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História Red Code - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Seu nome


Fanfic / Fanfiction Red Code - Capítulo 6 - Seu nome

O caminho até casa permitiu que eu me acalmasse mais um pouco. Tentava não pensar muito no fato de que estava sendo usado enquanto outro estava indisponível. Realmente, tentei não pensar nisso. Os meninos tentavam emendar um assunto no outro, nunca ficando calados, me deixando mais confortável. Eu tenho os melhores amigos do mundo, sério.

Nos separamos em determinado momento, sobrando apenas eu e Hongjoong, que enlaçou seu braço no meu e ficou o resto do caminho em silêncio. Tínhamos em comum não gostar de falar muito. As vezes, em um dos quartos, ficávamos na companhia um do outro, sem dizer uma palavra, mas nos confortando mesmo assim. E eu adorava isso na gente.

Já em casa, subi as escadas mais lento que uma lesma, um peso nos pés dificultando minha subida. E mais uma vez comparando minha vida a Crepúsculo, me senti como a Bella quando Edward vai embora, sentada em uma cadeira olhando para o nada com cara de morta. Só que em meu caso, estava deitado na cama, com o mesmo olhar para o nada e a mesma cara de morto.

Não sabia o que pensar. Não sabia o que fazer.

Recapitulei tudo o que se passou nessas últimas semanas, tentando compreender o sentido que aquilo fazia.

Um: Tinha uma queda enorme por Song Mingi, mas ele tem namorado. Dois: Ora, parece que Song Mingi não tem mais namorado. Três: Song Mingi me beijou. Por duas semanas seguidas. Quatro: Song Mingi ainda tem namorado. Cinco: Song Mingi iludiu meu coraçãozinho.

Song Mingi.

De tanto pensar naquele nome, me vi puxando os próprios cabelos em desespero. Rolei da cama, me sentando no chão e resolvendo me distrair daqueles pensamentos. Mas meu cérebro queria me conformar de qualquer jeito.

Não tínhamos nada sério. Ele nunca demonstrava afeto o suficiente para dar indícios que gostava de mim. Ele nunca disse que tinha terminado com Yeosang, e muito menos eu perguntei.

Mas ele tinha perguntado se eu namorava.

Droga.

É minha culpa.

Mas, poxa, ele não devia ficar com outras pessoas quando está namorando!

Não é minha culpa.

Você não fez nada de errado, Jeong Yunho. Tá tudo bem.

Mas não vou mais poder beijá-lo.

Merda.

Eu posso conviver com isso.

Ah, já chega!

Grunhi em frustração, dando tapas em minha própria cabeça. Decidi então pegar meus materiais e passar o resto do dia fazendo trabalho, sem pausas nem para pensar, mesmo que fossem para entregar somente nas próximas semanas. Coloquei minha garrafinha de água por perto e me joguei naquela pilha de papéis, me focando totalmente. Ia tirar Song Mingi da cabeça, nem que fosse só por hoje.

Era tanto assunto de várias matérias diferentes e complicadas, que o tempo passava e eu nem percebia. Não percebi também que estava morrendo de fome, ignorando não-intencionalmente os roncos de minha barriga, enquanto continuava a escrever nas cartolinas. Assim que escrevi a última letra, suspirei aliviado, limpando um suor imaginário da testa. Mas ainda faltava toda a parte digitada e slides para criar, então apenas guardei os lápis e canetas e saí do chão gelado, rumando para a cama. Minhas costas agradeceram quando me encostei no travesseiro macio depois de horas sem apoio.

Digitava afoitamente no notebook, com os óculos de descanso apoiados na ponta do nariz. As palavras fluíam, criando um texto que me deixou orgulhoso. Preparei toda a apresentação com esforço também, procurando as melhores fontes e imagens para adicionar.

Minji eventualmente bateu na porta, me trazendo a janta já que eu não dava sinais que sairia do quarto por tão cedo. Parei de digitar para recebê-la com um sorriso, a observando deixar a bandeja ao meu lado. Era uma sopa que cheirava muito bem, por sinal.

- Obrigado, Mingi. – disse, percebendo meu erro no mesmo instante. – Digo, Minji. Obrigado.

A mulher riu.

- Coma logo e vá dormir, mocinho.

Droga, Minji, você me fez pensar nele de novo.

Balancei a cabeça, olhando para a tela iluminada e sussurrando para mim mesmo “foco, foco!”. Voltei logo ao trabalho, não querendo parar até ter acabado. E assim que o fiz, larguei o eletrônico de lado e ataquei a janta, morrendo de fome. Terminei em questão de cinco minutos, me levantando com o prato vazio para levá-lo até a cozinha. Aproveitei para me alongar, o corpo cansado por ficar em uma posição desconfortável.

