História Redenção - Capítulo 28


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Categorias Malhação
Tags Limantha
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Palavras 3.569
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura, amores!

Capítulo 28 - Dança comigo.


Há mais de 8 anos eu desenho esse rosto. Ela está diferente agora, mas eu não preciso olhar pra ela para poder passar para o papel. Eu olho, no entanto. Olho muito. Olho porque eu amo olhar para a Samantha, ainda mais quando ela está sem nenhuma roupa. Ela é a mulher mais bonita que eu já vi na vida. É impossível alguém não admirá-la. Ela se remexe, discretamente. Eu prendo um sorriso, enquanto continuo a desenhá-la.

Eu não sei o que é melhor nessa situação toda: O corpo dela cheio de tinta, como costumava ficar quando brincávamos anos atrás, o fato dela estar nua em meu ateliê ou seu cabelo pós sexo, bagunçado, caindo em seus ombros. Ela se remexe outra vez e eu não seguro minha risada.

- Você não muda, Samantha. É impossível ficar parada.

- É impossível me concentrar com você seminua na minha frente. – Gesticula.

- A culpa foi sua. – Aponto o lápis para ela. – Quieta, eu já estou terminando.

- Ainda sou sua musa, Heloísa Gutierrez?

- Nunca deixou de ser. – Sorrio. – Você sabe que a primeira vez que você disse isso, eu senti como se o meu corpo estivesse se revirando por dentro? Parecia que meus órgãos estavam dando uma volta. – Samantha solta uma gargalhada gostosa.

- Eu era muito boa nas cantadas, diga a verdade.

- Nem me fale. – Rio baixo. – Você ainda faz isso.

- Cantadas boas?

- Não, besta. – Ela muda de posição. – Me revira por dentro.

- Eu posso me acostumar com essa Lica romântica. – Brinca.

- Eu sempre fui romântica.

- Não comigo. – Eu mordo o lábio, encarando-a.

- Só não conseguia me expressar. – Deixo o lápis no cavalete e me aproximo dela. – Não sou tão boa com palavras como você.

- Você não precisa ser. – Me puxa para o sofá. – Mas, é bom te ouvir. – Confessa.

- Você escreveu mais músicas sobre mim?

- Pergunta idiota, Lica. Claro que escrevi. Centenas.

- Posso ouvir algum dia? – Ela faz uma careta. – Melhor não. – Deduzo.

- Ai, tinha uma assim... Como era? – Levanta, colocando o vestido.

- Decidi que aquilo ia acabar,

Eu voltei a trabalhar,

E a cantar minhas canções.

Minha mãe agora incentivava

E com o dinheiro que ganhava

Eu banquei as gravações.

 

E a música do meu passado

Explodiu pra todo lado

Fiz sucesso e fiquei rica.

Peguei tanta gata da tv

Tinha até ex-bbb,

Eu mesma não acredito.

- Ai, como você é idiota, Samantha. – A empurro, ouvindo sua risada ecoar. – Para, não tem graça nenhuma. – Cruzo os braços. – Você pegou ex bbb?

- Essa música não é minha, Lica. – Limpa os olhos. – Poderia ser, mas não é.

- Pegou ou não pegou, Samantha?

- Não peguei, Heloísa. – Termina de se vestir. – Se peguei, eu não sabia.

- Culta Lambertini que nunca assistiu o bbb. – Ela ri, lavando os braços na torneira. – Tem toalha ali dentro. – Aponto para um armário.

- Eu vendi várias músicas que eu fiz pensando em você. – Assume. – A maioria delas, eu acho.

- Posso te confessar uma coisa? – Ela olha pra mim, acenando. – Eu vivia jogando teu nome no google para ver notícias suas. – Samantha arqueia as sobrancelhas. – Não olha pra mim como se você nunca tivesse imaginado isso. Qualquer pessoa faria. – Dou os ombros. – Quando alguém lançava música sua, eu ficava vendo as letras e imaginando pra quem você tinha escrito...

- Mas eu tenho muita música vendida que nunca foi lançada. Às vezes eles esperam, tentam achar uma voz que combine ou alguém que goste. – Explica. – Às vezes engavetam.

