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História Rede de Mentiras - Capítulo 5


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Notas do Autor


CHEGUEEEEI

O nome do capítulo é também o nome de uma música (a versão sugerida para quem quiser dar uma olhada é da Ursine Vulpine ft. Annaca), que eu acho que descreve bem os sentimentos do nosso casal ao longo dessa estória.

Lembrem:
- X - são passagens de tempo; itálico são pensamentos ou flash back..

Capítulo 5 - Wicked Game


Demorou dois dias até que o corpo fosse liberado e eles pudessem enterra-lo; Gaara não foi embora àquela noite e Temari não parou de chorar. Não houve velório e o enterro foi rápido e com poucas pessoas.

Estávamos voltando para o carro quando Neji e Tenten se aproximaram, tinham a intenção de se despedir. Sasori acompanhou Gaara até outro carro sob o olhar atento de Temari.

- Sinto muito. – Foi Neji quem falou. Ela voltou o olhar para ele surpresa.

- Não devia ser desse jeito. – Havia muito mais que tristeza na voz dela. Não era a irritação ou sarcasmo de sempre, era ódio.

- E então? – Ele perguntou e ela apenas voltou a olhar para o outro irmão. – Não faça isso. – Tenten olhou de um para o outro em silêncio, a feição preocupada. Acabou. – ele disse para as duas.

- Não acabou. Ainda resta uma coisa a ser feita.

De longe finalmente Sasori voltou sua atenção para a esposa. Ele conhecia Kankuro e eu tinha quase certeza que ele era o amigo em comum que os apresentou, ainda assim ele não parecia triste. Neji não voltou a aparecer, Tenten apenas ligou. Segundo Ino, Gaara estava falando ainda menos que o habitual.

Na manhã de domingo finalmente Temari saiu do quarto.

- Preciso que me leve a um lugar. – Era a primeira vez que ela falava comigo em uma semana. Desde o enterro de Kankuro, Sasori estava sempre em casa, sempre por perto. Ela nunca saia.

- Para onde? – levantei no intuito de me aproximar dela.

- Qualquer lugar. – ela olhou pela janela. – Longe daqui.

Ouvimos passos se aproximando e o marido dela apareceu sorrindo.

- Estava procurando você. – ele me ignorou e tentou abraça-la, mas ela se desvencilhou dele. – Bom ver que finalmente está melhorando.

- Vou encontrar as garotas na casa de Tenten. – ela disse e ele olhou para mim, parecendo notar que eu estava ali pela primeira vez.

- Achei que não fosse sair hoje também. Posso levar você. – ela meneou a cabeça em negação.

- O Nara vai me levar. – ele arqueou a sobrancelha, porém assentiu.

- É claro. Mande lembranças.

Ela simplesmente saiu da sala e eu a segui até o carro. Ela sentou no banco do carona. As mãos cerradas.

 - Para a casa de Tenten? – questionei ligando o carro.

- Não. – ela olhou em direção à casa, onde podíamos ver Sasori na janela. – Para qualquer outro lugar...

- Longe daqui. – eu a interrompi e, ela assentiu.

  Temari ficou olhando pela janela do carro enquanto eu dirigia em direção à floresta próxima a casa de minha mãe. Ela me seguiu em silêncio depois que estacionei e adentrei a floresta, mesmo quando saímos da trilha.

- Boa escolha. – Ela falou quando chegamos a uma clareira mais afastada.

- Eu costumava vir muito aqui, logo depois... – Ela assentiu, entendendo o que eu queria dizer. 

- Parece bom. – Foi tudo o que disse. Observei-a sentar-se no chão e apoiar a cabeça sobre os joelhos. Sentei ao seu lado e esperei. Ficamos assim por um longo tempo, ela nunca chorou.   Quando levantou a cabeça, entretanto, parecia ter tomado uma decisão.

- Pode me levar a outro lugar agora? É perto daqui. – eu assenti.

Deixei que ela dissesse as direções que devia tomar até chegarmos a um complexo de apartamentos em um dos bairros mais humildes da cidade.

- O que estamos fazendo aqui? – questionei quando ela entrou em um dos prédios.

- Quero ver uma pessoa. – ela deu dois toques ritmados na porta e quando abriu, revelou o massagista. Ao menos ele pareceu tão surpreso quanto eu.

