História Red - Capítulo 9


Escrita por: ¢

Postado
Categorias Elizabeth Olsen, Harry Styles, One Direction, Zayn Malik
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Charlie Dawson, Drama, Elizabeth Olsen, Guerra, Harry Styles, One Direction, Starlotus2017, Terrorismo
Visualizações 1.899
Palavras 9.419
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, babys!
Vou ser bem rápida aqui, prometo. Eu só quero agradecer por todos os favoritos e comentários. Muito mesmo! Vocês não tem noção do quão contente estou e do quão importante é isso pra mim, então realmente só posso agradecer por isso.
O capítulo foi betado pela galera do Support Fanfics. Blog ótimo, inclusive. Um muito obrigada por isso. E esse capítulo é um pouco mais polêmico, então peço que mantenham a mente aberta durante a leitura e tudo mais.
Boa leitura e até lá embaixo!

Capítulo 9 - Vermilion


Fanfic / Fanfiction Red - Capítulo 9 - Vermilion

Harry

 

— Você não acha que um terno é forçar a barra? — questiono. — Especialmente um que não é meu. Ficou extremamente largo.

Gemma abaixa a revista. Ela me olha por um segundo com a sobrancelha erguida antes de voltar a ler as fofocas.

— Você deveria comprar um terno do tamanho certo para você. — diz, por fim. — O George só ficou de um tamanho razoavelmente parecido com o seu agora.

— Obrigada pela conclusão do óbvio. — murmuro.

Tiro a gravata. Não precisp me olhar em um espelho para saber que aquilo não está funcionando. Além de não causar uma boa impressão, proporciona uma sensação de enforcamento que só serve para me sufocar.

Jogo o pano sobre o sofá e dobrp o colarinho.

— Quer que eu vá com você? — minha irmã pergunta.

— Não, não vai ser preciso, pelo menos, eu acho que não. Posso sobreviver.

— Claro que pode. Mas acho que pode abrir esse primeiro botão porque você parece um mauricinho careta.

— Certo. Mas, abrindo, pareço um idiota metido a besta.

— Oh! E você não é?

— Rá rá. Engraçadinha. Velha.

— Idiota.

— Esnobe.

— Porco.

George grita da cozinha que nós deveríamos parar com uma coisa tão infantil como essa. No lugar, aconselha que Gemma poderia ajudá-lo a preparar o jantar enquanto eu terminava de me vestir — ou de ter certeza de que estava decentemente vestido — e sair.

Mas Gemma se recusa. Ela já tinha ajudado o suficiente e agora só queria ler a versão mensal de sua revista.

— Estou pensando em comprar uma casa em Brighton. — falo.

Removo o paletó e movimento os ombros. A peça está tão larga que não há muito diferença em vesti-la ou não. Tento montar uma imagem mental com e sem aquela roupa e decidi que seria muito mais seguro usar.

Gemma abaixa a revista. Ela deixa o papel sobre o colo e fica me encarando por tanto tempo que sinto como se me analisasse.

— E você vai fazer isso porque... — ela tenta entender.

— Tenho passado mais tempo aqui do que em Londres.

— Tem um quarto nessa casa. Não precisa comprar uma por causa disso. Você é bem-vindo sempre. Sabe disso.

— Gemma, o meu quarto fica do lado do seu. Significa que eu escuto tudo, tudo mesmo, que você e o George fazem. Sendo bem sincero, acho que você odiaria me ouvir trepando com alguém.

— Por que só agora? Quero dizer... Por que repentinamente você quer fazer isso?

— Não é repentinamente. — sento ao lado dela. — Pensei bastante nisso na última semana e...

— Última semana? Só sete dias. Talvez menos.

— Eu sei o que eu estou fazendo. E tenho dinheiro suficiente para isso. Só acho que você gostaria de saber.

— Isso tem haver com aquela garota? — Gemma fala após alguns segundos. — Aquela que dormiu aqui.

— Não.

— Todas as suas viagens para Brighton começaram depois dela. Estão saindo tanto assim?

— Não.

— Nesse caso, você é muito apressado.

— Não é por causa da Charlie. Quero dizer, talvez seja. Ela é legal. Eu gosto de estar com ela. — dou de ombros. — Talvez algo acontece. Ou talvez não. Mas não é por isso. Eu gosto de Brighton. E não acho que seja justo estar sempre no seu caminho.

— Não está no meu caminho. Não sempre.

— Pode ser honesta, Gemm. Eu não sou sensível como você acha. Nós dois sabemos que é um porre eu estar sempre aqui, entre você, George e tudo que vocês querem.

Gemma suspira. Ela ergua as mãos para cima, com a palma exposta.

— Se é isso que você quer... Se essa é a sua decisão final, eu aceito.

— Nem foi difícil assim, foi?

— Você deveria ir. Ou vai chegar atrasado. — Concordo com um movimento de cabeça. — Eu devo esperar acordada?

— Eu tenho cópias da chave. Por que não aproveita para ficar com o seu marido? — levanto-me. — Pareço apresentável?

— Claro. Se eu não fosse sua irmã e nem casada, até poderia pensar em te dar uma chance.

— Você é uma mentirosa.

Peguo as minhas chaves. Gemma se levanta para me dar um abraço e eu grito em despedida para George. Depois que saio, penso que deveria ter pedido que ela me desejasse boa sorte. Isso aumentaria um pouco a minha confiança. Talvez minimamente, mas acho que seria o suficiente.

Eu não sei o que estou fazendo. Quando olho para a velha, e quase destruída, cópia de Padrões da Cultura jogada sobre o banco do passageiro, eu confirmo minha completa falta de senso. Percebo que não tenho nenhuma ideia do que eu estou fazendo e nem qualquer garantia de que pudesse funcionar.

É um tanto quanto caótico. Meu plano inicial já parecia fadado ao fracasso mesmo mal tendo começado. Chegar à Sussex com um livro que eu não conseguira compreender por completo e achar que eu poderia ter uma discussão sincera e verdadeira sobre aquilo ou ao menos bolar uma questão inteligente sobre o assunto é inocência. A cada momento, eu sinto o meu estômago ficar um pouco mais fundo e eu vejo a minha própria expectativa caindo por terra.

Deixo o carro atrás do centro de conferências. A maioria das pessoas ali é, no mínimo, cinco anos mais jovem do que eu, e bem mais mentalmente sãs. Andam em grupos nos quais eu não conseguiria me infiltrar. Há uma diferença intrigante entre eles e eu. Talvez Charlie se interessasse pelo aspecto cultural disso. De fato, seria um ótimo objeto de estudo.

Descobro que estar com eles seria uma péssima ideia. Tentar com eles. A parte do meu cérebro que é responsável por interação social estava seriamente danificada. Gemma dizia que essa era a única coisa que me impedia de ter amigos.

Fico no carro. Eu verifico o meu relógio de tempos em tempos — mas isso não fazia com que os minutos rendessem — esperando a hora marcada para o início da palestra. Havia chegado muito cedo.

Minha mente havia criado uma série de cenários perfeitos. Eu chegaria, esbarraria em Charlie e nós teríamos uma ótima conversa. Mas isso era só a expectativa. A realidade me atingiu em cheio, assim que passei a analisar todos os alunos em busca de apenas um. Nem estava certo de que ela estaria ali. Claramente, o assunto seria de seu interesse, mas não era uma confirmação da presença dela.

