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História Red and Yellow - Capítulo 3


Escrita por: e ShiinaInaba


Notas do Autor


VOooooooteeeeei
Era pra mim ter postado ontem, mas esqueci 🤭
eNFIM aqui está o último capítulo dessa bebezinha 🤧
Eu realmente gostei muito de escrevê-la e espero que vocês tenham gostado de ler 🥺
Queria agradecer a Lais por betar ela todinha e a Laura por essa (e outras) capa linda ✊❤️
Boa leitura

Capítulo 3 - Vermelho e Amarelo


Recuperei minhas forças depois de dois dias descansando —  ou melhor dizendo, sendo forçado a descansar. Quando voltei para a escola, fui recebido por meus amigos preocupados e Sehun, que mesmo não falando muito na escola, me perguntava frequentemente se eu estava bem. Sua preocupação era fofa. No intervalo acabei sentindo algo estranho, não sabia bem o que era, mas não vinha de mim.

Quando procurei por Sehun para saber o que estava acontecendo, soube pelo professor que ele havia voltado para casa. Aparentemente seus pais vieram lhe buscar. Eu mandei mensagens para saber o que havia acontecido, mas não obtive respostas. Naquela hora, eu queria muito saber onde era a casa do Oh, para poder o procurar. 

Acabei ficando o resto do dia todo preocupado e sentindo aquela sensação estranha que apertava o peito. Como fiquei de fora da organização do torneio esportivo, me pediram para ficar mais do que os outros. Depois de arrumar tudo que faltava, voltei para casa morto e só querendo a minha cama. 

Meus pais não estavam em casa quando cheguei, então me servi com um pedaço da torta de frango que tinha na mesa e aproveitei para tomar um longo banho. Quando peguei meu celular para assistir alguma série antes de dormir, vi que Sehun havia respondido minhas mensagens. Mas apenas dizia que estava tudo bem e que não poderia me ver no final de semana.

Uma tristeza se apossou do meu coração. Com esses dias doente, me acostumei a ver o mais novo todos os dias. Não queria que isso parasse. Já estava pronto para pedir seu endereço quando meu celular tocou. Era Sehun.

—  Está triste? —  Foi a primeira coisa que ele me perguntou. 

Não soube o que responder, eu pareceria egoísta se pedisse que ele me encontrasse pelo menos uma vez durante o final de semana? 

—  Ei, não fique… Por favor. —  Pediu com uma voz doce.

—  Desculpe. —  Foi tudo que consegui dizer.

—  Ninguém deveria se desculpar por estar triste.

—  Por fazer você se preocupar comigo, por besteira. 

—  Não deve ser besteira. Pode me dizer o que foi? —  Pensei bem antes de o responder. 

—  Eu só queria te ver… É besteira… 

Ele não falou nada por alguns instantes. Acabei pensando se não havia o deixado com raiva por o preocupar com besteiras. Soube que ele não havia desligado na minha cara quando escutei seu suspiro do outro lado.

—  Eu também quero te ver. 

Senti um quentinho no coração. E eu sabia que vinha de nós dois. Estava me acostumando com aquele negócio de sentir o que o outro sente. Olhei para meu fio e sorri ao imaginar Sehun olhando para o dele também.

—  Você pode vir me ver amanhã? —  ele perguntou logo em seguida.

[...]

Depois de ter quase infartando com o pedido do Oh, eu o aceitei, claro. Eu iria a casa dele sábado de tarde quando seus pais estivessem trabalhando, o que me deixou menos nervoso. Mas ainda fiquei inquieto, pois iria conhecer a irmã de Sehun, a pessoa mais importante de sua vida.

—  E se ela não gostar de mim? —  perguntei a Baekhyun que me olhou com tédio.

—  Quem não gostaria de você? —  Rebateu a pergunta. — Você é todo fofo e gentil, seria um pecado não gostar de você.

—  Tenho que concordar. —  Jongdae o apoiou.

Estávamos no meu quarto escolhendo uma roupa para eu poder vestir. Era para eles me ajudarem, mas os dois estavam mais ocupados com aquele maldito jogo do que separando minhas roupas. Peguei todas as que eu achava bonitas e joguei em cima da cama, atrapalhando o jogo deles. 

