História The Artifices of Magic: Red Riding Hood - Capítulo 6


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 11
Palavras 2.566
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Dois capitulos para compensar o atraso.

Capítulo 6 - Chapter 6


Durante o tempo em que o barco deslizava rio abaixo, as meninas que remavam nunca suspeitaram que Castiel estivesse as  conduzindo na direção do sinal de vela de Peter. A luz desaparecera, mas ele havia ficado de olho no lugar em que havia brilhado e sabia exatamente para onde deveriam rumar na escuridão. Roxanne se inclinou nervosamente na lateral do barco, espiando seu reflexo estilhaçado na água revolta. Ela sentiu que o rio se parecia com tinta sangrenta, mas tentou se convencer de que se parecia mais com suco de amoras. Prudence aproveitou a oportunidade. Com as mãos segurando os dois lados, ela balançou o barco, deixando Roxanne, cambaleante e gritando, voltar para seu assento. Prudence riu de forma maldosa; um ar brincalhão e selvagem iluminava seus olhos. Roxanne a encarou e espirrou um pouco de água. Da margem, as garotas conseguiram ver três fogueiras de acampamentos diferentes enterradas entre as árvores e começaram a remar, de forma competente, até eles. Essas meninas tinham capacidade de fazer coisas que as outras garotas não conseguiam. Puxavam os remos, e o bote deslizava sobre o rio como um pássaro solitário. Consideraram brevemente a possibilidade de serem pegas, mas conseguiram tirar isso da cabeça facilmente. Eram jovens e livres — e parecia valer a pena correr o risco. Vendo a luz de Peter brilhar de novo, Castiel virou o barco para a esquerda. Conforme ele adernou, Lucien perdeu o remo. Esticando-se para recuperá-lo, ele mudou o peso muito rapidamente, fazendo com que o rio corresse por cima da borda para dentro do barco. As meninas gritaram quando a água jorrou com força no interior do barco. Imediatamente souberam que provavelmente haviam estragado seu disfarce.

— Pulem e virem o barco! Escondam-se embaixo! — Castiel tentou gritar e sussurrar ao mesmo tempo.

As garotas tomaram bastante ar e mergulharam na água, virando o barco de cabeça para baixo enquanto se escondiam. Buscando uma à outra sob a água, conseguiram chegar embaixo.

Elas se ergueram, com as saias arrastando atrás como mortalhas, para encontrar o bolsão de ar por baixo do barco. Ninguém ficou feliz. Os cabelos estavam completamente molhados e seus vestidos encharcados, depois de tudo o que fizeram para ficarem belas para os rapazes. Agora estavam aqui, no mundo subterrâneo sujo e azul de um barco decrépito, chutando as pernas furiosamente e ainda completamente invisíveis para os outros, até mesmo para elas. De repente, tudo lhes pareceu loucamente engraçado, e juntas se contorceram de risos, tentando contê-los. Então cederam, deixando as risadas escaparem pela noite em alguns gritos, mas tentando, ao mesmo tempo, ficar quietas. Elas pareciam estar dentro de uma concha. Castiel estava começando a desfrutar seu papel de líder.

— Precisamos dar um jeito nisso — disse, afirmando o óbvio.

Em silêncio, fez com que se aquietassem. Elas se esforçaram para ouvir se havia algum movimento na margem. Roxanne séria, acenou a cabeça, para si mesma, como se Castiel tivesse dito algo perspicaz. Prudence revirou os olhos, exasperada com a tirania recém descoberta de Castiel. Após um momento em que nada se pôde ouvir além da água açoitando o bote, Castiel decidiu que elas ainda estavam seguras.

— Tudo bem, vamos lá. Um, dois, três... ergam! — Castiel falou com uma voz que era mais imperativa que o necessário. O barco caiu fazendo um grande ploft, com o lado certo para cima. As meninas vadearam pela água rasa até a margem, trazendo o barco e se sentindo idiotas com o peso das saias encharcadas de água, tornando cada passo ainda mais vagaroso e humilhante.

— Venha aqui em cima! — ouviu-se um sussurro alto.

