História Redemption - Capítulo 52


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Relacionamento, Romance, Sexo, Sobrevivencia, Violencia
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Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishounen, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Hentai, Lemon, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Survival, Violência
Avisos: Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 52 - Com as Próprias Mãos


Fanfic / Fanfiction Redemption - Capítulo 52 - Com as Próprias Mãos

Quando Annabelle acordou Blessing não estava na cama. Ela se levantou rapidamente e vestiu o roupão. A porta do banheiro estava aberta e o espelho ainda estava embaçado, demonstrando que ele já havia tomado banho.

Ela desceu as escadas e o viu na cozinha, em frete ao fogão, concentrado. Ele estava de calça jeans, com o botão aberto, sensual, sem camisa e os cabelos molhados jogados nas costas. Fazia panquecas e já havia bacon frito em um prato, além de ovos mexidos, o típico café da manhã americano. O café já estava pronto e tudo parecia delicioso.

Ela tossiu e ele virou-se e sorriu para ela. Um sorriso doce e meigo. – Bom dia!

- Bom dia, meu amor! – ela respondeu sorrindo. – Vou tomar um banho rápido e desço para tomarmos café – ela disse e ele assentiu, informando que já estava quase tudo pronto.

Ela tomou seu banho e vestiu seu uniforme. No bolso da jaqueta estava a pistola de Blessing, que ela queria devolver mas, mas não sabia se ele aceitaria ou se aquilo desencadearia uma nova discussão.

Desceu e ele terminava de arrumar a mesa, com suco, café, frutas e o que ele havia feito no fogão. Se sentaram e comeram tranquilamente. Como se nunca tivessem se desentendido tanto nos últimos dois dias.

Quando terminaram ele levou a louça para a cozinha e a lavou. Guardou o restante das coisas e voltou – Vou terminar de me arrumar – disse e subiu.

Ele desceu de camisa de malha branca, de manga curtas, as pulseiras de couro nos pulsos, que sempre usava quando estava se mangas e entrançando os cabelos, já secos.

Ela continuava sentada e sobre a mesa estava a arma. Ele olhou para a arma e para ela em seguida. – Preciso que a guarde consigo. Se há homens de Teobaldo na cidade, você tem de se proteger. – Ela disse, finalmente.

Ele a encarou sério – Eu não entendo. Em um dia você briga porque eu ataco uma pessoa, no outro me chama de assassino e agora quer que eu continue armado para me defender. Quer que eu mate um deles?

- Se for necessário, em legitima defesa, faça. – Ela disse.

- Eu devolvi sua arma para que visse que eu não a usei contra aquele homem. Eu não a quero. Também não quero mais brigar por isso. Estamos bem. Vamos continuar assim. – disse, afastando-se para a sala, onde havia abandonado sua mochila.

- Bless, é sério. Se aquele homem estava na estrada, quer dizer que há outros por perto. Estou preocupada com você.

- Não se preocupe. – Ele disse apenas. – Agora vamos, não quero me atrasar. – Esticou a mão para ela, que a tomou e os dois saíram, deixando a pequena pistola sobre a mesa.

***

Annabelle trabalhou muito a manhã inteira e na hora do almoço foi para a periferia em uma incursão que rendeu um flagrante de tráfico de entorpecentes.

Já era por volta de 18h quando seu telefone tocou e era Blessing. – Oi, amor! – ela falou sorrindo.

- Eu preciso de você. – a voz estava arrastada e fraca.

- O que aconteceu, Bless. Onde você está? – ela preocupou-se.

- Ele atirou em mim. Mas eu...eu estou bem. Preciso que venha me buscar. Estou no depósito da oficina.

- Eu vou chamar uma ambulância.

- Não. Não...chame ambulância. Venha sozinha...sozinha, por favor. – disse e desligou.

Ela não sabia o que estava acontecendo. Eles podiam ter pego Blessing e o forçado a chamá-la para acabar com ela, ou ele simplesmente queria só ela lá. Ela resolveu atendê-lo, arrumou suas armas e saiu voando da delegacia, que não ficava muito longe do depósito, onde ficava guardadas as peças de reposição usadas na oficina.