- E você não fica chateada?

- Ficava no início. Mas, depois eu me acostumei. Se a letra for de muita importância para mim, eu não negocio facilmente.

- Acho que eu sentiria um pouco de ciúmes. – Mordo o lábio. – Na verdade, eu meio que sinto por você. Porque eu escuto a música, e por mais bonita que esteja, eu sempre fico imaginando na tua voz. – Ela fica calada, me olhando. Eu sinto meu rosto esquentar rapidamente. – O que é, Samantha?

- Nada! É só... – Ela sorri, se aproximando. – Nada. – A musicista segura meu rosto, enquanto me beija. – Vai se vestir, vai. Se não eu vou acabar querendo transar de novo e meus pais estão me esperando em casa.

- A gente sabe que cresceu quando frases como essa saem da sua boca. – Rio.

Eu pego meu short e minha blusa do chão e começo a me vestir. Um dia, nós duas fomos para um motel. Foi a primeira vez que eu entrei em um e a primeira vez dela também. Estávamos super nervosas. Não precisávamos buscar um lugar para transar, mas aquela noite, depois de uma festa e muita bebida, resolvemos ir. Passamos a primeira hora rindo. Parecíamos duas crianças entrando em cantos proibidos. Aí começamos a aproveitar de tudo, da cama, da privacidade, do nosso tempo.

Quando o dia amanheceu, acordamos totalmente desorientadas. No celular da Samantha tinha umas vinte ligações de seus pais, no meu uma da minha mãe, porque ela sabia que eu não dormiria em casa. E, ao invés de pularmos da cama para irmos, nós simplesmente resolvemos pagar umas horas a mais e continuamos o que havíamos parado antes de adormecermos. Era como se nada mais nos importasse. Sabíamos que iriamos receber reclamações, mas não parávamos. Nunca nada nos parava.

- Lica? – Eu levanto a cabeça. – Pensamento foi longe?

- Um pouco. – Admito, abotoando minha blusa. – A gente era meio inconsequente, né?

- Meio? – Ri, me abraçando. – Erámos muito. – Termino de prender meu cabelo e a abraço também. – Por que você está falando isso?

- Uma lembrança que me veio na cabeça. – Aliso seu rosto.

- Essa é a hora que você diz que não acredita que eu estou aqui.

- É porque é surreal demais. – Suspiro. – Por mais que eu tenha sonhado, que eu tenha desejado... Eu nunca acreditei que fosse te ter assim de novo. – Ela continua me encarando. – Para com isso!

- Com o quê? – Tento me afastar, mas ela me segura.

- Fica me olhando como se tivesse duvidando do que eu estou falando. – A empurro e ela me prende. – Sai, Samantha. Olha, eu que é difícil pra você acreditar em mim, mas eu não estou men...

Seus lábios me calam e eu relaxo em seus braços mais uma vez. Não importa quantos anos passem, sua boca sempre vai ser minha favorita. O beijo da Samantha é muito diferente de tudo que eu já provei. O jeito que ela me segura, sua delicadeza, sua agilidade, seu gosto, é tudo tão bom.

- Acalmou?

- Sim. – Sussurro.

- Eu não estou duvidando de você. – Passa o polegar em meu queixo. – Você diz que é surreal eu estar aqui, mas é surreal pra mim também, Lica. Quantas vezes eu te imaginei falando coisas assim?

- Não fica calada. – Seguro sua mão. – Quando eu não sei o que você está pensando, me bate um medo terrível.

- Estava pensando em tirar tua roupa de novo.

- Samantha! É sério. – Reclamo.

- Mas, eu estou falando sério. Você me enlouquece falando assim, sendo sincera comigo sobre o que você sente. Eu quis tanto isso, Lica, tanto!

- Argh! – A abraço, apertando fortemente seu corpo contra o meu. – É muita saudade pra pouco eu!

- Nem me fala. Mas, eu preciso ir de verdade. Prometi que iria ajuda-los.

- Por que eles não quiseram ficar no seu apartamento essa noite? – Pego a chave do meu carro. – Não seria mais cômodo?

