História Redemption - Jikook version - Capítulo 5


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Adaptação, Bangtan Boys, Bts, Demônio, Horror, Jikook, Jimin, Jimin!bottom, Jimin!uke, Jungkook, Jungkook!devil, Jungkook!seme, Jungkook!top, Kookmin, Lemon, Satelity, Terror, Violencia
Visualizações 54
Palavras 4.441
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Ignorem os erros.

Capítulo 5 - IV


Fanfic / Fanfiction Redemption - Jikook version - Capítulo 5 - IV

 Ele parecia dez vezes maior agora do que olhando da janela do apartamento. Sua pintura vermelha e branca já era gasta, mas mesmo assim, a parte de fora estava em sua mais perfeita conservação.

– Oh meu Deus Jimin, eu vi alguém na janela do terceiro andar. – Olhei para o lado vendo Tae arregalar os olhos, enquanto eu revirava os meus. – Vamos embora daqui.

– O quê? Não, já chegamos até aqui, agora vamos entrar. – O peguei pelo braço e o arrastei para entrada do sanatório.

Passamos por grandes pilastras brancas e fomos até a enorme porta de madeira. Olhei uma última vez para Tae, que roía suas unhas de puro nervosismo. Respirei fundo e comecei a empurrar a porta, que para minha sorte, não estava trancada ou algo do gênero. Quando finalmente já tinha aberto ela o suficiente, olhei para dentro vendo só a escuridão.

– O que tem ai? – Tae perguntou, tentando olhar por cima dos meus ombros.

– Não dá para enxergar. – Olhei para ele. – Vamos ligar a lanterna do celular. – Retiramos nossos celulares dos bolsos e ligamos as lanternas. – Vem. - Sussurrei para ele, antes de entrar.

– Por que estamos sussurrando? - Sussurrou de volta.

– Eu não sei. – Sussurrei. – Quer dizer, eu não sei. – Disse, dessa vez usando meu tom de voz normal. Soltei a porta, a escutando fechar atrás de nós em um baque alto, nos fazendo gritar. – Era para você ter segurado a porta. – Encarei Tae que deu de ombros.

– Vamos acabar com isso logo. – Disse ao meu lado, antes de começar a caminhar e entramos no que eu julgava ser a recepção, passando rápido por ali, já que não tinha nada de interessante.

Nos deparamos com duas entradas, dei uma rápida iluminada vendo que uma das entradas era para algum tipo de sala de espera para familiares, e a outra entrada era para um enorme corredor.

– Por que eu sinto que você vai querer escolher essa entrada? – Tae resmunga derrotado, apontando para o corredor. Passei por ele indo por ali mesmo.

Caminhando pelo enorme corredor escuro, tentávamos iluminar tudo ao mesmo tempo. Mas a única coisa que víamos era a pintura descascada e as paredes que só faltavam cair em cima de nós de tão velhas e acabadas que estavam, também haviam muitas entradas, mas muitas mesmo, porém não tinham portas. Atravessamos o enorme corredor e viramos a esquerda nos deparando com uma escada.

– Vem. – Disse já subindo os degraus com pressa. 

– Park Jimin, não me deixe aqui sozinho. – Escutei Tae choramingando atrás de mim. Olhei por cima dos ombros o vendo subir as escadas desengonçadamente com uma careta de medo. Segurei uma gargalhada. – Isso não tem graça. – Disse assim que me alcançou. – Não sei porquê concordei com isso.

– Blá, blá, blá. – Revirei os olhos assim que chegamos no topo da escada.

– Jimin, estou falando sério.

– Jimin, estou falando sério. – Imitei sua voz, só que baixinho para ele não ouvir.

– Ei, eu ouvi isso. – Parou em minha frente cruzando os braços.

– Para de ser chato. – Revirei os olhos.

– Chato? – Deu uma risada sem humor. – Eu entrei na porcaria de um sanatório abandonado só porque você me pediu e você ainda diz que eu sou chato?

– Sim. – Disse encarando minhas unhas. 

