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História Reflexos na Vidraça - Capítulo 1


Escrita por: e Lynsky


Notas do Autor


Oii, dessa vez eu vim com um suspense, que mesmo não sendo meu forte, foi legal de escrever.

Capítulo 1 - Parabéns, meu amor


Fanfic / Fanfiction Reflexos na Vidraça - Capítulo 1 - Parabéns, meu amor

Era uma manhã cinzenta, mas Jimin já estava acostumado, com aquele vazio abafado que teimava em ocupar sua pequena casa, onde morava sozinho há alguns anos.

Deitado em sua cama bagunçada, encarava o teto como se dele pudesse obter alguma coisa. Porém, se pôs de pé usando de boa parte da sua força de vontade. Havia virado à noite ensaiando e repassando novas coreografias para as aulas no estúdio, e graças a isto o Park ganhou de presente belas olheiras arroxeadas. Irônico ao pensar que justo naquele dia estava fazendo aniversário. E precisava se apressar para organizar sua própria festa.

Festinha, no diminutivo, seria melhor para descrever a celebração com um bolo, os amigos mais próximos e alguns poucos parentes. Mais do que outras vezes, já que raramente comemorava seu aniversário.

Na verdade, Jimin não estava no melhor dos momentos. Havia acabado de sair de um relacionamento de muitos anos, mal conseguia olhar suas redes sociais. Então, achava que uns doces e pessoas que lhe fizessem sorrir, poderiam fazer bem, e ajudar de alguma forma a preencher o enorme buraco em seu peito.

Foi questão de poucos minutos para o Park atravessar a porta de casa, e caminhar em direção ao centro. Com as mãos nos bolsos de seu casaco de moletom, e os fones no ouvido, não demorou a chegar até o grande aglomerado de gente. Carregava uma sensação esquisita de estar sendo observado e até mesmo perseguido. Podia notar uma sombra pelos reflexos nas vidraças, e seu estômago parecia gelado ao ver de canto de olho, mas ignorou e adiantou o passo, afinal, estava tão cheio que deveria ser apenas um sentimento bobo. E Jimin continuou seu caminho até a confeitaria, pelo menos tentou, até bater de frente com alguém num impacto muito forte que quase lhe roubou o ar.

— Me desculp… Jimin?

Ele interrompeu sua própria fala, e o Park reconheceu muito bem aquela voz. Nunca ergueu sua cabeça tão rápido antes, apenas para ver Yoongi diante de si e ser atingido pelas sensações, como se tivesse acabado de levar um soco. Mal tinha posto os pés para fora da cama e já havia sido nocauteado. E para ser sincero, Jimin nem estava lutando mais.

— Bom dia, Yoongi.

E saiu.

Felizmente virou na primeira esquina e entrou na confeitaria.

Jimin não conseguia imaginar o tamanho do seu azar, mas calculava que fosse bem grande. Afinal, dar de cara com o ex logo na primeira semana e justo quando resolveu sair de casa, não era coisa para um azarado qualquer.

Tentou afastar os pensamentos, enquanto procurava por algum bolo na “vitrine”. O escolheu facilmente, mas não pôde resistir em comprar uma torta também, ela parecia tão bonita rodando naquele mostruário, e Jimin amava tortas. Seu maior problema seria levar os dois para casa inteiros. Contudo, para sua surpresa, quando ia saindo com as duas caixas nas mãos, encontrou Taehyung entrando no estabelecimento. Ele era seu vizinho e também um ótimo amigo, havia lhe ajudado mais vezes do que podia contar.

— Eu mal te vi escondido atrás dessas caixas, Jimin. — Riu ele, ao retirar um dos doces de cima do Park.

— Obrigado, Tae. — Disse, realmente agradecido pelo ato de bom coração vindo do outro. — Eu passei aqui para comprar o bolo.

— Não só o bolo…

— Eu fui seduzido por esta torta! — Defendeu-se. — Enfim, o que veio fazer aqui?

Os dois riram, e seguiram o caminho para fora da loja, continuando a conversa num clima ameno e amigável.

— Eu queria comprar “cupcakes”, para a sobremesa.

— Ah, faz sentido. — Concordou Jimin com a sombra de um sorriso no rosto.

