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História Rede de Mentiras - Capítulo 2


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Notas do Autor


Como prometido, aqui está mais um capítulo direto do forninho.
Espero que gostem e aproveitem!

PS. Sempre que aparecer: - X - significa que houve uma mudança de cena ou pequena passagem de tempo, espero que assim o texto não fique confuso.

Capítulo 2 - Capítulo 02


Durante a segunda semana de trabalho a rotina mudou. Desde a noite do jantar, Sasori chegava cedo e eu os flagrei aos beijos pelos corredores mais de uma vez. Ela percebeu o quanto fiquei constrangido e começou a me provocar com isso, o que tornou tudo pior para mim e mais divertido para ela.

Tive de me matricular na academia que ela treinava e no geral ficava vendo-a lutar contra caras maiores que ela, às vezes eu acabava lutando também o que era um saco, mas a fazia parar de me importunar. Uma vez depois de uma luta ela me aplaudiu e exclamou o quanto estava surpresa sorrindo em seguida, eu fiquei acordado a noite inteira aquele dia. Quando voltávamos a casa ela fazia ginástica ou dançava com Matsuri. Durante a tarde, os trabalhos com os relatórios da empresa voltavam e ficávamos no escritório, ela em um lado com papéis e eu do outro com um tabuleiro de xadrez que Baki tinha guardado.

Algumas vezes ela recebia telefonemas demorados, nunca quando Sasori estava em casa, obviamente. Outras vezes eu a percebia me olhando no escritório e quando eu a olhava de volta era sempre o primeiro a desviar os olhos. 

Mesmo com a mudança na rotina, todas as noites Baki levava uma xícara de chá para ela, Matsuri falou algo sobre ela ter problemas para dormir.

No final da segunda semana o inverno estava começando e as chuvas já castigavam a cidade. Um trovão ressoou pela casa inteira e pouco depois a energia caiu. Chovia forte desde a noite anterior, o inverno finalmente se iniciando. Mesmo com o tempo frio eu sentia a casa levemente abafada resultado de quase todas as janelas estarem fechadas.

 Sasori saiu para trabalhar a alguns minutos e Baki saiu logo depois dele para atender um pedido pessoal de Temari e Matsuri estava de folga, portanto estávamos apenas nós dois em casa. Dado alguns acontecimentos passados eu tinha serias duvidas se aquilo era uma boa ideia, contraditoriamente, como a casa inteira estava escura e silenciosa e os sistemas de alarme haviam desligado junto com a energia, eu não tinha muita escolha a não ser ficar no mesmo lugar que ela.

Era a terceira vez que ela mudava de posição no sofá nos últimos dez minutos, agora estava lá encolhida e com os olhos aflitos e ansiosos. Toda a situação me deixando nervoso, como se eu fosse um rato preso numa armadilha.

- Não gosta de tempestades? – era para ser uma brincadeira, mas o silêncio dela seguido pelo susto com um novo trovão disse que eu estava certo. – Tem algo acontecendo? – questionei com meu melhor tom preocupado e pude vê-la sorrir. Ótimo, eu tinha a total atenção dela agora.

- Ainda não. – ela se sentou direito ficando de frente para mim e cruzou as pernas lentamente. Desviei os olhos dela e fitei a janela, como se as gostas d’água que a castigavam fossem mais interessante. – Está quieto aqui. – ela reclamou. – Nós podíamos jogar um pouco, fazer alguma coisa.

Havia muitas coisas implícitas naquelas palavras, muito mais que uma provocação barata e insensata, principalmente porque ela sabia que eu não cederia naquilo, então o que mais? As palavras de Baki voltaram para mim ‘Uma mulher como Temari, não faz nada sem pensar antes’. Ela jogou a cabeça para trás, recostando-a no sofá e passou os dedos finos pelo pescoço numa caricia leve. Lá estava novamente, a Temari provocante e intimidadora que passou a última semana me tentando.