Saio do carro. Mantenho-me escorado na porta, com um cigarro acesso na boca e avaliando as pessoas abaixo de mim. Eles estão tão completamente despojados, com tênis rasgados e calças caídas, que percebo que sou um careta. Talvez até um velho. Ninguém aqui usa nem uma camisa social.

— Merda. — eu murmurp para mim mesmo.

Tiro a blusa de dentro da calça e abro os dois primeiros botões. Depois, arregaço as mangas do paletó até um pouco abaixo dos cotovelos. Espero não parecer tão ridículo quanto eu me sentia.

Verifico as horas. Não tenho tempo para ir para a casa de Gemma e por uma roupa que fosse mais adequada ao ambiente. Decido que ficar me frustrando com o vestuário seria uma grande idiotice. Naturalmente, eu não conseguiria sair daqui com dezenas de novos amigos. E nem queria isso.

Pouco antes de a multidão começar a se mover, eu deso e arrumo um lugar para me sentar ao fundo, onde eu pudesse ter uma visão de todo o espaço O auditório começa a se encher. E quanto mais pessoas entram naquele lugar, mais o barulho aumenta. Eu me sinto mais sufocado conforme percebo que hpa um número grande de gente sentando nas cadeiras.

Nesse momento, sentar onde eu estou se provava uma escolha difícil. Eu vejo toda a movimentação. Absolutamente tudo. Estar mais a frente tornaria a minha perspectiva menor e o ambiente se transformaria em um lugar mais seguro.

Leva algum tempo até que se criasse uma espécie de estabilidade. Depois de alguns minutos, o número de pessoas entrando diminuí consideravelmente. Ainda há muito barulho e isso me impede de conseguir pensar corretamente.

Fico avaliando as fileiras. Existem muitos cabelos amarelos por aqui. Diferentes variações. Mas nem sçao do mesmo tom acinzentado de Charlie. Encontro uma coisa esbranquiçada, mas não era nem parecido.

Começo a me frustrar. Antropologia e cultura faziam parte dos focos de estudo dela. Eu sei disso. Foi por isso que rodei alguns sebos e liguei para os colecionadores até achar o exemplar certo de um livro de alguém que ela gostasse. Pessoalmente, eu não entendo muito do assunto para poder opinar. Nem tenho ideia de onde estou me metendo.

Escurecem a sala. Não apagam completamente a luz. Ainda há um leve resquício de luminosidade próximo ao palco. Posso ver silhuetas e vultos, mas havia perdido completamente a definição de rostos. Esse é apenas mais um aspecto que desmantela o meu plano.

Ligam o projetor.

 

Antes

 

Querido Harry,

As suas cartas ainda não chegaram para mim. Meu pai disse que poderia ser uma greve nos correios ou algum problema com o transporte. Isso me fez pensar sobre a validade desse ato. Mandar-me um email seria muito mais simples e rápido. Também um risco bem menor. Mas acho que eu lhe conheço bem o suficiente para saber que você gosta de um clássico e que não vai abrir mão desse privilégio. Além do mais, com as suas cartas, vendo sua letra, é mais fácil de saber que está tudo bem. Posso guardá-las bem e sempre terei uma boa lembrança de você.

Como está? Como vão as coisas? A zona de guerra é bem diferente do que o treinamento, não é? Acho que nada pode te preparar para o horror da realidade. Ela pode ser dura e fria como concreto às vezes.

De qualquer forma, é bom que saiba que mesmo há quilômetros de distância, eu ainda estou aqui para o que precisar. Nem todas as soluções podem ser imediatas. Algumas vão levar um tempo, mas estou sempre aqui.

Fui ao centro de veteranos alguns dias atrás. Estava ajudando Leigh Anne com o projeto dela. Você sabe. A maioria deles foi extremamente gentil comigo. Alguns não. Mas eu entendo a razão disso. Todos aqueles homens eram homens quebrados. De alguma forma. Eles perderam uma parte de si na batalha. E é muito difícil perceber que está incompleto. É preciso um tempo para se reerguer e achar uma nova forma de seguir em frente.

Muitos deles nem estão fisicamente completos. Perderam um braço, perna ou o movimento de uma parte do corpo. Você sabe que o meu objetivo sempre foi à cirurgia e a emergência, mas, olhando para aqueles homens, eu senti uma vontade grande de mudar meus planos para poder, de alguma forma, ajudá-los.

E nem faça essa cara. Sei o que está pensando. "Não pode fazer milagres sozinha". Você diria isso. E você sabe o que eu responderia. "Quem roubou a sua coragem e colocou o medo no lugar?”.

Cheguei até a pensar em me inscrever como médica. Eu sou boa sob pressão. Faria um ótimo trabalho na zona de guerra. Só precisaria de um treinamento.

Mas me lembrei de tudo que isso trouxe para nós. De como eu odeio estar tão longe de você e não poder sentir seu abraço, seu beijo ou seu cheiro. A cama é tão vazia e fria desde que você se foi que eu nem me sinto confortável nela. Questões do progresso, se é que podemos chamar isso de progresso, não deveriam falar mais alto que um coração. E o meu coração só falava que havia muita gente precisando de mim e que todas as vezes que eu olhasse para um daqueles homens, eu veria o seu rosto.

A faculdade está em um ritmo intenso agora. Estamos correndo para a residência. Estou contando os segundos. Logo, vou poder estar pondo a mão na massa e ajudando pessoas como eu deveria. E posso imaginar sua cara de orgulho agora. Você sempre fazia a exata mesma expressão quando eu dava alguma notícia positiva sobre o meu curso.

Em pouco tempo, seria a sua vez. É claro que agora isso não passa de passado e sonhos. Para você, é diferente. É o momento da verdade e da mentira. De morrer e de lutar. E, acima de tudo, de lutar.

Você sabe o seu lado. E desde que se decidiu, eu só fiz o que tenho tentado fazer desde sempre e me mantive ao seu lado. Mas eu rezo todas as noites para que não confunda a realidade com a invenção. Não se esqueça de quem são as grandes vítimas no meio desse fogo cruzado.

Sabe os veteranos de que lhe falei? Nós conversamos bastante. Falei para eles de você. Contei muito. Alguns me disseram que você era só um grande idiota e que nada que tivesse passado poderia ser justificativa para um atitude tão "estúpida e sem qualquer tipo de senso". Mas outros me mandaram lhe dar os parabéns pela sua coragem. Especialmente por você não ser um nascido americano.

Nem todos tem esse tipo de atitude. Nem todos estão dispostos a arriscar tudo o que tem para defender um país, principalmente quando esse não é o seu país.

Mas eles me disseram mais do que isso. E não foi assim tão positivo. Disseram que você veria coisas ruins. Muito ruins. Tudo bem. Uma parte de mim sabia que isso ia acontecer. É inevitável, eu diria.

A minha grande preocupação, Harry, é como isso pode te afetar. Você não é o senhor da sensibilidade e nós dois sabemos disso. Já tem um tempo que falar dos seus sentimentos não é uma tarefa fácil. Creio que nunca foi. Você se embola até para dizer uma frase simples e coreografada como "eu te amo". Sempre vou me lembrar de como gaguejou quando me disse isso pela primeira vez. E sempre vou rir. Exatamente como você faz agora, lendo isso.

Eu não sei como essas coisas vão mudar você. Talvez um pedaço de você se quebre. Talvez você tenha pesadelos. E só estou pensando na parte emocional. Rezo a Deus todos os dias para que, ao menos fisicamente, você volte inteiro.