- O que ele está fazendo aqui? – Essa era uma boa pergunta.

- Não importa mais. – ela disse dando de ombros e ele arqueou a sobrancelha. Ele parecia cansado, mas deixou que ela entrasse sem dizer mais nada. Eu fiquei do lado de fora.

- Você sabia? Eu confiei em você! – ouvi-a gritar.

Eles estavam brigando, uma lembrança da noite em que ela foi atacada me veio à mente, ela tinha ido encontrar com o massagista logo depois, na boate, será que ele era responsável por Kankuro? Era dele a ligação tão desesperada que ela ansiava aquele dia? De alguma forma Temari culpava esse homem pela morte do irmão? Preparei-me para arrombar a porta, entretanto Temari a abriu e quase me atropelou quando saiu.

Quando a alcancei ela já estava no carro, tamborilando os dedos nas pernas.

- Devo voltar para a floresta? – perguntei irônico.

- Para casa. – ela respondeu sem me olhar. Liguei o carro, quase não tínhamos saído do lugar quando eu falei:

- Me usou para vir até aqui não é? – Temari não demonstrou reação, sequer parecia surpresa.

- Eu sabia que você seria difícil desde que te vi pela primeira vez. – ela tinha a voz tranquila. – Você sempre foi inteligente demais.

- Tem me usado desde então...

- Não. – ela me interrompeu. – Algumas vezes, é verdade, mas outras vezes apenas... – Suspirou. – Sinto muito.

- O que te mantém acordada a noite? – repeti a pergunta que ficou rondando minha cabeça por dias. Ela deu um sorriso mínimo.

- Todas as coisas que eu queria ter feito.

- Não foi planejado, então? – Ela entendeu o que eu quis dizer, pois negou com a cabeça. Seu envolvimento comigo não estava nos planos. Foi real.

   - Você, especialmente, é uma das coisas que eu não poderia ter. Que eu não deveria ter feito. – ela desviou os olhos. – Mas, já acabou.

Sim, eu tinha acabado.

-   X   -

Sasori nos esperava na sala quando chegamos e pediu que eu os deixasse a sós. Matsuri e Baki pareciam levemente ansiosos. Nenhum dos dois tentou impedir quando eu encostei o ouvido à porta, desta vez.

Eles estavam conversando sobre alguns amigos, especialmente um que desejava fazer negócios com ela e Gaara. Esse ponto da conversa a deixou irritada.

Pouco depois do jantar Sasori me chamou na sala em que estavam, mas antes que pudesse falar o celular dele tocou. Desde aquela noite os dois têm ignorado a maioria dos telefonemas, contudo dessa vez ele o atendeu, disse algumas coisas e desligou o aparelho voltando sua atenção para ela.

- Ao que parece era ele quem estava seguindo você. – ela franziu o cenho. – Knkuro. – Explicou. – Ninguém sabia que ele estava de volta. – ele acariciou a perna dela. – Não tinha como suspeitar...

- Eu não entendo o que o fez voltar... – ela sussurrou e o homem ficou tenso, o cenho franzido.

- Ele devia sentir sua falta. – eu disse sem pensar atraindo olhares dos dois. Sasori arqueou a sobrancelha e ela desviou os olhos para o celular dele que começara a tocar novamente, Sasori riu sem humor. – Uchiha. Preocupado com você, obviamente. – ele disse calmo. – Eu tenho que ir agora, há algo que eu devo resolver.

- O que houve? – ela endireitou-se no sofá.

- Ouvi dizer que estamos perto de encontrar a causa daquele problema das bactérias. – ele deu de ombros e ela assentiu. – Mas, antes de ir... – ele olhou para mim. – Acredito que devo demitir você. – arquei as sobrancelhas surpreso. – A razão para sua contratação não existe mais e sua permanência aqui não é mais necessária.

Era cruel que ele tivesse dito essas coisas na frente dela, porém ele o tinha feito esperando por nossas reações; ele percebeu que eu me importava com ela e que o contrário também era possível.

- É claro. – Sasori olhou-a e ela assentiu.

Sai da sala e fui para meu quarto com um peso nas costas, o olhar que ela me deu corroendo minha alma.

- Ele demitiu você? – Matsuri questionou triste. Assenti. – Não se preocupe, nós a ajudaremos. – ela sorriu.