- O que você quer? – a aflição e o tédio foram substituídos por um brilho perigoso em seu olhar e um sorriso satisfeito por eu ter entendido suas pretensões.

- Você é um homem muito observador, o que você acha que eu quero Nara? – ela mordeu o lábio enquanto esperava a minha resposta e qualquer frase que eu tinha construído em minha mente se desfez. Eu sabia que ela faria algo assim, mas não fui capaz de prever o tamanho do dano. Era aquilo então, cada um lutava com a arma que tinha. Ela estava me distraindo? – E o quanto você acha que eu quero? – A porta foi aberta e ela levantou antes que eu pudesse responder. – Salvo pelo gongo. – ela ironizou antes de sair.

Aquele era um jogo demasiadamente perigoso; e eu tinha que ficar repetindo a mim mesmo desde que começara que ela era uma mulher madura, casada e perigosa ao invés de bonita e intrigante. Eu tinha que me distrair.

Estava saindo da sala quando fui surpreendido por Baki que acompanhava uma jovem numa cadeira de rodas.

- Eu não sabia que teríamos mais companhia. – ela disse maliciosa. – E das boas.

- É o segurança de quem te falei. – Temari respondeu. Nada em sua voz ou atitude sugerindo o que havia acontecido poucos minutos atrás. – Shikamaru essa é Tenten.  

- Eu ficaria feliz em ter um cara como ele direto no meu pé. – a garota disse rindo. Era assim que ela falava de mim?

- Você já tem um.

- Sim. – ela me analisou descaradamente enquanto Temari colocava algumas comidas sobre a mesa de centro. – Você poupou muitos detalhes. – ela disse por fim arrancando um riso da outra. Temari não ria com essa espontaneidade facilmente.

- Talvez. – ela entregou uma xícara de chocolate para Tenten. – Espere um momento eu vou buscar o que te falei.

- Então como é trabalhar com a Temari, sendo homem? – ela questionou logo que a outra saiu. – Você sabe... Ela sendo toda... Temari. – explicou rindo.

- Gaara disse que eu aprenderia a lidar... Não é tão difícil assim quando eu consigo manter a racionalidade.

- Eu suponho.

- Você trabalha com ela?

- Com design e desempenho de armas. – ela falou. Surpreendente.

- Parecem bem amigas. – eu constatei em voz alta.

- Nós somos. – a voz dela ficou baixa. – Se não fosse por Temari o acidente que me deixou assim teria me matado. – franzi o cenho.

- Não é por isso que você me agradece. – Temari entrou na sala com um relatório em mãos. – E sim por outra coisa. – ela disse com a voz tendenciosa e a outra garota riu.

A energia voltou e eu resolvi deixa-las, mesmo curioso com o que Temari quis dizer e sobre o que Tenten a faria falar de mim, no entanto seria uma situação problemática que eu facilmente poderia e queria evitar. 

Pouco antes de anoitecer, quando a chuva finalmente deu uma trégua um homem veio buscar Tenten. Ele era mais alto que eu, forte e com cabelos enormes. Ela deu um sorriso enorme ao vê-lo e ele lhe beijou os lábios rapidamente sem saber que estava sendo observado. Pigarreei e ele afastou-se minimamente da garota que riu com o constrangimento do homem, pude ver um distintivo preso em seu cinto.

- Esse é Neji, meu noivo. – ela o apresentou. – Ele é o novo segurança de Temari, Shikamaru. – ele arqueou uma sobrancelha surpreso.

Temari não estava na sala quando ele chegou e quando o viu sua expressão tornou-se dura. Os dois trocaram um rápido olhar, de desagrado talvez, antes de ele voltar os olhos para Tenten novamente.

- Você já vai? – ela questionou triste ignorando o homem que revirou os olhos. Quando Tenten assentiu Temari suspirou. – Nos vemos na fundação amanhã? – Oh! Maravilhoso descobrir os planos para o dia seguinte assim. 

- Não vou poder ir dessa vez, marcamos algo para semana que vem?

- É claro.

