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História Rede de Mentiras - Capítulo 1


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Notas do Autor


Depois de séculos aqui estou novamente ahahaha.

Essa estória já havia sido postada aqui e no Nyah, e agora está sendo repostada, espero que gostem e aproveitem!

Capítulo 1 - Capítulo 01


Quando você é aceito na melhor Universidade do país com quatorze anos, acredita que quando chegar aos vinte e dois será um milionário. Bem, não foi o que houve comigo. Eu sou só um fodido. Passei o último ano quase inteiro trancado em um apartamento regado a cigarros e bebidas. É o que acontece quando você vê o que eu vi ou é um covarde como eu, eu acho.

Infelizmente, cigarros e bebidas tem seu preço e por isso agora eu estava sendo carregado por uma das minhas eufóricas amigas de infância pelos corredores de uma empresa enorme para uma entrevista de emprego.

- Não é lá grande coisa, mas é um começo. – ela disse pela terceira vez olhando para mim e eu assenti fazendo-a rir. Eu sabia que ela tinha conseguido isso a pedido de minha mãe e era mais uma razão para aceitar. – Com seu currículo é impossível que não contratem você. – Isso e o fato do contratante ser noivo dela, claro. Os dois se conheceram na faculdade e mesmo sendo totalmente opostos um ao outro, ele sendo tímido e rico e ela extravagante e classe média, eles acabaram num relacionamento, eu não via como aquilo podia ser mais problemático. – Além do mais, você é a pessoa ideal para a situação.

Eu estranhei o modo como ela disse aquilo e sua razão para tal, entretanto não tive tempo para falar nada, pois chegamos ao andar da diretoria que era ainda mais ostentoso que todo o resto da empresa. Aproximamo-nos de uma das salas e a pobre secretária do lado de fora parecia prestes a chorar. A razão ficou obvia três segundos depois, acompanhada de um grito. Olhei para Ino com uma expressão cansada e ela sorriu nervosa, dando de ombros em seguida.

– Viemos para uma reunião com o Sr. Sabaku. – ela disse à secretária.

- Eu não acho que seja um bom momento, senhorita. – ela choramingou. – A Sra. Sabaku...

- Avise-o, por favor, eles estão nos esperando. – Ino insistiu e a mulher assentiu. – Eu disse que você era a pessoa ideal para a situação.

Semana passada, quando Ino foi ao meu apartamento junto de minha mãe e insistiu que eu deveria recomeçar, mesmo que fosse por Mirai, eu sabia que ela estava certa. Então ela prontamente me falou sobre uma vaga de segurança para a família de seu noivo, mais especificamente, para a sua cunhada, a Sra. Sabaku.

“É algo simples.” Ela falou. “É só cuidar de uma senhora, certo? É um bom começo.” Minha mãe continuou e ela assentiu. Vendo-a agora eu senti vontade de rir por tê-la deixado me enganar tão fácil.

A secretária chamou nossa atenção e disse que podíamos entrar, a sala estava silenciosa agora. Ino tinha um sorriso enorme no rosto que foi retribuído minimamente pelo noivo. Ele parecia ser mais jovem que eu, ainda que tivéssemos a mesma idade.

Eu procurei na internet algo relacionado à família Sabaku, sem muitas fotos, antigas ou atuais, a biografia da empresa e o assassinato ainda sem resolução do antigo diretor da empresa. Nada realmente efetivo ou interessante sobre a Sra. Sabaku. Ino disse apenas “ela é mais velha, cuidou da empresa e do Gaara, é uma mulher e tanto”. Então, quando eu a imaginei visualizei realmente uma senhora. Eu não poderia estar mais errado.

A mulher a minha frente, deveria ter uns vinte e poucos anos, era um pouco mais baixa que eu o que era disfarçado por um salto alto, a pele levemente bronzeada coberta pelo vestido preto que tinha um decote generoso e deixava uma parte de suas pernas amostra, os cabelos bem loiros e olhos verdes, mas um verde diferente dos olhos do outro homem na sala. A postura e a atitude demonstrando que ela não costumava ser contrariada e aqueles mesmo olhos diferentes oferecendo um desafio e deixando claro que a roupa que usava não importava. Uma mulher e tanto. Eu quase sorri. Quase.    