- Meu pai pediu até para faxinarem o apartamento deles antes de vir. – Ela me segue, mas para no meio do caminho. – E o meu desenho? Eu quero ver.

- Quando eu termina-lo de verdade, eu te mostro. – Puxo sua mão. – Vem!

- Você vai me dar?

- Um quadro seu sem roupas? Pra quê? – Tranco o ateliê. – Melhor ficar na parede do meu quarto.

- Pervertida. – Entrecerra os olhos. 

- Inteligente, eu diria.

Nós duas caminhamos de mãos dadas pelos corredores já escuros. As lojas já fecharam. Encontrar um lugar vazio e seguro para montar meu ateliê foi bem difícil, porque não é focado para trabalho. Esse lugar é realmente o que eu uso quando quero fugir e externar minhas emoções. Me despeço do segurança, Sr. Cássio, que sempre está aqui quando venho. Eu e ele já passamos madrugadas conversando sobre filmes. É um bom homem, com uma família linda. No caminho para o apartamento da Samantha, eu vou contando sobre tudo.

Eu aluguei o depósito com a ajuda da Luana. Na verdade, a dona da galeria é amiga da Vivi e elas me passaram o contato. Ela estranhou, porque geralmente aparecem pessoas querendo alugar espaços para lojas ou escritórios. Eu tinha acabado com o Felipe fazia pouco tempo. Me enfurnava ali, como eu costumava ficar na época que eu pintava no galpão do Roney. E assim, fiz amizade com a maioria que trabalha por lá.

- Entregue. – Estaciono. – Sã, salva e na hora.

- Você quer subir?

- Ahn... – Eu desvio o olhar, nervosa. – Acho que eu já atrapalhei demais hoje.

- Tudo bem. – Ri, balançando a cabeça. – Quando chegar em casa, me avisa, tá?

- Pode deixar. – Ela tira o cinto e me dá um beijo rápido. – Samantha... Amanhã uma banda, que a Tina e o Anderson estão cuidando, irá se apresentar aqui perto. – Digo. – Se você quiser ir, eu posso arrumar um ingresso com eles.

- Só posso te garantir amanhã. Eu te ligo à tarde. – Eu assinto. – Dirige com cuidado.

- Eu sou uma piloto. – Ela vira os olhos, fechando a porta. – Sonha comigo!

- Se você sonhar também!

Eu sorrio, esperando que ela entre no prédio para poder sair. Samantha vira e acena, antes de desaparecer. Encosto minha cabeça no banco do carro, suspirando aliviada. Estava preocupada com o que poderia nos acontecer, mas acho que estamos na mesma página. Ela está mesmo me dando uma chance e eu preciso aproveitá-la. E eu vou. Samantha não irá se arrepender de ter ficado comigo de novo.

*

 

- Anda logo, Lica! – Keyla me apressa.

- Já vou, já vou. – Entro no carro. – Boa noite, casal agonia!

- Eu estava quieto. – Tiago começa a dirigir.

- Você que passa mil anos conversando na portaria, Heloísa.

Eu rio, olhando para a janela. A Samantha aceitou ir no último minuto. Ela me ligou a tarde, dizendo que estava cansada por causa da mudança dos pais. Mas, depois voltou a me ligar, contando que havia adormecido e recuperado as energias. Ela não sabia, mas eu já tinha até desistido de ir. Quando ela voltou atrás, corri para ligar para a Tina nos arrumar os ingressos novamente. Eu amo os eventos que minha amiga e o Anderson participam. Os artistas sempre são bons. É por isso que a produtora deles está fazendo tanto sucesso. Tenho certeza que a Samantha vai amar.

Ainda está cedo e o pessoal gosta de ficar na calçada antes dos shows começarem. Como combinamos de nos encontramos fora, não é difícil achar o grupo conhecido perto da entrada. Meu coração vai para a boca, eu tenho certeza que ele pode fazer isso toda vez que eu vejo a Samantha. Ela está com uma camiseta preta transparente, com o símbolo do Evanescence na frente, short jeans rasgado, jaqueta pendurada na cintura e tênis.

