História Red Sparrow - Capítulo 12


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Categorias Capitão América, Charlize Theron, Guardiões da Galáxia, Homem de Ferro (Iron Man), Homem-Aranha, Homem-Formiga, Os Vingadores (The Avengers), Pantera Negra, Sebastian Stan, Sophie Turner, Thor, X-Men
Personagens Anthony "Tony" Stark, Bucky, Clint Barton (Gavião Arqueiro), Dr. Bruce Banner (Hulk), Feiticeira Escarlate (Wanda Maximoff), James Buchanan "Bucky" Barnes, James Rupert "Rhodey" Rhodes, Jean Grey (Garota Marvel / Fênix), Maria Hill, Natasha Romanoff, Nick Fury, Pantera Negra (T'Challa), Pepper Potts, Personagens Originais, Sam Wilson (Falcão), Scott Lang (Homem-Formiga), Sebastian Stan, Sophie Turner, Steve Rogers, Thor, Visão
Tags A Fênix, Avengers, Bucky Barnes, Sebastian Stan, Sophie Turner
Visualizações 235
Palavras 6.875
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sci-Fi, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HEY meus amores, como estão vocês nesse frio dos inferno??? Me desculpem caso eu tenha demorado para atualizar, é que essa semana eu fiquei doente e não deu mesmo. Iria postar ontem, mas fui dormir tarde pra caramba vendo Game Of Thrones, minha nova serie fav sz

❁ Capitulo com muito rebuliço e uma fase nova para a fanfic.
❁ Trailer nas notas finais.
❁ Playlist (atualizada) nas notas finais.
❁ Minhas outras fanfics nas notas finais.
❁ Obrigada pelos comentários, vocês são demais, nossa, mal posso esperar para vocês lerem os próximos capítulos, estou tao ansiosa por isso, e feliz também, por saber que estão gostando da minha fic, obrigada por tudo, vocês são incríveis sz
❁ Recadinho importante nas notas finais, espero que leiam

Boa leitura e aproveitem sz

Capítulo 12 - Chapter 11


Fanfic / Fanfiction Red Sparrow - Capítulo 12 - Chapter 11

; Chapter 11 – Blood in the snow

 

“Se tenho que ser um objeto, que seja um objeto que grita. ” – Clarice Lispector.

 

Algumas semanas depois.

 

A porta pesada de puro aço se abriu, fazendo todo o meu pequeno recanto ser encharcado pela luminosidade cegante do lado de fora. Os ladrilhos no piso já estavam amarelados e as paredes, outrora brilhavam de tão brancas, agora estavam desgastadas e machadas de sangue seco e velho. O soldado em minha frente tem um semblante rígido e está todo de preto, com o colete à prova de balas por cima do uniforme militar de elite. Tinha uma metralhadora presa em seu ombro por uma faixa e um coldre na perna prendia uma pistola.

Solto um riso de onde estou: no chão, suja e vestindo apenas uma legging e um top, minha típica roupa de treino. Meus cabelos são meus únicos aliados contra o frio, mas nem mesmo o polo norte poderia se comparar com a frieza que habitava dentro de mim.

O soldado me encara com superioridade, abaixando os olhos e deixando a cabeça erguida.

– Vamos, se levante. Estão solicitando sua presença na sala de reuniões – sorrio e passo a língua nos dentes, abrindo as pernas.

– Venha me pegar, soldado.

Vejo a veia de seu pescoço saltar quando o desafio. Eu já tinha perdido todas as honras e créditos que eu havia com essa Organização. Eu era, nada mais, do que uma miserável que foi contra nossa preciosa Organização por conta do amor. Desde a missão onde eu o reencontrei, tem sido agonizante todas as torturas que fazem comigo. Eu sou a melhor assassina que, com certeza, esse mundo já teve, entretanto, eles sabiam meus pontos fracos e usavam isso a seu favor.

O soldado joga a metralhadora para trás do corpo e em dois passos largos ele está na minha frente, se curvando sobre mim e me agarrando pelos cabelos. Ele enrola seu punho em uma grossa mecha dos meus cabelos ruivos e os torce no punho, fazendo-me trincar os dentes. Ele ergue minha cabeça e me encara duramente, seu hálito de vodca se chocando contra meu rosto faz meu estômago dar reviravoltas.

– Duvido que seria corajosa se o resto do pelotão estivesse por aqui – sorrio de escarnio.

– Você já me viu treinando. Sabe que eu começo com quinze homens – seu lábio superior treme e eu alargo o sorriso. – E sabe, também, que ninguém nunca me venceu.

– Eu adoraria ter um momento a sós com você, vadia – ele passa o nariz pela minha bochecha e eu viro o rosto. – Os que tiveram o prazer com você dizem que você é uma delícia – ao dizer isso meu sangue borbulha em minhas veias e eu parto para cima dele.

Arrasto minhas pernas pelo chão, o derrubando. Em menos de meio segundo estou em cima dele, desferindo uma grande quantidade de socos contra seu rosto. Perplexo e tomado pelo choque repentino, ele demora a revirar, me prendendo entre suas pernas e segurando meu braço quando eu o socaria mais uma vez.

– Sua vadia idiota! – Ele ruge, deixando sua voz ecoar por todo o corredor. Sorrio e sinto minha cabeça ir para trás quando ele acerta um soco em minha bochecha. Volto minha cabeça ao normal e sorrio, gritando e abaixando minha cabeça com violência, fincando os dentes em sua bochecha e puxando a pele entre meus dentes, sentindo o sangue quente espichar em meu rosto e a pele de seu rosto, dilacerada, presa entre meus dentes.

