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História Red Desert - Ashton Irwin. - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Treze.


Fanfic / Fanfiction Red Desert - Ashton Irwin. - Capítulo 13 - Treze.

Capítulo Treze.

Diana


        Quando eu me sento ao lado de Harry de novo, a nossa mesa está rodando em uma conversa sobre carros esportivos, com risadas altas do Michael e sobrancelhas franzidas do Calum quando sua opinião é contrariada. Annie está com os seus finos braços cruzados na altura do peito, as sobrancelhas claras franzidas numa curva perfeita e os saltos batucando no piso, toda impaciente. O toque do Harry no meu ombro suaviza um pouco a minha tensão na  presença dessa garota há menos de um metro de onde estou, ele me olha e sorri, sem perguntas, reclamações ou qualquer outra coisa, apenas compreensão. E eu sou grata.

  Quando Ashton volta minutos depois, com os pesados coturnos fazendo barulho no chão, o ambiente todo fica mais escuro, como se ele trouxesse uma nuvem negra para a nossa mesa. E eu bebo a dose de vodca no copo a minha frente quando nossos olhares se cruzam. Ele se abaixa e diz algo no ouvido de Annie, que revira os olhos de forma dramática, mas sorri segundos depois. Garanto que qualquer um sentiria a energia sexual nessa garota há quilômetros de distância. Vaca.

 "Nós já vamos." Ashton anuncia a todos com a loira de pé do seu lado, e eu reparo na forma como ela está muito mais bonita do que eu, o grande decote e o vestido marcando as curvas do seu corpo. A ponta do seu nariz é fina e arrebitada, sobrancelhas perfeitas e as maçãs rosadas.

  "Vocês têm certeza? Eu ia começar a pedir as bebidas agora. Nós temos algumas que os clientes não podem comprar." Harry tenta parecer simpático com a sua voz grossa, afastando meus pensamentos de inveja para longe com um carinho discreto no meu braço.

  "Acho melhor a gente ir." A impaciência está evidente no tom de voz do Ashton e ele até dá alguns passos se distanciando da mesa.

  "Bom, você quem sabe." O tatuado ao meu lado tenta mais uma vez e na verdade eu estou agradecida por Ashton estar indo embora. Não sei por quanto tempo eu iria aguentar os dois na minha frente. "Até mais então, valeu por ter vindo, cara. Aparece mais vezes."

  "Tchau." Ashton diz e praticamente arrasta a garota para a saída e eu deixo escapar um suspiro por não ter que fazer mais nenhum tipo de encenação. Já estava farta de ver a cara de merda dessa líder de torcida perfeita ao lado do meu melhor amigo — ou sei lá o que somos agora.

  "E aí, tudo bem?" Calum pergunta, aposto que ele estava se segurando para comentar alguma coisa sobre a minha conversa com Ashton.

  "Sim. Estamos bem." Eu minto. Estamos piores que nunca.

  "Desculpa, eu não sabia que ele iria trazer ela." Michael diz com um olhar de compreensão carregado demais, seus lábios quase fazendo um biquinho.

  "Você está bêbado?"

  "Nãooo." Ele exagera, deixando claro que está mentindo, mas eu acredito nas suas palavras embargadas pelo álcool.

 "Eu ia te mostrar o lugar..." Harry me diz,  num tom de voz baixo, ele está muito próximo a mim agora, posso sentir seu hálito de vodca e cigarro mentolado. "Mas acho que talvez não seja um bom momento, podemos deixar para amanhã. Você quer beber o quê?"

  "Eu não sei." A decepção é clara na minha voz. Era para ser uma noite divertida, minha primeira oportunidade de emprego, Harry tem sido muito legal e é bonito pra cacete, as coisas estão começando a dar certo para mim depois de tanta tempestade. Mas eu só consigo pensar nele e em como ele estragou minha noite.

  "Quer ir para casa?" Harry percebe a minha tristeza, mas eu balanço a cabeça, negando. "Quer ir para minha casa? Podemos levar algumas bebidas daqui." Ele diz, mas eu não respondo. "Eu conheço os donos, posso subornar para conseguir alguma coisa." Ele brinca e eu não consigo controlar o sorriso que surge no meu rosto, pela forma como ele está me tratando bem, ao contrário de muitos caras com quem já estive, pela forma como tenta me animar sem forçar a barra.

  "Tá bom." Eu digo por fim. E literalmente começo a rezar para que o resto da minha noite seja salva e eu consiga tirar aquele par de olhos cor de mel da minha mente.

  Minutos depois eu já estava dentro da Range Rover preta com os braços encolhidos de frio, esperando Harry pegar algumas bebidas que prometeu que me deixariam melhor. Encaro o painel do carro na minha frente, pensando em ligar o ar quente, mas apenas acendo um cigarro.

 "Está frio pra caralho." Ele aparece segurando um cigarro aceso com os lábios, e eu me movo do lugar com o susto. Harry entra e coloca quatro garrafas na parte de trás, sorrindo para mim com as sobrancelhas erguidas. "Quer mais um casaco, Diana?" Ele coloca o sinto, solta a fumaça pela janela e eu nego com a cabeça. O motor é ligado e o ar quente também, porra graças a Deus.

