História Redenção - SaiDa - ABO - Capítulo 39


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Categorias G-Friend, K.A.R.D, TWICE
Personagens B.M, Chaeyoung, Dahyun, Eunha, J.Seph, Jeon So-mi (Somi), Jeongyeon, Jihyo, Jiwoo, Lee Sunmi, Lee Taemin, Mina, Momo, Nayeon, Personagens Originais, Sana, Somin, Umji
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Palavras 5.565
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa Leitura.

Capítulo 39 - 39


No centro da cidade, Jeremy Martin estava recostado em seu sofá de couro, de olhos fechados, ouvindo Beethoven, enquanto sua mulher se preparava para ir dormir. Como chefe do Departamento de Estudos Italianos, ele era responsável por vários professores e alunos. A confissão de Sana sobre estar namorando uma ex-aluna o perturbava.

Sabia que Jung Eunbi havia feito sua denúncia de má-fé, mas, como qualquer outra denúncia, ela deveria ser levada a sério. Considerando que ela tinha razão ao supor que Sana e Dahyun estavam envolvidas, era bem possível que sua alegação de que tivesse havido favorecimento acadêmico também estivesse correta. Sana, sua amiga e colega, havia tentado manter o relacionamento em segredo. Agora o pró-reitor estava fazendo perguntas, o que deixava Jeremy entre a cruz e a espada.

Ao longo de sua carreira, primeiro nos Estados Unidos e depois em Seul, ele tinha visto muitos alunos brilhantes e promissores se tornarem joguetes de seus professores. Sua própria esposa, por exemplo, fizera pósgraduação em linguística na Universidade Colúmbia antes de ter a carreira arruinada por seu professor/amante depois que se cansou do alcoolismo dele. As feridas dela tinham levado anos para cicatrizar e até hoje ela queria distância do mundo acadêmico. Jeremy não queria que a carreira de Dahyun seguisse o mesmo caminho.

Por outro lado, não permitiria que a estrela em ascensão do seu corpo docente fosse difamada por uma infração que não havia cometido. Se o próreitor continuasse investigando a professora Minatozaki e a Srta. Kim, Jeremy iria até as últimas consequências para garantir que fosse feita justiça. Se isso falhasse, ele estava determinado a garantir que seu departamento fosse protegido. E foi por isso que ficou horrorizado ao encontrar cópias de cartas endereçadas a professora Minatozaki e à Srta. Kim junto com a sua correspondência na primeira quinta-feira de março.

Praguejando, ele correu os olhos pelo conteúdo das cartas antes de fazer uma ligação discreta para um de seus contatos na pró-reitoria. Meia hora depois, telefonava para a casa da professora Minatozaki.

– Você já conferiu sua caixa de correio hoje?

Sana fechou a cara.

– Não. Por quê?

– Porque recebi uma carta do pró-reitor indicando que você e Dahyun estão sendo investigadas por iniciarem um relacionamento inadequado enquanto ela era sua aluna.

– Puta que pariu!

– Isso aí. Você está sentada?

– Não.

– Então sente-se. Acabei de ligar para um amigo que trabalha na próreitoria. Dahyun deu entrada numa queixa de assédio contra Jung Eunbi, em resposta às suas alegações. Eunbi retaliou ameaçando a universidade com um processo judicial dizendo que Dahyun teria recebido tratamento preferencial por ter ido para a cama com você. As acusações de Eunbi agora fazem parte da investigação sobre você e Dahyun.

– Isso é um absurdo!

– Ah, é?

– Claro. É ridículo.

– Fico feliz em ouvir isso, Sana, porque a universidade leva muito a sério queixas desse tipo. A pró-reitoria determinou que o Lee e mais dois outros representantes da universidade formassem um comitê para investigar as denúncias. Você e Dahyun foram convocadas a comparecer diante deles, juntas.

Sana praguejou.

– Quem mais está no comitê?

– Meu contato não quis me dizer. A boa notícia é que a reunião é apenas uma audiência investigativa. Dependendo da decisão dos auditores, o caso pode ser encaminhado à pró-reitoria para deliberação, então vocês duas terão que se apresentar diante de um comitê disciplinar. Não preciso lhe explicar a gravidade da situação se as coisas chegarem a esse ponto.

– Por que o Lee não me convoca para uma reunião e pronto? Tudo isso poderia ser resolvido em questão de minutos.

– Duvido. Denúncias e queixas não param de chegar e você está envolvida em todas elas.

O coração de Sana quase parou.

– Você acha que ainda haverá mais denúncias?

– Tenho minhas suspeitas. Mas nada foi confirmado.

