História Redtale - Capítulo 29


Escrita por: ~ e ~cecifrazier

Postado
Categorias Undertale
Personagens Asgore Dreemurr, Asriel Dreemurr, Chara, Frisk, Papyrus, Sans
Tags Charisk, Redfell, Redtale, Undertale
Visualizações 102
Palavras 3.680
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Fantasia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


HEY PESSOAS
Agora que percebi que temos uns cinco capítulos já prontos e nem postamos, affu.
(É culpa da Usagi, mandei ela postar. Mentira, mig, te amo)

Nossos bebêzinhos já têm 15 anos, ou seja, adolescentes aborrecentes!
Scrr, de onde tirei isso?

Enfim
Boa leitura! <3

Capítulo 29 - Capítulo 7 - Aprendendo a Caçar


 

《《 Dez Anos Depois 》》 

 

Aquela família não podia ser mais animada e unida, assim como Eridan em sua infância havia dito, o cheirinho era de menino! Dali nasceu Killian, um rapazinho muito parecido com sua mãe. A pele do menos era pálida e os olhos vermelhos, apenas o cabelo castanho e o jeitinho orgulhoso e marrento foram herdados do pai.  

 

Killian gostava de imitar seu irmão mais velho e não era pra menos. Eridan tinha se tornado um rapaz que atraía olhares, sua pele era como a mistura perfeita de café com leite, seus olhos alaranjados sempre estavam atentos com o mundo ao seu redor. Sua altura também mudou muito, agora mesmo com 15 anos, quase alcançava a altura de seu pai.  

 

Merian não ficou para trás, se tornou uma mocinha excelente, seus cabelos castanhos agora batiam na altura dos seios que infelizmente começaram a crescer com a vinda da odiada puberdade. Sua pele clareou um pouco graças ao meses que se tornaram mais frios, ajudava sua mãe constantemente e era o orgulho da família.  

 

Mesmo ainda querendo caçar, aquela briga com seu irmão a magoou ao ponto de aceitar de forma completamente forçada seu papel de menina em casa.  

 

Mas ela nunca diria a sua mãe sobre isso, nunca.  

 

A porta da casa foi aberta com certa vontade, Eridan entrava carregando uma raposa nos ombros e ao lado do corpo, trazia alguns coelhos, pôde ver seu pai ajeitando a lenha na lareira e sua mãe terminava de fazer o jantar, mais um dia especial, a família Grillby que também havia crescido estava vindo para a ceia.  

 

Viu o pequeno Killian correr até a sala puxando Merian, porém ele nada disse, apenas jogou a caça no balcão e ajeitou o cinto.  

 

— O bando já está voando de volta, logo chega a primavera. 

 

— Que ótimo. — Merian disse sem muito interesse. Seu irmãozinho continuava a puxa-la. — Ei, calma aí, ferinha. Pra quê esse ânimo todo?  

 

— Porque o Eridan disse que vai me ensinar a caçar na próxima temporada de caça! — Killian exclamou com confiança. — Mal posso esperar pra pegar vários animais como ele!  

 

— Tomando decisões sem me consultar antes, Eridan? — Frisk murmurou, desviando o olhar para Chara. — O que acha disso, querida? 

 

— Você ainda é muito novo. — Chara disse enquanto colocava a forma de torta no forno e sorria com calma.  

 

Eridan olhou para o pai e deu um sorriso calmo, então sentou no sofá e respirou fundo.  

 

— Ele é um tampinha, mas vai que dá pro gasto. 

 

— Com certeza, afinal, ele é exatamente como você. — Merian revirou os olhos. Ela estava passando por uma fase complicada. Sempre brigava com o irmão ou lhe falava coisas com sarcasmo. Era complicado, mas tentava manter a calma. — "Ou talvez como eu fui um dia". — Pensou. 

 

O garoto não disse muita coisa, apenas levantou e olhou para o pai sem muito entusiasmado.  

 

— Posso ir descansar um pouco? Tive que sair de perto de alguns caçadores, estou um pouco cansado. 

 

— O jantar já vai ficar pronto, pode ir descansar quando terminar de comer. — Frisk se levantou do banquinho e virou-se para encarar Eridan, que parecia um pouco impaciente. — Não precisa ficar assim, é só jantar. 

 

— Eu sei, é só que... — Eridan encarou os irmãos e coçou a nuca. — Podemos conversar em particular depois? 