Perscrutando a escuridão, as meninas não conseguiam ver quem havia falado. Entreolharam-se, cada uma por si tentando discernir se poderia ter sido seu próprio namorado desejado, antes de prender o barco a uma árvore. Castiel procurou Peter enquanto escalavam o barranco do rio. As fogueiras dançavam até o céu, e elas se movimentaram para a mais próxima delas, sentindo-se grudentas e sujas até a alma. Lucien correu primeiro, mas se afastou, sussurrando:

— É o pai da Rose!

— Oi? Quem está aí? — surgiu uma voz do círculo de homens agachados ao redor do fogo.

— Desculpe! — Lucien falou, imitando a voz de uma velha.

As cinco garotas tentaram parecer discretas e retraídas, reprimindo as risadinhas com desespero.

Os rapazes deviam estar na próxima fogueira. Ao se aproximarem da luz, Castiel viu através da agitação de faíscas saindo da fogueira do acampamento que Peter não estava entre eles. Os trabalhadores que estavam lá ficaram felizes em ver as garotas se aproximando, mas também pareciam surpresos.

— Vocês, meninas, como vieram parar aqui?

— Bem...

— Como?

As meninas se entreolharam. Será que eles não

—Rã...

Lucien entrou na conversa.

— Desculpe. Nós sempre ficamos deste lado quando acampamos. — Não era mentira. Elas nunca haviam acampado antes.

Os rapazes se entreolharam.

— Não estamos reclamando.

As meninas deram de ombros. Os rapazes não riam espertos, mas eram divertidos.

Eles riram ao ver como as garotas estavam molhadas e sujas, mas não exageraram para não constrangê-las. Eram até distintos, tentando muito manter os olhos afastados da blusa de Rose, que caíra ainda mais para baixo com o peso da água, mostrando bem mais o seu corpo. Ela não fez nada para corrigir a situação. Enquanto todos se secavam ao fogo, Lucien se pôs a trabalhar, tecendo guirlandas de capim e trevo, trabalhando com destreza com seus dedos.

— Não há flores aqui — lamentou baixinho para ninguém em especial. — Vão ter de ficar assim. — Ele se iluminava conforme o seu trabalho avançava.

Em pouco tempo, um dos ceifadores — o de Rose ou de Prudence, dependendo de qual garota era solicitada — tirou uma rabeca. Ele não era um bom instrumentista, mas não importava muito. Enquanto as meninas ouviam, a fogueira crepitava, lançando pedaços de cinza que voavam dentro de seus olhos. Rose dançou descalça ao lado dele, agitando a saia enquanto tentava convocar as outras meninas ao seu lado; seu cabelo escuro brilhava conforme secava ao calor do fogo. Prudence e Roxanne deram-se as mãos e fizeram um passo circular tímido. Teria sido mais fácil, Rose pensou, se eles tivessem se juntado a ela, tomando mais cerveja. Lucie veio e ajustou os círculos de trevo sobre suas cabeças. Voltou ao seu assento com uma guirlanda, descontente com o modo como havia fechado o anel.

— Foi você que ficou piscando com a luz? — Rose perguntou ao tocador de rabeca com a voz baixa, para deixá-lo ciente de que poderia confiar nela, Mas ele não sabia do que ela estava falando.

 — Luz piscando? Onde? — Ele olhou ao redor, pensando que não queria perder nada. Rose fez beicinho.

 Acho que não. O grupo estava preocupado demais para notar Castiel escapar da luz da fogueira e entrar na escuridão.

***

Sentindo o caminho às cegas através do campo escuro, suas mãos tocaram os talos de capim seco e áspero nas pontas. Quando ele corria os dedos ao longo de uma lâmina da maneira correta, de baixo para cima, parecia liso, mas se ele acidentalmente passava o dedo no outro lado, a lâmina contra atacava cruelmente, como mil facas pequenas. Ele esperou, tentando identificar Peter no vazio, mas não viu nada, não ouviu nada. Nunca se importava em ficar sozinho — muitas vezes preferia isso, procurava ficar só — mas buscar alguém inutilmente fazia que ele se sentisse tolo e ridículo. De repente, odiava a si mesmo e detestava Peter. Começou a andar na direção da fogueira do acampamento, dizendo a si mesmo que nunca se colocaria na posição de se sentir tão idiota novamente. Foi então que, quando se arrastava furiosamente por entre os juncos, viu o brilho trêmulo de uma vela na floresta. Ele inspirou profundamente e sua respiração desapareceu antes que o seu coração pudesse dar outra batida. Entrou no emaranhado escuro da floresta e o colocou em movimento.