—  Ai, podia ter esperado eu terminar essa fase —  Jongdae reclamou, finalmente, desligando o celular.

Baekhyun foi o primeiro a pegar uma das camisas que joguei em cima deles. Eu não achava ela muito bonita, mas até que era jeitosinha. Depois tudo virou uma bagunça de roupas jogadas no chão, na cadeira e até na janela. Demorou um pouco, mas nós três chegamos em um consenso sobre minha roupa. Como estava quase na hora marcada, aproveitei para me arrumar logo.

Acabou sendo uma calça jeans rasgada e uma blusa amarela.

—  Você está lindo. —  Baekhyun elogiou, mostrando o polegar em afirmação. E o Kim apenas afirmou com a cabeça. —  Se ele não se declarar para você hoje, ele tem problemas.

—  Se… Declarar? —  Senti meu rosto ficar vermelho com o pensamento de ter o Oh se declarando para mim. —  E-ele não gosta de mim assim.

—  Como não? Você não percebeu os olhares que ele manda pra você? —  Fora Jongdae a dizer os fatos na minha cara. — Aqueles olhares, só o Chanyeol e Baekhyun e o Jungmook e Seokmin dão um ao outro.

Olhei para Baekhyun e ele afirmou. Sehun olhava para mim como Chanyeol e Baekhyun? Ou o Jungmook e Seokmin? Meu coração acelerou ao pensar no mais novo, ele olhava mesmo pra mim? Escutei o som do meu celular, o peguei e vi que era uma mensagem de Sehun.

Sehunnie:

Aconteceu alguma coisa?

Luhan:

Como assim?

Sehunnie:

Eu senti seu coração acelerar de repente, fiquei preocupado. 

Você está bem?

Como explicar que meu coração acelerou por causa dele? Respirei fundo e tentei me acalmar antes de respondê-lo. 

Luhan:

Eu apenas vi um inseto, nada de mais :)

Sehunnie:

Que bom, te vejo daqui a pouco, então ^^

Desliguei o celular e me foquei no que iria acontecer agora. Baekhyun era uma pessoa muito insistente e sua insistência era chata pra caramba. Então, eu deixei ele me maquiar como queria para não ter que aguentar o mais velho falando no meu ouvido durante duas horas. Depois de terminar tudo, os meninos saíram me desejando sorte.

Antes de sair, fui até a cozinha e peguei o bolo que minha mãe tinha feito para que eu levasse. Peguei tudo que precisava e segui caminho para a casa do Oh.

[...]

Fui todo o caminho até a casa de Sehun, escutando uma playlist que eu e o mais novo tínhamos feito. Era incrível como nossos gostos musicais eram diferentes, enquanto eu gostava mais de pop e rock clássico, ele preferia rap e rock atual. Mas até que a playlist tinha ficado bem balanceada. 

Quando cheguei ao endereço dado por Sehun, soube que seus pais não podiam ser simples advogados. Meu tio era advogado e não tinha uma casa enorme de dois —  ou até mais — andares, com piscina, um jardim grande e até porteiro. Depois de dar meu nome para o senhorzinho, ele logo me deixou entrar, dizendo que Sehun me esperava na sala. 

Fiquei um pouco nervoso, eles pareciam ser pessoas bem chiques. Quando passei pelas grandes portas da quase mansão, logo me deparei com Sehun me esperando na sala. Ele veio até mim e me abraçou e eu, claro, retribui. Tínhamos começado com isso há alguns dias —  sempre nos abraçamos quando nós víamos —, eu gostava de abraçá-lo, era um sentimento diferente de quando era Baekhyun ou Jongdae me abraçando.

Elogiei sua casa e ele agradeceu meio tímido, era a primeira vez que eu o via um pouco envergonhado. Sehun não fazia o tipo tímido, apesar de ser bem fofo. Ele me guiou pela casa, passamos na cozinha para deixar o bolo e ele disse que infelizmente sua irmã não poderia comer. Depois fomos para o quarto dela que ficava no segundo andar.

