História Redenção - SaiDa - ABO - Capítulo 34


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Categorias G-Friend, K.A.R.D, TWICE
Personagens B.M, Chaeyoung, Dahyun, Eunha, J.Seph, Jeon So-mi (Somi), Jeongyeon, Jihyo, Jiwoo, Lee Sunmi, Lee Taemin, Mina, Momo, Nayeon, Personagens Originais, Sana, Somin, Umji
Visualizações 135
Palavras 5.192
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 34 - 34


Depois do almoço, Mina arregimentou a família para ajudá-la a preparar o grande jantar de Natal. Dahyun conversou um pouco com Kim ao telefone e o fez prometer que chegaria por volta das três horas para participar da troca de presentes. Em seguida foi com Mina para a cozinha e começaram a descascar maçãs para fazerem duas tortas.

Mina havia “trapaceado”, comprando a massa pronta, mas teve o cuidado de tirá-la da embalagem e colocá-la entre camadas de plásticofilme na geladeira para que ninguém percebesse.

– Ei, bonitonas. – Yuta entrou na cozinha com um sorriso muito largo e começou a remexer dentro da geladeira.

– Que felicidade é essa? – Perguntou sua irmã, descascando uma maçã.

– É Natal – respondeu ele, rindo, enquanto Mina lhe mostrava a língua.

– Fiquei sabendo que você conheceu alguém. – Disse Dahyun.

Yuta começou a montar um prato de sobras, ignorando o comentário.

Mina estava prestes a repreender o irmão por sua falta de educação quando o telefone tocou. Ela atendeu e, quando percebeu que era sua futura sogra, desapareceu na sala de estar.

Yuta se virou na mesma hora e encarou Dahyun com um olhar de desculpas.

– O nome dela é Tammy. Não estou pronto para deixá-la ser sabatinada pela família.

– Eu entendo. – Dahyun lhe abriu um pequeno sorriso e voltou à maçã que estava descascando.

– Ela tem um filho. – Contou ele, encostando o corpo grande no balcão e cruzando os braços na frente do peito.

Dahyun baixou sua faca.

– Ah.

– A criança tem só 3 meses. Tammy mora com os pais. Não pôde vir porque está amamentando. – Yuta falava em voz baixa, quase sussurrando, e não parava de lançar olhares para a porta que dava para a sala de estar.

– Quando for apresentá-la à família, deveria trazer o bebê também. Eles serão recebidos de braços abertos. – Disse ela.

– Não tenho tanta certeza disso. – Yuta parecia muito desconfortável.

– Eles vão ficar felizes em ter um bebê por perto. Chaeyoung e eu vamos nos estapear por ele.

– O que você pensaria se o seu filho namorasse uma mãe solteira, sabendo que o bebê era de outro homem?

– Seus pais adotaram Sana. Duvido que o Sr. Myoui vá ser contra. – Dahyun suspirou devagar, analisando Yuta com olhar. – A não ser que sua namorada seja casada.

– O quê? Não! O namorado dela a largou quando ela estava grávida. Já somos amigos há algum tempo. – Ele correu os dedos pelo cabelo, puxando-o com tanta força que ele quase ficou de pé. – Tenho medo de que papai ache estranho eu estar namorando uma mulher com um recém-nascido.

Dahyun apontou na direção do presépio montado debaixo da árvore de Natal na sala ao lado.

– José e Maria tiveram uma história parecida.

Yuta a encarou como se Dahyun tivesse desenvolvido uma segunda cabeça.

Em seguida riu, voltando-se para o seu sanduíche.

– Bem colocado, Dahyun. Vou me lembrar disso.

Mais tarde, a família se reuniu em volta da árvore de Natal para abrir os embrulhos. Os Myouis eram uma família generosa, por isso havia vários presentes, alguns sérios, outros de brincadeira. Dahyun e seu pai receberam um de cada.

Enquanto todos admiravam seus presentes e bebiam seus egg nogs, Mina colocou o último presente no colo de Sana.

– Isto chegou para você hoje de manhã.

– De quem é? – Perguntou ela, olhando para o pacote com uma expressão intrigada.

– Não sei.

Sana lançou um olhar esperançoso para Dahyun, mas ela negou com a cabeça.