 

— Claro. — Ele assentiu, indo em direção à cozinha.  

 

Há tempos percebeu que Eridan andava mais afastado e o clima entre Merian e ele se tornava mais tenso. Chara já havia conversado com ela, mas aparentemente era apenas uma fase.  

 

— Precisa de ajuda, Chara? — Frisk perguntou, envolveu seus braços em torno da cintura da mesma. 

 

— Não, meu amor. — Ela sorriu e selou seus lábios com os dele. — Está tudo pronto, só precisamos esperar os Grillby's chegarem.  

 

Chara respirou fundo e o abraçou com força.  

 

— Sabe...Acho que é minha culpa, Merian está sempre dentro de casa por culpa minha. 

 

— Ei, não se culpe. — Frisk tocou no queixo da mesma. Logo sorriu fraco. — Ela nunca disse se queria caçar, só quando criança, mas... depois parou. Merian tem uma personalidade forte, duvido que ela não diria se isso a incomodasse. 

 

— ...você acha?  

 

Eridan que escutou atentamente a conversa, levantou de forma calma e estalou os músculos dos antebraços.  

 

— Merian, esqueci algo na floresta, preciso da sua ajuda para ir buscar. 

 

— Vai sozinho, você não precisa da minha ajuda. — Ela não o encarou, apenas olhava para Killian brincando com as almofadas.  

 

— Eu posso ir então?! — O garotinho exclamou. 

 

— Amanhã eu prometo que levo você. — Ele sorriu e bagunçou os cabelos do mais novo. — Por favor, Merian. É importante. 

 

Merian suspirou, mas assentiu. Levantou-se do sofá e seguiu até a porta.  

 

— Você vem ou não? 

 

Eridan assentiu e a seguiu. O garoto prosseguiu até o centro da floresta, então quando finalmente pararam, ele a encarou e cruzou os braços.  

 

— Você quer caçar? 

 

— Por que isso tão de repente, Eridan? — Merian semicerrou os olhos. — Não quero fazer nada. Além do mais, faz anos que não me transformo e não estou com vontade disso. 

 

— Você é sangue do meu sangue, é metade da minha alma. Vamos, eu te conheço. — Eridan retirou a blusa e depois a calça. — Se transforme, agora. 

 

— Pare com isso! — Ela jogou as roupas de volta para seu irmão. — Seu idiota! 

 

— Merian, apenas sinta o vento de novo. — Ele tocou o ombro da irmã e respirou fundo. — Eu não quero te perder. 

 

— Você é um idiota. — Merian se afastou e logo soltou um suspiro longo. Tirou o vestido e olhou para o irmão. — Não sei se consigo me transformar mais... 

 

— Você consegue, é só... Você sabe, pelo e...Rawar? 

 

— Nossa, realmente, me ajudou muito. — Ela riu baixo, então, fechou os olhos, tentando fazer algum efeito surgir. 

 

Sentiu o corpo amolecer um pouco, um arrepio percorreu sua espinha e sentiu as orelhas saltarem para o alto de sua cabeça. Lobo suas pernas femininas se transformaram em patas, seu corpo encheu-se de uma pelagem grossa e como mágica, a loba estava renascida.  

 

Eridan também se transformou, o pelo tomou conta de seu corpo e o mesmo saltou para o efeito vir com mais rapidez. Ele encarou a irmã e lhe disse na linguagem que só eles, Lyncans poderiam entender.  

 

"Acho que você fica mais bonita assim, nem dá pra notar mais aquela cara emburrada". 

 

"E também não dá pra ver sua cara de adolescente frustrado com a vida". — Merian riu internamente. — "O que quer que eu faça?" 

 

"Vamos começar pelo básico, sim? Faz tempo que você não fica assim".  

 

O lobo caminhou de forma lenta até um monte de neve e agachou-se um pouco.  

 

"Devemos esperar a presa". — Lhe disse, percebeu que uma rena se aproximava, porém logo olhou para a irmã. — "Ela está prenha, não ataque". 

 

"Certo". — Merian assentiu. — "Então... o que eu devo fazer?" 

 

"Aprenda a escutar... Um porco selvagem está vindo, faz tempo que não vejo um, não me decepcione". — Ele disse com simplicidade e afundou um pouco mais na neve. 