  "Eu nem conheci sua madrasta má.” brinco quando ele sai do estacionamento ainda lotado. Preciso me esforçar para manter um bom humor.

  “Ela perguntou de você quando fui pegar as bebidas.” Ele sorri sem olhar para mim e eu trago meu cigarro outra vez.

 “E o que você disse?” pergunto casualmente, não estou interessada em saber, na verdade, mas uma conversa simples talvez seja o que eu preciso agora.

  Ele mexe no seu celular e uma música baixa começa a soar dos autofalantes do carro. “Que vocês não se veriam hoje porque estou te sequestrando.” Sua voz é divertida e eu sorrio.

  Eu gosto do contraste que ele transparece. Das suas roupas todas pretas, as sobrancelhas grossas e o corpo com incontáveis tatuagens sombreadas e escuras, contradizendo com o seu modo de falar acolhedor, seu humor brincalhão e um toque suave.

  Quando reconheço que a música que está tocando é The Pretender balanço a cabeça discretamente acompanhando o ritmo e Harry aumenta o volume. E assim passamos cerca de quinze minutos, sem mais conversas casuais, apenas músicas pesadas acalmando meu corpo e melhorando meu estado de espirito. Eu saio do transe quando o carro encosta em uma enorme garagem, me dando a visão de uma casa maior ainda, de dois andares, com as paredes num tom de gelo e um telhado discreto, fazendo a frente parecer muito mais moderna.

  O lado de dentro é mais impressionante. Com uma decoração de sofá e painel de TV simples, em tons de branco e cinza claro, contrastando com grandes quadros carregados de cores nas paredes. “Mora só você e seus pais aqui?” eu pergunto ainda olhando para as paredes e conforme entramos, parece cada vez maior.

  “Na verdade, eu moro sozinho. Eu e o Tom.” Ele aponta com o pé para um pote no chão com ração de cachorro, escrito “MELHOR CÃO DO MUNDO”.

  “Ah...”

  “Pronta pra melhorar essa carinha triste?” ele levanta duas garrafas na minha frente e eu sorrio. “Pode ir subindo, eu já vou.” pego as bebidas das suas mãos. “É a segunda porta a direita no corredor.”

  Eu subo os degraus de porcelanato escuro sem dizer nada, com duas garrafas geladas nas mãos e um celular vibrando no meu bolso. Quando termino a escada em L, vejo que todas as portas são em um tom de cinza escuro e há quadros com desenhos abstratos e muito coloridos nas paredes brancas. Eu abro a maçaneta da porta indicada com o cotovelo, tentando não derrubar nada. Há um enorme sofá que vai de uma parede a outra, uma mesinha de centro pequena de madeira clara e uma grande TV de tela plana pendurada na parede oposta ao sofá.

  Deixo as garrafas sobre a mesinha e me sento. Meu celular vibra outra vez e eu desbloqueio a tela. Os nomes do Calum, Luke e do meu pai brilham na barra de notificações.

  Abro primeiro a mensagem do Calum. “Tenta parar de pensar no Ashton. Amo você.” E isso me acalma por algum motivo, eu quase sinto seus braços me envolvendo e um beijo na minha testa. Luke me mandou: “Harry, né?” e dois emojis de berinjela, que eu solto uma risada ao ler. Me bato por ter deixado a mensagem do James por último. “Da próxima vez que eu tiver convidados em casa, gostaria que ficasse para o jantar.”

  Vá se foder.

  A porta se abre para que eu veja Harry equilibrando um arguile com uma das mãos e duas garrafas na outra. Quanto ele pensa que eu vou beber?

 

 

 

  “Impossível!” eu grito e minha risada alta ecoa sobre a música que sai da TV, Harry está me mostrando que consegue fazer três ondinhas com a língua, enquanto eu consigo apenas duas. E eu já me sinto muito melhor, na verdade, seu pastor alemão nos fez companhia durante algum tempo até sumir da minha vista. Às vezes há cinco figuras do Harry na minha frente e minha cabeça está começando a latejar depois de experimentar uma dose de cada uma das bebidas, repetindo duas vezes a que tem um forte gosto de mel, quatro cervejas e muitas risadas eu já nem me lembrava mais o nome do garoto que quase estragou minha noite.

  Quando a minha risada para de ecoar pelo ambiente pequeno, eu apago o restante do meu cigarro no cinzeiro quase cheio no braço do sofá, acabei com o restante do meu maço. Harry está me encarando ainda com um sorriso no rosto, posso perceber que ele está tão bêbado quanto eu. Suas mãos colocam uma mecha do meu cabelo bagunçado atrás da orelha, escorregando para a minha nuca, num toque firme e suave ao mesmo tempo, fecho os olhos por um segundo, esperando a descarga elétrica terminar de correr pelo meu corpo.