Ansiosa por desvendar o mistério, ela começou a rasgar o papel de embrulho. Levantou a tampa da caixa branca com cuidado e afastou as camadas de papel de seda.

Antes que alguém pudesse ver o que havia descoberto, deixou a caixa de lado e ficou de pé com um salto. Sem dizer nada, encaminhou-se a passos rápidos para a porta dos fundos, batendo-a ao sair.

– O que foi isso? – A voz de Yuta rompeu o silêncio.

Chaeyoung, que tinha visto a cena do corredor, entrou na sala.

– Aposto que é da ex-namorada dela. – Falou ela.

Dahyun cambaleou em direção à cozinha e atravessou a varanda dos fundos, seguindo o vulto da namorada, que se afastava.

– Sana? Sana! Espere.

Flocos de neve grandes e grossos caíam como plumas do céu, cobrindo a grama e as árvores com uma brancura fria. Ela estremeceu.

– Sana!

A alfa desapareceu no bosque sem olhar para trás.

Ela apertou o passo. Se a perdesse de vista, teria que voltar para casa.

Não iria correr o risco de se perder de novo no bosque sem um casaco. Ou um mapa.

Começou a entrar em pânico, lembrando-se do seu pesadelo recorrente de estar perdida no bosque, sozinha.

– Sana! Espere!

Abrindo caminho por entre as árvores, ela seguiu por alguns metros antes de vê-la, parada diante de um pinheiro alto.

– Volte para casa. – O tom gélido da sua voz combinava com a neve que caía.

– Não vou deixar você aqui.

Ela deu mais alguns passos à frente. Ao ouvi-la se aproximar, Sana lhe deu as costas. Ela usava terno e calçava sapatos italianos caros, agora arruinados.

Um dos saltos dela ficou preso num ramo e ela tropeçou para a frente, agarrando-se a um tronco para não cair.

Num piscar de olhos, Sana chegou ao seu lado.

– Volte para casa antes que você se machuque.

– Não.

Os cabelos dela estavam soltos e as mechas lhe caíam sobre os ombros.

Ela tinha os braços cruzados diante do peito por causa do frio. Uma leve camada branca cobria-lhe a cabeça e o vestido cor de ameixa.

Ela parecia um anjo de neve, algo que você encontraria num conto de fadas ou num globo de neve, os flocos pairando ao redor dela como se fossem seus amigos. Sana se lembrou da vez em que a surpreendeu em sua saleta na biblioteca e várias folhas de papel voaram pelos ares, caindo em volta dela.

– Linda. – Por alguns instantes Sana foi distraída pela visão dela. Sua respiração se condensava no ar entre elas.

Ela estendeu a mão rosada e nua.

– Volte comigo.

– Ela nunca vai abrir mão de mim.

– Quem?

– Suzy.

– Ela precisa começar uma nova vida. Precisa da sua ajuda.

– Ajuda? – Ela a fuzilou com o olhar. – Você quer que eu a ajude? Depois de ela ter ficado de joelhos na minha frente e tentado abrir minha calça?

– O quê?

A alfa cerrou os dentes, amaldiçoando sua própria burrice.

– Nada.

– Não minta para mim!

– Foi uma tentativa desesperada de uma mulher desesperada.

– Você a impediu?

– É claro! Quem acha que eu sou? – Uma chama azul perigosa se acendeu nos olhos dela.

– Você ficou surpresa?

Um músculo saltou em sua mandíbula.

– Não.

Dahyun cerrou os punhos com tanta força que suas unhas se enterraram nas palmas das mãos.

– Por quê?

Sana olhou para as árvores atrás dela, recusando-se a responder à pergunta.

– Por que não ficou surpresa? – Repetiu ela, aumentando o tom de voz.

– Porque é isso que ela faz.

– Faz ou fazia?

– Qual é a diferença? – Retrucou ela, perdendo a paciência.

Dahyun estreitou os olhos.

– Se eu preciso explicar, então nosso relacionamento está mais abalado do que eu imaginei.

A alfa não queria responder: sua resistência estava clara em seus olhos, seu rosto, até em seu corpo.

A ômega a encarou com um olhar incisivo.

Sana lançou um olhar por sobre os ombros dela, fitando algum ponto distante, quase como se buscasse uma maneira de fugir. Então tornou a encará-la.