 -  X  -

Durante a semana seguinte eu quis contar à Gaara sobre minha demissão, contraditoriamente reconsiderei quando o vi, estava tão mal quanto ela. Ao invés disso, somente perguntei sobre o sócio de Sasori que havia sido preso. Tudo indicava que os dois não se davam bem, mas se beneficiavam da sociedade e por isso a mantinham. Então perguntei sobre a senhora no asilo, e descobri que ela era avó de Sasori, mas que os dois não se falavam há muito tempo.

Todas aquelas ligações que ela fazia... “Amigos” ela tinha dito sobre os amantes, ela queria me dizer que o massagista era alguém confiável? Na noite em que ela foi atacada e eu a ajudei tive certeza que ela reconheceu o homem. Teria sido Kankuro?

Fui até o asilo e a recepcionista me reconheceu, disse que tinha um recado de Temari para a senhora e a recepcionista aceitou me levar até ela e para minha sorte a garota gostava de falar.

- Ela não recebe muitas visitas, sabe? Só a Sra. Sabaku e o Uchiha, uma pena que nunca venham juntos.

- Uchiha Madara? – questionei surpreso e ela riu.

- Não, um bem mais jovem, mas não menos bonito.

A velha mulher não quis falar comigo, no entanto. Dentro do carro peguei meu celular e disquei o número para o qual Temari ligou no dia que veio aqui comigo, eu a tinha visto digitar e memorizado o número. Ninguém atendeu.

Decidi ir atrás da única pessoa que talvez pudesse me ajudar, seu antigo parceiro, Neji. Contraditoriamente ele não revelou muito mais do que eu já sabia; amigos ou não, ele ainda era de alguma forma leal a ela.

- Você está apaixonado por ela? – Neji perguntou, depois de pedir a conta, o que significava que não queria estender o assunto; como sempre não transparecia muitas emoções.

- Estou muito mais envolvido do que deveria, mas, acredite só quero desvendar toda essa rede de mentiras.

- Devo então lhe desejar boa sorte, porém, não acredito que alguém seja capaz de tal coisa.

- Você já tentou?

- Até ela me afastar e... Quer um conselho? Ela está apenas usando você.

- Como disse? – perguntei, não porque não havia entendido, mas, porque me achava inteligente demais para estar sendo enganado e também, pois aí estava a oportunidade dele falar do passado deles.

- Só há um homem que importa para ela agora. Gaara. Ela vai fazer o que tiver que fazer por ele. Usar quem puder usar.

- Disso eu já sei.

- Bom isso nunca é por muito tempo, não que vá fazer diferença para você.

Voltei ao meu apartamento e me surpreendi quando o porteiro anunciou malicioso que minha namorada estava me esperando lá e encontrei Temari, sentada em meu sofá. Ela parecia estar pronta para uma guerra, o vazio de seus olhos substituído por ódio, ainda sim seu luto era visível nas olheiras em seu belo rosto.

- O que está fazendo aqui? – engoli a pergunta “você está bem?”.

- Pare o que está fazendo. – ela jogou o fluxograma sobre o sofá, eu o havia escondido num fundo falso de uma gaveta no quarto e me perguntei há quanto tempo ela estava no meu apartamento.

- Não sei sobre o que está falando.

- Sei que foi ao asilo hoje. – ela cruzou os braços. – Eu sei que Gaara te pediu para fazer isso, mas ele não precisa saber sobre essas coisas.

- E por que não?

- Não quero perder meus dois irmãos, Nara e não irei.

- É por isso que você fica com Sasori, então? – A pergunta pareceu pegá-la de surpresa, franzi o cenho. – Para protegê-lo? De quê? – “tráfico de drogas” eu me lembrei.

- É muito mais complicado que isso. – ela suspirou. – Não se envolva ainda mais nisso.

- Então o que é? – eu notei o quão desesperado estava para saber. – Você...

- Você não me conhece Shikamaru. – ela baixou os olhos. – E é melhor que continue assim.

- Você faz o que tem que fazer. – ela assentiu. – E quanto a sua consciência? É isso que não te deixa dormir a noite? – ela riu.

- Consciência? Eu já vi e fiz muita coisa para me preocupar com isso.

