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História REDENÇÃO - Jeon Jungkook - Capítulo 1


Escrita por: Gustavo_bad-

Notas do Autor


"Quando o diabo andar pela Terra e encontrar seu primeiro amor, o mal será liberado."

""Aquele beijo venenoso espantou toda minha solidão.

Eu o abracei como se estivesse agarrando-me a vida, mas na verdade, eu estava implorando pela morte, sepultando-me, pintando minha alma cheia de cicatrizes, entendendo que estava apenas vivo para isso.

Meu sangue, meu suor, minhas lágrimas, leve tudo."

BOA LEITURA!

Capítulo 1 - I - Persuasão


Fanfic / Fanfiction REDENÇÃO - Jeon Jungkook - Capítulo 1 - I - Persuasão

(PARK JIMIN)

ERA O VERÃO DE 2005, e a Coréia do Sul estava em festa com o eclipse solar que aconteceria nos próximos trinta minutos. Enquanto a ponte de Seul estava repleta de moradores e funcionários dos prédios de Walle, assim como o parque ocidental também retratava sorridentes famílias — aparentemente — felizes, me escorei o mais próximo que poderia da ponte. Quase ninguém me via ali, e quem via não dava a mínima.

         Me escondia em um blusão de frio verde musgo, e nem mesmo meus fios de cabelo escapavam daquele capuz.

       Observei o mar em minha frente, eu não sabia nadar, meu coração acelerava e a adrenalina me fazia fechar e abrir as mãos ao suar de nervosismo. Assim que os raios solares começaram a desaparecer na água, pulei a cerca de proteção e me segurei nos cordões de viga.

         As vozes, os gritos de emoção, até mesmo um homem inglês... Tudo isso começou a não combinar com minha situação, olhar o mar e minha ousadia estava começando a me deixar nauseado, toda vez que movia a cabeça as coisas giravam ao meu redor.

        Fechei os olhos e a luz natural se apagou, espiei o céu e aquilo era vermelho e obscuro, como podiam achar bonito algo tão macabro? Parecia o "céu do inferno", se lá tivesse um, com toda certeza seria daquele jeito.

          É, mas o que estou dizendo?

          Dane-se todos esses detalhes, eu estava ali com outro objetivo, estava abaixo de todas aquelas pessoas, sob a ponte gigantesca.

          Quando estamos diante da nossa morte, o tempo tem uma maneira divertida em desacelerar, te entregando uma chance para abraçar a vida mais uma vez. Eu não estava afim de aceitar aquele convite tão enganador, a vida não seria feliz. Não estava em um filme, em um livro ou uma novela, a vida real é cruel com algumas pessoas, e estava na lista dos infelizes e secundários.

           Nesse momento, sinto as lágrimas descerem dos meus olhos, elas me provam que tenho para chorar, a dor em meu peito crescente e avassaladora começa a me fazer se perguntar se eu já havia sido feliz, ou me questionar se as coisas tivessem sido diferentes se eu houvesse aceitado a vida religiosa, como desejou meu pai, ao invés de optar largar a comunhão e ir para a cidade grande.

            Dei um sorriso triste, e admirei um pouco o céu infernal. Sinto muito, vida, mas eu já desisti de continuar. Eu não tenho sentido ser eu mesmo nos últimos anos, quando acordo, não quero fazer nada, e quando levanto, eu não faço nada. Dou o primeiro passo, sinto minhas mãos soltarem a sustentação, e então assim que meu corpo deveria cair, sinto algo em meu braço, tentando me manter ali, firme.

            As vozes, o eclipse, até mesmo o balanço do mar: tudo parou.

       As pessoas não se moviam, e eu tive de piscar mais de uma vez para ter certeza que era real, assim que notei que apenas uma coisa permanecia: o eclipse solar. Os raios continuavam refletindo atrás da penumbra de escuridão.

      — Jesus Cristo... — murmuro, quando sou obrigado a voltar a me equilibrar, mas ainda sinto aqueles dedos finos e longos, com anéis pratas, se fechando em meu punho, amassando a minha blusa.

      Sigo o caminho da pele alva, e após a manga da sua camisa social preta arregaçada para cima do braço, — aliás, sua roupa social era toda preta, assim como seu sapato de couro muito bem engraxado —, sigo a curvatura do seu pescoço e vejo uma face um tanto vazia, séria e que me julgava bastante com aqueles olhos avelãs. A propósito, que rosto lindo, era tão bonito que fez meu corpo vacilar e quase cai, acho que meus olhos arregalaram e fiquei perdido, seus cabelos pretos ainda tinham volume acima e os fios caiam até a metade acima das laterais.