– Merda! – Exclamou Sana, esfregando os olhos com força. – Me diga: qual a gravidade da nossa situação?

– Se eu fosse você, pararia de pensar em nós e começaria a me concentrar em mim. Foi por isso que você se meteu nessa encrenca, para começo de conversa.

– Apenas responda à pergunta, por favor.

Jeremy fez uma pausa, folheando as cartas sobre sua mesa.

– Já que sua integridade no que diz respeito à atribuição de notas a Dahyun está sendo questionada, o pró-reitor suspendeu a nota do seu curso. Isso significa que o histórico dela ficará incompleto até o caso ser arquivado ou julgado pelo comitê.

– Ela não vai se formar. – Sussurrou Sana.

– É política da universidade que a nota final de um aluno fique retida enquanto houver infrações acadêmicas pendentes.

– Então, dependendo de quanto tempo isto levar, ela não poderá ir para Harvard.

– Se o caso for decidido em favor de Dahyun, a nota permanecerá a mesma e a data da formatura será marcada. Mas, a essa altura, imagino que ela já terá perdido a vaga em Harvard. A menos que consiga convencê-los a deferir sua admissão.

– A admissão está condicionada à conclusão do mestrado. Ela pode até pedir, mas não creio que esteja em posição de solicitar um adiamento. E, se Harvard ficar sabendo disso, talvez retirem a proposta.

– Então é melhor ela rezar para essa questão estar solucionada a tempo de ela entrar com o pedido de formatura. E, para ser franco, você também. Se for culpada de fraude acadêmica, a pró-reitoria pode revogar sua estabilidade.

– Puta merda. – Sana esmurrou a mesa. – Quando precisaremos nos apresentar diante do comitê?

– Dia 23 de março, uma quinta-feira.

– Isso significa que eles terão menos de um mês para concluir tudo antes de ela precisar entrar com o pedido de formatura.

– Esse tipo de processo acadêmico anda a passo de tartaruga. Você sabe disso. – Ele pigarreou. – Você não está nem um pouco preocupada com a encrenca em que está envolvida?

– Não muito. – Rosnou Sana.

– Pois deveria. E digo mais: minha maior preocupação é com você, embora fosse ficar triste de ver o futuro acadêmico de Dahyun ameaçado.

– Não vou deixar que isso aconteça.

– E eu não estou disposto a deixar uma dos meus melhores professores abandonado à própria sorte. – Jeremy respirou fundo. – De acordo com a regra que está sendo acusada de violar, você é mais responsável do que ela. Está sob suspeita de ter avaliado uma aluna com base em um critério que nada tem a ver com mérito acadêmico.

– Isso é uma calúnia e você tem os papéis para provar.

– Não, não tenho. – Jeremy começou a folhear as páginas à sua frente. – Tenho alguns papéis, mas não todos. Você só me comunicou dias atrás que estava envolvida com ela. Agora meu chefe está começando a fazer perguntas. Tem noção de quanto isso é constrangedor para mim? Parece que acabei de chegar e não faço a menor ideia do que está acontecendo no meu próprio departamento.

Sana inspirou e expirou devagar.

– O que você quer dizer com isso?

– Que você ferrou com tudo, Sana, não importa de que ângulo olhe a situação. E não vou colocar em risco tudo pelo que trabalhei para acobertá-la.

A professora Minatozaki se calou, pasma.

– Por que não me contou que estava saindo com ela? Eu contratei você, pelo amor de Deus.

– Porque achei que não devia satisfações a ninguém sobre com quem eu durmo.

– Você só pode estar brincando. – Jeremy soltou um palavrão. – Você conhece as regras que governam as relações entre professores e alunos. Como manteve seu relacionamento em segredo, parece que é culpada.

Sana trincou os dentes.

– Jeremy, posso contar com seu apoio ou não?

– Farei o possível, mas isso talvez não seja muito. Se eu fosse você, notificaria a Associação de Professores para garantir que seu representante no sindicato esteja presente na audiência.

– Esta é uma caça às bruxas iniciada por uma aluna insatisfeita. Jung Eunbi está tentando fazer com que eu seja demitida.

– Talvez você tenha razão. Mas, antes de botar a boca no trombone, lembre-se de que violou a política da universidade. Isso torna muito mais fácil para a administração inferir que é culpada de outras infrações. E, a propósito, recebi um e-mail do pró-reitor me perguntando sobre a bolsa Minatozaki M. Para o seu bem, espero que não tenha dedo seu nisso.

Sana soltou uma série de xingamentos. Jeremy a interrompeu:

– Se não tem um advogado, minha amiga, está na hora de arranjar um.