 Ino pigarreou e nós olhamos para ela. – Deixe-me apresenta-los, esse é Shikamaru Nara, o amigo de quem falei. – ela olhou de Gaara para a outra mulher. – Vocês receberam o currículo dele? – ela perguntou e o noivo assentiu.

- Obrigado. – ele disse e então foi até a sua cadeira sentando-se e apontando as outras cadeiras para nós. – Nós estávamos conversando sobre a sua contratação agora mesmo. – eu assenti. Pelo modo como os dois se olharam eu supus que eles não costumavam brigar com frequência.

- Obrigada, Ino, mas eu não preciso de uma babá e meu irmão estava quase aceitando isso. – ele negou com a cabeça.

- Por que me chamaram aqui então? – os três olharam para mim surpresos. – Ino não me contou o motivo por trás da proposta. – expliquei.

- Minha irmã foi atacada por um homem armado e extremamente violento há duas semanas. – ele explicou. – E como existem indícios de que ele ainda esteja a seguindo...

- Entendo. – respondi. Cruzei os braços sobre o peito. – Sra. Sabaku, como escapou? – perguntei diretamente a ela.

- Eu sei me defender.

- Mas não o pegou? – ela me fuzilou com os olhos e Gaara sorriu. – Você obviamente não precisa de babá, contudo, se tivesse o apoio certo...

- Eu sei o que está tentando fazer. – ela me interrompeu. – Ainda é não.

- Dois meses. – Gaara propôs. – Até Sasori concordou. – ela revirou os olhos. Aquele era um nome novo no tabuleiro.

- Está bem. – ela cedeu. – Dois meses.

- Ótimo. – Ele suspirou aliviado e Ino sorriu.

- Esteja em minha casa amanhã cedo. – ela disse e levantou da cadeira, debruçando-se sobre a mesa deu um beijo nos cabelos do irmão. – E meu nome é Temari.

- Achei que íamos almoçar juntos. – ele argumentou com ela.

- Eu tenho uma papelada para acabar. Vemo-nos no fim de semana. – e saiu.

- Você aprende a lidar. – ele falou dando de ombros. – Esses são os horários que ela geralmente cumpre na semana. – dei uma olhada nos papéis que ele me entregou. Trabalho na empresa e em casa, academia e visitas as fundações beneficiadas pela empresa. Muito organizado e especifico. – Geralmente é ela quem vai aos eventos das empresas que somos sócios, foi num desses eventos que aconteceu o incidente.

- Ela estava sozinha no momento? – Gaara franziu o cenho.

- Era um almoço com alguns sócios, algo bem informal na verdade. Sasori e eu não pudemos ir.

- Sasori?

- O marido dela. – ele não pareceu contente em dizer isso e Ino desviou os olhos quando eu a olhei. – Seu salário também está ai, bem como o endereço dela e uma lista de pessoas que geralmente visitam a casa. - Voltei a olhar o papel averiguando as outras informações, era bem mais que o salário do exercito.

- Meus horários? – Gaara olhou-me confuso e Ino deu um sorriso amarelo. Ele meneou a cabeça em negação e ela sussurrou um desculpe.

- Eu esperava que você pudesse ficar na casa de Temari, seria mais prático. – ele ponderou. – Ino disse-me que você era solteiro, então... Posso aumentar seu salário se for o caso.

- Não é o caso. – eu disse rápido. Meu apartamento era muito longe da casa dela de qualquer modo. – Está tudo bem.

- Contratado, pedirei que preparem a documentação o mais rápido possível. – ele disse simplesmente. Ino entendeu que deveríamos sair e se levantou para despedir-se dele. – Vemo-nos mais tarde? – ela assentiu.

- Quase esqueci. – ele falou antes que saíssemos da sala. – No seu currículo não diz por que você saiu do exercito. Você tinha uma carreira promissora lá.

- Razões pessoais. – eu disse e ele assentiu. Podia sentir o olhar de Ino sobre mim.

Do lado de fora da sala, ela manteve-se em silêncio. – O que há entre eles? – Não tive que explicar do que falava.

- Perderam os pais cedo, sempre foram só eles. – ela deu de ombros. – Você devia ter visto a comoção dos dois no dia do ataque.

- E com o marido o que há? Casamento conturbado?