           — No momento, você tem duas escolhas: isso pode ser uma descida ao inferno, ou uma revelação. Independente do que você decidir, se aceitar suportar mais um pouco, irá me esquecer completamente. — disse sem deixar de me olhar um segundo, acho que aquele homem não piscava.

           Dei uma pausa. Não sabia o que dizer, nem o que pensar. Uma densa neblina avermelhada começou a cobrir a ponte, vinha de longe, e começava a fazer todas aquelas pessoas felizes sumirem e um vazio aterrador tomar conta.

          A sensação era tão ruim, que eu não sabia descrevê-la, ainda assim, de uma forma eu estava um tanto inconformado por ter um estranho atrapalhando meu momento de dor.

        — Parece que está mesmo decidido em continuar. — ele disse, sua voz grave e melodiosa ecoava baixinho, parecia retumbar em minha cabeça, o observei olhar ao redor, apesar de tudo, não estava afetado — Qual é a resposta da minha pergunta? — me olhou novamente, paciente.

         Eu poderia dizer que aquele estranho e belo homem estava indiferente a minha dor, e até irritado por estar ali comigo, mas a forma com que tinha seus dedos envolta do meu pulso diziam o contrário: parecia desesperado.

      — Que pergunta? — consigo dizer, mesmo em um arfar.

      — Quando irá?

      — Para onde?

       O vejo olhar para mim e depois para o mar congelado, e assim que olho para baixo, a água era preta e pesada, como graxa. Aquilo arrepiou minha espinha, e ao fitá-lo meu corpo tremeu.

     — O que está acontecendo?!

     — O seu suícidio, é sobre isso que estamos falando. Você esqueceu que irá se matar?

      — Não! Eu não esqueci! — me irritei, e nem sei explicar o porquê.

     — Então o que está esperando? Para cima ou para baixo?

      Fechei os olhos, eu não queria entender o que estava acontecendo, eu só queria logo me matar e acabar com tudo aquilo, mas ele continuava ali, me dando sustentação, mantendo sua mão em mim.

       Abro meus olhos e o estranho estava me olhando, esperando sem pressa, mas a forma que eu o encarava era cheia de chamas que dançavam como um campo de trigo ao sabor da brisa. Um campo dourado, furioso, iluminado pelo sol.

      — O que você quer? Quer saber por que estou fazendo isso? — exclamo, frustrado.

      — Não ousaria fazer essa pergunta. Acabaria te incentivando, não quero interferir em suas decisões.

      — Você já está interferindo!

      — Não, eu não estou.

      Tento puxar meu braço, mas ele não solta, nem se abala em manter o equilíbrio.

      — Isso é ridículoooo!

      — Por qual razão?

      — Você está me atrapalhando!

      — Não, não estou. Qualquer coisa que eu fizer agora, não irá alterar o que vai acontecer. Você vai cair na água, Jimin.

      — Quê?! - arregalo os olhos.

     — Você decidiu continuar, eu não pude evitar que acontecesse, estamos fora da realidade. Você escolheu ir para a água, se libertar da dor te faz acreditar que se sentirá leve, e se é mais leve, é mais fácil. E se é mais fácil, por que não fazer dessa maneira?

      — Está me chamando de covarde?

      — Você é corajoso, sua alma está pronta para partir.

     — Sabe... — olho para a graxa congelada a metros de distância abaixo de mim, mordo o lábio inferior e mais lágrimas descem dos meus olhos, às seco com a manga, e o olho outra vez — Eu não aguento mais, eu não quero continuar. Sei que não é justo, sei que existem milhões de pessoas passando fome, crianças órfãs, doenças e tragédias que acontecem todos os dias. Mas ainda assim...

       — É difícil se penalizar por outra dor se não estiver entre elas. O importante é reconhecê-la. Tudo que sente agora são as suas feridas, não adianta ver um quadro antigo e não conhecer a história.

     — O que quer dizer com isso?

     — Que cada um é cada um, e isso basta.

     — Chega. Não quero mais ouvir.

     — Tudo bem. Antes, do outro lado da ponte, olhe ali mais uma vez. Não está tão longe assim. — o vejo espiar por trás do ombro, molhar os lábios — Consegue ver?

