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História Rede de Mentiras - Capítulo 3


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Notas do Autor


Antes tarde do que nunca eu apareço ahahaha
Esse capítulo vem junto com um agradecimento especial aos leitores que deixaram comentários maravilhosos nos capítulos anteriores. Gratidão! <3 Vocês são demais!

- As cenas em itálico são sonhos ou flash backs.
- Sempre que aparecer - X - é uma passagem de tempo ou mudança de cena.

No mais, aproveitem o capítulo, nos vemos nas notas finais! :*

Capítulo 3 - Capítulo 03


Dois dias tinham passado desde o incidente no corredor do quarto dela. Eu me limitava a estar perto dela e segui-la alguns metros atrás. Baki e Matsuri nada perguntaram, porém, algumas vezes notei que ficavam nos observando claramente se perguntando se algo estava acontecendo. Estava envergonhado com meus atos, beijar uma mulher casada não era certo, ainda mais com o que havia sentido e imaginado depois.

Quando finalmente desceu as escadas naquela manhã, Temari estava tão enigmática que seria capaz de fazer qualquer um no mundo matar por ela. Até eu.

- Aonde vamos? – questionei seguindo-a pela garagem na direção oposta ao carro dela até chegarmos a uma moto.

- O quê? – ela questionou quando eu não subi na garupa ou peguei o capacete que me oferecia.

- Não sei pilotar essas coisas e sinceramente não tenho certeza que é seguro. – Ela riu.

- Eu não deixaria você pilotar. – e voltou a me oferecer o capacete. – Vem comigo ou não?

É claro que eu fui. Era estranho estar tão próximo dela, no entanto eu não podia negar que também era bom. Temari obviamente pilotava acima da velocidade permitida, eu suspeito que para me assustar, o vento fazendo o perfume dela invadir meus sentidos.  Paramos quase uma hora depois em um salão de beleza do outro lado da cidade.

Desci da moto e ela ficou me encarando com um sorriso enorme no rosto. – Foi bom não foi? – não fui capaz de impedir minha expressão de surpresa, essa mulher vai me enlouquecer.

- Tenho certeza que há caminhos mais rápidos até aqui.

- É mesmo?

Logo que entramos Temari deu um cartão à recepcionista, a mulher pediu que a seguíssemos por um corredor, por fim instruiu que eu esperasse numa sala cheia de cadeiras enquanto Temari entrava em outra.

Antes que Temari fechasse a porta eu vi um homem lá dentro, cabelos negros longos e olhos escuros, erguendo-a nos braços.

- Sessão de beleza? – questionei irônico.

- Massagista. – a recepcionista disse rindo.

Eles demoraram pouco mais de uma hora lá dentro e quando Temari saiu, estava sorridente. Ela não disse nada durante o caminho e quando chegamos à sua casa trancou-se no quarto. Nada de relatórios ou visitas hoje, eu teria a tarde livre.

Durante a tarde, eu continuei pensando no homem que ela havia encontrado mais cedo, algo me incomodando muito. Ela me levou até lá e deixou que a acompanhasse até entrar na sala, ou seja, ela queria que eu o visse. Será que era dele que Madara estava falando ou se tratava de outra pessoa? Não a vi durante o jantar e só tinha certeza que ela ainda estava em casa por que Baki preparou seu chá, como todas as noites. Mais uma vez, Sasori não estava em casa na hora do jantar. Já passava de ma da manhã quando eu consegui dormir.

A contagem regressiva havia se iniciado e não havia como pará-la. O alarme soando estridente em nossos ouvidos, cada vez mais alto. O caos completamente instaurado. O monitor mostrava que várias explosões aconteciam ao mesmo tempo, prédios enormes iam ao chão de uma única vez, erguendo uma cortina de poeira e destroços e o próximo alvo era a central, nada se podia fazer, não havia tempo, não havia como defendê-los.