Tive que respirar bem fundo para não deixar que o mais novo sentisse meu nervosismo. Eu finalmente conheceria a irmã dele, Sehun falava tanto e tão bem de sua irmã que parecia que eu a conhecia há tempos, mas saber que ela poderia não gostar de mim me deixava nervoso.

Sehun pegou minha mão antes de entrar no quarto e olhou para mim, como se disse que eu não precisava ter medo de nada.

A primeira coisa que notei quando entrei no quarto de paredes lilases, foram os equipamentos médicos ao lado da cama. Usei de toda a minha atuação para não deixar transparecer minha surpresa, mesmo que Sehun já tenha falado um pouco sobre os problemas de saúde de sua irmã, eu não pensava que era tão ruim assim.

A garota estava em sua cama, mexendo em seu tablet, tão concentrada que nem nos viu entrando. Sehun chamou sua atenção e ela nos olhou. O sorriso fraco que mostrou para mim fez meu coração aquecer. Ela parecia um anjinho. Nos aproximamos da cama e eu me apresentei. Acabei descobrindo que ela também sabia muito de mim.

Aparentemente Sehun falava mais ainda quando estava com a irmã, e eu era seu principal assunto. Pude sentir um pouco de vergonha vinda do Oh e isso me fez rir e ficar feliz. Sehun falava de mim para sua irmã, isso significava que ele sentia algo por mim? 

Acabei interagindo mais com Chaeyoung do que com seu irmão. Falamos de algumas coisas que temos em comum, mas tivemos que parar quando ela teve que tomar seus remédios que a deixava sonolenta. Sehun me levou para seu quarto depois que eu insisti um pouco, queria muito saber como o cômodo era.

Me impressionei assim que entrei, não era como eu esperava. Sehun era sério na maioria do tempo, então eu imaginava um quarto bem monocromático, todo certinho e bem organizado. Bom, era organizado, assim como colorido e cheio de pôsteres nas paredes. Uma estante cobria a parede da direita inteira — tirando onde tinha uma porta que eu achava levar para o banheiro —, lá tinha uma televisão enorme e vários livros, HQs e mangás. Do lado oposto tinha a cama e perto a escrivaninha. Tinha também uma janela com um sofá em baixo e uma porta que Sehun disse ser o seu closet.

—  Uau, é maior que a minha cozinha —  comentei, olhando ao redor.

—  Não exagera, vai… Só é um pouquinho grande —  ele disse sentado no sofá.

Ignorei seus comentários humildes e fui olhar tudo o que tinha na estante porque eu amava livros, e saber que Sehun também, me deixava animado em compartilhar minhas experiências com ele. Em meio aos livros de Harry Potter e uns mangás de Naruto, acabei achando meu livro preferido.

—  Eu não acredito que você tem "Há um quilômetro de distância" em capa dura. —  Virei-me surpreso em sua direção, eu segurava o livro em minhas mãos.

—  Chae noona me deu de presente, mas eu não gostei muito da história. —  Me choquei com sua revelação. 

"Há um quilômetro de distância" era apenas o melhor livro já escrito sobre almas gêmeas da história, e eu amava ele demais. E ele disse que não gostou? Só pode ter lido errado.

—  Como você pode dizer isso? A história é linda, os personagens são maravilhosos e a escrita da autora é impecável. Do que você não gostou?

—  Ah, não. Você é igual a minha irmã? Agora vai tentar me fazer gostar dele também? —  Espremeu os olhos em minha direção. Apenas o mandei responder a minha pergunta. — Eu acho a história sem sentido.

—  Como assim?! Claro que tem sentido!

—  Porque depois de ele passar cinco anos rodando o mundo atrás de sua alma gêmea, acaba a encontrando vizinho a casa de seus pais —  argumentou, não me convencendo. — Já que ele teve todo o trabalho de visitar trinta países, podia ter encontrado ela lá. 

—  Primeiro que é uma história baseada em fatos reais, então a autora não podia mudar muito, e segundo que essa é a graça. Yifan teve todo o trabalho de procurar Tao, quando ele estava bem na porta ao lado.

Sorri ao lembrar do momento exato em que ele se encontram, era uma cena tão linda e emocional. Como ele podia não gostar? 

—  Eu não gostei.