      Estico o pescoço e semicerro os olhos, estava escuro o breu e a densa neblina avermelhada, mas consigo ver um esguio jovem, está se debulhando em lágrimas, e então, ele pula e cai na graxa densa. Meu corpo se move em instinto, estico o braço livre e agarro o vazio, mesmo se eu tentasse impedi-lo, seria impossível pela distância. Encho-me de agonia ao vê-lo submergir e ser engolido pelo mar diversas vezes até desaparecer.

       — Deus... E agora? Ele morreu! — acho que minha sensibilidade me faria chorar, odiava ver o sofrimento de alguém, pois sabia como doía — Não... Você sabia disso?

      O encaro, a face vermelha de tanto chorar.

      — Você sabia disso e não fez nada?

     — Não. Ele escolheu assim.

     — Mas você deveria ter o impedido!

     — Não. Eu não posso impedi-lo, ele quis assim.

     — M-mas...

     E então na alvorada infernal, o mesmo jovem, a mesma silhueta com os mesmos movimentos, repetindo o suicídio. Minhas lágrimas param, e eu sou coberto pela emoção e surpresa.

      — Veja! Ali está ele! Meu Deus! Depressa, ele irá...

       O vejo pular novamente. Fecho os olhos e desvio, não estava pronto para presenciar aquilo novamente.

      — Por que não o olha? — aquela voz suave questiona.

      — Ele irá morrer... — respondo, espremendo ainda mais forte as pálpebras ao escutar os sons desesperados na água.

       — Qual o problema? Você irá morrer também. Percebe agora que não está pronto para a morte? Você ao menos quer encará-la.

       — Não é isso...

       O som desapareceu, era agora, ele estava se afogando até morrer. Naturalmente, eu não escutaria nada, mas as coisas eram todas diferentes.

      — Você é meu anjo da guarda?— indago.

     — Está enganado. Eu sou mais do que isso.

    — Você é a morte?

      — Não. Eu sou insignificante perante a morte.

      — Então quem você é?

       — Isso importa?

      — Essa não é a resposta.

       — Esta pessoa que acabou de ver irá repetir esse ciclo para o resto da sua eternidade, até que finalmente acorde.

         Pisco algumas vezes, intercalo em olhar o mar de graxa e ele mais uma vez.

      — O que eu faço agora?

      — O que você escolheu?

       — Do que está falando?

        — Você sabe o que você escolheu.

          — Eu iria me matar.

         — Você se matou?

          — Eu... Eu acho que sim.

           — Certo.

             — O que acontece agora? Eu acho que...

             — Está com medo do que aconteceu?

            — Sim... — confesso, encabulado, abaixando a cabeça — Eu não quero ficar preso.

      — Ninguém quer.

      — Vai me dizer ou não? — olho outra vez, impaciente.

       — Não. Isso aconteceu naquele tempo, não tenho o que dizer.

       — Serei condenado igual a ele para sempre?

       — Por que não deveria?

        — Eu não acredito, eu só queria me livrar disso tudo! Quem é você, afinal? O que quer de mim?

        — Eu? Sou sua nova chance.

        — Mas você disse que não poderia interferir na minha escolha...

       — Não, porque ela já aconteceu, senão eu nem estaria aqui.

       — O quê?

        Ele parou, e para minha surpresa o silêncio se fez. Meu coração fervia por dentro, e então algo me fez pensar.

       — Você é Deus? Existe céu e inferno?

       — Não. Sim.

        — Onde está Deus?

       — Aqui.

        — Aqui? — olho ao redor e o procuro, mas não o vejo — Quero vê-lo.

         — Por que? Ele está aqui, porque quer vê-lo se o sente?

         — Eu não o sinto...

          — Porque está priorizando sua dor. Mas até isso te prova que ele existe.

          — Ãn? — o olhei, confuso.

           — Deixe de conversa. Podemos ir agora?

           — Para onde?

            — O caminho de volta.

           Apenas me calo. Não importa, eu nunca entenderia nada que ele dissesse, e então assinto com a cabeça, e aceito seja lá o que fosse. O vejo piscar finalmente, assim como mover seu corpo que mais parecia gesso, e então ele me solta e eu caio metros afundo, em direção ao mar violento.

           Ninguém me vê, a escuridão do eclipse solar acompanha minha morte.

           A água fria como gelo me engole, e sou levado sem piedade pelo buraco negro. Tento submergir, mas não consigo. Eu estava arrependido, eu não queria morrer e ser condenado. Eu queria desaparecer, e não continuar com aquela dor. Acho que é tarde demais, acho que jamais irei me lembrar disso outra vez. 


Notas Finais


CONTINUA >>>>>


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