Eu comecei a correr o mais rápido que minhas pernas podiam ir, ignorei a dor em minha perna direita, mas podia sentir o sangue jorrando quando a ferida abriu novamente. A voz do comandante soou em meus ouvidos através do comunicador, as suas últimas ordens antes de serem todos aniquilados na central. Ordens que salvariam todos nós, menos eles.

No último segundo, antes de tudo virar cinzas eu pude ouvi-lo dizer ‘eu te amo’. Gritos e choros ecoavam em minha mente junto ao som da explosão e do prédio caindo, entretanto eu só pude realmente o ouvir dizendo aquelas três palavras antes de desmaiar por conta da perda de sangue.

Acordo num lugar escuro e estranhamente frio, meu corpo treme incontrolavelmente e eu sei que estava gritando pela dor em minha garganta. Minha respiração está irregular e minha visão está turva pelas lágrimas presas em meus olhos. Levo alguns poucos segundos para lembra-me onde estou e que tudo aquilo já aconteceu há muito tempo e também para notar que alguém está me observando.

Desejo gritar para que vá embora, no entanto, estou constrangido demais para fazer tal coisa, decido apenas ignorá-la até que ela se canse; quando escuto seus passos se aproximando me sinto um tanto aliviado de não ter o costume de dormir nu.

Temari me estende um copo com água e eu agradeço com um aceno, mentalmente agradecendo também pelo seu silêncio, já era ruim o suficiente ter aquelas memórias em meus sonhos sem ter de coloca-las em palavras. Agora que meus olhos se acostumaram à escuridão do quarto consigo vê-la.

Uma camisola de cor clara que ia até o meio das coxas, pés descalços, uma garrafa pela metade numa mão, e os cabelos soltos. Ela sentou-se sobre o batente da janela e só ficou lá, olhando o céu, como eu costumava fazer.

Eu não costumo mentir para mim mesmo e exatamente por isso, eu admitia estar errado em meu julgamento antes, seria muito mais difícil desvenda-la do que eu imaginei. Ainda mais quando ela fazia questão de me desconcentrar e constranger, quase sempre as duas coisas ao mesmo tempo.

Ela era problema. Um que eu definitivamente não queria ter por mais tentador que fosse. Além do mais, eu não seria mais um brinquedo em sua mão, ela já os tinha demais. Contraditoriamente, era impossível negar como é bonita.

- Desculpe. – não sei por que estou me desculpando, mas sinto como se tivesse que fazê-lo.

- Todo mundo têm pesadelos. – a voz dela é suave. Ela não questiona sobre o que eram ou se estou bem, pelo que agradeço mentalmente. Pergunto-me se ela estava dormindo antes.

- Até você? – assusto-me com minha própria audácia e resolvo considerar seu silêncio como um sim. – E o que você faz? – ela ergue a garrafa e a balança um pouco. Eu meneio a cabeça em negação, ignorando a falta que tinha de uma bebida.

- Tomo chá. – ela disse rindo e eu me lembrei do que Matsuri me disse antes.

- Baki o fez para você hoje.

- Nem sempre da certo. – ela deu de ombros.

Um vento frio entrou no quarto pela janela que ela abriu e eu me permiti observá-la. Não era a primeira vez em que ficávamos os dois em completo silêncio na presença um do outro, no entanto desta vez havia algo diferente. Ela havia vindo até mim, depois de me ouvir gritar e depois do que houve e sem questionamentos ou julgamentos ela apenas permaneceu aqui. Ela já passou por essa situação obviamente. – Fica melhor algum dia? – perguntei num sussurro, não tendo certeza se queria que ela ouvisse.

- Você sobrevive... – ela sussurrou de volta, estreitei os olhos tentando ver sua expressão, porém sem sucesso. – E depois de um tempo as lembranças boas tornam as coisas menos difíceis. – Não tinha tristeza ou raiva em sua voz, ela não estava sendo carinhosa ou gentil, entretanto saber que ela estava ali de certo modo me acalmou.