– Ela costumava aparecer de vez em quando e nós... – Ela deixou a frase no ar.

Dahyun sentiu um embrulho no estômago. Ela fechou os olhos com força.

– Quando perguntei se Suzy era sua amante, você disse que não.

– Ela nunca foi minha amante.

Dahyun arregalou os olhos.

– Não me venha com joguinhos de palavras! Principalmente em se tratando dos ômegas com quem você transa por aí.

A alfa tornou a cerrar os dentes.

– Isso está abaixo do seu nível, Dahyun.

Ela riu sem a menor alegria.

– Ah, sim. Está abaixo do meu nível dizer a verdade. Mas você pode mentir à vontade!

– Nunca menti para você a respeito de Suzy.

– Mentiu, sim. Não é à toa que ficou com raiva quando falei que ela era uma amiga com quem você transava de vez em quando, durante aquela aula. – Dahyun a encarou com uma expressão arrasada. – Você esteve com ela na nossa cama? Na cama em que nós dormimos juntas?

Sana baixou os olhos.

Ela começou a recuar.

– Estou com tanta raiva de você agora que nem sei o que dizer.

– Sinto muito.

– Isso não é o suficiente. – Gritou a ômega, afastando-se dela. – Qual foi a última vez que dormiu com ela?

A alfa se apressou em segui-la, esticando-se para agarrar seu braço.

– Não me toque! – Ela deu um passo para trás, tropeçando na raiz de uma árvore.

Sana a segurou antes que ela caísse.

– Espere só um minuto, está bem? Me dê uma chance de explicar.

Depois de se convencer de que ela estava com os pés mais firmes no chão, Sana a soltou.

– Em setembro, quando conheci você, não estava mais com Suzy. Nós não nos encontrávamos desde dezembro, quando falei a ela que precisávamos parar de nos ver de uma vez por todas.

– Você me fez acreditar que tinha acabado com ela em Harvard. Tem ideia de quanto isso dói? Tem ideia de quanto me faz sentir uma idiota? Ela aparece na casa dos seus pais como se fosse a coisa mais natural do mundo, como se eu fosse um caso qualquer. E por que seria diferente? Você vem dormindo com ela há anos!

Sana remexeu seus sapatos na neve.

– Eu estava tentando proteger você.

– Cuidado com o que diz, Sana. Muito cuidado com o que diz.

A alfa ficou petrificada. Nunca a ouvira usar aquele tom de voz. De repente, sentiu que a estava perdendo. A simples ideia era insuportável.

Ela começou a falar muito depressa:

– Nós só nos víamos uma ou duas vezes por ano. Como falei, não a encontrava desde dezembro. – Ela correu os dedos pelo cabelo. – Você esperava que eu catalogasse cada relação sexual que tive na vida? Eu falei que tinha um passado.

Sana a encarou, dando um passo sutil para a frente.

– Você se lembra da noite em que eu lhe contei sobre Maia?

– Sim.

– Você me falou que eu poderia encontrar o perdão. Quis acreditar em você. Achei que, se lhe contasse como cedi repetidas vezes a Suzy, iria perder você. – Ela pigarreou. – Não tive intenção de magoá-la.

– Você está mentindo para mim agora?

– Não.

A expressão no rosto dela era de desconfiança.

– Você a ama?

– É claro que não. – Sana deu outro passo cauteloso na direção dela, mas Dahyun ergueu a mão.

– Então você dormiu com ela durante anos, depois de ter feito uma filha com ela e ela ter tido um colapso nervoso, mas não a amava.

Os lábios dela se afinaram.

– Não.

Sana viu lágrimas brilharem nos seus olhos escuros e a observou combatê-las, seu belo rosto maculado pela tristeza. Ela venceu a distância entre as duas, tirando seu paletó e o colocando com ternura em volta dos ombros de Dahyun.

– Você vai pegar uma pneumonia. Deveria voltar para casa.

Ela agarrou o paletó, puxando as lapelas até o pescoço.

– Ela era a mãe de Maia. – Sussurrou Dahyun. – E veja só como você a tratou.

Sana ficou tensa.

Dahyun e Sana ficaram em silêncio, notando por alguns instantes que a neve havia parado de cair.