Ele berra de dor e desespero ao quase se afogar com tanto sangue escorrendo da ferida. Sorrio como uma maluca, cuspo a pele ao seu lado, com seu olhar de choque em meu rosto satisfeito.

Me agarram com força e me tiram de cima do pobre coitado deformado. Dois soldados me agarram pelos braços e me levam grosseiramente até a sala de reuniões, enquanto os gritos de pavor do homem ficam para trás.

Quando abrem a porta de vidro, as duas pessoas se viram para mim. Irina ergue uma sobrancelha, pouco impressionada com minha aparência, já o homem ao seu lado – alguém muito importante, a constatar pela quantidade de homens na sala – me encara perplexo, encarando meu corpo de cima à baixo.

– Essa é a assassina de quem tenho tantas referências? – Ele pergunta, duvidoso. Ergo uma sobrancelha por de trás do grosso cabelo ruivo em meu rosto. Irina sorri minimamente e assente, cruzando os braços.

– Não duvide da minha melhor arma, embaixador. Ela cometeu os piores e mais famosos casos de assassinatos que esse mundo já viu – Irina diz com uma voz sombria. Deixo o olhar focado no engravatado, que, pelos meus conhecimentos em comportamentos humanos, estava morrendo de medo de mim.

– É que ela parece tão.... Inexperiente para mim.

Não evito a estrondosa gargalhada que salta da minha garganta no momento em que ele termina a frase. Me aproximo da mesa e observo uma caneta. A pego e sorrio para o homem à minha frente.

– Sabe, senhor Embaixador – começo, rodando a caneta em minhas mãos e andando em volta da mesa, parando ao lado de um dos seus homens. – O senhor não deve ter ouvido mesmo a realidade dos assassinatos que eu já cometi – Ele me encara, repreensivo.

– Ouvi o suficiente – diz, com a voz falha. Solto um riso e lhe encaro.

– Tem certeza?

Rodo a caneta em minhas mãos e, com apenas um gesto, ergo meu braço sem mover meu corpo e enfio a caneta na garganta do homem ao meu lado. Assim que removo a mesma, com a mesma facilidade que tive em perfurá-lo, um jato de sangue esguicha do buraco e ele cai de joelhos no chão, engasgando com o próprio sangue. Viro o rosto e, com tédio, encaro seu corpo se debater pelos espasmos até ele ficar imóvel, com a poça de sangue rodeando sua cabeça.

Quando ergo o olhar, todos estão pasmos demais para fazer alguma coisa. Os outros homens sacam suas pistolas, mas são impedidos pelos lasers das câmeras. Em cada câmera dessa sala havia uma mine metralhadora abaixo das mesmas, prontas para defender quem estivesse aqui, ou seja, Irina.  

A mesma solta um riso e nega, encarando o embaixador com um brilho maldoso no olhar.

– Ainda tem dúvidas de que ela é o ser mais mortal desse planeta? – O embaixador está chocado demais para dizer algo, então apenas nega.

– Bem, vamos direto ao assunto, certo? – Ele diz, soltando um pigarro e se sentando. Como de costume, Irina se senta na ponta da mesa e o embaixador ao seu lado. Eu me sento longe dos dois, com mais de sete cadeiras de distância.

– Seu alvo é irmão do embaixador, Red Sparrow – Irina diz, formalmente. – Ele está localizado no extremo norte da Rússia e é para lá que você irá ser enviada.

– Como será a morte? – Pergunto, fazendo o embaixador encarar Irina rapidamente.

– Culposa. Um verdadeiro assassinato – Irina explica rapidamente. – Utilize os métodos dos americanos – ergo uma sobrancelha e me balanço fracamente na cadeira de rodinhas.

– Irão incriminar os Estados Unidos, por que? – Minha pergunta deixa o embaixador de olhos arregalados e a boca entre aberta. Solto um riso ao notar seu desespero. Eu tinha descoberto seu plano com apenas um pedido. – Estudei táticas de quase todas as potencias do mundo, minha vida inteira. Não sou burra, senhor Embaixador.

– Não lhe interessa os motivos. Você tem um alvo, é tudo que precisa saber – Irina responde, severamente. Me curvo para frente e coloco minhas mãos em cima da mesa.

– Irão iniciar uma guerra entre duas potencias gigantescas. Será um verdadeiro massacre.

– Não ouse contrariar minhas ordens, Red Sparrow – Irina diz, furiosa. – Seu trabalho é fazer tudo que lhe for ordenado. Agora aceite essa ordem e cale a boca – reprimo meus lábios com raiva, respirando profundamente. Irina respira fundo e me encara.

– O alvo é obcecado por sexo e sempre que vai até esse local, onde você será enviada, sempre pede por uma companhia – meu estômago se embrulha de nojo. – Você será a companhia.

– Preciso de uma fotografia do alvo – digo, relembrando, já que até o momento nada me foi fornecido para que eu soubesse a aparência de quem eu teria que matar.

– Não será necessário, só haverá vocês dois na casa – é o embaixador quem me explica.

– E como irão achar o corpo? Terei que o mover e modificar o local da morte? – Irina nega.

– Os homens dele o deixam sozinho por três horas, ficando em uma casa menor há menos de meia hora de onde é a propriedade central. Você terá três horas para o assassinar. Quando acabar o mesmo carro que lhe levará estará lhe esperando na entrada – sorrio assim que Irina termina de falar.

– Fácil como tirar doce de criança – meu sorriso se desfaz e eu me sento corretamente, encarando os dois em minha frente. – Tenho apenas uma única pergunta a fazer.