Alguns pássaros e os insetos se manifestaram em seus registros separados, intercalando as suas canções e criando paralelos estranhos e dissonâncias. Ele pôde sentir o leve cheiro adocicado do bosque à noite e ouvir o esmagar das folhas secas sob os pés. A vela, porém, havia desaparecido.

— Peter... — Castiel chamou em um sussurro.

Andou com cuidado, pensando se havia apenas imaginado a luz e se realmente era tão idiota como havia se sentido momentos atrás. Mas o que era aquilo no chão? Uma marca? Na forma de... uma seta? Quando se curvou para baixo, cansado, para descartar essa possibilidade como já fizera inúmeras vezes antes, sentiu um toque pesado e úmido em suas costas. Um leve sopro de ar. Sua respiração foi contida.

— Suba — ele ouviu ao se virar.

Era o nariz de veludo úmido de um cavalo. Peter se delineava contra o céu acima dele, segurando as rédeas soltas. Uma mão estendeu-se para a dele, e ela aceitou. Era grosseira, calejada e quente. Ele agarrou a dele com força, e sem sequer pensar, Castiel deixou-se erguer e deslizou para o cavalo, seu corpo se ajustando ao de Peter. Ele prendeu timidamente os braços ao redor de sua cintura e depois se enrijeceu quando o cavalo se movimentou. Ele andou lento e cuidadoso; enquanto atravessava a clareira, o corpo de Castiel mergulhava adiante com o de Peter quando ele se movimentava para evitar galhos pendentes. Eles não se falaram. Castiel descobriu que não precisava saber quem era esse novo Peter, que tudo bem não saber de nada, que na verdade era melhor assim. Em seguida, Peter encontrou o que estava procurando: um atalho que cortava a floresta.

Ele segurou firme nele quando ele colocou a montaria a galope, e cavalgaram lépidos e livres pelo bosque. Com o corpo perto do dele, recordou a vibração elétrica de estar com ele quando eram jovens, correndo pela floresta tão rápido que o ar assobiava em seus ouvidos. Esse sentimento ainda estava presente, mas significava muito mais agora.

O cavalo ganhou velocidade — o rápido bater dos cascos no ritmo da batida de seu coração. O vento soprava nos seus cabelos, e ela, Peter e o animal estavam tão pertos e se sentiam tão poderosos que parecia que ficariam juntos para sempre, voando. Mas, por fim, Peter virou o cavalo para fazer a volta. Deixou o cavalo trotar e ouviu a respiração ofegante; eles ainda não haviam quebrado o silêncio pesado. De repente, a voz de um homem rompeu o silêncio, gritando:

— Ei! Esse cavalo é meu! Volte aqui!

Castiel não notara que o cavalo não era de Peter. No escuro, sorriu sem acreditar. Peter era perigoso.

— Vou esperar aqui, enquanto você devolve o cavalo. — Não vá a lugar nenhum — ele falou, deixando-o de fora.

Enquanto ele observava sua silhueta escura voltar para devolver o cavalo, o peito de Castiel se sentiu oprimido como se houvesse muita coisa, como se algo estivesse tentando soltar raízes e brotar lá dentro.

Talvez fosse assim o amor. Ele tentou se lembrar do corpo de Peter, senti-lo em sua ausência. Ele tinha cheiro de tanino e couro, este rapaz perigoso, este ladrão de cavalos. Ele aguardou seu retorno, perguntando-se o que viria a seguir. Castiel ouviu um estalo de galhos e olhou em volta.

Como não viu nada, olhou para o céu e para o emaranhado de ramos acima. Havia bolsões de noite visíveis entre eles, e conseguiu vislumbrar as nuvens se tornarem sem substância no céu e ficarem à deriva mergulhando em nada.

No entanto, duas nuvens persistiram, e elas se afastaram para enquadrar a lua. Demorou um pouco para Castiel perceber que a lua estava cheia. E vermelha. Sua mente ficou turva com a confusão. A lua cheia havia sido na noite anterior, então como... O sangue de Castiel gelou nas veias ao tomar consciência disso.