Independente de como vai te afetar, eu sei que é um fato impossível de alterar. Prometa-me que não vai se fechar. Ao menos, não para mim. Jamais para mim. E que vai aceitar toda a ajuda que eu oferecer.

Você sabe. Eu sou a sua única da mesma forma que você é o meu único. Pode estar se tornando um herói para essas pessoas, Harry, e até para você mesmo. Mas sempre será meu marido. Sempre será o homem que eu amo. Por você, eu engulo todo o meu orgulho só para fazer funcionar. E eu preciso que o homem que eu amo volte. Porque eu preciso dele para conseguir viver.

Já tive muitas despedidas antes. A minha vida girou ao redor disso por muito tempo. Pessoas indo embora sem qualquer plano de voltar. Deixando sombras em seus lugares e que nossas mentes sejam danificadas pelo vazio. Alguns têm sorte. Estão respirando sem pulmões queimados ou ainda conseguem sangrar porque os sentimentos estão vivos. Podemos ser a juventude selvagem, aquela que pode revelar a verdade, mas isso não nos impede de sofrer e se quebrar.

Eu já perdi muita coisa. Já me venceram e quebraram meu coração. Eu descobri que era uma sorte estar apaixonada recíproca e verdadeira, porque a maioria estava sofrendo por alguém. A maioria aceitou botar fogo no interior apenas para não sentir a falta.

Nós mesmos nos causamos isso. Você sabe e eu também. Estou tentando ser esperta aqui e evitar esse tipo de sofrimento. Não gosto de sofrer.

Estou protelando agora. O que eu quero pedir é que volte. Para mim. Nossa casa e nosso futuro. Estamos bem aqui, esperando seu retorno e uma chance de seguir em frente.

Fomos programados para cair. Você me disse isso e eu gostava de pensar que era só uma versão pesada da existência. Não é. Fomos erguidos para cair. Você está certo. E eu sei que, inevitavelmente, você vai cair. Talvez não agora, amanhã ou no próximo mês. Mas vai acontecer. E independente de quando isso acontecer, nem ouse se trancar dentro de uma caixa e recusar minha ajuda. Precisará ser reconstruído e não vai conseguir sozinho. Estarei lá para ajudar.

Desculpe falar disso. Tivemos conversas semelhantes muitos meses atrás. Mas eu precisava relembrá-lo de todos esses detalhes, porque, nas duas últimas noites, eu tenho me revirado na cama pensando nesse assunto e não poderia ter nenhum tipo de paz caso não lhe escrevesse isso. Por favor, Harry. Prometa-me que vai aceitar qualquer ajuda quando for preciso.

Estou com saudades. Contando os dias para o seu período ter um fim. Ainda falta muito tempo. As pessoas dizem que o tempo passa rápido, mas falam isso porque não estão esperando por nada. Eu estou. Toda noite, posso riscar um dia no calendário e isso alivia minimamente a pressão sobre o meu peito.

O meu pai acha que estou gastando caneta. Ele queria que eu passasse a viver com ele e mamãe. É loucura. Eu nem poderia. A minha casa é essa. Nós pintamos e decoramos. Tem um pouco de nós dois em cada cantinho e isso me ajuda a suportar a distância.

Mamãe manda um beijo. E papai... Bom, você sabe como ele é. Não é bom com os sentimentos e não acha, como você mesmo diz, que seja a melhor opção para mim. Ele está enganado. Já provamos isso muitas vezes e provaremos mais.

É meia noite. Estou acordada há muito tempo. Sem conseguir dormir. Não é um problema frequente. Estou me virando bem aqui. A vida segue, mesmo que eu não esteja pronta para tal.

Acho que estou mais preocupada. Suas cartas não chegaram e hipóteses ruins rondam minha mente. Escrevendo para você, é bem mais fácil imaginar que não há distância maior que seus braços estendidos para um abraço entre nós. Essa carta é para aliviar um pouco o peso do meu coração. Espero que ajude.

Saiba que eu te amo. De uma forma intensa e que eu não pensava ser possível. Cada dia tem se mostrado um suplício. Parece impossível. Quando a noite chega, posso respirar aliviada porque tenho alguma paz e mesmo tempo entre nós.

Quero uma resposta. Espero que suas cartas cheguem logo. Sinto que não há meio mundo de distância entre nós dois quando leio as coisas que você escreveu para mim. Suas palavras me dão um conforto difícil de encontrar.

Tenho lido Jane Austen. Pode ficar orgulhoso. Você passou muito tempo insistindo para que eu lesse os seus preciosos clássicos, que imagino sua felicidade agora. Não é o tipo de história que me encanta. Estou me esforçando bastante, mas o senhor Darcy ainda me parece só um homem rude e egocêntrico.

Sim. Estou começando por uma das obras mais famosas dela. Achei que pudesse facilitar o processo. Sei que não é sua preferida, mas logo chego nela. Ou não. Não sei se terei tanto ânimo.

Tenho que acordar cedo amanhã. Muito cedo. Vai ser um dia intenso. Prefiro dias assim. Eles mantém a minha mente ocupada e ajudam as horas a passarem mais rapidamente. Mas preciso dormir se quiser conseguir sobreviver. Colocarei essa carta no correio quando estiver a caminho da faculdade. Com um pouco de sorte, ela logo chega até você.

Com muito amor,

Miranda

 

Juntei as folhas e dobrei o papel nas marcas já existentes. Puxei o envelope para perto e encaixei a carta ali dentro novamente. Coloquei-a debaixo da minha coxa e puxei um dos cigarros. Acendi.

— Quanto tempo nesse inferno? — James perguntou.

Johnson lhe jogou o taco improvisado e arrumou a bola usada sobre o chão. James se inclinou e tentou fazer o objeto chegar o mais longe possível, até sumir de vista. Levantou uma quantidade absurda de poeira.

— Só mais algumas semanas. — Johnson avisou. Ele pegou o taco novamente. — Renner está ajudando aquela mulher da CIA agora.

— Como se fosse ser tão simples arrancar a cabeça de um dos homens mais procurados no mundo. — inclino o corpo para frente enquanto falo. — Ele é um fantasma. E ninguém aqui foi exatamente treinado para caçar fantasmas.

— Aquela mulher lá dentro acha que consegue.

— Se me deixar tomar um pouco de tequila, eu também acho que consigo qualquer coisa. — deitei-me no sofá. Era velho. Por mais que limpássemos, continuava cheio de poeira. — De todos os lugares no qual eu já estive, esse é um dos piores.

— Eu sei. — Johnson remexeu os braços, preparando-se para outra tacada. — As paredes são finas demais. Consigo ouvir todas as vezes que eles gritam. Não consigo dormir.

— Você se sente mal?

— Não. O som é muito alto.

Imediatamente, eu me sento. A indiferença de Johnson é algo que eu não compreendo e nem sou capaz de reproduzir. Ele está jogando golfe enquanto alguns homens gritam há metros de distância e se recusam a falar.

Queria poder lidar mais facilmente com essa situação. Os filmes de conspiração e os boatos eram até divertidos, mas ser exposto a esse tipo de realidade não beira nem ser plausível. Você não pode ter sua consciência e ainda aceitar algo desse padrão. São coisas diferentes e incompatíveis demais. Além das batalhas diárias, ainda existe uma guerra sendo travada dentro de você.

— Não vá me falar que se importa agora. — Johnson pediu enquanto James recolhia uma das bolas.

— Não é isso.

— É exatamente isso. Durante a segunda guerra, os japoneses torturavam nossos compatriotas. Durante a primeira, eles se tornaram prisioneiros. Foram heróis. Eles lutavam por algo.