Quando chegou ao local não havia movimento. Era um galpão grande, cheio de prateleiras enormes com materiais. Ela andou por entre elas e chamou por Blessing. No fundo ouviu um barulho e viu sangue escorrendo no chão. Com a mão sobre sua arma, aproximou-se, encostada nas prateleiras, até vê-lo no chão, com a mão na lateral do corpo. A camisa branca estava encharcada de sangue.

Ela correu e se abaixou ao seu lado. – Você está bem? – ela tocou seu rosto suado e ele a encarou com olhos suplicantes e tensos.

- Sim....eu...estou bem.

- Por que não deixou eu chamar uma ambulância? Seu ferimento é grave, já perdeu muito sangue. – disse observando a mão ensanguentada.

- Por isso – ele disse, olhando para o lado e quando ela se virou, haviam três homens jogados no chão, uma certa distância um do outro. Eram grandes, fortes e estavam desfalecidos.

- Eu deveria ter trazido a polícia – ela sorriu – Tenho de conduzi-los.

- Eles...eu acho...Eu...Eles estão mortos – ele disse e baixou o rosto.

Ela arregalou os olhos e olhou novamente os homens. Levantou e foi em cada um verificando a pulsação e não encontrando. – Meu Deus, Bless...Você...?

Ele assentiu com a cabeça. – Eles... eles não queriam me levar, Belle. Vieram...me matar. O homem que vinha me...buscar... foi morto na estrada. O usaram só para saber onde eu estava. Eu não tive escolha.

- Eu sei, meu amor. Mas...como vamos explicar todos mortos? Eu tenho de dar um jeito nisso. - Disse puxando o celular do bolso e ligando para Drake e Connor.

Em poucos minutos os dois estavam no local. Ela e eles conversaram rápido, enquanto Blessing permanecia no chão, sangrando. – Eu tenho de levá-lo ao hospital. Vocês resolvem tudo?

- Pode deixar. Resolvemos aqui – Drake disse e Connor apenas assentiu, ajudando-a a levantar Blessing e o levando até o carro.

– O que vai dizer sobre isso? – ele perguntou, olhando o homem ferido.

- Vou pensar quando chegar no hospital. –disse, pegando a direção.

No hospital Annabelle disse que ele havia sido atacado por uma gangue, o que era verdade, durante um assalto, o que era mentira. Blessing foi para a mesa de cirurgia e só saiu quase quatro horas mãos tarde, sem maiores danos, além de perder um pequeno pedaço do fígado. O médico disse que ele deveria ficar no hospital até o fim da semana.

Ele estava pálido, dormindo naquela cama hospitalar, cheio de fios presos em seus braços, quando ela entrou no quarto para vê-lo. Ela o observou. Ele tinha hematomas no rosto, algumas partes do corpo e os nós dos dedos machucados. Ele não merecia ser machucado, ela pensou.

Ela se sentou na cadeira ao lado da cama e ficou lá, pensando. Não havia marcas de ferimentos em nenhum dos três homens, além de hematomas de pancadas e marcas em suas gargantas e ela sabia que Blessing havia estrangulado cada um deles com suas mãos.

Ele não precisava de armas, quando as tinha bem ali consigo. Ela não sabia o que dizer. Era a delegada da cidade e acabara de pedir aos seus amigos que se livrassem dos corpos dos homens que seu marido havia matado.  

Mandou uma mensagem a Connor, que respondeu dizendo que já estava tudo quase finalizado e que ela não se preocupasse. O que ele estaria pensando dela?

O médico entrou no quarto e ficaram conversando algum tempo. Annabelle aproveitou para discutir com ele as questões físicas de Blessing, sobre as possíveis dores psicológicas que ele sentia. Ele achou melhor pedir exames mais aprofundados, aproveitando que ele estava desacordado, para depois chegarem a alguma conclusão.

Logo, Blessing foi submetido a ressonância magnética, densitometria óssea e tomografia computadorizada, entre outros exames. 

Algumas horas mais tarde, o médico chamou Annabelle em sua sala e mostrou os resultados dos exames. Seu marido tinha dezenas de lesões antigas, calcificadas, em várias partes do corpo. Ferimentos mal curados desde a infância, conforme os tipos de calcificações verificadas. Ele apontava – Essa aqui, ele deveria ter uns 8 ou 9 anos. Já essa, uns 12. Nesse caso aqui, a idade deveria ser 16.