 

Merian fechou os olhos e se concentrou de onde o barulho vinha. Assim que conseguiu localizá-lo, virou-se lentamente e aproximou-se até uma árvore próxima. Olhou discretamente e pôde ver o porco ao longe, ele estava andando na direção dela. Aquela era uma ótima oportunidade. 

 

Esperou com que o animal chegasse mais perto, provavelmente ele estava procurando por alguma comida. Franziu o cenho e assim que o percebera distraído, atacou. Pulando de uma vez em cima do porco, Merian mordeu seu pescoço com força. 

 

Assim que a jugular foi quebrada, Eridan voltou a sua forma humana e se ajoelhou para tocar a área machucada do animal.  

 

— Sua morte não será dada atoa, descanse. — O garoto olhou para a rena que observava assustada, então ele se curvou e o animal voltou ao seu estado normal. — Devemos respeitar cada um dos animais, nunca esqueça disso. 

 

— Tá. — Merian disse um pouco ofegante logo após voltar à forma humana. — Vamos embora logo, eu estou com frio. 

 

— Vamos, Grillby já está em nossa casa. — Eridan se afastou um pouco e sorriu. — Você não hesitou. 

 

— E perder pra um idiota como você? Sem chance. — Ela também abriu um sorriso.  

 

Ao menos, Merian continuava competitiva e determinada quando se tratava desse assunto. Aquela foi a primeira vez em tempos que se sentira tão confiante. Ela olhou em volta e foi até o vestido jogado sobre a neve. Vestiu-o e voltou.  

 

— Que frio. — Merian se abaixou e pegou o porco, colocando-o sobre o ombro como seu irmão fazia. Não era tão pesado quanto imaginava que fosse. Se bem que humanos-lobos tinham uma força superior aos dos humanos normais. — Vamos? 

 

— Vamos. — Eridan colocou o casaco sobre os ombros da irmã e voltou a caminhar em direção a sua casa.  

 

Assim que chegaram, pode ver Fuku conversando com Killian, sua mãe conversava com Ariana. Elliot, o filho mais novo de Grillby estava quieto, apenas olhava para Killian querendo convida-lo para brincar e tinha receio.  

 

— Chegamos. — Eridan anunciou e rapidamente puxou o animal morto para cima de seu ombro. — Perdemos algo? 

 

— Sua mãe já estava preocupada Eridan. — Frisk desviou o olhar para o filho, arqueando as sobrancelhas ao ver a caça. — Há quanto tempo não vejo um desses.  

 

— Vocês foram caçar sem mim?! — Killian franziu as sobrancelhas. — Merian, você nem caça! 

 

— Amanhã eu levo você comigo, Kill. — Eridan respirou fundo e deixou a caça na cozinha. Elliot arregalou os olhos ao ver Eridan e logo abaixou a cabeça, o mais velho apenas olhou o baixinho e estalou a língua no céu da boca. — Elliot, como está?  

 

— Fuku disse pro papai que quer casar com você. — O baixinho murmurou. 

 

— Como sempre. — Merian riu debochando do irmão. — Você deveria dar uma chance à ela, Eridan. 

 

Eridan apenas franziu as sobrancelhas e balançou a cabeça negativamente.  

 

— Não, não vejo Fuku dessa forma.  

 

Elliot desviou o olhar para a irmã que estava parada em frente a porta.  

 

— Posso usar o dinheiro do seu casamento pra comprar aquelas tortas? 

 

— Não. — Fuku respondeu com calma, deixando seu casaco sobre o cabide. Passou por Eridan sem o encarar muito, então voltou a sentar-se perto de Elliot. — Além do mais, pare de inventar histórias, Elliot. Não gosto de Eridan dessa forma também. 

 

— Viu? Somos irmãos, Fuku e eu somos só isso. — Eridan sorriu e tocou o ombro da moça. — É muito bom rever você.  

 

O garoto sentou em frente a lareira e mordeu seu lábio ao ver o livrinho antigo de seu pai sobre a mesa. Eridan o segurou como algo precioso e soltou um suspiro. 

 

Merian franziu as sobrancelhas ao ver a expressão entristecida de Fuku. Não era muito notável para os outros, porém, como ambas praticamente cresceram juntas, contando segredos uma para a outra, sabia bem quando sua amiga estava triste. Logo, ela foi até Eridan e lhe deu um tapa — não muito forte — na nuca.  

 

— Da próxima vez, fique calado, cabeção. — Merian sussurrou, ainda com o cenho franzido. 

