História Redemoinho - Capítulo 1


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Categorias TWICE
Personagens Chaeyoung, Momo
Tags Mochaeng, Oneshot
Visualizações 90
Palavras 1.870
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


É, a capa tá uma bosta. Ignorem.

Enjoy~

Capítulo 1 - Capítulo Único


 

 

 Começou três meses atrás, quando aquela família se mudou para a casa em frente à sua.

 

A filha única do casal japonês, dançarina, logo se aproximou da vizinha introvertida com sua animação constante e propensão ao contato físico. Não demorou muito até que se considerasse sua amiga, e Chaeyoung não ofereceu resistência.

 

Momo tinha olhos de café, puro, forte, e enfraqueciam a menor em um instante. E seus movimentos poderosos, meu Deus, a pequena não podia vê-la dançar sem quase desmaiar.

Chaeyoung queria negar – como queria – que a japonesa mexia tanto mais consigo quanto na semana anterior. Era o que dizia todo final de semana, mas seu coração nunca parecia obedecer.

Então seguia em sua tortura, segunda após segunda, de caminhar com a japonesa até o colégio, depois voltar ao seu lado, e possivelmente passar a tarde na casa dos Hirai – nunca soube rejeitar um convite de Momo.

E era aqui que ela estava agora, deitada na cama da japonesa, que se entretinha rabiscando algo em um sketchbook ao seu lado.

 

- Huh… Chaeng, termina para mim? - disse entregando o caderninho para a menor, que se sentou ao seu lado tentando desvendar o desenho.

- O que é isso? - perguntou, tentando não soar grosseira.

- Somos nós. Eu sou o guaxinim e você o tigre. E aqui tem nós de verdade. - completou, apontando animadamente para as duas figuras sorridentes abraçadas no canto da página.

 

Chaeyoung sorriu com os traços meio desajeitados e pegou o caderno em suas mãos, roubando a lapiseira dos dedos da outra e girando rapidamente, mania que tinha sempre que desenhava. Momo assistiu sua covinha aparecer na bochecha esquerda e sorriu orgulhosa, já que seu desenho tinha agradado a mais nova.

 

- E o que você quer que eu faça? - perguntou Chaeyoung se sentando corretamente ao seu lado.

- Desenha os olhos para mim, eu não sei direito. - disse com uma careta rápida. Sempre que tentava desenhar, os olhos acabavam saindo vesgos e de tamanhos diferentes, estragava tudo. Logo que terminou de falar Chaeyoung riu baixo, embora Momo soubesse que não estava caçoando dela.

- Okay, espera um pouco.

 

A coreana sentou com os joelhos dobrados e começou a traçar sobre a arte da mais velha, acrescentando os olhos e alguns detalhes extra no desenho. Momo não pode deixar de notar a forma como Chaeyoung mordia a ponta da língua quando estava concentrada, ou como juntava as sobrancelhas quando fazia os detalhes menores; de repente, percebeu novamente admirar a pequena, como fazia cada vez mais desde que a conheceu.

Mas Chaeyoung era tão linda – e inteligente, e divertida. Incrível. A japonesa não sabia evitar de fascinar-se sempre que a via assim tão perto. Logo seus olhos caíram sobre sua pequena pinta no canto da boca, pouco abaixo daqueles lábios cheínhos, fofos e avermelhados. Momo não sabia porque sempre encarava os lábios de Chaeyoung, ou porque seu coração acelerava tanto em fazê-lo…

 

- Pronto! - disse a pequena orgulhosa, expulsando Momo de seus próprios pensamentos e a fazendo suspirar.

- Obrigada. - forçou um sorriso e pegou o caderno de volta, admirando o trabalho das duas.

- De nada, unnie. - ouviu baixo e travou por um instante. Por que seu coração estava batendo tão rápido?

 

Alguns minutos se seguiram em silêncio, até Chaeyoung parar de brincar com a própria manga em nervosismo e se despedir dizendo que tinha marcado uma partida online com Jeongyeon para aquela tarde.