 – Pois então faça – Irina me deixa surpresa ao deixar eu expressar, mesmo que por pouco tempo, minha opinião.

– Por que você está se virando contra nosso próprio governo? Trabalhamos para os Russos, certo? – O semblante da mulher em minha frente se endurece. – Até hoje não entendi muito bem por que estamos em Nova Iorque, mas é claro, temos que estar no território inimigo para podermos o entender e o derrotar por dentro, mas pensei que trabalhasse para o governo Russo.

Irina se levanta com calma e me encara, sorrindo. Um aperto enche meu peito de angustia pelo seu sorriso.

– Ora, garotinha, você não sabe metade dos nossos planos. Essa Organização pode ser russa, mas não pertence ao governo Russo e a nenhum governo. Somos mais fortes do que quaisquer governos juntos e tendo você, somos invencíveis – seus olhos ganham um brilho intenso e tenho medo. – Você nos pertence, nunca se livrará de nós.

Eu darei um jeito, vadia demoníaca. É o que tenho vontade de gritar e bater seu crânio contra a mesa repetidas vezes até sentir seu sangue escorrer por meus dedos. Porém, as palavras ficam presas em minha boca fechada. Eu as utilizarei no momento certo, disso tenho certeza.

– Tudo que você irá precisar nessa missão já foi separado e está na sala de armas e preparamento, está dispensada.

Assim que chego até a sala vejo um grande casaco de pele cinza mesclada. Uma mulher trabalhava nele e assim que ela abre o mesmo, deixa-me ver as adagas presas na parte de dentro do mesmo. O casaco era de fato belíssimo. Ia até o chão e era peludo e encorpado, tomando forma do manequim onde estava pendurado.

A mulher se vira para mim e sorri, terminando de encaixar uma faca pequena e discreta na barra do casaco.

Ela estende a mão em minha direção.

– Eu sou Sharon, sou estilista – ergo uma sobrancelha, desconfiada. Ela revira os olhos, debochadamente, e recolhe as mãos. – Claro, ela não contou.

– Do que você está falando?

– Da minha tia, Irina – ergo as sobrancelhas, impressionada por Irina ter algum tipo de família. Eram, de fato, muito parecidas. Ambas tinham os olhos claros e cabelos loiros. A pele clara e um sorriso praticamente iguais. – Ela lhe disse que seria eu a cuidar do seu material?

– Na verdade eu não me importo muito – ela sorri pela minha resposta. Seu sorriso morre aos poucos e ela me encara solidaria.

– Eu soube o que houve com você. Soube que sua irmã faz parte dos Vingadores – cruzo os braços, sentindo o incomodo que o sangue seco começava a ter sobre minha pele. – Quer dizer, cresci ouvindo minha tia contar suas histórias, histórias sobre você! – Em sua voz há animação. – Tinha tanta vontade de lhe conhecer e olhe só, aqui está você!

– Você sabe o que eu faço, garota? – Minha pergunta a pega de surpresa e ela recua, se encolhendo sobre meu olhar mortal.

– Sim, eu li os relatórios das mortes. Eu também li o seu relatório, sobre sua vida. Desde cedo tratada como um rato de laboratório – solto um riso e descruzo os braços.

– Eu não me importo, menina. Fui treinada desde cedo a não me importar, acha que terá algum efeito contrário agora? – Ela me encara com pena e nega.

– Minha tia não devia ter mostrado aquelas fotos a você, eu disse a ela como poderia lhe machucar – ela sorri triste. – Geralmente amar dói.

– Olhe, me escute, direi isso apenas uma vez: sua tia se quer liga para meus sentimentos, que, para ela, não existem, e de fato, não existem! – Ela arregala os olhos e me encara. – Ninguém merece me amar e eu se quer sei o que é amor, agora pare de me fazer lembrar sobre essa fraqueza e me mostre logo minhas coisas.

Porém, para minha grande surpresa, ela sorri, pegando-me completamente desprevenida.

– Eu sei que está mentindo e que se importa com aquelas pessoas tanto quanto você mesma. Não engane a si própria, esse será seu pior erro, acredite – fico quieta e espero que ela termine seu discurso. – Acha que minha tia sempre foi essa vadia fria e indiferente? Ela era o amor em pessoa, sua gentileza chegava a assustar – solto um riso.

– Um pouco difícil disso ser verdade – a garota me encara seria.

– Pois acredite. Ela viu a família dela, inteira, ser morta bem na sua frente. Seu marido e seus três filhos, tudo por ter ajudado um americano refugiado em sua casa – claro, agora tudo fazia sentido. – Não a culpe pelos erros dela.

– Mas eu não a culpo – Sharon me encara surpresa.

– Não? – Indaga, me encarando de olhos arregalados. Nego.

– Não, eu não a culpo por que o sentimento que tenho por ela é outro. Eu a odeio e se eu pudesse eu mesma a mataria.

O semblante da garota se torna frio como o mais profundo inverno e me encara com nojo.

– É, eu deveria ter acreditado quando disseram que você era uma vadia sem sentimentos – sorrio assentindo.

– É verdade, você deveria.

Sou informada que devo me preparar de uma forma diferente, banhando-me e me arrumando como uma verdadeira dama. Quase poderia parecer as humanas normais que saem em uma sexta-feira à noite com as amigas.

Eles me dão uma lingerie preta e complexa, com meias e cintas ligas. Ajeitam meu cabelo, deixando-o liso e sedoso, escorrendo por meus ombros e costas. Visto um vestido comprido e preto, de mangas compridas e parcialmente transparente, por último, o casaco de pele. Enrosco um dos fios de náilon por minha coxa e confiro se todas as adagas estavam postas em seus devidos lugares no casaco. No total eu dispunha de trinta facas de arremesso e uma adaga de trinta centímetros, uma das minhas preferidas.