Pelos primeiros trinta minutos eu tentei o convencer que aquela era a melhor história de romance de todas, mas depois vi que seria impossível fazer Sehun mudar de ideia. Era mais uma coisa que eu tinha aprendido sobre ele, Sehun não era facilmente influenciável.

Depois de passarmos um tempo juntos, escutando música e comendo o bolo de que minha mãe fez, Sehun foi me deixar até o ponto de ônibus perto de sua casa. Antes de seguirmos nossos caminhos, Sehun me puxou para um abraço de despedida. Aquilo era novo, então fiquei um pouco surpreso, mas aproveitei para sentir o seu cheirinho de morangos. Voltei o caminho todo de casa sorrindo feito bobo.

[...]

 Felizmente na semana do torneio esportivo fez sol todos os dias. Os três primeiros dias foram os melhores para mim e meus amigos, participamos de todas as provas e nós divertimos, mesmo não ganhando todos. O quarto dia seria o último de testes já que na sexta faríamos a premiação e uma festinha para encerrar devidamente a festividade. 

Descobri nesses dias que Chanyeol e Sehun são bem competitivos, pois não queriam perder por nada, o que bate direitinho com suas personalidades azul e amarela. Eu preferi ficar como um dos organizadores, mas como tinha que jogar pelo menos um jogo por dia, acabei jogando bandeirinha, participando da corrida de revezamento e a corrida de três pernas com Jongdae. 

Como era o último dia, resolvi me arriscar um pouco e participar da corrida de 100 metros. Não ligava de perder — afinal tinha mais duas pessoas da minha sala competindo —, então correria no meu tempo. Estava sentado com Chunnie e Jungmook esperando o anúncio da corrida e os outros voltarem de suas partidas. Jongdae, Chanyeol e Sehun participaram do mini basquete e Baekhyun e Seokmin jogavam estátua com as equipes do terceiro e segundo ano. 

Antes da corrida teríamos o almoço, que minha mãe fez questão de fazer para nós. Então, nos reunimos em uma mesa grande que foi posta do lado de fora, enquanto esperávamos meus pais chegarem. 

— Falta apenas cinco pontos para ultrapassamos a equipe azul do segundo ano — Jongdae comentou, os meninos estavam bem animado em ganhar. 

O prêmio era uma semana de almoço grátis na cantina, afinal. 

— Ainda faltam três jogos, acho que conseguimos — foi Sehun quem falou, ele se tornara bem falador nesta semana. Sua competitividade aflorando, só provando que tinha uma linda personalidade amarela. 

Baekhyun começou uma pequena discussão com Chanyeol pelo Park ter machucado a mão no basquete e Jongdae foi jogar com Jungmook enquanto as meninas falavam entre si. Então, eu me virei para Sehun, que tentava acompanhar as quatro conversas paralelas. 

Enquanto o observava, comecei a pensar em algumas coisas. Assim que cheguei à escola na segunda, puxei Baekhyun e Jongdae para o banheiro e pedi conselhos sobre o que estava sentido por Sehun, eu já tinha uma idéia, mas precisava que alguém confirmasse. Era isso: eu gostava dele. Não foi surpresa para nenhum de nós três, então eu decidi que me declararia depois do torneio. Estava tão animado, mas fingi para Sehun que era apenas sobre o torneio, quando ele me perguntou o que era toda aquela euforia. 

O mais novo notou minha encarada, mas antes de poder falar algo, meus pais chegaram trazendo duas cestas de comida. Começamos a arrumar as coisas na mesa, o que deu a maior confusão pelo tanto de gente que tinha. Minutos depois foi a vez dos avós de Chanyeol chegarem com as bebidas. 

Vendo todos ali, percebi que, em todos esses dias, apenas os pais de Sehun não apareceram. A família de cada um apareceu em pelo menos um dia, menos a do Oh. Ao pensar nisso fiquei triste. Sehun já havia me contado como seus pais são ocupados e que sua irmã não está em condições de sair de casa, mas mesmo assim… Era triste. Esses pensamentos me deixaram com um incômodo no coração, e Sehun notou. 