- E quanto ao que você quer fazer? – segurei o rosto dela em minhas mãos e ela olhou para mim. Eu sabia que não era o único com aquele sentimento, ela não teria vindo até aqui se não retribuísse de algum modo.

- Fique longe. – ela sibilou antes de se afastar.

- Você sente algo por mim. – aquelas palavras feriram meu ego e orgulho e tenho certeza que nunca as teria dito em outras circunstâncias, porém, elas detiveram Temari, que ficou me encarando um longo momento com os olhos verdes duros. – Eu sei que você sente.

- Isso não é sobre você ou sobre nós. – Ela sussurrou. Daquele modo quase parecia frágil. – Eu vim aqui me despedir, Shikamaru.

Avancei até ela e segurei seu rosto entre minhas mãos. – Eu sei está bem? Sobre o trabalho do Sasori e o envolvimento dele com Orochimaru. Sei sobre suas relações estranhas com os Uchiha.

 - O quê?

- Só me diz o que eu posso fazer para te tirar disso. – ela negou com a cabeça. – Só me deixa ajudar você. – Tão perto dos lábios dela, percebi o tamanho de meu desespero e o quanto estava envolvido.

Ela afastou minhas mãos de seu rosto e deu um passo par trás. – É apenas mais uma razão para ir embora agora. – Ela virou e caminhou devagar até a porta, mas se deteve antes de abri-la. – Se você soubesse quem eu sou, as coisas que eu já fiz, jamais pediria para que eu ficasse. Você não me amaria.

- Me conte e deixe que eu decida.

- Boa tentativa. – Ela riu antes de ir embora.

Temari era sempre exagerada em seus gestos, não havia nada sutil em sua postura, contudo, naquele momento ela não precisou de nada além de poucas palavras, a maioria delas sussurradas, para me destruir. Assim como disse que faria.

-  X  -

Fui jantar na casa de minha mãe, eu precisava espairecer e tirar essa mulher da minha cabeça ou iria enlouquecer.

- Shikamaru, que bom te ver! – ela me abraçou. – Finalmente você lembrou que tem mãe.

- Não precisa exagerar. – revirei os olhos e ela bateu de leve em meu braço.

- Não sabia que estava de folga hoje. – ela apontou um lugar a seu lado no sofá.

- Na verdade, fui demitido. – Ela fez um “o” com a boca. – Imagino que saiba o que houve. – Ela assentiu.

- Ino me contou. – ela me encarou em silêncio por dez segundos exatos antes de continuar. – Aconteceu alguma coisa? – Eu neguei e ela arqueou a sobrancelha. – Você parece preocupado.

- Não é nada.

- Bem, eu não sei o que seu pai diria agora. – ela tocou minha mão. – Você sempre falava com ele quando estava com problemas.

Surpreendeu-me que ela falasse sobre o velho tão abertamente. Deveria ser difícil para ela também, apesar do tempo.

- Ainda assim, – Ela continuou – acredito que ele diria para você fazer o que tem que ser feito. – Não pude evitar sorrir. Isso era algo que ela diria. – E você sabe o que é não sabe? – Assenti. Minha mãe sorriu e soltou minha mão. – Ótimo, então vamos jantar.

-   X   -

 Nos últimos três dias eu tenho seguido Temari aonde quer que ela vá. Contudo, não houve nenhuma sessão de beleza com o massagista, visita à empresa, ao lar de idosos, mansão Uchiha, ou fundações. Ela foi à academia uma única vez até hoje.

Ela encontrou com Sasori e alguns dos homens que estavam no jantar de Madara um pouco mais cedo e agora os dois estavam num galpão abandonado com outro homem. Só que o outro estava bem amarrado, não conseguia ver seu rosto direito, mas ele me lembrava de Uchiha Madara.

Uchiha Sasuke. O nome veio a minha mente junto à lembrança de uma foto onde ele acompanhava Naruto, alguns anos atrás.

 Sasori o perguntou algo, contudo tudo o que teve como resposta foi um riso debochado e aquilo irritou Sasori, ele não era acostumado a ser contrariado e ele não lutava de igual para igual. Não foi uma surpresa quando uma sucessão de socos e chutes atingiu o outro homem.