Sana balbuciou alguma coisa e desligou, encaminhando-se a passos rápidos até a sala de jantar para se servir de um drinque.

Sana notificou a Associação de Professores da sua situação, mas recusou quando eles se ofereceram para acompanhá-la à audiência. Park estava convencido de que sua perspicácia judicial era muito mais ameaçadora do que a do sindicato, porém estava inclinado a admitir que, se aquilo resultasse em alguma acusação, seria conveniente envolvê-los no caso.

Park aconselhou Sana a não cooperar de forma alguma, embora a tivesse encorajado a orientar Dahyun quanto ao que ela não deveria dizer.

Se isso não desse certo, ele estava disposto a argumentar que a ômega era uma aluna instável e impressionável, obcecada por sua cliente desde a adolescência, e por isso a havia seduzido.

Na esperança de que Sana fosse seguir seus conselhos, Park não se deu o trabalho de explicar sua estratégia.

O conselho de Nayeon para Dahyun foi semelhante ao de Park. Ela orientou sua cliente a ficar calada e, se pressionada, botar toda a culpa em Sana.

Quase gargalhava de alegria diante da perspectiva de argumentar que a alfa era a professora devassa que havia seduzido uma jovem inocente com promessas de um longo e feliz futuro juntas. Quando Dahyun declarou sua intenção de contar a verdade, Nayeon lhe disse que isso era uma péssima ideia. Seu plano era trazer à tona a reputação promíscua de Sana e suas passagens pela polícia.

Como Park, ela supunha que sua cliente fosse cooperar, portanto não achou necessário revelar os detalhes da sua estratégia.

Seguindo as orientações de Nayeon, Dahyun estava de cabelo solto na manhã seguinte, pois isso fazia com que parecesse meiga e inocente. Às onze em ponto, ela se encontrou com a advogada no corredor em frente à sala da diretoria.

Sana e Park já estavam ali, colados à parede e falando em tom baixo e apressado. Os dois usavam ternos escuros e camisas brancas. Mas as semelhanças paravam por aí.

Sana a encarou por alguns instantes, o suficiente para Dahyun notar que ela estava preocupada. Não sorriu nem a cumprimentou com a cabeça.

Parecia determinada a manter distância dela.

Dahyun queria ir até ela, mas Nayeon a puxou para se sentar em um banco baixo logo em frente à sala. De repente, a porta se abriu e uma jogadora de rúgbi, aparentemente irritada, saiu para o corredor.

– Somi? – Dahyun se levantou.

A alfa parou, surpresa.

– Dahyun? Você está bem? Me diga que não...

Quando viu o rosto de Nayeon, que já estava em pé atrás dela, Somi se deteve no meio da frase. Encarou as duas, a princípio de olhos arregalados, com uma expressão intrigada, mas logo depois os estreitou. Murmurando uma série de xingamentos, ela fechou a cara e seguiu andando, deixando-as para trás.

– Somi? – Dahyun a chamou, mas ela desapareceu pelas escadas.

– Você a conhece? – Perguntou Nayeon.

– Ela é minha amiga.

– Ah, é? – Nayeon parecia incrédula.

Dahyun se virou para encará-la.

– Por quê? Você a conhece?

– Ano passado ela deu queixa de uma das minhas clientes. Foi o início da minha briga com o pró-reitor.

O cérebro de Dahyun precisou de alguns instantes para processar a revelação de Nayeon. Mas, quando o fez, ela se sentou de volta lentamente.

Nayeon foi advogada da professora Son? Onde eu fui me meter?

A resposta a essa pergunta foi interrompida pela assistente de Lee, Meagan, que anunciou que os auditores prefeririam entrevistar a Srta. Kim e a professora Minatozaki juntas.

Após uma breve consulta com seus respectivos advogados, Sana e Dahyun entraram na sala da diretoria, seguidae por Park e Nayeon. Assim que se acomodaram em lados opostos da sala, o Dr. Lee se pronunciou. Como de costume, apresentou a si mesmo e os demais membros do comitê – a professora Kang Eun e o professor Wong Wen.

– Dra. Kang Eun, vice-diretora da Coordenadoria de Assuntos de Diversidade.

Ela era uma bela mulher, com um corpo mignon, olhos escuros e cabelos negros longos e lisos. Usava um terno preto com um grande lenço cor de caqui enrolado como um sári em volta do tórax. Ela também sorriu para Dahyun, lançando olhares fulminantes e uma ou outra careta na direção de Taemin.

– Dr. Wong Wen, vice-diretor do Departamento de Assuntos Estudantis.