- Heloísa! – Eu balanço a cabeça, olhando para Keyla. – Meu Deus, desse jeito você não sai do carro nunca.

- Vai encher tudo de baba. – Tiago ri, abraçando a namorada. Eu estiro o dedo do meio. – Guarda isso pra fazer coisas melhores.

Eu o empurro, acompanhando eles dois até nossos amigos. MB, Guto, Benê e Ellen já chegaram. Provavelmente Tina e Anderson estejam lá dentro. Me aproximo, meio sem jeito e cumprimento todo mundo. Samantha me dá um beijo demorado na bochecha. Não sei muito bem como reagir. Nós entramos juntos, conversando. Logo o clima fica leve. Sair com eles é como se o tempo nunca tivesse passado. É impressionante ver a Samantha gargalhando como antigamente numa roda de conversa com a gente.

Por tanto tempo achamos que isso não aconteceria mais. E eu me culpando por ter estragado a relação dela com todos eles. Nós ficávamos, mas ela era amiga de todo mundo antes de tudo, não existia um ser humano que não gostava dela. Bem, só o babaca que não merece ser mencionado. Não foi justo essa distância toda. Então me dá um alivio enorme estarmos aqui assim. Quando a banda começa a tocar, eu vou para o seu lado, recuperando minha coragem. Samantha não se incomoda. Pelo contrário, ela me puxa em seus braços. Nós curtimos o show assim, abraçadas.

- Meu limantha tá vivo? É isso mesmo? Contem para o MBzinho aqui! – Ele nos abraça. – Eu posso ser o padrinho?

- MB, não força! – Sussurro. 

- Qual é, Liquinha? Não estou forçando nada! Chorou muito em meu ombro essa daqui. – Ele aponta para mim e Samantha arqueia as sobrancelhas.

- Ei!! – Bato no ombro dele. – Dá pra calar a boca?

- Deixa ele falar, Lica. – Samantha o abraça e eu abro a boca, incrédula.

- Complô? É isso? – Tiro a garrafa de cerveja da mão dele e bebo. – Mereço!

- Samanthinha, fui expulso 3 vezes de festas por causa dela.

- Ok, já chega. – O encaro. – Sério, não faz isso.

- Agora eu fiquei curiosa. – Ela me olha. – O que houve?

- Valeu, Michael.

Eu saio de perto deles, indo em direção ao balcão. Peço outra cerveja para mim, porque a que peguei dele já estava no final. Não gosto de me lembrar daquelas festas. Eram infernais. Eu cheguei a ter medo de sair com meus amigos por causa daquele idiota. Ele dizia que só ele me aguentava, mas acontecia justamente o contrário. Só eu suportava aquele ser.

- O que foi? – Tina senta ao meu lado.

- O MB e sua enorme boca! – Aperto a garrafa. – Falando sobre coisas que eu não quero.

- Sobre as brigas, né? – Eu assinto. – MB sendo desnecessário. Se preocupa não, K1 está vindo por aí e ele se aquieta em dois tempos.

- Amém. – Jogo as mãos para o alto, exageradamente. – Santa K1. Achei que eles iam ficar na festa do Tonico.

- Eu também. – Ri. – Mas é questão de tempo. Está aberta a temporada de recaídas e voltas.

- Amém de novo, Tina. – Brindo com ela. – Que só voltem os bons.

- Por favor.

Eu tomo minha bebida olhando para os dois conversando distantes de mim. MB gesticula horrores e Samantha apenas balança a cabeça, com os braços cruzados e uma expressão séria no rosto. Fecho os olhos, querendo esquecer.

 

FlashBack!

- Não precisa rebolar tanto. – Segura meu braço.

- Não enche, Felipe! – Tento me afastar.

- Está se amostrando pra quem?

- Eu só estou dançando. É uma festa, percebeu? Eu quero me divertir com nossos amigos.

- Precisa rebolar?

- Preciso. Eu gosto de rebolar.

- Eu também. Quando estamos sós e de preferência na cama. Não aqui no meio de um monte de gente.