– Quando você pretendia me contar tudo isso?

Sana hesitou, o coração disparado. Não sabia ao certo o que iria dizer até as palavras saírem dos seus lábios.

– Nunca.

A ômega se virou e começou a andar na direção que lhe parecia conduzir de volta à casa.

– Dahyun, espere! – Sana surgiu atrás dela e agarrou seu braço.

– Já falei para não me tocar! – Ela puxou o braço de volta, encarando-a com raiva.

– Você deixou claro que não queria saber detalhes sobre como eu era antes de conhecê-la. Disse que me perdoava.

– É verdade.

– Sabia que eu era uma devassa.

– Achei que sua devassidão tivesse limites.

Sana se encolheu, sentindo-se ferida por aquele comentário.

– Eu mereci isso. – Disse ela. – Não lhe contei tudo, quando deveria ter contado.

– Foi ela quem lhe deu aquele presente de Natal?

– Foi.

– O que era?

Os ombros de Sana se encurvaram.

– Uma ultrassonografia.

Dahyun inspirou, emitindo um chiado conforme o ar cortante de inverno enchia-lhe os pulmões.

– Por que ela faria uma coisa dessas?

– Suzy parte do princípio de que mantive tudo em segredo. Ela tem razão quanto aos meus irmãos, é claro. Mas acha que não contei a você sobre Maia. Essa foi a maneira que ela encontrou de garantir que eu fizesse isso.

– Você a usou. – Os dentes de Dahyun começaram a bater. – Não é à toa que ela não quer desistir de você. Você lhe deu migalhas, como se ela fosse um cachorro. Seria capaz de me tratar assim?

– Nunca. Sei que tratei Suzy de forma abominável. Mas isso não dá a ela o direito de magoá-la. Você é a única inocente desta história.

– Você me enganou.

– Sim, enganei. Você me perdoa?

Dahyun ficou calada por alguns instantes, esfregando as mãos para espantar o frio.

– Você já pediu perdão a Suzy alguma vez?

Sana negou com a cabeça.

– Você brincou com o coração dela. Eu sei como é isso. É por isso que consigo ter pena.

– Eu conheci você primeiro. – Sussurrou a alfa.

– Isso não lhe dá o direito de ser cruel. – Dahyun tossiu um pouco quando o ar frio queimou sua garganta.

Sana apertou de leve seu ombro.

– Por favor, volte. Você está com frio.

Dahyun se virou para ir embora e Sana estendeu a mão para segurar a dela.

– Eu sentia algo por ela, mas não era amor. Era culpa e luxúria, e um pouco de afeto, mas não amor.

– O que vai fazer agora?

Sana enlaçou a cintura dela com o braço, puxando-a para junto de seu corpo.

– Vou resistir ao impulso de reagir ao presente que ela deixou para mim e fazer tudo que puder para consertar as coisas entre nós duas. É você quem eu quero. Sinto muito por tê-la magoado.

– Talvez você mude de ideia.

A alfa a abraçou mais forte, uma expressão voraz em seu rosto.

– Você é a única ômega que amei na vida.

Como Dahyun não respondeu, ela se pôs a acompanhá-la de volta para casa.

– Juro que jamais seria infiel. Quanto ao que Suzy tentou fazer ontem... – Ela apertou a cintura de Dahyun – Houve uma época em que eu talvez tivesse caído em tentação. Mas isso foi antes de encontrar você. Eu preferiria passar o resto da minha vida bebendo do seu amor a esvaziar todos os oceanos do mundo.

– Suas promessas são vazias se não forem acompanhadas de honestidade. Eu perguntei se ela era sua amante e você ficou fazendo jogos de palavras comigo.

A alfa fez uma careta.

– Tem razão. Sinto muito. Não vai acontecer de novo.

– Com o tempo, você vai se cansar de mim. E, quando isso acontecer, vai voltar a ser o que era.

Sana parou de andar e se virou para encará-la.

– Nunca conheci Suzy de verdade. Nós temos uma história, mas jamais fomos compatíveis. E nunca fomos boas uma para a outra.

Dahyun se limitou a encará-la com desconfiança.

– Eu vaguei pela escuridão em busca de algo melhor, de algo real. Encontrei você e prefiro ir para o inferno a perdê-la.

