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História Red Code - Capítulo 5


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Notas do Autor


joguei e saí correndo

Capítulo 5 - Desilusão


Fanfic / Fanfiction Red Code - Capítulo 5 - Desilusão

Ouvir o sinal bater não foi animador como todos os dias. Pelo contrário, esperava que não tocasse nunca. Enquanto todos arrumavam suas coisas loucos para ir embora, eu mantinha a expressão frustrada, querendo fugir.

- Amigo, quer que eu fique com você? – Seonghwa perguntou, tocando meu ombro com delicadeza. Balancei a cabeça negativamente como resposta, sentindo seu olhar de dó sobre mim.

- Não precisa, eu vou ficar bem. Além do que, a mãe não deixaria você ficar lá. – resmunguei.

- Tudo bem. Mas quando você sair, vou ficar com você. Queira ou não. – Sorri com seu comentário, o abraçando. – Eu vou estar na sua casa mesmo.

Revirei os olhos, enquanto nos separávamos e ele alcançava a mão de Hongjoong, entrelaçando seus dedos.

- Boa sorte, Yun. – Jongho gritou, já saindo da sala acompanhado de San.

- Cuidado com a cobra! – o Choi mais velho ditou alto também, seguido de risadas.

Enfim, só restava eu, minha frustração, e minha mãe numa sala desconfortável e totalmente não-acolhedora. Ela me fez ajudar, me dando uma pilha de papéis para grampear de dois em dois, e quando terminasse, organizar as fichas dos alunos novatos em ordem alfabética. Nem ousei reclamar, fazendo tudo em silêncio e com rapidez.

Estava um calor dos infernos com aquela gola levantada, mas não podia abaixar de jeito nenhum. Não posso nem imaginar o escândalo caso a senhora Jeong visse o estado do meu pescoço. Eu faria questão de matar Mingi quando o encontrasse de novo.

Uma parte de mim tinha esperanças que ele tivesse esperado até agora, no portão do colégio, e eu tivesse a oportunidade de pelo menos vê-lo de novo antes de ir para casa. Já era quase três horas da tarde, e nem um santo queria pisar os pés nesse lugar, nesse horário. Meu estômago passou a roncar, suplicando por algum alimento. Estava triste na hora do lanche e não comi direito, resultando em uma barriga mais do que vazia.

- Mãe... tô com fome... – falei, baixo, tentando não incomodar enquanto ela lia alguma coisa no computador.

- Bem vindo à minha vida. – simplesmente respondeu, não tirando os olhos da tela. – Já estou terminando. E não fale mais comigo, ainda estou chateada com você.

Ela me lançou um olhar duro antes de voltar a ler, digitando rapidamente segundos depois. Recostei as costas na cadeira, olhando para o teto, suplicando para o tempo passar mais rápido.

Quando ela finalmente terminou, fechamos a escola e seguimos para o carro. Eu olhava atento para todo canto, procurando pelo Song, esperando que ele estivesse ali. Será que ele tinha ficado chateado?

Até o último segundo, tive esperanças em ver sua moto estacionada em algum lugar ali perto, mas a estrada estava deserta a não ser por alguns carros passando de vez em quando. Me conformei, afinal, se fosse eu também não teria esperado tanto. Ou talvez teria, não sei. É de Song Mingi que estamos falando.

Chegamos em casa e eu fui direto pro quarto. Tomei banho, me sentindo porco depois de passar praticamente o dia inteiro no colégio, e quando voltei, encontrei meu almoço em uma bandeja perto da cama. Como eu viveria sem Minji? Comi tudo com rapidez, morto de fome. Assim que terminei, a porta do quarto foi aberta por um Seonghwa que claramente usava as roupas de Hongjoong, já que a camisa curta mostrava parte de sua barriga.

Ele sorriu animado, pulando em cima de mim na cama e me apertando entre seus braços. Seu bom humor só podia significar uma coisa.

- Eu espero que você não tenha acabado de transar com meu irmão e esteja me abraçando agora.

- Mas eu tomei banho. – respondeu, rindo.

- Ah não, que nojooooooo! – gritei, tentando o empurrar, mas ele me agarrava forte.

Suas gargalhadas e sua companhia durante o dia acalmaram meus pensamentos e preocupações acerca de um certo garoto de cabelos vermelhos, o que eu agradeci internamente. Se não parasse de pensar nisso, iria enlouquecer. Passamos o dia inteiro conversando, abraçados, e eventualmente fazendo o dever de casa. O Park me convenceu a deixá-lo dormir comigo, e eu admirava a sua capacidade de manter nossa amizade intacta mesmo quando podia somente ir para o quarto ao lado ficar com seu namorado. Ou quase namorado, sei lá.