- Aquilo nem parece um casamento. – entramos no elevador. – Eu não sei por que ela fica com ele, além do obvio. – Óbvio? O marido ganha algo se ela morrer? A pergunta não pode ser feita, pois Ino mudou de assunto. – Vou me encontrar com Sakura e o pessoal mais tarde, você devia ir.

- Achei que você ia encontrar seu noivo mais tarde. – ela riu.                              

- Ainda mais tarde. Vou dormir na casa dele hoje.

- É perto da casa dela? – questionei curioso. Ela negou.

- Talvez eu apareça. – ela sorriu.

 Naquela noite, quando cheguei ao bar que nossos amigos frequentavam eles me olharam surpresos, porém com sorrisos. Ninguém me perguntou nada. Foi bom ver que eu ainda podia contar com eles. Eles contaram como estavam indo e eu fiquei surpreso quando Sakura disse que também estava noiva, no entanto somente Naruto o conhecia, era um amigo de infância dos dois ou algo assim.

- Então você agora é segurança do noivo da Ino? – Naruto perguntou. Já era tarde quando saímos do bar e ele me ofereceu uma carona até em casa.

- Na verdade da irmã dele. – eu expliquei.

- Temari é muito legal, mas é assustadora às vezes. – ele disse tranquilo e logo depois suspirou derrotado.

- Você os conhece? – era uma pergunta retórica obviamente, contudo ele assentiu.

- Eu os conheci, há muito tempo, bem antes de Ino e eles se conhecerem – o olhar dele ficou triste, ficamos os dois em silêncio por um breve momento e então Naruto continuou. – Nossa amizade não acabou bem. – ele franziu o cenho visivelmente incomodado.

- Sua amizade com quem não acabou bem? – eu perguntei.

- Gaara. – ele deu de ombros. – Depois do que houve ele se afastou de todo mundo que conhecia. Os dois se afastaram de todo mundo.

- E o que houve? – eu tentei não parecer muito interessado.

Naruto hesitou, considerando qual seria a melhor resposta. – O assassinato dos pais deles. – sua expressão denunciava que ele obviamente sabia de mais coisas e não queria contar. – Eu tentei manter a amizade, porém não era uma decisão só minha.

- Você não pode salvar todo mundo. – ele ficou em silêncio absorvendo minhas palavras. - Ino sabe disso? Que vocês foram amigos? – ele assentiu.

- A Ino sabe de tudo...  – e mais uma vez o silêncio caiu sobre nós, as palavras de Naruto ganhando um significado maior a cada segundo que passava.

– Ele me pareceu bem. – eu disse antes de descer do carro e pude ver um pequeno sorriso nos lábios de Naruto. Ele ainda se importava.

Ele me deixou em frente ao prédio minha casa e saiu. Mesmo cansado eu demorei a dormir, o tempo inteiro pensando em tudo o que fiquei sabendo hoje sobre a família Sabaku, especialmente Temari.

Trabalhando na inteligência do exercito, eu lidava com homens treinados para mentir e com homens treinados para desvendá-los e podia garantir que aquela mulher escondia algo. Aqueles olhos desdenhando da minha capacidade de descobrir a verdade que eles escondiam. Madruguei no dia seguinte afim de não chegar atrasado e me amaldiçoei por ter ido dormir tão tarde. Peguei a única mala que fiz e entrei no táxi em direção à casa de Temari.

Toquei a campainha e pouco depois um homem atendeu. Ele era alto e forte, do tipo guarda-costas malvado. E arqueou a sobrancelha quando me viu. – Sou Shikamaru Nara. – disse como se meu nome explicasse tudo e ele me deu passagem para dentro da casa, quando entrei fechou a porta, com um gesto pediu que eu o seguisse e eu o fiz em silêncio até estarmos próximos de uma ampla sala que remetia a um escritório. Eu pude ouvir a voz dela.

O homem, que devia ser um mordomo ou coisa tipo, pigarreou atraindo a atenção dela para nós interrompendo a conversa que eles tinham.

- Você veio. – ela disse irônica. – Sasori, esse é o Nara, o segurança que Gaara contratou para mim. – Finalmente eu observei-o, da minha altura, magro, ruivo, olhar perigoso. Ele me observou também, analisando-me como se eu não fosse merecedor de estar ali.