- Para de falar bosta, parceiro! – MB me puxa. – A mina só quer dançar!

- Não se mete, MB. Fica na tua, vai.

- Felipinho, deixa a Lica em paz.

- Cuida da tua mina e eu cuido da minha.

- Primeiro que ninguém é dono de ninguém aqui. – Coloca a mão no peito do Felipe. – É só uma dança, não precisa ficar nervoso.

- Me erra, MB!

- Parem. – Eu saio detrás do meu amigo, chateada. – Não quero mais, pronto. – Felipe sorri, vitorioso. – Quero ir embora.

- Ah, não, Lica. A festa mal começou. – Ouço Tina reclamar. – Você não passa mais de meia hora com a gente mais.

- Ela não tá afim.

- Ela sabe falar. – MB começa a ficar com raiva. – Ela é bem mais legal quando você não está por perto.

- Eu sei bem o que ela faz quando eu não estou por perto. Mas, adivinha! Eu estou aqui hoje.

- Infelizmente. – Tina sussurra.

- Vambora, Felipe.

- Não, vamos ficar. – Eu franzo a testa, enquanto ele me abraça. – É só não rebolar. Se comporta.

- Para de tratar ela como criança.

- Deixa, MB. – Suspiro, sentindo minha garganta fechar. Mais uma vez, estou passando vergonha na frente de todo mundo. – Vai se divertir.

- Só se você vier comigo.

- Meu irmão, esquece a Lica! Ela vai ficar aqui comigo. Não solto minha mulher, ao contrário de você. – Solta um riso sarcástico. – Olha os machos olhando pra K1 descendo no chão.

- Você acha que eu me importo? Eu me garanto muito. Portanto que ela esteja se divertindo, não tô nem aí!

- Isso que dá namorar com pu...

Não dá tempo ele terminar a frase. MB acerta um direto em seu olho esquerdo. Eu me assusto com a briga repentina. Tina segura meu braço e me puxa para o outro lado, enquanto eu grito para que eles parem. O Felipe se desequilibra e cai no chão. MB aproveita para socar seu rosto novamente. Uma, duas, três vezes. Já está sangrando muito. Anderson corre para segurar o MB e o Tato aparece tentando acalmar o Felipe.

- Eu quero todos vocês fora daqui. Agora! – Um segurança fala. – Ou eu vou ser obrigado a tomar providências mais sérias.

Fim do FlashBack!

 

Abro os olhos, vendo a Samantha vindo em minha direção. Antes que eu fale alguma coisa, ela junta nossos lábios. Aproveito seu beijo, me ajeitando no banco. Melhor jeito de me trazer de volta a realidade, sem dúvidas.

- Me desculpa. – Sussurra. – Eu não queria ter entrado nesse assunto.

- Tá tudo bem. – A encaro. – Ele te contou? – Ela assente. - Ok...

- Vamos dançar. – Segura minha mão. – Vamos dançar até o chão. – Eu sorrio. – Dança daquele jeito que você dançou no noivado Gunê, por favor. Preciso ver uma coisa.

- Você vai dançar comigo?

- Com todo prazer do mundo.

Nós vamos para o meio da galera. Keyla levanta com Tiago, Tina e MB nos seguem. Anderson está como DJ. A banda que tocou há pouco se aproxima para falar com a Samantha e ela os cumprimenta, simpática, elogiando o show deles. K1 também aparece. Minha professora particular de dança. Lógico que eu precisei da ajuda dela para conseguir me movimentar melhor. Quero dizer, o máximo que eu conseguia antigamente era jogar os braços para cima. Ela já chega perto da gente dançando.

Aí eu me permito fazer o mesmo. Samantha sorri, me olhando e todo mundo ao meu redor some. Sinto a música entrando em meu corpo e me movo no ritmo de cada batida. A musicista segura minha cintura, dançando comigo. Uma, duas, dez, músicas. Eu olho para os lados e nossos amigos já estão sentados. Estamos suando, mas continuamos perto. Desacelero nossos passos para poder beijá-la com calma. Samantha suspira em meus lábios, aceitando o beijo. Eu só queria agradecê-la por estar aqui comigo, por dançar comigo, por me fazer bem.