De todas as situações possíveis de acontecerem aqui, essa eu nunca cogitei. Eu e ela termos algo em comum. Uma dor sufocante que escondíamos.

Alguns minutos depois ela levantou e saiu do quarto sem dizer uma única palavra e pela primeira vez em dois anos eu consegui dormir depois de sonhar com a morte do meu pai.

- X -

O escritório de Temari era muito semelhante ao de Gaara em vários aspectos como tamanho e estrutura, entretanto enquanto o de Gaara tinha um aspecto impessoal o dela apresenta características que marcavam o lugar como seu.

Ela estava organizando alguns portfólios quando a secretária passou a ligação do advogado, ela manteve os olhos em mim dois segundos antes de atender. Estavam mantendo o tom profissional e falando sobre o tal problema, recém-resolvido, de Gaara. Dei uma olhada no ambiente tentando encontrar um bom lugar para esconder uma prova de crime. Fundo falso? Cofre atrás de alguma parede ou quadro? Sabendo que ela não corria risco de ser atacada ali e incapaz de ficar na mesma sala que ela sem lembrar o que houve ontem então eu decidi ir tomar um café.

- Eu vou dar uma volta, se incomoda?- ela negou e sai da sala, encontrando Gaara no corredor. Ele fez um sinal para que o acompanhasse e foi até uma pequena cozinha dois andares abaixo.

- Algum progresso? – ele perguntou sem rodeios e eu neguei.

- Ele mudou a rotina por algum tempo, chegava mais cedo, demonstrando... Carinho. – franzi o cenho com a lembrança das cenas que presenciei. – Mas nos últimos dias ele tem estado mais nervoso e menos tempo em casa.

- Você imagina o motivo?

- Começou depois que ela encontrou com Uchiha Madara. – Gaara não pareceu surpreso. – Existe algo entre eles?

- Eu tento não saber. – ele deu de ombros. – eu o conheci no velório do meu pai, mas os dois já se conheciam... E continuaram os negócios.

- Ela recebe ligações de outra pessoa às vezes também. – eu cheguei a pensar que era o massagista, mas desisti quando o encontro dos dois se resumiu aquele e eu a ouvi dando instruções de um lugar que ela não foi por telefone. – Faz ideia de quem possa ser? – ele negou.

- A ideia de que ela tem um amante é... Estranha. – era melhor não dizer o que tinha visto nas últimas semanas. – E torna ainda mais sem sentido ela continuar com Sasori. – isso era verdade, com tantos homens em sua vida porque continuar casada com alguém que nunca está presente? – Tem alguém em mente? – ele estreitou os olhos.

- Eu pensei... Talvez alguém que ela tenha conhecido antes dele... Alguém da polícia. – alguns dias depois a polícia invadiu um lugar de venda de drogas que lembrava as instruções que ela deu o que me levou a hipótese de que os telefonemas eram de um policial.

- Não, ela se afastou de todos os amigos da polícia, até mesmo de Neji. – ele disse convicto.

- Neji?

- Eles eram parceiros, brigaram feio quando ela saiu. – aqueles olhares de quem não conseguia ficar no mesmo lugar não eram falsos. – Além do mais ele nunca trairia Tenten. – ai estava meu suspeito número um se esvaindo, se os cabelos longos indicassem algum gosto específico. Eu teria que acreditar que era coincidência? Não, se Temari não estava dando informações a um policial era para o outro lado. Ela estava envolvida com tráfico de drogas?

- E porque ela saiu?

- Não teve escolha... Ela não tinha como dar conta da empresa e da policia. – diferente da irmã, ele era um terrível mentiroso.

- E quanto a você, por que se afastou dos seus amigos? – ele olhou-me confuso. – Eu conheço Naruto. – expliquei e ele sorriu triste.

