1. Spirit Fanfics >
  2. Red Hood >
  3. Lobo mau

História Red Hood - Capítulo 1


Escrita por:


Capítulo 1 - Lobo mau


Desde que eu era apenas um garotinho, minha família e eu moramos em um pequeno vilarejo a beira de uma densa floresta, meus pais por serem muito gentis, se dispunham a distribuir alguns mantimentos ao restante da vila, meu pai levava lenha e mamãe alimentos, eles me educaram assim, sempre com amor, carinho e gentileza, durante meus tempos de infância meu pai me levou para a floresta, ele queria me ensinar a cortar lenha assim eu poderia contribuir para a vila quando fosse mais velho, ele me ensinou o caminho, a forma correta de se segurar um machado, onde acertar a árvore, era deveras divertido, naquela época havia um rumor sobre um enorme lobo, tão grande quanto um humano comum, e tão forte quando dez homens, contavam que ele levava criancinhas malcriadas e as jantava, nenhuma criança de fato acreditava naquela historia pois todos achavam serem contos que os adultos contavam para se comportarem, eu também não acreditava totalmente nela, mas eu acreditava no lobo, nossa casa era a mais próxima da floresta e por vezes pude ouvir o uivo vindo dela, me deixando curioso para saber como seria o lobo, mas naquele dia, mal sabia eu que minha curiosidade seria sanada, enquanto eu me esforçava para acertar a árvore com o machado, meu pai me observava, não pude notar muita coisa até ele me mandar parar com os movimentos e ficar em silêncio, não entendi de início até perceber uma movimentação nos arbustos a nossa volta, havia algo ali, papai já empunhava seu machado, pronto para acertar o que fosse, lembro-me de ter escutado ruidos na folhagem próxima a mim, eu era uma criança curiosa e paguei por isso, tudo o que senti foi dor, uma dor excruciante em meu rosto, meu pai gritou e me empurrou para longe, e  eu vi, a enorme besta, um lobo gigantesco com olhos claros e pelagem escura, olhando com fúria para mim, não demorou para que ele atacasse e meu pai revidasse, e enquanto atacava o lobo ele gritou para que eu corresse, e então eu o fiz, corri desesperadamente, o medo me fazendo não enxergar nada em meu caminho, não tardei a chegar em minha casa, vendo minha mãe com seu rosto, que antes tinha um sorriso acolhedor, em completo pavor e desespero, ela me perguntava o que havia acontecido, porém eu mal conseguia falar, e então tudo escureceu e eu desmaiei. Acordei dias depois, com a notícia de que meu pai não retornara, muitos procuraram mas não o acharam, e quando eu contei do lobo ele foi dado como morto, daquele dia em diante eu mudei, eu não sorria mais, eu começei a treinar caçada, mas ainda ajudava o vilarejo, me tornei lenhador como meu pai, mas eu possuia uma ideia fixa em minha mente, achar o lobo e mata-lo, eu queria vingar meu pai. 

Anos se passaram, eu havia me tornado adulto, mesmo com uma cicatriz horrenda em meu rosto muitos me chamavam de belo, muitas garotas caiam de amores por mim, mas meu objetivo nunca mudou, eu iria matar o lobo, e traria sua cabeça para casa. Minha vila havia feito amizade com o vilarejo vizinho, de tempos em tempos nós nos ajudavamos, carroças com mantimentos iam e vinham pela floresta, o líder deles era muito cortez, a minha vila não possuia líder, mas eu era o membro ao qual eles confiavam e pediam ajuda, então eu me encarregava de cuidar deles. Certo mês tivemos uma colheita explêndida, muito farta, então decidi levar uma cesta de agrados para o vilarejo amigo, com tudo pronto eu partiria em uma viajem sozinho, não haviam motivos para acompanhantes, antes de sair mamãe me parou e me entregou algo, era um manto com um capuz, todo em vermelho, ele pertenceu a meu avô que passou para meu pai e que agora estava sendo dado a mim, e com orgulho o coloquei, peguei meu arco e minhas flechas, e então parti por entre as árvores.