Quando a pequena fechou a porta, Momo soltou um longo suspiro, sem saber que estava segurando o ar até agora. Então se deitou, tentando entender o que deixava seu corpo tão acelerado e confuso quando Chaeyoung estava por perto, como se houvesse algo grande que estivesse escondendo de si mesma tentando se revelar.

Puxou um travesseiro e apertou contra o peito em busca de conforto, revelando um pequeno papel que se flutuou debilmente e se assentou no colchão. A garota se levantou e resgatou a pequena folha dobrada, revelando a letra adorável, e o traço de sua lapiseira atravessando a folha poeticamente.

 

 

“Eu acho que gosto de você, unnie. Me desculpe.”

 

 

Momo olhou para o papel confusa, assimilando a informação e sentindo suas veias correrem em adrenalina. Virou-se rapidamente para a porta fechada de seu quarto.

Chaeyoung…

 

 

 

Chaeyoung acordou no dia seguinte exausta. Dormir naquele noite tinha sido uma batalha enorme. Pensava se a japonesa estaria pensando nela agora, se a odiaria, se a afastaria ou se fingiria que nada aconteceu. E não importava qual opção fosse, seu coração doía só de pensar.

A garota se levantou da cama turbulenta, empurrando os cobertores com força e andava em círculos sobre o tapete, segurando os próprios cabelos tentando impedir tudo aquilo, ou enfrentar que havia cometido um erro. Um erro enorme.

Sua amizade com Momo era uma das melhores coisas de sua vida, e agora ela tinha estragado tudo. Ela estava errada, e Momo não tinha a menor obrigação de aceitá-la e seguir em frente ou fingir que aquilo não importava, continuar sua amiga. Momo não a menor obrigação de não lhe odiar.

A garota soltou um grunhido de frustração enquanto seguia até o banheiro pesadamente, se arrependendo do momento em que deixou o próprio mundo tão caótico, xingando mentalmente aquelas palavras, aquele papel, tudo. Mesmo que ainda faltasse meia hora para o horário em que normalmente levantaria, se arrumou para ir à escola como qualquer dia.

Acabou saindo de casa mais cedo, e agradeceu por isso ao sair e não encontrar a japonesa parada na sua calçada lhe esperando como sempre. Deu uma olhada na casa do outro lado da rua, silenciosa e pacífica, adormecida com os rios de céu branco flutuando atrás dela.

Então começou a subir a rua, com seus tênis ecoando em sons surdos contra o asfalto e a música lenta em seus fones.

 

- Chaeyoung! - ouviu um grito abafado e se virou, encontrando a morena correndo rua acima em sua direção, com um sorriso enorme.

 

Momo lhe alcançou e lançou um sorriso largo, como fazia todas as manhãs, antes de começar a andar, com a menor ao seu lado.

 

- Por que saiu tão cedo hoje? Podia ter me esperado. - questionou a japonesa quando viravam na esquina da pitangueira, se esticando para pegar uma dos galhos mais baixos e oferecer outra para a menor.

- Eu acordei mais cedo; acho que fui dormir cedo demais. - mentiu, aceitando a fruta vermelha e levando aos lábios um pouco confusa.

- Ah… Achei que ia ficar jogando até de madrugada, é mais a sua cara. - disse a maior e riu um pouco, enquanto Chaeyoung permanecia com a mesma expressão perdida, tentando entender o que exatamente estava acontecendo.

 

O caminho permaneceu silencioso a partir daí, apenas com os eventuais cantos de pássaros se comunicando ao alvorecer. A pequena metia as mãos nos bolsos e fechava os olhos com força. Odiava tudo aquilo, todo o caos agitando sua mente em uma manhã tão calma.

Momo não havia visto o bilhete? Talvez ela só tenha se jogado na cama à noite, sem arrumá-la, sem descobrir, dormindo sobre a confissão arrependida da pequena. Mas aquele silêncio era desconfortável demais, algo havia definitivamente mudado. Ela estava tentando ignorar?

Quando chegaram na escola, os portões ainda estavam fechados e poucos alunos esperavam sentados em alguns dos bancos à frente do colégio, rabiscando em seus cadernos ou se entretendo com joguinhos de celular. Momo esperou ao lado de Chaeyoung, encostadas contra o alto muro branco, e se despediu com um beijo na testa da menor, que apertou a manga do próprio uniforme com força.