— Aquelas pessoas — aponto para trás.  — também lutam.

— Um ideal deturpado e ideias tortas. Por isso que elas lutam. Pela crença inabalável de que a sua crença é realmente a única salvação. Não abandono o meu Deus nem sob tortura.

— Talvez Deus seja o problema. — recosto-me no sofá.

— Pensei que fosse católico.

— Algo assim. Mas todos ali adoram falar sobre o propósito divino que receberam. E nós adoramos relembrar que o nosso propósito é evitar o deles.

— E que acha? Sem religião não teríamos esse tipo de problema?

— Não. O ser humano é idiota e uma raça que realmente deveria ser estudada. Ele encontraria outra razão para brigar. Só acho que Deus, apesar de todas as ocupações e compromissos, poderia fazer algo para acabar com isso.

— Ele está fazendo. E nós somos parte disso.

Balanço a cabeça. Johnson arruma a bola que James trouxe no lugar e passou o taco adiante. Virei o rosto e encarei a poeira que subia e o chão tremendo e liberando vapor à distância. Gastei um segundo observando o complexo que se estendia alguns metros de lugar.

Uma boa personificação de inferno, eu diria. Depois de alguns segundos andando pelos corredores e entre as celas, você percebe essa verdade imutável. Eu poderia achar ruim, mas imaginava que seria ainda pior para qualquer pessoa do lado de dentro.

Terminei o cigarro. Joguei o resto no chão e pisei por cima. O movimento da bota gerou um estalo.

Não concordava com Johnson. Não via qualquer resquício de missão religiosa em nada do que nós fazíamos. Constantemente, eu notava toda a política e ego destruído por trás das missões. Ninguém aqui era melhor. Mas achar que fazia o certo me ajudava a dormir de noite.

— Quando eu me alistei, o meu pai disse algo que eu jamais esqueci. — Johnson confessou. Encarei-o. — Ele me perguntou se eu teria coragem de matar para salvar uma vida. Disse que seria exatamente o que eu precisaria fazer. Achei que fosse idiotice e besteira. Mas eu entendo agora. É o que nós fazemos. Damos a centenas de crianças a oportunidade de terem uma ótima vida, um futuro e de pais não chorarem em seus túmulos.

— É um argumento realmente muito bom. Eu acho que deveria te falar isso.

— Não foi bem o que eu quis dizer.

— Está tudo certo, Johnson. Sensibilidade não é o ponto forte de nenhum de nós.

Levanto-me. Cansei de ficar ali, mofando no calor insuportável. Estar em movimento poderia ajudar.  Na verdade, nunca fazia muita diferença. Só ajudava a manter a minha mente ocupada e evitar um colapso. Precisava manter o meu cérebro ocupado de alguma forma ou poderia me expor a resultados catastróficos.

Coloquei o envelope no bolso de trás da calça. Andei por meio ao complexo. Sabia que Renner estaria aqui e talvez ele precisasse de alguma ajuda. Seria mais produtivo.

Especialmente quando eu ainda não havia digerido todas as informações de Johnson.

Talvez ele estivesse certo. Receber esse tipo de alívio e permissão divina ajudava extremamente. Eu conseguia entender porque você diz isso para si mesmo. De alguma forma, isso que fazíamos era provavelmente o mais certo. E nem era preciso seguir alguma religião ou acreditar em qualquer versão de Deus para saber disso.

É claro que, em alguns dias, acreditar em uma verdade como essa era um pouco mais complicado.

Depois de algum tempo andando de um canto para outro, percebi que só tinha areia como companhia. De alguma forma, estávamos sempre sozinhos. Mas perceber essa realidade não era fácil.

Gostaria de ter mais um cigarro. Havia ficado na mesa de apostas, perto de onde James e Johnson tentando jogar golfe com bolas de meia que não conseguia cumprir a função. Não queria voltar para lá e aceitar um sol tão insuportável quanto aquele sobre minha cabeça. Então, ao invés de aceitar as condições atuais, eu entrei no complexo.

Cachorros latiam. Os soldados haviam dito que eram animais sociáveis, mas passavam tanto tempo latindo, babando e ameaçando que eu não me arriscaria a por a mão em nenhum deles. Havia um risco grande de eu simplesmente perdê-la.

Algumas risadas vieram em seguida. Eu sempre precisava ser lembrado que a acústica daqui era surpreendentemente boa. Só não entendia exatamente como eles ainda conseguiam rir.

Dei alguns passos à diante. Eu via outras pessoas por ali. Soldados como eu. Mãos manchadas tentando se esticar para fora e pedir por algum tipo de ajuda.

Balancei a cabeça, afastando qualquer mínimo indício de pena que eu pudesse ter. Não havia inocentes; não havia dignos de pena ou dó. A verdade inevitável era que todos carregavam uma culpa igualmente dolorosa.

O cachorro latiu de novo. Foi quase um susto. Eu me distanciei do lugar de onde os barulhos vinham em um ato involuntário. Não tinha qualquer confiança naqueles animais. Tropecei e esbarrei nas grades atrás de mim.

— Você pode me dizer a data e se é dia ou noite?

Não era um bom inglês. O sotaque estava muito marcado e definido. Ele falava rápido e isso complicava a compreensão da fala. Suas mãos se agarraram as grades. Estavam com escoriações e marcas de sujeira, especialmente nas juntas. Ele tinha o rosto fino e manchado de sol. Quando saiu das sombras para uma zona mais iluminada, pude perceber que ele não era do tipo que deveria desistir facilmente.

— Por que eu deveria? — rebato.

Miranda havia me dito uma vez que uma das piores torturas era a privação da percepção de tempo. Nem me lembrava de como nós chegámos nesse assunto, só percebi que deveria ser fácil entrar em desespero sem saber a data, quanto tempo havia se passado e se o sol já tinha se posto ou continuava erguido no céu.

Era um modo eficaz de causar desespero. O lado de dentro não fornecia luminosidade suficiente para garantir a percepção de dia e noite. Sabe o horário ou algo um pouco mais preciso era impossível.

— Não pode fazer um favor para um amigo?

Ri alto. Foi inevitável. Era um dos tipos de consideração mais descabidas que já havia escutado. Não era só improvável como também ridículo.

— Eu não sou seu amigo. — agacho-me. — E eu nem quero ser. Nem mesmo gosto de você. E tudo bem se você ficar agoniando nessa sala. Não me importo. Eu sou o cara mau da história, e não o bom. Tem mais alguma pergunta?

 

Foi um alívio poder sair daquela prisão e voltar para a nossa base. Havia uma distância considerável entre esses dois pontos e eu preferia me manter o mais longe possível do primeiro deles. Mesmo com todo o espaço, eu ainda conseguia ouvir um daqueles cachorros rosnando e latindo, pronto para atacar.

As coisas começaram a normalizar nesse ponto. Voltávamos a nossa atividade inicial. A cidade ao nosso redor parecia estar calma e, embora mantivéssemos a guarda erguida, não era uma das nossas maiores preocupações.

— Então o que nós perdemos? — Olive questionou.

Eu não imaginava que ela duraria tanto tempo aqui. Parecia extremamente empenhada a descobrir qualquer mínimo detalhe e estava arrastando sua minúscula equipe e o nosso esquadrão juntos nisso.

Coço a cabeça. Estamos revisando essas informações há tanto tempo que começa a ficar frustrante e irritante.