- X -

Entramos na terceira semana e a rotina mudou novamente, agora finalmente ela cumpria os horários que Gaara me passou. O marido voltou a trabalhar até tarde e Temari começou a me importunar sobre lutar com ela.

Estávamos voltando da academia quando ela retomou o assunto.

- Você tem medo ou o quê? – ela ironizou. – É a terceira vez que amarela essa semana.

- Não vou treinar com você. – ela bufou. – Eu tenho que proteger você e não machuca-la. – Ela riu. Agradeci silenciosamente que o sinal abriu e eu tive que desviar a atenção do sorriso dela.

- Quem disse que você vai ganhar? –revirei os olhos. Mulher problemática.

- A resposta ainda é não.

- Está com medo? – debochou. – Não se preocupe, não vou demiti-lo se você perder.

Apesar de a nossa convivência ter ficado mais tranquila eu não avancei em nada na investigação; Gaara evitava aprofundar qualquer dialogo o que significava que não pretendia revelar mais nada sobre o passado deles.

Quando Naruto me disse que Ino sabia de tudo eu imaginei que fosse sobre o assassinato do pai dos Sabaku e como aquilo havia influenciado a vida deles, contudo depois da conversa com Gaara eu me questionei se ele se referia ao desaparecimento do outro irmão. Nunca havia sido noticiado, não havia nada sobre ele em revistas também. Apesar de tudo era uma família discreta.

Não obstante, quando eu questionei Ino sobre aquilo ela me disse que não sabia muito mais que eu; o irmão havia ido embora pouco depois da morte do pai e nunca deu noticias. Temari havia o procurado por anos antes de desistir. Nenhum dos dois falava sobre o assunto.

Minha intuição dizia que de alguma forma o assassinato do pai, o desaparecimento do irmão e o casamento dela estavam conectados, eu só não sabia como ainda.

Já que Ino se recusava a falar sobre o passado dos irmãos eu consegui convencê-la a me ajudar a fazer Temari falar sobre o próprio passado e ela aceitou, depois de me fazer dizer que estava interessado em Temari. “Você é muito melhor que Sasori” e “Gaara vai adorar ter você como cunhado” encheram minha caixa de mensagens.

Ontem ela ligou para Temari e hoje estava aqui junto de Tenten, as três estavam conversando amenidades a um longo tempo. Ino folheava uma revista de moda enquanto as outras duas folheavam uma revista sobre design de armas. Eu teria saído da sala, porém Tenten não viu problemas em me ter ali e as outras duas deram de ombros, portanto, eu fiquei na sala lendo o relatório que Temari me entregou. “Você era da inteligência do exercito, certo? O que você acha disso?” E cá estou eu analisando algo que ela queria propor à Gaara.

- Nunca entendi o que levou você a assumir a empresa. Você odeia isso. – O comentário de Tenten roubou completamente minha atenção. Ino havia reclamado que os irmãos trabalhavam demais mesmo sendo os donos do lugar.

- Você deve lembrar que naquela época tivemos... Muitos problemas familiares. – ela respondeu ciente de minha atenção e fingindo ignorá-la, Tenten concordou com ela e olhou de soslaio em minha direção. – Eu apenas tive que fazê-lo. – ela fez parecer sem importância e eu me lembrei de Gaara dizendo que ela os manteve de pé.

- Deve ter sido difícil. – Ino comentou e as duas olharam confusas para ela. – Ser policial, estar na faculdade e ainda tendo as responsabilidades com as empresas Sabaku. – ela continuou e eu arqueei as sobrancelhas surpreso aquilo era novidade e nada em Temari me fez suspeitar disso. Aquilo também respondia minha dúvida sobre os olhares de Temari e Neji, provavelmente os dois já se conheciam e ele devia ser o motivo de agradecimento de Tenten.

 - Ao menos você conheceu Sasori, não é? Quando assumiu a empresa. – Ino insistiu no assunto de maneira indiscreta e Temari olhou para mim, os olhos dizendo que ela sabia a razão para a atitude de Ino, contudo não para a minha.