– Quer saber, eu vou sair daqui. – Falou passando por mim, mas logo parou. – Que parte do sanatório é essa? – Olhei em volta vendo que estávamos em um corredor totalmente diferente. Acho que começamos a andar durante nossa 'pequena' discussão e nem percebemos.

– Não sei. – Dei os ombros, ainda irritado com ele.

–Foda-se, eu encontro a saída. – Disse irritado.

– Vá com Deus... ou melhor, com a assombração que mora aqui. – Se virou para mim e lançou seu dedo do meio. Eu fiz questão de mostrar os meus dois dedos do meio de volta.

– Fresco. – Falei irritado me virando para frente.

Respirei fundo e continuei meu caminho. Não posso deixar o medo bobo de Tae tirar o meu foco.

Preciso encontrar alguma coisa.

Passo por mais um corredor vazio. Nada.

Qualquer coisa...

Subo outra escadaria e caio em outro corredor, mas este é inteiramente composto de janelas, ou melhor, o que um dia foram janelas, mas que hoje são apenas grandes aberturas na parede de pintura descascada, e me encanto com a vista daqui de cima e penso que qualquer um que uma vez já esteve nesse lugar nos tempos que ele ainda funcionava, deveria ter esse corredor como uma de suas válvulas de escape. A vista é realmente linda. Por se localizar sobre uma colina, o sanatório é mais alto do que a maioria dos prédios da cidade, fazendo com que se possa ter a visão de toda a pequena cidade de Gyeonggi-do. E me pego procurando pelo meu prédio. Onde será que ele está? Talvez o encontrando, eu consiga saber exatamente o local onde as luzes acendem e apagam misteriosamente e talvez, esse seja um bom ponto de partida.

Me aproximo mais do parapeito da grande abertura, mas um barulho à minha direita capta minha atenção antes que pudesse localizar meu prédio. Aponto minha lanterna para a direção do barulho, mas não encontro nada. Estranho. A essas horas Tae deve estar longe. Então, o que poderia ser? A curiosidade domina meu ser, e mesmo que as vozes de Hyelim, Jungah, Hoseok e Tae, repitam avisos em minha cabeça, eu continuo.

Resmungo frustrado por mais uma vez cair em um corredor como qualquer outro que já passei. Resolvo voltar para o corredor das janelas, pois foi de lá que eu vim, mas usei o corredor da direita ou o da esquerda para chegar até aqui? Encaro a bifurcação à minha frente e opto pelo corredor da esquerda. Passo por vários cômodos vazios e salas de espera e começo ter a sensação de já ter passado por esse mesmo lugar mais de uma vez. Paro no meio do corredor e olho para os dois lados. Nada. Absolutamente nada. Nenhum som ou sinal de alguém. Quem me dera ter encontrado alguém. Assim poderia provar para Tae que quem acende as luzes é apenas algum morador de rua ou arruaceiro que usa o lugar para suas pichações e não alguma assombração maligna que se esconde nas sombras para puxar seu pé de noite.

Rio com a idéia e meu riso ecoa pelo corredor vazio, me fazendo repetir o som uma e outra vez. É divertido. Faço vários sons e, conforme vou passando pelos corredores, eles adquirem sons diferentes, como pessoas falando ao mesmo tempo. A intensidade da luz que sai da lanterna do meu celular, diminui, me obrigando a parar. Olho para tela e o símbolo de bateria fraca pisca. Droga, não tenho muito mais tempo aqui, tenho que achar a saída.

Começo a olhar em todas as direções procurando por uma saída, antes que a luz da lanterna se apague de vez. Tento lembrar do caminho que fiz até chegar aqui para poder refaze-lo. Me viro e tento refazer o caminho de volta indo em passos rápidos. O som do que pareciam varias vozes falando ao mesmo tempo iam aumentando.

– Mas que porra é essa? – Pergunto a mim mesmo.

"Gostaria de brincar?"

"Corra antes que ele te pegue."

"Ele está perdido."

Consigo identificar algumas frases em meio aquele enorme chiado de vozes. E para piorar minha situação a lanterna do meu celular apaga de vez, me fazendo parar em meio ao enorme corredor e me encontrar totalmente no escuro.