 

— O que eu fiz?! — Eridan sussurrou incrédulo e olhou para Fuku. — Ela disse que não sente nada.  

 

O garoto inflou uma das bochechas e levantou, logo foi até o pai e cruzou os braços.  

 

— Me castra? Não quero ter mulher nenhuma nessa bosta. 

 

— Ao invés disso, posso cortar sua língua se continuar falando desse jeito. — Frisk cruzou os braços da mesma forma que o filho fez, desviando o olhar para Chara, que ria baixinho junto com Ariana. — Sabe, Eridan, um dia você vai mudar esse seu pensamento. Quando eu era mais novo, assim como você, dizia pra mim que era melhor ficar sozinho. Isso até eu sequestrar sua mãe. 

 

— Literalmente. — Chara murmurou e revirou os olhos.  

 

— Não, é que... — Eridan cruzou os braços novamente e franziu as sobrancelhas. — O senhor é muito velho, não quero conselho de quem namorou a milhões de anos atrás.  

 

O garoto voltou para a sala. 

 

— Vê isso? Puxou pra você. — Frisk riu enquanto olhava pra Chara. — Bem direto. 

 

— Puxou pra você, sempre volta que nem cachorrinho. — Chara sorriu torto e olhou para a porta.  

 

Logo Eridan voltou, olhou para a tia Ariana e abraçou o pai.  

 

— Garotas são estranhas, ainda dá pra trocar a Merian? 

 

— Não. — Frisk bagunçou as madeixas do filho. — Um dia você aprende a conviver. 

 

Eridan ouviu algumas batidas na porta a franziu as sobrancelhas. Ninguém nunca vai até aquela parte da floresta. O garoto correu até o mogno pesado e o abriu, então encarou um rapaz da mesma altura que ele parado bem ali.  

 

O menino tinha cabelos negros e olhos verdes, carregava uma capa feita com uma pele grossa e um arco prendia em suas costas. Uma roupa pesada de frio cobria seu corpo e ele encarava Eridan com um pouco de hesitação.  

 

— O responsável pela casa está?  

 

— Pai. — Eridan chamou e manteve a mão no batente. — Tem um esquisito aqui. 

 

— Quem é? — Frisk perguntou enquanto caminhava até a porta. Assim que viu aquele rapaz, ajeitou sua postura. — Posso ajudar? 

 

— Senhor, estou caçando na floresta e preciso de um lugar para passar a noite, a pousada está cheia e não tenho para onde ir. Posso pagar, existe algum quarto disponível? 

 

Frisk não teve uma resposta imediata. Um caçador... mas parecia tão jovem por sua aparência. E além do mais, o que ele estava fazendo ali sozinho? Era perigoso... não? 

 

Olhou para trás e encarou Chara, ele sabia o quão ela era boa a ponto de não permitir que um garoto da idade de seus filhos dormisse na floresta, ainda mais pelo frio que estava fazendo. Também olhou para Grillby, que por ir jantar com eles, provavelmente então era algum amigo seu que estava tomando conta da gerência da pousada. 

 

Desviou novamente o olhar para o garoto desconhecido, soltando um suspiro silencioso.  

 

— Certo, entre. — Frisk disse de uma vez, e assim que ele entrou, fechou a porta. — Mas por uma questão de segurança, quero que deixe suas armas comigo, tudo bem?   

 

— Sim, senhor. — O garoto retirou suas armas, sendo essas o arco, as duas facas e uma espingarda. — Aqui, devo pagar quanto?  

 

Chara caminhou até os dois e tocou o ombro de Frisk.  

 

— Qual seu nome?  

 

— Axel Rollo. — Ele murmurou. 

 

Merian desviou o olhar brevemente para encarar aquele 'estranho'. Como não saía muito de casa, praticamente não via o que acontecia fora da floresta, portanto, nunca conhecera alguém de sua idade além de Eridan.  

 

— Não se preocupe, eu me sentiria mal extorquindo uma criança como você. — Frisk riu torto. — Bem... todos nós vamos jantar, quer participar também? 

 

— Não será um incômodo? — Ele disse e então olhou para o garoto que o encarava. — Tudo bem?  

 

Eridan apenas cruzou os braços e olhou para o pai, não disse nada. Apenas foi para o seu quarto e fechou a porta. 