- Eles se conheceram num bar... Um amigo em comum, você não lembra? – Tenten corrigiu. A morena pareceu não notar a tensão no ambiente e tinha a expressão confusa voltada para Ino que ostentava um sorriso envergonhado, no entanto quando ela me olhou eu vi tristeza em seus olhos.

- É verdade, eu tinha esquecido.

- Não tem importância. – ela disse dando de ombros. As três ficaram em silêncio. Vendo como falar sobre o passado deixava Temari eu entendi a relutância de Ino em me ajudar, eu devia desculpas a ela.

- Fiz algumas anotações, espero que não se importe. – eu entreguei os papéis a ela, na esperança de mudar de assunto.

Ela entregou-o à Tenten e se aproximou mais para que lessem juntas. Quando acabaram Tenten estava boquiaberta e Temari tinha um meio sorriso.

- Então, ele é mesmo um gênio não é? – Ino bateu palminhas.

- É. Ele é sim. – foi tudo o que disse, sem tirar os olhos de mim.

Baki pigarreou chamando nossa atenção. - O senhor Neji está lhe aguardando lá fora, senhorita.

- Você podia dizer a ele que não precisa vir te buscar.

- Ele faz questão, além do que, hoje vamos jantar com Hinata e Naruto. – as duas se abraçaram.

- Você conhece o Naruto e a Hinata? – perguntei. – Que mundo pequeno! – ela riu.

- Acontece que Neji e ela são primos e como ela está num relacionamento com Naruto acabamos todos no mesmo circulo de amigos.

- Ah! Você sabia que o noivo de Sakura está finalmente voltando para a cidade? – Ino cantarolou nos interrompendo e Tenten fez que sim com a cabeça antes que eu respondesse.

- É provável que eles estejam no jantar, você sabe como o Naruto é. – olhei de soslaio para Temari tentando captar alguma reação ao nome do antigo amigo, no entanto, ela estava confortavelmente nos ignorando. – Shikamaru, me leva até a porta?

Se Temari estranhou o pedido nada disse, Baki se retirou e eu acompanhei Tenten pelo corredor em silêncio. Quando chegamos à porta, ela segredou:

- Ela não é uma pessoa ruim... Só está meio perdida.

- Não estamos todos? – eu brinquei.

- Eu pensei... Talvez você pudesse mesmo ajudar. – Neji se aproximou de nós e a levou embora.

E eu me senti perdido em meio ao furacão que era Temari.

- X -

Há dois dias ela não fazia nada a não ser rever aqueles papéis e eu ficava jogando, lendo e raramente cochilando. Gaara não tinha resolvido o problema com o advogado do qual eles falaram e ela assumiu. Depois de ajuda-la com sua última proposta, vez ou outra ela me perguntava algo, entretanto nossa convivência estava novamente tensa depois da visita de Ino.

- Eu tenho um almoço hoje. – ela interrompeu nosso costumeiro silêncio. Olhei-a em um pedido mudo de mais informação. – Em um restaurante no centro. – ela não havia parado de analisar o relatório que estava em suas mãos. – Com um dos advogados da empresa. – ela finalmente me olhou.

- Certo. – eu disse com o cenho franzido. – E como vai ser? Sentarei numa mesa ao lado de vocês? – ela negou com a cabeça. Ótimo, eu não ia almoçar.

- Vai sentar-se conosco. – o tom que ela usava dizia que não aceitava questionamentos. Os últimos três dias foram assim. Ela largou os papéis sobre a mesa e em seguida, quase tão discreta quanto um rinoceronte veio até mim. – Você parece ser alguém que analisa as jogadas do adversário a fim de prever resultados antes de fazer seu próprio movimento. – ela tomou uma das peças do tabuleiro nas mãos, analisando-a. Eu soube que aquilo não era um elogio tão logo a olhei. – Vou dar-lhe um conselho e será o único... Não tente fazer isso comigo. – ela recolocou a peça no tabuleiro, não obstante em outra posição. – Se você se distrair você perde.