"Corra garoto estúpido, ele está vindo."

Escuto uma voz infantil e logo em seguida passos pesados. Meu coração começou a acelerar, olhei para frente tentando enxergar alguma saída, mas apenas a escuridão era minha única companhia. Os passos começaram a ganhar mais força e agora vinham correndo em minha direção. Sem pensar duas vezes eu saí correndo pelo corredor, mesmo que não enxergasse absolutamente nada.

Eu acredito, agora eu credito em Tae. Eu queria ter ido com ele e estar seguro em meu apertamento agora. Como eu me arrependo de ter colocado os pés nesse maldito lugar. Continuei correndo, já sentindo meus pulmões em brasas. Soltei um grito de pavor assim que os passos pareceram me alcançar.

Silêncio. Novamente o corredor fica em silêncio, mas isso não me impedia de continuar a correr em uma direção qualquer em busca de uma saída. Acabei entrando em uma das inúmeras portas, dando de cara com uma sala com duas entradas. Uma pela qual eu passei e a outra do outro lado.

Um brilho estranho a baixo de mim me chamou a atenção. Abaixei meu olhar vendo a lanterna do meu celular ligada. Franzi o cenho e verifiquei ele, vendo que agora a bateria estava totalmente carregada. Mas o quê? Como isso aconteceu?

Enquanto eu prestava atenção no celular, senti uma forte corrente de vento passar por mim, ergui meu olhar apontando a lanterna para frente e não encontrando nada a não ser por uma parede gasta e uma velha televisão sobre algum suporte velho de madeira. Dei uma clareada no comodo, encontrando uma enferrujada cama de molas com uma camisa de forças sobre ela. Com certeza algum quarto de paciente.

Novamente senti uma forte corrente de vento, só que agora atrás de mim, me virei abruptamente não vendo nada. Suspirei cansado.

– Relaxa Jimin, deve ser só alguma corrente de ar que entrou. – Disse para mim mesmo, afim de me acalmar.

O que durou poucos segundos, já que o barulho de alguém respirando pesadamente era ouvido e com ele um ar quente que me acertava na nuca. Meu corpo inteiro se arrepiou, fazendo-me fechar os olhos e as mãos de maneira forte.

– Não é real, não é real. – Comecei a dizer como se fosse algum tipo de mantra, na falha tentativa de afastar o que quer que seja. A respiração ficou mais alta.

"Jimin."

"É real, Chim."

"Jimin, fuja."

"Ele vai te pegar."

Oh meu Deus, é real. De maneira lenta fui virando meu corpo, ainda com os olhos fechados. Um por um fui abrindo eles, não encontrando nada. Soltei um suspiro aliviado. É a minha imaginação, só pode ser ela, minha mente deve estar me pregando essas peças, ou talvez seja algum arruaceiro tentando pregar uma peça em mim. Não tem outra explicação.

Deixei que meu corpo relaxasse por um instante. É melhor eu sair daqui logo. Fui virar meu corpo para a outra direção afim de ir por outro caminho e ver se achava a saída. Mas o que eu vi fez meu corpo inteiro paralisar.

Parado à centímetros de mim, estava um homem. Ele era alto, muito mais alto do que eu. Seus cabelos eram pretos e lisos, mas o que me fez arrepiar e pela primeira vez na vida sentir medo, o maior medo que qualquer dia eu já imaginei sentir, era o seu rosto. Seus olhos eram duas órbitas negras, e embaixo deles, olheiras extremamente vermelhas estavam, assim como inúmeras veias pretas saltando em baixo dos olhos. 

Meu corpo inteiro entrou em estado de choque, eu não conseguia me mexer. O medo tomava conta de cada célula do meu corpo, minha respiração se tornou algo irregular. Eu nunca havia sentindo tanto medo de alguma coisa igual eu estava sentindo desse homem parado a minha frente. O medo era tanto que meu corpo começou a tremer e lágrimas começaram a se formar em meus olhos.