Ela afastou o olhar, analisando as árvores e o caminho que achava que conduzia ao pomar.

– Alfas ficam entediados.

– Só se forem idiotas.

Os olhos dela estavam carregados de preocupação e temor. Sana pestanejou algumas vezes sob o olhar dela antes de franzir o cenho.

– Você acha que o Sr. Myoui teria sido capaz de trair a esposa? – Perguntou enfim.

– Claro que não.

– Por quê?

– Porque ele é um alfa bom. Porque ele a amava. – respondeu ela.

– Nunca afirmei ser uma alfa boa, Dahyun. Mas eu te amo. Não vou traí-la.

Ela ficou calada por alguns instantes.

– Não estou tão ferida a ponto de não conseguir dizer não para você.

– Nunca disse o contrário. – O rosto de Sana ficou sombrio.

– Estou dizendo não para você agora. Se mentir para mim mais uma vez, será a última. – Falou ela em tom de alerta.

– Eu juro que não vai acontecer.

Ela suspirou devagar, descerrando os punhos.

– Não vou dormir na cama que você dividiu com ela.

– Vou trocar tudo antes de você voltar para Seul. Posso vender aquele maldito apartamento, se você quiser.

Ela apertou os lábios.

– Não estou lhe pedindo para vender o apartamento.

– Então me perdoe. – Sussurrou ela. – Me dê uma chance de mostrar a você que sou digna da sua confiança.

Ela hesitou.

Sana se aproximou dela e a tomou nos braços. A ômega a aceitou com relutância e elas ficaram paradas debaixo da neve que caía, em meio a um bosque cada vez mais escuro.

A professora Kim Yewon era inteligente. Não acreditou em Jung Eunbi quando ela declarou que estava disposta a encontrá-la para uma noite de sexo. Para garantir que isso de fato acontecesse, não disse o nome da noiva coreana da professora Minatozaki, prometendo revelá-lo se Eunbi a encontrasse em Tokyo em fevereiro.

Eunbi não estava disposta a esperar tanto tempo e ter que dormir com ela outra vez só para conseguir a informação que queria, então não respondeu ao e-mail. Decidiu repensar sua estratégia e encontrar outra maneira de descobrir o nome da tal noiva da professora Minatozaki.

Ela estava com ciúmes e esse era seu principal motivo para querer saber quem havia conseguido conquistar a atenção da professora quando ela própria havia fracassado (inexplicavelmente). Além disso, ela havia começado a suspeitar de uma certa loira com cara de sonsa desde que a professora Minatozaki quase saíra no tapa com essa aluna em uma aula, durante uma discussão sobre uma amante chamada Suzy.

Mas talvez a explicação mais exata fosse seu novo e um tanto libidinoso fascínio pelos boatos que tinha ouvido sobre a professora Son e seu estilo de vida nem tão secreto assim. Quando a professora Minatozaki a abraçou depois de palestrar na Universidade de Seul, uma quantidade considerável de más-línguas entrou em ação. Uma delas era a de Eunbi.

Talvez Yewon estivesse enganada. Talvez a professora não tivesse uma noiva, no fim das contas. Talvez tivesse uma amante.

Para solucionar esse delicioso mistério, Eunbi entrou em contato com um antigo caso seu de Tokyo que escrevia para o jornal, na esperança de que ele lhe desse informações sobre a vida pessoal da professora Minatozaki. Enquanto esperava a resposta, concentrou-se numa fonte mais próxima de casa: no Vestíbulo, todos os pecados seriam revelados.

A ausência da professora Minatozaki começou a ser sentida no Lobby desde a noite em que Eunbi tentara seduzi-la. Portanto, concluiu ela, sua relação com a tal noiva deveria ter começado por volta daquela época. Antes, a alfa não costumava se importar com a ômega com quem se envolvia ou quando. Ou talvez a relação entre elas fosse apenas casual até aquela noite. Também era possível que a noiva sempre tivesse existido, mas a professora estivesse longe de ser fiel, embora dificilmente um relacionamento assim fosse deixar de gerar fofocas.

Eunbi sabia muito bem como deveria proceder. Era provável que a professora e sua noiva tivessem visitado o Lobby em algum momento durante o semestre de inverno, já que aquele era o bar preferido dela. Tudo o que precisava fazer era encontrar alguém que trabalhasse no clube e extrair informações dessa pessoa.