Ele agora estava caído, metade do corpo colado ao chão, quase sem forças para sustentar a própria cabeça, sangue escapava por seus lábios e nariz e ele começou a tossir como se estivesse se engasgando e então começou a rir novamente.

 Entretanto, diferente de antes, o som que escapava de seus lábios agora era insano, quase desesperado. Vi-o direcionar um olhar para ela numa suplica, eles pareciam dizer ‘acabe com isso’ e Sasori notou.

Ele voltou-se para ela, passando os braços por sua cintura possessivamente e falando em seu ouvido, baixo demais para que eu pudesse escutar os dois, ignorando o homem no chão como se ele já estivesse a muito morto ou simplesmente não existisse; se ela estava com medo ou com raiva não demonstrou. Dando de ombros, Sasori puxa da parte de trás do paletó uma arma e aponta na direção dela. Os dois se fitam furiosamente agora.

- Vá em frente. – a escuto dizer, surpreendendo-me com seu tom de desdém. Como se sua vida ou a vida do outro homem não fosse nada demais. Ele engatilhou a arma, um sorriso pequeno no rosto, cerrei os punhos na tentativa de me controlar, de manter-me em meu esconderijo e então ele voltou-se novamente para o homem.

 Ela olhou em minha direção quase como se soubesse que eu estava ali, observando-os, testemunhando aquele horror. Minha vontade era sair de meu esconderijo e correr até lá e quem sabe impedi-los, no entanto, eu sabia que no momento em que me revelasse eu teria o mesmo destino que ele. Eu não seria útil se morresse ali, a única coisa que podia fazer era assistir aquele homem morrer.

Sasori mantinha a arma apontada para ele, no entanto, questionou mais uma vez, o pé em cima das costelas do outro que com certeza estavam fraturadas, e então ouvi o tiro e quase cai para trás quando percebi de onde tinha vindo.

Temari tinha atirado. No único instante em que eu desviei meus olhos, ela havia sacado uma arma e atirado. Sasori olhou-a, a expressão entre a surpresa e a raiva. Ela mais uma vez não demonstrou emoção, sequer hesitara, parecia-me quase acostumada aquele tipo de coisa e talvez realmente o fosse. Eu não a conhecia afinal.

- Deixe que sofra. Ela virou-se em minha direção e Sasori acompanhou-a. Os dois esquecendo-se do corpo inerte numa poça de sangue.

Eu não poderia mais ficar ali com os dois vindo em minha direção, armados e dispostos a matar. Arrastei-me pele mesmo caminho que entrei e quando enfim cheguei ao carro sai em disparada, não queria olhar para trás e arriscar vê-los.

Só parei quando a gasolina acabou e tive que abastecer, minhas mãos tremiam e eu estava absurdamente suado; encostei a cabeça ao banco do carro, meus olhos ardendo.  Devia ter uma explicação, algo que eu tenha deixado passar, ela não poderia ser uma deles, ela não podia ter feito aquilo. Ela fez. Algo gritou dentro de mim. Ela o matou, sem piedade e sem culpa.

Tinha algo que eu não estava vendo. Tinha que ter. Todo esse tempo ela estava mantendo contato com os Uchihas, inclusive com este. Ela sabia que eu estava lá. Fez aquilo para que eu visse? 

Foi isso que ela quis dizer quando falou que eu não a conhecia? Eu precisava saber. Não, eu tinha que acreditar que havia outra explicação. Baki e Matsuri jamais me diriam qualquer coisa realmente importante sobre ela, mas Tenten diria. 

-  X  -

A casa de Tenten era surpreendentemente próxima do meu apartamento. Quando me viu ela não pareceu surpresa.

- Eu sei que está tarde. – suspirei sem saber como continuar.

- Não tem problema. – ela apontou um sofá. – Ela me disse que você ia acabar aparecendo.

- Perdão?

- Temari. É por causa dela que você está aqui, não é? – Eu assenti. – No dia em que Sasori o demitiu, ela me disse que você viria.

- Sou tão previsível assim?

- Temari gosta de pensar que você é decidido e incrivelmente inteligente, não que ela diga isso com essas palavras.

 - Claro que não... Eu preciso saber o que aconteceu no passado entre vocês.

- Eu prometi a Temari que não contaria nada sobre ela para ninguém, especialmente você. Não importa oque aconteceu, agora acabou e Temari é uma boa amiga.