Quando, finalmente, termino o ritual de embelezamento para meu alvo, o dia está prestes a amanhecer e eu entro no jatinho que espera por mim junto de mais cinco soldados que me acompanhariam na missão, sendo os responsáveis por mim até o término da mesma.

Como eles me deixam trancada dentro do único minúsculo quarto do avião, fico deitada na cama, encostada na cabeceira e rodando as facas em minhas mãos, encarando as janelas circulares em minha volta, observando as nuvens.

Quando o dia vai se esvaindo, eles me trazem um prato de comida com um copo de água. A comida, sem dúvida, é uma das melhores que já comi. Aproveito, também, para pôr o sono em dia. A viagem seria longa e com certeza, cansativa. Deveria aproveitar o máximo esse tempo livre, já que, sempre que estou na base, nunca sou deixada verdadeiramente livre para um simples cochilo.

Acordo em um salto quando a aeronave sacode, com uma forte turbulência. Coço os olhos e praguejo assim que vejo a cor preta em meus dedos, eu havia me esquecido da maquiagem, droga! Solto um bufo alto e me levanto da cama, calçando os saltos de dezessete centímetros, preto. Passo as mãos pela saia do vestido, tirando os amarrotados. A porta é aberta bruscamente e eu encaro a pessoa parada ali. A aeromoça leva a mão à boca, surpresa, e entra no quarto com pressa, fechando a porta atrás de si.

– Céus, você destruiu sua maquiagem! – Ela anda apressada até a cama e se abaixa, pegando algo de lá de baixo e puxando. Me afasto, receosa. Assim que ela me mostra uma bolsinha rosa com bolinhas pretas, me tranquilizo. – Agradeça à Deus por eu sempre trazer minhas maquiagens em todo voo – ela me olha estranho e desvia para a cama, voltando o olhar para mim. – Você não vai se sentar?

– Para quê?

– Oras, vou tentar concertar esse desastre em seu rosto. Já estamos atrasadas! – Ela me puxa pela mão e me faz sentar na ponta da cama. – Eles mandaram eu vir lhe acordar e se demorarmos vão começar a suspeitar.

Ela trabalha em meu rosto com rapidez e delicadeza, sempre dando um passo para trás para poder checar se os dois olhos estavam iguais. Assim que ela termina de passar uma última camada de batom vermelho em meus lábios, ela se afasta e sorri, fechando o zíper da bolsinha.

– Não vou me gabar, mas você está mais bonita do que antes – ela me estende um espelho de mão e eu encaro meu reflexo. Meus olhos azuis estavam mais nítidos pela sombra preta que os envolvia, as maças do meu rosto estavam salientes e meus lábios tão chamativos quanto todo o resto. Lhe devolvo o espelho e ela pega meu casaco, o estendendo em minha direção. Sorrio pequeno e o visto, fechando-o em meu corpo.

– Obrigada – digo com sinceridade para a garota baixa e com um sorriso gigante em minha frente. Ela dá de ombros e sorri de volta para mim, seu sorriso quase rasgando o rosto.

– Não precisa agradecer – seu sorriso se desfaz por um minuto e ela me encara, tensa. – Tenha cuidado por lá. Redobre os sentidos e não confie em ninguém, principalmente nesses homens que estão indo com você – ergo uma sobrancelha e me assusto quando ela agarra meu braço, parecendo desesperada. – E-Eu ouvi tudo sobre como será essa missão e digo para você ter cuidado, principalmente na hora de... – sua fala é interrompida quando um dos soldados abre a porta violentamente. Ela solta minha mão com pressa e sorri para ele, piscando ingenuamente. – Acalme-se, eu só estava lhe dando os retoques finais.

O soldado encara nós duas por mais de dez segundos e observa o quarto ao redor, checando algo. Ele volta seu olhar para nós duas e assente.

– Vamos pousar em sete minutos, se prepare – sua fala é dirigida exclusivamente para mim e eu assento, vendo-o ir embora. Quando ele voltaria a encostar a porta, a reabre, encarando a garota ao meu lado. – Amber, o piloto está querendo falar com você – a loira sorri e assente.

– Claro – ela me encara uma última vez, o olhar parecendo em alerta e em súplicas. – Com licença.

Me sento novamente na cama e quase não sinto o pouso brusco e desajeitado na pista escorregadia pela grossa nevasca que caia do lado de fora. Um dos homens vêm me buscar no quarto e me escolta até o lado de fora. Desço as escadas, não sentindo frio algum enquanto os outros se encolhiam ou corriam até os carros que já nos esperavam. Os flocos de neve grudavam em meus cabelos soltos e em meus cílios. Ergo minha mão e a rodo, observando os delicados flocos que ficavam em meus dedos, sendo derretidos segundos depois ao entrar em contato com minha pele fervente. Sinto um empurrão em meu ombro e me equilibro em cima dos saltos, olhando por cima do ombro e vendo um dos homens apontar com a cabeça para o carro preto, com as portas abertas.

Entro no veículo preto e simples, me sentando no banco traseiro, eu, apenas. Além de mim dentro do carro havia o motorista – um dos homens que já nos aguardava – e ao seu lado, estava o mesmo brutamonte que havia me empurrado.

As palavras da aeromoça grudam em minha mente ao mesmo tempo em que se derretem em ácido, deixando-me confusa e curiosa. De que hora ela estaria falando? Na minha entrada? Quando eu fosse matar o alvo?