No final da noite de sábado, Eunbi começou a assediar os funcionários do Lobby, tentando descobrir o elo mais fraco. Ela se sentou no bar, ignorando ao máximo a americana loura e alta, recém-chegada de Harrisburg, que estava ali com o mesmo objetivo. Com repulsa, Eunbi mordeu seus lábios vermelhos e carnudos quando a mulher sacou seu iPhone e falou muito alto em italiano com um maître chamado Antonio.

Conforme a noite passava, Eunbi logo percebeu que suas opções eram poucas. Ethan tinha namorada, o que significava que era inútil tentar seduzi-lo.

Os barmens e as garçonetes estavam fora de cogitação. Só restava Jin. Ele era um fanático por informática (não que isso fosse um problema) que ajudava Ethan na área técnica da segurança do clube, por isso tinha acesso às gravações das câmeras de vigilância. Com muito entusiasmo, aceitou deixar Eunbi entrar no clube depois do horário de encerramento para que examinassem vários CDs de gravações, a começar por setembro de 2019.

E foi assim que Eunbi se viu sentada na pia do banheiro feminino, recebendo as estocadas de Jin numa manhã de domingo, quando deveria estar na igreja.

Sana e Dahyun chegaram de volta a Seul tarde na noite de 1º de janeiro.

Foram primeiro ao apartamento dela deixar algumas coisas e buscar roupas limpas. Pelo menos foi o que Sana pensou. Enquanto o táxi as aguardava na rua, ela ficou parada no meio daquele apartamento frio e miserável, esperando Dahyun arrumar uma mochila para passar a noite em sua casa. Mas a ômega não fez isso.

– Esta é a minha casa, Sana. Há três semanas que não venho aqui. Tenho roupas para lavar e preciso trabalhar na minha dissertação amanhã. As aulas começam na segunda.

Muito rapidamente, a expressão dela ficou carregada.

– Eu sei muito bem quando começam as aulas. – Seu tom de voz era frio e ríspido. – Mas está um gelo aqui. Não tem nada para comer e eu não quero dormir sem você. Venha para a minha casa comigo, você pode voltar amanhã.

– Não quero ir para a sua casa.

– Eu prometi que ia mudar o quarto principal e foi o que fiz. A cama, a mobília, é tudo novo. – Ela fez uma careta. – Até as paredes foram pintadas.

– Ainda não estou pronta. – Ela lhe deu as costas e começou a desfazer as malas. A alfa lançou um único olhar para o que Dahyun estava fazendo e saiu do apartamento, fechando a porta com força.

Dahyun suspirou.

Sabia que ela estava se esforçando. Mas suas revelações haviam chamuscado sua já frágil autoestima, que havia apenas começado a ser reconstruída durante a viagem pelo Japão. Ela se conhecia bem o suficiente para saber que as raízes do seu medo de perdê-la estavam no divórcio dos pais e na traição de J.Seph. Embora soubesse de tudo isso, era muito difícil se livrar dessas coisas e acreditar que o amor de Sana nunca fosse acabar.

Quando ela foi trancar a porta, a alfa tornou a entrar, com a mala na mão.

– O que você está fazendo?

– Mantendo você aquecida. – Respondeu ela, tensa.

Sana largou sua mala no chão e entrou no banheiro, fechando a porta atrás de si. Reapareceu alguns minutos depois, com a camisa desabotoada para fora da calça, balbuciando algo sobre ter conseguido ligar o maldito aquecedor elétrico.

– Por que você voltou?

– Eu me acostumei a dormir com você. Na verdade, estou a um passo de vender aquele maldito apartamento com todos os meus móveis dentro e comprar outra coisa.

Ela balançou a cabeça e começou a se despir sem pudor, dando a conversa por terminada.

Enquanto Dahyun usava o banheiro, Sana examinou alguns dos objetos expostos em sua mesa de carteado: o livro contendo as reproduções de Botticelli que ela lhe dera de aniversário, uma vela grossa, uma caixa de fósforos e o álbum com as fotos que ela havia tirado dela.