O professor Wong usava óculos de armação fina e uma camisa social sem colete ou gravata. Dos quatro, era o que estava vestido de modo mais informal e parecia o mais amigável. Ele sorriu para Dahyun, que retribuiu o gesto.

O pró-reitor prosseguiu com suas observações introdutórias:

– Srta. Kim, professora Minatozaki, vocês foram notificadas por carta do motivo da sua convocação. Dando continuidade à nossa investigação da denúncia de infração acadêmica apresentada contra a senhorita, Srta. Kim, conversamos com a professora Lee, a Srta. Jung, o professor Jeremy Martin e a Srta. Jeon. Durante nossa investigação, diversos fatos vieram à tona e foram corroborados por mais de uma testemunha.

O pró-reitor lançou um olhar para Sana, franzindo os lábios.

– Por esse motivo, a pró-reitoria ordenou que este comitê fosse formado para investigar mais a fundo a questão. Os fatos que vieram à tona foram os seguintes: primeiro, que uma discussão em público, com possíveis implicações de ordem pessoal, se deu entre a Srta. Kim e a professora Minatozaki durante uma aula do curso de pós-graduação ministrado pela referida professora no dia 28 de outubro, ou por volta dessa data. Segundo, que no dia 31 de outubro, ou por volta dessa data, a professora Lee concordou em orientar a dissertação de mestrado da Srta. Kim a pedido da professora Minatozaki, que posteriormente comunicou a mudança ao professor Martin. A professora Minatozaki afirmou que a mudança era necessária por conta de um conflito de interesses, a saber, o fato de a Srta. Kim ser amiga de sua família. A documentação necessária para efetivar essa mudança foi entregue à Pró-reitoria de Pós-Graduação em novembro. Terceiro, no dia 10 de dezembro, a professora Minatozaki deu uma palestra aberta ao público em Tokyo, no Japão, e a Srta. Kim a acompanhou ao evento. No decorrer da noite, ela apresentou a Srta. Kim como sua noiva. Esses fatos são comprovados pela imprensa e por fotografias, além de terem sido corroborados por uma certa professora Kim, que também compareceu ao evento. – O pró-reitor ergueu um pedaço de papel que parecia ser a versão impressa de um e-mail. Ao ouvir o nome de Yewon, Sana fuzilou o pró-reitor com os olhos e balbuciou um xingamento.

O pró-reitor a encarou com um olhar firme.

– A Srta. Kim coagiu a senhora a iniciar um relacionamento amoroso com ela?

Dahyun quase caiu da sua cadeira.

Todos os olhos na sala se fixaram em Sana, que ficou muito vermelha. Seu advogado começou a sussurrar furiosamente em seu ouvido, mas Sana o dispensou com um gesto.

– De forma alguma.

– Muito bem. A senhora está atualmente envolvida em um relacionamento amoroso com a Srta. Kim?

– Dr. Lee, até o momento o senhor não apresentou nenhuma evidência de violação à política da universidade. Tudo o que apresentou foi uma cronologia superficial de acontecimentos, que está aberta a interpretações, e um exemplo de jornalismo sensacionalista japonês. Não vou permitir que condene minha cliente com base em acusações falsas.

– Se a sua cliente não tem nada a esconder, então deveria responder às minhas perguntas. Professora Minatozaki, quando a relação entre a senhora e sua aluna começou?

Antes que Park pudesse abrir a boca para protestar, foi interrompido pela professora Eun:

– Faço objeção a essa linha de questionamento, pois relacionamentos entre professores e alunos do mesmo departamento não podem ser consensuais. E gostaria que minha objeção fosse registrada em ata.

O pró-reitor meneou a cabeça para sua assistente, Meagan, que estava digitando anotações a todo vapor no seu laptop.

– Está devidamente registrada. – Bufou ele. – Discutiremos em breve essa questão. Professora Minatozaki?

– Com todo o respeito, Dr. Lee, minha cliente não é obrigada a responder a conjecturas e especulações. Talvez a Srta. Kim pense de outra forma. – Park olhou com malícia para Nayeon, então abriu um sorriso inocente para os auditores.

– Muito bem. Srta. Kim?

Nayeon lançou um olhar furioso para Park antes de encarar o comitê.

– Minha cliente já foi submetida a uma experiência vexatória pela próreitoria ao ser forçada a se defender de uma queixa grave, porém totalmente mal-intencionada, apresentada por outra aluna. Tendo em vista o estresse e o trauma emocional que ela já sofreu, solicito que os senhores direcionem suas perguntas a professora Minatozaki. Foi ela quem pediu que a professora Lee a substituísse na orientação da dissertação da minha cliente. É dela a assinatura nos formulários, e não temos nada a dizer sobre o assunto.