Nada eu poderia fazer a não ser esperar.

Por mais de meia hora tudo que vejo pela janela é a forte nevasca em que estávamos no meio. Havia um carro na nossa frente, assim como um atrás de nós. Deixo meu corpo e mente alerta a tudo ao redor, prestando atenção em cada palavra – em russo – que os homens na minha frente, diziam.

– Muito provavelmente ele estará morto em menos de duas horas – o soldado que havia vindo comigo, dizia, relaxado no banco enquanto fumava um cigarro. – Ele é mesmo um péssimo presidente.

O que?

– Não tem pulso firme com os americanos, imbecil! – O motorista diz, com um sotaque russo pesado. Internamente tremo, ao avaliar que eu mataria o presidente da Rússia. – Já deveria ter jogado tudo na imprensa sobre ter ajudado o POTUS, outro inútil.

– Dubrov o ajudou e o que ele fez após ganhar? O despachou como se ele fosse um nada – o soldado rebate, assoprando a fumaça que aos poucos impregnava dentro do carro de janelas fechadas.

– Acho que foi o certo a se fazer, considerando tudo – digo, os pegando de surpresa ao destacar meu perfeito russo. Eles me encaram por cima do ombro e eu sorrio de lado, com o olhar focado na paisagem branca do lado de fora. – Ambos tinham assuntos em comum, eram inimigos de outros países e poderiam ser mais fortes juntos.

– Não está aqui para achar nada, sua puta! – O soldado ruge com fúria, voltando a falar em inglês comigo. – A sua missão aqui é matá-lo, simples assim. Não fará nada a mais do que isso – solto um riso alto.

– E quem você acha que é para me dizer o que fazer?

– O homem que vai te matar – ele afirma com convicção enquanto eu rio.

– Ah, claro. Continue achando isso enquanto eu acredito em unicórnios.

Ele murmura algo e abre um sorrisinho, voltando a conversar com o motorista sobre as ações estupidas de seu presidente.

Com 45 minutos certeiros de viajem, ouvindo aqueles homens nojentos conversando sobre política, mulheres e bebidas, finalmente paramos em frente uma mansão no meio da nevasca. Só havia ela no meio do nada, literalmente. Olhei para minha esquerda, assim que saio do carro, e me deparo com uma floresta de árvores negras, há menos de vinte metros. Era o único farol para seguir como um caminho no meio daquela solidão branca, no meio de uma chuva de neve.

Ando até a varanda com certa dificuldade, o salto afundava na neve fofa até meus tornozelos. Assim que subo as escadas escorregadias olho por cima dos ombros, vendo um dos soldados, que estava em outro carro, vir em minha direção. Ele aparentava ser novo, não tendo mais do que 25 anos. Vestia uma grossa roupa para o frio e ainda sim tinha o rosto corado.

– Viremos em uma hora, acha que consegue? – Sua voz era falha, com uma grossa fumaça saindo por sua boca trêmula. Sorrio e assento.

– É claro que sim, já matei em menos tempo – seus olhos me encaram com relutância e ele encara os companheiros rindo, afastados de nós. – O que houve? Estão me escondendo algo? – Ele olha para baixo e remexe a neve com os pés.

– Só tenha cuidado e se nós não tivermos chegado após você o ter matado, fuja – arregalo os olhos, assustada com seu pedido.

– O que? – Pergunto, perdida. – Fugir para onde?

– Dê seu jeito, não dizem que você é a melhor assassina que o mundo já teve? Acho que consegue sobreviver por aqui – solto um riso.

– Você só pode estar de brincadeira! – Ele me encara sério.

– Pois então fique e veja o que o futuro lhe aguarda, estúpida – ergo o nariz, lhe encarando com superioridade.

– Talvez eu fique, quero mesmo saber o que está ao meu aguardo.

– Cretina – ele me xinga em alemão e eu sorrio.

– Obrigada pelo elogio – respondo na mesma língua, me virando e lhe dando as costas, batendo com o punho fechado na porta de madeira.

Observo quando os homens entram nos carros e partem rapidamente, me deixando sozinha, ainda na frente da porta.

Ouço a maçaneta do outro lado e faço um semblante ingênuo assim que o homem abre a porta. Ele sorri para mim, dando uma boa olhada em meu corpo coberto pelo casaco de pele. Ele vestia uma camisa social branca com uma gravata desfeita, em volta de seu pescoço. A barra da camisa estava para fora da calça e ele tinha um copo de whisky na mão esquerda, enquanto a direita ainda segurava a maçaneta.

Ele sorri para mim e me dá espaço para entrar.

– Fique à vontade, senhorita Oslov – seguro o riso assim que ele diz em russo, provavelmente, meu sobrenome falso. – Sua chefe disse que não me decepcionaria e, nossa, acredito nela agora – ele bate a porta e anda até mim, retirando meus cabelos dos meus ombros. Ele aproxima seu rosto do meu pescoço e me mantenho intacta, firme como uma rocha.

Em meu interior havia um rebuliço de emoções, das quais me fazem lembrar do passado, quando fui estuprada por vários homens, por mais de uma vez. Desde aquele trágico dia, o único homem que havia me tocado depois daquilo tinha sido Bucky, e todos os outros que tentaram, morreram. Não deixaria que esse verme me tocasse, eu o mataria antes disso acontecer. Bucky ainda seria o único homem para qual eu me entreguei em minha própria vontade, onde eu estava confortável o suficiente para que pudéssemos transar.