Hongjoong não deu as caras o resto do dia, provavelmente trabalhando em algum projeto. Quando meu pai chegou em casa, no finzinho da noite, abriu a porta do quarto, revelando apenas seu rosto.

- Boa noite Seonghwa. – cumprimentou meu amigo com um sorriso simpático, logo se voltando para mim com uma expressão mais séria. – Filho, sua mãe me contou o que aconteceu hoje.

Desviei o olhar, envergonhado. Para outras pessoas, estar recebendo tantas broncas sobre isso não seria uma coisa normal, mas meus pais eram muito rígidos sobre qualquer ação “fora da linha" que eu praticasse. Tinham medo que eu me rebelasse, e por isso as repressões eram constantes.

- Você não precisa contar porque isso aconteceu. Contudo, somos seus pais, e eu sei que entende a nossa preocupação. – assenti, mostrando estar ouvindo. Seonghwa permanecia em silêncio ao meu lado, provavelmente com vergonha de estar presente naquela situação. – Eu conheço você, e sei que é responsável. Espero que isso não se repita, ou terei que ser mais duro com você. Entendeu?

Balancei a cabeça novamente, ainda sem olhá-lo.

- Venha dar um abraço no seu pai. – chamou, calmo. Era completamente o oposto da mãe, que tinha o pavio curto demais. Me levantei, indo em sua direção e lhe abraçando, ganhando um beijo nos cabelos. – Eu amo você.

- Eu também, pai. – finalmente respondi. – Boa noite.

Nos separamos, e ele bagunçou meus cabelos com a mão, sorrindo. Deu um aceno para o Park sentado na cama e seguiu para o quarto do hyung, batendo algumas vezes antes de abrir a porta e se apresentar do mesmo jeito. Sorri com o pensamento de que a relação entre os dois estava melhorando.


--*--


No dia seguinte, logo no café da manhã, já sentia meu coração acelerar em ansiedade. Era mais uma manhã para ver Mingi, e explicar o motivo de não ter aparecido ontem. Esperava que ele entendesse e não ficasse chateado.

O carro estava mais cheio hoje, com Hongjoong e Seonghwa atrás, ouvindo música nos fones de ouvido. Uma pontada de ciúme me alcançou, já que era eu quem vinha no lugar do Park, dividindo os fones com o hyung, mas expulsei esse sentimento, achando uma bobagem. O caminho se deu silencioso como sempre, somente sendo audível meus batimentos cardíacos em meu próprio ouvido, fortes. Quando nos aproximávamos da construção, meus olhos já procuravam afoitos pelo veículo vermelho, achando estranho não vê-lo por perto, já que geralmente conseguia localizá-lo sem problemas.

Saímos do carro, tomando rumos diferentes sem dizer uma única palavra. Minha mãe indo para sua sala, os pombinhos seguindo para o pátio e eu indo em direção ao portão. Me encostei ali, novamente o procurando com o olhar. Porém, nada de moto, e nada de cabelos vermelhos e jaquetas de couro. Talvez ele tenha se atrasado, pensei.

Resolvi me sentar ali mesmo na calçada, para que fosse possível me ver facilmente quando ele aparecesse. Observei os veículos passarem pela estrada, e pouco a pouco os alunos chegarem. Mingi sempre chegava antes de qualquer aluno, pois não podia ser visto. Devido a esse fato, minha expectativas foram por água a baixo. Ele não viria mais.

Entretanto, eu teimei em insistir. Continuei ali, sentado, cumprimentando todos que passavam por mim, os olhos atentos sempre. Mas ele nunca veio. Mesmo quando o sinal tocou, não havia sequer um rastro seu. Talvez algum imprevisto tenha acontecido.

- Yunho! – ouvi uma voz animada me chamar, quando já me virava para entrar. Era San, que chegava correndo. – Bom dia, meu raio de luz.

- Bom dia, meu pãozinho de coco. – respondi da mesma forma, sorridente.

Ele se postou a minha frente, me dando um abraço para depois enlaçar nossos braços como noivos, passando a andar para dentro do colégio.

- Por que você tava aqui na frente parecendo um cachorrinho abandonado?

- Eu estava esperando o Mingi. – disse, baixo. – Mas ele não veio.

- Não? – confirmei com a cabeça, observando o menor pegar em seu queixo, como se estivesse pensando. – Será que ele ficou com raiva porque você não apareceu na saída ontem?