Caminhava calmamente pela floresta, os raios de sol atravessavam as copas altas, passáros cantavam, e assim seguiu minha viagem, calma e pacata, duraria um dia e meio até o vilarejo, portanto eu dormiria na floresta, mas não era como se eu não tivesse o feito por vezes antes, caminhei até chegar a um pequeno córrego, era onde eu costumava ficar sempre que fazia este tipo de trajeto, coloquei minha cesta no chão, ela estava coberta por um pano colorido, me permiti dar um pequeno sorriso com o cuidado que mamãe tinha em agradar, deixei os pensamentos de lado e me aproximei da água cristalina para encher meu cantil, começava a escureçer então decidi fazer uma fogueira e procurar algo para comer, o que não era díficil, após aprontar a fogueira eu avistei uma lebre, seria aquele meu jantar, peguei meu arco e flechas e fui atrás dele, me movimentava com cautela seguindo o animal, buscando o momento perfeito para atirar, ele parou por uns momentos numa área aberta, era a brecha que eu buscava, mas antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, algu pulou dos arbustos em direção ao coelho, não acreditei quando vi, era ele, o lobo, aquele que eu tanto caçava, não pensei muito, mudei minha mira e o acertei com uma flechada em suas costas, ele largou a lebre, ganindo de dor, mas não tardou a me notar, com essa percepção eu corri, se ele me atacasse eu não teria como me defender de perto, e ninguem me salvaria desta vez, precisava tomar distância para lhe dar outra flechada, e foi o que consegui, ele não corria muito por estar ferido, então pude encara-lo antes de lhe atirar outra flecha, desta vez em sua pata dianteira, o que o fez cair, ele agonizava no chão e eu aproveitei para me aproximar mais, lhe daria uma última flecha na cabeça, mas a medida que eu me aproximava a forma daquele ser mudava, pensei ter finalmente enlouquecido, pois quando cheguei ao seu lado não havia um lobo, mas sim um jovem rapaz, de pele acobreada e cabelos escuros, com uma flecha cravada nas costas e outra no braço, eu estava confuso, mas já ouvira historia de homens que viravam lobos, porém nunca levei para o sentido literal, mas naquele momento não me importava, eu apenas queria minha vingança e finalmente a teria, mirei uma flecha em sua cabeça, e ele me olhou, seus olhos castanhos cheios de lágrimas, por um momento hesitei, mas lembrei-me que ele era um monstro.

-Por favor, não. - ele me pediu em meio aos soluços.

Aquele ser estava me implorando para não mata-lo, então olhei em seus olhos, havia muita dor neles, então recuei, não sei ao certo o por que, mas senti que não deveria mata-lo, ainda assim me senti patético, anos caçando aquela coisa para no final desistir, ri de minha desgraça, quando voltei a olhar o jovem no chão ele estava desacordado, decidi retirar minhas flechas de seu corpo, apenas as puxei de seu corpo imóvel, ele respirava com dificuldade mas iria se recuperar. Comecei a me afastar de seu corpo, voltando para meu pequeno acampamento, eu ainda teria de procurar meu jantar, caminhei a passos largos para não me demorar, mas quanto mais eu andava menos eu reconhecia o caminho, aquilo não estava certo, eu sabia perfeitamente de onde eu tinha vindo como não conseguia achar o local de onde parti? Independente de pra onde eu olhasse nada mudava, árvores e mais árvores e nenhum sinal do córrego, eu estava realmente perdido no meio da floresta, sentei-me em uma rocha próxima para pensar com mais calma, como aquilo tinha acontecido, até ser surpreendido novamente, dessa vez por uma chuva torrencial, não estávams em época de chuva, o que estava acontecendo afinal, seria esta a parte da floresta ao qual todos chamam de amaldiçoada?

Ignorei este pensamento partindo em busca de um abrigo, que não demorei a achar, uma rocha encurvada que formava uma pequena e rasa caverna, era ali que eu ficaria por enquanto, com poucos galhos secos que encontrei consegui ascender outra fogueira, agradecendo ao manto vermelho que agora me mantinha aquecido junto ao fogo, porém ainda tinha fome, e como a chuva não demostrava que iria cessar tão logo, optei por dormir para espantar a dor de meu estômago pela falta de alimento, e assim o fiz.

A luz do sol refletia em meu rosto, me despertando, abri vagamente os olhos me acostumando a claridade do ambiente, as árvores pareciam muito mais brilhantes que o dia anterior, com isso constatei que definitivamente não estava na parte conhecida da floresta, que lugar era aquele afinal, olhei os arredores e nada reconheci,mas notei que próximo a mim havia um coelho morto, parecia ter sido atacado brutalmente, mas eu não liguei para isso, estava com fome demais para pensar, logo tratei de levar aquela carne ao fogo.