- Não acabou. Ainda resta uma coisa a ser feita. – repeti as palavras de Temari para Neji. – Eu quero ajudar. Você não precisa trai-la. – Tenten mordeu o lábio. – O que aconteceu... Entre você e o irmão dela?

- Eu nunca conheci o Kankuro. – ela deu de ombros ante a minha reação. – Ele me atropelou na noite em que foi embora. Foi a Temari que me socorreu. – Gaara tinha falado sobre essa noite, ele disse que Temari não conseguiu impedir o irmão de ir embora. – Eu não sei por que ele estava fugindo, mas encontrou um fim pior que o do pai.

 - E Temari estava tentando evitar isso? – ela deu de ombros.

- A única coisa que vou lhe dizer é que tudo o que ela sempre fez foi pelos irmãos. – Aparentemente, isso é verdade, então... Sasori lhe disse algo ao pé do ouvido pouco antes dela atirar, será que isso envolvia o outro irmão dela?

- Você tem razão. – ela arqueou as sobrancelhas. Se era tudo sobre os irmãos dela, Gaara poderia ser a resposta.

Liguei para o número dele, contudo o mesmo não atendeu, então disquei o número de Ino. Ela me atendeu no terceiro toque.

- Oi Shikamaru. – Ela parecia animada e eu ouvi risadinhas. Ótimo, interrompi uma festinha de garotas, os dois não estavam juntos.

- Ino você sabe onde eu posso encontrar com o Gaara?

- Não, ele ia jantar com um provável sócio, mas não sei onde.

- Você sabe quem é esse sócio? – Se fosse Madara eu iria encontrá-lo imediatamente. Dois coelhos com um único golpe.

Precisava alerta-lo sobre toda a conspiração envolvendo Temari e todos os homens a sua volta. Eu tinha demorado tempo demais para fazê-lo. Para entender tudo.

- Aconteceu alguma coisa, Shikamaru? Você está me deixando assustada.

- Não foi nada. – Suspirei. – Eu só queria falar com ele sobre Temari. – falar a verdade era sempre o melhor caminho com ela.

- Ah! – ela pareceu desconcertada. – Bem, sinto muito. – Hesitou antes de continuar. – Não imaginei que acabaria assim. – ignorei o que ela quis dizer.

- Gaara?

- O nome do sócio é Deidara. – Perdi o ar por tempo suficiente para assustar Tenten. – No entanto, eu não lembro onde ele disse que iam se encontrar.

- Obrigado Ino. – ela se despediu e eu desliguei.

- O que houve? – Tenten perguntou.

Esse nome. Eu o tinha ouvido várias vezes aos sussurros nas brigas entre Temari e Sasori. Ele sempre a deixava nervosa. Será que estava tudo bem com Gaara?

– O Neji mora aqui? – questionei ciente de não tê-la respondido.

Ela assentiu. – Está de serviço hoje.

- Eu preciso falar com ele.

Tenten foi até uma cômoda do outro lado da sala e pegou um celular. Não demorou até que Neji atendesse.

- Eu estou bem... O Shikamaru está aqui. Ele quer falar com você. – Então me entregou o celular.

- Eu acho que Gaara está em perigo.

- Certo. E por quê? – a voz fria não escondeu o som de pneus.

- Não posso dizer por telefone. Apenas, Temari faria qualquer coisa por ele, não é?

- Eu estou indo.

- Me avise quando encontrá-lo e eu irei até vocês. – Neji desligou o celular e eu me virei para Tenten.

- Vai me contar o que está acontecendo? -Ela perguntou de novo.

- Acabei de ver Temari atirar em um Uchiha. – Pelo menos ela pareceu tão surpresa quanto eu fiquei. – Aliás, preciso falar com Madara Uchiha.

Nesse momento chegou uma mensagem do Neji com um endereço de restaurante. Ele era rápido.

Tenten sorriu ao receber o aparelho. – Ele gosta de ter todos nós sob seus olhos, tipo um radar.


Notas Finais


Alguém já matou a charada? ahahahaha

É gente, o Shikamaru bem que tentou, mas a Tema tá irrredutivel, será que ainda tem chances para eles dois?

E... Temari assassina? Será que o massagista era um Uchiha? Qual?

Deixem-me saber o que estão pensando!!


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