As aulas se arrastaram em uma agonia torturante para a pequena Chaeyoung, que passou cada minuto rabiscando o canto da carteira em desenhos inteligíveis, até que o sinal do almoço tocasse e a figura da japonesa aparecer na porta de sua classe.

A feição de Momo era séria mas calma, um pouco ansiosa, conforme chamava Chaeyoung e a guiava pelas escadas de incêndio até o terraço abandonado da escola, onde se tinha a vista de praticamente todo o bairro suburbano. A casa das duas enfeitava o panorama ao fundo, paralelas e distanciadas, se encarando, como as duas garotas sobre o pedregulho negro.

 

O céu azul brilhava forte sobre Chaeyoung conforme ela pigarreava, esperando que as palavras saíssem certo.

 

- O que aconteceu? - perguntou, mesmo que a resposta estivesse óbvia nas ações nervosas da mais velha.

 

O bilhete foi puxado do bolso de trás subitamente, e Chaeyoung lutou contra o desejo de chorar. Permaneceram em silêncio, as duas, sem se encarar, uma recheada de arrependimento e medo, e a outra de ansiedade e - não podia mais negar - paixão.

Chaeyoung ergueu os olhos, e tentou encontrar os da mais velha, que permanecia com o pequeno papel estendido em um atestado do que criara aquela barreira entre elas.

O modo como Momo olhava para todos os lados, evitando seu rosto, doía tanto.

 

- Me desculpe. Eu não queria que fosse assim. - se expressou finalmente a pequena, tentando reprimir as lágrimas angustiadas de subirem garganta acima.

 

A esse momento, Chaeyoung só queria sumir. Queria que Momo entendesse que não era sua escolha, e que odiava muito tudo aquilo tanto quanto ela, odiava quem tinha que ser, mas não tinha escolha. Queria não ter que passar por coisas assim, como se cada amizade tivesse o perigo tóxico de ser envenenado pelo seu coração quebrado, que sempre amava as pessoas erradas.

Queria não ser ela, não ser ninguém. Queria sumir.

 

E Momo só queria que ela pudesse lê-la e entender tudo que se passava dentro de si. Explicar que ela não queria aceitar as desculpas - pedidas duas vezes – porque Chaeyoung não tinha pelo que se desculpar.

Olhando naquele rosto lindo tão inquieto, ela soube que tinha que mostrar à pequena que ela estava enganada, e que tudo o que sentia por ela, era amor. Chaeyoung precisava saber.

 

Os olhos de café queimavam intensos sobre si e ela assistiu Momo se aproximar lentamente enquanto o ar parava. A japonesa pôs as mãos sobre seu rosto e umedeceu os lábios um pouco hesitante, antes de fechar os olhos e beijá-la finalmente. Os lábios de Chaeyoung eram macios sobre os seus, e a pequena os entreabriu levemente, permitindo que o beijo se aprofundasse.

Momo estava dolorosamente nervosa e Chaeyoung, percebendo isso, se permitiu assumir o controle em uma mudança suave. Suas mãos seguiram até a nuca da mais velha conforme controlava o movimento de suas bocas.

 

Lentamente, as duas se afastaram e Momo suspirou audivelmente, fechando os olhos à sensação de seu coração batendo com força contra sua caixa toráxica. Ainda com os rostos próximos, pegou a mão da pequena gentilmente e pousou-a sobre o próprio peito, permitindo que Chaeyoung sentisse tudo que estava acontecendo ali dentro, e logo ouviu uma pequena risada melodiosa.

Momo sorriu largo e olhou novamente naqueles olhos profundamente castanhos, tentando entender como pôde não ver por tanto tempo. Puxou a mais nova suavemente pela cintura e a juntou em um meio abraço, sentindo o cheiro de chocolate que exalava de seus cabelos, com uma certeza sublime de que esse sentimento, esse que sentia agora, era perfeito.

E que sempre gostaria de sentí-lo.

 

 

 


Notas Finais


"Porque dizer que sempre te amaria é clichê - e ingênuo - demais."
- aquele garoto que eu conheço


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