Nós voltamos para mesa dos meninos.

- Olha, a Samantha e a Lica estão tentando outra vez. – MB fala.

- Mas, é diferente. – K1 rebate. – Não tem nada a ver.

- Claro que tem a ver. Elas se gostam. Eu gosto de você. Você não gosta de mim? – Ela não responde. – Me ajuda aqui, gente!

- Ele gosta de você de verdade. – Digo.

- Viu? Eu gosto mesmo! – Faz bico. K1 ri, mas não fala nada. – Vem, vamos conversar.

Os dois saem da mesa e nós rimos, já sabendo onde isso irá terminar.

- É... Parece que está tudo voltando. – Guto sussurra.

- Falando nisso... – Eu me viro para ele, enquanto Samantha está conversando com Tina. – O que eu posso fazer pra acabar com esse clima estranho entre nós dois?

- Eu não queria que a Samantha voltasse com você. – Assume. Eu engulo seco. – Mas, como eu não posso me meter... Só quero que você não machuque minha amiga outra vez. É o mínimo que você pode me prometer.

- Eu prometo. – Digo rapidamente. – Prometo, Guto.

- Promete o quê? – Samantha aparece.

- Que ela irá me ceder suas aulas, enquanto você viaja. – Fala.

- Sim, é isso. – Mordo o lábio. – Vocês já... decidiram?

- Nós iremos sim. – Eu assinto, um pouco incômoda. – Vamos pra casa? Estou morta!

- Ah, sério? Não te quero morta não. – Mordo sua bochecha, me aproximando do seu ouvido. – Te quero bem viva.

*

 

Eu abro os olhos, ouvindo um ruído estranho. Samantha ainda está dormindo. Esfrego o rosto, me orientando. 10:05hrs. Ouço o barulho novamente e me assusto.

- Sam... – Balanço a mulher ao meu lado. – Samantha!

- O quê? – Vira a cabeça para o meu lado. – O que foi?

- Alguém está tocando a campainha. – Aviso.

- Deve ser a minha vizinha insuportável atrás de alguma comida. – Resmunga. – Vai lá atender.

- Ah, mas não vou mesmo. – Puxo o lençol em meu corpo. – Levanta, deixa de preguiça!

Samantha fala uns palavrões baixo e eu rio, enquanto ela veste um blusão. Eu me levanto também, colocando uma roupa. Meu coração congela quando eu escuto uma voz bem conhecida. Droga, droga... Arrumo meu cabelo mais rápido e saio do quarto, envergonhada. Coisa que nunca aconteceu antes, devo dizer. Dormi diversas vezes na casa da Samantha e nunca sentia vergonha de sair do seu quarto por causa dos seus pais. Hoje eu estou sentindo e é horrível.

- Heloísa. – A mulher me encara. – Quanto tempo!

- Tia Marcela. – Esfrego os braços. – Tudo bem?

 

 


Notas Finais


Música que a Samantha canta: https://www.youtube.com/watch?v=9gHWFQDZ2NQ


Ok, primeiro... Eu falei que estava meio insegura com os capítulos e vocês comentaram muito, bateram o número de comentários do capítulo do flashback e eu fiquei muito, mas muito feliz. Sério, obrigada mesmo pela confiança que vocês estão tendo. Obrigada pelos elogios, pelas sugestões, pelo incentivo. Parece besteira, mas é importante de verdade pra mim! Então, eu nem tenho o que dizer a vocês. OBRIGADA MESMO. <3

Consegui fechar vários furos que estavam me emperrando um pouco para seguir, agora vamos que vamos! Hora de movimentarmos tudo... Como vocês acham que a mãe da Samantha vai receber a Lica? E essa viagem, heim? Será que vai ser boa? Algo me diz que ela será bem interessante. Próximo capítulo vai ter a Lica sendo a diretora fodona do Grupo? Talvez sim! Talvez no outro. Hmm... Alguns pais são bem desnecessários.

Enfim!! Espero que vocês gostem.
Até o próximo, meus amores!

Twitter:Linscrevi


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