- É bom que você cuide bem dela. – ele falou e ela revirou os olhos. Ele estava de terno e segurava uma pasta, pronto para sair. Com os horários dela, também havia os horários dele, quase o dia todo na própria empresa, quase todos os dias. Observei-o ir até ela e depositar um beijo em seus lábios, desviei os olhos procurando o mordomo, entretanto ele tinha desaparecido silenciosamente.  – Não importa quem tenha sido eu irei descobrir. – o ouvir dizer, eles ainda estavam abraçados e ele sussurrou algo em seu ouvido que a fez o afastar.

- Eu sei disso. – um sorriso malicioso nos lábios. O casamento não parecia tão ruim. Ele passou por mim e se dirigiu a porta, o mordomo de antes o seguindo.

- Você tem mais empregados que residem aqui? – eu perguntei ainda olhando na direção dele. Ela ficou um pouco surpresa, mas não perguntou como eu tinha essa informação.

- Uma. Vai conhecê-la depois. – ela deu de ombros. – Vou mostrar onde você vai dormir. – e saiu, confiando que eu a seguiria. Um corredor e três salas depois, ela parou de frente a uma porta e a abriu. Tinha uma cama, um guarda-roupa e um banheiro. As paredes ostentavam cores neutras, assim como os lençóis. Uma janela grande próxima à cama dava a vista para um pequeno jardim. – Meu quarto é no andar de cima, terceira porta à esquerda. – e saiu, deixando-me sozinho no quarto. Mulher problemática.

Enquanto organizava minhas coisas, conectei meu notebook ao sistema de segurança da casa com a ajuda do mordomo e anotei nos papéis que Gaara me deu os nomes dos empregados. A casa era ampla e tinha dois andares, muitos quartos, salas e corredores. Segundo o mordomo Temari ficava a maior parte de seu tempo no andar de baixo, em seu escritório.

Certifiquei-me de que ela estava em casa mais uma vez e assim como constava em seus horários ela estava em seu escritório.

Voltei ao meu quarto determinado a descobrir o que tinha acontecido realmente com os Sabaku. Pela atitude de Naruto devia ter algo a mais que o assassinato dos pais, algo muito ruim, mas assim como da outra vez não tinha muitas coisas na internet.

O dia passou monótono até a hora do jantar, ela somente trabalhou e leu o dia inteiro. Eu comi junto do mordomo, que eu descobri também era o responsável pela comida e se chamava Baki, ele era um homem reservado e cuidadoso, e a outra empregada da casa, que se chamava Matsuri, constantemente alegre e gentil.

- Ela vai comer sozinha? – questionei e Matsuri assentiu sem me olhar. Da cozinha, que era do tamanho do meu apartamento tínhamos uma boa visão da sala de jantar onde Temari estava. Olhando-a assim ela parecia muito solitária.

- Sasori, quase nunca janta em casa. – ela comentou e recebeu um olhar de desagrado de Baki.

- Se quer um conselho rapaz, não se intrometa no que não cabe a você. – a voz séria. – Isso serve para você também. – ele apontou para a garota que se encolheu.

- Trabalham aqui faz tempo? – os dois assentiram.

- Eu vim assim que os dois se casaram. – ela respondeu. – Baki já trabalhava para ela muito antes. – arqueei a sobrancelha e ele permaneceu calado.

Era evidente que se alguém podia me dizer o que houve esse alguém era Baki, eu só precisava fazê-lo me contar.

- Tentamos ser invisíveis quando Sasori está em casa. – ele disse para mim. – Seja discreto. – assenti. – Principalmente com ela. – Matsuri riu e eu fingi não entender o que ele realmente quis dizer com aquilo.

- Ele pareceu se preocupar com ela. – os dois tiveram reações distintas. Enquanto Matsuri olhou-me curiosa, Baki sorriu irônico. – Bem, deve ser por isso que estão casados mesmo que ela quase sempre jante sozinha. – repeti as palavras de Matsuri e ela fez uma careta.

- Você é muito novo para entender qualquer coisa aqui. – ele disse tranquilamente. – Deixe-me explicar-lhe algo, uma mulher como Temari não faz nada sem pensar antes. – ele ficou em silêncio e fitou alguém atrás de mim.

Virei-me devagar e a vi encostada ao batente da porta atrás de nós com a expressão neutra em seu rosto.