O mais novo aproveitou que estava ao meu lado para segurar minha mão por debaixo da mesa, e sem me perguntar nada, ele apenas sorriu para mim como se dissesse que tudo estava bem. Eu só pude retornar o sorriso, mesmo não estando totalmente contente.

[…]

Depois de nosso grande almoço, finalmente era a minha vez de participar. Chunnie ajudou-me a me preparar fisicamente para a corrida, já que ela iria ser um dos outros participantes. Nos pusemos na largada e esperamos o sinal do juíz. Assim que a bandeira foi abaixada todos os participantes começaram a correr. Eu escutava os gritos do pessoal das outras salas e das famílias que assistiam, em especial escutava Sehun gritando: “Vai, Luhan hyung!” e isso me animou. 

Eu não estava me esforçando tanto quanto os outros que estavam ali, mas mesmo assim consegui manter minha posição em quarta até chegar perto da faixa de chegada. Estava a uns seis metros quando senti uma pedra no caminho, depois uma dor no meu tornozelo e então nós braços e rosto por cair no chão. 

Eu estava sentindo muitas coisas naquele momento: dor, falta de ar, um pouco de adrenalina e preocupação, essa que eu sabia vir de Sehun. Vi algumas pessoas se aproximarem de mim, a enfermeira da escola pegou de leve no meu tornozelo e eu só faltei gritar, mas me contive. Meus pais perguntaram se eu estava bem, apenas assenti. A enfermeira falou algo sobre termos que ir para a enfermaria, então senti duas pessoas me seguraram pelos braços para me ajudarem, eram Sehun e Chanyeol. 

A senhora Kim não deixou todos entrarem na enfermaria para não fazer confusão, então apenas Sehun ficou lá comigo, por pedido meu. Enquanto ela olhava se meu tornozelo estava quebrado ou apenas deslocado, Oh não soltou minha mão e ainda tentou me distrair, ele era tão fofo. Depois da enfermeira terminar todos os procedimentos e dizer que ele estava apenas deslocado, ela saiu da enfermaria, nos deixando a sós.

—  Parece que as próximas duas semanas vão ser regadas de muita calmaria —  Sehun comentou o fato de que eu não vou poder me mexer muito.

—  Eu iria ao fliperama como os meninos amanhã —  falei meio triste. Estávamos animados para gastar todo nosso dinheiro lá, mas agora eu não poderia ir.

O mais novo pareceu notar minha tristeza, pois soltou minha mão para ir até nossas mochilas e tirar de dentro da sua um pacote. Ele o trouxe até mim e colocou em meu colo.

—  Quando eu disse a Chae que era o seu preferido, ela ficou animada e comprou esse especialmente para você —  contou antes que eu abrisse o presente.

Meus olhos se arregalaram quando viram "Há um quilômetro de distância" na versão de luxo. Eu. Não. Acredito. Nisso.

—  A Chae é a melhor! —  Quase gritei sorrindo. —  Não, espera! Deve ter sido muito caro, diz pra ela que eu amei, mas não posso aceitar.

Estendi o livro na direção da minha alma gêmea e fechei os olhos, não queria ver aquele momento horrível, ter que me despedir daquela versão linda do meu livro preferido.

—  Não precisa se preocupar, ela deve ter todos os livros em versão de luxo. —  Empurrou o livro de volta. Abri os olhos lentamente e o olhei como se perguntasse se aquilo era verdade mesmo. —  É sério.

—  Agradeça a Chaeyoung por mim, por favor.

—  Ainda não entendo como vocês gostaram dessa história —  disse voltando a se sentar ao meu lado na maca e segurando minha mão como se fosse super normal — e até que era. Espero que ele não tenha sentido as duas batidas que meu coração errou.

—  Ah, por favor, só você não gostou da história. 

—  Ainda acho que o Yifan não parece um dourado. 

O que Sehun falou não estava totalmente errado, normalmente pessoas douradas são mais cheias de si, tem um alto amor próprio e tende a não pensar muito antes de falar. Mas, Wu Yifan era cuidadoso com suas palavras e tinha uma humildade enorme. Mas nunca direi em voz alta que Sehun estava certo, claro.

—  Mas ele se amava demais, e as pessoas não são cem por cento fiéis as suas cores. Olha só você. —  Apontei para ele.