Então era isso? Eu literalmente iria morrer de medo? Ou simplesmente iria ficar aqui parado vendo essa coisa que eu ainda não sabia o que era, me matar? Um sorriso surgiu em seu rosto demoníaco, mas não era um sorriso gentil igual ao que Hoseok costumava me dar, mas sim um sorriso doentio e maligno, seus dentes da frente eram um pouco avantajados e eu até acharia fofo se fosse em outra pessoa. Um grito de pavor rasgou minha garganta e em poucos segundos já me encontrava correndo novamente. A droga da lanterna desligou mais uma vez e só o barulho de seus passos correndo atrás de mim eram nítidos.

A essa altura as lágrimas já rolavam por todo meu rosto. Eu não quero morrer, não posso morrer, não aqui e não por aquilo lá atrás. Olhei algumas vezes para trás vendo se ele vinha atrás de mim, mas eu não conseguia enxergar nada além do escuro. Avisto a escada que subi e desço ela correndo, quase caindo no final por não conseguir ver nada, seus passos foram ouvidos agora na escada. Meu corpo tremia muito e eu sentia que poderia desmaiar a qualquer minuto.

Sem parar de correr olhei para trás a procura dele, mas outra vez nada. A única coisa que consegui foi sentir meu corpo se chocando contra alguma coisa que me levou para o chão no mesmo instante. Levei minha mão até a parte de trás da minha cabeça, que havia batido contra o chão na queda. Rapidamente me sentei, já pronto para correr de novo caso fosse necessário. Mas para minha surpresa...

– Tae? – Perguntei um pouco alto assim que vi seu corpo se levantar também. Sem pensar muito ele veio até mim e me deu um forte abraço. Senti suas lágrimas molharem minha blusa. – Você não tinha ido embora? – Perguntei assim que nosso abraço terminou, ele limpou algumas lágrimas antes de começar a falar.

– E-Eu t-tentei.. – Fez uma pausa e respirou fundo antes de continuar. – Eu tentei, mas não achava a saída. Então vozes... – Fechou os olhos e levou as mãos até a cabeça. – Muitas vozes, elas sussurravam algumas frases e também haviam passos. – Começou a chorar outra vez, fazendo com que meus olhos voltassem a marejar.

– Me desculpe, agora eu acredito em você. – Fui ao seu encontro, o abraçando de novo. – Mas nós vamos sair daqui, ok? – Tentei dar o meu melhor sorriso, vendo ele assentir. Eu realmente espero estar certo.

Encarei nossos celulares caídos no chão com as lanternas para cima e depois olhei em volta e o que encontrei me fez duvidar de tudo o que acreditei até hoje. Dezenas de pares de olhos negros formavam um círculo ao nosso redor enquanto nos encaravam na escuridão. Não haviam rostos, ou simplesmente não se dava para ver, mas já era suficiente para fazer com que eu entrasse em pânico.

Não, isso não pode ser real. Eu devo ter batido minha cabeça no chão com muita força e agora estou delirando. Não, não pode ser.

Repetia mentalmente para mim mesmo na intenção de me acalmar e fazer com que tudo em minha volta sumisse e eu acordasse em meu apartamento seguro em baixo dos cobertores, mas quando ouvi o grito estridente de Tae, sabia que isso era real e não importa quantas vezes eu tentasse me convencer do contrário, estava realmente acontecendo e eu não podia fazer nada para reverter a situação a não ser correr o mais rápido que minhas pernas conseguissem alcançar e o mais longe que meus pulmões suportassem. E foi exatamente o que eu fiz.

Agarrei o braço de Tae e o puxei comigo com a maior força que eu poderia encontrar. Nos levantei em um ápice e foquei em um só ponto onde poderíamos sair e corri. Esperei o baque devido ao encontro do nossos corpos com as criaturas que nos cercavam, mas esse impacto nunca veio, apenas uma brisa gelada atravessou meu corpo como uma faca rasgando todo o meu interior de fora para dentro. Suas vozes aterrorizantes não paravam de repetir várias frases de uma vez só, fazendo com que fosse impossível pensar claramente no que eu estava fazendo, restando apenas que o instinto me guiasse para fora dali o mais rápido possível.