E dizendo isso me deixou sozinho observando o tabuleiro, o xeque-mate carregando toda a ameaça contida em suas palavras. Todos esses dias me observando jogar sozinho e ela finalmente fez sua jogada.

- Você parece um idiota sorrindo assim. – a voz de Matsuri assustou-me, eu não notei sua presença. – Se vai com ela é melhor se apressar. – assenti e ela saiu levando consigo a bandeja com lanches que estava na mesa de Temari.

A curiosidade me venceu e mesmo discordando de meus atos eu fui até lá. Havia alguns papéis espalhados, todos eram relatórios da empresa, ela trazia muito trabalho para casa mesmo indo à empresa constantemente, ainda assim, a mesa não estava tão bagunçada. Uma única foto, dela com Gaara, de alguns anos atrás. As gavetas estavam todas destrancadas, quase nada dentro.

Nada de errado. Nada incriminador. Isso era muito suspeito. Se ela resolvia o trabalho da empresa em casa, onde não havia nada sobre ela ou o marido, então o que quer que ela faça de errado estaria na empresa ou no quarto. Seria difícil nas duas situações, mas ainda mais na segunda. A ideia de estar sozinho num quarto com Temari não era muito boa. Se ela provocasse demais eu podia não controlar meus instintos.

Apesar do conselho de Matsuri eu acabei esperando Temari por uma hora e nós ainda disputamos a direção do carro. Mulher problemática. Ela me guiou até um restaurante no centro, um daqueles que o almoço custa o salario inteiro de um cara como eu.

- Três passos atrás na rua. – ela falou antes de descer do carro. – Acha que consegue? – disse debochada e eu assenti. – Ótimo.

Deixei que ela ficasse uma curta distância a minha frente e a segui em silêncio, o advogado já a esperava e não pareceu surpreso em me ver. Eles se abraçaram, o homem apertando a cintura dela indiscretamente e com um sorriso divertido na face. Ela nos apresentou educadamente logo que sentamos.

- Seu novo cachorrinho? – ele perguntou com certo ciúme na voz após termos feito os pedidos e ela riu.

- Deixe-o em paz não viemos falar dele. – ela disse antes que eu respondesse. – Disse que tinha algo para mim, espero que seja mesmo bom. – o tom de voz provocativo não era novidade para mim e nem para ele.

- Negócios primeiro. – ele disse e ela assentiu. Antes de falar ele olhou para mim. – Um de meus antigos associados estará de volta em breve. – ele disse tranquilo e esperou a reação dela.

- Não me diga que é... – ela se interrompeu, lembrando que eu estava ao seu lado e mostrou-lhe um sorriso pequeno. O homem assentiu levantando o copo de bebida em um brinde. – Realmente uma noticia interessante. – tinha algo ali que eu não estava conseguindo pegar entre aqueles olhares ferozes e palavras contidas.

- Você tratava dos negócios com ele... – a maneira como ele enfatizou a palavra ‘negócios’ me deixou inquieto, ela estreitou os olhos e deixou o copo sobre a mesa. – Achei que gostaria que ele assumisse novamente.

- E o que você ganha com isso? – eles estavam negociando a presença do outro homem. O advogado riu.

- Você não acha que eu o faria apenas por sua felicidade? – ele segurou a mão dela sobre a mesa, ignorando completamente minha presença. Ela arqueou a sobrancelha e ele voltou a rir. – Assim você me magoa. – ele soltou a mão dela e escorou-se completamente na cadeira. – Eu apenas desejo fazê-lo. Algumas transações estão ficando mais complicadas, então achei que era hora de ter ajuda. – e deu de ombros. Existia um código em suas palavras e eu tive certeza quando ela sorriu.

- Devo ficar feliz então... Já que concordamos sobre isso. – sorrisos pervertidos surgiram em suas faces. Aqueles dois tinham mais que negócios relacionados à empresa.

- Ouvi falar sobre o que aconteceu com você. – ele olhou para mim brevemente.