—  Como assim? Eu sou praticamente todo vermelho. —  Pisquei, tentando entender o que ele havia dito. Sehun vermelho? Ahm?

—  Vermelho? Como assim? Você é amarelo! 

—  Claro que não, Luhan. Você é amarelo! —  disse de volta.

Fiquei um tempo tentando raciocinar, porque Sehun era falante e quieto ao mesmo tempo, era competitivo às vezes, um pouco preguiçoso, mas também bem ativo, bastante inteligente, mas com dificuldade em algumas coisas. Um perfeito amarelo! Nem tanto uma coisa, nem outra.

Por isso dizem que pessoas amarelas são raras e especiais, elas têm uma harmonia entre as outras cores.

—  Eu?

— Claro que você! —  falou exasperado, como se fosse umas blasfêmia eu não saber disso. —  Você é todo manhoso e ao mesmo tempo orgulhoso, é bom em humanas e péssimo em exatas, é falante e quieto…

—  Você também! —  Tentei dizer.

—  Aí tem uma diferença: eu falo mais com quem tenho mais afinidade, você é e não é falante tendo ou não afinidade com as pessoas.

—  Mas…

—  Luhan, você é amoroso, mas guarda rancor como ninguém. Gosta de fazer esportes, mas não o tempo todo. Compete em jogos, mas preferiu apenas se divertir no torneio. Você, com toda a certeza, é um amarelo.

Fiquei um pouco chocado com os fatos que ele apresentou. 

Espera…

Ele disse que eu era um amarelo…

Minhas bochechas ficaram vermelhas ao raciocinar: Sehun me chamou de raro e especial!

Ao sentir minha vergonha, Sehun gargalhou. Cobri meu rosto com meu novo livro tamanha vergonha e narcisismo eu estava sentindo. Seria agora, eu iria dizer a ele o que sinto.

— Sabe, Luhan, faz um tempo que eu tenho sentido algo diferente — comentou, logo fiquei nervoso, ele poderia saber o que eu sinto por ele? — Chae falou que era paixão… 

Meu. Deus. 

— Agora tenho certeza… — Respirou fundo, como se preparasse para dizer algo difícil. Ai, Deus, ele vai mandar eu me afastar. — Eu gosto de você, Luhan hyung. 

Ah? 

— Eu sei que não nos conhecemos há muito tempo e que vai dizer que estou confundindo o sentimento por causa da nossa ligação, mas… Eu realmente gosto de você, hyung. 

Fui tirando o livro do meu rosto devagar, me preparando mentalmente para encarar Sehun. Eu sentia seu coração batendo rapidamente, isso fez o meu bater ainda mais loucamente. Oh havia se declarado pra mim, o garoto que eu gosto disse que gosta de mim também… Minha alma gêmea sente algo por mim! 

— Diz algo, por favor. — Pediu de um jeito manhoso e fofo, eu queria apertar aquele biquinho que estava se formando em seus lábios. 

— Estou com raiva — falei, o deixando perdido. Ele me olhou triste e eu senti uma dor em meu coração. — Com raiva porque eu ia me declarar pra você primeiro. 

Senti seu coração acelerar de uma forma que nunca havia sentido antes. Estendi minha mão para ele, como se dissesse para se acalmar, e lhe mostrei meu melhor sorriso. Ele ficou alguns segundos sem entender, mas depois me devolveu um sorriso fofo e segurou minha mão.

—  Eu também gosto de você, Sehun. 

Antes que eu pudesse me aproximar de seu rosto e lhe beijar, como ansiava há algum tempo, a porta da enfermaria foi aberta e por ela passaram meus pais e o de Sehun. Soltamos nossas mãos rapidamente, como se estivéssemos fazendo algo errado e nos voltamos para os mais velhos.

Minha mãe fez questão de me fazer passar vergonha antes de Sehun ir embora com seu pai. Marcamos de falar sobre o que sentimos depois, iríamos arrumar tudo, em nosso tempo.

 


Notas Finais


Obrigada por todos os comentários e amor que deram a essa história que é muito importante para mim 💙✊
Espero ver vocês em outras histórias


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