— A paciência e a dignidade. — murmuro. Ela me encara. — Samir disse que não sabia nada sobre a localização dele. Que não soltaram essa informação. Então, não perdemos nada.

— Mas Samir — Olive seguiu a linha azul no quadro, conectando duas fotos. — nos leva a Abhu.

— Outro fantasma.

— Mas Samir disse que Abhu era o principal contato dele. — Johnson disse. — Não podemos usá-lo como isca.

— Eles suspeitaram. É óbvio. Samir sumiu por semanas depois de ter sido preso. Não acha que eles sabem? — Clark falou.

— Sabem. Mas não precisam saber que Samir falou. — digo. — Ele pode falar que foi uma informação falsa e que conseguiu fugir quando abaixamos a guarda. Abhu nem precisa acreditar muito, só o suficiente para aparecer em um encontro.

— E se ele não aceitar? — Olive perguntou.

— Samir pode oferecer algo que ele queira. E nós não vamos perder nada por tentar.

Olive suspirou. Ela travou o maxilar e analisou o quadro minuciosamente. Não estava certo se aquilo era um bom plano, mas parecia suficiente e interessante. Tanto tempo me forçando a pensar em uma resposta para o mesmo problema fazia a minha cabeça doer.

Um garoto entrou correndo. Dificilmente nós recebíamos uma visita desse tipo. As pessoas tentavam se manter afastadas de nós muita das vezes. Acredito que não gostavam de nós e nem acreditavam no que fazíamos.

Acompanhei o garoto correr entre todos nós até alcançar Renner. Entregou-lhe um papel e saiu na mesma velocidade que entrara. Renner tentou ser discreto ao abrir o bilhete, mas houve uma drástica e perceptível mudança de expressão no rosto dele. Agora, estava preocupado.

— O que houve? — interrogo.

Se não haviam percebido, perceberam naquele momento.

Renner pigarreou. Ele dobrou o bilhete de qualquer forma e encaixou no bolso da calça.

— Vamos montar guarda essa noite. Equipes de dois. — explicou.

— Por quê?

— Só faça isso, soldado. É uma ordem.

— Sim, senhor.

E depois de mais algumas horas de divagações e um jantar rápido, pude dormir por algum tempo. Quando acordaram-me, era hora da troca de turnos.

Odiava a inconstância climática desse lugar. Os dias eram infernais e insuportavelmente quentes enquanto as noites eram mais frias que um congelador. Não sabia como poderia haver uma falta de equilíbrio tão grande em um espaço tão pequeno.

Vesti a roupa. Peguei um fuzil e segui Johnson para fora. Havia uma fogueira acesa com duas cadeiras ao redor. Quem quer que passasse seria visto por nós.

Eu me sentei e John ocupou o lugar ao meu lado. Ofereceu-me um chiclete e eu aceitei.

— Montar guarda. — comentou. — Tão divertido.

— Congelar nesse frio também é.

— Você reclama muito, Harry. Não entendo como sua mulher te suporta.

— Ela me ama. Ou algo assim.

— E você ainda aceitou vir para esse lugar. Espero que entenda bem o que fez e que ache o que está procurando.

— Eu também.

— Não acha aquela Olive bonitinha? Ela é bem cética, mas aposto que dá um bom caldo.

— Eu bato na sua cara ou você mesmo faz isso? Sou casado, Johnson. Posso até olhar para outras mulheres e achar que são bonitas, mas não gasto o meu tempo pensando se elas são boas ou não. Especialmente porque isso é idiota.

— Todo esse blá-blá-blá de direitos iguais. Sempre esqueço que você está nessa.

— Eu não estou em nada. Literalmente, nada.

Suspiro e olho em volta. Está tão vazio que chega a ser assustador.

— Pelo menos eles mantiveram uma fogueira. — Johnson continuou. — Isso ajuda bastante a passar pelo resto da noite.

Balanço a cabeça.

Gostaria de entender o que Renner havia recebido e que lhe fizera decidir que montar guarda era uma coisa necessária. Claramente, as palavras não eram boas e ele achava que manter em segredo era o melhor a se fazer. Por outro lado, eu acreditava que saber do que se tratava nos deixaria bem mais preparados para qualquer ataque.

Alguns minutos depois, houve o singelo barulho de uma explosão. Foi algo tão baixo e rápido que era claro que não apresentava qualquer tipo de ameaça para ninguém. Mas quando Johnson e eu olhamos para trás, as labaredas de fogo começavam a se expandir para tosa a base.

Foi involuntário nos pormos a correr. Era automático. Estávamos só seguindo o padrão e evitando que qualquer um se machucasse. Ficamos com as armas em punho, prontos para atirar. Sinalizei para Johnson. Ele foi em direção aos dormitórios e eu segui o caminho oposto.

Sabia que tínhamos um tempo minúsculo para tirar todos dali. Naquele ponto, já deveriam entender que se tratava de uma ameaça. Eu duvidava que houvesse qualquer perigo extra. Eles provavelmente acreditavam que isso seria o suficiente. Talvez fosse. Independente de ser o bastante ou não, havia muito deles com disposição para se explodir só para atingir alguns de nós.

Desisti da ideia da arma quando as temperaturas começaram a ficar altas. O mormaço se tornou constante. Havia vapor quente vindo da direção do fogo. Meu rosto rapidamente ficou molhado de suor. A roupa que eu usava naquele momento não ajudou muito.

Rezar começa a ser um ato involuntário. Enquanto você acredita, você reza porque isso trás algum tipo de conforto. A ideia de que possa haver algum tipo de ser divino te protegendo e cuidando de você é muito boa. Faz com que cada passo seja menos doloroso e complicado e que a expectativa de vida seja maior.

Estava quase crente de que andava em um espaço vazio. Não queria ter a surpresa desagradável de um corpo carbonizado no dia seguinte e isso me fez seguir em frente. Tentei apressar meus pés. O ar se tornava mais pesado e difícil de respirar.

Olive estava lá. Eu a encontrei tentando desmontar o nosso quadro e levar todo o possível para fora.

— Temos que ir. — aviso.

— Eu sei. Só um segundo.

Ela tentou se apressar. Puxou mais das imagens para fora. Suas mãos estavam cheias de arranhões e marcas vermelhas.

Conseguia perceber que ela não sairia tão rapidamente. Calculei o tempo que demoraria para sairmos e a posição do fogo naquele momento. Não havia minuto o suficiente.

Comecei a ajudá-la com os papéis, mas logo percebi que isso era inútil.

— Não temos tempo. — aviso. — Você pode ficar aqui, morrer com essas fotos ou ir lá para fora e fazer tudo de novo e, talvez, conseguir mais uma resposta.

— É um trabalho de anos!

— A minha vida é um trabalho de anos! Se nós morrermos aqui, qualquer coisa que tenha feito vai ser inútil. Além disso, eu não sinto que estou pronto ou com vontade de morrer agora!

Uma pilastra caiu.  O fogo se espalhou pelas paredes atrás de nós, devorando tudo em um segundo como um lobo faminto. Estaríamos cercados em pouquíssimo tempo.

Não queria mesmo morrer agora. Apesar de todas as tendências suicidas, não tinha qualquer vontade de perder a minha vida, especialmente tendo consciência de como seria doloroso. Era só desesperador.

Eu engoli aquele medo. Não tínhamos tempo para isso. Eu mentalmente tentava focar em coisas positivas e pedir para Deus algum tipo de oportunidade para fazer as coisas darem certo.

