava que você poderia estar morto.

— Eu não vou morrer. Tenho certeza.

— Como?

— Minha esposa e o meu filho estão em casa. Os dois precisam de mim. E eu os amo demais para conseguir qualquer um dos dois para trás.

— Eu sinto sua falta.

— Eu também sinto a sua. Quando eu olho para sua foto em Greenwich, eu me lembro de todas as razões que me levaram a ir atrás de você. Desde aquele dia, eu poderia te segurar por um milhão de anos apenas para que sentisse o quanto eu te amo. Ainda posso. E não vai ser o suficiente.

— Carrego uma foto sua. De quando estivemos em Paris.

Rio com a lembrança.

— Foi um ótimo dia. — concordo. — Só as palavras sangram nessa vida, Miranda. Quem é de carne e osso consegue se recuperar. Mantenha essa foto no bolso do seu jeans. Mantenha-a bem segura ali. Mostre para o meu filho todos dias e o faça lembrar do quanto eu o amo.

Beijo o topo de sua cabeça. Despedidas são sempre melancólicas e não é possível fazer isso ser mais fácil. Aproveito o cheiro de Miranda. Seu coração batendo. Sua respiração contra meu corpo. Suas mãos me segurando. Todas as sensações que são preciosas demais para que eu esqueça.

— Use para lembrar do meu amor. Quando os corações não estavam quebrados. E você nunca estará sozinha. Guarde até que os nossos olhos se encontrem novamente. Guarde no cordão que seu pai te deu. Perto do seu coração. Exatamente o lugar a que pertenço. Faça isso até eu voltar para casa

 

Agora

Depois do meio dia, já começo a me preocupar com a ideia de que Charlie dorme demais. Minha irmã joga isso na minha cara e usa como um argumento para ir ao médico. Ignoro os seus comentários.

Conforme a tarde passa, chego a conclusão de que meus compromissos deveriam ser cancelados porque preciso deixar Charlie na Sussex e me certificar de que ela vai estar bem. Desisto de ver televisão e subo para meu quarto.

Tiro um dos remédios que comprei com Momo e tomo. Eles são eficientes. Mas não estou disposto a ter mais uma crise de dor e tomo mais um. Vou precisar comprar outros desses.

Pego com Gemma uma das roupas dela que pode servir em Charlie e coloco as que ela usava na noite anterior para lavar. É uma forma de manter minhas mãos e minha cabeça ocupadas. Não tenho o hábito de ficar tanto tempo sem fazer nada.

Sento-me para ler um livro na cama, ao lado de Charlie. Já li quatro capítulos e já passa das cinco quando ela se remexe. Após alguns minutos em silêncio, vira-se para mim.

— O que nós fizemos ontem à noite? — ela pergunta, ainda sonolenta e confusa.

— Achei que não fosse mais acordar. Acho que aquele cara que te pediu informações queria mais do que isso. Deveria ficar feliz por eu ter te tirado de lá a tempo.

— Evitou que eu fosse estuprada. Que grande e clássico clichê da literatura contemporânea. Ainda sim, obrigada.

— Como se sente?

— Tonta e entorpecida. — Ela fecha os olhos como se fosse voltar a dormir. — Com sono também. Eu poderia dormir mais.

— Você dormiu por umas 17 horas. Pensei que acordaria pronta para outra.

Ela revira os olhos.

— Tem alguma coisa para dor de cabeça?

— Vou pegar um analgésico para você.

Levanto e ando até o banheiro. Abro a porta do armário abaixo da pia. Gemma sempre deixa uma série de remédios selecionados ali para o caso de eu precisar. Puxo a caixa do Tylenol. Pego o copo de vidro e coloco um pouco de água nele. Volto para Charlie e a encontro sentada na borda da cama.

— Eu deveria perguntar como entrei nessa roupa? — ela questiona, puxando o tecido da blusa.

— Não faz muita diferença. — Entrego-lhe o remédio e a água.

Ela toma o Tylenol e coloca as coisas de volta em minha mão.

— Ferrei com o seu dia, não ferrei? — ela fala. — Ficou preso comigo aqui, o dia todo.

— Fiquei fazendo companhia para minha irmã.

— Teve que cancelar seus compromissos. Poderia ter me levado para Becky e me deixado lá.

— Então sua amiga me olharia como se eu fosse um babaca e nunca mais te deixaria chegar perto de mim.

— Bem observado. Eu vou me vestir para você poder me levar para casa. — Ela olha em volta. — Onde estão minhas coisas?

— Na lavanderia lá em baixo. Exceto seu sapato. Ele está aqui. — Pego as roupas de Gemma e passo para Charlie. — Não são o tamanho ideal, mas acho que servem.

Ela balança a cabeça.

— Não vai sair? — Ela ergue uma sobrancelha.

Movimento-me para fora do quarto. Encontro Gemma cercada de livros na sala. Ela está quase sempre estudando. Talvez seja por isso que meu pai goste tanto dela.

— Charlie acordou — aviso. — Ela só está se vestindo e eu vou levá-la embora.

— Não seria bom que ela visitasse um médico?

— Eu sei que você está noiva e vai se casar com um, mas sua vontade de visitar médicos e hospitais está me preocupando já.

Gemma arregala os olhos e cora as bochechas. Volta a olhar para os livros e papéis em seu colo.

— Não esqueça que precisa experimentar o seu terno na quinta — ela desvia o assunto. — E que temos o jantar de ensaio geral na sexta.

— Eu tenho você para me lembrar. — Mostro os dentes.

Gemma suspira e volta para a cozinha, dizendo que vai preparar um café. Eu volto ao segundo andar, disposto a apressar Charlie. A porta está entre aberta e eu paro ao ver uma sombra atravessar o quarto. Fico observando pela fresta o que ela está fazendo.

Charlie para em frente à cama e desdobra as roupas de Gemma. Gasta algum tempo analisando o conjunto e depois desabotoa a camisa, deixando-a cair aos seus pés. Poderia ter sido eu a tirá-la. E depois, ela passa o jeans pelas pernas e veste a blusa de uma forma tão lenta que parece ser ensaiada para tentar alguém. Ela calça os saltos.

Quando ela vem em direção à porta, eu me afasto e tento parecer o mais natural possível.

— Há quanto tempo está aqui? — ela pergunta. — Você não estava me observando, estava?


Notas Finais


Espero que tenham gostado, amores! Foi um capítulo mais tranquis, mas o menos gostei. Espero que sintam o mesmo.
Ah! Trouxe algumas fics pra vocês: https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-5-seconds-of-summer-trouble-4751126
https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-justin-bieber-farce-5180490
https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-one-direction-the-dogwalker-2026261
https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-exo-roomie-5033052
Como sempre, amo quando vocês falam comigo. Eu tô por aqui constantemente, então chamem pra gente bater um papo ou vão lá nas ask (https://ask.fm/GrupoDOW) que a gente pode bater um papo por lá também! Mas amo falar com vocês, então aparecem quando der que vai ser mó legal, eu garanto. E o link dos trailers procês: https://www.youtube.com/watch?v=E9ueQZiNvCU e https://www.youtube.com/watch?v=NnRWxhnq0h8
Até logo, amorizinhos!
xoxo


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...