Era algo que os anciãos mencionavam, mas não com tanta confiança; silenciavam quando uma pergunta era feita, resmungando, pois ninguém sabia as respostas com certeza. Só sabiam que não era um bom sinal, assim como um gato preto ou um espelho quebrado. Lua de sangue. Houve um uivo sobrenatural a distância. Castiel saltou correndo para fora da floresta e até a margem do rio, que havia sido jogada em seu próprio caos, o enxame de pessoas em ziguezague correndo para a segurança como abelhas. Todos haviam se espalhado e se empilhavam nos barcos, remando na direção da aldeia.

Ele viu Roxanne e, Rose correndo em direção a um barco ao largo da praia, chapinhando na água em pânico. Alguns ceifadores já haviam subido — não havia muito espaço. Castiel se apressou até eles, com os respingos da água até a cintura.

— Meninas, esperem!

— Entre! — Roxanne puxou a mão de Castiel, trazendo-o a bordo.

— Espere! Cadê o Lucien?

— Ela e Prudence foram no primeiro barco — Roxanne respondeu, apontando com urgência para um barco já a meio caminho.

— Suba ou fique! — um dos ceifadores pediu enquanto eles empurravam o barco para fora.

Toda a etiqueta havia desaparecido com a ameaça. Uma vez na água, Castiel olhou de volta para a praia, que foi sumindo na escuridão conforme os trabalhadores remavam furiosamente. Havia outro barco esperando lá e não havia homens suficientes para enchê-lo.

“Peter vai achar um lugar nele”, tentou se acalmar, com uma sensação de ansiedade fermentando em seu peito.

***

— A lua cheia foi na noite passada — protestou uma voz de uma das carroças na qual todos se empilhavam.

O Bailio já as aprontara e esperava enquanto os barcos se esvaziavam.

Os veículos de madeira rangiam enquanto se apressavam para dentro da muralha em ruínas da cidade. Os homens saltaram para fechar as enormes portas de madeira da aldeia atrás deles. Deveríamos estar a salvo esta noite. A lua de sangue voltou!

Enquanto a carroça avançava impetuosamente até o centro da aldeia, todos falavam ao mesmo tempo, com as vozes perplexas. Alguns homens mais velhos argumentaram com veemência sobre quantas vezes haviam visto uma lua como esta em suas vidas — duas ou três vezes. Quando a carroça fazia paradas ao longo das fileiras de casas, havia gritos:

— Noite do Lobo! Todo mundo pra dentro!

Castiel saiu e disparou para sua própria casa, esperando que Chapeuzinho Vermelho ainda estivesse dormindo apesar da comoção. Mas sua mãe estava esperando por ele lá em cima, puxando o xale azul apertado contra o frio. A vela acesa iluminava a varanda; a luz irregular caiu sobre Castiel. Ao ver o filho, Chapeuzinho Vermelho deu um suspiro de alívio.

— Oh, graças a Deus. — Ela deixou a escada cair.

—Mãe!

Castiel pensou se Chapeuzinho Vermelho já sabia que ele e Lucien haviam fugido do acampamento.

— Seu pai está à procura de vocês, meninos!

— Desculpe — As notícias pareciam não ter chegado até ele.

— Cadê o Lucien?

— Ele ficou com Prudence.

Castiel ficou satisfeito consigo mesmo. Era verdade, sem comprometê-las com qualquer irregularidade. Chapeuzinho Vermelho olhou para baixo na estrada uma última vez, mas mais relaxadamente.

— Tenho certeza que seu pai vai ficar por aí. Vamos colocá-lo na cama.

***

Deitado em seu quarto, o corpo de Castiel sentia falta do de Lucien; ele se sentiu estranho sem seu irmão ao lado. Ouviu barulho de chuva, que rapidamente transformou-se em granizo que caía em listras sólidas para o chão, rápidas demais para o olho humano reconhecer as gotas individualmente.

O inverno estava chegando, e a tempestade era fria e rugia como um Deus irado. Castiel pensou em Peter. Houve lampejos de luz; depois, a escuridão os engoliu novamente. Envolta em nuvens de borrasca, a lua parecia impura, com o brilho avermelhado manchando o céu. Naquela noite, Castiel sonhou que estava voando.


Notas Finais


obrigado pelo seu favorito e comentario um abraço fiquem com Deus e ate a proxima.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...