Olhei para Olive. Os olhos dela provavelmente tinham o mesmo desespero que os meus. Acreditei que agora ela entendia o quão importante era para nós sairmos dali. E fazermos isso bem rápido.

— Vamos. Agora. — eu murmurei.

Olive agarrou os papéis que conseguira soltar. Fez isso com a mesma força que uma criança agarra o brinquedo preferido. Balançou uma vez a cabeça, concordando com o que eu havia dito. Girou sobre os calcanhares e eu dei um empurrão para que corresse.

Minha arma ficou para trás. Só percebi isso quando senti que as minhas mãos estavam vazias. Isso não era comum. Sempre havia algo ali e isso me ajudava a controlar grande parte do nervosismo e conter a pressão. Perceber as minhas mãos vazias diminuiu grande parte da minha confiança.

Tossi. A fumaça preta atrapalhava extremamente a minha respiração. Podia imaginar fuligem no meu rosto enquanto meus pulmões tentavam processar o ar tóxico daquele lugar. Eu sabia que isso era fatal. Nesse aspecto, seria muito mais fácil sair daqui agachado. Era um fator básico: a fumaça ficava por cima e, abaixando, evitávamos grande parte desse problema.

Mandei Olive se agachar. Ela demorou muito tempo para entender o que eu dizia e porque dizia aquilo, o tempo explicando nos causou um atraso considerável. Quando Olive compreendeu, as chamas já estavam quase em nosso encalço.

Johnson já deveria ter dado o alerta geral e tirado todos os outros. Só havia Olive e eu. Isso diminuía as minhas expectativas de certa forma. Talvez, com tanto vermelho e laranja se expandindo por toda a madeira, ninguém se arriscasse a verificar qualquer existência humana naquele lugar.

A porta se tornou visível. Eu conseguia ver a fogueira tremulando ao longe, jogando faíscas minúsculas ao céu, e a areia no chão.

Olive acelerou enquanto eu me distraia com aquela visão. Houve um adorável vislumbre de segurança. Pude respirar fundo, completamente crente que as coisas ficariam melhor.

Algo desmoronou. Eu virei para ver a pilastra escurecida que atingira o chão. Estava lançando chamas agora, em um lugar bem mais baixo. Voltei a encarar a minha frente e me apressei.

A madeira sobre mim estalou. Isso me deixou bastante preocupado. O temor inevitável de que tudo cairia sobre a minha cabeça. A calça se rasgou quando o tecido ficou preso em um prego e acredito que parte da minha coxa tenha sofrido algo por causa do calor.

Uma tora caiu sobre mim. Um pedaço dela ficou pendurado no teto, formando meio triângulo com o chão.

As chamas eram mais brilhantes do que pareciam ao se olhar à distância. Era quase hipnotizante. E o calor conseguia ser dezenas de vezes mais forte do que o que eu sentia diariamente.

Olive gritou meu nome. Ela já estava do lado de fora, com a mão levemente estendida na minha direção. Deveria me apressar. O fogo poderia ser bonito, mas era mortal demais para que eu pudesse apenas ficar observando.

Algo quente atingiu minhas costas. Começou sendo até suportável. Em poucos segundos, eu senti uma dor lancinante subindo pelo meu ombro até a lateral do pescoço.

Isso atrapalhou muito. Era o tipo de dor que eu nunca sentira antes. Excruciante e quente, derretendo as camadas de pele e gordura até que a carne estivesse exposta e fosse possível de atingir. Eu mal conseguia pensar direito e concluir qualquer coisa porque a dor se tornou o foco de minha atenção.

Perdi a força que me mantinha de joelhos e apoiado sobre as mãos. Eu me arrastei para fora. Quando estava ao alcance, Olive agarrou minha mão. Ela gritou alto e me puxaram para fora daquele lugar.

Ainda sentia as costas queimarem. Alguém se apressou a apagar qualquer fogo que pudesse haver ali.

Eu não sou seu amigo.

A dor era extrema. Eu estava gritando alto enquanto alguém tentava remover a minha blusa.

E eu não quero ser.

O tecido estava grudado. Quando mais eles tentavam tirar, mais dor eu sentia. Se eu olhasse para baixo, conseguia ver a carne exposta no meu ombro.

Nem mesmo gosto de você.

Olive tentou me dar à mão. Ela queria me fornecer algum apoio, mas tudo que eu queria era gritar.

E tudo bem se você ficar agoniando nessa sala.

Tentaram me dizer para ficar calmo. Ainda estava desesperado. Chorar foi involuntário. Só percebi que isso estava acontecendo quando o meu rosto molhado. Eu estava perdendo o foco.

Não me importo.

Esse lugar não ajudava. Um pedaço de mim queimava. A parte exposta da carne em minhas costas repuxava e ardia a cada mínimo movimento. A dor aguda não se afastava dali. A lateral do meu pescoço passava pelo mesmo processo, assim como o meu ombro, enquanto o restante começava a tremer de frio.

Eu sou o cara mal da história, e não o bom.

Tentaram me levantar. Quis ajudá-lo. Quando fizeram meus braços se erguerem para que eu os apoiasse em outros, eu fraquejei. Isso piorou tudo completamente. A movimentação pareceu estender a dor que eu sentia pelo resto das costas e acabar com a paz que eu estava mantendo naquele momento.

Esqueci-me como se dava algum passa. Não pude me mover. Começaram a me arrastar para longe. Minhas pernas doíam. Meu pulmão ainda carregava resquícios de fumaça e o esforço que eu fazia para mexer nesse momento deixou-o ainda pior.

Tem mais alguma pergunta?

 

Agora

— Tem mais alguma pergunta? Nesse caso, podemos seguir para o próximo tópico.

Trocam o slide. Agora, há uma foto de uma mulher com o cabelo feito todo em tranças. Começo a me perguntar quando chegamos naquele ponto e qual era o assunto daquele momento.

Havia me distraído e me perdido em meio às palavras da palestrante. Deveria ter suposto que isso aconteceria, porque não havia nada naquela palestra que me fosse ligeiramente interessante.

Percebo que estou apenas fazendo um papel de tolo. Aquilo está fora dos meus limites e da minha jurisdição. Muito fora. Tantas pessoas em um ambiente tão pequeno, confinadas ali, faziam com que eu me sentisse claustrofóbico. O assunto diferente me deixa confuso. Não é uma combinação segura.

Arrastei-me até aquele ponto porque imaginei que Charlie estivesse ali. Havia muito tempo desde a nossa última conversa e percebi que não ter falado com ela por aquele tempo havia me causado uma sensação de estranheza. Descobri que meu subconsciente estava gastando tempo para criar cenários perfeitos de esbarrões entre ela e eu e de momentos que eu já sabia serem impossíveis.

Inevitavelmente, foi uma parte menos consciente de mim que me guiou até aquele ponto, deixando que eu nutrisse algum tipo de esperança que não se correspondia em nada com a realidade.

É frustrante perceber que meus planos não passam de sonhos quase impossíveis.

Suspiro, cansado. Eu me levanto e tento sair da forma mais discreta daquele lugar. Na última fileira não há tanta gente e é fácil manobrar para passar por elas.

Verifico o tempo no meu relógio. Mais de uma hora naquele lugar e eu sentia como se tempo nenhum tivesse passado. Havia sido um grande desperdício dos meus minutos e segundos.

Empurra a porta. Deixaram-na encostada, provavelmente tentando evitar uma movimentação desnecessária.