Saí de dentro daquele lugar e me vi no topo da escadaria principal, desci correndo pulando os degraus de dois em dois e quando olhei para trás, sombras negras se misturavam com a escuridão da noite logo atrás de nós, podendo apenas ser vistas devido à luz da lua. Tae engasga com seu choro ao meu lado e sinto que minha missão no momento é levá-lo são e salvo para casa, a qualquer custo, então corro sem olhar para trás. Passamos pelo pátio central até chegar a um ponto que não tinha mais saída a não ser o túnel que avistamos quando chegamos aqui e mesmo sem saber onde ele daria ou até mesmo se ele tinha um fim, acreditei que ele era a nossa única e última chance de sobrevivência e puxei Tae até sua entrada. Ele recua meu toque quando eu entro na total escuridão do túnel fechado e mal cheiroso.

– Taehyung, rápido! – Faço gestos para que me siga, mas ele parece estar em algum estado de pânico, não saindo do lugar não importando quantas vezes eu o chamasse pelo nome e nesse momento eu vi que não teríamos mais chances. Minha vida acabaria aqui. Nesse lugar. Eu veria meu meu amigo ser morto de algum jeito cruel e doloroso bem na minha frente por criaturas que nem sei ao certo o que são. E o próximo seria eu e tudo acabaria. Perguntas ficariam sem respostas e nós nos tornaríamos mais uma prova de que esse lugar é perigoso. Contariam nossa história para cada pessoa que ousasse perguntar sobre Gonjiam e seríamos as pessoas que estavam no lugar errado na hora errada. Mas algo dentro de mim não queria desistir tão fácil. Algo dentro dentro de mim dizia que eu precisava tentar, ainda tínhamos uma chance, afinal, tínhamos um túnel bem a nossa frente, só precisávamos entrar para descobrir para onde ele nos levaria.

– Taehyung, pelo amor de deus, vem. – Gritei para ver se conseguia tirar ele do seu estado de pânico, mas nada aconteceu, ele continuou parado no mesmo lugar.

Olhei por cima dos seus ombros vendo o homem se aproximar de nós, ainda mantendo aquele sorriso doentio. Meus olhos voltaram a lacrimejar, eu já conseguia sentir a dolorosa morte que teríamos. Pensa Jimin, pensa. Foi aí que uma idéia me veio em mente. Sei que não seria o ideal, mas na situação que nos encontramos, não teríamos muitas escolhas. Voltei em passos rápidos até Tae, o agarrando pelos braços e virando seu corpo na mesma direção que aquela coisa demoníaca.

– Olhe bem. – Falei a segurando pelos ombros. – Está vendo ele? – Perguntei, inclinando minha cabeça só para ver seus olhos arregalados piscando de forma frenética. De uma maneira fraca Tae assentiu. – Ele está nos acalçando. E quando isso acontecer... – Respirei fundo. – Ele vai nos matar. – Senti o corpo de Tae tremer em minhas mãos.

Ele estava a poucos passos de nós e eu torcia com todas as minhas forças para que essa ideia tivesse funcionado. Para minha sorte, quando essa coisa esticou os braços para tentar agarrar Tae, seu corpo pareceu finalmente sair do encantamento do pânico, e sem pensar muito, agarrei sua mão e arrastei ele para dentro do túnel que conseguia ser mais escuro que o sanatório. Se antes eu mal conseguia enxergar, agora era que eu não enxergava nada mesmo. E para piorar a nossa má sorte, aquelas malditas vozes voltaram, trazendo junto com elas os vários pares de olhos negros. O mal cheiro aqui dentro era insuportável.

– Jimin, alguém pegou na minha perna. – Tae berra desesperado ao meu lado. Minha primeira reação foi olhar para o lado, mas como estava muito escuro eu não conseguia enxergar ele. Apenas sentia o aperto da sua mão contra a minha.

– Calma... CALMA. – Gritei assim que senti alguém tentar me puxar pelo braço. – Nós vamos sair daqui.