Dahyun se inclinou para protestar no ouvido de Nayeon, mas a advogada a afastou com um gesto.

Dahyun trincou os dentes.

– Ah. Eis que surge o clássico dilema do prisioneiro. Fico me perguntando se vocês dois compreendem o que os aguarda se insistirem em agir dessa forma. – O Dr. Lee pigarreou. – Srta. Kim e professora Minatozaki, posso lhes conceder um breve recesso para que se consultem com seus advogados, mas espero que respondam às nossas perguntas sem delongas e com honestidade. Na ausência de qualquer tipo de testemunho, nos reservamos o direito de decidir a questão por conta própria, com base nas evidências que conseguimos reunir. E, se assim decidirmos, de encaminhar o caso à reitoria para deliberação. – A voz do pró-reitor soava fria e impassível.

– Uma vez que relacionamentos entre professores e alunos do mesmo departamento não podem ser consensuais, sugiro que dispensemos a professora Minatozaki para podermos entrevistar a Srta. Kim. – A professora Eun lançou um olhar amigável para Dahyun. – Garanto que este é um ambiente seguro. Nada do que nos revelar aqui causará represálias por parte do Departamento de Estudos Italianos. Se foi vítima de assédio sexual, podemos ajudá-la.

A compaixão nos olhos de Eun se transformou em repulsa assim que ela se virou para Sana.

Dahyun se pôs rapidamente de pé.

– Não fui assediada pela professora Minatozaki.

Nayeon segurou seu braço, mas Dahyun a ignorou. Então a advogada parou ao seu lado, aguardando o momento apropriado para interrompê-la e contestá-la.

Sana começou a balançar a cabeça, agitada, mas Dahyun não conseguia vê-la, pois estava concentrada no comitê.

– Não estávamos envolvidas enquanto eu era aluna dela. E nosso atual relacionamento é consensual.

Houve alguns instantes de silêncio, que foi quebrado pelos sons das canetas dos auditores se arrastando no papel.

O pró-reitor se recostou em sua cadeira, com uma expressão que não revelava a menor surpresa.

Para Dahyun, esse foi o primeiro sinal de que algo havia saído muito errado.

Ela se sentou devagar, ignorando a voz sibilante de Nayeon ao pé do seu ouvido e virando-se para olhar na direção de Sana. Ela tinha os olhos fixos à frente, mas Dahyun sabia que a alfa podia sentir seu olhar; conseguia ver isso na maneira como o maxilar dela estava tenso. A alfa cruzou os braços diante do peito, furiosa, os olhos cravados no pró-reitor como uma cobra esperando para dar o bote.

– Obrigado, Srta. Kim. Então se trata de um relacionamento amoroso. – O Dr. Lee lançou um olhar para Sana antes de voltar a encarar Dahyun. – Já que a senhorita foi tão franca, permita que eu lhe faça outra pergunta: quando comprou a passagem para viajar para o Japão com a professora Minatozaki?

Dahyun o encarou, confusa.

– Sem dúvida as passagens foram reservadas antes do dia 8 de dezembro, o que faria com que a data da compra estivesse dentro do semestre letivo. Então, antes de a professora Minatozaki lançar sua nota, a senhorita deve ter conversado com ela sobre sua intenção de acompanhá-la ao Japão. Isso me parece problemático do ponto de vista da relação professor-aluno, concorda?

Dahyun abriu a boca para falar, mas Nayeon a interrompeu:

– Com todo o respeito, Dr. Lee, o senhor está fazendo uma especulação.

– Na verdade, Srta. In, estou deduzindo de forma bem razoável que estamos diante de um caso de troca de favores. – Os lábios do pró-reitor se afinaram visivelmente. – Além disso, estou sugerindo que sua cliente acabou de cometer perjúrio. Ela disse que não estava envolvida com a professora Minatozaki no semestre passado. Devemos então acreditar que esse envolvimento começou, como num passe de mágica, assim que o semestre terminou?

Dahyun respirou fundo, o som ecoando nas paredes. Do outro lado da sala, a ansiedade de Sana ficava clara pelo modo como ela abria e fechava as mãos, tentando escondê-las dos lados do corpo.

O pró-reitor começou a falar, mas foi interrompido pelo professor Wong:

– Srta. Kim, a esta altura eu gostaria de lembrá-la das penalidades aplicáveis em caso de perjúrio e de violação da proibição de relacionamentos desta universidade.