Depois de finalmente alimentado recolhi minha arma, apaguei a fogueira e rumei pela floresta, agora desconhecida por mim, precisava de uma forma de voltar para casa, e após algumas horas de caminhada notei estar sendo seguido, tratei de aguçar meus sentidos e logo preparar uma flecha, quando senti algo se aprocimando logo armei meu arco mirando no que fosse que estivesse atrás de mim, qual não foi minha surpresa ao ver o mesmo lobo da noite anterior, mirei em sua cabeça mas novamente não atirei, ele se aproximava com cuidado, e tinha algo em sua boca, novamente surpreso percebi ser minha cesta que ele carregava, a mesma que eu havia deixado para trás, parecia estar intocada, deixei-o aproximar-se de mim, e próximo aos meus pés ele deixou a cesta, recuando um pouco com a cabeça baixa, com cuidado me abaixei para checar o conteúdo do recipiente, tudo ainda estava ali, intacto, olhei novamente para o animal, com mais atenção desta vez, curiosamente seus olhos eram mais escuros e ele me parecia menor do que o que eu me lembrava na infância, bem, eu era uma criança afinal, tudo me parecia em demasiado grande, e nunca fui muito alto, deixei aquilo de lado, peguei minha cesta e voltei para meu caminho, e novamente percebi estar sendo seguido, o lobo continuava em meu encalço.

-O que quer afinal? - perguntei um tanto irritado, apenas vendo o animal me encarar.

Então lembrei-me do que vi noite passada, ele transformou-se em homem, então me compreendia.

-Vamos, diga o que quer me seguindo, sei que pode me entender. - continuei, elevando mais minha voz.

Suas orelhas ficaram baixas como se estivesse tímido, e logo pude ve-lo tornar-se humano outra vez, seus cabelos castanho escuros e olhos de mesma cor, era mais alto que eu, com poucos músculos em seu corpo, mas bem definidos, ele usava uma espécie de pele de lobo que cobria boa parte de seu corpo, talvez fosse aquilo que o transformasse em besta.

-Eu queria agradecer, por ter me poupado. - sua voz me surpreendeu, não era tão grave e estava clara, falava bem então não era um selvagem completo.

-Não me agradeca, é uma fera assassina afinal, não será díficil para mim mata-lo se me der vontade. -eu lhe disse ríspido, era a verdade.

-C-como? Não sou uma fera assassina, apenas caço para sobreviver, assim como você. - ele me disse.

-Isso inclui as muitas pessoas que matou, certo? - eu disse com ar de zombaria.

-Nunca matei um único humano sequer, o que te leva a me acusar assim? Apenas por eu não ser igual a você? - ele ralhou, aquilo já havia se tornado uma discussão.

-A marca em meu rosto prova sua selvageria, pois nem crianças são poupadas de sua ira. - lhe respondi com raiva.

-Isso não é obra minha, seu simplório, não sou o único lobo dessa floresta, qualquer um pode ter lhe feito isso, pare de me acusar. - ele demonstrava angústia em sua voz.

E então eu me retesei, ele havia dito não ser o único, tinham mais deles, uma matilha inteira talvez, como acharia qual o que me atacara? Era por este motivo que ele me parecia diferente, não era ele afinal.

-Ei, está bem? - ouvi sua voz me perguntar, me tirando de meus pensamentos.

-Quantos de vocês existem? - lhe perguntei

-Não muitos. - ele me disse incerto.

-Quantos? Diga-me um número! - voltei a perguntar, dessa vez quase gritando, eu precisava saber.

-E-eu não sei com certeza, talvez seis ou sete, não vivemos em grupos como lobos normais e muitos já foram mortos, evitamos humanos por esta razão. - ele me contou.

-Mas um me atacou, e matou meu pai, e não vou parar até acha-lo. - olhei para ele enfurecido

-Você poupou minha minha vida, então estou em débito com você, posso te ajudar a sair desta sinuosa floresta, mas apenas isto, não o ajudarei a matar um de meus irmãos. - ele me disse sério.

-Está bem, aceito sua ajuda. Diga-me como cheguei aqui e como faço para sair.- encarei-o esperando a resposta, enquanto começavamos a caminhar.

-Varias bruxas costumavam vir aqui para praticarem rituais e feitiços, nem todas eram boas, algumas gostavam de ver o sofrimento elheio, então lançavam feiticos para desorientar quem se aproximasse, existem vários por aí, as pessoas imaginam que estão em um lugar quando na verdade não estão. Você deve ter caido num desses logo que entrou na floresta.

-Estamos muito longe dos vilarejos? - questionei

-Sim, o que você imaginou terem sido poucas horas foi muito mais, por isso estava com tanta fome antes, já se passaram dias desde que entrou aqui. - ele era tranquilo enquato falava, mas eu estava em pânico.

-Você não é afetado por feitiços assim? - eu estava curioso, algo que eu não era a bastante tempo.

-Criaturas com magia não são afetadas por feitiços. - ele respondeu.

Me contentei em ficar quieto enquanto caminhávamos, aparentemente o caminho seria longo.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...