- Ele não contou a você? – eu neguei. – Quando eu mudei de escola achei que seria um inferno, no entanto eu conheci o Naruto lá. Ele era mais velho e mesmo assim ficou meu amigo. Um dia meu pai nos viu juntos e não gostou, ele achou que o Naruto era o meu namorado. – eu arregalei os olhos. – Consigo lembrar-me da surra que levei alguns dias depois. – a voz dele ficou irritada. – No começo eu me neguei a acreditar, mas o meu pai mandou me baterem na rua por achar que eu namorava um cara e o Naruto apanhou também.

- Você não queria que ele fosse mais envolvido nisso? – ele assentiu.

- Foi uma semana antes de meu pai ser assassinado. – a voz irônica. – Depois disso estávamos todos abalados demais para continuar envolvendo qualquer pessoa em nossa vida.

- Até que enfim achei vocês dois. – a voz de Temari soou no corredor. Ela estreitou os olhos em minha direção, desconfiada.

- Nos acompanha? – Gaara estendeu dois copos de café, entregando-me um em seguida. Ela negou com um gesto. – O que você queria?

- Madara nos convidou para um jantar em sua casa. – ele franziu o cenho. – Você devia socializar mais. – ela insistiu.

- Você sabe como são os jantares de Madara. – ela riu. – É por isso que você é a responsável por socializar. Leve Shikamaru com você.

- Ótimo. – nós dois falamos ao mesmo tempo e com o mesmo tom de desagrado.

- Não gosto de festas. – eu disse quando Gaara nos olhou questionador.

- Não se preocupe, é apenas um jantar.

- X - 

Apenas um jantar não chegava nem perto de descrever aquilo; uma música indefinível tocava extremamente alta enquanto luzes coloridas piscavam incessantemente, todos os tipos de bebidas estavam à disposição por todo o lugar. O apartamento enorme tinha ficado pequeno para aquela quantidade de pessoas.

Algumas garotas dançavam em cima de um balcão já que a pista de dança improvisada estava muito cheia. Assemelhava-se a uma festa de adolescentes ou alunos de faculdade. A essa altura eu já tinha perdido Temari e Sasori de vista.

Quando Madara os recepcionou, mais uma vez apenas dando-me um olhar antes de ignorar-me, ele os levou até uma mesa ocupada por vários homens. Sasori ficou lá com eles enquanto o advogado a puxou para dentro do apartamento dizendo que tinha alguém que queria vê-la. Eu até tentei segui-la, mas o aglomerado de pessoas me impediu. Em algum momento tenho certeza de ter visto Sasori conversando com uma mulher, intimamente, que novidade não? Olhei em volta tentando encontrar um lugar mais vago e vi uma espécie de varanda alguns metros à esquerda.

- Você está de matar. – a voz do advogado soou e eu estanquei. – Você sabe que eu adoro esse vestido. – continuei parado observando os dois, ainda dentro do apartamento; eles estavam ocupados demais para me notar.

- E você sabe o que eu adoro. – ela disse maliciosa, sussurrou algo em seu ouvido e ele riu.

- O que eu ganho em troca?

-Nós continuamos sócios. – ela deu um meio sorriso e fez uma caricia no braço dele. Raiva e inveja vibraram em mim com aquilo. – Estamos de acordo? – ele assentiu e beijou-a no pescoço; foi quando os olhos dela encontraram com os meus.  Ela sabia que eu estava lá e que eu veria tudo. Sai do apartamento e fiquei em frente ao prédio fumando até que os dois decidiram ir embora.