Assim que comecei a descer as escadas, ouvi uma música lenta tocar. Vinha da TV, que era a única fonte de luz da sala. Diminuí a velocidade que descia, prestando atenção nas risadas baixinhas e sussurros provenientes do cômodo mal iluminado. Assim que cheguei ao último degrau, em silêncio, observei a cena que colocou um sorriso em meu rosto.

Meus pais, abraçados no meio da sala, se movimentando de um lado para o outro no ritmo da música. Se mexiam lentamente, os olhos fechados, as expressões felizes. Haviam empurrado os móveis para longe, deixando o espaço livre, mesmo que quase não saíssem do lugar naquela dança suave. Quase comecei a chorar ali mesmo, admirando o que se passava. Me sentei em um dos últimos degraus, apoiando os cotovelos em meu colo e as mãos no rosto.

Não sei por quanto tempo fiquei ali, sorrindo como um bobo e imaginando se um dia teria alguém pra dançar comigo na sala enquanto nossos filhos dormem também. Estava com tanto sono que quase dormi sentado. Olhando para o grande relógio na parede, percebi que era pouco mais de uma hora da manhã. Levei um susto com o horário, me levantando e deixando o prato na escada mesmo, não querendo atrapalhar o momento do casal. Voltei para o quarto e não demorei a capotar na cama, dormindo assim que me deitei. Tinha apenas algumas horas de sono, afinal.


--*--



Assim que acordei na manhã seguinte, me arrependi de ter ido dormir tão tarde. Ainda estava morrendo de sono, mal conseguindo abrir os olhos na claridade do dia. O banho foi mais longo que o normal, pois esperava que me fizesse despertar, o que não fez muito efeito. No caminho para o colégio, adormeci no carro, nem notando quando chegamos. Como um zumbi, me desloquei até minha mesa no pátio, me sentando ali e logo apoiando a cabeça na superfície dura, aproveitando para ter mais alguns minutinhos pra descansar.

Hongjoong hyung não fez nenhuma pergunta, sentando ao meu lado e mexendo em seu celular. Entrei no mundo dos sonhos algum tempo depois, sem perceber que dormia feito um bebê até ouvir a voz do hyung, que falava com alguém.

- É sério, cara. Dá o fora daqui. – ele tentava controlar seu tom, provavelmente para não me acordar. Tentei ignorá-lo e voltar a dormir, mas ouvi sua voz. Aquela voz.

- Eu preciso falar com ele.

Abri os olhos assim que notei quem estava ali, levantando a cabeça rapidamente e me arrependendo no mesmo instante, pois uma leve tontura me atingiu. Esperei minha visão voltar ao normal, piscando algumas vezes para focar em sua figura imponente a frente de Hongjoong, que me protegia com o corpo. A diferença de altura entre os dois seria hilária se o clima não estivesse tão tenso. Mingi percebeu que eu havia acordado, e seus olhinhos pedintes caíram sobre mim.

- Yunho. – pronunciou. Era a primeira vez que ele falava meu nome. Isso não deveria ter feito meu coração acelerar, mas mesmo assim o fez. Estúpido. – Vem comigo.

Ele pressionava os lábios, temendo receber uma resposta negativa. Joong hyung mais uma vez tomou a frente.

- Ele não vai, cai fora.

- Hyung... – chamei sua atenção, tocando seu braço. – Tudo bem.

Ele olhou pra mim indignado, não aprovando minha decisão.

Meu subconsciente bateu a mão na própria testa, decepcionado com a minha falta de firmeza. Ontem estava determinado a esquecer sua existência, mas assim que o vejo, quero ficar perto dele o quanto antes. Eu sou trouxa demais.

- Eu vou ficar bem. – continuei, me levantando e passando para perto do Song, que lançou um olhar quase vitorioso pro meu irmão.

Andei apressado para fora do colégio, sentindo sua presença atrás de mim. Meus ombros estavam pesados e eu não sabia mais como andar direito, apenas pensando no fato que ele estaria me observando de costas. Seguimos até nosso local seguro, onde me apoiei a parede e cruzei os braços. Ele ficou a minha frente, alguns passos de distância.

- Por que você não apareceu quando eu mandei, depois da aula?

Ri, incrédulo.

- Você não manda em mim.

Ok, não era isso que eu queria responder, mas o seu tom duro me deixou com raiva.

- Me responda. – sussurrou, rangendo os dentes. Minha pose raivosa caiu na hora, vendo sua expressão feroz. Me senti ameaçado, indefeso, como um coelhinho na frente de um leão morrendo de fome.

- E-eu cheguei atrasado. – pigarreei, tentando não gaguejar mais. – Minha mãe não me deixou sair no horário.