Ainda se sentia incomodado, mas a presença de Taehyung aliviava uma boa parte da tensão em seu corpo.

O restante do dia correu normalmente, até começarem a chegar os primeiros convidados para ajudar.

Seus pais lhe deram longos e calorosos abraços, e por alguns instantes, Jimin ficou realmente feliz. Logo, sua mãe se prestou a organizar, pondo decorações e pratos à mesa, enquanto a noite ia caindo e o Park tratava de receber quem mais fosse chegando na porta. Ocupou a cabeça com cumprimentos e felicitações, era muito educado e sabia bem como distribuir sorrisos. Contudo, qualquer rastro de alegria murchou no exato momento em que um estrondo alto foi ouvido na cozinha.

Jimin notou aberta, uma janela que havia deixado fechada, e isso lhe rendeu calafrios por todo o corpo. Não saberia dizer exatamente quanto tempo ficou parado ali, boquiaberto, as cortinas balançavam com a brisa gélida e noturna. O breu do jardim pareceu ainda mais aterrorizante. E mais uma vez, sentiu-se observado.

Com um suspiro longo, a fechou, e dispersou seus achismos, se apressando para pegar o bolo na geladeira e levá-lo até a sala, onde todos esperavam em meio à conversas e burburinhos animados. Por fim, o Park sorriu e colocou o doce sobre a mesa já arrumada.

Houve um coro, cantando cheio de energia os parabéns, ao final da música, Jimin apagou as velas. Rápido, mas ainda assim, um acontecimento para não deixar passar em branco. E então, cortaram o bolo. Fizeram uma tal cerimônia, sobre para quem seria o "primeiro pedaço", e bem, resolveu escolher o melhor amigo, Hoseok. De qualquer forma, ele parecia bem agitado por aquele doce e o Park achou justo, ainda mais quando o rosto dele pareceu se iluminar.

Porém, “tudo que é bom dura pouco”.

E essa frase se repetiu diversas vezes em sua cabeça.

Enquanto desesperado via o amigo paralisar e ter problemas para respirar. Até parar completamente. Simples e silencioso.

Os convidados gritavam e tentavam ajudar o garoto que já perdia a consciência.  

Jimin paralisado olhava tudo aquilo como se acontecesse em câmera lenta, sua mente demorando mais que o normal para processar tudo. Até erguer seus olhos à vidraça mais próxima e notar um vulto ali, que brincava ao se esconder atrás das cortinas e parecia rir, se divertindo às suas custas.

Foi quando as peças começaram a se encaixar. Lembrou dos reflexos na vidraça, que iam até à confeitaria, da janela aberta.

— Ninguém mais, encosta nesse bolo! — disse em alto e bom som, mesmo com a voz trêmula, um nó na garganta e uma enorme vontade de chorar. Estava em pânico — Ele foi envenenado.

E tremeu ainda mais ao pensar que quem quer que fosse, planejava que fosse a si a comer aquele pedaço, não Hoseok. Estavam tentando lhe matar, e isso não parecia entrar em sua cabeça. Apenas queria gritar e gritar. Gritar pelo melhor amigo morrendo aos poucos, pelo medo lacerante e por sua própria vida estar em perigo.

A ambulância chegou em poucos minutos, trazendo uma verdade que Jimin ainda não queria acreditar, mesmo que estivesse a ponto de surtar com ela. Hoseok estava morto.

E nada poderia mudar isso.

Jimin sentia que seria o próximo. Sem mais erros.

Não havia uma forma de estar mais certo.

Ao fim da tragédia e na saída do hospital. Seu estômago parecia revirar no caminho de volta para casa, mas soube que jamais chegaria nela e que aquele era um caminho sem volta, quando passou a escutar passos atrás de si.

Uma mão lhe cobriu os lábios, lhe impedindo de gritar e sabia que também não teria como escapar.

Suas lágrimas vieram, junto de um sussurro dito próximo ao seu ouvido por aquela voz tão conhecida, viu de relance uma faca e o reflexo do rosto de Yoongi na lâmina.

— Feliz e último aniversário, meu amor.


Notas Finais


E por fim, gostaria de agradecer a @mygsyl pela betagem e @UmaMiniArmy pela capa e pelo banner maravilhosos♡


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