Sexo, para mim, sempre teve algo a mais, nunca fora algo apenas carnal, por divertimento. Desde a primeira vez que fui estuprada, sempre tive em mente que, eu me deitaria com alguém apenas se eu tivesse vontade ou sentisse algo. A primeira opção seria a mais viável, já que eu não sentia nada há muito tempo. Então ele chegou, com aquele sorriso doce e seus olhos azuis hipnotizantes, a alma doce e o toque carinhoso.

Bucky foi o primeiro homem do qual eu pude confiar verdadeiramente em me entregar de corpo, alma e coração. E olhe agora, estou contra ele, contra minha irmã e contra todos que um dia pensaram que eu poderia mudar e me tornar como eles, bons.

Estou contra as pessoas que jurei proteger e amar.

Assim que Dubrov me puxa com força contra ele, esbarrando seus lábios nos meus, volto a realidade dos fatos: ele me segurava com uma mão enquanto entornava a bebida em sua boca, colocando o copo de vidro em cima da mesinha ao lado do sofá, onde estávamos.

Sorrio maldosa e o afasto, espalmando minhas mãos em seu peito. Ele ainda estava em forma para um homem de 50 anos. Tinha os cabelos cheios e grisalhos, não chegava a ter o porte corporal atlético, entretanto seu corpo ainda era firme. Os olhos azuis e a pele morena lhe davam um ar mais jovial, assim como o sorriso maldoso na face.

– Por que não vamos até o quarto? – Seus olhos se iluminam de excitação enquanto assente, me encarando maliciosamente.

Ele anda na minha frente enquanto passos meus olhos rapidamente pelo local, memorizando tudo em minha mente. Havia várias portas – fechadas – e longos e extensos corredores, a mansão possuía três andares e passamos pelos dois primeiros, chegando até o último, onde ele anda até a última porta do corredor, abrindo as duas portas duplas, me esperando entrar. Sorrio agradecida para ele e encaro o quarto.

Há uma cama grande bem na minha frente, um banheiro e um closet grande, nada muito diferente dos padrões de casas de campo ou inverno presidenciais. Eram simples, porém muito requintadas, luxuosas e sempre tendo o do melhor, mesmo com poucas coisas ou móveis.

Ele bate a porta e anda até mim, agarrando meu casaco e o puxando. Por reflexo, o puxo de volta, cobrindo meu corpo e sorrindo constrangida, escondendo as facas.

– Por que não se senta e aproveita um pouco? – Seus olhos brilham mais uma vez e ele assente, agarrando uma garrafa de whisky ao lado da cama e a virando na boca.

Viro-me de costas para ele e abro meu casaco lentamente, mostrando meus ombros e tirando um dos braços pela manga do casaco. Quando acho um ângulo bom para que eu retire o casaco sem que ele perceba as adagas, viro de volta para ele, fechando a grande peça de roupa e a deixando em cima de uma cadeira ao meu lado.

Agora, sim, seus olhos passam por meu corpo como lasers de revista. Meu vestido transparente deixa minha lingerie amostra, o que o deixa ainda mais ávido para pôr as mãos em mim.

– Nossa, você é mesmo muito linda – ele olha para mim com malicia e joga a gravata no chão. – Uma das garotas mais lindas com quem eu já transei.

– Nós ainda não transamos, amor – assim que ele ouve minhas palavras em russo, morde os lábios e passa as mãos pelo maxilar.

Abro o zíper na lateral do vestido com uma certa lentidão, deixando meus olhos focados nos seus, que examinavam cada movimento meu. Quando o tecido fino vai ao chão ele murmura algo que me faz sentir repulsa. Sorrio e passo as mãos por meu corpo, o provocando. Ando até ele, sensualmente, passando meu dedo por sua boca e descendo até os botões de sua camisa. Ele deixa os olhos focados em mim enquanto abro os botões da camisa social. Meu estômago está se revirando bruscamente, fazendo-me ter de segurar a incrível ganância de vomitar em seu rosto retorcido pelo prazer.

Quando jogo a peça branca no chão, passo as mãos pelos seus ombros, fazendo uma breve massagem. Ele fecha os olhos e geme, deixando-me ter um tempo para poder fazer uma careta de nojo e repulsa ao encarar seu rosto vidrado em minhas massagens em seu corpo. Subo na cama e fico de joelhos atrás dele, continuando com a massagem.

– Minha chefe diz que sempre devemos proporcionar preliminares prazerosas aos nossos clientes antes do ato em si – digo em russo, com a voz baixa e lenta. Ele assente e murmura algo de volta. Minhas mãos são suaves e firmes, apertando seus ombros com uma lentidão ritmada. Quando sinto que ele já está impaciente, distribuo uma fileira de beijos em seu pescoço enquanto, lentamente, desenrolo o fio de náilon na minha coxa. Rodo suas pontas duas vezes em minhas mãos, para garantir que não estourasse e nem soltasse no momento em que eu estivesse o enforcando.

Em um ato rápido e inesperado, enrolo minhas pernas em seu corpo, com suas mãos por baixo das minhas pernas, o prendendo enquanto passo o fio de náilon por seu pescoço e o aperto, puxando as duas extremidades para lados opostos.

Ele se debate avidamente, tentando se livrar das minhas pernas que prendiam seus braços. Dubrov joga seu corpo para trás, na esperança de me deixar sem ar com seu peso sob mim, contudo eu afundo na cama. Seu corpo não faz pressão alguma sobre mim e eu aperto mais forte o fio, sentindo ele cortar minhas palmas aos poucos. O sangue escorre por meu braço e, ainda enforcando o presidente, tomo o máximo de cuidado para meu sangue não cair nele ou na cama, para não haver meu DNA em nada.