Seu olhar era penetrante, me deixava paralisado. Ele assentiu, compreendendo minhas palavras. Se aproximou, dando os passos necessários até ficar a minha frente. Apoiou uma das mãos na parede atrás de mim, ao lado de minha cabeça.

- Por que... por que não me contou que ainda estava namorando Kang Yeosang? – perguntei, sem olhar em seu rosto.

- Porque eu não namoro com ele. – respondeu, firme.

- Mas você tem algo com ele. E todo mundo sabe disso.

- E o que isso importa?

O fitei, procurando algum traço de brincadeira em sua expressão. Mas ele continuava sério, agora com as sobrancelhas franzidas.

- Você me fez de idiota, Mingi. – disse, de repente corajoso. Queria desabafar a frustração que senti. – Me fez pensar que... a gente tinha alguma coisa.

- Quando-

- Eu pensei que vocês tinham terminado. – O interrompi, afoito. Sua mão se fechou em punho, impaciente. – Não quero ficar com você se está com alguém.

- Não me interrompa. – ditou, praticamente ignorando o que eu falei, o que me deixou irritado.

- Você não me ouve! – falei um pouco mais alto. Sua expressão se fechou na hora, mas não deixei me abalar. – Eu não quero continuar com isso se for pra ser assim.

- Yunho-

- Não, Mingi, nada que você falar vai me fazer mudar de id-

- Já chega. – foi sua vez de me interromper, pressionando os dedos em minhas bochechas com uma mão só, consequentemente fazendo meus lábios se fecharem, quase formando um biquinho. – Fica quieto por um instante.

Então, me olhou com determinação. Analisou cada parte do meu rosto, do meu pescoço, do resto do meu corpo. Parecia procurar algo que não encontrou, pois suspirou derrotado, fechando os olhos. Quando os abriu novamente, encontrou os meus, confusos. Parecia se debater em sua mente sobre o que fazer comigo. Conosco.

Sua mão deixou meu rosto para seguir até meu pescoço sensível, passando os dedos por ali e traçando o caminho até minha nuca, antes de puxar os fios da região. Seu rosto se aproximou, desviando do meu para deixar os lábios quase encostados ao meu ouvido.

- Eu quero bater tanto em você. – pronunciou, lentamente, os lábios tocando minha orelha ao falar. A voz grossa me fez tremer, e tive que segurar em seu braço buscando apoio.

Eu devia estar cagando de medo agora. Devia dar um chute em suas partes íntimas e sair correndo ladeira a baixo gritando por socorro. Nunca mais chegaria perto dele e na pior das hipóteses o denunciaria a polícia. Quem sabe até mudaria de cidade.

Mas o que senti foi exatamente o contrário. Um arrepio desceu por todo o comprimento da minha coluna, enfraquecendo minhas pernas e fazendo minha cabeça tontear. Achei a ideia instigante, atraente, tentadora. Imaginei suas mãos grandes se chocando com força contra minha pele, nos mais diversos locais possíveis, e isso só me deixava com vontade, ao invés de medo.

Eu devo ter algum problema, só pode. Devo ter vontade de morrer, fetiche em violência. Preciso de ajuda o quanto antes, socorro.

Então ele deslizou o nariz perfeito da minha orelha até minha bochecha, sem pressa, até encontrar o meu semelhante. Se demorou ali, respirando profundamente de propósito para que eu sentisse. Seu lábio inferior se encaixou entre os meus, se afastando pouco depois, para os tocar novamente. Me provocava, incitando um beijo que só dependia de mim para ser iniciado.

- Eu não posso. – sussurrei, mesmo que me sentisse sendo atraído pelo seu corpo, querendo tê-lo o mais próximo possível. Quando falava, sentia sua boca na minha com mais intensidade. Isso me fazia querer não calar a boca nunca mais. – Não quero.

Não sei se falava pra ele ou pra mim mesmo, esperando que as palavras me dessem forças para impedir o beijo de acontecer.

Outro suspiro foi solto por ele, que lutava para manter o controle. Se eu era a impulsividade, ele pensava em cada movimento.

Mingi buscou minhas mãos, as acolhendo entre as suas, para levá-las até seus próprios ombros, as deixando no local. Com aquela ação, pedia para que eu o segurasse, que o quisesse perto. Segurou minha cintura, nos deixando completamente próximos.

- Você quer ficar comigo? Eu vou resolver isso. – seu sussurro rouco não parecia ser coisa desse mundo. Ele passou a língua por entre nossos lábios, procurando umedecê-los. – Mas, agora... só me beija, por favor.


Notas Finais


queria deixar registrado que amo as teorias de vocês sobre o mingi e o que ele pretende com todo esse joguinho, e eu digo uma coisa: tem gente que chega bem perto!!! kkkkk
muito obrigada por se interessarem por essa historinha mixuruca, e obrigada pelos comentários que fazem meu dia, sério! <33


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