- É preciso mais que um homem para me assustar.

- É bom ouvir isso, ainda assim, é bom que agora você tenha um segurança. – Entendo, não era de mim que ele estava falando.

Toda essa conversa era para que ele a dissesse isso, que alguém estava voltando e ficaria de olho nela, alguém com quem ela tinha negócios além dele. Dois amantes em um único dia?

- Sim, é bom saber que eu estou protegida. – ela disse irônica e ele riu. – Gaara disse que ainda não podemos assumir as ultimas ações que adquirimos, qual foi o problema?

- Oh, esqueci-me de lhe avisar?! Foi resolvido hoje mais cedo. – Perfeito, o problema dificílimo e o almoço eram para disfarçar o encontro.

 - X -

Era tarde quando Sasori chegou, ele havia perdido o jantar; os dois estavam bem sérios e se trancaram em uma das salas há algum tempo. Caminhei lentamente e me escorei à porta tentando ouvi-los.

- Você encontrou com Madara? – ouvi a voz dele. – Sobre o que conversaram?- Ele estava com ciúmes?

- Ele queria falar sobre...

- Está tentando escutar, não é?- Matsuri sussurrou ao meu lado sua voz cobrindo as vozes do outro lado da porta. – Você não devia fazer isso. – ela sentou do meu lado e ofereceu os petiscos que comia. – Se intrometer. – ela explicou. - Só fique na sua... É melhor para todos.

- As coisas que acontecem aqui...

- Nada acontece aqui além de um casal que se desentende. – ela parecia convencida disso. – E isso não é da sua conta. Sasori não é muito ciumento, mas ele não vai gostar de saber que está interessado nela.

- Eu não estou. – ela riu.

- Então porque está sempre a observando? – ela franziu o cenho. – Não culparia você por isso. – ela deu um sorrisinho. – Não é tão difícil gostar dela afinal.

Ouvimos passos e saímos os dois antes de sermos vistos. Eu não entendia Matsuri ou o que seu conselho queria dizer, no entanto não me permitir pensar muito nisso quando vi Sasori saindo de casa outra vez. Era óbvio que ele não tinha gostado que Temari tivesse ido ao almoço com o advogado; ele sabia sobre o envolvimento entre eles?

- Certeza que não quer que eu vá também? – ele assentiu.

- Eu prefiro resolver isso eu mesmo. – ele disse e olhou para mim antes de sair. – Além disso, você parece estar em boa companhia aqui. – ela revirou os olhos e os dois seguiram caminhos diferentes.

- Baki? – ela perguntou a mim e a Matsuri quando entrou na cozinha.

- Ele disse que você o tinha liberado essa noite. – Matsuri disse franzido o cenho em confusão.

- É claro. - ela disse claramente mentindo e rumou até os armários procurando algumas coisas. Matsuri saiu da cozinha me dando um olhar que dizia para eu fazer o mesmo, entretanto eu não poderia fazer isso.

- Sem chá essa noite então? – ela deu de ombros. – Eu sei como ele faz, vi-o fazendo muitas vezes.

- Não, obrigada. Sei fazer chá.

- Eu posso perguntar algo? – ela deu de ombros sem me olhar. – Por que saiu da polícia? – perguntei como quem não quer nada, observando-a fazer um sanduiche.  Ela me deu uma olhada rápida, a sobrancelha arqueada, retornar ao assunto de alguns dias atrás a fez ficar nervosa.

- Qual motivo disso? – quando ela me olhou novamente eu dei de ombros.

- Fiquei curioso. Você parece o tipo que se daria bem na polícia.

– Algumas coisas por mais que se tente são impossíveis. – respondeu depois de um suspiro. – Eu não podia mais ser uma policial depois da morte do meu pai. – eu iria questionar o porquê, contudo ela me impediu. – E você, porque saiu do exercito?

- Eu não podia mais continuar depois da morte do meu pai. – ela franziu a sobrancelha. – Quando você era...