Sua voz calma e gentil fazia um forte contraste com a objetividade impaciente do pró-reitor:

– Perjúrio pode resultar em expulsão ou sanções graves. Uma violação das regras de relacionamento pode pôr em risco seu desempenho acadêmico nos cursos do semestre passado.

Ele remexeu alguns papéis na mesa à sua frente.

– A senhorita estava escrevendo sua dissertação com a professora Minatozaki até o começo de novembro, cerca de um mês antes de sua viagem ao Japão. Esteve matriculada no curso sobre Dante até o final do semestre e recebeu nota máxima. A política de não confraternização existe para proteger alunos de serem molestados por professores e para evitar qualquer possibilidade de favorecimento. Se a senhorita tivesse largado o curso, não estaria aqui hoje. Porém, como continuou na turma dela, temos um problema.

O professor Wong entregou alguns papéis a Meagan, que os levou obedientemente até Dahyun e Nayeon. Enquanto Nayeon analisava os documentos, Dahyun ficou horrorizada. Ela tornou a lançar um olhar para Sana, mas a alfa não retribuiu.

– O professor Martin afirmou diante deste comitê que não se lembra de haver tido nenhuma conversa com a professora Minatozaki sobre o fato de a professora Lee ficar responsável por atribuir nota ao seu trabalho no curso sobre Dante. De acordo com a Secretaria, foi a professora Minatozaki quem lançou sua nota através do sistema on-line. O que acabou de receber são cópias datadas desses arquivos eletrônicos.

– Dr. Wong, uma vez que só estamos recebendo esses documentos agora, gostaria de solicitar um pequeno recesso para conversar com minha cliente. – A voz de Nayeon tirou Dahyun de seu estado de choque.

– Não é momento para isso, Srta. In, visto que sua cliente já cometeu perjúrio. – Falou o pró-reitor, ríspido.

– Discordo. – Intrometeu-se a professora Eun. – A Srta. Kim talvez não seja a pessoa mais adequada para julgar se foi ou não vítima de coerção. Certamente qualquer perjúrio de sua parte seria perdoável se ela tiver sido vítima de assédio.

– Foi a professora Lee quem deu nota ao meu trabalho. Estou certa de que ela poderá esclarecer este mal-entendido. – Embora trêmula, a voz de Dahyun assumiu um tom inflexível.

– Pró-reitor Lee, desculpe-me pela interrupção, mas acabo de receber um e-mail da professora Lee. – Atalhou Meagan com voz hesitante.

Ela foi até o pró-reitor levando seu laptop.

Ele correu os olhos pela tela antes de dispensá-la com um gesto.

– Parece que a professora Lee confirma sua versão dos fatos, Srta. Kim.

Nayeon se inclinou para a frente.

– Então isso deveria bastar para esclarecer a questão. Com todo o respeito, solicitamos que este comitê conclua a investigação e encerre o caso.

– Calma lá, Srta. In. – O professor Wong olhou de Sana para Dahyun com uma expressão intrigada. – Se esse relacionamento é mesmo consensual, por que a professora Minatozaki está se escondendo atrás do seu advogado?

– Tudo o que os senhores fizeram foi apresentar especulações e fantasias. Por que minha cliente deveria responder à sua pergunta?

– Temos o direito de tirar nossas próprias conclusões com base nas evidências. Não posso falar por meus ilustres colegas, mas afirmo que, em minha opinião, a sua cliente e a Srta. Kim estavam envolvidas no semestre passado. O que significa que elas violaram as regras e que a Srta. Kim cometeu perjúrio.

Park se levantou.

– Se este comitê pretende continuar por este caminho, seremos obrigados a pedir auxílio à Associação de Professores da Universidade de Seul e à Associação dos Professores Universitários, assim como a tomar todas as medidas legais cabíveis. Gostaria de alertar os auditores contra os perigos de difamar minha cliente.

O pró-reitor abanou a mão no ar com desdém.

– Sente-se. Não aceitamos ameaças.

Ele esperou até Park se sentar antes de jogar a caneta na mesa à sua frente. Tirou os óculos e os pousou ao lado da caneta.

– Uma vez que tudo indica que chegamos apenas à ponta de um iceberg, talvez seja melhor suspendermos esta audiência para darmos início a uma investigação mais aprofundada.

Sana cerrou os dentes, sabendo que a demora comprometeria ainda mais a admissão de Dahyun em Harvard.