 

Merian até pensou em ir atrás do irmão, entretanto, precisava ficar atenta, afinal, tinha um estranho em sua casa! Mas, apenas ficaria para checar a segurança, apenas por isso. Obviamente não era porque ela nunca saía de casa e aquela era a primeira vez que via alguém de sua idade que não fosse a Fuku ou Eridan. 

 

— Depois eu falo com ele, mãe. — Merian olhou para Chara, que tinha acabado de suspirar. 

 

— Venha, querido, vá se aquecer. — Chara o segurou pelos ombros e o acompanhou até o quarto.  

 

Ao entregar o lanche para Axel comer enquanto jantava, Chara olhou para Killian e então arqueou uma das sobrancelhas ao vê-lo tão quietinho.  

 

— Kill, está tudo bem? 

 

— Nada, mamãe. — Killian abriu um sorriso. — Eu tô com fome! 

 

— Certo, vem aqui, filhote. — Ela pegou seu garotinho nos braços e caminhou junto a ele até a mesa.  

 

Eridan logo desceu, então sentou em frente à mesa e olhou para Grillby e Ariana.  

 

— Como está a hospedaria, senhor G? — Ele perguntou ao forçar um sorriso. 

 

— Vai bem, obrigado. — Ele respondeu com uma risada baixa. — E com a caça? 

 

— Eu não caço! Meu irmão disse que ia me ensinar mas até agora, nada! Levou até a Merian pra caçar aquele porco escondido, mas eu não! Eles acharam que eu não ia perceber, mas eu percebo tudo! Eu sou um lobo! — Killian exclamou tudo rapidamente. A indignação era perceptível nos olhos daquela criança. 

 

Eridan encarou o caçula por alguns segundos e rosnou sem nem ao menos perceber.  

 

— Corre. Corre agora, Killian. 

 

— Por que? — Killian perguntou, franzindo as sobrancelhas. — O que aconteceu? Desculpa, eu não queria brigar com você. 

 

Eridan levantou, então puxou Killian para longe da mesa e se ajoelhou em frente ao pequeno.  

 

— Não pode falar para as pessoas que é um lobo. 

 

— Por que? Eles são amigos da mamãe e do papai, não tem problema. — A criança cruzou os braços. — Você que é um chato.  

 

— Eu vou te dar uma surra se ficar falando pra eles. — Eridan franziu as sobrancelhas e levantou. — Eu sou mais velho que você, sei o que estou falando. Não pode ficar falando isso, é segredo. 

 

— Se você me der uma surra, eu vou falar pra todo mundo que me bateu! — Killian deu língua pro irmão. — Não vou contar, seu chato!  

 

O mais velho apenas suspirou e deu um belo cascudo na cabeça do menor, então se afastou e voltou para a mesa. Desviou o olhar para o pai e a mãe, então mordeu o lábio inferior e forçou um sorriso calmo.  

 

— Hã... Acho que Killian tem algum amigo imaginário. 

 

— Deve ser. — Frisk riu nasalado, voltando sua atenção para Grillby. — Enfim, os lobos já chegaram à aldeia? 

 

— Sim, Frisk. — O ruivo olhou um tanto apreensivo para Ariana. — Ariana quase foi atacada se não tivesse entrado logo em casa. 

 

— Ele não me deixa sair de casa mais. — Ela fez uma expressão entediada e suspirou. — Mas está complicado de andar livremente por aí, também não estou deixando Fuku se encontrar com as amigas. Às vezes me preocupo com vocês, que vivem na floresta. Ainda mais com o Kill, que já percebi que adora a ideia de ter lobos na floresta.  

 

— Ele pensa que são como... cachorrinhos. — Chara sorriu fraco e entrelaçou os dedos na destra do marido.  

 

— Melhor não sair. — Eridan desviou o olhar para Fuku e respirou fundo. — É perigoso, obedeça seu pai.  

 

— Mas você vive caçando, papai, o primo Eri não tem medo? Eu posso sair? — Elliot perguntou com curiosidade.  

 

— Eu já conheço a floresta, baixinho. — Eridan sorriu fraco. — Você deve permanecer em casa, cuidando de sua mãe e irmã. 

 

— Obrigada por se preocupar, Eridan. — Ariana sorriu. — Você é um doce. 

 

— Que doce, hein. — Fuku revirou os olhos, cruzando os braços. Estava visivelmente chateada com o rapaz.  