- Estou subindo. Leve-me um chá quando acabar. – ela não disse nomes, no entanto Baki assentiu.

- Ela sempre toma chá antes de ir dormir. – Matsuri segredou quando Baki levantou-se.

Hoje fazia uma semana que eu estava trabalhando para Temari e finalmente estávamos fora daquela casa. Eu não achei que me sentiria tão bem em estar acompanhando ela em um passeio tendo em vista que eu mesmo quase não saia de casa, no entanto a rotina dela era maçante.

Ela acordava cedo todos os dias, cuidava do jardim e depois fazia ginastica. Depois do almoço ela ficava horas no escritório lendo livros ou documentos da empresa. Nada de ir à academia, a empresa ou a fundações. Nada de visitas. Parecia uma rotina estrategicamente elaborada para me irritar. Eu ficava feliz quando nada acontecia, contudo tinha algo acontecendo e ela estava fazendo isso apenas querendo se livrar de mim ou me castigar. Conclui isso depois do terceiro dia, quando ela mesma não aguentava mais ficar sem fazer nada.

   Ainda assim, meu castigo não havia acabado e ela resolveu que iria passear justamente no shopping. Era tarde e o sol castigava. Ela entrou em quinze lojas e comprou somente um maldito vestido e um par de sapatos. Eu necessitava de um cigarro e um bom uísque. Qualquer um na verdade.

- Muito bem, vamos para a empresa agora. – ela determinou quando saiu da loja. Eu apenas assenti e agradeci por ela não ter comprado muita coisa, eu só precisei carregar duas sacolas.

Comparado ao dia em que estive aqui com Ino o lugar estava muito mais cheio e barulhento hoje. Pessoas transitavam de um lado para o outro com pressa e isso parecia deixa-la satisfeita. Subimos direto ao andar da diretoria e de lá para a sala de Gaara, depois de a secretária confirmar que ele estava sozinho ela entrou sem esperar ser anunciada.

- Antigamente você batia na porta. – ele disse sem nos olhar. – Seu perfume sempre entrega você. – o comentário dele a fez rir e também me fez notar pela primeira vez o perfume dela.

 - Aqui está o que me pediu. – ela entregou-lhe uma pasta com os documentos que analisou durante a semana. – Resolveu aquele problema com os advogados?

- Quase. – ele ergueu os olhos e a encarou. - Vai ficar aqui?

- Sim, vou checar os arquivos dos protótipos novos. – ele assentiu. – Depois Sasori virá me buscar, iremos jantar hoje. – eu e Gaara franzimos o cenho.

- Shikamaru irá com vocês? – ela negou. – Temari...

- Eu vou estar bem com o Sasori e você sabe disso. – ela beijou-lhe os cabelos vermelhos. – Além do mais, esse pobre homem precisa de uma folga. – ela podia ser muito convincente quando queria. – Vemo-nos amanhã. – E antes que ele pudesse retrucar ela saiu.

- Ela pode ser um pouco má às vezes. – ele disse em tom de desculpa e eu quis responder que ele nem imaginava. – Se importa se conversarmos um pouco? – dei de ombros. – Como foram as coisas?

- Na verdade ela fez tudo o que podia para que fosse o mais tedioso possível. – ele riu e foi pegar uma bebida em uma estante cheia de garrafas num canto do escritório e nos serviu. – Se importa de falar um pouco mais sobre Baki e Matsuri?

- Baki trabalhava em nossa casa antes, desde que éramos pequenos e Matsuri estudou comigo, eles não são problema. – ele encheu o próprio copo novamente e afrouxou a gravata antes de tomar tudo. – Como foi com Sasori? – ele estreitou os olhos.

- Ele quase nunca está em casa, entretanto é sempre prestativo quando está e eles nunca conversam de verdade em voz alta. – informei; a verdade sobre minha contratação estava nos papéis que recebi dele, Gaara queria descobrir o que prendia a irmã ao marido, o segredo que ela escondia. Ele nunca acreditou que ela não podia se defender. – Se me permite saber, foi você quem armou o ataque a ela? Para que pudesse contratar um segurança?

- Não, na verdade concordo com ela. – eu vi sinceridade em seus olhos, ele acreditava na teoria do assalto. – E sei que ela cuidaria disso sozinha, mas eu também sei que ela esconde algo.