– Antes de suspendermos a audiência, creio que a Srta. Kim deveria ter a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos sem a presença da professor Minatozaki. – Disse a professora Eun, meneando a cabeça para Dahyun. – A professora Minatozaki é uma mulher poderosa. Talvez, Srta. Kim, a senhorita estivesse preocupada com sua reputação e ela tenha se aproveitado disso. Talvez acredite que a relação seja consensual agora, mas será que sempre foi assim? Mais de uma testemunha relatou que ela foi muito ríspida com a senhorita no semestre passado.

Park ficou de pé com um pulo, quase apoplético.

– Isto é um absurdo! Dr. Lee, o senhor não vai fazer nada enquanto minha cliente é caluniada por um dos auditores? Quero que minha objeção seja registrada. E que conste também que pretendo dar queixa junto à próreitoria sobre o comportamento antiético da Dra. Eun.

– Quero que a professora fique. – Disse Dahyun em voz baixa.

– Muito bem. – O tom de voz da professora Eun se tornou mais brando. – Estou certa de que esta situação é estressante e perturbadora. Mas a senhorita deve saber que o comitê já está ciente do email que enviou a professora Minatozaki, no qual pedia que ela parasse de assediá-la. Volto a reiterar que estamos aqui para descobrir a verdade.

De repente a sala em volta de Dahyun ficou nebulosa e ela pestanejou. Sons abafados chegaram aos seus ouvidos, quase como se ela estivesse afundando na água. Tudo ficou em câmera lenta, em especial sua mente, conforme a gravidade da revelação da Dra. Eun se arrastava pela sua pele como um dedo gelado.

Meagan entregou algumas folhas de papel para Park e Nayeon.

Park deu uma olhada rápida nelas antes de jogá-las de lado.

– É completamente inadequado que os senhores nos surpreendam com documentos que não foram mencionados na carta enviada a minha cliente.

– Isto não é um julgamento. É apenas uma audiência investigativa. Não temos obrigação legal de revelar informação alguma, Sr. Park. Professora Eun, por favor, prossiga. – O pró-reitor se recostou em sua cadeira, dedicando toda sua atenção a Eun.

– Sei que a senhorita não deu queixa de assédio sexual contra a professora Minatozaki. Mas ainda não é tarde demais para fazer isso. Se quiser, podemos dispensá-la para discutirmos o assunto.

Park balançou a cabeça.

– Minha cliente nega terminantemente qualquer tipo de assédio, sexual ou não, à Srta. Kim. Se alguém deveria ser investigado por assédio, essa pessoa deveria ser Jung Eunbi, que foi quem instigou de má-fé toda esta confusão.

– Não se preocupe, a Srta. Jung irá responder pelos seus atos. – Disse o professor Wong com uma voz suave, sem rodeios. – Srta. Kim, também estou interessado na troca de e-mails entre vocês, na qual a senhorita pede a professora Minatozaki que pare de assediá-la. Pode nos dizer em que contexto escreveu isso?

– Foi um erro. – A voz de Dahyun soou baixa, mas ainda assim ecoou em alto e bom som pela sala.

– Um erro? – Repetiu a professora Eun.

– Nós tivemos... um mal-entendido. Eu jamais deveria ter usado a palavra assédio. Eu estava com raiva. Não foi o que quis dizer.

Nayeon começou a sussurrar no ouvido de Dahyun, mas ela se afastou, retorcendo as mãos.

– Não houve assédio algum. Por isso não dei queixa.

A professora Eun encarou Dahyun com uma expressão cética antes de se dirigir ao pró-reitor:

– Gostaria de propor a suspensão desta audiência. Tenho muitas perguntas sem resposta que gostaria de fazer às demais testemunhas. E gostaria de entrevistar a Srta. Kim em um ambiente menos hostil. – Ela lançou um olhar fulminante na direção de Sana.

– A Srta. Kim negou a acusação. Ela não deu queixa da minha cliente e, de acordo com o parágrafo 10º da política da universidade sobre assédio sexual, ela não pode ser coagida a fazer isso. Que tal seguirmos em frente?

– Não preciso que me diga como conduzir esta audiência, Sr. Park. – Disse o pró-reitor, perdendo a paciência. – Iremos levar todo o tempo necessário para investigar qualquer questão relevante ao caso que temos diante de nós.

O Dr. Lee chamou os demais auditores com um gesto, pedindo que se aproximassem para que pudessem confabular. A simples menção de um adiamento fez o coração de Dahyun disparar e ela fitou Sana, cujo rosto estava muito vermelho, com olhos assustados.

Poucos minutos depois, o pró-reitor pôs os óculos de volta e correu os olhos pela sala.