É bom estar do lado de fora. A segurança aqui se resume a alguns postes acesos e coisas que eu supunha serem câmeras de segurança. Fora isso, eu estou só. E é uma das melhores sensações.

Olho ao redor. Ando em direção ao carro.

— Você gostou?

Eu me viro imediatamente ao ouvir a voz dela. Charlie está parada alguns metros atrás de mim, encolhida por causa do vento frio. Sorri minimamente.

— Da palestra. — ela continua. — Quero dizer, do que viu.

— Não foi ruim. Não é exatamente o meu assunto preferido, mas eu posso sobreviver.

— Resolveu dar uma chance para a antropologia cultural?

— Algo assim. Tentar dar uma chance.

— Você vai querer saber mais?

— Você vai se dispor a me contar mais?

Charlie dá de ombros. Ela morde o lábio. Percebo que só fez isso por causa do frio e que está tremendo. Aproximo-me dela tirando o paletó. Coloco o pano ao redor de seus ombros. Puxo até que todo o seu tronco estivesse coberto. Minha mão roça em seu pescoço e eu me demoro ali, aproveitando um instante de humanidade.

— Para qual loja vou ter que devolver esse? — ela questionou.

Percebo que Charlie me olha. Imediatamente, eu dobro a gola do paletó e travo as mãos ao lado do corpo.

— Nenhuma. É do meu cunhado.

— Ah. Não está com nem um pouco de frio? O meu caminho até o alojamento é fácil. Não demora. Eu posso me esquentar lá.

— Eu estou bem. Eu tenho um carro com aquecedor.

— Aquela joça?

— Aquela joça. É. Isso.

Calamo-nos. De repente, não há nada que seja mais alto do que o som da respiração de Charlie.

Chego à conclusão inevitável de que não sei o que eu estou fazendo. Eu tinha um excelente plano: viria aqui, encontraria Charlie, pediria desculpas e manteria uma conversa sensata com ela. Eu tinha a oportunidade perfeita para por isso em prática, mas conclui que era um covarde ao me dar conta de que não conseguia fazer o planejado.

Charlie está ali, parada na minha frente. Havia gastado os últimos dias apenas pensando na possibilidade de revê-la e como isso faria me sentir melhor. Era um ato involuntário procurar por ela. Havia uma parte de mim que a queria por perto e que não aceitaria outra coisa além disso. Começou como algo minúsculo, o tipo de coisa com a qual eu nem deveria me preocupar. Mas a expansão absurda daquele sentimento danificava as minhas barreiras e alterava a minha posição de guarda constante.

A verdade óbvia e clara é que eu não consigo entender bem o que se passa comigo. É assustador. Tudo que eu achava ser bem estruturado na minha vida estava desabando enquanto uma estrutura diferente se erguia no lugar. O pior é não ter a mínima ideia de como evitar esse processo.

— Harry... — Charlie hesita. Ela respira fundo por um segundo e olha ao redor. Eu, por outro lado, e a encaro. — Você veio aqui só por causa da palestra?

— Sim. — apresso-me em dizer, mas logo percebo que, além de ser uma mentira, é totalmente contra o que eu deveria por em prática. — Quero dizer, não. — Charlie ergue uma das sobrancelhas. — Desculpe.

Depois que eu falei, não parecia tão difícil.

Charlie contém um suspiro.

— Por quê? — ela pergunta. — Você veio em uma faculdade que não frequenta, ver uma palestra sobre um assunto que não conhece para pedir desculpas para a garota que ignorou nas últimas semanas? Só isso?

— Para ser honesto com você, foi exatamente isso.

— Às vezes, cowboy, você pode ser totalmente inacreditável.

— Em um sentido bom ou ruim? Saiba que foi muito difícil para eu vir para o meio de um grupo de gente mais nova do que eu, que só porque vai conseguir um diploma, acha que sabe tudo enquanto eu poderia estar em casa, assistindo o canal de esportes e bebendo cerveja barata.

— Não pedi para você vir aqui.

Charlie tira o paletó. Ela o estende para mim. Arrependido, pegp-o enquanto ela gira sobre os pés e se afastava. Ando atrás dela.

Talvez devesse ter sido mais sutil. Esse não é o meu ponto forte e eu não sou bem capaz de ser gentil e cortês todo o tempo, especialmente em momentos nos quais a noção do que eu fazia me é completamente nula. Eu nunca pensa muito antes de agir e isso sempre se torna um problema.

— Eu sei que não. — falo. — E você pode me chamar de puto, idiota, desgraçado, um grande pote de merda ou do que quiser. Você provavelmente estará certa. Mas pode ao menos considerar minhas desculpas e me dar uma chance de estar perto.

Charlie para, obrigando-me a fazer a mesma coisa que ela. Depois, olha-me por algum tempo.

— Eu estava tentando ter um bom argumento. — justifico-me.

— Posso apostar que estava. Tenho que ir para casa agora?

— E a palestra?

— Eu já perdi o fio da meada. Não faz sentido voltar para lá agora. É besteira.

— Eu tenho algo para você. Está no meu carro. Pode vir pegar?

A expressão de desconfiança de Charlie me fez hesitar um pouco sobre aquilo.

— É seguro? — questionou ela.

— Totalmente. Eu deixei as bombas em casa.

Charlie revira os olhos. Ela mexe o queixo, insinuando que poderíamos ir. Eu caminho na frente e ela vem no meu encalço. Paramos na frente ao meu carro. Charlie fica parada, com os braços firmemente cruzados enquanto eu me estico pelo banco.

Passei a mão sobre a capa surrada.

— O que é isso? — Charlie pergunta, tentando ler o título.

— Eu comprei pra ler. Mas não gostei muito e achei que seria mais certo dar isso para você do que deixar mofando na minha estante.

Charlie pega o livro da minha mão. Ela ainda está hesitante. Sua desconfiança só abaixa ao ver qual era o nome. Ela abri o exemplar e lÊ as informações. Passa de hesitação para surpresa. O brilho nos olhos dela me fez sorrir.

— É um dos primeiros exemplares. — sussurra, chocada.

— Eu sei. Não encontrei uma versão que tivesse o autógrafo dessa mulher. Mas eu tentei mesmo

— Harry... Isso é incrível. Sério. Eu só tenho a versão nova e essa daqui é do ano que ela publicou. É — Charlie suspira. — fantástico. Obrigada.

Ela me surpreende completamente ao jogar seus braços ao meu redor e encostar a cabeça em meu peito. Demoro a entender que ela está, espontaneamente, abraçando-me. E precisó de alguns segundos para me adaptar aquilo.

É estranho receber um abraço. Eu não faço isso usualmente. Naquele instante, percebo que havia muito tempo desde que alguém me abraçara de verdade. Desde que eu voltei. Havia me privado desse tipo de contato físico porque significa intimidade e intimidade significa o aumento do risco de exposição. Expor-se pode ser fatal.

Charlie ainda me abraça. Percebo que há um conforto na forma com os braços dela se arranjam ao meu redor. Calor humano e o cheiro do cabelo dela. E a respiração contra o meu peito. Sentir-me abalado por um ato tão simples lembra que há humanidade em mim ainda.

Gosto daquilo. Lentamente, passo os meus braços ao redor dela e a puxo para perto, de modo que eu pudesse ter mais dela para mim. Gosto da sensação. Fez com que eu me sentisse humano e inteiro novamente, o que não era verdade. Ela havia, de alguma forma, juntado parte dos meus pedaços quebrados ao me abraçar tão forte.

Não tinha noção que essa sensação poderia ser tão boa.