 

— Pare com esse drama, minha filha. — Sua mãe lhe repreendeu.  

 

— Falei algo errado? — Eridan tombou o rosto para o lado e jogou uma das ervilhas na mão de Fuku, uma prática que fazia desde criança quando a chateava. — Desculpa. 

 

A garota franziu as sobrancelhas e olhou para um ponto qualquer da sala. Não queria encará-lo, afinal, não importava se Eridan nunca se apaixonasse por ela, ele ainda a conquistava com pequenos atos. Fuku sabia que não seria saudável permanecer com esse sentimento, mas...  

 

— Vocês dois são estranhos, eu hein. — Elliot disse. 

 

Eridan riu baixo e comeu um pouco do frango que sua mãe preparou. Mais algumas risadas e vários momentos gostosos em família foram concretizados até que chegasse a hora dos Grillby's partirem, porém como já estava tarde, Eridan levantou e pôs o casaco.  

 

— Vou acompanhar vocês até as tochas da aldeia, assim não terá perigo algum. 

 

— Eridan, fique em casa, já está tarde. — Frisk disse. Sabia que seu filho já era um homem, mas mesmo assim, tinha medo de algo lhe acontecer. — Eu vou com eles. 

 

— Não, você passou o dia todo ajudando minha mãe em casa, eu vou, realmente não me importo. — O garoto sorriu com tranquilidade e olhou para o andar de cima. — Além disso, temos um estranho em casa, o senhor é o responsável da família, deve ajudar mamãe caso algo aconteça. 

 

— Certo, então. — Ele sorriu, satisfeito com a resposta. Seu filho realmente havia crescido, não era mais o garotinho de 5 anos medroso, que sempre corria para os braços da mãe quando tinha medo. 

 

— Boa noite, Frisk e família. — Grillby sorriu e acenou, logo todos de sua casa junto com Eridan.  

 

O garoto apertou uma espingarda nas costas e seguiu com os Grillby pela floresta, não tinha mais medo do local, era como sua segunda casa.  

 

— Você não tem medo de voltar sozinho, Eri? — Eliott perguntou e sorriu quando Eridan lhe pegou no colo, então logo o colocou sobre os ombros e sorriu quando Ariana acendeu a tocha para irem.  

 

— Não tenho medo, você vai me proteger lá da aldeia, não é? — Eliott fez uma pose valente e assentiu. — E eu gosto da floresta a noite, é tranquila. 

 

— Mesmo assim, tome cuidado. — Grillby disse. — Você é só um adolescente, no final das contas. Qualquer coisa, pode dormir em nossa pousada e de manhã cedo irei lhe levar. 

 

— Preciso voltar ainda hoje, mas agradeço. — Eridan sorriu e continuou andando junto aos Grillby.  

 

Após alguns minutos de tranquilidade, o garoto colocou Ariana e Fuku atrás de si. Já estavam quase na aldeia, apenas mais duas ou três curvas de rua lamacenta. Porém, Eridan ouviu entre os arbustos, o som de patas e garras riscando a terra.  

 

— O senhor pode, por favor, andar na minha frente? — Disse enquanto olhava para Grillby. 

 

— O que aconteceu, Eri? — Elliot pergunto, colocando a mão na bochecha do mais velho. 

 

Grillby não entendeu, porém, assentiu, indo para frente do menino. Ariana e Fuku também ficaram um pouco confusas, mas tinham um pressentimento ruim com aquele silêncio repentino. O silêncio era a pior coisa de todas em uma floresta, pois quando os animais se calavam, o inimigo estava por perto. 

 

Eridan gentilmente pôs Elliot sobre os ombros do pai, então retirou um bastão da cintura e apertou as mãos na madeira. Assim que Fuku perguntaria algo, o rapaz empurrou ambas para frente e bateu o bastão contra algo que nenhuma pôde enxergar, se assustaram ao ver um lobo cinza roscar, enquanto Eridan apenas segurava seu focinho e o encarava com completa calma.  

 

— Não há comida aqui, vá embora. — Soltou o focinho do animal bem devagar, então abriu os braços, mostrando que os Gillby estavam com ele.  

 

O lobo o encarou por vários seguros e então, foi embora. 

 

 


Notas Finais


Quanta treta, scrr

~Beijinhos com flores de Maracujá da Usagi-chan ~
♧E um abraço trevoso da CeciFrazier♧


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