Durante o caminho para casa Sasori perguntou-lhe onde Madara havia a levado e ela respondeu que conheceu uma afilhada dele enquanto me encarava pelo retrovisor, um sorriso divertido e desafiador nos lábios. O homem não desconfiou e ficou falando sobre como tinha reencontrado alguns amigos. Eles claramente não acreditavam um no outro, ou sequer importavam-se com isso. Entretanto eu sim e obviamente Temari se agarrava com Uchiha Madara em troca de algo. Quanto mais próximo de sua vida mais mentiras eu encontrava. Qual era realmente a face de Sabaku no Temari? A mulher protetora e abnegada com os irmãos; a empresária de sucesso que usa tudo o que tem para conseguir o que quer; a esposa pervertida que tem um monte de amantes; e tinha ainda aquela outra, alguém sensível, que chorou por ter perdido algo e ficou comigo por causa de um pesadelo, que se divertia folheando revistas com a amiga e lutando com caras maiores que ela.

- X -

Os dias se arrastaram calmos na minha quinta semana de trabalho com Temari. Nada de festas, almoços de última hora ou visitas inesperadas. Aproveitei as horas vagas e rabisquei um fluxograma com as informações que sabia.

Temari estava no centro de tudo ligada aos irmãos por algo que aconteceu que envolvia o assassinato do pai e o desaparecimento do irmão. Então ela era ligada a Sasori por algum motivo inexplicável para seu casamento.

Na lista de relacionamentos extraconjugais regados a favores tinha Uchiha Madara e o massagista desconhecido; e o pior de tudo ela também tinha um pé envolvido com tráfico de drogas, provável razão para sua briga com Neji. Eu só tinha que saber quem era a pessoa do outro lado naquela ligação, se ela ainda tivesse contato com algum policial.

Meu tempo estava acabando. Três batidas na porta me despertaram de meus devaneios e eu guardei os papéis embaixo do colchão antes que Matsuri entrasse me chamando para o jantar. O noticiário estava dizendo que alguém importante havia sido preso em uma ação policial de combate as drogas.

Fiquei observando-a jantar da cozinha, porém Temari não demonstrou nenhuma atitude que denunciasse preocupação, nervosismo ou contentamento. Quando enfim terminou ela pegou o celular e se trancou no escritório.

- Nada de chá hoje. – Matsuri disse resignada quando entrou na cozinha, trazia consigo a bandeja que Baki havia preparado.

- Quem você acha que é? – Matsuri franziu o cenho. – No celular.

- Sasori. – disse confiante e olhou para o mordomo como que para provar que estava certa. – Você já a viu falar com outra pessoa além dele?

- Gaara Ino, Tenten e não é da conta de vocês.

Alguns instantes depois os dois se recolheram, porém Temari continuava acordada no escritório e por essa razão eu também não podia ir dormir.

- Quer companhia? – ela me olhou com as sobrancelhas franzidas.

Passava das duas horas da madrugada, Temari estava sentada no sofá com a cabeça apoiada em dos braços, os dedos tamborilando sobre a perna.

- O que está fazendo? – ela disse quando sentei ao seu lado e lhe ofereci uma xícara de chá.

- Sou seu segurança... Essas janelas te deixam muito exposta, essas coisas. – ela riu. – Quer companhia? – questionei novamente.

- Vá dormir Shikamaru. – era a primeira vez que ela chamava pelo nome sem estar me apresentando a alguém. Assenti e levantei decidido a voltar ao meu quarto. – E da próxima vez me traga algo mais forte. - Fiquei a noite inteira questionando-me os motivos dela, o que eu não estava vendo, qual peça estava faltando.

Normalmente quando Sasori não chegava a tempo do jantar, Temari comia sozinha, lia por algum tempo e depois ia para o quarto. Não foi o que houve ontem, ela estava ansiosa  e permaneceu esperando por ele, entretanto Sasori chegou apenas com a manhã seguinte, tinha olheiras enormes sob os olhos indicando que não havia dormido muito mais que ela; estava sem terno e com a blusa aberta deixando o abdome amostra. Não obstante, não parecia bêbado ou sequer de ressaca. Ele e Baki trocaram um olhar, ele ignorou que eu e Matsuri também estávamos na cozinha e se encaminhou até a sala onde Temari estava. Matsuri meneou a cabeça em negação e Baki voltou sua atenção às panelas. Ouvimos o som de vidro quebrando e eu levantei da cadeira.