- E acha que tem a ver com Sasori? – ele assentiu. Seus olhos se voltaram para uma foto sobre sua mesa com tristeza contida e eu a fitei também. - Vocês tem outro irmão? – aquilo era uma surpresa, eu nunca tinha ouvido falar em um terceiro irmão.

- Sim. – disse sério, mas incapaz de continuar a encarar a foto naquele momento. – Não o vemos há alguns anos. Eu sinto falta dele às vezes. – ele disse depois de um momento e encheu novamente o copo. Notei que ele já estava um pouco bêbado. Eu devia avisar a Ino que o noivo era fraco para bebidas já que ela gostava de beber. – Quando mais jovem eu via as coisas de modo diferente. Eu não gostava de me intrometer na vida dos meus irmãos, eu simplesmente não via razão para fazer algo do tipo, mesmo que eles parecessem não se importar se eu o fizesse.

- É por isso que está fazendo isso agora?- ele assentiu devagar.

- É a segunda vez que faço isso, eu espero um resultado diferente, no entanto.

Eu não entendi sobre o que ele estava falando no começo, porém quanto mais Gaara falava, com sua voz já enrolada pela bebida mais eu me dava conta de que talvez ele fosse me contar o que aconteceu antes, o que Naruto não quis me contar.

- O nosso pai vivia para o trabalho, sabe? Ele só se importava de verdade com a empresa, a maior do ramo de armas do país. Nossa mãe morreu durante o meu parto, e eu sentia os olhares de raiva de meu pai sobre mim sempre que ele me olhava. – As noticias sempre faziam parecer que os órfãos haviam perdido um pai maravilhoso e sofrido por isso, mas vendo-o agora, eu só enxergava alivio. – Temari sempre foi extremamente protetora, ao modo dela é claro. Como a mais velha ela carregou nas costas a pressão de assumir a empresa quando terminasse a faculdade de direito, ainda assim ela se esgueirou daquilo e decidiu ser policial, ela nunca quis isso aqui.

Enchi o copo de Gaara novamente mesmo o meu próprio copo estando intocado e o homem a minha frente percebeu isso.

- E o que aconteceu? – o incentivei a continuar.

- Quando ela saiu de casa tudo começou a desmoronar. Ao contrario de todas as expectativas nosso pai escolheu a mim como seu sucessor. Nas palavras dele, Kankuro era impulsivo demais, emocional demais... Eu tive que mudar de escola por que meus amigos não eram tão bons. – lembrei que Ino sempre dizia que Gaara era tímido e reservado quando se conheceram e de Naruto falando de como a amizade deles acabou. – Com os meses meu irmão começou a chegar cada vez mais tarde em casa, cada vez em um estado pior que o anterior, ele fingia não notar o quanto tudo aquilo me incomodava também... Só que eu não podia fazer nada além de ligar para Temari, contei a ela o que estava acontecendo com Kankuro e sobre as pessoas com as quais ele saia agora, e quando ela disse que cuidaria de tudo eu acreditei, por que ela sempre cuidava.

Por isso ele quer cuidar dela agora. – Qual a razão para você me contar isso? – questionei e ele sorriu.

- Você queria saber o motivo de tê-lo contratado. – ele disse simplesmente contraditoriamente o tanto que ele bebeu para me contar aquela estória negava sua tranquilidade. Gaara parecia ser bom em não deixar sua expressão transparecer nenhum sentimento tanto quanto a irmã, no entanto, sua voz ficou embargada quando ele continuou. – Ele foi embora. – ele apontou o irmão na foto. – “Eu não o alcancei, me desculpe, não conseguir cuidar de tudo” foi o que Temari me disse depois que ele foi embora ainda assim, foi ela quem nos manteve de pé.

- Acho melhor levar você para casa. – eu disse e ele assentiu. Da janela do escritório de Gaara eu a vi saindo da empresa com Sasori, o vestido novo tinha lhe caído muito bem. Meu pai estaria me repreendendo agora por estar pensando em uma mulher casada, mas o que eu podia fazer? Ela era intrigante demais, um verdadeiro problema.


Notas Finais


Alguém ainda por aqui?
Nesses últimos meses eu reescrevi grande parte dessa estória e Espero que vocês gostem.
Aguardo o retorno de vocês! Até maisss :D


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