  Ele está mais próximo de mim agora, sua respiração colidindo com a minha, seus lábios entreabertos e as pupilas dos seus olhos verdes estão dilatadas. Antes que meu cérebro possa me impedir eu pulo para o seu colo, onde suas mãos rapidamente envolvem minha cintura. Eu posso sentir meu peito subir e descer numa respiração cada vez mais pesada, eu quero pra caralho beija-lo agora, mas o seu toque no meu corpo me faz aproveitar um pouco mais esse momento, eu sei que posso ir com calma aqui.

  Eu sinto, literalmente, que o álcool fez meu sangue correr direto para o meio das minhas pernas. Harry delicadamente tira minha jaqueta, sem deixar de tocar minha pele pela extensão dos meus braços, enquanto eu coloco as duas mãos sobre os seus ombros. Seus dedos percorrem com calma meu ombro, pescoço e o espaço entre os meus seios e ele olha cada parte do meu corpo que está a vista com desejo. E por algum motivo eu gosto da sensação que isso está me causando, ser desejada, quando muitos caras com que já transei estiveram mais focados no ato final em si, sem nem mesmo se preocuparem se eu estava molhada o suficiente.

  E finalmente ele me beija, devagar, sua língua invadindo minha boca com delicadeza, mas suas mãos estão puxando de leve o cabelo na minha nuca, me causando mais vontade. Minhas mãos estão envolvidas no seu pescoço enquanto eu começo a movimentar sutilmente o meu quadril e já posso senti-lo através do tecido da minha calça larga. Eu solto um gemido quando seus beijos descem pelo meu pescoço, mas eu permaneço com os olhos fechados, me deixando ser entregue a essa sensação.

  Eu percebo que ele para por alguns segundos e quando eu o encaro, Ashton está me olhando com um sorriso malicioso estampado no seu rosto, com a língua entre os dentes, suas mãos estão apertando a minha cintura com mais força, para que eu fique mais próximo dele. “Você é linda, Diana.” Sua voz está diferente, muito mais grossa.

  Pisco várias vezes para ver o rosto com lindos olhos cor de mel que me desejavam tanto e um cabelo bagunçado se transformarem no rosto de Harry, com grandes olhos verdes e um cabelo esticado para trás. Puta que pariu.

  Meu estômago se revira, como se algo desse um 360° dentro dele e eu sinto ânsia de vomito no mesmo momento. Acho que nem consigo disfarçar minha expressão de merda, porque Harry está com uma feição preocupada e assustada estampada em sua face.

  “Acho que preciso de um banheiro.” Falo antes que seja tarde demais. O teto sobre as nossas cabeças parece ter ficado mais baixo.

  Eu saio do seu colo e vejo o volume na sua calça. Ele me guia com uma das mãos nas minhas costas para fora daquele cômodo esfumaçado para entrarmos em um quarto que gira, fazendo meu estômago se embrulhar mais e mais. Três mãos tatuadas abrem uma maçaneta e eu não consigo decifrar se estou andando por conta própria ou se estou sendo praticamente carregada.

  “Precisa de ajuda?” Harry me diz e eu nego com a cabeça, preciso cerrar os olhos fitando-o antes de fechar a porta para ter certeza que não é o Ashton outra vez. No momento que meus joelhos tocam o chão de cerâmica clara em frente ao vaso sanitário eu sinto o cheiro de produto de limpeza e elimino tudo que há dentro de mim, mesmo que não seja muito, e a minha garganta arde.

  Minutos depois eu já estou menos tonta e as três descargas na minha frente haviam se transformado em apenas uma, como deveria ser, mas minha cabeça ainda lateja como o inferno. No grande espelho eu percebo que estou melhor do que achei que estaria, formando poças rasas de água e jogando no rosto com as mãos em concha.

  Quando eu entro no outro cômodo, Harry está sentado em uma cama king size com as pernas abertas e as meias tocando o carpete do chão. “Está melhor? Eu não devia ter deixado você beber tanto, desculpa.” Sua voz é suave, mas a expressão no seu rosto é de preocupação genuína.

  “Já estou bem.” Respondo com firmeza, mas sou desmentida quando tento andar até ele mas percebo que na verdade estou me aproximando da porta, enquanto o quarto vai ficando cada vez mais deitado.

  “Eu te ajudo, vem aqui.” Seus braços envolvem o meu corpo e reparo que são muito menores que os de Ashton.

Caralho, Diana, que merda de comparação é essa?

  Ele me coloca sobre a cama e meu corpo relaxa no mesmo instante, mas o teto ainda gira sobre a minha cabeça. Sinto Harry tirar meus tênis e colocar uma coberta no meu corpo, quando eu começo a fechar os olhos a cama afunda no espaço ao meu lado e eu sinto o calor do seu corpo. Um pensamento de alerta vermelho passa pela minha cabeça sobre ele tentar alguma coisa enquanto estou chapada, como alguns já tentaram, mas é assoprado para longe quando ele toca meu braço e diz para eu ficar tranquila.

  Olhos cor de avelã do Ashton, bebidas adocicadas e a grossa risada de Harry são as últimas coisas que tomam os meus pensamentos antes de eu finalmente pegar no sono depois dessa longa noite. Isso antes de cada espacinho de sanidade no meu corpo ser preenchido por um pesadelo outra vez.



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