Assim que seu corpo para de se debater aos poucos, aperto mais forte o fio em volta de seu pescoço. Quanto mais rápido isso acabasse, melhor seria. Quando seu corpo fica completamente imóvel sobre mim, ainda fico mais dois minutos apertando sua garganta, para, realmente, ter a certeza de que ele morreu e não se fez de morto, para que eu soltasse o aperto. Quando percebo que não há respiração ou pulso vindo dele, o jogo para o lado na cama e me sento, respirando fundo. Os fios de náilon estão presos fundo na minha pele e eu os puxo com força, deixando dois cortes finos nas minhas mãos que sangravam.

Volto a vestir meu vestido, tranquilamente. O cadáver está com as pernas para fora da cama e com o restante do corpo, deitado, com os olhos esbugalhados e a boca aberta. A fina marca do fio está em volta de seu pescoço e isso será a prova de que precisam, apenas.

De repente pego-me observando por mais de cinco minutos aquela marca no pescoço do ex-presidente. Apenas aquilo, esse simples ato, seria o suficiente para começar uma guerra. Irina veria os dois países se destruírem e então, finalmente, teria sua vingança. Se vingaria da Rússia por ter matado sua família e dos Estados Unidos, por ela mesma ter aceitado um americano em sua casa.

E havia eu, que tinha sido a intermediaria entre essa luta, a “causadora” da guerra.

Eu precisava avisar alguém, alguém de forte poder e que fosse confiável. Os Vingadores pouco poderiam fazer. Provavelmente a maioria dos políticos da Rússia e do Kremlin estão comprometidos e aliados ao embaixador nesse pedido de morte contra o presidente, e o povo americano jamais confiaria em mim.

Assim que me liberto dos pensamentos visto meu casaco e suspiro fundo, sorrindo orgulhosa ao olhar o corpo sem vida do presidente. Abro a porta do quarto e deixo aquele andar.

Passeio por alguns cômodos vendo nada demais. Uma biblioteca, alguns escritórios, uma sala de vídeo ou cinema, já que as poltronas eram idênticas, uma sala onde havia uma piscina aquecida e outras coisas desnecessárias. Quando estou satisfeita e vejo que faltava menos de quinze minutos para que os homens viessem me buscar, fico do lado de fora, sentada nas escadinhas da varanda, encarando a floresta negra a minha direita. Era curiosa e chamativa. Posso ter tido uma miragem, mas quando olhei para o alto da floresta, uma forte e grossa fumaça fluía entre as árvores negras e mortas. Volto meu olhar para frente assim que ouço o barulho dos motores.

O soldado que veio junto de mim, no mesmo carro, é o primeiro a sair, contendo um sorriso triunfante no rosto, segurando uma pistola na mão. Me levanto e dou alguns passos, com ele apontando sua arma em minha direção. Travo, sabendo que pela distância que estávamos um do outro não haveria como eu tirar a arma de sua mão sem que antes ele disparasse contra mim. Ele alarga o sorrio enquanto eu permaneço indiferente.

– Eu disse que te mataria – sua voz é baixa e por conta de a nevasca ter diminuído consigo vê-lo e ouvi-lo com perfeição. Sorrio de lado.

– E você acha mesmo que vai me matar? – Pelo o casaco ser grande, ele não percebe quando eu pego uma faca de arremesso e a deixo em minha mão.

– Eu não acho, vadia. Isso vai acontecer – ele destrava a arma. – Quando Irina disse que iria te eliminar fiquei confuso, por que eliminar a melhor assassina que esse mundo já teve?

– Obrigada pelo elogio – ele me ignora e continua sorrindo.

– Até que tudo fez sentido: você não servia mais para nós. Somos bons demais para ter alguém como você, que ama outro alguém, que tem sentimentos – seu sorriso se desfaz e ele deixa um semblante furioso tomar conta de seu rosto. – Diga-me, Red Sparrow, como é amar alguém?

– Ora, se você não sabe como eu posso te explicar? – Seu semblante fica ainda mais furiosos. – Os outros tem razão quando dizem que o amor é um dom que poucos tem e, vendo agora, você não possui esse dom, por isso é um verme – ele dá um passo em minha direção, apertando a arma.

– Você é uma vadia e serei eu a te matar – ele diz com fúria e eu sorrio.

– Isso é o que veremos.

Com força arremesso a faca em sua direção, ele desvia, mas não escapa da minha outra lâmina, que o pega desprevenido e o acerta na perna. Ele cai ao chão, gritando, enquanto os outros saltam dos carros e vêm em minha direção. Abro o casaco e agarro as duas primeiras facas, uma em cada mão, arremessando-as nos dois primeiros homens que saem dos carros. As facas cravam em seus peitos e eles caem.

Corro e jogo meu corpo sobre o capo do carro, deslizando até o outro lado e enfiando a minha adaga maior no coração de um homem que acabaria de atirar em mim. Me assusto quando um soldado cai sobre minhas costas, atingido por um tiro no peito. Olho para cima, do outro lado do carro e vejo o mesmo garoto que havia me mandado ir embora, com a arma erguida, sendo ele a eliminar o homem que viria a me eliminar. Sorrio agradecida e parto para o outro homem, na minha frente, enquanto ouço os tiros de metralhadora do garoto, eliminando os outros.

Corro até dois soldados, um do lado do outro, e pulo, colocando minhas pernas em volta da cabeça de um enquanto agarro a cabeça do outro, enfiando uma faca no pescoço do infeliz. Giro minhas pernas e ouço o estalar da cabeça do homem em que eu estava suspensa. Ambos vamos ao chão e eu sorrio, me levantando e agarrando mais um par de facas.