- Não perca seu tempo... Ele deve ter esbarrado em algo. – levei alguns segundos para entender que ele falava sério sobre aquilo. Matsuri assentiu. – Ela não é uma desequilibrada e se quiser destruir algo definitivamente seria maior que um jarro.

- Ela também não parece alguém que aceitaria uma situação dessas. – pelo pouco que havia observado durante aquelas semanas, estava obvio que ela era inteligente e sagaz, independente e orgulhosa, maliciosa e influente, definitivamente uma mulher perigosa e, no entanto, ali estava ela. Ele tinha algo que ela queria. – O que prende alguém como ela a ele? A tudo isso! – gesticulei nervoso e Matsuri pôs a mão no queixo inocente e pensativa, contudo foi Baki quem confirmou o que pensei. Ele ficou tenso e com um olhar pesaroso virou-se para nós, quando achei que ele ia falar Matsuri respondeu.

- Talvez ela o ame mesmo. – ele assentiu e voltou-se novamente para as panelas. Por um momento achei que teria respostas. Olhei para a mulher a minha frente e franzi o cenho, ela não era tão inocente assim.

- Eu já disse a você, apenas faça seu trabalho. – e ele encerrou a conversa. Ouvimos alguns gritos dos dois, mas eu só consegui entender um nome, o do homem que foi preso ontem.

Forcei minha memória para o jantar de Madara alguns dias atrás e lembrei que ele esteve lá, era um empresário da indústria farmacêutica assim como Sasori, os dois eram sócios. O contato de Temari não era um policial; sua ligação com Sasori e Madara era o crime organizado? Isso explicaria sua saída da policia, mas ainda assim... Mesmo com todas aquelas mentiras e segredos escondidos eu não conseguia acreditar... O que estava faltando?

- X - 

Depois da discussão enorme que teve com Sasori, Temari decidiu ir à academia; fiquei assistindo-a finalizar um oponente atrás do outro até que ninguém mais queria ir, foi quando ela se voltou para mim.

- Nem pense nisso.

- Qual é? Você não treinou hoje! – eu dei de ombros. – Como pensa que vai me proteger se não é mais forte que eu? – usei toda minha força de vontade para não retrucar, mas ela notou meu incomodo. – Está com medo de perder para uma mulher?

- Que saco! Depois não reclama. - O fato é que Temari é muito boa, porém eu estava sempre a vendo lutar, sabia que não era tão habilidoso quanto ela, mas já sabia suas técnicas e manias, então no final eu a imobilizei. O problema é que tê-la sob mim se contorcendo para se soltar era um teste difícil demais para meu autocontrole, por isso eu a soltei. Ela me olhou indignada.

- Você está brincando comigo? - eu meneei a cabeça.

- Já tinha acabado.

- Não! – ela sibilou. – E você só desistiu. – arqueei as sobrancelhas e a vi bufar. – Você está de folga essa noite. – ela disse e se encaminhou para a saída.

- Vou acompanha-la até em casa.

- Sei que não acredita, mas eu consigo defender a mim mesma. – com essas palavras ela bateu a porta do vestuário na minha cara e eu a deixei sozinha na academia.

Voltei ao meu apartamento apenas para tomar um banho e trocar de roupa, o lugar estava limpo já que minha mãe tinha uma cópia da chave e morava razoavelmente perto. Pensei em visita-la, contudo, prevendo as inúmeras perguntas que ela iria fazer e sem vontade nenhuma de respondê-las, eu segui para o bar.

Eu devia ter ido visita-la, foi o que pensei quando vi Uchiha Madara caminhando em minha direção. – Ah, eu achei que era você. Ele disse com sorriso irônico. - Eu fiz um leve aceno de cabeça sem nenhum interesse real em iniciar uma conversa com ele. - Então você é o novo brinquedinho da Temari.