Oh.

Não havia pensado dessa maneira, realmente.

- Será? – olhei para o Choi, confuso. – Não é motivo pra ficar com raiva, é?

San apenas ergueu os ombros, não afirmando nem negando. Chegamos a sala, nos sentando nos lugares adequados e aguardando o início da aula. Depois do que ele disse, fiquei pensando sobre o assunto. Teria que me desculpar com o Song assim que o visse, explicando a situação. Ele entenderia, com certeza.

O turno foi passando devagar, desgastante. Só hoje os professores resolveram se unir para passar todos os trabalhos no mesmo dia. Estava um caos. Na hora da saída, meus ombros estavam pesados de estresse só de pensar em todo o tempo que eu gastaria confeccionando cartazes, fazendo slides e decorando falas para serem apresentadas daqui há alguns dias. Todos estavam com expressões cansadas, andando mais lentos que o normal. Porém, uma súbita animação me atingiu assim que lembrei que veria Song Mingi ali na porta.

Tinha passado a manhã toda tentando me preparar para finalmente falar com ele. Digo, na frente de todos. Iria atravessar aquela rua e conversar ali mesmo. Já começava a dar respirações profundas antes de chegar ao portão, reunindo toda a minha disposição.

Assim que atravessamos as grades de ferro, fiquei feliz quando vi sua moto que brilhava no sol, há alguns metros de distância. E mais ainda, ele brilhava. Sorri ao vê-lo, apertando minhas próprias mãos antes de dar início ao meu plano. Estava esperando que ele olhasse pra mim como sempre, mas ele parecia não ter me visto ainda. Com os braços cruzados, recostado ao veículo, seu olhar estava direcionado ao interior do colégio. E isso me deixou encabulado, resolvendo olhar para o mesmo lugar.

E de lá saía Kang Yeosang, impecável, andando como um modelo na passarela. Como todas as outras vezes nessas duas semanas que se passaram, esperei ele ir em direção ao seu carro preto imponente, mas para minha surpresa, ele seguia até o Song. Sorria para ele, passando os dedos entre os cabelos dourados. E se não bastasse, assim que ficou a sua frente, pôs as mãos pequenas em seu pescoço, o trazendo para perto.

Não conseguia desviar o olhar, por mais que quisesse. Meu coração se apertou tanto dentro do peito ao vê-los se beijando, que senti uma dor agoniante do lado esquerdo. Meu rosto demonstrava tristeza, embaraço, decepção. Me senti estúpido.

Mingi mantia as mãos apoiadas na moto, não o tocando, enquanto o Kang fazia questão de mantê-lo perto, o puxando sem parar. Ao fundo, a voz preocupada de Jongho me chamava, mas parecia que eu estava dentro d’água e apenas ouvia murmúrios abafados, incompreensíveis.

As mãos grandes que me apertavam no dia anterior, agora se erguiam para empurrar o outro levemente, os separando. Seus olhos pequeninos finalmente encontraram os meus, o que foi o estopim para minha visão começar a ficar embaçada pelas lágrimas que se formavam. Seu olhar era indecifrável, a expressão séria não me passava conforto.

Senti minha garganta se fechar e iria começar a chorar ali mesmo, se não tivesse me virado para sair do local a passos apressados.

- Yunho, espera! – os meninos falavam atrás de mim, mas continuei praticamente correndo.

Passei as mãos pelos olhos, limpando lágrimas atrevidas que caíam, para que outras tomassem seu lugar. Chorava silenciosamente, envergonhado.

Decepcionei a mim mesmo quando senti uma mão forte puxar meu braço e imaginei que fosse ele, mas era Jongho, me virando para me abraçar. Suas palavras sussurradas me confortaram e me deram a liberdade de soluçar em seu ombro, o apertando forte entre meus braços.

Os meninos correram para nos alcançar, permanecendo em silêncio por não saber o que dizer no momento. Depois de um tempo que achei suficiente, me recompus, enxugando o rosto nas próprias mangas da camisa, olhando para os outros com um sorriso sem graça.

- Vamos pra sua casa. – San decretou, sendo apoiado pelos outros.

- Não, não precisa. – falei rapidamente, balançando a mão. – Tá tudo bem.

Não estava tudo bem, mas ia ficar. E enquanto isso, preferia que ninguém visse meu estado patético pela desilusão.


Notas Finais


hmmmmmmmmmmm e aí? será o fim de um yungi que nem começou?


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