Apertei mais sua mão, e juntando todas as minhas forças acelerei os passos, puxando Tae que acabou tropeçando e me levando junto com ele para o chão. Senti uma grande ardência em meus joelhos e em um dos cotovelos. Passei a mão pelos locais, percebendo que minha calça e minha blusa haviam rasgado. Vários barulhos foram ouvidos. Passos correndo, risadas diabólicas e alguns tipos de rosnados e sons estranhos.

"Vejam só, são dois garotos estúpidos."

Mais risadas demoníacas.

"Ele está bem atrás de vocês."

Quando identifiquei essa frase, agarrei novamente a mão de Tae. Meus olhos estavam arregalados e agora mais do nunca meu coração parecia que iria rasgar meu peito.

"Fujam." 

Uma fina voz sussurrou, dando uma pequena risada no final. Olhei para frente já conseguindo avistar uma pequena ponta de luz. O fim do túnel. Literalmente, havia uma luz no fim do túnel. Virei minha cabeça para Tae, agora conseguindo o enxergar, mesmo que minimamente. Lancei um olhar para ele que logo entendeu. Escutei os passos ficarem mais lentos e se aproximando de nós.

– No três. – Sussurrei para ele que assentiu de uma maneira quase inexistente. – Um. – Outro passo. – Dois. – Mais outro passo. – Três. – Parou atrás de nós.

Como dois furacões nós dois levantamos com uma rapidez sobrenatural e voltamos a correr. Senti um dos meus joelhos fraquejarem devido ao machucado, mas aguentei firme e continuei a correr. Outro rosnado alto foi ouvido. Já estávamos perto do fim. Eu até já conseguia me enxergar longe daqui e ao pensar nisso foi impossível não sorrir e chorar ao mesmo tempo, mais lágrimas de alegria e alívio. O túnel ficou silencioso e apenas os meus passos e os de Tae eram ouvidos, mas não paramos de correr. Eu é que não olharia para trás para ver o que havia acontecido.

Um barulho de algo escorrendo foi soando aos poucos. Parecia alguma coisa como água. E confirmei isso assim que escutei o barulho dos nossos pés contra algo molhado. Estava escorrendo água pela rampa do túnel. Mais alguns passos e eu estaria fora daqui. Soltei a mão de Tae e lançando um sorriso para ele que retribuiu, mas isso durou pouco, porque assim que ele saiu do túnel eu acabei escorrendo na água e caindo no chão de novo. Gemi de dor.

– Você se machucou? – Tae perguntou, voltando. – Está sangrando.

Quando ela disse isso, olhei para meu corpo, me vendo encharcada de sangue. Mais era muito sangue, então não poderia ser meu. Inclinei minha cabeça para trás vendo que não era água que escorria pelo túnel, era sangue.

– Oh merda, esse sangue não é meu Tae. – Ele que estava prestes a me estender uma mão parou seus movimentos e arregalou os olhos.

– A gente tem que sair daqui agora. – Ele disse.

Me coloquei de joelhos pronto para levantar, mas senti alguém agarrar meu tornozelo, me fazendo cair de cara no chão, literalmente. Senti uma leve tontura me atingir. Olhei por cima dos ombros vendo a criatura com as mãos em volta do meu tornozelo, me dando outro sorriso. As veias pretas que estavam em baixo dos seus olhos pareciam que iam estourar a qualquer momento. Para o meu desespero ele começou a me puxar para dentro do túnel.

– TAEHYUNG! – Gritei desesperado, vendo que uma barreira de criaturas demoníacas se formar na entrada do túnel, impedindo Tae de me ajudar.

Eu não conseguia parar de chorar, eu iria mesmo morrer. Comecei a me debater e a tentar agarrar qualquer coisa, mas eram todas tentativas falhas, ele era muito forte. A única coisa que eu sentia era minha pele sendo arrastada pelo chão, fazendo com que minhas roupas rasgassem e minha pele queimasse. Em uma atitude desesperada chutei a criatura, que para minha surpresa, meu pé não atravessou ele e sim o acertou em cheio, fazendo ele me soltar por um instante. Aproveitei seu descuido e voltei a correr pelo túnel sentindo meu corpo pegar fogo de dentro para fora. Estava quase alcançando a saída de novo, ainda vendo aquelas criaturas. Levei meus braços até meu rosto na intenção de proteger ele, e fui contra a barreira de criaturas, sentindo novamente aquela estranha brisa e a sensação de uma faca me rasgando de dentro para fora. Quando abri os olhos vi que já tinha saído do túnel, procurei Tae com os olhos, o vendo parado a poucos passos de mim, me olhando totalmente assustado.