– Seguindo a sugestão da professora Eun, eu irei suspender esta audiência. A senhorita foi honesta, Srta. Kim, e lhe agradeço por isso. Mas a senhora, professora Minatozaki, não nos contou nada. Sua recusa em cooperar não nos deixou escolha senão voltarmos a falar com todas as testemunhas. Em especial, tenho algumas perguntas que gostaria de fazer ao chefe do seu departamento, o professor Martin. Se o relacionamento entre vocês duas tiver sido consensual, ambas correm o risco de terem violado as regras de relacionamento. E a senhorita, Srta. Kim, possivelmente cometeu perjúrio no que diz respeito a quando o relacionamento em questão de fato começou. Por outro lado, o e-mail que enviou a professora é incompatível com suas declarações. Há também a questão da bolsa Minatozaki M., que a senhorita menciona no e-mail. Não permitirei que esta audiência se torne um julgamento precipitado. Portanto, precisamos de um adiamento para concluir nossa investigação. Esse adiamento pode ser de várias semanas, dependendo de quanto as testemunhas estejam dispostas a cooperar. É claro que, se preferirem evitar um adiamento, podem responder a nossas perguntas. – Com essas palavras, o pró-reitor lançou um olhar severo para Sana e Park.

Dahyun observou Sana fechar os olhos, os lábios se movendo como se ela sussurrasse algo para si mesma. Então seus olhos se abriram de repente e ela se levantou.

– Chega! – Bradou.

Seis pares de olhos se voltaram para o rosto irritado da professora, que lançava um olhar fulminante e desafiador para os auditores.

– Não será preciso adiamento algum. Eu vou cooperar. – O maxilar de Sana estava tenso, seus olhos castanhos faiscavam.

Dahyun sentiu um aperto no peito.

– Parece que enfim conseguimos sua atenção, professora Minatozaki, além de convencê-la a sair de trás do seu advogado. – Falou Wong com sarcasmo.

– Esse comentário está abaixo do seu nível. – Retrucou Sana, com um gesto de desdém.

O pró-reitor interrompeu a disputa de “quem pisca primeiro” entre os dois alfas.

– A senhora está disposta a responder às perguntas deste comitê? – Perguntou ele.

– Sim.

Assim que Park se recuperou do susto, ele se levantou para ficar ao lado de Sana.

– Dr. Lee, minha cliente me contratou para aconselhá-la. Poderia nos conceder um instante?

O pró-reitor assentiu e Park começou a sussurrar apressadamente ao ouvido de Sana.

Dahyun pôde ver que ela não estava gostando do que Park lhe dizia e a observou fazer as palavras “Não, não, não” com a boca.

Logo em seguida, Sana dispensou Park com um olhar mortífero.

– Estou disposta a responder a toda e qualquer pergunta, mas não com a Srta. Kim presente. Algumas das respostas que pretendo dar são de cunho pessoal e por vários... motivos, prefiro que elas permaneçam confidenciais.

O pró-reitor avaliou Sana com um olhar atento e concordou com a cabeça.

– Muito bem. Srta. Kim, a senhorita está dispensada por ora, mas, por favor, permaneça no prédio. Talvez sua presença seja requisitada em breve.

– Se a professora Minatozaki tiver intenção de difamar minha cliente, ela pode fazê-lo na nossa frente. – Protestou Nayeon.

– O acordo coletivo com o sindicato dos professores garante a confidencialidade em procedimentos disciplinares. – A voz do pró-reitor ficou muito fria. Ele se consultou com seus colegas por alguns instantes, então meneou a cabeça na direção de Dahyun. – Se a professora Minatozaki oferecer um testemunho que implique a sua cliente, vocês terão direito a réplica. Qualquer questão não relacionada ao seu caso, Srta. Kim, permanecerá confidencial. Srta. In, Srta. Kim, por ora estão dispensadas. Minha assistente irá avisá-las quando sua presença for necessária.

Nayeon balançou a cabeça, mas agarrou o braço de Dahyun e tentou puxá-la em direção à porta no fundo da sala.

Dahyun fincou os pés no chão.

– Nosso relacionamento foi consensual. Eu sabia o que estava fazendo e não me arrependo. Nem um pouco. Não foi só um caso. E não houve assédio.

O pró-reitor não pôde deixar de notar quando a professora Minatozaki começou a esfregar os olhos e a boca, praguejando em voz baixa.

– Srta. Kim, a senhorita terá direito a réplica. Agora, por gentileza...

Nayeon se apressou em arrastar Dahyun dali. Ela tentou em vão encontrar o olhar de Sana antes de sair, mas a alfa estava cabisbaixa, de olhos fechados.


Notas Finais


Até.


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