Ao folhear o álbum, ela ficou excitada. Dahyun havia prometido posar para ela novamente. Queria que ela a fotografasse. Um mês antes, Sana jamais teria acreditado que isso pudesse acontecer. A ômega era tão tímida, tão insegura.

Lembrou-se da expressão nos olhos dela quando a levou para a sua cama depois daquela discussão terrível durante a aula. Pensar nos olhos de Dahyun, arregalados e apavorados, e na maneira como seu corpo tremeu sob suas mãos diminuiu sua excitação. Ela não a merecia. Sabia disso. Mas o fato de a ômega mesma se sentir imprestável a impedia de enxergar a verdade.

Ela folheou as fotos antes de se concentrar numa em especial: Dahyun de perfil com uma das mãos dela no ombro, a outra levantando os cabelos dela, enquanto a alfa pressionava os lábios em seu pescoço.

Ela não sabia que Sana tinha uma cópia daquela foto escondida em seu closet. Nunca a havia mostrado, pois tinha medo de sua reação. Quando voltasse ao seu quarto redecorado, a primeira coisa que iria fazer seria pendurá-la na parede.

Pensar nisso foi suficiente para reavivar seu desejo. Sana pegou a vela e riscou um fósforo para acendê-la, colocando-a sobre a mesa de carteado antes de apagar as luzes. Um brilho romântico recaiu sobre as fotografias e a cama instantes antes de Dahyun voltar ao ambiente na penumbra.

A alfa se sentou nua na beirada da sua cama estreita enquanto ela ficava parada, abraçando um pijama de flanela puído. Era estampado com patinhos de borracha.

– O que está fazendo? – Ela olhou para o pijama com uma aversão mal disfarçada.

– Estou me arrumando para dormir.

Sana a encarou.

– Venha cá.

Ela se aproximou dela lentamente.

A alfa tirou as roupas de suas mãos, atirando-as de lado.

– Você não precisa de pijamas. Não precisa vestir nada.

Dahyun começou a tirar seu roupão devagar e o colocou sobre uma das cadeiras dobráveis.

Sana a interrompeu enquanto ela se aproximava da cama e pousou as mãos sobre a sua cabeça, quase como se estivesse lhe dando uma bênção.

Então começou a tocá-la, correndo os dedos pelos seus cabelos longos até o seu rosto, acariciando-lhe as sobrancelhas e as faces. Seus olhos continuavam a encarar os dela com obstinação, o calor da intensidade delas gravando-se na consciência de Dahyun como ferro em brasa.

Naquele momento, era possível ver algo da antiga professora Minatozaki, especialmente na sua expressão, sexual e selvagem. Ela fechou os olhos por alguns instantes e as mãos dela subiram do seu pescoço em direção ao seu rosto, detendo-se ali.

– Abra os olhos.

A ômega os abriu e arquejou de espanto diante da voracidade que se refletia no olhar dela. Ela era como uma leoa, ansiosa por se alimentar, mas ainda rodeando sua presa. Não queria assustá-la. Mas Dahyun era impotente em seu próprio desejo por ela.

– Você sentiu falta de que eu a tocasse assim? – Perguntou ela, sua voz um sussurro tórrido.

A afirmação de Dahyun escapou-lhe da boca na forma de um gemido estrangulado. O peito de Sana se inflou de orgulho.

Era uma longa distância desde o rosto dela até os seus joelhos, e Sana pareceu gostar de percorrê-la, demorando-se em várias partes do caminho, seu toque suave, porém quente. Ela se sentiu aquecida sob os seus dedos gentis, apesar do frio que fazia ali. Assim que pensou no frio, ela se encolheu.

Sans interrompeu sua exploração na mesma hora e foi para mais perto da parede, para que ela pudesse entrar na cama. Ela colou o peito às costas dela, cobrindo seus corpos nus com o edredom roxo.

– Senti falta de fazer amor com você. Era como se eu tivesse perdido um pedaço de mim.

– Também senti falta.

Sana sorriu de alívio.

– Fico muito feliz em ouvir isso. Foi uma tortura passar uma semana sem poder tocá-la.

– Foi uma tortura passar uma semana sem sentir o seu toque.

O desejo que se agitava na voz dela incendiou o sangue de Sana. Ela a abraçou mais forte, apertando-a com carinho.