- Não sou brinquedinho de ninguém. - Ele riu.

- Todos os homens ao redor delas são.

- Está se incluindo nisso?- perguntei incomodado.

- Tem suas vantagens, não acha? - Franzi o cenho ao perceber que praticamente havia concordado com ele.

- Não posso concordar, eu não faço parte disso. Sou apenas um segurança.

- E eu advogado. - ele deu de ombros rindo. Sua ironia estava me irritando agora.

 Levantei rápido demais atraindo o olhar do barman para mim, coloquei o dinheiro da bebida em cima do balcão antes de sair; ciente que a atenção do advogado ainda estava sobre mim.

- Antes que vá, deixe-me pedir-lhe um favor. – Eu virei parcialmente apenas para olha-lo por sobre o ombro. – Entrega um recado meu para Temari. – perante meu silêncio ele continuou. – Diga que está feito.

- O que está feito?

- Não se preocupe é apenas algo que ela me pediu. – eu assenti.

- Ah, Shikamaru, mais uma coisa...  Não sei que tipo de serviço presta aquela mulher, mas deixa eu te dar um aviso, Sasori é um homem ardiloso.  O desgraçado tem muitos truques.

Ignorando mais uma vez suas insinuações eu me poupei de responder.

- X - 

No dia seguinte, Temari agiu como se nada tivesse acontecido. E não esboçou reação além de um meio sorriso quando lhe passei o recado do advogado. Acompanhei-a em suas obrigações durante o dia inteiro e quando saímos da empresa, um pouco mais tarde que o normal, Temari insistiu que queria ver um filme no cinema, obrigando-me a ir com ela, felizmente era um filme de ficção cientifica.

 Na fila do cinema alguns adolescentes ficaram secando ela descaradamente e fiquei feliz quando ela os ignorou. Quando o filme acabou ela disse que queria comer e nos guiou até uma lanchonete simples e pequena próxima ao cinema, claramente enrolando para não ir para casa.

Uma chuva fina começou e ela franziu o cenho, segurei a vontade de questionar qual o problema dela com a chuva, já que os invernos aqui costumavam ser rigorosos. Enquanto a via comendo um sanduiche enorme numa lanchonete qualquer do centro, eu tive mais um vislumbre da mulher que me fez companhia sentada numa janela do meu quarto. Era alguém que eu teria gostado de conhecer, provavelmente.

Considerei nossa convivência durante as semanas em que estive com ela; de ignorar minha existência, me constranger e seduzir, voltar a me ignorar, já que eu cheguei perto demais do passado dela, me beijar e ajudar, ela me desafiou quando me revelou seus amantes. Era uma adversária consideravelmente problemática. 

Insisti em pagar a conta, mas como sempre ela retrucou até que eu aceitasse dividir. Temari acelerou os passos para chegar ao carro no outro quarteirão antes que a chuva ficasse ainda pior. Olhei de soslaio para os lados, a sensação de estar sendo observado me fez diminuir a distância que Temari insistia que mantivéssemos na rua.

Faltavam poucos metros para chegar ao carro quando um homem saiu de um beco e agarrou o braço dela, puxando-a para si. Ela resistiu e tentou acertá-lo, ele conseguiu desviar no último segundo voltando a puxá-la. Segurei o braço dele com força fazendo-o soltar Temari e acertei o rosto dele com um soco que o fez cambalear para trás.

- Você está bem? – Olhei-a conferindo se estava machucada e quando constatei que não, voltei minha atenção a ele, vi-o correndo de volta para o beco, dei um passo na direção dele, mas ela me impediu.

- Espera. – ela pediu num sussurro.

- Pode ter sido o mesmo cara da outra vez.

- Não era.

- Você o viu? O reconheceria? – ela negou. Suspirei. – Tudo bem, vamos para casa.