Não demora muito até todos estarem mortos ou gravemente feridos, mal conseguindo se moverem. O garoto que me ajudou ainda está vivo e encara o redor com indiferença. Me aproximo dele, ofegante.

– Por que me ajudou? – Pergunto, respirando rapidamente, tentando regularizar a respiração.

– Acho você boa demais para ser eliminada, pode fazer muito bem para esse mundo – ele desvia os olhos dos corpos no chão e me encara. – Além do mais, você tem pessoas que te amam esperando por você – sorrio verdadeira para ele e coloco minha mão em seu ombro. – Eu tinha uma família antes disso. Meus pais e minhas duas irmãs pequenas. Irina invadiu minha aldeia e os matou, matou todas as mulheres e crianças. Forçou os homens a trabalharem para ela e essa Organização maldita que ela tanto protege.

– Sabe que não pode voltar, não é? – Ele assente. – Ela suspeitaria por você ter sido o único a sobreviver e te mataria por ter me deixado fugir.

– Eu vou para a Sibéria, tenho uma tia por lá. Quer carona?

Antes que eu pudesse responder um tiro é disparado e então o peito do garoto se mancha de sangue. Ele tem os olhos arregalados e a boca aberta quando cai aos meus pés. Olho para frente, boquiaberta, vendo o mesmo desgraçado que havia jurado me matar, de pé, com a arma erguida e apontada para mim, que no caso, antes, era o garoto quem estava na minha frente.

O pobre menino se debate antes de ficar imóvel, morto aos meus pés.

Ele morreu por tentar me ajudar, assim como todos sempre morrem.

Quando ergo minha mão para lançar uma faca no peito daquele desgraçado, ele atira em meu ombro. Eu grito e largo o objeto, pressionando minha mão contra o ferimento.

– Você não vai fugir disso, eu vou te matar e ser o novo queridinho de Irina, sua maldita! – Ele grita com fúria, me encarando do mesmo jeito.

– Eu não vou fugir por que eu vou te matar, desgraçado! – Respiro com raiva, ignorando a ardência em meu ombro. De repente eu não sinto mais a dor da bala cravada em minha pele, apenas um formigamento suave no ferimento. Encaro o homem em minha frente. Dou dois passos à frente e caio de boca na neve fofa assim que ele atira em minha perna. Acontece a mesma coisa que o meu ferimento no ombro e não sinto nada. Me levanto, sorrindo, vendo a face confusa do homem em minha frente.

– Impossível! – Ele diz em um sussurro, atirando em minha barriga. Me desequilibro e tombo para trás, mas não caio e me mantenho firme e rindo como uma psicopata assim que ele continua atirando. Suas balas perfuram meus braços, pernas e por último, meu coração.

Em seu último tiro estou em sua frente, enfiando minha adaga em seu coração, sorrindo ofegante. Observo seus olhos se revirando, a vida esvaindo de seu corpo enquanto afundo cada vez mais a faca em seu peito, sentindo seu sangue escorrer em minha mão. Ele balbucia algo e sangue escorre de sua boca.

– Nunca mais duvidará de mim – digo enquanto observo seu corpo se desfalecer em meus braços.

Quando ele fica imóvel eu o jogo no chão, grito de dor assim que o tiro em meu peito se torna insuportável. Arregalo os olhos e grito assim que vejo filetes de luzes brilhantes e alaranjadas saírem de cada buraco onde as balas estavam alojadas em meu corpo. Sinto coisas se moverem dentro de mim, se arrastando por de baixo da minha pele que fervia como lava. As luzes ficam cada vez mais fortes e constantes, brilhando como intensos fogos de artifícios, como se estivessem saindo de mim.

Mas elas estavam mesmo saindo de mim.

Quando sinto a dor atingir seu ápice máximo, grito me jogando na neve. De repente tudo ao meu redor para. A nevasca se encerra bruscamente e quase posso ver o sol por de trás das nuvens grossas. Impossível! Aqui não podíamos ver o sol, quanto mais ele poderia se abrir assim. Aqui é a extrema Rússia, só há neve e mais neve.

Meu rosto afunda na neve fofa abaixo de mim e quase não sinto minha respiração quando tudo que vejo antes de apagar é um rosto idoso desconhecido em minha frente, sorrindo abertamente e dizendo: encontramos o que procurávamos.


Notas Finais


E então? O que acham que aconteceu com a Red? Seus poderes começaram a se manifestar, sim, e descobriremos mais sobre eles a partir do próximo capitulo.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=c08iE-SCEYE
Playlist: https://www.youtube.com/playlist?list=PLzUjCm9YFZRlmYjIwUwf3_qTAfKw09YEj
Outras histórias: https://www.spiritfanfiction.com/perfil/saahpayne/historias

Então, quero dizer que se alguém aqui acompanha alguma das minhas outras fics algumas delas foram apagadas. Eu criei um jornal explicativo sobre isso, deixarei o link abaixo para vocês lerem e entenderem o motivo das exclusões, espero que me entendam e caso tiveram alguma duvida podem comentar, questionando-me sobre mais alguma coisa.

Jornal:https://www.spiritfanfiction.com/jornais/motivo-sobre-a-exclusao-de-todas-minhas-fanfics-13864734

Por hoje é só, minhas aulas voltaram hoje e eu não fui kkkkk porém amanha começa minha vida escolar mais uma vez e eu farei o possível para postar o mais rápido para vocês.

Obrigada por tudo e até mais ❣


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