– Ficar de conchinha é uma parte muito importante da relação sexual.

– Nunca imaginei que você gostasse de dormir de conchinha, professora Minatozaki.

Ela sugou um pedaço da sua pele, chupando-a de leve.

– Eu me tornei muitas coisas desde que você me fez sua amante. – A alfa pressionou o rosto contra os cabelos dela, sentindo seu perfume de baunilha. – Às vezes me pergunto se você percebe quanto me fez mudar. É um verdadeiro milagre.

– Não faço milagres. Mas te amo.

– E eu te amo.

Ela ficou parada por alguns instantes, o que a surpreendeu. Dahyun esperava que ela fosse começar a fazer amor imediatamente.

– Você não chegou a me contar o que aconteceu no restaurante Kinfolks na véspera de Natal. – Sana tentou parecer relaxada, pois não queria que Dahyun pensasse que ela a estava repreendendo.

Na esperança de terminar logo aquela conversa para que elas se dedicassem a outras atividades, Dahyun descreveu seu confronto com Jiwoo.

Omitiu a parte em que Jiwoo havia zombado dos seus encontros sexuais com ele na frente de todo mundo. Sana a rolou na cama, colocando-a de barriga para cima para ver seu rosto.

– Por que não me contou isso?

– Não havia nada que você pudesse fazer.

– Mas que droga, eu te amo! Por que não me contou?

– Quando chegamos na casa do Sr. Myoui, Suzy estava lá...

A alfa fez uma careta.

– Está bem. Então você ameaçou sua ex-colega de quarto com uma matéria de jornal?

– Sim.

– Acha que ela acreditou em você?

– Ela quer sair de Seongnam. Quer ser a namorada oficial de J.Seph e ficar pendurada no braço dele durante eventos políticos em Seul. Não vai correr o risco de pôr tudo a perder.

– Ela já não tem tudo isso agora?

– Jiwoo é o segredinho sujo de J.Seph. Foi por isso que demorei tanto para descobrir que os dois estavam transando.

Sana se encolheu. Dahyun não usava aquele linguajar com frequência, mas, quando o fazia, era chocante.

– Olhe para mim.

Ela fitou os olhos castanhos preocupados dela.

– Lamento que ele tenha machucado você. Também lamento não ter feito um estrago maior na cara dele. Mas não posso dizer que lamento que ele tenha se envolvido com sua colega de quarto. Se não fosse por isso, você não estaria aqui comigo.

Sana a beijou, a mão dela percorrendo a curva do seu pescoço até ela suspirar, contente, em sua boca.

– Você é minha folhinha pegajosa. Minha folhinha linda e triste. E quero vê-la feliz e plena. Sinto muito por cada lágrima que fiz você derramar. Espero que um dia possa me perdoar.

Ela escondeu o rosto no ombro de Sana, puxando-a mais para perto.

Explorou o corpo dela com as mãos até as duas se tornarem uma só. O silêncio da sua pequena quitinete era quebrado apenas pela respiração pesada, pelos arquejos abafados e pela sua própria voz gemendo em tom febril.

Era uma linguagem sutil, aquela compartilhada pelos amantes: a reciprocidade dos suspiros e gemidos, a expectativa crescendo e nutrindo-se até os gemidos se tornarem gritos e os gritos voltarem a se tornar suspiros. O corpo de Sana cobria o dela por completo, e ela sentia seu peso e seu suor sobre a pele nua.

Esta era a alegria que o mundo buscava – ao mesmo tempo sagrada e pagã. Uma união de dois seres distintos num só, indissociável. Um retrato do amor e da mais profunda satisfação. Um vislumbre extasiante da bem-aventurança.

Antes de sair de dentro dela, a alfa deu mais um beijo em seu rosto.

– Você me perdoa?

– Por quê?

– Por ter mentido sobre Suzy. Por ter me aproveitado dela.

– Não posso perdoá-la por ela. Só ela pode fazer isso. – Dahyun mordeu seu lábio inferior. – Agora, mais do que nunca, você precisa tomar providências para que Suzy receba ajuda para seguir com a vida dela. Você lhe deve isso.

Sana quis dizer algo, mas, de alguma forma, a força da bondade dela a silenciou.


Notas Finais


Até.


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