- Não! Espera, eu... Preciso beber. – a expressão de surpresa em seu rosto me fez assentir.

Ela guiou-me até uma boate ali perto e o segurança a reconheceu liberando nossa entrada sem que ficássemos na fila. O lugar estava cheio e a música alta demais para meu gosto, ela segurou minha mão e foi direto para o bar pedindo duas bebidas.

- Tem certeza que está tudo bem? – ela assentiu. Ficamos no bar por um tempo até que seus olhos se fixaram em algo atrás de mim e ela levantou.

- Eu não vou demorar. – ela falou antes de se afastar, mantive meu olhar nela e vi que ela tinha encontrado o massagista. Não houve nenhum toque, contudo pude ver que conversavam enquanto dançavam. Ele olhou em minha direção por algum tempo e depois simplesmente saiu.

Temari voltou até onde eu estava e pediu mais uma bebida. Quando ela já estava bêbada demais para ficar em pé sozinha, eu a levei até o carro. Arriscar chegar de madrugada com ela naquele estado podia ser pior que voltar somente de manhã e considerando que Sasori não estava dormindo em casa a levei até meu apartamento, durante o caminho ela cantou todas as músicas que tocaram no rádio.

- Você é um homem estranho, Nara. – ela disse entre risos. – Eu não consigo prever você. – ela disse antes de se jogar em meu sofá.

- Nem eu você. – respondi enquanto trancava a porta.

- Você não pode prever alguém que não conhece. – ela riu. Bêbada ela gostava de conversar? Ótimo.

- Acho que não... E se nos conhecêssemos? – sentei ao seu lado. – Quem é você de verdade Temari?

- Alguém que sabe o que quer, que aceita o que tem que fazer e faz. – isso eu já sabia.

- E o que alguém como você tem que fazer? – ela deu de ombros. – Que segredos você esconde?

- Achei que você já soubesse. – ela fitou o teto como se ele fosse extremamente interessante.

- Eu não entendo porque tantos... Amantes. – ela voltou a rir.

- Amigos. – corrigiu e eu revirei os olhos. – E você? – senti seu hálito tão próximo estava dela. – Inteligente, forte, bonito e não consegue dormir a noite, por quê? – voltou à conversa para mim.

- Você tem certeza que não está fingindo estar bêbada? – sorri de lado e ela franziu o cenho.

- Você não tem que fingir que não há um problema se existe alguém que pode ajudar... Você podia falar pra mim.

- A morte do meu pai. – fui sincero e ela se afastou. – Nisso somos parecidos, eu e você. – ela negou.

- Você se importa. – franzi o cenho. – Sinto muito. – ela sussurrou antes de me beijar. Ao contrário do nosso primeiro beijo, esse pareceu quase tímido.

- O que te deixa acordada a noite? – perguntei quando ela se afastou.

- Às vezes você. – O tempo que levou até que eu formulasse uma resposta foi suficiente para que ela dormisse. Deixei que ela ficasse em minha cama e dormi no sofá. Quando ela acordou não disse nada sobre nossa conversa ou o que tinha acontecido e eu não quis perguntar.

Sasori não perguntou onde ela esteve ou o motivo de chegar naquele horário e apenas a convidou para tomarem café juntos. Conversaram sobre uma viagem que ele teria de fazer em alguns dias, algo sobre uma bactéria nova que tinha surgido.

- Você estava com ela? – Baki perguntou com a voz baixa. Assenti.

- Como alguém que ficou tão bêbada não tem ressaca no dia seguinte? – o homem riu.

- É preciso muitas garrafas para derrubá-la a esse ponto. – ele disse simplesmente. 


Notas Finais


Muitas revelações e eventos acontecendo hein...
E aí, quem será o massagista e o que será que Madara fez?
Shikamaru cadelinha da Temari? KKKKKK
Alguém já suspeita dos motivos da Temari?

Deixem-me saber o que estão achando!


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