Charlie me olha. A boca dela está tão próxima da minha que é impossível não me sentir tentado. Eu queria beijá-la porque ainda me lembrava de que isso era bom. Pus minha mão em sua bochecha.

Os olhos dela estão presos ao meu. Havia algum tipo de magnetismo ali. Não consigo desviar. Não quero desviar. Poderia fazer o meu porto seguro ali porque sabia que era o meu ponto mais seguro.

Charlie tira as suas mãos de mim. Ela pigarreia e dá um passo para trás. Minhas mãos estão em sua cintura e isso não permite que uma grande distância seja criada entre nós dois.

— Pode me soltar agora. — ela sussurra.

— Eu realmente tenho que fazer isso?

Charlie sorria amarelo, envergonhada. Ela segura minhas mãos e as tira de seu corpo. Dá um largo passo para trás, criando um espaço entre nós.

Lamentp aquele fato internamente. Não estava pronto para me separar. Não estava apto para isso. Gostaria de mantê-la por perto por mais tempo. Quando a soltei, tudo voltou ao normal.

E eu não gosto disso.

— Muito obrigada. — Charlie fala.

— Você não tem razão para agradecer. Eu ainda estou te devendo £ 80,00.

Charlie me encara por um tempo. É o momento de deixá-la ir para seu apartamento, mesmo que isso não seja a minha real vontade.

Permaneço escorado ao meu carro enquanto ela acena e girava sobre os calcanhares, pronta para se afastar. Mas eu a segurp antes que pudesse ir longe demais.

— O que foi? — Charlie grita.

A ideia de segurança é muito vaga. Constantemente, acho que estou a salvo. Completamente seguro. Constantemente, descubro que essa sensação é só uma mentira e que não há qualquer resquício de proteção e nem nada assim.

Acho que tudo está bem. Que Charlie e eu estávamos seguros e que toda a guarda montada pela segurança fosse eficiente, mesmo que simplória. Mas não há absolutamente nada de eficiente aqui. Eles são cheios de buracos e espaços em aberto que destruíam qualquer proteção que pudesse proporcionar.

Deixaram que eles entrassem. Não sei como e não sei como conseguem fazer com que pessoas de partes diferentes do mundo se alistassem e aceitassem essa loucura. Mas eles conseguiam. De alguma forma, faziam isso e faziam muito bem.

Eu congelo ao ver a imagem de longe. Meu sangue petrifica e meu coração começa a perder o ritmo. Sinto que estou suando frio e minhas mães tremem interrupta e violentamente. Todo o meu corpo treme.

Olho para Charlie. Está escuro e eu poderia entender a razão pela qual ela não via. Mas não poderia me perdoar se algo acontecesse com ela.

— Temos que sair daqui. — murmuro.

O fuzil brilha a distância.

— O quê? — Charlie franzi o rosto. — Por quê?

— Só confia em mim. Entra no carro. Rápido.

Charlie hesita. Eu a apresso novamente e seu corpo ganha algum movimento. Ela caminha ao redor do carro e entra no lado do passageiro. Eu abro a porta e entro ali dentro.

A sombra ganha velocidade e aumenta de tamanho conforme se aproxima. Eu encaixo a chave na ignição. Preciso tentar duas vezes porque o nervoso escorrendo pela minha mão me impede de acertar o encaixe.

Charlie me pergunta o que se passa. Ela deveria ver que eu não estava bem, e provavelmente começando a destroçar. Não lhe respondo, só quero sair daquele lugar enquanto ainda estávamos vivos.

Giro a chave. O carro faz barulho. Mas é a única reação dele. Morreu logo em seguida. Tentei de novo e de novo e de novo. Mas nada. Deveria ser algum terrível plano e ironia do destino.

Olho para a Charlie. Ela está confusa. Se soubesse o que está havendo, provavelmente também entraria em desespero. Eu não queria que ela tivesse essa sensação angustiante ou que pensasse sobre o final inevitável que nós dois parecíamos prestes a ter.

Entrei em desespero ao ver a cara de confusão da garota ao meu lado. Eu conhecia a posição dela. Estive lá muitas vezes. Não sabia até que ponto isso era algo positivo. Quando se tem acesso a realidade, você acaba percebendo que só a confusão seria o suficiente.

Giro a chave novamente. Eu olho para o lado, vendo as feições ganharem cor gradativamente enquanto a distância reduzia.

O carro não funcionava. Minhas mãos tremiam. Eu havia tirado a arma que mantinha no porta luvas e agora não tinha mais nenhuma chance de revidar. Queria tê-la mantido ali e, assim, pelo menos teríamos alguma chance.

Não penso ao abrir a porta do carro e pular para fora. Eu simplesmente o faço. Minhas mãos se fecham, e isso controla a tremedeira. Quantas chances um soco tem contra um fuzil? Não muitas, isso é claro. Mas eu não me permito pensar em todas as probabilidades e em como elas estavam contra mim.

Charlie perguntou se poderia sair agora. Ela merecia uma explicação. Mas talvez eu nem precisasse me preocupar em dar uma. As coisas ficariam muito claras em alguns segundos. Pensar sobre ela e ficar protelando não seriam de muita utilidade. Só aumentaria a sensação de agonia.

Mando Charlie correr para longe. É claro que ela não fez isso. Saí do carro e fica escorada na porta, gritando comigo e atrapalhando minha concentração.

Como ela ainda não tinha visto? A distância só diminuí e, a cada instante, é mais fácil ver o capuz preto e a arma abaixada. Ela está negando a realidade e ignorando o que não poderia. É autodefesa. Está protegendo a si mesma.

Eu ataco antes que seja tarde de mais. Golpeio no rosto, fazendo o perder seu equilíbrio. Ele não tomba, embora os nós dos meus dedos tenham ficado doloridos. Charlie grita enquanto eu me preparp para um segundo ataque.

— Pare, Harry! — ela berra.

Não entendo a situação. Não faço ideia do que eu estou fazendo e como isso era importante.

Acerto mais um soco. Dessa vez, ele tomba para trás, caindo no chão. Agarra-se a maçaneta do meu carro, tentando se reerguer.

— Harry! Pare!

Charlie se joga na minha frente. Por muito pouco, eu não a acerto. Por realmente muito pouco.

Ela está surpresa, assustada e chocada. Não deveria ser para menos. Eu poderia entender. Mas o vislumbre de medo que vi em seus olhos me deixou preocupado. Aquilo não era bom.

— Harry, pare. — ela sussurra. — Ele é meu amigo. Por que você o atacou? Ele provavelmente estava só dizendo oi.

Charlie também está furiosa. Eu me inclinp para o lado, encarando o homem caído no chão.

Não há qualquer fuzil. Só um guarda chuvas grande demais.


Notas Finais


Bem, muito obrigada por terem lido! Espero que tenham gostado. Como sempre, vou adorar que venham falar comigo. Estou quase sempre lá na Tl, então é só chegar. Também quero muito agradecer ao povo que veio me ajudar na divulgação. Eu fiquei tipo "ai meu Deus! Que amores!" Obrigada mesmo.
Vou recomendar algumas fics pra vocês aqui: https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-one-direction-fora-de-foco-5606084
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https://socialspirit.com.br/fanfics/historia/fanfiction-one-direction-inquebravel-5456996

Criei uma ask pra gente falar também. Mande perguntas, sugestões ou só vão lá pra gente se falar mesmo. Vou adorar! http://ask.fm/RachelWilde_
Até logo
Xoxo


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