– Você esta bem? – Correu até mim.

– S-Sim. – Minha voz saiu tremida. – Vamos embora de uma vez. – O puxei.

Agora começamos a correr entre as árvores. Dei uma última olhada para trás. Vendo ele parado no final do túnel com aquele arrepiante sorriso e coberto de sangue. Enquanto as outras criaturas estavam atras dele nos dando acenos. Senti meu corpo se arrepiar e continuei correndo com Tae. Finalmente saímos da floresta e para nossa sorte não havia mais ninguém nas ruas a essa hora. Melhor, porque senão com certeza questionariam nosso estado caótico agora.

Quando eu estava sentindo que ia desmaiar, consegui enxergar no nosso edifício, finalmente. Corremos para o portão, agarrando as grades e chamando freneticamente por Chang, que logo apareceu e saiu do seu posto vindo desesperado em nossa direção.

– Mas o que aconteceu com vocês? – Perguntou com os olhos arregalados.

– Nada, só nos deixe entrar por favor. – Tae falou rapidamente. Chang se apressou e logo abriu o portão.

– Não parece que nada aconteceu com vocês. – Disse preocupado.

Apressamos nossos passos indo até a grande porta de vidro, tendo Chang atrás de nós fazendo várias perguntas. No elevador foi uma tremenda bagunça; Ele tentando saber o que aconteceu e nós duas tentando explicar. O elevador logo se abriu e nossa pequena 'discussão' ainda rolava. Acho que estávamos falando muito alto, já que duas portas foram abertas, revelando Hyelim e Jungah vestidas com robbies de dormir. Em segundos seus olhares ficaram iguais ao de Chang.

– Meu Deus, o que aconteceu com vocês dois? –  perguntou. Elas vieram desesperadas em nossa direção, nos examinando meticulosamente.

Troquei um olhar assustado com Tae e olhei para as duas senhoras a nossa frente.

– Obrigada Chang, pode voltar para seu trabalho nós cuidamos deles. – Jungah disse, dando um pequeno sorriso para o porteiro, que mesmo relutante assentiu. – Venham. – Falou, nos levando em direção ao nosso apartamento.

       ***

Algum tempo depois, tomamos banhos, também fizemos alguns curativos, eu mais do que Tae. Hyelim e Jungah fizeram algum tipo de chá para nos acalmar e acabamos contando tudo para elas. Esperamos alguns sermões, mas tudo que ouvimos foram suspiros cansados e palavras de conforto. Jungah levou Tae ao seu quarto e Hyelim me levou ao meu. Eu realmente me sentia uma criança assustada, deitado com a cabeça em seu colo, enquanto ela dizia palavras de conforto e fazia um leve afago em meus cabelos. Eu não queria dormir. Não queria, porque eu sabia que assim que eu fechasse os olhos eu iria sonhar com aquelas criaturas e com ele. Mas Hyelim foi paciente e ficou comigo até que eu finalmente me rendesse ao sono, deixando que mais uma vez a escuridão me engolisse.

      ***

Enquanto eles dormem...

Jungah estava na sala esperando que Hyelim saísse do quarto de Jimin, o que não demorou muito. Logo a outra senhora se juntava a ela no sofá.

– Nós não podemos deixar que isso aconteça novamente. – Jungah disse, encarando a outra senhora de uma maneira séria. – Nós quase os perdemos hoje, Hyelim.

– Eu sei, eu sei. – A outra senhora soltou um longo suspiro. – Não deixaremos que isso se repita. Afinal é para isso que estamos aqui. É nossa missão proteger esses meninos.

Logo as duas senhoras deixaram o apartamento dos dois garotos e foram cada uma para os seus respectivos.


Notas Finais




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