- Não quero falar sobre isso. – ela me interrompeu. – Principalmente com você.

- Eu só ia perguntar se você conheceu muitos policiais bonitões ou bandidos bonitões. – ela riu. – Alguém de quem eu deva desconfiar que possa ter atacado você.

- Não tantos quanto gostaria. – irônica como sempre, mas o sorriso que tinha sumiu do seu rosto. – Além do mais, os verdadeiros bonitões que conheci naquela época eram empresários. 

- Não devia ser tão legal assim, né?!

- Era sim.

Ela saiu da cozinha deixando-me sozinho. O que isso significava? Ela não queria ter saído, ela foi obrigada a fazer isso?

Por alguma razão que eu não conseguia explicar me vi indo atrás dela, quase correndo pelos corredores e escadas rapidamente indo para o quarto dela no momento em que ela se trancou lá. A hipótese de bater na porta me veio à mente, porém eu me detive.

Sentei em frente à porta do quarto e acendi um cigarro enquanto esperava ela sair para ver se estava tudo bem; levou horas e quase um maço de cigarros antes que eu pudesse ouvir algum som vindo do quarto.

Alguns minutos depois ela abriu a porta e surpresa tomou sua face. E a minha também, tenho certeza. Os olhos dela, bem como seu nariz, estavam vermelhos.

A irredutível Temari chorando era uma imagem que não se encaixava em minha mente. Principalmente por eu ter provocado isso. Estava trabalhando para ela há quatro semanas e nós não nos dávamos bem, então por que me sentia mal?

- Você está bem? – questionei sem pensar e sem consegui esconder que estava preocupado. – Quer que eu... – fui interrompido quando a porta voltou a bater.

Ela estava irritada comigo? Era a primeira vez que eu via esse tipo de atitude vindo dela. Levantei e decidi aproveitar as poucas horas que ainda tinha para dormir antes que minha cabeça explodisse. Ficar sentado no chão era extremamente desconfortável e cansativo.

Senti uma mão puxando a minha com agilidade e empurrando-me contra a parede, a outra mão em meu pescoço, eu sequer tinha ouvido a porta abrir outra vez. Os olhos questionadores e orgulhosos encarando-me de perto.

- Eu estou tentando entender você, Nara. – ela sussurrou. – Você parece só mais um cara despretensioso e observador, contudo é mais que isso não é? – ela aumentou o aperto em meu pescoço e eu não reagi. – Fica me cercando e fazendo perguntas... – a mão que prendia meu braço o soltou para percorrer meu abdome. – Sasori e Matsuri acham que você está interessado em mim, eu acho que eles estão errados. Não é só isso. – Uma adversária realmente formidável. – O que você quer Nara?

Eu tinha que despistá-la e eu sabia como. Um bom mentiroso sempre diz a verdade. – E se eles estiverem certos? – eu girei e fiz com que ela ficasse encostada a parede, entretanto ela não soltou meu pescoço. – Você é uma mulher atraente e misteriosa, o que me impediria de estar interessado em você?

Ela riu. – Você é certinho demais para isso. – ela sabia que estava certa, eu mal conseguia manter contato visual com ela na maior parte do tempo. Eu precisava que ela acreditasse em mim, então fiz a única coisa que podia fazer, eu a beijei. E ela retribuiu com volúpia. – Isso foi bom, quase acreditei em você. – vendo minha expressão confusa ela continuou. – Afaste-se, Nara. É a última vez que lhe aviso.

Então ela voltou para o quarto e eu fui para o banheiro do meu quarto tomar um banho frio. Como alguém era capaz de despertar tantas coisas com um único beijo? E como ela podia não ter acreditado em mim?


Notas Finais


Tchanraaaammmmmm finalmente uma interação maior entre o casal ahahahaha

Me digam, alguém já suspeita de algo sobre o segredo da Temari? E o que acharam dos novos personagens inseridos e a interação deles com nosso casal?

Nos vemos nos comentários, deixem-me saber o que estão achando ahaha <3


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