Ela estava chocada com as marcas nos ossos – São lesões antigas que foram se curando sozinhas, sem tratamento adequado. Pode ver aqui que ele já sofreu muitos danos nas costelas. Olhe essas marcas. Cada marquinha dessa podemos dizer que foi uma lesão. Estão todas calcificadas e não devem mais doer, mas na época devem ter doído muito, porque a cura para costelas quebradas é repouso.

O médico disse a ela que se lembrava da época que Blessing foi resgatado e levado para o hospital. – Ele não deixava ninguém chegar perto. Parecia um bichinho do mato. Olhava assustado e não falava com ninguém. Tentamos fazer exames nele, mas não quis. Como seu estado geral parecia bem, o liberamos e pedimos à família que observasse. Mas ele só voltou ao hospital novamente quando foi baleado no pescoço.

- Ele nunca foi examinado?

- Não. Na ocasião do tiro no pescoço ele também estava sob uso de muitas drogas e medicamentos, lembra? E nos concentramos na desintoxicação. Ele sofreu com abstinência e nos fixamos nisso. Não se costuma investigar o que não é solicitado, nem questionado.

- Há algo que ainda possa lhe causar desconforto?

- Ele tem um deslocamento no ombro, que ainda permanece. Ele usa o membro normalmente, mas deve sentir dor em determinados movimentos. Podemos sanar esse problema com a recolocação do ombro em seu lugar correto. A mesma situação com o osso da bacia. Não haverá cortes e só encaixe e nosso especialista em ortopedia poderá fazê-lo na sala de cirurgia. Ele também tem lacerações profundas na região retal, que podemos corrigir com cauterização. Deve ficar desconfortável por uma semana, mas depois não sentirá mais dores, como tenho certeza que sente há muito tempo. Se você autorizar, o encaminharei para os procedimentos agora. Das dores psicológicas não podemos livrá-lo, mas das físicas, ele estará livre em breve. 

Ela autorizou e voltou para o quarto, onde ele ainda dormia, sob efeito de medicações. Cerca de meia hora depois ele foi levado para a sala de cirurgia.

Sozinha no quarto, ela ligou para Henry e contou tudo o que aconteceu, inclusive as brigas e as últimas conversas. Contou o que havia pedido ao médico, o que fora descoberto com os exames e que ele estava sendo submetido a procedimentos para se sentir melhor. O terapeuta disse que ela não deveria se preocupar achando que estava errada em tomar a iniciativa sobre os procedimentos, porque estava certa em ajuda-lo quando ele recusava buscar ajuda. – Mesmo que ele reclame, que fique zangado, não se preocupe. Ele vai agradecê-la depois. Amanhã eu irei aí visita-lo.

Já era tarde da noite quando Blessing foi trazido de volta para o quarto, sedado. Drake e Connor estavam lá com Annabelle. Eles disseram que estava tudo sob controle, mas não deram maiores detalhes do que fizeram com os corpos e o carro dos homens.

Drake disse que somente avisaria a Sunny sobre Blessing no dia seguinte, senão ela o enlouqueceria. Ele beijou a testa de Annabelle e se despediu. Ela olhou para Connor e ele sorriu – Você está envergonhada?

- Muito! Meti você numa situação absurda. Me perdoe, Connor, eu não sabia a quem recorrer. Não podia deixar Blessing ter de se explicar por aquilo.

- Tudo bem, Annabelle. Não tem porque se envergonhar ou preocupar. Não pense que em meus 30 anos à frente da lei eu sempre fui lícito. Tive meus problemas para resolver também.  Eu entendo que você não queira que ele tenha de esclarecer-se com a lei. Ele já passou por coisas demais.

 

- Ele sofreu muito nas mãos dessas pessoas. Pode parecer absurdo dizer que o homem que matou aqueles três homens desarmado é frágil, mas ele é.

- Eu sei. Ele é só um menino que viveu subjugado. Eu vi, Annabelle, naquela noite, ele submeter-se a você. Ali, na minha frente. Ele é seu. Você é a nova dona dele e nem percebeu. – Connor deu um sorriso compreensivo e despediu-se dela, saindo do quarto e a deixando sem palavras diante do que ele havia falado.



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